Autor: Tiago Abreu

  • Análise: CD Confia – Ministério Unção de Deus

    O Ministério Unção de Deus, em seus dez anos de carreira ainda é uma incógnita. Apesar de boas canções, a impressão ao ouvir Confia é que o grupo ainda não se firmou musicalmente. Cada álbum possui uma mudança drástica, seja positiva ou negativa.

    De início, é bom embasar o que está sendo afirmado. Ronald Fonseca, desde o início mostrou-se como o mentor do grupo, e Para Chamar Tua Atenção é, de longe o melhor álbum do ministério. As canções deste projeto são quase clássicos do canto congregacional da última década, e praticamente todo o repertório foi escrito por Ronald.

    Após isso, em Separados, os integrantes do grupo passaram a intervir mais na composição, querendo algo mais pop. Apesar de ser ainda um bom projeto, não teve o mesmo impacto do anterior. A aprofundação desta tentativa pop para um grupo congregacional mostrou sua falha grave em Estou Pronto, um disco praticamente dispensável. Para a alegria do ouvinte, Confia é, claramente e obrigatoriamente bem melhor que o anterior.

    Ronald Fonseca reafirma-se como produtor musical. Apesar de praticamente não ser lembrado dentre os grandes produtores do gospel nacional, é muito raro o músico derrapar. Também assinando os arranjos, as melodias lembram bastante a pegada do álbum Entre a Fé e a Razão, do Trazendo a Arca. Isso é justificável pelo fato de alguns músicos terem trabalhados em ambos os projetos (Fonseca, Isaac Ramos, Quiel Nascimento e outros). Neste CD, a proposta pop rock, na qual o grupo insiste se fundiu com a congregacional de forma relativamente agradável.

    O grande lado negativo do disco se deve à interpretação do vocalista Rafael Novarine, que trocou sua voz suave por um desempenho áspero que certamente coça sua garganta. Em canções mais agitadas e pesadas, como a de abertura, é aceitável, mas na faixa-título, por exemplo, o Novarine de anos atrás soaria mais adequado. Para o ouvinte desatento, em algumas faixas até parece que o grupo mudou de vocalista.

    Novarine, assim como no último álbum escreveu grande parte das letras que, vale salientar, estão muito mais bem articuladas que a parte lírica do anterior Estou Pronto. Nota-se que o conceito deste projeto foi melhor explorado e trabalhado. Claro, o apelo comercial ainda é forte, mas é coerente com o som que o conjunto vem fazendo. Hosana Canabarro e Leo Novarine também trabalham secundariamente em algumas composições. David Cerqueira, da Agência Excellence produz uma capa de excelente gosto, conceitual, direta e sem maiores exageros.

    Em suma, Confia é um disco agradável, sem péssimos momentos, todavia também sem grandes momentos, concentrado em sua zona de conforto. Se você procura o Unção de Deus mais pop, o disco soa perfeito para a sua procura e certamente agradará os que acompanham seus últimos trabalhos.

    https://www.youtube.com/watch?v=lMn-5PCMZ4U

  • Rocklogia – Livre Arbítrio

    Enquanto praticamente todas as bandas de rock cristão até aquele momento serem oriundas do eixo SP-Rio, a situação mudaria na década seguinte. E o primeiro grupo de relevância que mudaria este paradigma era o Livre Arbítrio. Da capital federal, Brasília a banda surgiria desde 1989 para se juntar aos representantes do novo movimento gospel.

    Inicialmente, o grupo chamava-se Salvo Conduto. A mudança de nome veio no fim da década. Nos anos 90, o grupo produziu seu primeiro álbum, intitulado Corsário do Rei. O título obteve alta repercussão pela distribuição da gravadora Gospel Records, e a canção “Corsário” se tornou o grande hit da banda.

    Nos anos seguintes, o grupo lançou mais álbuns, como Liberdade de Expressão, Acústico e Volta, este último em meados de 2005. Durante alguns anos permaneceu em hiato.

