Era 1995. Nem o próprio Simion sabia, mas era seu último trabalho como vocalista do Katsbarnea. A banda estava muito bem após Cristo ou Barrabás?, mesmo com as constantes trocas de formação. Dos músicos de longa data só restou, com ele, Jadão. Com a participação de Paulo Anhaia na produção musical (o que sem dúvida foi fundamental para o resultado final), o Katsbarnea (ou, naquela época Simion e banda) lançou o tão elogiado Armagedon que, de longe é o melhor trabalho de sua discografia.
O Kats já tinha flertado com muita coisa. Já foram simpatizantes do glam, fizeram músicas hard rock, pop rock, rock experimental e até mesmo umas faixas com folk. Desta vez, resolveram unir muitos destes elementos e fazer o álbum que definitivamente teria a cara da banda.
Mais sombrio que os anteriores, Armagedon por pouco não é um álbum conceitual. Muitas das músicas versam sobre questões relativas à ação maligna e a libertação por Cristo. É um tema relativamente comum nas canções anteriores divulgadas pela banda, mas de forma bem mais complexa e polida. Dos sintetizadores que duram mais de dois minutos antecedendo à agressividade de “Invasão”, a interpretação de Brother Simion em “Armagedon” e a letra forte de “Crack (Atos 11)”, o disco tem suas partes mais pesadas, mas une-se à baladas e canções pop. “Gênesis” foi o seu maior sucesso, mas particularmente, creio que “Do Céu” é a melhor faixa, com um belo solo de guitarra de Déio Tambasco, que na época estava como guitarrista da banda.
Há várias participações especiais no disco. Uma delas é Duca Tambasco, baixista da Oficina G3 e Esdras Gallo, do Renascer Praise. Mas é Jimena que rouba a cena nos vocais em “Get out of Babylon” juntamente com Simion. Brother, neste álbum também ficou a cargo dos teclados, partilhando com o músico Giovani Bon.
Após Armagedon, a banda continuou se apresentando, só que, mais tarde Simion migraria para a carreira solo. Mas este é um assunto para outro post. Até mais!
Após um trabalho que certamente dividiu opiniões, o mais óbvio era que o Trazendo a Arca recuperasse sua energia para um futuro projeto de inéditas. Isso só seria possível com um lançamento intermediário. A tática é usada no mercado fonográfico desde muito tempo, e certamente foi uma boa hora para o Trazendo a Arca.
Seu primeiro projeto em língua estrangeira, Español resgata muito bem os maiores sucessos do grupo fluminense, com poucos deslizes. A produção musical e arranjos evidenciam uma banda nada incomodada pela saída de Ronald Fonseca, principalmente em suas partes mais agitadas, como “Toca en el Altar” e “El Suelo Va a Temblar“, com uma base instrumental consistente e sólida. Luiz Arcanjo não garante surpresas nas canções em que sua característica voz é conhecida, mas sua performance soa muito agradável em faixas que antigamente só eram ouvidas na voz de Davi Sacer, como o single “Dios de Promesas“. Os arranjos, no geral se baseiam nos incrementos feitos em apresentações e gravações ao vivo, o que faz “Sobre as Águas“, por exemplo, soar familiar.
No entanto, o (pouco) que pesa contra Español é o fato de não conter absolutamente nada que seja posterior à Salmos e Cânticos Espirituais, mantendo de fora faixas de Entre a Fé e a Razão e Na Casa dos Profetas. Ainda soou desconfortáveis as canções que originalmente continham duetos e foram trocadas por backing vocais, principalmente “Tu Gracia me Basta” e “Señor y Rey“. Esta última, mesmo sendo, de longe uma das melhores músicas de toda a carreira do Trazendo a Arca foi uma proposta arriscadíssima de se trazer em Español, sobretudo por sua versão original ser dificilmente superada.
Em suma, Español é um bom registro de uma banda que, aos poucos revigora suas forças frente à saída de seu principal arranjador, mas bem focada em um projeto comemorativo. As canções que o compõem certamente estão dentre os principais hits do Trazendo a Arca, provando o porquê são um dos principais expoentes do gênero no Brasil, gerando expectativas para o próximo CD de inéditas, que virá em breve.
