Com a saída do Catedral do cast da MK, após uma parceria da gravadora com a Warner Music Brasil que rendeu lucros exorbitantes para o selo carioca, era interessante ter outro grupo de rock. A MK Music, de fato, nunca foi a gravadora ideal para bandas de rock cristão, mas, depois da Gospel Records, foi a que mais se propôs a lançar discos do gênero. Tentaram nos anos 90 com o Complexo J, Semeando, Raízes, Contato Vital, e até mesmo com Carlinhos Felix, que aos poucos tendeu mais ao pop. A maioria destes nomes não obtiveram grandes resultados, exceto Carlinhos, que preferiu lançar sua própria gravadora, e o Complexo J, que migrou para a Gospel Records.
Quando o Catedral lançou seu primeiro álbum pela WEA, o então ex-integrante do Oficina G3, Túlio Régis, ciente da vontade dos integrantes da banda de mudarem de gravadora, tentou contato com a MK para levá-los à gravadora carioca. Em entrevista cedida ao Ruben Mukama, o cantor afirma que, apesar do grupo ser o que mais vendia na Gospel Records, seu contrato era ‘animalesco’.
Eu sou um dos culpados disto. Um dia disse: por que vocês estão na Gospel Records ainda? Porque eles se submetiam ao distrato que sofriam, como bandinha, deveriam voar mais alto, independente ou indo para uma gravadora melhor; ficaram receosos, porque tinham o apoio de mídia da Renascer e do apóstolo, e temiam retaliação. Comentei sobre a MK Publicitá, e disse que o Marquinhos, um amigo de uma banda legal do RJ poderia dar uma força. Eles ficaram na dúvida. Eu liguei para o Maquinhos, comentei sobre e justamente quando o Catedral havia saído se abriu uma brecha para eles, o Marquinhos não acreditou que poderia ter esta oportunidade boa… Enfim, a negociação foi feita e o Oficina G3 se transferiu para a MK, a condição é que eles não mais teriam mais direitos sobre os diretos das músicas e afins produzidos por eles na Gospel Records, este foi o trato.
Era fato de que os tempos para a banda eram bons. Luciano Manga fez sua despedida em alto estilo com Indiferença, e os álbuns acústicos com o novo vocalista PG eram comercialmente promissores. Com isso, a presidente da MK, Yvelise de Oliveira, sugeriu à banda que neste primeiro trabalho fizessem canções mais pop, ideia que a banda já cogitava abraçar. Com isso, O Tempo se afastou parcialmente do hard rock dos últimos inéditos, mesclando bastante influências do pop rock.
Infelizmente, os fãs mais radiciais do Oficina G3 dilaceram o disco, como se um registro pop rock fosse a pior coisa que a banda teria feito. Ocorre que, não é necessária uma análise profunda para notar que, embora comerciais, a maioria das músicas são bem construídas, com arranjos criativos, o que faz o trabalho ter seus grandes méritos. Ainda há de se considerar que o sucesso da banda deve-se muito a este CD, que na época, chegou a vender quase 200 mil cópias e, até hoje é seu o maior sucesso comercial.
Em 2001, a banda foi convidada para participar do Rock in Rio 3. Até aquele momento, nenhuma banda de rock cristão tinha participado do evento, e o Oficina, além de outro grupo chamado Os Nazaritos (que nunca abordei aqui por não considerar o trabalho deles importante para a história do rock cristão nacional) tiveram a grande chance. Antes mesmo da participação ocorrer, várias igrejas se opuseram ao fato, com acusações ferrenhas ao conjunto. O que parecia soar como uma grande chance de expandir o seu trabalho tornou-se um fracasso, pois a banda foi forçada a iniciar a sua apresentação antes dos portões se abrirem, passando parte do show tocando e cantando para ninguém. Isso os deixou imensamente decepcionados.
Muitas outras polêmicas aconteceriam com a banda, mas isso é para o próximo post, a respeito do álbum Humanos.
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