Autor: Jhonata Fernandes

  • Um Brinde – O meu chamado é ser ponte

    Um Brinde – O meu chamado é ser ponte

    Nunca parei para refletir sobre o “meu chamado” e sobre para quê Deus me chamou na sua obra. Em miúdos, nunca me questionei sobre “quem sou eu no corpo de Cristo?” Mas reflito sobre uma citação do Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Acredito que o meu chamado (não só o meu) foi assim: Deus quis, eu sonhei e assim a obra está sendo feita.

    Deus me colocou em um lugar onde poucas pessoas acham/pensam que é um chamado: chamou-me pra ser ponte entre o homem e o Evangelho. Em Mateus capítulo 5, verso 16, Cristo nos orienta a sermos luz para que possamos dar testemunho da graça de Deus. Eu posso ser missionário e mesmo assim não ser ponte. Ou seja, posso falar de Deus por aí, mas se não viver o tal Evangelho que prego, soo hipócrita e herético.

    Pontes têm a função de ligar, estabelecer relações, conectar. Pontes são referências. Principalmente aqui em Rio Branco, onde moro, cujas cidades definimos pelas pontes que as ligam.

    No entanto, ninguém quer fazer o papel de “ponte” no corpo de Cristo. Talvez porque seja mais atrativo ser pastor, missionário, cantor, palestrante, escritor, teólogo etc. Talvez pelo modismo neopentecostal impregnado em nossa cultura evangélica do quanto mais alto, melhor. Talvez seja porque fomos ensinados a sempre querer mais do que já temos. O Reverendo Geoffrey Thomas escreveu um artigo em 2013, intitulado O Chamado para o Ministério, e aqui eu separo algumas frases do autor que serviram de base para o título desse texto: “Uma vez que você entender que o seu trabalho deve ser focado principalmente no serviço ao Senhor, então você terá o desejo de saber onde poderá melhor apreciar o que isso requer.”

    Entendi que o meu chamado é ser ponte quando me toquei que toda minha vida reflete o amor do Pai. É claro que quem discorda dessa definição vai dizer que todos os outros “chamados” tem essa função. Compreendo. Mas o que digo é: ser ponte é estar aberto a todos os grupos sociais. Este é o meu chamado, porque Deus me capacitou para comunicar-se com todas as tribos e, isso é característica de poucos cristãos atualmente. Sou ponte, pois Jesus foi ponte e não impôs limite e nem padrão de “pessoas evangelizáveis”.

    É fácil falar de Deus para um universitário, por isso quero ver falar para um pedreiro. É simples evangelizar casais, quero ver evangelizar homossexuais. É tão fácil falar do amor de Deus para as gatinhas da praça, quero ver falar desse amor às prostitutas. Se você também não impõe limites e acha necessário que todos ouçam o Evangelho, então esqueça o cargo nominal que te deram na sua igreja pois você é ponte.

    “Os pais da Igreja, os Reformadores, os Puritanos e muitos outros o fartarão como modelos ministeriais” O estudo. Esse é um dos pontos fundamentais para um ministério. Estudar a bíblia, teologia, filosofia e o melhor, estudar a história da Igreja, nos ajuda bastante a entendermos o nosso chamado. “O ministério não é lugar para homens solitários ou sem amigos.” Quando estou próspero de bônus no celular, ele freneticamente já espera meus dedos discarem os números de amigos. É para eles que conto as minhas dores e risos, peço oração e opiniões sobre qual decisões tomar. Mas acima de tudo, evangelho é compromisso e não entretenimento. Não é para “ter algo pra fazer” e sim para cumprir aquilo que Deus quer pra nossas vidas. “(…) é o Senhor que faz com que os homens sejam pescadores de homens.” Acredito que só vamos parar de fazer balanços entre os dons ministeriais quando entendermos isso: é Deus quem escolhe, chama e capacita.

    Devemos ser essa ponte que conecta o evangelho aos pecadores e os conduz a Cristo. Pontes para quem tem dificuldades em enxergar o cais do outro lado. Por isso, a cada dia precisamos viver o Evangelho, pois sem Ele, o ministério não faz sentido. Sem Cristo não existe nem evangelho e nem ministério. Sejamos pontes. Um brinde!

  • Um Brinde – “Gravidade” do Supercombo e o otimismo cristão

    A música que dominamos como “secular” a ser analisada hoje nessa humilde coluna se chama “Gravidade”, da banda Supercombo. Já fazia tempo que eu queria fazer uma série de textos de músicas do Supercombo e, acho que agora vou conseguir fazer isso. Esta banda de rock é, indiscutivelmente, uma das melhores do cenário nacional. E depois de sua passagem pelo reality show Superstar da Rede Globo, sua notoriedade ficou mais ampla.

    Conheci a banda no início de 2014 e foi logo quando lançaram seu álbum mais ousado, Amianto. As letras e voz de Léo Ramos, baixo de Carol Navarro, guitarras de Pedro Ramos, os teclados de Paulo Vaz e a batera do Raul, são elementos que estranhamente se combinam e mesmo sendo muito diferentes um do outro, eles conseguem ser bem parecidos quando se trata de música boa. Para quem me acompanha a mais tempo, sabe que já escrevi aqui sobre pessimismo baseado em um outro texto do meu colega Tiago Junior. Mas hoje eu quero falar um pouco do otimismo cristão.

    A música fala de duas pessoas e aí você pode encarar essas “duas pessoas” como bem quiser: relação de homem e mulher, relação de amigos, relação de chefe e empregado e, até relação do homem e Deus. Decidi elencar alguns trechos da música e relacionar com o nosso comportamento otimista. Que o Senhor nos guie em amor e nos faça perceber que precisamos muito dele.

    Eu vou te mostrar o quanto eu sou

    Capaz de aguentar o que for Preciso

    Preciso

    A música já começa com uma promessa: “eu vou te mostrar”, que indica a necessidade de aguardar. Cristo disse que voltaria a nós (João 14:18). Essa segurança que temos diante de situações as quais nos mostramos fracos são essenciais para o nosso aprendizado e crescimento. Mais a frente, o eu lírico explica o porquê da promessa e justifica que vai mostrar que ele é “capaz de aguentar o que for preciso”.

    Cristo aguentou o que foi preciso morrendo na cruz, mesmo muitos não acreditando e esperando que ele desse um jeito de escapar dali. Afinal de contas, Ele era o filho de Deus, tinha poder, podia sair dali a qualquer momento e se livrar da morte. Nós muitas vezes agimos assim: podemos escapar daquela amizade que só nos leva pra pior, podemos terminar com aquele namorado chato que só quer o nosso corpo, podemos terminar com aquela garota que só olha pra nossa conta bancária, podemos sair do nosso curso chato que entramos só porque não conseguimos algo melhor no ENEM. Mas, mesmo assim, não o fazemos. Continuamos firmes, mesmo com sequelas, continuamos mesmo não sabendo o porque. Levamos tanto tapas na cara que até nos perguntamos se realmente devemos passar por isso. E isso acontece por que? Não tenho outra resposta senão o pecado. Ele é o que nos afasta de Deus e Deus é O Alfa e Ômega, Ele é quem manda e desmanda, quer e efetua. Ele não compactua com o pecado. Mas nós somos capazes.

