Autor: Jhonata Fernandes

  • Um Brinde – Meninas: se arrependam!

    Um Brinde – Meninas: se arrependam!

    Essa é a primeira vez que escrevo exclusivamente para meninas/garotas/mulheres. E confesso que me sinto muito honrado em poder falar diretamente com esse público. Espero que Deus nos guie e conduza o seu coração enquanto você ler isso, em amor!

    Eu tenho poucas amigas. Tenho certa dificuldade em me relacionar com garotas e, por isso, prefiro ter só as amigas que já tenho. Nessa semana, eu fiquei viciado em uma música que, tecnicamente é “música de menina” – se é que isso existe – e essa música me fez pensar e repensar várias coisas. Ela desconstrói muita coisa e até o lance de que é exclusivamente para meninas. Estou falando de “Minha Curiosidade”, interpretada pela cantora Priscilla Alcântara, para a trilha sonora da novela Carrossel. Ela me fez pensar sobre como nós, adolescentes, agimos muito por impulso. Dessa forma, nos sentimos influenciados e condenados a fazer as coisas que os outros fazem somente para nos encaixarmos no “padrão social”, como o primeiro gole de bebida alcoólica, a primeira tragada de cigarro e a primeira transa, feitas porque os outros fizeram. No contrário, nos sentimos excluídos ou estranhos se não fizermos também.

    Eu lembro que um dia estava em uma festa de amigos, eu ainda era muito novo, e uma jovem de mais ou menos 15 anos ficou bêbada e começou a querer “dar um show”, se é que você me entende. Eu e um amigo éramos os únicos bem intencionados no meio de um bando de indivíduos sem nada na cabeça e, rapidamente, tentamos conter a situação e levá-la pra casa. Na época eu nem era cristão, mas sabia que aquilo era errado e ela iria se arrepender depois. E foi exatamente isso que aconteceu: ela se arrependeu de ter bebido demais. Outra vez, um amigo meu também bebeu muito. Resultado: falou e fez o que não devia. Eu não estava na hora, porém os amigos me disseram o que aconteceu e fiquei muito triste depois. E essas são só algumas de muitas histórias tristes que se repetem todos os dias entre jovens que estão em fase de reconhecimento pessoal e aceitação. Vejo todos os dias, TODOS OS DIAS MESMO, meninas belas e novas grávidas e tendo que interromper os estudos. Em outros casos, o pai nem aparece e esquece a moça de uma vez. Não sei quanto a você, mas isso me comove.

    Eu sou grande a favor da liberdade de escolha de cada um. Entretanto, isso não é nada a ver com livre-arbítrio (até porque ele nem existe), mas estritamente ligado com cada um ter o direito de fazer o que acha melhor pra si. Sei que muitos não me compreenderão, mas, se o cara quer ser homossexual, que seja. Não estou dizendo que concordo com a prática, porém não vou discriminá-lo e nem tentar impedi-lo caso ele decida seguir esse caminho. Por favor, não me interpretem mal.

    Voltando as meninas: como propus no início, vou falar diretamente com vocês e desejo que leiam com atenção. Desde já obrigado por sua leitura!

    Meninas, eu as chamo de “meninas” porque, por mais que vocês sejam mulheres, a alma de vocês é de uma menina que está solta no mundo e em busca de uma proteção maior pra si. Eu entendo que a maioria de vocês são orgulhosas e, esse não é um comentário machista, mas sim o reconhecimento de que vocês são determinadas e já estão cansadas de sempre ver as coisas de baixo. O orgulho de vocês tem motivo, razão e circunstância: na infância vocês foram condicionadas a querer ter apenas uma Barbie e amigas para lhes ajudar a penteá-las e brincar de casinha. Entendo que com o tempo isso foi se perdendo. Algumas de vocês cresceram sem pai e, essa ausência fez com que vocês ficassem receosas quando um homem se aproxima. Compreendo o gosto de algumas de vocês relativo a festas e bailes funks porque, se ficarem em casa, no final de semana, vão se trancar no quarto e chorar a noite inteira. Sei que algumas de vocês guardam mágoas de infância e não conseguem perdoar. Tenho a ciência do porquê de vocês vestirem, às vezes, roupas curtas porque sabem que, socialmente, vão chamar atenção e isso foi tudo o que se quis receber quando criança. E é exatamente por estas e outras coisas que vocês são mal compreendidas.

    Eu também sei que não queriam agir assim: não ser tão duras e nem muito acessíveis. Entendo que a sua curiosidade de menina te fizeram fazer coisas que você nem tinha vontade, e queriam ter algo que despertasse mais atenção que os vossos corpos. Há vezes as quais vocês queriam ser compreendidas, no entanto, não havia ninguém para conversar a não ser para julgar e apontar um erro. Por isso, escrevo a vocês com amor para dizer que eu vos entendo. Você posta fotos sensuais nas redes sociais para receber elogios porque nunca receberam elogios que mereciam dos seus pais. E muitas sonham com um príncipe encantado, mesmo já sabendo que esse “príncipe” não é tão perfeito como imaginavam. Nas madrugadas em que vocês passam acordadas, o que vocês mais queriam era um abraço amigo e alguém que entendesse sua dor. Meninas, eu entendo que vocês erraram e pisaram na bola várias vezes. Portanto, acima de tudo isso, eu também entendo e desejo que vocês se arrependam.

    O único remédio para qualquer erro é o arrependimento. A única forma de vocês terem o que merecem é reconhecendo que vocês podem ter o que merecem, mas para isso, é necessário mudar. “Não é simples buscar o perdão”. Realmente! Não é simples e eu sei disso. Mas o perdão existe e Deus é mestre em perdoar. Meninas, arrependam-se de serem tão egoístas com seus pais. É necessário se arrepender da lascívia. Se arrependam de qualquer estupidez. Meninas, se arrependem pelas palavras que vocês não deveriam ter dito e pela curiosidade que tiveram e levaram vocês para um caminho ruim e que provocou mágoas profundas. Meninas: se arrependam.

    Eu reconheço que esse texto não foi um dos melhores, mas o meu desejo é que ele sirva de conforto ao seu coração. Meu desejo é que, após essa leitura, vocês se sintam convencidas de que precisam mudar e, se por acaso você não se identifica com esses pontos, saiba que nós sempre podemos mudar ou melhorar algo em nós. Meninas, vocês são lindas! Não permitam que um simples deslize ou pensamento venha tirar de vocês esse sorriso cativante e sincero. Valorizem essa alma bela que o Criador te deu e busque o perdão, pois ele existe! Um brinde!

  • Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    “Pontes Indestrutíveis” é a primeira faixa do álbum Ritmo, Ritual e Responsa, da banda Charlie Brown Jr., lançado em 2007. As canções deste projeto contém uma pegada surf music muito atraente, principalmente para adeptos do surf e skate. No entanto, antes de começar a me aprofundar na proposta do texto, quero falar um pouco da inspiração para escrevê-lo. Eu estava dando uma volta de bike com o meu irmão de oito anos, em um fim de tarde de segunda-feira. Isso é meio que nossa tradição de fim de tarde, quando eu estou em casa. É o nosso momento de irmãos. E, enquanto eu pedalava, a música do CBJr. veio na cabeça e comecei a cantar, só que a princípio, baixinho. Meu irmão falava de algum assunto e eu estava completamente em outra vibe, e foi aí que eu disse: “vou te ensinar uma música, OK?”. Ele respondeu: “tá bom”, e aí eu cantei falando pra ele repetir:

    “Viver, viver e ser livre, saber dar valor para as coisas mais simples, só o amor constrói pontes indestrutíveis”

    Enquanto continuávamos pedalando, eu senti o desejo enorme de escrever sobre essa música. Espero que esse texto lhe edifique, assim como o autor se sentiu edificado ao escrevê-lo.

