Autor: Tiago Abreu

  • Análise: CD Nada temerei – Ana Nóbrega

    Vocalista do Diante do Trono, a cearense Ana Nóbrega chega a seu segundo trabalho solo, mas com cara de álbum de estreia. Nada Temerei foi lançado pela Som Livre em fevereiro deste ano e pretende evidenciar Ana como a revelação da música gospel nacional deste ano.

    O álbum foi gravado no estúdio da banda Diante do Trono durante os anos de 2012 e 2013. Os arranjos ficaram por conta de vários músicos, e a produção musical por Vinícius Bruno e Robert Dolabella. A maior parte das faixas são de autoria de Nóbrega e algumas em parceria com Israel Salazar, também vocalista do Diante do Trono. O criativo e conceitual projeto gráfico é criação da Quartel Design.

    A primeira faixa do repertório é De Tal Maneira. Letra clichê no refrão, porém muito bem arranjada. Riffs de guitarra na introdução, bateria bate-estaca e muitos efeitos eletrônicos. Desta já nota-se que o disco de Nóbrega desvincula totalmente da proposta musical do Diante do Trono de forma bem-sucedida. Um dueto no refrão entre a cantora e o músico Rodrigo Campos ficou agradavelmente bom.

    Eu Amo Te Adorar tem uma vibe bastante abrasileirada, com muitos toques de teclado lembrando vários estilos nacionais. Os contracantos de Nóbrega foram bem explorados, e o groove da bateria, baixo e teclado ficaram agradáveis, embora a faixa soe um pouco enjoativa pelo refrão repetitivo.

    A seguir, Bendiga ao Senhor, que é uma das melhores do repertório. Cheia de efeitos eletrônicos, um vocal melódico, embora novamente bem repetitiva possui uma dinâmica bastante agradável, e um final excelente. É uma faixa bem “pra cima”.

    Num momento mais lento do repertório, Com Tudo o que Sou segue a linha das anteriores no quesito instrumental. Pop rock com muitos efeitos eletrônicos. A interpretação de Nóbrega é um dos destaques, e a letra em si, apesar de naturalmente tender para um lado clichê é bem articulada e agradável de ouvir. “Mostra-me de dia o Teu amor e quando o sol se for Te darei minha canção / Enche-me de alegria e paz, Teu amor me satisfaz, Deus da minha salvação”.

    Nada Temerei, apesar de ser a faixa-título do álbum acabou se tornando o maior ponto negativo da obra. Ao ouvi-la, dá a impressão de que nada combinou, nem a letra, arranjos e interpretação de Nóbrega, apesar de que nestes pontos a canção não seja ruim, mas a má união destas a tornou uma canção melosa. A proposta não deu certo.

    Contrastando com a anterior, Sempre por Perto tem os melhores arranjos do repertório, além da impecável interpretação de Ana. Um jazz-blues, com toques de guitarra, teclado, criando uma “atmosfera musical” envolvente. A música versa sobre a onipresença de Deus em nós.

    Com a participação de Ana Paula Valadão, temos Pra Te Adorar, um folk bem intimista. O dueto das “Anas” ficou excelente, embora o fade out na faixa poderia ter sido evitado. Ao longo da canção, mais próximo ao final, ela ganha o peso necessário.

    Estou Aqui é um dos pontos altos do repertório. Sendo bem intimista, Nóbrega faz uma interpretação leve, assim como a sonoridade, executada por um violão combinada a toques leves de guitarra, bateria e efeitos eletrônicos. A letra mescla declarações verticais a frases poéticas.

    Um solo de piano unido a um arranjo de cordas, Mais tem um das sonoridades mais lentas do repertório. O refrão é simples, clichê, mas não conta como ponto negativo, principalmente por conta de sua condução.

    Te Quero Mais possui uma condução musical percussiva, riffs de guitarra e um vocal melódico que contrasta a voz de Nóbrega. A letra é clichê e enjoativa, e conta como mais um ponto negativo do álbum Nada Temerei.

    Com uma intro cheia de sintetizadores, Tu és a Fonte possui uma letra interessante, em primeira pessoa, primeiramente se referindo a alguém, até chegar ao refrão, em que se volta às declarações verticais.

    Eu Quero Teu Fogo é a faixa mais pesada do álbum, e instrumentalmente uma das melhores do projeto. É destacável, a força da bateria e da guitarra base, e mais tarde o momento leve da canção, com efeitos eletrônicos e um vocal de apoio formado por backs do Diante do Trono, e a parte final da música, excelente.

