Autor: Jhonata Fernandes

  • Análise: CD Caixa Preta – Rede Ativa

    2013 foi um ano que me marcou demais no aspecto musical e houve três álbuns que mais ouvi e com certeza estarão em minha playlist por muitos e muitos anos. Eles são O agora e O Eterno do Rosa de Saron (gravado em 2012 e que pretendo falar dele em breve), Histórias e Bicicletas do Oficina G3 (que eu adoraria fazer uma resenha dele mas o nosso amigo Tiago já fez aqui) e Caixa Preta do Rede Ativa.  Hoje irei fazer uma análise do último álbum citado e particularmente é o melhor do Rede Ativa até agora.

    Como toda mudança é perigosa, a de estilo também não difere das demais, pois assim como o Oficina, o RA também resolveu mudar um pouco o estilo e destaco as letras que estão louváveis neste disco. Nunca me simpatizei muito com o Rede que vivia querendo justificar que os jovens cristãos também podiam se divertir, fazer baladas e etc. (não que isso seja um defeito, é apenas uma questão pessoal) sem contar a errônea comparação com o grupo Charlie Brown. O “Caixa…” é o 4° trabalho da banda que já tem em seu currículo 2 DVD’s e está em sua 7° turnê pelos Estados Unidos. O novo projeto tem produção, mixagem e masterização de Lampadinha, antigo “braço direito” de Rick Bonadio com quem produziu bandas renomadas, como por exemplo: Raimundos, Titãs, Rita Lee, Ultraje a Rigor, Sandy Lea, Los Hermanos, CPM 22, NX Zero, Fresno, Charlie Brown Jr., Planta & Raiz, entre outros. O CD contém 10 faixas inéditas, gravadas totalmente em estúdio, nos meses de novembro e dezembro de 2012. O nome escolhido, Caixa Preta, foi baseado na seguinte oração: “Deus, proteja nossos corações como a caixa preta de um avião, onde tudo ao meu redor pode se arruinar/abalar, mas o meu coração e tudo que há dentro dele [fé, amor e esperança] permaneçam inabaláveis”. Vale ressaltar também que a produção visual dos encartes foram criada pela empresa Corações Produções e Estevão Passamani.

    O single do disco chama-se “Amigo” que teve vídeo-clipe divulgado antes do lançamento do mesmo. Aqui já observamos um RA maduro e poético, digamos assim. A letra carrega um grande peso por alguém que deixou os caminhos de Deus e perdeu as boas amizades. Percebemos também uma pequena mudança no timbre do Daniel Passamani, líder e vocalista da banda. Destaque por riffs bem encaixados e som nostálgico bem harmônico. Seguindo, já vemos o grupo resgatando o peso de suas origens e uma mensagem evangelística mais direta, mas não perdendo a vibe “poética” que prometeu com a primeira faixa. “Próximos do Fim” é uma faixa auto-explicativa e fala com um dialeto bem jovial e suave com a galera que ainda não conheceu á Cristo. Á frente, a guitarra de Bruno Quadros continua em alta com belos riffs e alguns solos básicos que enriquece a faixa. Na faixa “Lado a Lado” a banda faz um pequeno protesto á divisão que as igrejas fazem e a hipocrisia dos falsos cristãos. Seguindo a linha de protesto, nos encontramos com “Marionete” (minha favorita do disco), que manda uma “pedrada” ao ilusionismo ditado pela mídia sobre o que devemos fazer, como devemos falar, e há uma pequena ministração no meio da faixa que dá á faixa um peso maior. Destaco nas duas faixas anteriores o baixo e teclado muito bem posicionados. “Tarde de verão” e “Aqui Estou” são músicas com a vibe bem parecidas e remete o calor da praia, a pista de skate, enfim, o divertimento dos jovens cristãos no mundo pop. Na segunda citada, destaco a suave sonoridade do violão e percebemos uma declaração de amor á Deus de forma bem amigável. E considero que devemos ter uma intimidade com Deus á esse nível de termos liberdade de nos abrirmos com Ele como se tivéssemos falando com o nosso melhor amigo.