    A canção versa uma temática de protesto contra a injustiça e de como o coletivo é tão mais importante que o individualismo. Ensina de forma simples a darmos valor a coisas que não se compram com dinheiro. É uma música, também, de incentivo e de valorizarmos mais os simples momentos. Selecionei seis frases de sua letra cujos versos são indubitáveis verdades. Que o Senhor nos guie!

    1) Os homens podem falar mas os anjos podem voar: Essa frase é autoexplicativa, mas contém uma diversidade gigante de possíveis interpretações. Ficamos com uma das mais simples: por mais que sejamos experientes na oratória, os anjos, ou seja, Deus e aqueles que estão com Ele no céu são os que mais entendem de tudo (tudo mesmo). Somos limitados até quando nos achamos completos. Somos falhos também quando todos nos acham perfeitos, e errados mesmo quando achamos que estamos fazendo tudo certo.

    2) Quem é de verdade sabe quem é de mentira: Chorão era um compositor bem verdadeiro com aquilo que escrevia. Isso é perceptível pela forma pela qual desenvolvia seus versos. Quando nos preocupamos com a estrutura em que as palavras serão escritas, limitamos as suas verdades. Nessa música, claramente identificamos a mensagem, passada sem enfeites de preposições, sem frases filosóficas difíceis de serem compreendidas e nem palavras complexas que nos forçam a usar o dicionário para compreendê-las. Quando ouço “quem é de verdade sabe quem é de mentira”, rapidamente compreendo que “quem fala a verdade manifesta a justiça; porém a testemunha falsa produz a fraude” (Provérbios 12:17). Quem tem a verdade, que é Cristo, compreende as heresias que lhe cerca e sabe o caminho que deve andar.

    3) Cuide de quem corre do seu lado e quem te quer bem, essa é a coisa mais pura: Este trecho me leva diretamente para Provérbios 17:17, o qual enfatiza a necessidade de amarmos o amigo, pois na angústia teremos um irmão. Aos domingos, costumo correr com os amigos, e é nesse tempo em que atualizamos nossas conversas e fazemos planos de ir ao shopping. Mostramos um ao outro a confiabilidade que temos entre nós e do braço amigo que estamos dispostos a dar, caso alguém precise. Na gíria adolescente, “corre do seu lado” significa aquele sujeito o qual anda com você e não abre mão da sua amizade. Ter alguém para contar nas horas ruins é primordial. E, por isso, é importante termos alguém do lado. Jesus poderia muito bem cumprir sua missão sozinho, sem precisar dos seus discípulos, afinal de contas, Ele veio como homem, mas era Deus. Portanto, Ele nos deixou o legado da união, amizade e companheirismo, mostrando a importância de se ter alguém para andar conosco. Lucas Silveira, na música “Canção da Noite”, da banda Fresno, canta que “todo mundo precisa de alguém”. E isso é verdade!

    4) O que se leva dessa vida é o que se vive, é o que se faz: Enquanto os “grandes” homens colecionam carros de luxo, mansões em Paris e títulos invejáveis no mercado dos negócios, os humildes de coração procuram viver uma vida sem regalias, no entanto, verdadeira. Ter algo para se orgulhar é muito mais importante do que ter dinheiro para comprar algo que ninguém ostenta. Sabendo que somos pó e a ele retornaremos, qual a validade de vivermos uma vida constante, em busca do sucesso?

    5) Difícil entender e viver num paraíso perdido: Acredito que o que o Chorão quis dizer com “paraíso perdido” foi a situação do nosso país, politicamente falando. Com toda injustiça e corrupção em nosso país, a beleza que temos, a exuberância que o Brasil é, se perde. Assim temos um paraíso (belo país) perdido (corrupto). Lidar com a nossa situação política é algo extremamente difícil, pois o trabalhador honesto, que sai de casa de madrugada e só volta ao anoitecer sabe do quanto sofre para manter sua família. E mesmo assim, ainda dá mal para pagar as contas no final do mês. Mas o compositor nos dá uma dose de ânimo mais a frente quando canta: “…mas não seja mais um iludido, derrotado e sem juízo”. Enquanto as coisas ruins acontecem, prossigamos fazendo as coisas boas. É como G.K Chesterton disse ao comentar seu livro O que há de errado com o mundo: “errado é não solicitarmos o que é certo”.

    6) Só o amor constrói pontes indestrutíveis: A sexta e última verdade da música que selecionei é o finalzinho da música. Sabemos mais do que ninguém que o amor é a base de tudo. O principal mandamento dado a nós é amarmos a Deus e amarmos ao próximo. Infelizmente, este amor é tão banalizado hoje e, tristemente, se tornou algo relativo. Mas, seguindo a filosofia do Charlie Brown, pontes indestrutíveis são laços inquebráveis, relacionamentos que não se acabam por simples bobagens e, também, nem uma fé frustrada por problemas corriqueiros do dia a dia. Sem o amor nossa força é nula. É basicamente como na física: nossa potência sem uma ligação eficiente não serve de nada. Enquanto vivermos sem sentido e sem bases sólidas, as pontes quebrarão facilmente, e afogaremos no mar das ilusões. Espero que este texto tenha sido uma ferramenta de Deus para você! Um brinde!

  • Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    Alguém, alguém”

    Eu começo esse texto deixando claro que a música “Vinte e Seis” da banda Rosa de Saron, a qual está sendo base dessa reflexão, não foi escrita pensando em um cara solteiro que queria arrumar uma namorada. Na verdade, consiste na ideia de alguém que viveu vinte e seis anos de sua vida e quando enfim se toca, está só e clama por Deus. E, de antemão, digo que o texto de hoje vai ser diferente dos demais, mas sem fugir da temática da coluna que resumindo, é bem abrangente e não me prendo a nada para escrever aqui. Tudo de importante e que me sinto capaz de escrever (relacionando é claro, sempre com a mensagem do Evangelho), aqui escrevo. Deixando isso claro, podemos prosseguir.

    Tenho 19 anos e nesse pouco tempo de vida já tive alguns relacionamentos sólidos e outros bem imaturos. Alguns me deixaram marcas quase que incuráveis. Já escrevi aqui criticando o pessoal do Eu Escolhi Esperar, mas há algo que eles pregam que eu acho interessante: a santidade. O meu primeiro relacionamento foi ainda muito cedo e não tínhamos estrutura para assumir um namoro e, por isso acabou. O meu segundo relacionamento também foi uma frustração, e naquele período eu havia acabado de conhecer o Evangelho. E olha como são as coisas: eu estava no meu primeiro amor com Jesus e paralelo a isso, também estava no meu primeiro amor adolescente. É óbvio que o amor por Jesus me atraiu mais. O terceiro relacionamento foi muito doido e não vale nem a pena mencionar aqui. O quarto e quinto foi a distância e nem merecem ser citados como relacionamentos, e o mais recente foi o que mais me causou dor.

    A respeito deste último, eu realmente amava a moça e estava numa fase meio rebelde em termo de santidade. Estava longe de Deus, mas bem perto da moça que eu amava. Perto demais para que eu ficasse (a)b(s)ur(d)amente cego. Um fato interessante: quanto mais perto você fica de algo, poucas coisas você ver. Estava no finalzinho do ensino médio e cursando um curso técnico em administração. Eu só pensava nela. Afinal de contas, era minha primeira namorada que vinha na minha casa, saía comigo para lanchar e a primeira que eu amava de verdade. Mas nós éramos ingênuos demais e isso passou desapercebido. Estávamos muito perto não só na relação, mas no sentido geográfico, pois sua casa fica na rua atrás da minha. Minhas crises de ciúmes e falta de compreensão foi um dos pivôs da separação.