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Resgate

    Dentro do grupo das 5 bandas que mais influenciaram o rock cristão nacional nos anos 90 (Katsbarnea, Oficina G3, Resgate, Fruto Sagrado e Catedral) o Resgate é a mais nova. Fundada em 1989 numa igreja batista, os membros não eram grandes músicos, mas dividiam o apreço por rock. Zé Bruno, por exemplo era muito fã de Iron Maiden, e queria fazer parte de uma banda de metal. Era amigo de outro guitarrista chamado Hamilton Gomes, mas se sentia incapaz de tocar metal. Junto ao baixista Marcelo e seu irmão Jorge Bruno, surgiu o Resgate. Para piorar a situação, a igreja na qual eram membros era contra o rock.

    Foi nesta época que ouviram falar da Renascer em Cristo. O Katsbarnea tinha lançado um demo em 1988, e em 1990 gravavam o segundo álbum. Naquele local, sentiam-se livres para evangelizar através do rock. Antes de ingressarem na Renascer, tinham lançado de forma independente o LP Jesus, Vida e Rock’n roll, lançado num show ao vivo do Rebanhão, no qual fizeram a abertura. A tensão era muito grande. O grupo ensaiou durante três meses as poucas músicas que tocariam, mas era tudo ou nada. Para a sorte deles, deu certo. Jesus, Vida e Rock’n roll foi relançado pela Gospel Records, e também algumas músicas no Novos Rumos. Os hits do álbum foram as músicas “Rock da Vovó” e “Ele Vem”. “Paralelo” tem uma ótima letra.

    Novos Rumos incluiu mais canções que logo estariam dentre os maiores hits do grupo, como “Daniel” e “Todo Som”. “Florzinha” dá indício que é do humor que o grupo vive também, mas temas sérios são abordados em “Novos Rumos” e “Consciência”, como o individualismo humano. O Resgate não era o suprassumo da competência musical, mas era um grupo promissor. Os anos provaram isso.

  • Análise: CD Tempo de Sorrir – Pamela

    Após dois discos que não apontaram a real proposta da Pamela, acredito que muitos, desde a fãs e seus haters não esperavam absolutamente nada de interessante da artista. Depois do notável amadurecimento em A Chave, produzido por Rogério Vieira, a artista sucumbiu no péssimo Ritmo e Poesia, com as letras mais superficiais possíveis e tentou o sertanejo universitário em Recuperando o Tempo que, de certa forma passou desapercebido.

    Acontece que Pamela realmente recuperou o tempo em Tempo de Sorrir. Agora na Som Livre, gerenciada por Cláudia Fontes (curiosamente a mesma que estava à frente da Zekap quando lançou Pamela) a artista volta a suas origens. Mesclando seu característico pop em grande parte do projeto, a maior parte das canções são de temas jovens, contextualizados e também letras de cunho congregacional.

    Pamela ousou e regravou algumas canções neste álbum. “Desde o Primeiro Momento”, do seu disco Tudo o que Sou, com instrumentação mais fiel à versão original, “Grande Deus“, do Trazendo a Arca e “Vou Amar-te (vou a Marte)“, de Henrique Cerqueira. Nestas últimas citadas, a cantora agregou bastante valor, desde a interpretação e arranjos.

    Como não poderia faltar, o disco também possui canções mais radiofônicas, que podem desagradar ouvidos mais exigentes. Entretanto, cumprem com fidelidade o estilo de Pamela, como é o caso de “Todo Poderoso” e “Curti Compartilhei“, com seu bordão facebookiano.

    O disco não perde o fôlego e surpreende até mesmo com uma versão de “Wake”. “Desperta” não é exatamente o estilo de Pamela que a maior parte das pessoas estão acostumadas a ouvir, mas serve como um bom protótipo do que a artista pode apresentar nos discos futuros. Tempo de Sorrir é, sem dúvida e inesperadamente um dos melhores discos do mercado gospel em 2014 e demonstra uma Pamela de volta às origens.

  • Rocklogia – Princípio

    Após dois álbuns de sucesso, mas mornos, em junho de 1989 finalmente o Rebanhão se redime com os entusiastas das obras de Janires que, naquela época já tinha falecido, chegando ao seu melhor projeto em formação clássica.