    Lembro que quando fui fazer a prova para entrar no curso de música, eu fiz uma singela oração: “Pai, seja feita a Tua vontade / Mesmo que essa vontade implique na minha tristeza / Na minha derrota e na minha ira / Seja feita somente a Tua vontade!” Quando nós fazemos isso, Deus nos responde com um “eu vou te mostrar o quanto eu sou / capaz de aguentar o que for preciso”. Esse “aguentar” significa a paciência de Deus com os nossos pecados. E onde está o otimismo nisso tudo? Na plena confiança em Deus.

    Estou há mais ou menos 6 meses sendo missionário urbano e, até hoje nenhuma pessoa chegou pra mim e disse “Jhonata, eu quero viver pra Jesus agora. Ore por mim!”. Detalhe: “ore por mim!” eu sempre ouço mas o “eu quero viver pra Jesus agora” não. Mas eu creio na soberania de Deus e sei que todo o processo de conversão de qualquer individuo é dEle. Eu disse TODO O PROCESSO. A minha ação de ir e pregar não é um fim para a conversão, pois Deus já escolheu os seus antes da fundação do mundo (Efésios 1:4).

    Não há nada

    Que nos prenda

    De alcançar um lugar ao sol

    Largar o que é ruim

    Não esquenta

    Um dia agente vai envelhecer

    E rir do que passou

    Essa é a parte mais otimista da música. “Largar o que é ruim” tem tudo a ver com o que eu disse mais acima: largar o pecado e viver pra Deus. Aqui a música nos dá um outro indicativo interessnte: não há nada. Graças a morte de Cristo, a misericórdia infinita do nosso Deus e a sua graça em nos amar e salvar, podemos dizer que não há nada que nos prenda e impeça de buscarmos o Pai. O maior inimigo de nossas vidas somos nós mesmos. O nosso próprio pecado confronta com toda nossa boa vontade. Largar o que é ruim é reconhecer que precisamos de melhoras. Precisamos ser mais humildes e otimistas com as nossas escolhas.

    Devemos mostrar para Deus que podemos suportar o que for preciso para agradá-lo. Podemos aguentar toda essa confusão que nos ronda no mundo, podemos suportar as crises existenciais, filosofias erradas e até a morte se for preciso em amor do seu nome. Por amor a sua graça, a Ele e por tudo que ele faz por nós. O maior otimismo de nossas vidas é a fé. E não é uma fé barata e nem suspeita, é a fé em Cristo que nos salvou mesmo antes de nascermos. O amor dele nos faz ser otimistas mesmo quando somos pessimistas.

    Meu caso, por exemplo, sou pessimista com o homem e com a política, mas minha fé me possibilita crer em dias melhores. Eu não sairia da minha casa para evangelizar se eu não acreditasse na mudança do homem. Mas eu acredito e acredito que podemos largar o que é ruim todos os dias: a começar pelo nosso orgulho, algo muito grande; e depois pelos nossos mais íntimos pecados que nos afastam de um vida em santidade com Cristo. Ouça a música inteira e ore para que Deus trate o que há de ruim em você. Um brinde!

  • Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Na semana passada, Lucas Silveira, vocalista do Fresno, tocou uma canção inédita no Estúdio Salaquar, chamada “Poeira Estelar”. Eu sou muito fã do trabalho dele e tudo que ele faz (musicalmente) me agrada. Ficou mais velho, amadureceu, vai ser pai ano que vem e, evidente que suas letras ficaram mais profundas. “Poeira Estelar” é um tipo de música que vai na alma, pois confronta com nossas limitações e problemas que passamos no dia-a-dia. A canção foi interpretada no Hangar 110, no último dia 10, juntamente com mais duas inéditas, que seguem uma vibe cósmica em sua parte lírica. Lucas já compôs algumas músicas em parceria com Rodrigo Tavares (Esteban) para a Fresno, cujas letras reforçam o ceticismo do autor. Mas essa não é uma canção ateísta e nem para xingar Deus, ou algo do tipo. Antes de tudo, eu tenho algo pra dizer aos meus três tipos de leitores:

    1. Aos cristãos que não ouvem música secular (especificamente Fresno): Se um artista cristão tivesse composto essa canção e cantasse com a mesma intensidade, ela também estaria sido escrita aqui só que de uma maneira mais superficial. Antes de qualquer conclusão, ouça a música umas trocentas vezes, leia a letra separadamente e depois ouça mais uma vez com uma cosmovisão cristã bem profunda. Garanto que será benção para você.
    2. Aos cristãos que ouvem de tudo (inclusive Fresno): Reflitam que essa música talvez seja um instrumento de Deus para te abençoar. Quando ouço algo, a primeira coisa que busco, antes de prestar atenção no arranjo, voz, bateria, efeitos, loops e se a levada é legal, é saber se consigo tirar algum princípio cristão dali. Não sejam relaxados ao ponto de só aconselharem músicas que vocês gostam porque já ouvem há muito tempo. Lembro que um dia desses indiquei umas músicas da banda Rebanhão a um amigo. Acreditem, eu nem ouço Rebanhão. Não tenho Rebanhão no meu computador e não sei nada da banda, mas algumas músicas deles são bem profundas e sabendo disso, sugeri a um amigo. E detalhe: nós não estamos analisando a qualidade da música e sim a sua mensagem.
    3. Aos fãs de Fresno (cristãos e não cristãos): Por último, mas não menos importante, falo diretamente aos fãs da banda do Lucas. Primeiro parabenizo vocês por terem um bom gosto musical e, segundo, digo que vocês tem muitas mensagens positivas em mãos. Não só no sentido romântico, que até 2009 era uma característica forte da banda, mas no sentido existencial também. Quando o Lucas brada que “nós somos a maré viva!”, ele está dizendo que vocês, nós todos juntos somos maior que qualquer coisa. “A gente pode crescer, perdendo a batalha”. É isso que o compositor diz em “Maior que as Muralhas”. Sei que há ateus dentre os fãs da Fresno, mas por favor, fiquem até o final do texto e entendam que o Piloto que comanda os cometas tem muito a dizer a vocês e ao Lucas.

    “A cada filho que perde um pai
    Quando o fardo é pesado demais
    Quando o amigo trai
    E você sente aos poucos a visão se enturvar
    E a esperança evanescer
    E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”

    Nessa primeira parte da música, Lucas Silveira tenta mostrar, mais ou menos, as dores que sofremos em nossas vidas. Desde o EP Eu Sou a Maré Viva, lançado ano passado, o compositor tem apresentado canções futuristas e outras até apocalípticas. No documentário de gravação do EP comentado, em uma conversa com o rapper convidado Emicida, Silveira explica a música “Manifesto” como uma ideia de “evangelho”. E, aqui, eu cito as próprias palavras do autor: “A gente faz várias coisas e se importa com tantas coisas mas na verdade um dia pode vir um asteroide e ‘baah!’ explodir tudo e, isso não vai significar nada no contexto do universo… Essa é a viagem! É evangelho né!? Tu pira no evangelho!”

    Quando um amigo nos trai qual a nossa primeira reação? Ficamos tristes, com raiva, querendo matar o traidor. Mas isso não vai mudar em nada. No filme João & Maria, quando enfim os irmãos conseguem matar a grande bruxa, João olha para a cabeça da bruxa e exclama: “A vingança não muda o passado!” E é exatamente isso que acontece com a gente: queremos explodir o mundo quando as coisas não vão bem, mas isso não muda a nossa existência, dores, defeitos e guerras. O fato do seu amigo ser ateu não muda o fato de que Deus existe. Não é o ceticismo dele que vai fazer com que Deus perca o poder ou a sua soberania. Entende?