    Durante este período eu já amava a banda Rosa de Saron. Eles foram (e são) uma ferramenta de Deus muito importante para o meu crescimento espiritual e intelectual. Ouvia o álbum O Agora e o Eterno todo santo dia. De casa para o curso, do curso para a escola e da escola pra casa outra vez. Todas as músicas desse álbum são marcantes pra mim e, especificamente a faixa 8 do disco, “Vinte e Seis”. Mas vamos voltar ao meu antigo relacionamento.

    Então, o namoro terminou e foi cada um para o seu lado? Errado. Depois de um tempo separados, voltamos a nos falar e ela sempre dava sinal de que ainda gostava de mim. Acabamos ficando algumas vezes, mesmo separados. Mantivemos um contato por algum tempo, até porque ela mora no mesmo bairro o qual moro, e é quase impossível evitar que esse encontro aconteça. Hoje, eu ignoro, mas o encontro sempre acontece. Estou há quase dois anos solteiro e aprendi muita coisa neste período. Estas coisas que você nunca vai ouvir em um The Love School da vida porque só quem vivenciou pode dizer. Também são coisas que um psicólogo nunca te dirá porque ele não passou madrugadas sozinho pensando na vida. E, por fim, coisas que nem sua mãe pode dizer, porque ela não estava em sua pele em momentos que o que mais queria era um colo amigo.

    Aprendi nessa fase de solteiro que o coração do homem grita por um companheirismo conjugal. Você vê seus amigos namorando e sente vontade de também sorrir com alguém do lado. Passeia nas ruas e ver casais andando de mãos dadas e você sozinho.

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    E quando cansado estiver, que me dê o seu colo amigo
    E se eu desafinar, me abrace e cante um alívio”

    Aprendi que, por mais que você tenha os melhores amigos do mundo, eles não são o suficiente para substituir o companheirismo de uma namorada. Aprendi que quando Deus disse “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18), Ele não estava fazendo nenhuma espécie de metáfora, pois literalmente não é bom que o homem esteja só. Compreendi que, por mais a vontade seja viver sem alguém pra chamar de seu, nosso coração sente falta de algo. Sente falta de uma completude que nos encha mais ainda de amor.

    A banda Rosa de Saron me ensinou e me ensina muito com suas músicas e garanto que passarei isso a frente para os meus filhos e netos. E, no sentido emocional, eu também aprendo que preciso amadurecer a cada dia. Entendo que não posso amar alguém se eu mesmo ainda não me amo. Aprendo que o verdadeiro sentido do “estar” é exatamente “estar” com alguém. Só você conversando e se relacionando com alguém para entender porque que ela age dessa forma e quais são os seus mais íntimos pensamentos. Nesse período de solteiro, venho sido instrumento de mão amiga para amigos que tiveram relacionamentos frustrados. Um exemplo mais recente foi o do meu irmão, que se separou da esposa, e dias depois flagrou-a de mãos dadas com outro. Eu estava do lado dele quando presenciamos a cena e fui o cara que o ajudei a segurar a onda. Trouxe ele pra casa, conversamos até de madrugada e demos boas risadas depois.

    A vida é um grande making of: cheia de coisas inesperadas que no fim das contas são roteirizadas com maestria. Quando decidimos nos relacionar, automaticamente decidimos parar de viver só pra nós. Ou seja, o “eu” não existe mais. Eu lembro muito bem do período em que eu voltei a minha “vida de solteiro” e percebi logo um vazio iminente. Eu havia voltado a ser só eu. Só mais um que anda sem um par em direção ao incerto. Parece uma ideia muito pessimista, mas é isso que o solteiro é: alguém que vaga sem grandes objetivos, pois sua força é muito limitada a ele mesmo. O solteiro só pensa em comprar um suco de maracujá e um salgado na faculdade para ele comer e depois ir pra aula. O solteiro só pensa em comprar o cereal o qual gosta, pois não tem ninguém que discorde do seu péssimo gosto. Assim, se sente livre, porque não tem ninguém para dar satisfações, mas se ilude, pois sabe, mais do que ninguém, como dói não ter ninguém para dar justificativas.

    Nós, seres humanos, por vezes temos uma grande necessidade de nos relacionarmos. O autismo, por exemplo, se torna um problema maior porque quem sofre de tal doença, sofre muito mais por não poder se relacionar bem com as pessoas.

    O que eu passo aos meus leitores é, que tudo isso que vivi e ainda vivo, foi e é necessário para o meu crescimento e, eu não mudaria nada. Portanto, se eu puder ensinar algo a vocês, digo que saia a procura do seu par pois ele existe. Ele existe e também deve estar a sua procura. Se relacione, quebre a cara, aprenda. Não espere chegar aos vinte e seis para perceber que você não deve viver o resto da vida solteiro. É claro que esses conselhos estão indo com uma pequena dose de hipocrisia, pois ainda continuo solteiro. Mas, mesmo assim, repito: se você já tem vinte e seis anos, não espere chegar os vinte e sete. Até a próxima! E corre para ir brindar com o seu amor! Um brinde!

  • Análise: CD Acústico e ao Vivo – Rosa de Saron

    Não é novidade nenhuma que o Rosa de Saron gosta de acústicos. Desde os álbuns mais antigos, antes mesmo de Guilherme de Sá assumir os vocais da banda, isso é perceptível. E não existia formato melhor do que o acústico para comemorar 20 anos de banda. Este é o seu primeiro DVD e alguns, como eu, só a conheceram a partir daí quando viram o anúncio do disco passar na Rede Globo nos intervalos do Vale a Pena Ver de Novo – nostalgia! Eles lançaram um CD de estúdio e depois o DVD e CD Acústico e Ao Vivo. Para quem os acompanha, sabe que eles prometeram um novo acústico neste ano, e foi gravado dia 8 de julho na sede da TV Século XXI, na mesma emissora que foi gravado o primeiro. A banda disse que este será o segundo de uma trilogia de acústicos. Como eu disse, eles gostam mesmo de acústicos!

    Irei analisar de forma bem simples o CD Acústico e Ao Vivo por ser um disco de regravações, digamos assim. Era para eu estar fazendo as análises da discografia da banda do primeiro álbum até o mais recente, mas como minha estreia aqui foi analisando o Cartas ao Remetente, então vamos voltar no tempo. Prometo que irei tentar não dar spoilers das músicas que estão nos álbuns anteriores e que estarão nas próximas resenhas.

    Depois desta prolixa introdução, começo falando de Noite Fria (Depois da Cruz, 1995), composição do Eduardo Faro e que teve uma ótima releitura na adaptação para o acústico. A canção original tem aquela guitarra floydiana e no acústico soou muito mais harmônica e singular com os violinos e violões. Em seguida aparece No Meu Coração (Depois do Inverno, 2002) composição do vocalista Guilherme de Sá. Na versão original, a canção soa bem como um típico rock carliforniano, já na versão acústica soa muito mais como uma balada. A letra versa de contrapontos existentes na vida e de como Deus alivia tudo e nos faz entender cada fase a seu tempo. Angústia Suprema (Angústia Suprema, 1997) vê em seguida com a primeira participação especial de um ícone da música católica, Eugênio Jorge. A versão original é interpretada pelo antigo vocalista, Marcelo Machado e é muito bom ver o contraste da música agora sendo tocada em formato acústico e com muito mais elementos musicais e com uma voz diferente. O Guilherme a introduz com beat box e o Eugênio Jorge inicia – muito bem – a canção. Destaco os back vocals que foram essenciais nessa faixa, trazendo o reverb que tinha na versão original para o ao vivo.

