Um Brinde – A morte de Cristiano Araújo e o que aprendi com isso

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Foi numa quarta-feira, dia 24 de junho de 2015. Eu já tinha ido deixar meu irmão na aula e estava deitado, lendo a resenha do livro do Yago Martins, Você não precisa de um chamado missionário, no blog Teologando, quando meu padrasto anunciou lá da sala que o cantor Cristiano Araújo havia morrido. Minha mãe ficou surpresa e perguntou se eu já estava sabendo da notícia. Disse que não e o único comentário que fiz foi: “um cara tão novo…”. Eu confesso que fiquei realmente triste. E não acreditei. Não dá para acreditar. Você vê o cara quase todos os sábados no Legendários na Rede Record, vê sua música estourando nas rádios e a galera postando trechos delas, vê uma multidão falando dele e… Acabou! Ele morreu! Não só ele, mas também sua namorada. Outra moça jovem e bonita que se vai, sem poder viver o melhor da vida.

Este texto não se propõe a fazer uma homenagem ao cantor, até porque eu não era um fã dele. Esse texto também não propõe falar de música e das suas consequências negativas. E tampouco esse texto tem a intenção de querer transmitir que o seu autor é um cara solidário com o sentimento dos outros em situações extremamente difíceis de suportar. No entanto, se propõe a dizer um pouco de como o cristão deve – ou pelo menos devia – lidar com o sofrimento do próximo. Paulo diz em Romanos que devemos nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Mas por que parecemos tão insensíveis com a dor do outro? Por que o cristão não pode chorar a morte do Cristiano Araújo? Confesso que ouvi o cantor poucas vezes, quando estava no primeiro ano do ensino médio. O sertanejo nunca foi um ritmo que me atraiu, mas alguns cantores, a exemplo da dupla Jorge & Mateus conseguem me cativar pelo talento. O Cristiano, antes de ser um cantor famoso, era um ser humano humilde e verdadeiro. Não, eu não o conhecia, mas quando uma pessoa é sincera, os bastidores revelam isso em público. E era o que eu ouvia falar dele e agora, é claro, com sua morte, os elogios aumentaram. Confesso que fiquei triste com a morte do rapaz e levei um certo tempo para poder acreditar no que estava acontecendo. Pessoas vividas e/ou doentes morrem, mas pessoas novas e fortes não costumam morrer. Não estou acostumado a lidar com mortes, até agora só lidei com a morte do meu avô quando era criança, mas ver um jovem cantor e – sinceramente – talentoso como o Cristiano morrer, me deixa sinceramente comovido.

É claro, lógico, evidente que a notícia repercutiu em todas as mídias sociais. Os fãs do cantor prestaram homenagens e acredito que assim como eu, levaram tempo para crer que isso, de fato, aconteceu. E nesses momentos tão difíceis é questionado a existência de Deus por parte do pai. Onde Deus estava quando o carro bateu e a Alana e o Cristiano morreram? Onde estava Deus quando seus familiares souberam e desmancharam em lágrimas? Respondo. Ele estava preparando o coração dos familiares e enxugando as lágrimas deles quando elas caíram. Não compreendemos tudo. Não é possível compreender a morte, apenas entender que ela é consequência da queda do homem. A dor do pai ao enterrar o filho foi gigante, eu imagino. Mesmo que eu não possa sentir mas compreendo o quanto isso dói. Ainda nem sou pai, mas que Deus me livre de sentir a dor de enterrar um filho. Eu já disse isso aqui uma vez em algum texto do Um Brinde e repito: a dor nos cega.

Descobri também que os pais da Alana perderam seis meses antes um filho, o qual faleceu com leucemia. E seis meses depois, eles perdem a segunda filha. Isto não é doloroso? Não te comove? Como eu disse, este texto não propõe falar de música e por isso eu pergunto: o que nós cristãos fazemos em momentos como esse? Dizemos que o cara era cantor secular e o trânsito mata muitas pessoas mesmo? Dizer que é uma pena, e só? Está tudo bem, eu não vou escrever muita coisa, eu só quero propor uma reflexão ao povo que prega a verdade de Cristo: por favor, oremos pelos que andam desgarrados, sem Deus. Não só pelos anônimos, mas os famosos também são almas viventes como você e como eu.

Oremos pelos sobreviventes que graças a Deus só sofreram ferimentos leves. Esse texto é um pedido de reflexão para os que ignoram os artistas seculares como se eles fossem alguém que já tem tudo e não precisam de nós. É fato que nós não podemos ir até eles evangelizá-los, mas podemos orar para que alguém vá, para que alguém ilumine suas vidas com a palavra viva e eficaz do nosso Deus. O que aprendi com a morte do Cristiano e de sua namorada foi que a vida, essa que tanto zelamos, é muito efêmera para que a gente perca tempo rotulando pessoas. O evangelho deve ser pregado para gerar conversão e não pra gerar status e, se hoje, chorarmos com a morte do Cristiano e entendermos que precisamos ser mais humilde com aqueles que não conhecem a Deus, podemos provocar mudanças claras e importantes em nossa vida cristã. Chega de repartir o mundo meio a meio e solidifique sua cosmovisão cristã. Pare de pensar que você e seus irmãos são santos, pois no íntimo do seu coração você sabe do quanto é pecador. Eu aprendi com a morte do Cristiano Araújo que a glória humana não é capaz de salvar nossas vidas. Ela é efêmera como nós, portanto, nos fortalecemos da graça de Deus e exultemos seu santo nome sem ter que olhar para o lado e apontar o erro na música que está sendo cantada por um cantor secular. Ao invés de encerrar como de costume com a frase título da coluna, eu encerro com um trecho da música dele: “O que temos pra hoje é saudade”.

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