    Fechando a obra, temos a regravação de Porque estás Comigo, presente também no CD Creio, lançado pelo Diante do Trono em 2012. São poucas a mudanças para a versão original, um vocal de apoio removido no refrão e a inclusão deste na introdução. Particularmente, prefiro esta versão, mais “pesada” e menos psicodélica, embora ambas sejam agradáveis de ouvir.

    No geral, Nóbrega acertou em cheio neste projeto. Evitou usar os moldes e padrões musicais do Diante do Trono para revelar sua identidade musical, que é excelente. O que, conta como negativo, em algumas partes é o uso da mesma temática em várias canções e os refrões repetitivos. Considerando tudo o que foi dito, o disco recebe nota 8 de 10 e é altamente recomendável para quem curte um pop rock contemporâneo bem produzido e cheio de identidade musical.

  • Análise: CD Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) – Oficina G3

    Lançado há exatamente duas semanas, o novo CD da banda de rock Oficina G3 acaba de chegar às lojas causando grande repercussão midiática. Um dos mais vendidos no iTunes, com single tendo recorde de visualizações no YouTube, a banda recebe todo o reconhecimento que acumulou durante os 25 anos de carreira.

    O projeto gráfico do disco, produzido por Hugo Pessoa e Jean Carllos é interessante, conceitual. No mais, o uso da bicicleta e o design “retrô” embelezam o projeto. Também não entendo o porquê a gravadora retirou certas páginas do encarte, desvalorizando o produto final.

    Comparado ao Depois da Guerra, temos um Oficina G3 mais maduro, com canções mais poéticas, uma sonoridade mais alternativa, e em alguns pontos também bastante experimental. Isso logo é notável nas duas primeiras faixas, “Diz” e “Água Viva”. A primeira, destacando-se pela execução da bateria por Alexandre Aposan, e na segunda pelos teclados de Jean Carllos, o baixo e o vocal de apoio de Duca Tambasco. Ainda, nesta segunda, percebe-se um “casamento” perfeito da letra com o arranjo.

    Um detalhe negativo neste trabalho, em minha opinião é a baixa participação de Juninho Afram nos vocais. O músico cantou um pequeno verso em “Confiar”, single do álbum, que possui arranjos de violão e um excelente solo de guitarra com muito feeling, mas nenhuma interpretação completa em alguma música. Já Mauro Henrique, atual vocalista ainda atuou como violista, e em relação ao DDG, mostrou razoavelmente bem sua potência vocal, e fez excelentes interpretações, como em “Lágrimas”, em parceria com Leonardo Gonçalves, canção que se revela como a melhor balada do disco, e provavelmente dentre as melhores da Oficina G3 nesta categoria.

    Enquanto o cover de DDG foi “People Get Ready”, o de Histórias e Bicicletas é “Save me from Myself”, gravada anteriormente por Michael W. Smith, faixa que possui muitas influências alternativas. O cover é agradavelmente bom, sem muitos destaques, porém superando expectativas, se comparada com a versão original, principalmente pelos toques de teclado e o virtuoso solo de guitarra por Juninho. Também, a regravação do clássico de Kleber Lucas, “Aos pés da Cruz”, versão que considero superior à original, embora não haja tantas novidades. A banda conseguiu manter a essência da canção sem impedir que houvesse uma vibe rock na música.

    É interessante a inclusão do poema em cordel na faixa “Encontro”, com a participação de Roberto Diamanso, e uma letra muito interessante e rica, que trata de um tema complexo, mas de uma forma simples. Na verdade, este detalhe é notável em praticamente todas as canções deste trabalho. “Compartilhar” tem um arranjo, principalmente dos teclados que me lembram de discos mais antigos da Oficina G3, principalmente Indiferença e O Tempo. “Descanso” é uma das faixas mais lentas do repertório, escrita pela falecida esposa de Mauro em parceria com o próprio, e também a com versos mais verticais da obra. Destaque pela sonoridade progressiva, e a execução do violão.

    Por fim, comento duas das melhores canções do repertório: “Não ser” e “Sou eu”. A primeira destaca pelo peso, que lembra o DDG, porém com muitos efeitos eletrônicos. A execução do baixo por Duca na introdução é pulsante, e Alexandre Aposan faz, em minha opinião a melhor participação no disco, ao fim guturais de Jean, é a canção que, particularmente mais lembra o último disco do G3. A segunda possui uma introdução bem alternativa, que dá ao ar de uma música bem leve, porém, o peso é gradativo, até o refrão, mesclando momentos leves, comandados pelo teclado, e “pesados”, com muitos riffs de guitarra e baixo.