    Linda Menina (Angústia Suprema, 1997) é uma bela canção e talvez essa seja a mais polêmica de todos aqueles protestantes que não ouvem o Rosa de Saron por ser uma banda católica. Mas por que odiamos tanto Maria assim? Ela foi a mãe de Jesus, isso não é lindo? É claro que ela não merece adoração nenhuma, mas acredito que devemos respeito a ela. E isso o que a canção indica: não uma adoração a Maria, mas um respeito significativo por ter criado “o filho de Deus para todos libertar”. A versão original tem uma introdução de sax fone muito legal, e eu senti falta dele na introdução. Acredito que essa é a primeira falha que identifico nesse acústico no quesito adaptação. Em seguida, Logo Após o Temporal (Depois do Inverno, 2002), composição do Rogério Feltrin e Guilherme de Sá dá uma suavizada amena no show. A versão acústica ficou muito bem tocada e eu ousaria dizer que ficou até melhor que a versão original. É uma linda canção de “volta por cima em Deus”. Rara Calma é a primeira inédita e nem imaginária que dois anos depois viria se tornar uma febre entre os rosarianos. A música fala bem do momento comemorativo de 20 anos de banda como o próprio Rogério diz ao anunciá-la:

    “A próxima canção que a gente vai tocar é inédita. E ela nasceu, justamente nesse momento que a gente está vivendo da oportunidade… De poder celebrar, 20 anos de uma história muito bonita de se contar… ‘Rara Calma’”

    As Dores do Silêncio (Casa dos Espelhos, 2005), composição do guitarrista Eduardo Faro, é uma canção meio devocional que soou muito bem acústica. Te Louvo em Verdade é uma versão de Eugênio Jorge de uma música do Martin Valverde. É uma música devocional desde o nome e que revela uma sinceridade de filho dependente do Pai. Anjos das Ruas (Angústia Suprema, 1997) é a única composição do acústico do antigo vocalista Marcelo Machado em parceria com o Eduardo Faro. Teve a participação da Aura Lyris (que na época era vocalista da banda Beatrix) e que versa um lado de função da igreja na sociedade. Muitos Choram é uma música super conhecida no repertório da banda e que é até usada em palestras motivacionais por alguns palestrantes. Carrega uma letra muito forte que também tem as características da faixa anterior.

    Amor Sincero (Casa dos Espelhos, 2005) vem em seguida, uma composição do Eduardo Faro e eu devo confessar uma coisa: essa música fica boa até em pagode. Lembro de quando eu me mudei para o bairro que moro atualmente e deixei muita coisa pra trás. Essa música foi um conforto em várias áreas para mim. Como Eu Te Vejo é a segunda inédita, composição do Eduardo Faro e Guilherme de Sá. Ela versa o antes e depois da conversão e da dependência que temos de Deus. Sem Você (Casa dos Espelhos, 2005) recebeu uma versão totalmente nova e isso deu uma aparência de “platonice” na música. Teve a participação genial do guitarrista Demian Tiguez tocando violão solo. Obrigado por Estar Aqui (Casa dos Espelhos, 2005) é composição do Guilherme e também tem um lado devocional muito agradável! Do Alto da Pedra (Depois do Inverno, 2002) é a penúltima faixa e não tenho muita coisa pra falar sobre ela. Considero uma canção muito sincera e que tem frases profundas como “em você não temo minha sorte e eu sei que isso veio de você”. Teve participação emocionante do ator Rafael Almeida dividindo voz com o Guilherme. Monte Inverno encerra o CD Acústico e Ao Vivo com chave de ouro. Fala exatamente da nostalgia dos 20 anos de banda.

    Fui meio prolixo, confesso, mas não dá pra falar de regravações sem “encher linguiça”. E como eu ainda vou falar dos álbuns anteriores ao acústico, não quis dar muito spoiler sobre as músicas que foram regravadas. Enfim, o acústico marcou uma fase muito importante na banda Rosa de Saron e no dia 8 de Julho, eles gravaram o Ao Vivo e Acústico 2/3. A ansiedade está a mil e eu prometo resenha aqui no site!

  • Um Brinde – A teologia deve gerar adoração

    Um Brinde – A teologia deve gerar adoração

    Atualmente, muitos seminaristas e estudantes de teologia, veem o tal estudo como algo fim. Ou seja, o suficiente para que entendamos e possamos ser mais inteligentes do assunto. No entanto, isso não é bíblico. Em Oséias capítulo 6 versículo 3, somos orientados a prosseguir “em conhecer ao Senhor”. A palavra não diz respeito em conhecer do Senhor dando o indicativo de aprendermos algo que vem dEle e só. Mas o indício de “ao Senhor” é conhecer Ele e o que Ele ensina deve ser vivido.

    João Calvino diz na abertura das suas Institutas que “quase toda a sabedoria que possuímos consiste em duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos”. Tudo que fazemos para Ele não provém de nós mas sim dEle, e isso deve ser voltado a Deus como glória. Calvino também disse que “a teologia não é um fim em si mesma, mas deve conduzir à piedade, a uma genuína devoção, condição para o verdadeiro conhecimento de Deus”. A teologia deve ser aplicada de forma holística, ou seja, integrando a vida social, espiritual, política como um todo, e não separando suas condições. O que Calvino disse foi basicamente essa condição de termos uma teologia básica que nos ensina não só daquilo que Deus nos propõe mas sim do que Ele é: Deus é zeloso (Dt 6:15), então devemos ser inteiramente zelosos.

    Não fomos feitos para viver metade para o Senhor, mas sim inteiramente para Ele, herdando seus atributos, mesmo que estejamos depravados e impossibilitados por si de buscarmos a Deus, e praticando sua palavra. O contexto de evangelho é prático. Não tem como sermos “teóricos do evangelho” em condição de filhos. Em outras palavras quero dizer que a teologia deve provocar ensino, conhecimento e aprendizado sim, mas também deve ser uma ponte que provoca adoração, conversão e glória a Deus. Então, como identificar uma teologia que produz adoração? Eu diria, a princípio e como via de regra que, uma teologia que produz adoração é a teologia bíblica. Jesus disse em Mateus 22:29 que erramos “não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Assim como a filosofia desperta o conhecimento da vida e algumas formas de analisá-las, a teologia desperta a grandeza de Deus e isso está contido nas Escrituras, na Bíblia. O primeiro passo a identificar uma teologia correta, ou no mínimo um estudo teológico proveitoso, é perceber se esse estudo pelo qual está sendo estudado é realmente baseado na bíblia seguindo suas nuances como Palavra de Deus inerrante. Warfield disse que “o cristianismo não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida”. E Chambers disse que “doutrina sem dever é uma árvore sem frutos; dever sem doutrina é uma árvore sem raízes”.

    Evangelho sem ação é uma vida sem sentido. Vemos uma quantidade enorme de cristãos preocupados com status social porque conhecem um pouquinho a mais de teologia do que o irmão do lado. Isso não provoca nada a não ser vergonha. E o evangelho deve nos humilhar, mostrar a nossa condição de pecadores e que não temos nada em nós totalmente relevante para alcançarmos graça, mas sim Cristo, que viu graça nEle mesmo e decidiu nos salvar.

    Lutero citou que não sabia por quais caminhos Deus nos conduz, mas que ele conhecia bem o seu guia. Fico me perguntando: será que conhecemos Deus? Uma teologia que não se preocupa em converter pessoas e glorificar a Deus, é uma teologia fraca, falha e repugnante. A mensagem em todas as suas esferas deve refletir Cristo, falar e ser sobre Cristo e para a honra e louvor de Cristo.