    Á frente, seguindo a ordem de música de viagem e verão temos “Normalmente Louco“. Confesso que quando ouvi pela primeira vez o trecho “Acordo cedo pego a prancha, ponho no carro e vou pro mar, o rádio no último volume, curtindo o som do RA, se Ele tivesse aqui comigo iria me acompanhar, pois seu esporte favorito era andar sobre as águas…” me arrepiei e senti vontade de falar línguas estranhas e pular de alegria. Outra das minhas favoritas do álbum. “Mar de Rosas” é uma das faixas mais evangelísticas, pois faz um convite ao ouvinte a conhecer á Cristo, mas deixando claro que nada será fácil, conscientemente sabendo que temos um refúgio para as horas difíceis e que Ele nos ajudará. “Por Enquanto” remete uma nostalgia imensa em sua sonoridade, assim como a primeira música “Amigo” e sinceramente é uma das mais lindas do novo trabalho do grupo. O refrão é gritado com o sentimento de que somos estrangeiros aqui e que em breve estaremos com o Pai na eternidade. Uma faixa bem poética e destaco a metáfora feita com a bíblia substituindo pelo termo ‘livro”. Fechando o disco voltemos a vibe de protesto e temos uma faixa que mistura samba e rock com um arranjo bem suave e empolgante. Na letra vemos uma revolta sobre as condições de famílias pobres das periferias e que são enganadas pelos políticos que são bons para pedir votos, mas somem quando assumem o poder. “Sobe o Morro” fecha louvavelmente o disco que muito me marcou no ano de 2013.

    Considero que assim como o Histórias e Bicicletas do Oficina desagradou muitos fãs, o Caixa Preta também deve ter decepcionado alguns apreciadores que estavam acostumados com a pegada mais jovial do Rede Ativa e com letras mais “explicadinhas”. Porém, não temo nenhum pouco ao afirmar que este foi o melhor trabalho de estúdio da banda. Gosto muito também do álbum O mundo ao meu favor e há pessoas que admira mais o grupo com suas músicas ao vivo. Enfim, Caixa Preta é um disco pra ser comprado, baixado e ouvido várias vezes. Como seremos a próxima geração do meio evangélico, que este disco toque muito para as ovelhas que serão ganhas para Cristo!

  • Um Brinde – O Criador

    Um Brinde – O Criador

    A criação é algo divinamente lindo! Poderia até classificar-se como um pleonasmo, pois, tudo (que até então era nada) deu-se início após a criação. Um toque de quem ama! Muito me admiro quando consigo compor uma canção, ou até mesmo escrever um poema – que ultimamente tem feito falta em meus escritos -, porque aí me vejo como um artista abençoado: agraciado pelo dom de fazer; ver nascer do nada; admirar os primeiros ‘passos’ de uma canção que nunca foi ouvida por ninguém, é o ápice de minha alegria. É como se eu fosse uma mãe que acabou de dá a luz um filho tão aguardado.

    Sou muito fã de um artista nato. O primeiro artista pelo qual me apaixonei de verdade. Sua simplicidade, sua forma de criar, seu modo de ouvir seu apreciador, é indiscutivelmente perfeito! Quando conheci esse artista, deixei de ser só mais um, pois aprendi com ele que é possível fazer a diferença. Antes de conhecê-lo, não fazia arte, mas depois, me apaixonei loucamente pela criação. E como um bom pesquisador, rapidamente fui procurar conhecer mais sobre esse artista. Fiquei gritantemente admirado ao saber que suas obras ajudaram uma pá de gente. Ele incentivou uma geração. E o mais intrigante é que ele continua fazendo arte.

    O meu artista favorito se chama Jeová! Porém, é mais conhecido como Deus. O Deus vivo, e único que fez e faz a vida acontecer. Quando escrevo, dificilmente falo dele, mas, sinceramente, é ele quem faz as coisas acontecerem. É dele que vem a inspiração. Foi dele que nasceu esse texto. Assim, podemos brindar ao Criador!