Anteriormente, aqui na Rocklogia, citamos a fundamental participação de Rick Bonadio nas produções do Resgate, Katsbarnea e Brother Simion. Mas, foi com Paulo Anhaia que o quarteto formado por Zé Bruno, Hamilton Gomes, Marcelo Amorim e Jorge Bruno ampliou sua visão e alcançou maior maturidade.
Antes de trabalharem com Anhaia, Zé e Hamilton já o conhecia nos tempos escolares. Em meados de 1995, souberam que Paulo estava trabalhando como produtor. O guitarrista estava no Estúdio 43 após ter trabalhado num álbum do Velhas Virgens, lançado em janeiro daquele ano. A banda decidiu gravar com ele, que passou a acompanhar os ensaios do Resgate. Seus membros contam, no encarte da coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito que Paulo ajudou muito a banda a evoluir, dando dicas de composições, trabalhando em arranjos, melodias, estruturas e experimentações. As sessões foram feitas ao vivo entre junho e outubro daquele ano.
On The Rock foi gravado num sistema digital composto por fitas ADAT (algo bastante comum na época), com Hamilton e Zé dividindo as guitarras e violões, enquanto Marcelo e Jorge, ficaram a cargo do baixo e da bateria, respectivamente. Entretanto, também há utilização de sintetizadores, executados por Zé Bruno juntamente com o próprio Paulo Anhaia, que colaborou nos backing vocais.
A capa e design do álbum foram feitas por Wagner García, mais conhecido como o Maradona. Wagner foi o baixista da formação inicial da Oficina G3. Como dito em um post anterior, o instrumentista saiu do grupo, dando lugar à Duca Tambasco em meados de 1993. Maradona produziu a arte gráfica de muitos discos deste período, mas segundo relatos, hoje o baixista está afastado do cristianismo.
Apesar de ser uma banda que predominantemente permeia o hard rock e o pop rock, os membros do Resgate sempre tiveram uma queda pelo heavy metal. Algumas canções do primeiro álbum até tentavam puxar para as vertentes mais pesadas do rock, mas a exigência técnica para os músicos é grande, e o quarteto não se sentia, de certa forma completamente capaz de seguir este rumo.
No entanto, a ousadia falou mais alto, e On The Rock é um registro que levou o Resgate para outro nível, embora com um pé bem fincado no hard – as canções estão bem mais articuladas, os riffs das guitarras de Zé Bruno e Hamilton são marcantes, produzindo um trabalho ótimo de se ouvir do início ao fim. Desde a crítica religiosa feita em “Doutores da Lei”, a pegada pulsante de “Acusador”, o humor de “Papo de Loki”, “Fogo” e até mesmo baladas memoráveis como “Palavras”, o álbum, como um todo consegue manter uma consistência sem soar morno ou monótono.
O êxito maior do projeto, é sem dúvida “5:50 AM”. Não que seja a melhor faixa, mas é, até hoje o maior sucesso do quarteto, sendo executada em todos os seus shows. A instrumentação possui muitas influências do rock sessentista e setentista, com seu compasso incomum dentre o repertório do Resgate.
On The Rock é talvez o melhor álbum do Resgate. Talvez porque, quando se fala no grupo paulista, as opiniões são muito variáveis. Existem pessoas que preferem o álbum Resgate (1997) ou até mesmo o Praise (2000). Ainda, há os que possuem preferência a títulos mais recentes, como Até eu Envelhecer (2006) e Ainda não é o Último (2010). Mas independência de gostos pessoais, é indiscutível de que On The Rock, de 1995 é um divisor de águas na história do quarteto.
Paulo Anhaia continuaria a trabalhar com a banda por muitos anos. Atualmente, o instrumentista segue trabalhando com o quarteto, tendo participado, inclusive da gravação de 25 anos do Resgate. Mas isso é assunto para outro texto…
1995 foi um dos, se não o mais produtivo na história do rock cristão no Brasil. Um disco, que se tornaria clássico na discografia do Fruto Sagrado é O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar. Mas por que este trabalho é tão especial?