    “E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”. Nessa parte, Lucas começa a tocar mais profundamente o meu coração e nesses momentos eu agradeço a Deus por, mesmo com toda essa crise política que tem tanto decepcionado o nosso país, é possível ainda olhar pra frente e bradar que ainda não acabou. Essa chama que irá queimar nossas memórias é a própria Palavra de Deus. É nela que iramos encontrar o sacrifício de Jesus na cruz por nós e entender que Ele abriu mão de ser Deus para ser homem. A frase de Jesus para nós nesses momentos de crises existenciais foi: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Mano, Ele venceu o mundo! Nossa luta não é pra vencer o mundo. Essa luta já foi vencida e nós já não temos preocupação nenhuma com isso, mas a nossa luta é contra nós mesmos e esse orgulho que nos impede de dizer: “Deus, sou pecador, preciso do teu perdão!”

    “Só pra ver, testemunhar
    E nada nesse mundo há de apagar
    Pois somos feitos de histórias
    Se o mundo lá fora quer te apunhalar
    Lembre que seu corpo é só poeira estelar
    Tudo que importa é o agora e nada mais
    Tudo que nós temos é apenas o que a gente faz”

    Somos feitos de histórias. E nesse sentido eu me identifico muito com o Lucas e pergunto: “Quais histórias vocês tem pra contar?”. Estou em processo de escrita do meu livro e as pessoas me perguntam muito do que se trata e, eu sempre digo que é um livro de crônicas sobre minhas perspectivas e um pouco da minha história. Não quero rotulá-lo como auto-biografia, pois não é. Sou feito de passado, presente e futuro. Fomos feitos para estar dentro do tempo e, Deus nos fez para sermos humanos que entendem de horas, meses e anos. Mas Ele não: Ele não se encaixa dentro do tempo, não envelhece e nem se enfraquece. Para nós, o que fazemos tem relevância significativa para nossa realização pessoal, mas para Deus o que fazemos já estava nos planos dEle. Sem querer entrar no debate teológico “arminianismo x calvinismo” eu digo que, se nós fecharmos os olhos e ficarmos o dia todo estáveis, é porque Deus tinha um plano para que aquilo acontecesse. Se o acaso fosse tão inteligente ao ponto de comandar seres humanos, ele se renderia a Alguém que é maior do que ele e diria que Deus é Deus sobre todos e que cada ato nosso gerará consequências boas ou ruins a qual para Deus nunca serão surpresas, pois Ele sabe de tudo. Max Lucado escreve no livro “Antes de dizer amém” que

    “Ele [Deus] tem autoridade sobre o mundo e… Ele tem autoridade sobre o seu mundo. Sobre o seu sono. Os seus hábitos alimentares. O seu salário. O tráfego da viagem diária. A artrite em suas juntas. Deus reina sobre tudo isso. Ele jamais fica surpreso. Ele nunca, jamais pronunciou a frase: ‘Como isso aconteceu?’” (pág. 40)

    Ele sabe de seus mais íntimos desejos. Ele sabe de suas complexidades e de como o universo vai mal. E essa é a nossa segurança, pois Ele sabe de tudo e nunca vai nos dar um fardo maior do que podemos carregar. Seu fardo é leve (Mt 11:30).

    “Quem é esse ser que pilota os cometas?
    Por que é que desvia do nosso planeta?
    Só pra ver, testemunhar, o quanto a gente pode suportar
    Nos ombros
    O peso das memórias”

    Aqui o compositor faz o questionamento “Quem é esse ser que pilota os cometas?” E eu respondo: Deus. Como eu já disse logo acima, Ele sabe de tudo e é soberano sobre tudo e todos. E essa interpretação de que ele desvia do nosso planeta, ou seja, da Terra, é uma interpretação superficial demais pois Deus se relaciona o tempo todo conosco, nós é que não percebemos. Ele não é um deus rabujento que só quer no julgar. Ele é bom e suas misericórdias não têm fim. Ele nos ama como um pai ama seus filhos. Ele nos olha com atenção e nos abençoa com saúde, força e inteligencia todos os dias.

    O nosso problema é que nós achamos que o pecado não é culpa nossa, e nós só agimos assim porque isso lá no fundo não é errado. Quando deixarmos de ver o pecado como algo tão natural ao nível de não nos incomodarmos mais em praticá-lo e enxergarmos como algo que nos distancia de Deus, conseguiremos ver que esse Ser que pilota os planetas está tão próximo de nós ao ponto de podermos senti-Lo. Eu entendo que existem momentos em que nossa fé é confrontada e achamos que Deus é só uma válvula de escape. Tenho um amigo ateu que diz que nós cristãos somos as pessoas mais carentes do mundo e, por isso criamos a figura de um deus bondoso e que vai nos tirar daqui e levar para um lugar melhor. Em resposta eu digo que nós somos sim carentes, mas não trouxas. Somos carentes pois ansiamos todos os dias um contato com o Criador, com o nosso Pai celestial e, sem Ele o vazio que existe em nós só aumenta. Eu encerro citando Max Lucado mais uma vez: “Se Deus é, ao mesmo tempo, Pai e Criador, Santo – diferente de nós – e superior a nós, então estamos, seja qual for o lugar, apenas à distância de uma oração do socorro”. Um brinde!

  • Crítica: Você não Precisa de um Chamado Missionário – Yago Martins

    Assim que eu soube que o Yago Martins havia publicado um livro, eu rapidamente quis comprar. E, após descobrir que era sobre missões, minha vontade de ter o livro só aumentou. Pessoas como Augustus Nicodemus Lopes, Norma Braga, Renato Vargens e Solano Portela comentaram o livro, e quando você ver essas feras falando bem de uma obra, pode comprar, pois é garantia boa na certa.

    Quando estou desejando muito algo, costumo pregar numa folha A4 no meu quarto o que devo comprar em determinado mês. Meu amigo Marcos não pôde me dar nada de presente no meu aniversário (que foi em maio) e então no mês de junho ele perguntou: “Naquele dia fomos no shopping e vi que você se interessou pela camisa dos Beatles, mas também sei que você quer muito o livro do Yago. Então, o que você quer ganhar de aniversário?”. Eu fiquei na dúvida, porque para mim a pergunta soou como: “você quer beber água ou comer pelo resto da vida?”. Fui pego em vícios que não consigo me libertar: MÚSICA e BEATLES de um lado e LIVROS e TEOLOGIA do outro. Mas optei pelo livro do Yago. Confesso que foi uma das melhores decisões que tomei nesse ano. Entendi o título já de cara, exatamente por entender que o IDE é uma ordem e não um pedido ou um mero chamado.