    Portanto, ore! Peça sabedoria do Pai e seja humilde o suficiente para perceber que você é pecador e incapaz de salvar-se. Após isso, estude! Perca menos tempo com coisas vãs e dedique mais seu tempo ao estudo da palavra de Deus, em primeiro lugar, e depois em bons livros teológicos. Terceiro: medite! Que esta reflexão te faça pensar em como praticar os ensinamentos e adorar a Deus em verdade e não em achismos. Encerro com uma frase muito linda de John Gill: “cada obra de Deus serve para mostrar Sua glória e realçar a grandeza de Sua majestade”. Um brinde!

  • Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    O título desse texto não tem nada a ver com pregação apocalíptica para te amedrontar dizendo o quanto você vai sofrer se não estiver com o seu coração em Deus. Também não é uma pergunta retórica, eu sinceramente quero saber se você já sabe que Jesus vai voltar. Responda antes de prosseguir com a leitura.

    OK, então prossigamos.

    Já é de praxe ouvirmos os pregadores urbanos dizendo: “arrependam-se, pois Jesus irá voltar para buscar sua igreja!”. Aqui eu me coloco também como um pregador urbano e digo com muito orgulho: nunca evangelizei ninguém usando esta frase. Por que? Você sabe que sua mãe te ama, ela está contigo e te dá o que você precisa, então não é necessário ela dizer a cada momento em que vocês estão juntos que ama você. Tá entendendo meu raciocínio?

    Nós, pregadores do evangelho, não precisamos dizer todas as vezes as quais vamos evangelizar que Jesus vai voltar porque assim como todo mundo sabe a aparente cor azul do céu, sabe que Jesus um dia vai vir aqui e mostrar quem manda nesse espaço terrestre e levar quem Ele quer levar. Mas, assim como é bom ouvir de vez em quando um “eu te amo” da sua mãe, também é bom ouvir um “Jesus vai voltar!”.

    E qual é a real proposta do texto? Dizer que Jesus vai voltar, mas de outra forma? Não, porque isso seria o mesmo que dizer que o gordo não é gordo mas uma pessoa acima do peso. A intenção é simples: passar a mensagem de que você amado leitor, peca sabendo que um dia vai ser julgado por isso, julga sabendo que um dia será julgado, ignora Deus sabendo que um dia Ele também vai te ignorar. Ficar repetindo como um chavão que Jesus vai voltar / vai voltar / vai voltar não garante a salvação de ninguém. Não podemos usar esse fato vindouro para pôr medo em indivíduos os quais ainda não conhecem Jesus. O evangelho não é psicologia, e sim uma vida de renúncia. Usar o argumento de que Jesus vai voltar para converter pessoas não adianta em nada, pois a volta de Cristo é um confronto contra nossa própria natureza pecaminosa. Não importa o quão santo você seja, pois você é um pecador.

    Quando eu fazia parte do movimento neopentecostal, achava a frase “Jesus vai voltar” um ótimo atrativo para os infiéis, pois assim eles poderiam ter esperança de uma vida melhor com Cristo e, consequentemente, fazer parte da família de Cristo. Hoje, percebo que isso não faz sentido. Não mesmo. Não faz muito tempo que fiquei muito revoltado com um grupo de “pregadores” pentecostais que gritavam a volta de Jesus no terminal urbano de onde moro, e se já não bastasse, enquanto um berrava seus “labaxurias”, o outro tocava uma corneta dessas que você compra em lojas de um e noventa e nove, simbolizando as trombetas do livro de Apocalipse. Me responda: se isso não é apelação é o quê? Não ouso chamar isso sequer de evangelho, quanto mais de evangelismo.

    Além disso, é um enorme engano achar que a volta de Cristo elimina, automaticamente, o fato de que somos pecadores. Haverá um julgamento. Todas as coisas que fazemos em quatro paredes serão trazidas a tona; o cara que nunca foi popular, verá seus feitos sendo mostrados; a moça que nunca foi destaque na escola, relembrará as vezes que cortou os pulsos no quarto escuro. A volta de Cristo é o cumprimento da sua promessa (João 14:18) e não uma forma de encher o céu de habitantes. É fato que seremos regenerados e não mais seremos carne pecaminosa, e sim santos incorruptíveis, mas até lá, ainda somos falhos pecadores justificados apenas pela graça imerecida. O clichê evangeliquês do “Jesus vai voltar!” não converte ninguém. Em suma, ele afasta as pessoas do cristianismo, impõe barreiras de relacionamentos e medo nas pessoas que não tem 1% sequer de conhecimento hermenêutico das Escrituras.

    Infelizmente, Jesus, assim como o Papai Noel, virou uma lenda urbana que ninguém mais acredita. Ouve-se desde que era pequeno(a) que Jesus vai voltar e ele ainda não voltou, então como acreditar nisso? As pessoas sabem que Papai Noel não existe mas quando chega a época de natal, fantasiam para os seus filhos de que ele existe sim. E a mesma coisa estão fazendo com Jesus: quando falamos dele nas ruas, nos ouvem com atenção e confessam que precisam ir na igreja e etc. Mas depois disso, o impulso do “preciso de Jesus” passa e então voltam a não acreditar mais em Jesus e nem de que Ele vai realmente voltar.

    O meu manifesto como cristão e pregador urbano é que o evangelho, a palavra de Deus, seja pregada com coerência e sem apelação apocalíptica. É que buscamos conhecer mais o que significa amor e não violência de conhecimento bíblico. Respondendo a pergunta que fiz logo acima de como acreditar na volta de Cristo para dois grupos de pessoas: os que acreditam em Jesus mas não vivem pra Ele e para os céticos amantes da física. 1) Ele (Jesus) prometeu voltar e Ele não mente. 2) Isaac Newton disse, basicamente que, se algo sobe, terá que descer por causa da gravidade. Jesus tem a gravidade em suas mãos porque é Soberano, mas como vocês não crêem nisso, apenas fiquem com a resposta de que Ele viveu aqui na Terra, subiu aos céus, então Ele descerá. Um brinde!

  • Um Brinde – “De Fé”, de Humberto Gessinger

    Um Brinde – “De Fé”, de Humberto Gessinger

    No ano em que eu nasci, 1996, Humberto Gessinger formava o Humberto Gessinger Trio, com a pausa dos Engenheiros do Hawaii. E, nesse disco, colocou uma canção chamada “De Fé”. E, com certeza, é uma adoração a Deus. Claro, evidente, óbvio que muitos fãs do cara vão dizer “ah, nada a ver”. Outros vão afirmar que é uma música romântica e nós, incrivelmente, não chegaremos a lugar nenhum. Mas quem foi que disse que uma música romântica não pode ser adoração a Deus?

    “Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas.” (Salmos 105:2)

    O romantismo, amor e o relacionamento são maravilhas criadas por Deus, quer você creia ou não. Então o papo de que a música não tem nada a ver com Deus, comigo, não vai rolar! OK, vamos começar analisando a primeira parte da música:

    “Sempre que eu preciso me desconectar
    Todos os caminhos levam ao mesmo lugar
    É o meu esconderijo, meu altar
    Quando todo mundo quer me crucificar
    Eu só quero estar com você (ficar com você)”

    É incrível como o coração do homem anseia pelo afeto do Pai. Até o homem da mais alta escala de ceticismo tem um coração sufocado pela falta de Deus. Friedrich Nietzsche, um dos principais filósofos ateus da história, escreveu uma Oração ao Deus desconhecido. Seu coração gritava querendo conhecer Deus. Em 1996, Humberto Gessinger já sentia a necessidade de desconectar-se, enquanto nós, mortais do século XXI, não saímos de casa sem o nosso iPhone. “Todos os caminhos levam ao mesmo lugar”. Aqui cabe duas observações: (1) as escolhas que fazemos sempre determinam aquilo que sentimos a vontade para fazer (2) Grande em conselho, e poderoso em obras, cujos olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dares a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras (Jeremias 32:19). É inevitável não procurarmos a Luz quando nos desfazemos do mundo; quando deixamos as coisas terrenas, na Terra. “Quando todo mundo quer me crucificar / eu só quero estar com você”. Se você leu minha análise da música “Leite Azedo” da banda Simonami aqui, sabe do que o Humberto Gessinger quis dizer com “crucificar”. O mundo não entende sua dor interna. Na verdade, só você e Deus entendem, mais ninguém. Quando isso acontece, Ele é o único que pode te fazer repousar e esperar que o vendaval passe.