Anos antes, a banda tinha produzido Na Contramão do Sistema, que continha boas canções do trio Marcão/Bênlio/Flávio. Mas, neste ínterim, muita coisa mudou na banda. A começar, por sua formação. O guitarrista Bene Maldonado ingressou, e consigo várias influências. No entanto, ninguém foi mais incisivo no repertório do que Marcão. O cantor, fortemente empolgado com os trabalhos da banda Dream Theater (que curiosamente o Oficina G3 teria referências no fim dos anos 2000) decidiu fazer um álbum do Fruto Sagrado na mesma proposta. Parecia loucura, afinal, segundo o próprio, o grupo tinha uma matemática louca nas canções. O resultado, obviamente seria um álbum anticomercial. Mas, foi além disso.
A gravação do álbum gerou uma série de problemas técnicos com equipamentos. Segundo o cantor, em uma entrevista recente, as sessões foram ruins, e o material foi registrado em fitas ADAT. A respeito das canções, nota-se bastante empolgação por conta dos músicos, mas as influências ficaram acima da identidade que o Fruto Sagrado tinha apresentado anteriormente. Apesar da famosa “Amor de Deus”, O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar não teve uma recepção tão boa quanto o seu anterior, fazendo com que o quarteto buscasse fazer músicas mais simples nos projetos futuros.
Para o álbum foi gravado o clipe de “Podridown”, com sua crítica ferrenha à corrupção na política, com uma performance explosiva dos integrantes da banda.
O Fruto Sagrado somente lançaria outro trabalho de inéditas em 2000, com uma formação um pouco diferente desta época.
O SOS da Vida é uma peça importante na história do rock cristão brasileiro. Este evento, no qual também conta uma parte positiva do legado da Igreja Renascer em Cristo apresentou várias bandas que hoje são de “estudo” obrigatório aqui na Rocklogia. Ainda, somos apresentados às formações de cada grupo, o quanto cada música apresentada se insere no contexto daquela juventude, com seus impactos.
A primeira edição do evento ocorreu em 1991, no Ginásio do Ibirapuera. Há de se destacar que, considerando a gravadora Gospel Records, o evento acabou, de certa forma dando suporte às bandas novas que estavam surgindo. Talvez a mais beneficiada tenha sido Katsbarnea. Na internet, é possível encontrar apresentações do conjunto em várias de suas edições. Gosto bastante de “Cristo ou Barrabás” no terceiro evento. Com o guitarrista Tomati, Paulinho Makuko e Jadão fornecendo uma base pulsante, é talvez a melhor performance ao vivo desta música. Na sexta edição, “Get out of Babylon” também ficou bem legal.
Outras bandas também estiveram presentes no festival. Do Resgate, por exemplo, é possível encontrar “Quem é Ele?”, do primeiro álbum, com sua pegada fortemente hard rock. O Rebanhão participou de várias edições. Em 1992, ainda com Pedro Braconnot e Paulo Marotta na formação, em 1993 com a participação da nova formação (incluindo Dico Parente) e em 1994, com Braconnot novamente sozinho.
O Fruto Sagrado também participou várias vezes do evento, tanto na época do álbum Na Contramão do Sistema e O que a gente faz fala muito mais do que só falar, ambos lançados pela Gospel Records. Neste último, Bênlio está definitivamente nos teclados, quando ocorre a entrada do guitarrista Bene Maldonado na formação. O Oficina G3 destaca-se pela presença de palco do vocalista Luciano Manga. É claro, Juninho Afram também colabora nos vocais e os registros são de uma das melhores fases deste grupo.
Na edição de 1993, a grande atração foi a banda norte-americana Bride, que recentemente encerrou as atividades. O grupo simplesmente gravou um registro áudio-visual completo no Brasil, em seu auge, numa performance memorável.
https://www.youtube.com/watch?v=yOJZe66W92o
Infelizmente, o evento foi perdendo sua força com os anos. Um dos motivos consiste no “fechamento” da visão evangelística da Renascer, que mais tarde daria espaço aos seus escândalos no fim dos anos 2000. Mas isso é outro assunto…
Continuem acompanhando a Rocklogia que em breve teremos textos incríveis e com material atualizado. Abraços!