    São várias considerações gerais que tenho a respeito de Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança). Claramente, é um projeto mais maduro em todos os quesitos, principalmente nas letras. E, também acredito que, naturalmente este trabalho não será tão aceito pelo público o quanto Depois da Guerra foi. O novo CD da Oficina G3 traz relatos autobiográficos transformados em versos, dramas e sentimentos pessoais que se tornaram versos musicais. Nota-se, no encarte, no texto escrito por Duca Tambasco, na maior parte das composições, como “Lágrimas”, “Descanso”, “Confiar” e “Encontro”, por exemplo, reflexões humanas trazidas a primeira pessoa. O uso da bicicleta, no título e em todo o projeto fica mais entendível no texto de Duca, e inclusive elogio essa temática utilizada.

    Mais que um registro autobiográfico, Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) é a musicalização de um contexto histórico do ser humano atual, em sua individualidade, solidão, as complexidades pessoais que envolvem o seu interior, e principalmente a necessidade da existência de Deus dentro de si. Isto não é, e dificilmente será entendido por grande parte do público que curte o conjunto. Porém, não garante um fracasso do álbum. No nível de reconhecimento que a banda possui, a notoriedade que o projeto alcançou, e a qualidade técnica e poética deste trabalho tem de tudo para fazer com que este fique marcado como um dos melhores discos do ano, todavia dificilmente venha a ser mais destaque que um disco mais popular e menos complexo, desagradando parte do público.

    Noto também que, por ser um trabalho mais “leve”, a participação do tecladista Jean Carllos foi fundamental, assim como foi no disco Elektracustika. O músico soube trazer uma pegada alternativa interessante em seus arranjos, mesclando elementos musicais dos discos mais antigos. Duca Tambasco deixou de ser um mero baixista como um dos integrantes mais importantes na produção deste trabalho. Isto é percebível pelo encarte, em seu texto de reflexão, sua forte atuação como back vocal na maior parte das músicas, e por fim a sonoridade do baixo, que desta vez me pareceu mais fundamental que no último trabalho da Oficina G3. O artista também aparenta estar menos tímido.

    Juninho Afram, que outrora sempre se destacou como guitarrista e band leader recuou um pouco, e permitiu que os demais integrantes viessem a “crescer” e aparecer. Posso dizer que, atualmente a Oficina G3 não pode ser descrita simplesmente como “a banda do Juninho”, mas sim um quinteto de fato, que se completa mutuamente. Isto é notável em suas apresentações ao vivo atualmente. Mauro Henrique, além de vocalista agora tem a missão de trazer os violões, e consolidar de vez seu talento no grupo. Alexandre Aposan, que surpreendeu a todos no último álbum de estúdio do G3 mantém sua qualidade técnica neste novo trabalho, tanto em canções mais leves ou pesadas, firmando que é atualmente um dos melhores bateristas do gospel nacional. No geral, o disco é aprovado, e já está dentre os meus três favoritos deste ano.

  • Análise: CD Renovo – Diante do Trono

    Lançado em junho deste ano, antes do esperado, Renovo é mais um dentre vários discos comemorativos da debutante banda Diante do Trono, que comemora quinze anos de carreira, e consequentemente sucesso estabelecido.

    Tenho certa expectativa com discos de regravações, principalmente quando o artista tem um bom histórico com este tipo de trabalho, porém, foi completamente diferente com o Diante do Trono, tendo em mente que os projetos anteriores – Tempo de Festa e Com Intensidade – não mostram, de forma alguma o tipo de novidade, principalmente em relação aos arranjos, mostrando-se álbuns fracos e desnecessários. Renovo, ao contrário, cumpre bem o seu papel fundamental: traz novas roupagens a canções mais antigas do conjunto, mesclando clássicos, como “Nos Braços do Pai” com músicas pouco conhecidas, como “Porque Te Amo”. Já a qualidade dessas melodias dividiu opiniões, sendo muitos os argumentos de que tais empobreceram as faixas e outros, que afirmam que o propósito foi cumprido com êxito e excelência.