    “Quando o tempo fecha e o céu quer desabar
    Perto do limite, difícil de aguentar
    Eu volto pra casa e te peço pra ficar
    Em silêncio, só ficar”

    “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:26). O coração do homem deseja conhecer a Deus, isso já disse aqui, mas vale reforçar, pois é isso que a música trata. Quando estamos aflitos e ninguém ao nosso redor pode nos animar, quando pensamos que não temos como mais suportar toda a tristeza que nos invade, é quando buscamos o Criador nem que seja para questionar nossa existência. É ali o instante o qual reconhecemos nossas fraquezas e o quão precisamos do Criador. Quando ouvi a música pela primeira vez, através do meu amigo Marcos Barreto – isso em 2013 – já percebi um rascunho do Evangelho ali. Deus colocou a ideia de eternidade na mente do homem (Eclesiastes 3:11) e Humberto Gessinger não se exclui disso. Sabemos mais do que ninguém que quando não há ninguém que possa nos “salvar”, Deus é o único que nos ver e sonda-nos!

    “Eu tenho muitos amigos
    Tenho discos e livros
    Mas quando eu mais preciso
    Eu só tenho você
    Tenho sorte e juízo
    Cartão de crédito e um imenso disco rígido
    Mas quando eu mais preciso
    Eu só tenho você
    Quando eu mais preciso, eu só tenho você”

    Acredito que esse ponto mata tudo! Sou muito edificado através dessa música, pois ela esclarece muita coisa do que eu sou. Ao contrário do Humberto, eu não tenho muitos amigos, mas os poucos que tenho são suficientes. Tenho meus álbuns, livros e um disco rígido. Tenho um pouquinho de juízo também, mas quando eu preciso de algo, eu só tenho Ele. Eu só tenho Deus. Observo muito mais do que a falta de alguém humano, o vazio interior é por algo que não se compra, não se limita. Quando todo o nosso dinheiro não é capaz de comprar um carinho sincero, atenção e nem tão pouco paciência, Deus é o único que pode fazer isso, sem pedir nada em troca. Ele é pai e como um pai conhece as dificuldades dos seus filhos. Ele nos dá sua graça!

    “Tenho a consciência em paz (eu só tenho você)
    Tenho mais do que eu preciso (eu só tenho você)
    Mas se eu preciso de paz (eu só tenho você)
    Tenho muito mais dúvidas do que certezas
    Hoje com certeza, eu só tenho você
    Eu tenho medo de cobras
    Já tive medo só escuro
    Tenho medo de te perder”

    Eu prometo que vou concluir esse texto já já. E não vai demorar, porque chegamos ao ponto ápice da música e acredito que este é o que mais se relaciona com o cristianismo: “Tenho mais dúvidas do que certezas, hoje com certeza, eu só tenho você”. Nós nunca seremos totalitaristas completos aqui na Terra, isto é, nunca seremos completos ao ponto de sabermos de tudo. Temos mais dúvidas do que certezas mas paramos por aí, ou seja, lembramos que temos Cristo e isso é uma certeza. “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20b). Não podemos esquecer disso: que temos Deus. Por mais que não tenhamos nada aqui, mas ainda temos o Criador, mesmo nós, fracos e pecadores, não merecendo a graça dele, sua paciência é tão grande e abençoadora para estar conosco quando mais nada aqui faz sem sentido. Um brinde!

  • Um Brinde – A morte de Cristiano Araújo e o que aprendi com isso

    Um Brinde – A morte de Cristiano Araújo e o que aprendi com isso

    Foi numa quarta-feira, dia 24 de junho de 2015. Eu já tinha ido deixar meu irmão na aula e estava deitado, lendo a resenha do livro do Yago Martins, Você não precisa de um chamado missionário, no blog Teologando, quando meu padrasto anunciou lá da sala que o cantor Cristiano Araújo havia morrido. Minha mãe ficou surpresa e perguntou se eu já estava sabendo da notícia. Disse que não e o único comentário que fiz foi: “um cara tão novo…”. Eu confesso que fiquei realmente triste. E não acreditei. Não dá para acreditar. Você vê o cara quase todos os sábados no Legendários na Rede Record, vê sua música estourando nas rádios e a galera postando trechos delas, vê uma multidão falando dele e… Acabou! Ele morreu! Não só ele, mas também sua namorada. Outra moça jovem e bonita que se vai, sem poder viver o melhor da vida.

    Este texto não se propõe a fazer uma homenagem ao cantor, até porque eu não era um fã dele. Esse texto também não propõe falar de música e das suas consequências negativas. E tampouco esse texto tem a intenção de querer transmitir que o seu autor é um cara solidário com o sentimento dos outros em situações extremamente difíceis de suportar. No entanto, se propõe a dizer um pouco de como o cristão deve – ou pelo menos devia – lidar com o sofrimento do próximo. Paulo diz em Romanos que devemos nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Mas por que parecemos tão insensíveis com a dor do outro? Por que o cristão não pode chorar a morte do Cristiano Araújo? Confesso que ouvi o cantor poucas vezes, quando estava no primeiro ano do ensino médio. O sertanejo nunca foi um ritmo que me atraiu, mas alguns cantores, a exemplo da dupla Jorge & Mateus conseguem me cativar pelo talento. O Cristiano, antes de ser um cantor famoso, era um ser humano humilde e verdadeiro. Não, eu não o conhecia, mas quando uma pessoa é sincera, os bastidores revelam isso em público. E era o que eu ouvia falar dele e agora, é claro, com sua morte, os elogios aumentaram. Confesso que fiquei triste com a morte do rapaz e levei um certo tempo para poder acreditar no que estava acontecendo. Pessoas vividas e/ou doentes morrem, mas pessoas novas e fortes não costumam morrer. Não estou acostumado a lidar com mortes, até agora só lidei com a morte do meu avô quando era criança, mas ver um jovem cantor e – sinceramente – talentoso como o Cristiano morrer, me deixa sinceramente comovido.

    É claro, lógico, evidente que a notícia repercutiu em todas as mídias sociais. Os fãs do cantor prestaram homenagens e acredito que assim como eu, levaram tempo para crer que isso, de fato, aconteceu. E nesses momentos tão difíceis é questionado a existência de Deus por parte do pai. Onde Deus estava quando o carro bateu e a Alana e o Cristiano morreram? Onde estava Deus quando seus familiares souberam e desmancharam em lágrimas? Respondo. Ele estava preparando o coração dos familiares e enxugando as lágrimas deles quando elas caíram. Não compreendemos tudo. Não é possível compreender a morte, apenas entender que ela é consequência da queda do homem. A dor do pai ao enterrar o filho foi gigante, eu imagino. Mesmo que eu não possa sentir mas compreendo o quanto isso dói. Ainda nem sou pai, mas que Deus me livre de sentir a dor de enterrar um filho. Eu já disse isso aqui uma vez em algum texto do Um Brinde e repito: a dor nos cega.