Diferentemente de várias bandas do meio cristão, o Trazendo a Arca, na maioria das vezes atuou em conjunto nas composições. Porém, Luiz Arcanjo forneceu várias canções nas quais construiu sozinho – algumas são clássicas do grupo. Também sempre se destacou de forma diferenciada dos demais integrantes compositores, o baixista Deco Rodrigues e os ex-integrantes Ronald Fonseca e Davi Sacer na temática e poesia de suas letras.
Neste TOP10 escolhemos por nossa opinião as dez melhores obras exclusivas de Luiz Arcanjo gravadas e lançadas pelo Trazendo a Arca, desconsiderando, assim, músicas de sua carreira solo ou gravações de outros artistas.
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“Perdoa” – do álbum Pra Tocar no Manto
Em Pra Tocar no Manto, de forma indireta Luiz afirmou sua capacidade de liderar o lirismo do Trazendo a Arca, apresentando um discurso cristocêntrico e confrontante. Do álbum mais maduro do grupo, temos “Perdoa”, um pop rock em primeira pessoa, como uma oração do eu lírico, por tantas vezes ter negado a Cristo como o centro de suas motivações. Do arranjo, destacam-se o solo e os riffs de Isaac Ramos. (2009)
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“Graça” – do álbum Na Casa dos Profetas
Música que anteriormente era prevista como provável título do álbum Na Casa dos Profetas, “Graça” tem todos os elementos do que uma clássica música do Trazendo a Arca deve apresentar: cordas aliadas ao piano, e a cozinha que cresce, ganhando força, até atingindo o seu ápice do refrão. Não possui uma letra surpreendente em comparação a outras de Luiz, mas sua sonoridade é exuberante. (2012)
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“Kabod” – do álbum Na Casa dos Profetas
Como uma versão mais ousada de “O Chão vai Tremer”, “Kabod” surge como a canção mais pesada de um álbum sem Ronald. Como compensação, André Mattos surpreende e faz uma de suas melhores – senão a melhor – performance na bateria. O refrão é contagiante e mostra um pouco do que o Trazendo a Arca pode nos apresentar nos próximos trabalhos como efeito nas mudanças de formação. (2012)
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“Se não Fosse o Senhor (Salmo 124)” – do álbum Salmos e Cânticos Espirituais
Luiz assina a letra e música, e para uma canção de agradecimento a Deus temos uma balada pop rock muito bem executada e centrada nos teclados de Ronald/Wagner Derek. No final, há espaço para um dos melhores solos de Isaac Ramos na banda e interpretação vibrante do próprio Arcanjo. É uma das poucas canções escritas sozinhas no álbum, somado a “Me Levanta com Tua Destra” por Ronald. (2009)
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“Toca na Rocha” – do álbum Pra Tocar no Manto
Não dá para pensar na letra desesperadora de “Toca na Rocha” sem a interpretação intimista de sua intro pelo piano de Ronald Fonseca. Com a chegada do violão de Ramos e as cordas, o arranjo é preenchido, e no vocal de Luiz temos uma mensagem de esperança em meio às dificuldades. É, de longe uma das melhores baladas do Trazendo a Arca. (2009)
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“Casa do Oleiro” – do álbum Entre a Fé e a Razão
É uma das letras mais poéticas de Luiz. Mas, desta vez é Isaac Ramos que rouba a cena com o feeling de seu violão, que em toda a canção faz o ouvinte se emocionar. Com as cordas, do músico convidado Quiel Nascimento é apresentada uma das principais canções de quebrantamento do Trazendo a Arca, com sua sonoridade diferenciada. (2010)
https://www.youtube.com/watch?v=i0spMqq5W0o
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“Quem é Você” – do álbum Pra Tocar no Manto
“Quem é Você” é digna do título de canção mais diferente já gravada pelo Trazendo a Arca, e a mais reflexiva que temos. Sua letra é muito semelhante com o testemunho dado pelo Pr. Neil Barreto no DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, e versa a vida vazia e disfarçada de uma liderança religiosa. Ótima canção para fechar um ótimo álbum. (2009)
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Cântico de Davi” – do álbum Olha pra Mim