    O contrato com a PolyGram se encerrou, e a banda passou a fazer parte do cast de uma pequena gravadora em início, que mais tarde se tornaria uma gigante nos anos 90: a Gospel Records. Princípio foi o primeiro álbum lançado pelo selo, e se destaca pela intensa participação de Pedro Braconnot. Enquanto, antes era Carlinhos Felix que assinava a maioria das músicas e indiretamente traçava os rumos do grupo, Pedro traz a veia crítica que existia na época de Janires. A começar por “Palácios”, que tornou um forte discurso unido as vozes do público nos shows que a banda cantava, principalmente pelos versos da ponte: “aonde está a honra dos orgulhosos? A sabedoria mora com gente humilde. Liberdade, liberdade”. Sua letra é intensa, forte e é por conta disso que, mesmo escrita para o álbum anterior, foi guardada por receios do compositor. Mas ainda bem que ela foi lançada.

    Pedro também assina “Metrô” (na voz de Carlinhos), “Fronteiras” (com fortes características acústicas), “Arsenal” e “Grito de Silêncio” (co-autor com Carlinhos). Carlinhos Felix assina “Grito de Silêncio” com Pedro, “Má Sensação”, “Ele te Ouve” e o hit “Selo do Perdão”. Também canta a faixa-título escrita por Lucas Ribeiro, que faz uma forte crítica ao desmatamento da natureza, que é criação divina. Paulo Marotta, pela primeira vez na banda é autor de uma canção, “Muro de Pedra”, que faz uma crítica às guerras causadas por “revoluções”, centradas em ideais como o comunismo e capitalismo, versando que a revolução que muda o mundo não começa nas ações, e sim na mudança de coração.

    Muitos músicos cristãos citam Princípio como um dos melhores álbuns do nicho. O produtor musical Leandro Silva, ex-tecladista do Toque no Altar, por exemplo disse, em entrevista ao Super Gospel que “junto com Mais Doce que o Mel revolucionou a forma como todos ouviam música na época”. Somente a canção “Palácios” recebeu várias regravações, de músicos como Fernanda Brum, Carlinhos Felix, Promisses, Paulinho Makuko e outros. Inclusive, João Alexandre a cita em uma de suas canções, “Tudo é Vaidade”.

    O lançamento do álbum foi realizado na casa de shows Rio Sampa, e o grupo viajou por todo o país. Só em Brasília, em 1990, a banda apresentou-se mais de uma vez. Um show no Teatro Nacional foi gravado por uma das pessoas no público, e pode ser encontrado no YouTube. O repertório conteve, em grande maioria de canções dos álbuns Princípio e Novo Dia.

    Ainda, em 1990, após cerca de seis anos com a banda, o baterista Fernando Augusto (Tutuca) sai do grupo, e a banda prefere não substituí-lo, trabalhando com um baterista do meio “secular” como músico convidado. Foi com este mesmo baterista que o trio gravou o álbum seguinte, mas isto é assunto para outro post…

    A respeito da composição “Palácios”, o Rebanhão publicou um minitexto recente, em sua página no Facebook.

    A música Palácios, composta por Pedro Braconnot e gravada pelo Rebanhão em 1989, não perde a atualidade. Ainda hoje vemos que o poder da política, o poder do dinheiro e o poder ilusório das drogas tentam dominar a sociedade. Mas sabemos que eles não podem vencer o “sol da justiça”. Palácios foi composta em 1987, mas Pedro tinha receio de que a canção recebesse muitas críticas pela abordagem forte de sua letra. Por isso, ela só foi gravada dois anos depois no CD Princípio, o primeiro da gravadora Gospel Records. Palácios foi uma das músicas mais visualizadas nas redes sociais e a composição mais regravada do Rebanhão, por artistas como Carlinhos Felix (em sua carreira solo), Paulinho Makuko e Fernanda Brum.

  • Rocklogia – Sobre resenhas-críticas e a irritação de fãs

    Paro a linha do tempo dos últimos posts para trazer à tona um tema curioso e que, de certa forma é de interesse geral. Na internet, com a popularidade de listas dos “melhores”, dos “piores”, resenhas-críticas de filmes/livros/músicas que causam raiva em fãs, fico me perguntando os motivos pelos quais isso acontece. Aliás, não é apenas no campo cultural, mas em toda a esfera das relações humanas, ter uma opinião distinta dói e machuca. Ainda me pergunto o porquê.

    Antes de tudo, é importante citar que existem dois tipos de resenha, nas quais um leitor atento perceberá sem dificuldades: a resenha-resumo e a resenha-crítica. Existe um artigo sobre as duas modalidades bastante útil publicado pela PUC-RS, no qual pode-se acessar aqui.