    O livro me ajudou bastante principalmente no quesito motivação:

    “A obra missionária é um meio para a glória de Deus – e isso é o que nos motiva […] Precisamos de motivações cristocêntricas, e é sobre isso que fala o texto de Mateus 28:18,19. Se isto é verdade, então encontramos uma ótima indicação bíblica sobre como nos tornamos pessoas cada vez mais motivdas a pregar o evangelho às nações.” (pág. 34)

    Como missionário urbano, dedico-me a cumprir o IDE e a agenda do ministério o qual faço parte. Mas, foi lendo o livro que eu parei para refletir sobre minhas reais motivações para pregar o Evangelho. Yago expressa isso biblicamente também: “O motivo pelo qual precisamos falar sobre motivações é que a bíblia fala sobre motivações. Ela é repleta de mandamentos sobre isso. O famoso Sermão do Monte mostra Jesus interpretando os Dez Mandamentos e outros preceitos da Lei judaica de um modo que não se prende apenas à ordenança em si, pois vai ao âmago da motivação por detrás de cada ensino” (Mt 5:21-48) (pág. 23). Eu não costumo fazer resenha de livros justamente por considerar uma publicação algo complexo e particular, mas este em especial, apresenta uma série de ensinamentos muito importantes principalmente para quem está pensando se deve ou não evangelizar mais do que evangeliza. O legal de Você não Precisa de um Chamado Missionário é defender algo que sempre digo quando estou pregando sobre missões: “Convidar pessoas para ir à igreja não é evangelizar!” Por fim, eu digo, nessa curta resenha, que o livro é muito bom. Vale a pena comprar e usá-lo até em pequenos grupos para ministrações e palestras sobre missões. É necessário que possamos entender que o IDE já nos foi dado. Precisamos obedecer a Grande Comissão. Um brinde!

  • Análise: CD Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

    Voltamos mais um pouco no tempo e chegamos ao ano de 2005, ano que a banda Rosa de Saron lançava o Casa dos Espelhos, seu quinto trabalho de estúdio e o segundo com Guilherme de Sá como vocalista. O disco traz elementos de hard rock, new metal e pop rock. Mais um lançamento pela gravadora católica CODIMUC e lançado no dia 14 de Agosto de 2005 no Parque Hopi Hari em Vinhedo, interior de São Paulo.

    Uma curiosidade interessante sobre o disco é que a música Além do meu Jardim, escrita por Eduardo Faro, foi composta após a saída do baterista Grevão, na época de inverno em que a banda estava sem vocalista, sem agenda e sem esperança alguma. Eduardo pediu para que o Grevão voltasse pois eles iriam conseguir superar essa fase, até que conseguiu convencê-lo, retornando a banda. Inclusive, este álbum teria o nome da música, mas durante o processo de gravação, a banda Oficina G3 lançou o disco Além do que os Olhos Podem Ver, fazendo com que o grupo desistisse de usar a música com título do álbum para evitar quaisquer rumores de comparação de ideia copiada de outra banda de rock cristão. (Fonte: Livro Rock, Fé & Poesia)

    A faixa-título abre o disco mostrando o peso instrumental do disco e é, em partes, uma música que se relaciona com o espelho de Narciso, agregando a ideia estética de ser espelho. Sem Você vem em seguida com uma pegada rock norte-americana e mostrando-se como um potencial hit – que acabou sendo, só que na versão acústica. Composição do vocalista Guilherme de Sá, a música fala da dependência de Deus e de como longe dEle, percebemos que não somos nada. Tudo gira para Ele e por Ele!

    Quando eu estava no ensino médio (época em que comecei a amar o Rosa de Saron), Obrigado por Estar Aqui marcou demais a minha vida pois eu havia acabado de me mudar de bairro e não conhecia absolutamente ninguém, até que, depois de algum tempo, fiz amizade com uma guria chamada Micaline e ela me passou essa música que incrivelmente eu ainda não tinha – nessa época eu não ouvia música por álbuns e sim aleatoriamente. A canção continua com a temática da anterior, só que na perspectiva de gratidão: de quanto somos gratos pelo amor do Pai em nós. Eu adotei essa música para meus momentos de solidão e gratidão. Mesmo que ninguém me entenda, eu agradeço a Deus pois Ele sempre estará aqui. Continuando: surge a primeira balada do disco, a linda As Dores do Silêncio. Escrita por Eduardo Faro, a música é uma oração cantada que revela um coração quebrantado e que clama pelo alívio que só vem de Deus. “Sabes ouvir as dores do silêncio, e persistir em esquecer os meus lamentos” é um dos trechos da canção que mais marcam a sua temática. Destaque para o arranjo semi-acústico.

    Tudo o que é Meu é uma bela canção poprock que caracteriza muito o novo Rosa de Saron, com canções poéticas e sem chavões católicos. Amor Sincero é mais uma composição do Edu e que também, marcou a minha vida no período de transição de um bairro para outro. Lembro muito bem que, na época, eu conversava com uma amiga de um município vizinho de Rio Branco e ela dizia que queria um “amor sincero” e eu sempre cantava essa música pra ela. Assim, esta faixa revela o caráter jovem da banda e de como o amor pode transformar. Destaque para o instrumental bem pra cima e de riffs envolventes. Em seguida, temos Uma Trilha Sem Dor, que está na lista de umas trocentas músicas que vou ouvir pelo resto da minha vida. Composição de Guilherme de Sá e do baixista Rogério Feltrin, expressa a efemeridade da vida, mas de como em Deus, somos imortais. Repleto de metáforas e com um arranjo marcante, é uma das principais músicas do disco.

    Roda Gigante é a oitava faixa e terceira composição do Eduardo Faro sozinho no disco. Destaco a pegada pesada da guitarra e dos solos. Lembranças é a típica canção de uma banda famosa que nunca será esquecida pelos fãs. A canção tem uma enorme influência do rock progressivo, mesmo que as letras sejam mais presentes que o próprio instrumental, percebe-se na segunda parte da música uma movimentação maior nas guitarras e bateria, tudo audível sem confusões do que está sendo tocado. Isso deve ser uma das únicas coisas que sinto falta nas gravadoras: elas sabiam pôr os instrumentos em ordem. Não que hoje não seja assim, mas os anos 2000 até 2007, foram anos consideravelmente importantes para o rock nacional. Ao menos para mim, foram anos divisores de águas com bandas acabando e outras nascendo. Divisão de bandas boas e ruins no cenário nacional.

    Passos Lentos é uma das minhas favoritas do disco. Claro que acho o álbum todo muito bom, mas algumas músicas estão em um nível maior de preferência do que outras. Escrita pelo Rogério Feltrin, trata de nossa caminhada cristã e de como o Amor nunca nos deixou e assim, somente com a graça dele podemos prosseguir sorridentes. Quem de Nós? é a minha predileta e ela, não sei o motivo, me lembra minha ex-cunhada. Lembro que estudávamos na mesma sala no terceiro ano do ensino médio e eu, ficava olhando como sua feição refletia uma menina cheia de sonhos mas que, por algum motivo se sentia impedida de realizá-los. Lembro que um dia pedi que ela ouvisse essa música e ela ouvia atenciosa e depois disse que achou muito boa. É uma canção reflexiva e feita para todas as pessoas que se encontram em dúvidas. Não que essa canção seja um resposta para todos as nossas dúvidas, mas, de certo modo, traz uma alívio para nossa ansiedade. Falar dessa música para mim é um grande desafio pois, sinceramente, ela me marcou e me marca muito. O ano de 2005 foi um ano ainda de inocência e que eu sempre me perguntava: “o que vou ser quando crescer?” e é aí onde percebemos que nós só seremos o que queremos ser, quando crescermos.