Acredito que “Cântico de Davi” seja a composição mais subestimada de Luiz Arcanjo. Ao seu lado esquerdo, o belo instrumental de Ronald e a seguir o forte pop rock de “Trazendo a Arca” faz com que a canção pareça uma simples ponte entre a abertura e a primeira canção de celebração do álbum. Mas não. Seu arranjo flerta tons épicos e obscuros, gerando algo único na carreira da banda. (2006)
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“Santo” – do álbum Toque no Altar
Principalmente a contar do DVD Toque no Altar e Restituição (a melhor parte do registro), “Santo” é uma das músicas mais intimistas da primeira fase da banda. Apenas no piano e cordas, uma canção de exaltação a Deus com uma forte participação dos vocais de apoio, e referências bíblicas da declaração de Isaías. É também a primeira composição de Arcanjo sozinho gravada pelo grupo e uma ótima amostra do que ele apresentaria ao passar dos anos. (2003)
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“Abro mão” – do álbum Toque no Altar
O primeiro lugar vai para a canção mais forte da primeira fase do Trazendo a Arca, e de Luiz, no qual também abordou por várias vezes temas diferentes dos demais compositores. Uma declaração de total rendição é uma negação dos sonhos e projetos pessoais pela vontade e soberania de Deus. Além de cantar, é sem dúvida difícil viver o que a letra diz. Sua interpretação, na voz do compositor em Ao Vivo no Japão é ainda melhor. (2003)
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Excluímos alguma composição de Luiz Arcanjo que você conte como preferida? Comente!
Ontem foi dia 31 de dezembro. E ainda parecia ser mais um dia como qualquer outro. Trabalho, tarefas diárias. A família, distante. As lojas fechadas. O clima monótono. Parece bizarro ter a “pior” virada do ano num de seus melhores anos, mas quando se está só, muitas das melhores ideias e reflexões surgem.
Andar pelas ruas num fim de tarde deste dia é um estímulo enorme. Primeiro, porque nota-se, em grande parte dos motoristas uma calma mascarada. Nas ruas, principalmente nas distribuidoras de bebidas, alguns já se reúnem. Os estabelecimentos comerciais, em grande parte fechados e prontos para um descanso de dois dias. Assaltantes se preparando para as casas nas quais almejam roubar. No ouvido eu tinha fones, relembrando algumas canções que foram importantes no ano. Músicas que lembram pessoas, que lembram situações. E de repente surge o pensamento: Onde elas estão? O que fazem? Como se sentem agora?
A caminhada é a mesma, o ambiente é o mesmo, mas as pessoas não. Tudo está mais vazio e silencioso. Ao entrar em seus aposentos, poder notar um clima ainda mais solitário. Olhar para cada planta, a luz do sol que se põe…
Há certeza que, por mais tola que seja, podemos usar qualquer coisa neste dia para fazer uma retrospectiva. Ao abrir os arquivos no celular, imagens, fotos, vídeos, mais músicas e até mesmo mensagens. Reler, visualizar parece um exercício masoquista para os que lamentam por este ano, no entanto é nostálgico para quem teve um de seus melhores anos, como eu.
Penso que, apesar de cada comemoração num ano novo ser meramente simbólica, nossa postura muda a partir destes acontecimentos e ditam como serão nossos próximos dias. São as coisas que nos movem em cada momento a querermos alcançar sonhos e projetos. São pessoas que, assim como nós puderam extrair um pouco de cada um, assim como extraímos um pouco delas. E permaneci pensando: onde elas estão?
Quando penso nelas, também penso em planos. Quando penso em planos, noto que as coisas que planejo nunca saem exatamente como quero. Algumas vezes, até mais grandiosas, outras fogem totalmente do meu controle ao passar de um ano. E essa linha do tempo, na qual é a vida nos reserva surpresas meticulosamente apresentadas pelo Criador, nos fazendo cada dia mais sonhar com o amanhã. Há muito tempo escrevi uns versos, pensando como seria o meu último dia na Terra. Pensei: por mais que os anos passem, ainda sonhamos com o amanhã, mesmo que ele não exista e nem existirá para nós. E notei que parte do sofrimento de muitos está no fato de não observar o hoje, no qual existe e está para vivenciarmos cada segundo.