    A resenha-resumo, como supõe seu nome tem como objetivo e característica o resumo de uma obra, de caráter exclusivamente informativo, ou seja, evitando qualquer exposição de opiniões do autor acerca do conteúdo. Este tipo de resenha é encontrado em alguns portais e blogs.

    Por outro lado, a resenha-crítica incorpora os elementos da resenha-resumo e vai além, elucidando a avaliação do autor sobre o objeto tratado, seja ela positiva ou negativa. E como tudo que há opinião, este tipo de resenha é a mais polêmica.

    Principalmente no meio gospel, muitas vezes as resenhas são intituladas de “análise”, em uma única categoria, que podem abrigar tanto resenhas-resumo e resenhas-críticas.

    Por que as pessoas se estranham ou ofendem com resenhas-críticas?

    O primeiro motivo, e um dos mais comuns é a assimilação incorreta do texto e sua modalidade. A principal crítica feita pela maior parte dos leitores, nos mais diversos portais e blogs é a tomada de opinião por parte do autor. Ora, se o texto é uma resenha-crítica, por obrigação deve conter a visão do resenhista. Se não houver tal análise, deixa de ser resenha-crítica para se tornar uma resenha-resumo. E se o leitor não deseja uma opinião do escritor, é mais adequado para ele ler um verbete da Wikipédia, por exemplo.

    Outro ponto, de ocorrência mediana são detalhes e outras questões relativas a obra nas quais o autor não abordou. Isso pode ocorrer quando o texto é superficial ou quando o escritor preferiu tratar de outras questões: afinal, é praticamente impossível sintetizar em poucos parágrafos todo o conjunto de percepções que um trabalho pode trazer. É neste ponto que mora a beleza de uma resenha-crítica. Quantas vezes você já leu um texto desta modalidade e leu sobre coisas nas quais você não tinha notado anteriormente?

    Infelizmente, quando envolve-se o meio gospel, um problema ainda maior aparece: há a impressão, na maior parte das pessoas que a música cristã é diferente da não-cristã. E sim, é, no aspecto lírico. Mas, uma resenha não pode-se apegar a isto, muito menos em motivações bem intencionadas do músico, até porque o que está sendo avaliado é a qualidade final da obra, não suas intenções. Se não fosse isso, dentro da história do rock, discos desastrosos não teriam sido rechaçados pela crítica especializada. Sinto que a reação do público, principalmente dos fãs mais fervorosos do gospel em nada se distingue do público secular, embora agrava-se por se embasarem e esconderem em questões sérias, como a evangelização, o “feito para agradar a Deus” para justificarem o resultado pouco feliz de um projeto. Ora, uma resenha-crítica não deseja delimitar o efeito de um disco no Reino de Deus, mas apenas de analisá-lo sob uma ótica completamente racional e desligada de fatores emocionais.

    Dado isso, é importante salientar que as resenhas-críticas, antes de tudo devem ser interpretadas como uma essencial opinião, mesmo que ela venha a contradizer todo o seu espectro de ideias acerca de uma obra. Vale salientar, também que cada autor possui o seu estilo. Alguns mais comedidos, sutis, outros mais diretos, aparentemente ofensivos, mas no geral enquadram-se dentro do gênero. Ademais, é relevante não confundir o veículo (que pode abrigar vários autores) com o escritor. É por conta dessas e outras que não se responsabilizam pelas expressões de seus colunistas.

  • Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono

    Dos tempos das vacas magras em Tua Visão, as mudanças drásticas desde Sol da Justiça, pouco pode-se acrescentar de surpreendente na discografia do Diante do Trono, depois do icônico Príncipe da Paz. Talvez os álbuns Canção do Amor, Aleluia e Creio são os últimos sinais de vida vindo de uma banda que se perdeu em seu excesso de álbuns cheios de propósitos e conceitos, mesmo que justificáveis.

    Dois motivos podem explicar as mudanças drásticas no Diante do Trono: A primeira é que, de certa forma ficou evidente que o exagero do grupo os deixou num beco sem saída, ou apenas resolveram “experimentar” um som mais jovial. Seja lá qual for o motivo, de certa forma estava até dando certo, até chegar 2013.