    Além do Meu Jardim fecha o disco com chave de ouro. Sendo uma canção acústica e bem reflexiva, fala exatamente do momento em que a banda estava vivendo e da emoção de servir a Deus através da música. Esse álbum tem um envolvimento muito grande na minha vida – você já deve ter percebido -, e essa música também me marcou em certo sentido, quando eu sentia saudades do meu avô na volta pra casa depois da escola. No ônibus lotado, eu vinha olhando a paisagem e pensando em como minha vida teria sido diferente se ele não tivesse partido. Eu chegava em casa, encontrava com a minha namorada e pensava em como as coisas seriam se um dia ela dissesse “adeus pra mim”. Isso aconteceu meses depois, mas ficou de aprendizado, que Deus sonda o meu e o seu coração. Basta entendermos isso. Esse é o tipo de disco onde encontramos muito mais verdades do que rock. Se você é um típico roqueiro que ama os solos e gritos extravagantes, provavelmente se decepcionará com o álbum, mas se quiser ouvir um disco que se confundirá com o que você está vivendo, Casa dos Espelhos é um álbum feito pra você. Espero ter conseguido falar um pouco do disco. É claro que dá para explorar muito mais com uma análise mais crítica, portanto, uma resumida análise sobre a essência desse disco consegui passar.

  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    No início da série, falei um pouco do significado de apologética e expliquei um pouco o título. Vimos algumas características de pessoas que defendem sua igreja local de maneira errada, no entanto, comprovamos que a apologética cristã é sim necessária. Hoje, dando continuidade a série, vamos atentar um pouco aos desafios que enfrentamos para defender nossa fé. O nosso ponto de partida é o texto de 1 Pedro 3:15:

    “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados par responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;”

    Observamos aqui seis palavras muito importantes que precisam ser categoricamente estudadas quando lemos esse pequeno versículo: “santificai”, “preparados”, “responder”, “mansidão”, “razão”, “esperança”.

    SANTIFICAI: O contexto de “santificai” aqui é muito claro: sejam compreensivos. E isso é um fator muito ignorado pelos que se dizem apologistas modernos. A fé cristã não é barreira e sim vida (João 10:10). Se não nascemos de novo (João 3:3), não amamos Deus de todo coração (Marcos 12:33) e não fomos justificados (Romanos 8:30), não podemos defender a fé cristã. Chega a ser inútil dizer ser cristão se não tem nenhuma dessas características bíblicas.

    PREPARADOS: Talvez quando eu escrevi que todo cristão precisava ser apologético, alguém tenha me interpretado mal e saído por aí contra-argumentando todo mundo, mas a Bíblia nos orienta a nos prepararmos. Como? Oração, palavra e teologia. Teologia? Claro. Muitos ignoram o tal estudo pois dizem que “esfria o crente”. Eu também já pensei assim. Mas, na verdade, o que ela faz é abrir nossos olhos para muitas coisas as quais desconhecíamos (open eyes!). Mas saibam: “Apologética não é só desmontar argumentos, mas elaborar uma defesa coerente acerca dos nossos pontos de fé. Apologética não é só reclamar do que está errado, mas se esforçar ao máximo para fazer as coisas da maneira correta, ensinando também com o nosso exemplo, como Jesus fez”.

    RESPONDER: “Por que você crê em Deus?” / “Por que Jesus morreu?” / “Como você afirma que o cristianismo é a única religião verdadeira?” / “Você é salvo?” Marty Broadwell escreveu um pequeno artigo, o qual diz: “Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pedro 2:23; 3:9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também deve fazer parte de nosso estilo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança – não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato.” Acredito que nessa hora um “Sola Scriptura” vai bem e, se deixarmos de refutar a palavra de Deus como sendo a Palavra inerrante do próprio Deus e procurar através de uma boa hermenêutica compreender cada texto, teremos a base necessária para respondermos aqueles que não conhecem a sã doutrina.

    MANSIDÃO: Acredito que o Evangelho deve ser pregado de forma mansa, mas eficaz. Cristo pregava mansamente e não precisava usar força bruta física e nem intelectual para passar a mensagem de Deus aos outros. Discussões no Facebook sobre Deus, fé e pecado não chegarão a lugar nenhum se você não tiver Jesus como base e referencial em seus argumentos. “Ao invés de gastar tempo discutindo filosofia, será melhor compartilhar o plano de salvação para que a pessoa o aceite na hora”.

    RAZÃO: Possa ser que razão seja interpretada por muitos cristãos como “eu estou certo e você está errado”, mas a RAZÃO proposta aqui é entendimento da Palavra. Mas talvez você se pergunte: “Por que eu preciso da apologética?” Tim Keller responde a essa pergunta: “A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética”. A razão pela qual você precisa deixa de ser algo totalitarista e passa a ser razão evangelística.

    ESPERANÇA: E por último mas não menos importante, devemos ter esperança. Em Romanos, Paulo diz que a experiência produz a esperança (Rm 5:4). Precisamos de vivência cristã para então termos estruturas para defendermos nossa fé. O que muito vejo entre os jovens que se dizem “apaixonados por Cristo” é que suas “paixões” são limitadas a sua igreja. O que seu pastor prega é o correto e mensagem fim. Exemplo: “não pode ouvir música secular” – “mas por que não pode?” – “ah! meu pastor disse que não pode então não pode”. Em casos mais extremos, vemos o seguinte (e triste) argumento: “se temos Nívea Soares, por que ouvir Coldplay?” É claro que estou trazendo simples exemplos para um complexo assunto.

    Igreja local é legal e necessária, mas igreja local tem mil e uma chances de estar ligeiramente errada. Por isso, a apologética cristã se torna muito mais importante, principalmente quando estamos envolvidos em um ambiente onde existe n variações de crenças e opiniões dogmáticas. Eu por exemplo, tenho amigos ateus e católicos, e sempre que necessário estou preparado para defender minha fé diante do Darwinismo, doutrinas católicas e filosofias vãs. Sejam apologéticos, mas acima de tudo, sejam bíblicos. Não saiam por aí agindo por puro impulso e achando que estar certo em tudo (nem o próprio Cristo agiu assim). Estejam cientes que precisam ler mais e mais a Bíblia sagrada e, livros e mais livros teológicos e filosóficos e claro, orem pedindo direção de Deus para que seus argumentos não sejam meras apelações para tentar convencer alguém de que você domina a teologia e assim se promover. Coração humilde, por favor! Um brinde!

  • Análise: CD S.E.T.E – PG

    PG é um artista diferenciado dos demais do segmento evangélico por ser ousado. E nem me refiro a sua veia roqueira, mas em seu vocal e apresentações bem elétricas. Mas como sou um compositor exigente, considero que suas letras soam uma chatice imensa.

    S.E.T.E (Senhor, Exaltado Tú És) é o sétimo trabalho do cantor como artista solo. O disco foi lançado no dia 31 de julho deste ano pela Som Livre, primeiro álbum de PG pela conceituada gravadora, após dez anos na MK Music.

    Vale salientar, antes de tudo, que S.E.T.E pode não ser, necessariamente, um disco enfadonho e incompreensível, mas tem propriedade para ser claramente confundido (ou considerado) como um mero Ctrl C + Ctrl V dos artistas cristãos norte-americanos e, isso deixa qualquer trabalho com a pretensão de soar bom alcançar o status de chato.

    A obra conta com a participação do guitarrista e ex-companheiro de PG no Oficina G3, Juninho Afram, na faixa que abre o disco, Olhos da Fé. Em relação ao repertório, Ser Alguém é uma das faixas mais poéticas e legais do trabalho, com um violão cujo som é marca registrada de toda a sonoridade. Faz Morada em Mim reflete um pouco da parte trovadoresca do álbum que, por sinal, é boa. Em contrapartida, a faixa-título é uma mistura de vários clichês do gospel e alguns versículos bíblicos fortes. Isso me fez lembrar que, quando ouço música gospel, geralmente sinto mal, por ver a falta de criatividade dos compositores. Ao invés de gravarem um CD por simplesmente gravar, deveriam se atualizar, procurando, assim, superar suas obras. Um curso teológico também não seria nada ruim.