Portanto, desejo a você que, em 2015 viva cada vez mais o hoje. Esteja ao lado das pessoas que hoje podem estar com você, mas amanhã podem não estar. Traga à sua memória aquilo que é importante, e mais do que tudo, procure aprender a cada situação vivenciada.
E assim passei uma virada monótona sozinho, mas satisfeito por tudo o que aconteceu nestes 365 dias. Olhei para trás, senti a vontade de voltar à alguns meses de 2014 e reviver tudo de novo. Certamente, esta virada foi o dia menos esperado deste meu ano que passou.
PS: A canção abaixo não está nem perto dentre as que mais me marcaram este ano, mas possui uma reflexão imensamente compatível e inerente ao que está escrito.
O Brasil é nossa pátria amada, as vezes tão criticada, em muitas muito odiada pelos seus “filhos”. O país já foi tema de várias canções, algumas enaltecendo suas qualidades, em outras evidenciando suas falhas. Com isso, O Propagador apresenta aos leitores este TOP 10 de músicas sobre o Brasil, com destaque ao meio gospel.
Vamos lá?
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Somos Tua Igreja – Renascer Praise
O Renascer Praise tem quase 25 anos de carreira, e apesar de ter muitos sucessos, algumas canções do grupo paulista foram esquecidas com o tempo. “Somos Tua Igreja” é uma delas, ressaltando o peso e a importância do povo de Deus no país, e exaltando-o como Senhor desta terra. Certamente, é uma das merecedoras músicas que falam sobre o Brasil. (1996)
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Árvore de Bons Frutos – Apocalipse 16/Pregador Luo
O Apocalipse 16, hoje praticamente a carreira solo de Pregador Luo lançou esta música, que retrata a importância de nós, cristãos, gerarmos fruto em nossas vidas. A partir desta abordagem, Pregador Luo cita estados e cidades brasileiros como forma de exemplificar que existem “árvores de bons frutos” por todo o país. O clipe da música pode ser conferido a seguir. (2009)
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A Voz do Brasil – Khorus
“A Voz do Brasil” talvez seja um dos maiores sucessos da banda Khorus e uma das músicas sobre o Brasil mais conhecidas do meio cristão. A canção relaciona o programa de rádio A voz do Brasil com o país em si, evidenciando vários problemas da nação em aspectos sociais, e a redenção de Jesus Cristo. (2003)
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País da Adoração – André Valadão
Utilizando-se da popular afirmação de que o Brasil é o país do futebol, André Valadão cita, em sua composição que o território também é o lugar da adoração. Integrante do álbum Alegria, a canção tem uma pegada pop rock e utiliza-se de arranjos de metais. Em 2014, pela Copa do Mundo, André a regravou e lançou como single e novo clipe. (2006)
https://www.youtube.com/watch?v=AAQVpyXJouM
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O Brasil é do Senhor – Damares
Damares é uma das artistas mais famosas do meio pentecostal, e “O Brasil é do Senhor” é integrante do seu álbum Diamante. A canção, escrita por Agailton Silva cita todos os estados do Brasil e suas respectivas regiões, reafirmando que o país “é do Senhor”. (2010)
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Brasil – Oficina G3
A canção, do álbum O Tempo aborda as mazelas sociais do Brasil e críticas ao próprio povo, que parece não se voltar, tampouco importar com as coisas de Deus. Seu refrão é enfático: “Brasil! Se volte pra Deus“. Destaque para a interpretação vocal de PG e os riffs de Juninho Afram. (2000)
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Jesus, o Brasil quer Te Adorar – Eyshila
A mais recente dentre as músicas sobre o Brasil desta lista, “Jesus, o Brasil quer Te Adorar” fala sobre a receptividade dos brasileiros, também traçando um equilíbrio entre os pontos bons e ruins da nação. Também trabalha com muitos arranjos de metais e sonoramente faz uma espécie de crossover com o samba. (2012)
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Pra Cima Brasil – Milad/João Alexandre
João Alexandre é um expoente da música cristã nacional. Com mais de trinta anos de carreira, o cantor já apresentou várias músicas de reflexão e crítica social. “Pra Cima Brasil” é uma delas. Gravada com o grupo Milad e regravada pelo cantor em carreira solo, a música aborda várias questões que remetem à violência, injustiça e desigualdade econômica. Vale lembrar que, o período em que a canção foi gravada foi o mais difícil que o Brasil pós-ditadura vivenciou. O grupo Arautos do Rei também já a regravou. (1990/1991)
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A Hora do Brasil – Resgate
O Resgate é uma das bandas mais conceituadas do rock cristão. E o rock cristão, em sua essência apresenta muitas críticas sociais. Desta forma, o grupo nos brinda com “A Hora do Brasil”, uma de suas canções recentes mais explosivas, abordando todas as contradições visíveis: “Diziam que eram coitados, amordaçados pela censura / Agora, desfilam nas bancas e imprimem a própria ditadura” (2010).
