Rocklogia – Sobre resenhas-críticas e a irritação de fãs

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Paro a linha do tempo dos últimos posts para trazer à tona um tema curioso e que, de certa forma é de interesse geral. Na internet, com a popularidade de listas dos “melhores”, dos “piores”, resenhas-críticas de filmes/livros/músicas que causam raiva em fãs, fico me perguntando os motivos pelos quais isso acontece. Aliás, não é apenas no campo cultural, mas em toda a esfera das relações humanas, ter uma opinião distinta dói e machuca. Ainda me pergunto o porquê.

Antes de tudo, é importante citar que existem dois tipos de resenha, nas quais um leitor atento perceberá sem dificuldades: a resenha-resumo e a resenha-crítica. Existe um artigo sobre as duas modalidades bastante útil publicado pela PUC-RS, no qual pode-se acessar aqui.

A resenha-resumo, como supõe seu nome tem como objetivo e característica o resumo de uma obra, de caráter exclusivamente informativo, ou seja, evitando qualquer exposição de opiniões do autor acerca do conteúdo. Este tipo de resenha é encontrado em alguns portais e blogs.

Por outro lado, a resenha-crítica incorpora os elementos da resenha-resumo e vai além, elucidando a avaliação do autor sobre o objeto tratado, seja ela positiva ou negativa. E como tudo que há opinião, este tipo de resenha é a mais polêmica.

Principalmente no meio gospel, muitas vezes as resenhas são intituladas de “análise”, em uma única categoria, que podem abrigar tanto resenhas-resumo e resenhas-críticas.

Por que as pessoas se estranham ou ofendem com resenhas-críticas?

O primeiro motivo, e um dos mais comuns é a assimilação incorreta do texto e sua modalidade. A principal crítica feita pela maior parte dos leitores, nos mais diversos portais e blogs é a tomada de opinião por parte do autor. Ora, se o texto é uma resenha-crítica, por obrigação deve conter a visão do resenhista. Se não houver tal análise, deixa de ser resenha-crítica para se tornar uma resenha-resumo. E se o leitor não deseja uma opinião do escritor, é mais adequado para ele ler um verbete da Wikipédia, por exemplo.

Outro ponto, de ocorrência mediana são detalhes e outras questões relativas a obra nas quais o autor não abordou. Isso pode ocorrer quando o texto é superficial ou quando o escritor preferiu tratar de outras questões: afinal, é praticamente impossível sintetizar em poucos parágrafos todo o conjunto de percepções que um trabalho pode trazer. É neste ponto que mora a beleza de uma resenha-crítica. Quantas vezes você já leu um texto desta modalidade e leu sobre coisas nas quais você não tinha notado anteriormente?

Infelizmente, quando envolve-se o meio gospel, um problema ainda maior aparece: há a impressão, na maior parte das pessoas que a música cristã é diferente da não-cristã. E sim, é, no aspecto lírico. Mas, uma resenha não pode-se apegar a isto, muito menos em motivações bem intencionadas do músico, até porque o que está sendo avaliado é a qualidade final da obra, não suas intenções. Se não fosse isso, dentro da história do rock, discos desastrosos não teriam sido rechaçados pela crítica especializada. Sinto que a reação do público, principalmente dos fãs mais fervorosos do gospel em nada se distingue do público secular, embora agrava-se por se embasarem e esconderem em questões sérias, como a evangelização, o “feito para agradar a Deus” para justificarem o resultado pouco feliz de um projeto. Ora, uma resenha-crítica não deseja delimitar o efeito de um disco no Reino de Deus, mas apenas de analisá-lo sob uma ótica completamente racional e desligada de fatores emocionais.

Dado isso, é importante salientar que as resenhas-críticas, antes de tudo devem ser interpretadas como uma essencial opinião, mesmo que ela venha a contradizer todo o seu espectro de ideias acerca de uma obra. Vale salientar, também que cada autor possui o seu estilo. Alguns mais comedidos, sutis, outros mais diretos, aparentemente ofensivos, mas no geral enquadram-se dentro do gênero. Ademais, é relevante não confundir o veículo (que pode abrigar vários autores) com o escritor. É por conta dessas e outras que não se responsabilizam pelas expressões de seus colunistas.

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