  • Entrevista: Wolfgang Werneck (Primerandar)

    Wolfgang Werneck é vocalista e guitarrista da banda Primerandar. Pra quem não conhece, Primerandar é uma banda de rock, original de Minas Gerais, nascida no final de 2008, sendo integrada atualmente  por Wolfgang Werneck (vocal e guitarra) e Joaquim Jorge (bateria) como membros oficiais. O Propagador entrevista o músico, que fala de suas atividades musicais, fé e estilo.

    O PROPAGADOR – Olá Wolfgang, antes de tudo, obrigado pela humildade de ceder essa entrevista pra gente! E eu começo perguntando, por que “Primerandar”?

    Olá, nós da Primerandar é que agradecemos pelo espaço cedido, muito obrigado. “Primerandar” é um nome pra nos lembrar sempre das nossas origens, o que nos trouxe até aqui, toda caminhada começa pelo primeiro passo, e quando objetivos são alcançados é sempre bom ter algo que nos lembre de onde viemos pra não perdermos a essência de nós mesmos.


    OP – A partir de que momento nasceu seu interesse pela música? Houve um momento ou foi natural?

    Eu era menino, tinha uns 9 anos (acho), ia pra casa de um cara que tinha violão e ele deixava eu “tocar” (fazer barulho), por isso eu pedi um violão pro meu pai e ganhei um “Tonante” de presente de aniversário de 10 anos. Só comecei a tocar com 12, depois disso eu virei fanático por música.


    OP – Ouvi variáveis vezes o EP de vocês e gostei muito do formato “poesia cantada”. Como é o processo de composição das letras na banda?

    (Obrigado) Isso é muito variável, a inspiração pode chegar de formas diferentes, mas o que acontece com mais frequência é que eu crio primeiramente algum riff no violão ou encontro uma sequência de acordes que me agrada, e daí começo a escrever em cima. Normalmente escrevo sobre fatos corriqueiros, ou algo que tem me tocado de alguma forma, então é bem natural abordar os assuntos já  que faz parte do meu dia a dia.


    OP – Bandas como Tanlan, Palavrantiga Os Oitavos e Hibernia, quebraram (ou ao menos estão tentando quebrar) a barreira que havia entre “gospel” e “secular” com suas letras poéticas. A Primerandar faz parte desse novo movimento que almeja romper com esse rótulos? O que acha das bandas citadas?

    Não necessariamente, é claro que há um padrão entre as bandas citadas e isso inclui Primerandar, mas, fazer parte de um movimento requer ter um objetivo em comum. Esse nunca foi nosso objetivo, temos a música como um simples prazer, uma coisa que nos apaixona e nos dá liberdade para sermos um pouquinho mais de nós mesmos, é arte por arte. O fato de sermos cristãos simplesmente fica claro, porque faz parte de nós, e pra mim, é impossível deixar de lado uma parte de mim quando escrevo uma letra. Não sinto a obrigação de falar de qualquer assunto que não me toque por motivos de crenças ou outras coisas, talvez por isso haja uma relação taxativa quanto a sermos “gospel” ou “secular”, mas em minha opinião somos apenas uma banda (se é que isso faz algum sentido). Gosto das bandas citadas, apesar de conhecer muito pouco de Os Oitavos e Hibernia e pouco de Tanlan, espero algum dia ter o privilégio de dividir palco com esses caras.


    OP – Como você define o som da Primerandar? Quais as principais influências musicais da banda?

    Honestamente, não sei definir o som, eu diria rock, o que seria genericamente abrangente. As influências são muito variadas, se eu começar a citá-las, com certeza esquecerei de várias, mas deixo algumas que vem a minha mente agora: Foo Fighters, U2, Coldplay, QOTSA, Thrice, Johnny Cash, Bob Dylan, Emery, John Mark Mcmillan, Nando Reis, Black Drawing Chalks e um monte que esqueci (risos).


    OP – Como você ver o cenário underground em nosso país?

    Pra mim tem crescido bastante, mas ainda peca em alguns aspectos; a tendência – eu acredito – é de melhoria. O autoral tem sofrido bastante por falta de lugares para tocar, e ás vezes , o mal procedimento das casas para com as bandas. Isso falo com mais propriedade sobre BH e região que é a nossa casa.