    A respeito das referências estrangeiras, O Salvador surge com um peso ameno e diferenciado no disco. E, claro, revela uma perceptível e significativa influência da banda Thousand Foot Kruth na musicalidade deste trabalho. Mergulhar em Ti, por sua vez, é uma canção relevante.

    Lamentavelmente, Orgulho ou Salvação? é mais uma daquelas faixas gospel que tentam empurrar Deus goela abaixo na vida das pessoas, apelando para as consequências do pecado, usando palavras como “inferno” e “Satanás” para amedrontar os outros. Ser de Deus é uma tentativa frustrada do artista em soar crítico, utilizando-se dos sentidos de “ter” e “ser” de forma superficial, simplesmente finalizando que ele, como eu lírico, quer “ser de Deus”.

    A produção de S.E.T.E ficou por conta do próprio PG e ficou do seu nível: entediante. Para quem busca algo mais além de um som pesado e letras sem muita profundidade, o álbum vai te decepcionar, assim como me decepcionou.

  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Primeiramente eu preciso dizer que defender a igreja local não é nenhum extremismo. Muito pelo contrário, isso até pode ser uma atitude louvável. Mas, mesmo que pode ser, nem sempre é. Como exemplo básico e pessoal, eu muitas vezes defendi a igreja local em que estava envolvido, porém ela estava toda errada: pregava uma doutrina incorreta, não vivia o cristianismo de fato e não tinha relacionamento profundo com Deus. Sim, acreditem, já passei por uma congregação assim. Hoje me arrependo por ter “comprado briga” por tal ministério. Primeiro, porque eu não estava preparado teológica e nem espiritualmente para isso. Segundo, eu estava sendo mais errado que a própria congregação por defender seus erros.

    A Bíblia nos orienta a crescermos na graça e no conhecimento (2 Pedro 3:18) e esse foi um dos principais motivos que me fez querer estudar mais teologia. Não no seminário, porque não tenho tempo e sequer dinheiro, mas procurei aprender em casa, nas madrugadas de insônia que tenho. Apologética (do latim apologetĭcus, através do grego ἀπολογητικός, por derivação de “apologia”, do grego απολογία: “defesa verbal”) é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Em uma visão ampla, é certo afirmar que todo cristão deve ser apologético. Mas, nem sempre o que vemos é uma defesa da fé e sim uma defesa do “meu quadrado”, ou seja, da minha congregação. Eu vou além e digo: tristemente vemos a defesa de seitas e heresias, menos a do cristianismo. E aqui o caro leitor deve se perguntar: mas o cristianismo realmente precisa de defesa? A apologética cristã é relevante? Sim, claro, óbvio e evidente. Gregory Koukl disse:

    “A apologética desfruta de uma reputação questionável entre os não-simpatizantes. Por definição, os apologistas ‘defendem’ a fé. Eles combatem as falsas ideias, destroem especulações levantadas contra o conhecimento de Deus. Tais palavras soam como palavras de combate para muitas pessoas: façam um círculo com as carroças; levantem a ponte levadiça; preparem as baionetas; carreguem as armas; preparar, apontar, fogo! Não é surpresa, portanto, que os cristãos e incrédulos igualmente associem apologética a conflito”

    Como disse o blogueiro João R. Weronka, do site Internautas Cristãos, discordância não significa desrespeito. Eu acredito veementemente que sem apologética, dificilmente haverá cristianismo. Explico: não é de hoje que o cristianismo é mal compreendido. Desde a época de Jesus, já existiam pessoas que achavam toda essa ideia uma coisa de louco e sem sentido. Por isso, Cristo precisou, em várias vezes, dialogar com os fariseus para defender seus ideais. Alan Richardson esclarece melhor a importância da apologética:

    “A apologética trata das relações da fé cristã com a esfera mais vasta do conhecimento ‘secular’ do homem – a filosofia, a ciência, a história, a sociologia e as outras mais – visando demonstrar que a fé não discrepa da verdade descoberta por essas pesquisas. Tarefa como esta deve, necessariamente, ser empreendida em cada época. É mesmo um empreendimento de considerável urgência num período em que os conhecimentos científicos e as transformações sociais se processam tão rapidamente”

    Então qual é o problema de eu defender minha igreja local? Depende. Vamos lá: suponhamos que você ache sua igreja perfeita: o pastor vive em santidade e é honesto, o louvor é verdadeiro e dedicado, os obreiros são bem preparados e esforçados para com a obra de Deus e isso já é o suficiente para que você brade que sua congregação está preparada para receber os perdidos. Até aí, tudo bem. Mas o grande PORÉM é que sua congregação não desenvolve nenhuma atividade missionária, não se importa com evangelismo, não se relaciona com os demais irmãos e os cultos são mornos por falta de uma pregação inteligente. Tem como defender isso? Os membros são até pessoas dedicadas dentro da congregação mas fora delas, onde mais eles precisam ser dedicados, o cristianismo morre e eles voltam a ser pessoas comuns, sem desempenhar o evangelho.

    Apologética cristã não é defesa da sua igreja local e sim defesa da sua fé. Talvez muitos dos pressupostos usados em sua igreja local, estejam biblicamente incoerentes com o cristianismo. Paul Tripp, em seu livro Como as Pessoas Mudam (coescrito com Tim Lane) identifica sete evangelhos falsos – caminhos “religiosos” que usamos para nos “justificar” ou “salvar” à parte do Evangelho da graça.

    • Formalismo: “Eu participo dos encontros regulares e dos ministérios da igreja, assim sinto-me como se minha vida estivesse sob controle. Estou sempre na igreja, mas isso realmente tem pouco impacto em meu coração ou sobre como vivo. Posso me tornar julgativo e impaciente com aqueles que não têm o mesmo compromisso que eu”.

    Isso explica um pouco do que eu disse logo acima: não é porque a intenção é boa que a motivação seja a correta [Cristo].

    • Legalismo: “Eu vivo pelas regras – regras que criei para mim mesmo e regras que criei para os outros. Sinto-me bem se posso guardar minhas próprias regras, e me torno arrogante e cheio de desdém quando os outros não alcançam os padrões que coloquei para eles. Não há alegria em minha vida porque não há graça a ser celebrada”.

    Muitos de nós ainda vivemos esse legalismo, cujas regras desestruturam toda a aparência sincera de cristianismo. Em Filipenses 2 versos 14 e 15 diz que precisamos fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” para que nos tornemos “irrepreensíveis e sinceros”. Precisamos ser servos de Cristo por completo. Consegue entender a importância da apologética cristã?

    • Misticismo: “Eu estou envolvido em uma busca incessante por uma experiência emocional com Deus. Vivo para os momentos em que me sinto próximo dele, e frequentemente luto contra o desânimo quando não me sinto dessa maneira. Posso também mudar de igreja frequentemente, buscando aquela que me dará aquilo que procuro”.

    Observe que “experiência emocional” é muito diferente de “experiência espiritual”. Quando nos sujeitamos a momentos de emoções com Deus, não nos preocupamos com nossa vida espiritual.

    • Ativismo: “Reconheço a natureza missional do Cristianismo e estou apaixonadamente envolvido em consertar esse mundo destruído. Mas, no fim do dia, minha vida é mais uma defesa do que é certo que uma busca alegre por Cristo”.