    Somado a regravações de faixas categoria Lado B, como a monótona “Exaltado“, outras como “Águas Purificadoras” que já se tornaram clichês no repertório do DT, além de uma série de obras oriundas de Por Amor de Ti Oh! Brasil, o trabalho não é digno de ser comparado a um Greatest Hits. Tu Reinas dá sequência à uma crise de insistência que assola Ana Paula Valadão desde que decidiu investir pesado e desnecessariamente em versões e regravações, como o caso de Renovo.

    Nem Vinicius Bruno, que também assinou a produção musical de Creio consegue salvar o disco. Recheado de sintetizadores estéreis e guitarras de Jarley em excesso, Tu Reinas soa como um álbum pop rock comum e oco. O baterista Tiago Albuquerque, que desempenhou papel de destaque em Creio, juntamente com o baixista Daniel Friesen se limitam a cumprir o que cada música pede e não conseguem preencher o vazio que as músicas evidenciam.

    As performances de Ana Paula Valadão ainda tentam, com pouco sucesso transmitir emoção as canções. Nos quase quarenta anos de idade, a artista não tem acompanhado seu envelhecimento (que vale lembrar, não é algo negativo) e se recusa a lançar obras mais maduras. Com isso, o que se vê de Diante do Trono hoje é um real tiro no pé.

    Em relação as músicas inéditas de Tu Reinas, “Só o Senhor é Deus” é a mais interessante, e mostra que quando Ana Paula quer, ela faz boas músicas. Paralelo à isso, “Rasga os céus” e “Deus do Recomeço” seguem o estilo do restante do álbum, porém com uma parte lírica bastante aceitável. O que realmente pesa contra o disco é o restante, ou seja, quase tudo. Também é destacável que diferentemente de Creio, em que os demais vocalistas tiveram  mais espaço, Tu Reinas retrocede e se centraliza em Valadão. Em poucos momentos, por exemplo, Israel Salazar se sobressai, mas sempre como um coadjuvante. Ana Nóbrega, Roberta Izabel, Tião Batista e outros que deixaram o grupo certamente fazem falta nesta hora.

    Mas nem tudo está perdido: O projeto gráfico, idealizado e produzido pela Quartel Design é de ótimo gosto, retratando, em imagens geometricamente dispostas o sertão nordestino e imagens das gravações em forma de coroa.

    Tu Reinas pode ser definido como um disco de uma banda que carrega o nome Diante do Trono, toca músicas do Diante do Trono, mas em sua essência não é mais o Diante do Trono. Certamente, agradará apenas aos fãs mais fervorosos que, durante um ano aguardaram o pior registro de sua série principal. O álbum introduz um futuro duvidoso de um grupo que um dia já esteve na vanguarda do mainstream da música cristã nacional e hoje se contenta em fazer um som que não os diferem dos demais. Infelizmente.

    Confira também nossa análise do DVD Tu Reinas

  • Rebanhão inicia ensaios para gravação de DVD

    A banda Rebanhão iniciou seus ensaios para a gravação de seu DVD neste mês de outubro. O grupo, que é atualmente formado por Pedro Braconnot (vocal/teclado), Carlinhos Felix (vocal/violão/guitarra), Paulo Marotta (vocal/baixo) e Pablo Chies (guitarra) pretende gravar seu primeiro material ao vivo em janeiro de 2015, no Rio de Janeiro. Na bateria, o grupo atuará com Lucio de Paula, ainda não confirmado como integrante oficial ou apenas músico contratado.

    Durante as sessões, a banda divulgou a aparição de Lucas Ribeiro (compositor e ex-integrante da banda Sinal Verde), que já cedeu várias composições para o Rebanhão gravar, como “Paz do Senhor”, “Princípio”, “Metrô”, “Firme os pés”, “Vinde as águas”, entre outras. Bené Gomes, do Ministério Koinonya de Louvor também foram uma das visitas durante os ensaios.

    Entretanto, a formação divulgada causou questionamentos por uma parcela do público pela não-participação de alguns ex-integrantes, que em alguma fase do Rebanhão passou pelo grupo. Em nome do conjunto, Pedro Braconnot lançou um comunicado:

    Aos amigos do Rebanhão

    O ministério Rebanhão em seus trinta e cinco anos já contou com a participação de dezenas de músicos (mais de trinta). Com todo nosso respeito e admiração por cada um deles, seria inviável convidar a todos para participar deste projeto 35 anos.