    OP – E quais os novos projetos da banda para este ano?

    Agora estamos totalmente concentrados em gravar o álbum novo , as músicas já estão selecionadas e estamos em processo de criação. Como passamos por um momento delicado de perda de alguns integrantes, por enquanto não estamos tocando, e muito provavelmente só voltaremos a tocar após o lançamento desse novo álbum, Quem quiser ficar a par das novidades é só curtir a nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/bandaprimerandar).

  • Análise: CD Cartas ao Remetente – Rosa de Saron

    Pode até ser exagero, ou o fato de eu ser fã da banda, justifique, mas “Cartas ao Remetente” foi o melhor álbum de rock nacional lançado neste ano. Já ouvi o Amianto do Supercombo e o EP Eu Sou a Maré Viva da Fresno lançados este ano, mas nenhum é tão bom como o CAR.

    Cartas ao Remetente é o 13° álbum da banda católica Rosa de Saron. Para muitos, é o melhor disco de inéditas do grupo, porém, ainda acho O Agora e O Eterno melhor.

    A faixa que abre o disco chama-se Reis & Princesas, que tem uma temática bem parecida com a música Autor Desconhecido, também foi composta pelo vocalista Guilherme de Sá, e a mesma abre o último álbum gravado em 2012. O projeto inicia com um “teor” de suspense , e um eco eletrônico do início da canção sendo reproduzida antes dos primeiros riffs de guitarra. A poesia perdura e prende o ouvinte já na primeira estrofe quando é cantado “Eu não sei, se eu sigo a ver navios ou se ponho neles os animais”. O refrão é empolgante e chamativo pelo grito de manifesto de uma pessoa que já fez de tudo por uma boa relação com um inimigo – ou outra pessoa qualquer – e nada adiantou. Destaque para o solo com um arranjo melódico que muito lembra alguns clássicos do Creed.

    O disco segue com uma pegada eletrônica em algumas partes, típico da banda que sempre gostou dessa sonoridade desde a entrada do Guilherme, assumindo os vocais. Solte-me! é outra canção que remete o manifesto pessoal. Isso é caracterizado pela frase “Solte-me! Solte-me! Por favor liberte-me, solte-me!“. Também é uma faixa viciante pela versatilidade das palavras e traduz o sentimento de quem tenta, tenta, tenta mas não consegue realizar-se. Deixando claro que as músicas do Rosa as vezes – ou quase sempre – é muito difícil de se definir, e o grupo sabe tão bem disso, que deixa que os próprios fãs tirem suas conclusões.

    A terceira música é a faixa-título. A partir daí o ritmo agitado dá lugar a uma canção semi-acústica (digamos assim). A letra passa a mensagem de que se só tivéssemos o amanhã, será que iríamos buscar à Deus? Qual seria nossa última oração? “Se de fato fosse mesmo o último adeus“, “viva como quem soube que vai morrer” e “uma verdadeira causa pela qual morrer” são umas das várias frases de efeito que leva o ouvinte a refletir sobre seus atos. Destaques para os violões e riffs bem detalhados.

    O disco segue com sua sonoridade muito boa e atraente, agora com uma canção acústica, e uma forte candidata a melhor música do CD. Após ouvir, tente imaginar um clipe da mesma e a ouça outra vez! Quando tiver sessenta é um exemplo nato de música folk tocada por uma banda de rock. O instrumental me lembra o acústico do Scorpions, mas podem discordar de mim. A canção tem um lado futurista/saudosista, vida/morte, certezas/incertezas bem reflexivas. Costumo dizer que essa não é uma música pra todas as horas, pelo fato de ser reflexiva e pessoal. Essa foi uma fase complexa na vida do autor pois sofreu muitos ataques por membros de sua própria fé, e chegou até pensar em aposentadoria. Junto com a faixa 3 (Cartas ao Remetente) e 14 (Fleur De Ma Vie), chorou compondo e gravou-as chorando. Segundo a banda, a letra é um combate ao imediatismo que vivemos e que dos 86.400 segundos que recebemos de Deus durante o dia, gastamos apenas 2 segundos para dizer: “Senhor, obrigado por este dia”.

