Rocklogia – Princípio

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Após dois álbuns de sucesso, mas mornos, em junho de 1989 finalmente o Rebanhão se redime com os entusiastas das obras de Janires que, naquela época já tinha falecido, chegando ao seu melhor projeto em formação clássica.

O contrato com a PolyGram se encerrou, e a banda passou a fazer parte do cast de uma pequena gravadora em início, que mais tarde se tornaria uma gigante nos anos 90: a Gospel Records. Princípio foi o primeiro álbum lançado pelo selo, e se destaca pela intensa participação de Pedro Braconnot. Enquanto, antes era Carlinhos Felix que assinava a maioria das músicas e indiretamente traçava os rumos do grupo, Pedro traz a veia crítica que existia na época de Janires. A começar por “Palácios”, que tornou um forte discurso unido as vozes do público nos shows que a banda cantava, principalmente pelos versos da ponte: “aonde está a honra dos orgulhosos? A sabedoria mora com gente humilde. Liberdade, liberdade”. Sua letra é intensa, forte e é por conta disso que, mesmo escrita para o álbum anterior, foi guardada por receios do compositor. Mas ainda bem que ela foi lançada.

Pedro também assina “Metrô” (na voz de Carlinhos), “Fronteiras” (com fortes características acústicas), “Arsenal” e “Grito de Silêncio” (co-autor com Carlinhos). Carlinhos Felix assina “Grito de Silêncio” com Pedro, “Má Sensação”, “Ele te Ouve” e o hit “Selo do Perdão”. Também canta a faixa-título escrita por Lucas Ribeiro, que faz uma forte crítica ao desmatamento da natureza, que é criação divina. Paulo Marotta, pela primeira vez na banda é autor de uma canção, “Muro de Pedra”, que faz uma crítica às guerras causadas por “revoluções”, centradas em ideais como o comunismo e capitalismo, versando que a revolução que muda o mundo não começa nas ações, e sim na mudança de coração.

Muitos músicos cristãos citam Princípio como um dos melhores álbuns do nicho. O produtor musical Leandro Silva, ex-tecladista do Toque no Altar, por exemplo disse, em entrevista ao Super Gospel que “junto com Mais Doce que o Mel revolucionou a forma como todos ouviam música na época”. Somente a canção “Palácios” recebeu várias regravações, de músicos como Fernanda Brum, Carlinhos Felix, Promisses, Paulinho Makuko e outros. Inclusive, João Alexandre a cita em uma de suas canções, “Tudo é Vaidade”.

O lançamento do álbum foi realizado na casa de shows Rio Sampa, e o grupo viajou por todo o país. Só em Brasília, em 1990, a banda apresentou-se mais de uma vez. Um show no Teatro Nacional foi gravado por uma das pessoas no público, e pode ser encontrado no YouTube. O repertório conteve, em grande maioria de canções dos álbuns Princípio e Novo Dia.

Ainda, em 1990, após cerca de seis anos com a banda, o baterista Fernando Augusto (Tutuca) sai do grupo, e a banda prefere não substituí-lo, trabalhando com um baterista do meio “secular” como músico convidado. Foi com este mesmo baterista que o trio gravou o álbum seguinte, mas isto é assunto para outro post…

A respeito da composição “Palácios”, o Rebanhão publicou um minitexto recente, em sua página no Facebook.

A música Palácios, composta por Pedro Braconnot e gravada pelo Rebanhão em 1989, não perde a atualidade. Ainda hoje vemos que o poder da política, o poder do dinheiro e o poder ilusório das drogas tentam dominar a sociedade. Mas sabemos que eles não podem vencer o “sol da justiça”. Palácios foi composta em 1987, mas Pedro tinha receio de que a canção recebesse muitas críticas pela abordagem forte de sua letra. Por isso, ela só foi gravada dois anos depois no CD Princípio, o primeiro da gravadora Gospel Records. Palácios foi uma das músicas mais visualizadas nas redes sociais e a composição mais regravada do Rebanhão, por artistas como Carlinhos Felix (em sua carreira solo), Paulinho Makuko e Fernanda Brum.

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