    Nosso objetivo maior é honrar a Deus em primeiro lugar. Com certeza daremos honra a todos que de alguma forma contribuíram para o ministério dentro e fora da plataforma.

    Não vamos permitir que nenhum outro espírito venha interferir querendo parar o que Deus tem para fazer neste tempo. Este é o formato que encontramos para desenvolver este novo projeto.

    A todos que oraram e continuam orando pelo Rebanhão nossa humilde gratidão.

    O local e a data de gravação ainda não foram confirmados.

  • Oficina G3 lança clipe de “Encontro”

    A banda Oficina G3, durante sua série de eventos pelo Brasil está produzindo o #G3NaIgreja, como forma de aproximar o público do grupo ao ambiente congregacional. Durante esta semana, em seu canal oficial, o grupo lançou o clipe da música “Encontro”, que traz, inclusive a participação do ex-baterista Alexandre Aposan.

    “É um clipe novo, um dvd, uma apresentação, ou sei lá mais o quê? rs.
    não! é mais do que isso!
    Foi a maneira que encontramos para agradecer a todos vocês que nos acompanham; é nossa gratidão à igreja que nos é refúgio, fonte de inspiração e comunhão”, disse a banda em sua página oficial.

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Fruto Sagrado

    O Fruto Sagrado, diferentemente da maioria das bandas de rock cristão que surgiram nesta época é do Rio de Janeiro. Começou como um quarteto, composto por Marcão (voz e baixo), Bênlio Bussinguer (guitarra e vocal), Marcos Valério (teclado e vocal) e Flávio Amorim (bateria e vocal). Oficialmente, a banda iniciou suas atividades em agosto de 1988, e ficou por durante anos ensaiando. Segundo Marcão, ex-vocalista do grupo, o Fruto Sagrado só teve a oportunidade de lançar o primeiro álbum em 1991. Durante os dois anos em que o conjunto ensaiava com o apoio da Igreja Presbiteriana Bethânia de Niterói, o Fruto Sagrado sofreu a primeira mudança em sua formação: o tecladista Marcos Valério teve problemas com a fé e deixou tudo, incluindo o grupo. Porém, algumas de suas composições ainda seriam registradas no primeiro álbum do Fruto.

    E só em 91 que a gente conseguiu lançar o 1° trabalho em estúdio que foi o álbum Fruto Sagrado. Já nessa época a gente lançou em três, porque assim que entramos no estúdio, Marcos Valério teve seus problemas de relacionamento com Deus e literalmente chutou o balde, pulou fora do barco e resolveu nadar contra a maré. Inclusive a música “Livre Arbítrio” do CD O Segredo foi feita para o Marcos Valério. O pessoal fica pensando que foi feita para o Flávio Amorim, porque ele saiu da banda, não foi não.

    As sessões de gravação, que duraram uma semana, com Bênlio assumindo também os teclados geraram o álbum Fruto Sagrado, uma produção independente com distribuição da Bom Pastor. Neste projeto, o grande destaque inicial é a música “Base Forte”, de Bênlio, apresentando o potencial criativo do grupo. Sozinho, ele também escreveu “Nunca mais”. Marcão, com o ex-integrante Marcos Valério escreveu “Fruto Sagrado”, “Guerra interior”, “O tempo vai cessar” e “Sem definição”. O trio Flávio Amorim, Bênlio e Marcão escreveram “Vazios de coração”, “Pra Acordar” e “Não me Deixará”.

    http://www.youtube.com/watch?v=bmvryXAl0n8

    Bênlio acabou assumindo os teclados, e nos shows a banda tocava com guitarristas. A banda efetivava o músico como integrante, mas em cerca de dois anos o indivíduo saía. Assim ocorreu na entrada e saída de  Wagner Junior, Paulo de Barcellos e outros. No final das contas, o Fruto Sagrado seguia na ativa com um núcleo bem sólido: Marcão, Bênlio e Flávio.

    Este trio produziria Na Contramão do sistema, o primeiro disco da banda com distribuição da Gospel Records. Seguindo a proposta do álbum anterior, que mesclava hard rock com progressivo, as críticas sociais neste projeto se tornaram bem mais intensas, com letras como “Jimmy” (sobre racismo), “Meninos de Rua” (segregação social de crianças) e até mesmo críticas a falsos profetas, como “Lobo Mau”.

    Leia também: Entrevista com Marcão (2003)