    Descobri também que os pais da Alana perderam seis meses antes um filho, o qual faleceu com leucemia. E seis meses depois, eles perdem a segunda filha. Isto não é doloroso? Não te comove? Como eu disse, este texto não propõe falar de música e por isso eu pergunto: o que nós cristãos fazemos em momentos como esse? Dizemos que o cara era cantor secular e o trânsito mata muitas pessoas mesmo? Dizer que é uma pena, e só? Está tudo bem, eu não vou escrever muita coisa, eu só quero propor uma reflexão ao povo que prega a verdade de Cristo: por favor, oremos pelos que andam desgarrados, sem Deus. Não só pelos anônimos, mas os famosos também são almas viventes como você e como eu.

    Oremos pelos sobreviventes que graças a Deus só sofreram ferimentos leves. Esse texto é um pedido de reflexão para os que ignoram os artistas seculares como se eles fossem alguém que já tem tudo e não precisam de nós. É fato que nós não podemos ir até eles evangelizá-los, mas podemos orar para que alguém vá, para que alguém ilumine suas vidas com a palavra viva e eficaz do nosso Deus. O que aprendi com a morte do Cristiano e de sua namorada foi que a vida, essa que tanto zelamos, é muito efêmera para que a gente perca tempo rotulando pessoas. O evangelho deve ser pregado para gerar conversão e não pra gerar status e, se hoje, chorarmos com a morte do Cristiano e entendermos que precisamos ser mais humilde com aqueles que não conhecem a Deus, podemos provocar mudanças claras e importantes em nossa vida cristã. Chega de repartir o mundo meio a meio e solidifique sua cosmovisão cristã. Pare de pensar que você e seus irmãos são santos, pois no íntimo do seu coração você sabe do quanto é pecador. Eu aprendi com a morte do Cristiano Araújo que a glória humana não é capaz de salvar nossas vidas. Ela é efêmera como nós, portanto, nos fortalecemos da graça de Deus e exultemos seu santo nome sem ter que olhar para o lado e apontar o erro na música que está sendo cantada por um cantor secular. Ao invés de encerrar como de costume com a frase título da coluna, eu encerro com um trecho da música dele: “O que temos pra hoje é saudade”.

  • Um Brinde – Pare de orar para arrumar um(a) namorado(a)

    Um Brinde – Pare de orar para arrumar um(a) namorado(a)

    No blog Dialetos & Coisas Boas, em que escrevo sobre cultura pop, tenho um espaço chamado 5 Graus de Miopia, o qual expresso o meu lado sentimental numa perspectiva de términos de relacionamentos, em todos os âmbitos, incluindo pessoas próximas de mim. É algo muito diferente de ‘falar de namoro’, por isso, como introdução, quero dizer que nunca escrevi sobre este assunto em específico, com exceção é claro, dos textos do 5GDM. Peço perdão desde já pelas falhas que este texto terá. Não sou o melhor cara para escrever e tão pouco falar desse assunto, mas é o assunto que me interessa e há tempos vem me incomodando. Que Deus nos guie!

    Assim como 99,9% dos jovens de igreja que estão na fase platônica de querer arrumar alguém para compartilhar suas vidas, eu também já orei por alguém para namorar. Observando hoje e olhando bem lá para trás, na época em que isso aconteceu comigo, percebo que nada fez e nem faz sentido. Não que orar por alguém seja errado. A Bíblia nos ensina a orar uns pelos outros (Tg 5:16), mas ficar em casa, reservar 20 minutos e orar pelo príncipe encantado ou princesa encantada, não vai te trazer ninguém. Lamento dizer, mas esperar é caminhar, como já diziam os amigos do Palavrantiga.

    Esse texto não é nem um contra-argumento ao EEE (Eu Escolhi Esperar), e sim contra o comodismo-de-fé-que-prega-que-os-jovens-devem-orar-bastante-antes-de-namorarem. Provavelmente, seus pais nunca oraram, mas tiveram e tem um casamento abençoado. Seus tios, avós, nunca fizeram campanha por um amor eterno e eles por algum motivo ainda estão juntos. Dá para perceber que não existe nada de transcendente numa união amorosa cujos integrantes se gostam? Bom, até há: o amor. Partindo do pressuposto de que Deus é amor e de que nós nunca chegaremos a ser exatamente como Deus, logo, nunca conseguiremos aprender verdadeiramente a amar, e alcançar isso pode ser considerado transcendental. Mas você pode orar 2, 3, 4, 10, 20 anos pela pessoa amada, mas se você não procurar conhecê-la, conversar, enfim, se relacionar, Deus não vai mandar seu ‘amor eterno’ num cavalo branco com a orquestra de Beethoven tocando a 104° sinfonia. Note que isso não faz sentido num pensamento estritamente lógico. Deus não nos prometeu casamento, exceto o dEle com a igreja.

    Mas aí vem a pergunta: “então não devo orar para arrumar um namorado?” Eu respondo com outras perguntas: “você deve orar para arrumar a casa?” / você deve orar para arrumar um emprego? / você deve orar para pagar uma conta?” Não. Nós devemos orar para que tenhamos paz em Deus e somente nEle. Você pode orar sim para que Deus te dê sabedoria na hora de se relacionar com alguém, mas você deve fazer isso: se relacionar. Deus é um Deus de relacionamentos e Ele nos ensina isso (Pv 17:17). As vezes a noção a qual esta filosofia me passa é de que somos mecânicos programados para termos alguém que está intimamente conectado a nós por algum aparelho celeste, e a oração é o combustível para que essas vidas se unam. Isso faz sentido para você? Como eu disse, temos que orar para ter paz no Pai pois Ele nos ensina o caminho certo (Jr 42:3) e permanecer no amor, a qual Ele próprio é (1 Jo 4:16). Não faz sentido ficar orando para arrumar alguém que você vai casar e ter belos filhos se você não almejar quem você quer conhecer e aí buscar o relacionamento sólido. Nietzsche dizia que “quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.” Quem deseja namorar, deve primeiro aprender se relacionar, compreender, conversar e tirar os joelhos do chão. Não se aprende a namorar, orando.

    E eu sei que os jovens simpatizantes da oração em busca do seu par vão dizer que estou dizendo que não devemos orar pelo parceiro(a), mas não é isso que estou querendo dizer. O ponto do texto é que você não precisa se esquivar dos relacionamentos que surgem em sua vida porque já está orando e se sente no direito de selecionar o que Deus te mandou ou não. Isso não vai te levar a nada a não ser ficar pra titio/titia. Parece radical demais, mas não é. Pensa: imagina se José ficou orando por Maria por anos para poder namorá-la; Rebeca e Isaque – que vocês gostam tanto de citar como o casal de referência – passaram o que, 10 anos orando um pelo outro? Acho que não, né? Leitores, orem por coisas mais eternas do que simplesmente um namoro: orem para que Deus vos der maturidade. Ore para que Ele te revele o que você não está conseguindo enxergar. Isso sim vai ajudar na hora de escolher a pessoa a qual você irá desejar passar a vida toda. Eu sinceramente não conheço nenhum casal que casou e constituiu uma família que oraram um pelo outro antes do namoro. Pode até existir, mas eu não conheço. Como eu disse no início: esse texto tem falhas, mas acredito ter falado um pouco do que acredito ser certo. Um brinde!