    Chegamos em um ponto primordial que é posto equivocadamente por alguns de nós: o desejo por defender a fé mas a limitação física e teológica não permite. Fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis diante dele [Deus] em amor (Efésios 1:4). Devemos pregar o evangelho com convicção e não por mera emoção para sermos vistos e reconhecidos.

    • Biblicismo: “Eu conheço a Bíblia do começo ao fim, mas não permito que ela me domine. Reduzi o Evangelho à proficiência do conteúdo e teologia bíblicos, portanto sou intolerante com aqueles que têm menos conhecimento”.

    Isso é bem comum em nosso meio e, isso me entristece. Os fariseus conheciam muito bem a lei e as escrituras e nem por isso eram santos. A bíblia deve ser alimento para nossa alma e não vantagem para o nosso ego.

    • Terapismo: “Falo muito sobre as pessoas feridas em minha congregação, e como Cristo é a resposta para suas dores. Porém, mesmo sem perceber, eu fiz de Cristo mais Terapeuta que Salvador. Eu vejo as feridas como um problema maior que o pecado – e, sutilmente, mudo minha maior necessidade – da minha falência moral para minhas necessidades não satisfeitas”.

    Esse deve ser um dos principais problemas de defender sua congregação: vocês devem estar fazendo a coisa certa da maneira errada. Se tiverem uma apologética do cristianismo, estarão sendo firmes em suas convicções e biblicamente corretos.

    • Socialismo: “A comunhão e amizades profundas que encontro na igreja se tornaram meu ídolo. O corpo de Cristo substituiu o próprio Cristo, e o Evangelho é reduzido a uma rede de relacionamentos cristãos satisfatórios”.

    Sejam igrejas e amem o dono dela, que é Cristo. Enquanto pensarmos que nossa congregação é a base de tudo, estaremos errando feio em nossa vida cristã. Fiquem atentos aos próximos textos. Por enquanto, um brinde!


    Referências

    MYATT, Alan – Apologética p. 4 – www.monergismo.com

    KOUKL, Gregory in BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.55

    RICHARDSON, Alan. Apologética cristã. JUERP. Rio de Janeiro, RJ: 1978. p.17

  • Análise: DVD Histórias e Bicicletas – Oficina G3

    Um dos trabalhos mais aguardados e ousados no meio cristão em 2015, finalmente saiu. Depois de um bom tempo querendo ter acesso ao DVD – e que agradeço honrosamente ao Tiago Abreu por me ajudar nisso e por me deixar fazer a resenha -, enfim consegui assistir Histórias e Bicicletas e poder comentá-lo aqui.

    Quem ouve rock já há algum tempo, com certeza já se esbarrou com algum DVD de uma banda famosa que tinha um making of muito bem produzido. Eu já vi vários e confesso que isso me agrada demais, pois você consegue analisar o que a banda é de verdade. O que faz um grupo não é sua interpretação, mas sim o que os motiva a interpretar. No meio cristão, com uma pequena exceção do Rosa de Saron, o qual gravou o Rosa na Estrada, eu ainda não tinha visto um trabalho desses e com tanto conteúdo deste tipo.

    De cara, o Histórias e Bicicletas, o filme, já me encantou. Não por suas músicas, as quais, através do CD já sabia quais seriam tocadas, mas por sua hegemonia. Você já percebe isso, através da oração feita antes mesmo de começarem a tocar. Por isso, conhecemos uma banda cristã não por suas letras, mas pela vida dos integrantes.

    É claro que, neste trabalho, há muitos defeitos. Quando digo “muitos”, me refiro a quantidade de variações de defeitos e não no sentido quantitativo da palavra. Confesso que serei “chatamente” prolixo por não ouvir Oficina G3 há muito tempo e nem com muita frequência. Seria muito simples escrever duas ou três notas sobre o trabalho e só, como já fiz com análises de outras bandas. Mas eu reconheço o quão popular o quarteto é no meio cristão. Entendo o quanto suas músicas são importantes para muitos jovens e verdadeiramente marcou muitas pessoas em suas caminhadas com Cristo.

    Final de 2012, começo de 2013. Nesse período eu estava passando por várias, VÁRIAS transições na minha vida. Estava sem congregar, longe da igreja e de Deus até que voltei aos poucos para os braços do Pai indo a uma congregação aqui, outra ali e tudo mais. Fiquei indo para uma aos domingos até que conheci alguns guris na parada de ônibus que iam em galera para a igreja, e não demorou muito para que eu começasse a ir com eles. Eu tinha acabado de chegar no bairro, não conhecia ninguém. Os caras ouviam rock muito pesado e até então, o único rock (cristão) mais pesado que eu tinha escutado em toda minha vida era de uma banda chamada Pillar. Nessa época eu também era muito fã do Rosa. Um instante: eu era fã mesmo nessa época, hoje não sou muito, em termos de intensidade. Naquele período, foi mais ou menos o qual ouvi o álbum Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) do Oficina por esses amigos (doidos) dessa congregação que eu passei a ir constantemente. Eu já estava ouvindo o Depois da Guerra, o anterior trabalho de estúdio do Oficina, mas não conhecia o Histórias e Bicicletas até que me passaram – a meu pedido – e daí foi paixão a primeira ouvida. O álbum me agradou de uma forma que eu só conseguia ouvir isso. Reproduzia de “Diz” a “Save Me From Myself” várias vezes sem enjoar. Lembro que, na época, eu estava cursando o curso técnico em administração e esse disco foi meio que um registro do momento que eu estava vivendo e que com certeza, como eu já disse aqui, foi um dos três álbuns que me marcaram em 2013. Logo quando cheguei no O Propagador, verifiquei que já tinha saído análise desse álbum, então não pude fazer, mas agora com o DVD, dá para falar um pouco do trabalho.

    Uma coisa que eu sinto muita falta no Oficina são canções críticas que expressam o descaso político e adjacências. A banda tem potencial pra isso, mas por algum motivo resolvem ficar a mercê de letras que versam outros temas. Histórias e Bicicletas foi uma remada grande contra a maré. Não que a banda tenha sido mais crítica: mas eles soaram mais poéticos, a começar pelo título do disco.

    Indo ao DVD, que é o ponto crucial dessa resenha: a direção de Hugo Pessoa deu um peso enorme ao trabalho. O produtor já havia trabalhado em D.D.G Experience, gravado em 2009 e no clipe de “Incondicional”. Recentemente trabalhou, também, na direção dos clipes “Algoritmo” e “Quando Tiver Sessenta” da banda Rosa de Saron e em DVDs do Livres para Adorar, Damares, Trazendo a Arca, Heloisa Rosa, dentre outros grupos e intérpretes.


    Filmagem

    Eu não sou o melhor para falar de filmagem, mas acredito que a do DVD ficou boa, embora eu ache desnecessário alguns 5 segundos focados em cenas dispersas, como a de Duca Tambasco mexendo no celular e os controles da mesa de som. Portanto, isso não tira o fato da filmagem ter alcançado êxito.


    Interlúdios

    Chegamos em um ponto interessante da análise: os interlúdios. O que é algo bem presente nesse DVD, consiste nos integrantes falando um pouco de suas visões sobre a arte, o chamado de Deus, sonhos e experiências. E fizeram isso muito bem. Também deram um show de poesia e maturidade. Mostraram que o (novo) Oficina tem uma atmosfera filosófica muito maior do que cantar em primeira pessoa como se fosse Deus falando, a exemplo da música “Eu Sou”, do álbum D.D.G. e daquele clichê gospel “eu ando pela força do Senhor, eu vivo pela suas promessas”. O Oficina nunca foi uma banda que me cativou ao ponto de permanecer na playlist do meu celular por mais de uma semana. Mas o álbum Histórias e Bicicletas foi uma grande exceção, porque me trouxe muitas reflexões que estavam perdidas dentro de mim.