    Foi gravado durante o 14º Congresso Internacional de Louvor e Adoração Diante do Trono, realizado no final de março deste ano. A gravação foi marcada pela presença de mais de dez mil pessoas, e com vários contratempos, principalmente ao estado de voz de Ana Paula Valadão. Porém, como maior parte dos trabalhos ao vivo produzidos, este passou por correções em estúdio.

    O projeto gráfico ficou por conta da Quartel Design, que apostou num visual simples, porém temático. O logotipo “Renovo” foi criado pelo ex-integrante Guilherme Fares. O arranjo vocal por Rodrigo Campos, que recentemente também saiu do grupo. Pelo repertório ser composto exclusivamente por regravações, todas as faixas são interpretadas por Ana Paula Valadão, algumas em dueto com outros vocais do conjunto.

    Iniciado com um riff de guitarra, Quero Subir é uma das faixas de celebração do projeto, diretamente do álbum Preciso de Ti, o maior sucesso comercial do Diante do Trono. Comparada a sua versão original, nada lembra em relação ao seu arranjo. O ponto alto da canção está em seu refrão, embora sejam forçados e exagerados os efeitos eletrônicos nesta parte.

    Em seguida, A Vitória da Cruz/Mais que Vencedor descreve os melhores momentos do disco em sua parte acelerada. A pegada forte da bateria e a sonoridade da guitarra enriqueceram bastante os arranjos das canções nesta nova versão. A captação ao vivo, com a participação dos congressistas deu um ar vívido à dinâmica da faixa.

    Controversa versão, muito tem dito que o novo arranjo de Quem é deus como o nosso Deus, original do disco Esperança é um plágio de Every teardrop is a waterfall do Coldplay. Não entrando no mérito do plágio, a canção poderia apresentar uma sonoridade bem mais interessante, ou ser substituída por outra música.

    Deus de Amor, do álbum Diante do Trono possui uma sonoridade simples, porém encaixa muito bem em todos os aspectos, principalmente pela sua característica intimista. Em alguns pontos sonoros, lembrou Jesus Amado, de Creio.

    Uma das músicas de destaque de um dos melhores trabalhos do Diante do Trono – Exaltado, Amigo Fiel segue, em sua nova versão com a forte presença do violão e guitarra dedilhada. O arranjo do baixo aqui é o melhor em todo o álbum, leve, porém fortemente presente. Em seguida, um Espontâneo.

    Esperança, faixa-título do sétimo trabalho do conjunto mineiro, continuou a ter um arranjo leve em sua nova roupagem agora, desta vez sem o naipe de cordas e com a inclusão da bateria e de demais instrumentos de base.

    A melhor faixa do álbum, porém vai para Nos Braços do Pai. Aqui o Diante do Trono chegou a um ponto em que não alcançou em nenhuma das outras faixas – mudar completamente a sonoridade de uma canção, mantendo, mesmo assim a sua essência. Uma das músicas mais ricas do grupo em questão letrística ganha uma roupagem bem trabalhada de respeito. Os contratempos da bateria, o dueto de Rodrigo Campos e Ana Paula Valadão é muito bom, principalmente nas últimas repetições do refrão. A leveza da versão original deu lugar a uma sonoridade envolvente, com um tom dramático e, desesperador, como diz a letra: “Pai, estou aqui, olha para mim, desesperado por mais de Ti”. Um espontâneo simples e direto para fechar bem, mostrando que sua letra ainda é muito atual.

    A boa combinação de Renovo vem também a Seja o Centro, embora tendo desagradado a muitos, é inegável que a nova versão repetiu, em uma escala semelhante, embora inferior o que o grupo conseguiu em Nos Braços do Pai, porém com um arranjo parecido a sua versão original. Aqui o desafio foi maior que em outras canções, isto porque sua versão original é fortemente intimista, com um dueto. Porém o resultado final ficou muito bom, acima do esperado.

    Tua Presença aqui está mais leve que no original. Os toques do violão em contraste com os sintetizadores encaixaram muito bem, e o peso gradativo que esta vai ganhando, além dos vocais, com destaque para a performance de Ana Nóbrega, que com Ana Paula fazem um bom dueto. Canção do Amor/Quero me Apaixonar é a faixa de menor destaque do álbum, seus com arranjos pouco diferenciais, mas que encaixam bem entre as canções com sua suavidade, principalmente no bom dueto entre Salazar e Valadão.