  • Um Brinde – Graduando em pessimismo

    Um Brinde – Graduando em pessimismo

    Pessimismo: disposição de espírito que leva o indíviduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior. (Aurélio – versão eletrônica)

    Há não muito tempo fui perguntado porque sempre via as coisas pelo lado negativo. A resposta mais segura, rápida e óbvia que encontrei foi: “porque ele existe”. Mas é claro que não sou pessimista de forma integral daquele tipo que quando vê uma nuvem se formando no céu já prever uma tempestade agonizante de chuva. Arnold Bennett disse que o pessimismo, depois de se acostumar a ele, é tão agradável quanto o otimismo. Então é nessa classe, segundo o Bennett, que eu entro. A classe de pessoas que tem uma cosmovisão ampla a duas esferas de pensamentos. Uma delas é a “vai dar certo / eu acredito” e a outra é “vai dar errado / eu não acredito”. O meu amigo Thiago Junio escreveu um artigo aqui no O Propagador intitulado Um pessimista chamado cristão, em sua coluna Conectados no Amor. Pude tirar algumas boas referências de seu texto para construir esse falho e imperfeito artigo. Que Deus nos guie pela Sua verdade.

    “…ser pessimista antes de tudo é ser feliz”

    O Thiago conseguiu colocar em um só texto, todo o lado poético e introspectivo de alguém que conhece sua essência. Ser pessimista, é de fato, ser feliz. Eu entendo que o otimismo e seus contrapontos servem de base para crer em bons momentos futuros, como válvula de escape para um problema, digamos assim, e como fonte de inspiração pra vida. Portanto, um pessimista não constrói bases superficiais e não se deprime ao ver algo dando incrivelmente errado, por que? Porque ele não cogitou a possibilidade. E isso serve para os otimistas: cogitar a possibilidade do seu carro quebrar no meio do trânsito frenético em horário de pico e do seu gás acabar no meio de um jantar importante com o seu chefe. Imagine se o rei no dia do casamento de sua filha esquece de pôr a coroa. As pessoas esperam que as coisas deem certo, e se não dão, se entristecem e começam a achar culpados.

    “Eu sou pessimista com a nossa situação. Veja os fatos e compare com suas simpatias”

    Um pouquinho antes dessa afirmação, o Thiago diz: “Eu não acredito em pessoas. Elas acreditam que se vestir de vermelho vai trazer o amor perfeito da vida delas. Como? É por isso que continuam solteiras e chupando manga.” Contra fatos não há argumentos. Aqui em casa existe uma política de fim de mês, quando as coisas apertam financeiramente meus pais dizem que “Deus proverá”. Mas o engraçado (ou não) é que todo fim de mês a situação aperta financeiramente, e todo fim de mês eu ouço o clichê “Deus proverá”. Contra fatos não há argumentos. Eu não consigo crer que um evento marcado para ás 19hs vai começar ás 19hs. Não passa em minha mente que ateu irá entender a importância da morte de Jesus na cruz. Não cabe a mim acreditar que um time irá ganhar uma partida porque o outro tem um jogador a menos. Sim, eu sou pessimista. As pessoas são hipócritas e injustas, não dá para crer em seres corruptos desse nível, como eu. É impossível para mim crer em pessoas que com a mesma boca que usam para cantar lindas canções a usam para falar mal do vizinho e condenar o impostor da rua. Eu não consigo crer em pessoas más pois eu sou uma. Não consigo sequer crer em mim pois reconheço meus limites e do quanto sou fraco. O Thiago diz mais a frente: “…não deposite sua confiança em homens, mas principalmente em você mesmo. Essa filosofia hedonista que estão impregnando nas cabeças dos seres terrestres só vai te ensinar o quanto você é fracassado, pois você é mesmo”. Concluindo essa parte, não consigo crer em pessoas que usam o argumento de que a vida é curta para desperdiçá-la com coisas vãs.

    “As pessoas não sabem sonhar”

    Este é o ponto do texto do Junio a qual eu mais me identifico. Nós, seres humanos, temos o ridículo hábito de sonhar com casa própria, carro na garagem, família linda e um emprego bem sucedido, quando não, pessoas como eu, querem divulgar seu trabalho. Algum pecado nisso? Depende. Refaça a pergunta. Algum problema nisso? Não. O problema está na auto valorização. Jesus não se importava em dormir bem e nem tão pouco se iria comer no dia seguinte, mas Ele se importava veementemente com o sono e a fome de seus discípulos. Não sabemos sonhar, pois 99,9% de nossos sonhos são embasados em dinheiro e por dinheiro os homens são capazes de matar. “Quanto mais damos lucros e valores a objetos, mais eles nos escravizam. Imagina só: homens se matam, provocam contendas, divisões, por causa de um papelzinho. É por isso que os ET’s não pousam na terra”. Sinceramente, eu não consigo crer em padrões sociais bem sucedidos pois isso foi/é/será a causa de injustiças. O rapper Rashid em uma de suas letras diz: “desculpa a sinceridade mas alguém tem que perder pro meu time ganhar”. As pessoas fazem isso o tempo todo. Quando componho uma música ou escrevo algo, o mínimo que eu espero de quem ouve/ler é que aquilo ficou ruim. Se a resposta for o oposto, não terei tempo e nem emoção para vangloriar-me pois eu esperei o fracasso e fui surpreendido com algo bom.

    “Sim, eu sou pessimista porque maldito é o homem que confia no homem”

    Se o seu otimismo até hoje esteve baseado na confiança que você tem no seu semelhante, considere-se maldito. Não sou eu e nem o Thiago Junio que afirmamos isso, é a própria bíblia em Jeremias 17:5. A mesma bíblia afirma que o cobiçoso (essa espécie de pessoas que querem a vida ‘perfeita’ do outro) levanta contendas (Pv 28:25) e que quem confia em si é insensato (Pv 28:26). Não consigo alimentar minha vaidade, pois ela será minha própria recompensa (Jó 15:31) e não acredito nos ricos, financeiramente falando, os quais põem seus corações nisso, porque a bíblia me alerta desse perigo (Sl 62:10). Não dá para confiar em deputados, presidentes, reis e nem príncipes, filhos de homens, pois neles não há piedade (Sl 146:3).

    O que esperar de uma sociedade composta por homens pecadores se não o pior? Mas assim como o Thiago Junio concluiu seu texto, encerro o meu dizendo que minha fé não é pessimista. “Ela é esperançosa, sobre todo horror que se pode tirar desses pobres homens instalados na máquina terrestre, o antivírus contra o vírus chamado pecado.” o autor finaliza dizendo que é o pessimista mais esperançoso do mundo. E sabe de uma coisa? Nós cristãos somos mesmo. Agora que você terminou de ler este texto pode pegá-lo e esquecê-lo por aqui sem nem se importar com o que foi dito, mas a nossa graduação em pessimismo prevalece na Terra até concluirmos esse tão difícil curso e nos formarmos como salvos eternos no céu. Como estrangeiro desse mundo vil e fraudulento, nós estamos em contante aprendizado para ignorar conceitos e crer mais e mais na Verdade. Ignorar as teses econômicas de que o mundo está evoluindo e gerando milhões de empregos e firmar-se no Reino de Deus onde terá milhões de vagas preenchidas por pessoas pecadoras e imerecidas, que se não fosse pela graça, estariam sabe Deus como em escala de sofrimento eterno. Essa mesma graça que não tem fim, possibilita-nos crer que o homem só tem coisas más para nos oferecer, porque isso é o que ele é. Isso é o que somos. Por mais bela e agradável que seja nossa vida aqui, o pessimismo subsistirá ao olharmos para o lado e vermos mais uma mãe chorando com a morte de seu filho. Essa é a efemeridade. Longe estou de otimistas globais que anseiam a vitória e não aceitam outra coisa se não vencer, pois de nada eles me ajudarão. O mundo é uma universidade e eu estou graduando em pessimismo! Um brinde!