    Músicas

    As músicas que compõem o filme são as mesmas presentes no disco lançado em 2013. “Save Me From Myself” não entrou, talvez porque a banda na época que filmou o DVD, ainda não havia conseguido a liberação para gravá-la, não sei. Achei interessante uma mudada nas canções e, que foi apenas um ensaio da banda, então não chega a ser suas versões originais. A participação de Leonardo Gonçalves em “Lágrimas” foi a parte do projeto em que eu mais me identifiquei. Primeiro pela canção, que é a minha favorita no disco e, segundo: pela combinação das vozes. O Mauro é um cantor nato, isso é indiscutível. O Léo então, nem se fala: tem um vocal muito bem apurado e uma expressão vocal incomparável.


    Produção musical e visual

    A produção musical do filme foi toda da Oficina G3 e a mixagem ficou por conta de um cara que sou muito fã, Leonardo Ramos, vocalista da banda Supercombo. Eu sou o pior da rede pra falar de produção musical de DVD, mas como tenho um canal no YouTube e sou eu quem produzo os vídeos, digo que os insights que construíram a ideia da produção foram bem pensados, porém, eles poderiam ter feito melhor.

    Quando eu vi a divulgação de Histórias e Bicicletas, me enchi de expectativas e disse: “vai ser tão bom quanto o CD”. Mas, infelizmente, não foi tão bom assim: por vários momentos, a ideia que é passada é que aquilo não é uma gravação de um DVD contando os bastidores da produção de um disco, e sim que eles estão apenas filmando o dia-a-dia deles sem se importarem com o resultado. Desculpe-me Oficina e seus fãs, mas o DVD deixou muito a desejar! (pelo menos pra mim).

    É um DVD bom? Sim. Mas, para a proposta, que foi mostrar a produção do disco Histórias e Bicicletas, repito: deixou a desejar.

  • Um Brinde – É isso que é ser igreja?

    Um Brinde – É isso que é ser igreja?

    Eu queria dizer que acredito nos pastores pentecostais e de igrejas tradicionais e apostólicas, dizer que eles são referências no que se propõem a fazer e que eu queria ser como eles. No entanto, não consigo dizer isso. Mesmo que eu tente, não dá. E não é nenhum preconceito contra as igrejas tradicionais. Até porque, também, não consigo acreditar em pastores meia-boca e que pregam para números e não para almas pecadoras como eles.

    Um dia desses, em uma roda de conversa com alguns colegas do meu bairro, fui zombado ao ser convidado para um culto na igreja de um deles e eu disse que tinha igreja. Ele comicamente riu de mim e disse: “tem não“. Eu já sabia o que viria e ele reforçou a anedota: “Quem é o pastor?” E eu, seriamente, disse que não tem pastor. As caras assustadas se voltaram para mim e eu os convidei para conhecer a minha igreja. Claro que isso foi em vão, porque o pior cego é aquele que não quer enxergar. Já ouviu isso?

    Isso sinceramente me preocupa. Na igreja do meu amigo, Marcos Barreto, não há pastores e sim pessoas à frente da obra. Nas Presbiterianas, também não há um cargo específico de pastor, mas há reverendos e presbíteros responsáveis pelas igrejas. Na igreja a qual faço parte, também com o Marcos, é um ministério de oração, missão e congregação. Peraê! Isso não é a função de alguma coisa que se não me foge a memória agora se chama IGREJA? Sim. Nada de rede jump, rede de jovens, rede de malha, rede de dormir, culto não sei do quê, ano da esperança, dinheiro para ser próspero e nem campanha evangelística. A igreja que eu faço parte não se preocupa com “extras” do evangelho, ela se dedica apenas em ser noiva de Cristo. Nada de discipulado individual, aconselhamento para libertar-se de algo e nem culto avivado. A igreja que faço parte almeja somente a glória de Deus. Nada de cultos numerosos com pessoas até fora do templo, nem banda com todos os instrumentos necessários para tocar o mais novo sucesso do Thalles, e nem recolhimento de dízimos e ofertas. A igreja a qual faço parte reconhece a dependência que tem de Deus e se humilha todos os dias para que Ele se faça maior.

    Não tenho nada contra pastores e nem igrejas organizacionais. Talvez um dia o ministério que congrego se torne uma igreja organizacional em termos de templo, obreiros e banda. Mas eu repudio essa classe de cristãos – que nem merecem ser chamados assim – que se acham o povo mais santo porque estão no meio dos contáveis. São 12, são 7, são os batistas, os assembleianos, os neopentecostais. São os que estão na TV, nos teatros e eventos super-divulgados, na boca da galera como igreja-super-maneira-que-toca-um-rock-maneiro-aos-sábados. A igreja de Cristo não se compromete com nenhuma divulgação salvífica se não a do evangelho. A igreja de Cristo não é um aglomerado de números, mas sim pessoas complexas e que se arrependem todos os dias pelos seus pecados. São pessoas intimamente ligadas com a cruz, que olham para a cruz e vivem Cristo como prioridade em suas vidas. A igreja de Cristo não se preocupa com status, pois sabe que os anônimos são os que “não são” e esses reduzirão a nada os que são (1 Co 1:28); a igreja de Cristo ora pelos seus pastores / presbíteros / reverendos / líderes (At 12:5); a igreja de Cristo cuida um dos outros pois sabe o preço que foi pago pela igreja (At 20:28); a igreja de Cristo toma o maior cuidado de suas vidas para não ser causa de tropeço pois sabe que sua função é ser o oposto (1 Co 10:32); a igreja de Cristo ama seus conjuges pois Cristo amou de igual modo a igreja e se entregou por ela (Ef 5:25); a igreja de Cristo está disposta a chorar, sofrer e passar aflições pelo evangelho (Cl 1:24).

    Um homem nomeado pastor, com uma Bíblia e um microfone em um púlpito pregando um sermão, templo cheio de pessoas e uma banda acompanhando é o que você chama de igreja? Isso é o que você acha ser igreja? Desculpa, mas isso não define o que igreja de fato é. Onde você está quando seu irmão precisa que alguém o abrace e ore com ele? Onde está você, quando as pessoas nas ruas vagam sem direção e anseiam ouvir uma palavra de conforto? Onde está, quando seu irmão peca e se sente um nada pela consequência de seu pecado? A verdadeira igreja se preocupa com os seus. Estão todo tempo se relacionando. A igreja é um corpo e o corpo de Cristo.

    Quando meu nariz está coçando, normalmente uso minha mão direita para coçá-lo e com a igreja não pode ser diferente: precisamos ajudar uns aos outros. Esse apoio referencial que temos por um líder, alguém que nos comande e nos der assistência ministerial não significa nada se você não se coloca como parte do Corpo, da igreja. Não vão ser os pastores que vão reduzir o que é ser igreja. Ela sempre será o que é, pois Cristo morreu por ela. Ele acredita nela e não em pastores. Nós formamos juntos o corpo de Cristo e não um corpo batista, presbiteriano, assembleiano, alagoiano e tantos outros que existem por aí. Que possamos aprender o verdadeiro significado de igreja e não o que o número que estou envolvido representa. Um brinde!