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Brasil – Diante do Trono
O primeiro lugar vai para o Diante do Trono, com uma das músicas que falam sobre o Brasil mais conhecidas do meio cristão. A letra, de Ana Paula Valadão relaciona também o arrependimento da população de seus pecados para que Cristo sare a Terra. (2002)
https://www.youtube.com/watch?v=w3_FLOgMQmM
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E aí, o que acharam da lista? Que mais músicas sobre o Brasil vocês conhecem?
Sem Janires, sem Carlinhos Felix, sem Paulo Marotta, sem ninguém. Pedro Braconnot era o único integrante restante do Rebanhão. Diferentemente de outros grupos, como a Oficina G3, em que Juninho Afram é o único integrante da formação inicial, mas conta com outros integrantes de longa data na banda, como Duca Tambasco (desde meados de 1993) e Jean Carllos (desde 1996), o caso do Rebanhão foi bastante complexo. A formação mudou drasticamente de 1990 para 1992. Do quarteto, apenas Pedro sobrou. Ou era encerrar a banda de vez, ou então recrutar novos músicos do zero. Braconnot foi pela segunda opção, e para, talvez não parecer um projeto solo, procurou por mais um cantor para dividir os vocais. Paulo Marotta, que estava saindo por questões pessoais também ajudou na reformulação. Durante este tempo como único integrante da formação inicial, o Rebanhão tocou com vários músicos convidados, como o baixista Murilo Kardia, na época ex-integrante do Complexo J, que vinha de uma fase de auge pelo lançamento do álbum 3 pela MK Music. Kardia chegou a ser integrante do grupo, mas permaneceu apenas durante um ano, e teve que sair, dando lugar à Rogério dy Castro.
Em 1993, a formação estava completa e fixa. Pablo Chies na guitarra, Rogério dy Castro no baixo, Wagner Carvalho na bateria e Dico Parente para completar nos vocais (apenas como participação temporária). Curioso que, quase dez anos antes, Wagner participou do álbum Janires e Amigos, nos vocais de “Jesus Cristo Super Heroi”. O primeiro disco desta formação foi Enquanto é Dia…, que assim como os anteriores apostou num projeto gráfico conceitual, embora um pouco sombrio. Toda a musicalidade deste projeto é mais intimista e fechada, bem diferente do que o Rebanhão apresentava antes, embora não inferior.
Em todas as músicas, Pedro Braconnot é compositor, algumas com parcerias. Logo percebe-se em “Me Leva pra Casa” um álbum centrado no piano e sintetizadores, e os arranjos de metais por Zé Canuto. “Como as Ondas do Mar”, já conhecida, recebeu algumas adaptações por Pedro. Sua letra, de adoração congregacional também marca um dos momentos mais intimistas do projeto. “Te louvamos Senhor porque podemos ver o Seu amor, agindo sobre toda a Terra com sabedoria e glória. Levantamos a nossa voz como as ondas do mar se levantam para exaltar-Te oh Senhor. És o rei das nações, reina pra sempre em nossos corações”.
