Análise: CD Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

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Voltamos mais um pouco no tempo e chegamos ao ano de 2005, ano que a banda Rosa de Saron lançava o Casa dos Espelhos, seu quinto trabalho de estúdio e o segundo com Guilherme de Sá como vocalista. O disco traz elementos de hard rock, new metal e pop rock. Mais um lançamento pela gravadora católica CODIMUC e lançado no dia 14 de Agosto de 2005 no Parque Hopi Hari em Vinhedo, interior de São Paulo.

Uma curiosidade interessante sobre o disco é que a música Além do meu Jardim, escrita por Eduardo Faro, foi composta após a saída do baterista Grevão, na época de inverno em que a banda estava sem vocalista, sem agenda e sem esperança alguma. Eduardo pediu para que o Grevão voltasse pois eles iriam conseguir superar essa fase, até que conseguiu convencê-lo, retornando a banda. Inclusive, este álbum teria o nome da música, mas durante o processo de gravação, a banda Oficina G3 lançou o disco Além do que os Olhos Podem Ver, fazendo com que o grupo desistisse de usar a música com título do álbum para evitar quaisquer rumores de comparação de ideia copiada de outra banda de rock cristão. (Fonte: Livro Rock, Fé & Poesia)

A faixa-título abre o disco mostrando o peso instrumental do disco e é, em partes, uma música que se relaciona com o espelho de Narciso, agregando a ideia estética de ser espelho. Sem Você vem em seguida com uma pegada rock norte-americana e mostrando-se como um potencial hit – que acabou sendo, só que na versão acústica. Composição do vocalista Guilherme de Sá, a música fala da dependência de Deus e de como longe dEle, percebemos que não somos nada. Tudo gira para Ele e por Ele!

Quando eu estava no ensino médio (época em que comecei a amar o Rosa de Saron), Obrigado por Estar Aqui marcou demais a minha vida pois eu havia acabado de me mudar de bairro e não conhecia absolutamente ninguém, até que, depois de algum tempo, fiz amizade com uma guria chamada Micaline e ela me passou essa música que incrivelmente eu ainda não tinha – nessa época eu não ouvia música por álbuns e sim aleatoriamente. A canção continua com a temática da anterior, só que na perspectiva de gratidão: de quanto somos gratos pelo amor do Pai em nós. Eu adotei essa música para meus momentos de solidão e gratidão. Mesmo que ninguém me entenda, eu agradeço a Deus pois Ele sempre estará aqui. Continuando: surge a primeira balada do disco, a linda As Dores do Silêncio. Escrita por Eduardo Faro, a música é uma oração cantada que revela um coração quebrantado e que clama pelo alívio que só vem de Deus. “Sabes ouvir as dores do silêncio, e persistir em esquecer os meus lamentos” é um dos trechos da canção que mais marcam a sua temática. Destaque para o arranjo semi-acústico.

Tudo o que é Meu é uma bela canção poprock que caracteriza muito o novo Rosa de Saron, com canções poéticas e sem chavões católicos. Amor Sincero é mais uma composição do Edu e que também, marcou a minha vida no período de transição de um bairro para outro. Lembro muito bem que, na época, eu conversava com uma amiga de um município vizinho de Rio Branco e ela dizia que queria um “amor sincero” e eu sempre cantava essa música pra ela. Assim, esta faixa revela o caráter jovem da banda e de como o amor pode transformar. Destaque para o instrumental bem pra cima e de riffs envolventes. Em seguida, temos Uma Trilha Sem Dor, que está na lista de umas trocentas músicas que vou ouvir pelo resto da minha vida. Composição de Guilherme de Sá e do baixista Rogério Feltrin, expressa a efemeridade da vida, mas de como em Deus, somos imortais. Repleto de metáforas e com um arranjo marcante, é uma das principais músicas do disco.

Roda Gigante é a oitava faixa e terceira composição do Eduardo Faro sozinho no disco. Destaco a pegada pesada da guitarra e dos solos. Lembranças é a típica canção de uma banda famosa que nunca será esquecida pelos fãs. A canção tem uma enorme influência do rock progressivo, mesmo que as letras sejam mais presentes que o próprio instrumental, percebe-se na segunda parte da música uma movimentação maior nas guitarras e bateria, tudo audível sem confusões do que está sendo tocado. Isso deve ser uma das únicas coisas que sinto falta nas gravadoras: elas sabiam pôr os instrumentos em ordem. Não que hoje não seja assim, mas os anos 2000 até 2007, foram anos consideravelmente importantes para o rock nacional. Ao menos para mim, foram anos divisores de águas com bandas acabando e outras nascendo. Divisão de bandas boas e ruins no cenário nacional.

Passos Lentos é uma das minhas favoritas do disco. Claro que acho o álbum todo muito bom, mas algumas músicas estão em um nível maior de preferência do que outras. Escrita pelo Rogério Feltrin, trata de nossa caminhada cristã e de como o Amor nunca nos deixou e assim, somente com a graça dele podemos prosseguir sorridentes. Quem de Nós? é a minha predileta e ela, não sei o motivo, me lembra minha ex-cunhada. Lembro que estudávamos na mesma sala no terceiro ano do ensino médio e eu, ficava olhando como sua feição refletia uma menina cheia de sonhos mas que, por algum motivo se sentia impedida de realizá-los. Lembro que um dia pedi que ela ouvisse essa música e ela ouvia atenciosa e depois disse que achou muito boa. É uma canção reflexiva e feita para todas as pessoas que se encontram em dúvidas. Não que essa canção seja um resposta para todos as nossas dúvidas, mas, de certo modo, traz uma alívio para nossa ansiedade. Falar dessa música para mim é um grande desafio pois, sinceramente, ela me marcou e me marca muito. O ano de 2005 foi um ano ainda de inocência e que eu sempre me perguntava: “o que vou ser quando crescer?” e é aí onde percebemos que nós só seremos o que queremos ser, quando crescermos.

Além do Meu Jardim fecha o disco com chave de ouro. Sendo uma canção acústica e bem reflexiva, fala exatamente do momento em que a banda estava vivendo e da emoção de servir a Deus através da música. Esse álbum tem um envolvimento muito grande na minha vida – você já deve ter percebido -, e essa música também me marcou em certo sentido, quando eu sentia saudades do meu avô na volta pra casa depois da escola. No ônibus lotado, eu vinha olhando a paisagem e pensando em como minha vida teria sido diferente se ele não tivesse partido. Eu chegava em casa, encontrava com a minha namorada e pensava em como as coisas seriam se um dia ela dissesse “adeus pra mim”. Isso aconteceu meses depois, mas ficou de aprendizado, que Deus sonda o meu e o seu coração. Basta entendermos isso. Esse é o tipo de disco onde encontramos muito mais verdades do que rock. Se você é um típico roqueiro que ama os solos e gritos extravagantes, provavelmente se decepcionará com o álbum, mas se quiser ouvir um disco que se confundirá com o que você está vivendo, Casa dos Espelhos é um álbum feito pra você. Espero ter conseguido falar um pouco do disco. É claro que dá para explorar muito mais com uma análise mais crítica, portanto, uma resumida análise sobre a essência desse disco consegui passar.

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