    Adiante temos Nada entre o valor e a vergonha. A música tem requisitos de balada no instrumental e um protesto à balada na letra. A sonoridade faz-me lembrar algumas canções do Snow Patrol e substituiu bem a faixa Jamais Será Tarde Demais do seu último de inéditas. Seguindo a base mais pesada do disco temos Algoritmo que traz a temática das misericórdias de Deus em nossas vidas, e que Ele sempre nos perdoa, mas insistimos continuar no erro. A poesia traduz esse sentimento nos versos “Setecentas e setenta e sete luzes não puderam iluminar, a sombra que escondeu-se do seu lar“. Destaque com louvor para os riffs e acordes definidos de guitarra e do peso sonoro bem encaixado da bateria. Uma das melhores do disco.

    Continuando no peso “rock rosariano”, temos Neumas D’arezzo. Guido d’Arezzo foi um monge italiano, teórico musical que criou a notação moderna com a criação do tetragrama, encerrando com o uso de neumas na História da Música, e batizou as notas musicais com os nomes que conhecemos hoje: dó, ré, mi, fá, sol, lá e si (que antes eram ut, re, mi, fa, sol, la e san). Essa é mais uma das variáveis canções de protesto pessoal da banda com um grito que traduzido a fala ante a música, seria: “DEIXA-NOS FAZER NOSSO TRABALHO EM PAZ!“. Instrumental perfeito com linhas de baixo bem posicionadas com a simplicidade dos solos de bateria dando um ar de hardcore. E essa mesma bateria perdura durante os 3:42min. de Verdade/Mentira. Destaque sem igual pela boa harmonia de guitarra, contra-baixo e bateria e o encerramento marcante com “Afinal o Pinocchio era apenas um cara de pau“.

    A seguir, temos duas composições do guitarrista Eduardo Faro com Dias Assim e Meus Medos. Ambas expressam o sentimento de dependência do amor de Deus. Pra quem conhece o lado devocional do autor, sabe que suas letras são sempre muito profundas. Destaque para solos sutis e voz marcante do Guilherme. Seguindo, encontramos uma faixa que é bem explícita quanto a fase de Invernia que o vocalista e autor da canção passou. Inicia-se com um questionamento profundo: “Deus, o que há comigo?”. Marcada com um arranjo “trovadorístico” de violinos, arranjados com delicadeza e devoção de Aramis Rocha e Robson Rocha. Destaque pela letra e voz quando é cantado o alívio de “Vai passar, eu sei, vai passar“. Seguindo o pique de canções reflexivas , ouvimos a belíssima O Mestre dos Ventos que também traz os violinos e fala metaforicamente de um mendigo. Há um sentimento de abandono explícito na letra. Outra forte candidata a melhor música do álbum.

    Prestes ao término, nos encontramos com a irreverente Seis Nações. Com solos e bem norte-americanizados, a música fala da imperfeição e desejo pelo melhor. Frases como “Na medida da perfeição, eu sou um imperfeito” e “Quem sempre teve Deus como o centro das atenções, jamais precisou secar as lágrimas quando o amor se ausentou” dão um toque doce na melodia e desejo de ouvir mais vezes. E encerrando o ótimo disco, somos agraciados com a ingênua Fleur De Ma Vie, que traduzido significa Flor da minha vida. Introduzida com sinos e juntado com acordes dedilhados de violão, a canção é uma declaração de amor do autor à sua filha recém-nascida, Lívia Gallo de Sá. E o que mais marca – pelo menos pra mim – é o francês fluente do cantor no final do disco.

    Cartas ao Remetente é um disco bem atual, mas com quesitos futuristas. Mais uma obra totalmente produzida pela banda e divulgado pela Som Livre. A produção musical é do vocalista Guilherme de Sá e o produtor Ricardo Domingues, que também assinou o último disco. Enfim, recomendo. Fiz questão de comprar o disco e baixar pelo iTunes! Abraços!