Marquinhos Gomes colabora na faixa-título, que instrumentalmente é próxima do estilo pop rock da banda. Dico Parente assina duas canções com Pedro, também cantando-as, “Janelas do Céu” e “Mistério”. “Comando de Cristo” tem a participação de Pablo Chies e Dico, mas Braconnot é o intérprete. Pedro é, ainda autor de “Velho Amigo” e “Luz de um Campeão”, esta última cantada por Dico. Em homenagem a Janires, a banda regrava “Baião”, que claramente é a cara do início do grupo. A canção, que não aparecia muito nos shows da banda voltou a ser executada. Enquanto Felix, Marotta e Braconnot sempre se apresentaram mais contidos, Dico mostrou-se mais extravagante e excêntrico, tanto nas apresentações ao vivo quanto nas gravações em estúdio. Por um lado, se define a identidade própria do músico, não se encaixa tão bem com os moldes já conhecidos do Rebanhão, ainda mais se tratando de um substituto.
Mais ousado, o álbum tem muitas influências do hard rock, e sonoridades que remetem ao estilo de algumas bandas. É perceptível, por exemplo, a influência do Queen em “Luz de um Campeão”, nos sintetizadores utilizados (uma música do álbum seguinte também lembraria fortemente esta banda). Os vocais agudos de Dico lembram uma característica comum nas bandas do estilo, tanto dos anos 70 e 80.
O álbum, que é bom, mas não se compara aos da formação clássica teve um bom alcance e encerrou a fase da banda pela gravadora Gospel Records. Durante os shows, a banda cantava canções como “Elo Perdido”, “Baião”, “Mistério”, e é claro, “Palácios”. Dico Parente saiu do grupo três meses após o lançamento, e pouco se sabe sobre o cantor após este período. Os outros permaneceram.
Na versão em LP e na remasterização em CD, Dico Parente é citado apenas como uma participação especial, pelo fato de ter uma participação temporária na banda. Ainda, como bônus vieram quatro faixas do álbum Pé na Estrada remasterizadas.
Heróis é o primeiro álbum do Voz da Verdade pós-35 anos e também inaugura, teoricamente, um novo tempo na banda, que agora, tendo metade de sua formação original na estrada possui a árdua missão de manter clara a identidade construída por este grupo veterano da cena cristã. As mudanças no grupo praticamente se limitam a este aspecto, pois musicalmente o lançamento mantém as tendências dos CDs anteriores do grupo.
O projeto gráfico, como de praxe na história do ministério é bastante aquém da maior parte dos lançamentos do meio gospel, com excesso de cores e informação. A maior parte do repertório é escrito pelo vocalista e líder Carlos A. Moysés e pela diminuição de membros certamente sua participação no processo criativo do grupo vai aumentar.
A música do Voz da Verdade é, essencialmente dotada de ecletismo, e este aspecto nos é encontrado em todo o repertório. “Eu & Deus” trabalha com cordas e piano até culminar em um refrão basicamente influenciado pelo gospel. No final da melhor música do álbum há uma referência instrumental implícita à “Let it Be” dos Beatles. “É Tempo”, “Abrindo as Asas” e “Mil Anos de Paz” são pontos altos de Heróis. Em contrapartida, em outras canções como “Decidi por Jesus” nota-se que a banda ainda soa um pouco desconfortável ao trabalhar com o hard rock, mas esforçada em renovar-se musicalmente.
Liricamente, o projeto apresenta os mesmos temas explorados nos últimos discos, como a superação em meio a dificuldades e temas mais intimistas. A banda aposta em aspectos regionais, como “Fogo para o Brasil” e com ritmos nordestinos como o forró, através de “Fé”. Atravessar o jazz, blues, rock, pop e outros gêneros nunca pareceu uma dificuldade para o grupo, e de modo geral o disco soa bem. Portanto, Heróis mostra que, mesmo desfalcado, o Voz da Verdade ainda tem muito gás para seguir positivamente em frente.
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