    Porque Te Amo recebeu poucas alterações em sua sonoridade, agora, a bateria e o violão fazem mais se presentes. Sua essência intimista manteve-se também em relação a sua primeira gravação.

    Fechando o trabalho, temos a faixa-título do décimo segundo álbum do Diante do Trono, Tua Visão. Desta vez, a canção recebeu uma forte influência eletrônica, e ficou mais acelerada. Encerrou bem, embora poderia ter sido melhor trabalhada.

    Renovo cumpre parcialmente bem o seu propósito, que apresentar roupagens atuais à canções mais clássicas do Diante do Trono, porém peca nos novos arranjos, aos quais alguns por serem tão simplórios levam as canções a destoar em qualidade. E isto reflete na sonoridade, pouco atraente em relação aos dois últimos trabalhos inéditos do grupo – Sol da Justiça e Creio. É esperado que o grupo não venha a cometer o mesmo erro em “Tu Reinas”, já que este será composto por várias regravações também. Dá a impressão ao ouvir o disco, que este não foi produzido com o zelo que deveria.

    Nos aspectos gerais, na parte técnica Renovo está bom. Tanto as etapas de produção e pós-produção foram executadas dentro do esperado. Vinícius Bruno firma sua competência como produtor do grupo, cargo que desempenha há certo tempo, e também como o responsável pela gravação dos overdubs, enquanto Rodrigo Campos cumpre sem virtuosismo seu papel de arranjador vocal, transmitindo a simplicidade proposta do disco. Na parte instrumental, o destaque vai para o baterista Tiago Albuquerque, que desde o trabalho Creio tem desempenhado um papel fundamental e de responsabilidade em seu instrumento, mostrando ser um dos grandes ganhos para o Diante do Trono nesta formação. A mixagem e a masterização seguem com uma alta qualidade, porém poderia ter deixado o baixo mais evidente. A captação ao vivo esteve razoável no âmbito geral, soando pouco artificial, o que é muito bom.

    Ana Paula Valadão, vocalmente continua a transmitir a essência letrística e vocal do Diante do Trono, mas de forma inteligente e sagaz a dar aos poucos, espaço para os demais vocais do grupo. O desafio, agora, é manter a qualidade vocal dos backs após a saída dos vários membros, como Ana Nóbrega. Com Renovo, a banda firma a proposta musical atual, porém necessitando equilibrar seu formato comercial com a qualidade instrumental que possuía no passado e com os novos membros nos últimos trabalhos. De dez pontos, merece oito.

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    [tab title=”Melhores faixas”]
    Deus de amor
    Amigo Fiel
    Nos Braços do Pai
    Tua Presença
    Seja o Centro

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    [tab title=”Melhores discos do Diante do Trono”]
    Esperança (2004)
    Ainda Existe uma Cruz (2005)
    Preciso de Ti (2001)
    Príncipe da Paz (2010)
    Águas Purificadoras (2000)

    [/tab]
    [/tabs]

  • Análise: CD Sejam Cheios do Espírito Santo – Thalles

    Lançado em maio deste ano, o novo álbum de Thalles é, sem dúvida um dos mais esperados do ano, principalmente levando em consideração o sucesso meteórico que seu trabalho tem alcançado nos últimos anos com os discos “Na Sala do Pai” e “Uma História Escrita pelo Dedo de Deus”, lançados em 2009 e 2011, respectivamente.

    Segundo o próprio cantor, Sejam Cheios do Espírito Santo é uma continuação e ao mesmo tempo término desta trilogia composta pelos três álbuns. E o fruto da espera se tornou notável após o lançamento: o disco chegou ao primeiro lugar dentre os mais vendidos no iTunes e segue com muitos comentários positivos e negativos por parte do público em geral. Além de tudo, já é disco de platina.

    A capa do disco segue uma ideia de modernidade, tentando fugir dos clichês apresentados atualmente. A mim, particularmente não agradou, mas é inegável que cumpre fielmente o estilo moderno do cantor. O CD foi produzido pelo próprio artista em parceria com Fábio Aposan, que também colaborou no “Raízes 2”, lançado ano passado, em setembro. Contém uma canção não inédita, “Maravilha”, trilha sonora do filme Três Histórias, um destino, produzido pela Graça Filmes.

    O grande ponto positivo do álbum do Thalles está na qualidade técnica e instrumental. Sem dúvida, este é o melhor de toda a sua carreira neste ponto. Dentre as canções, o músico soube viajar em vários gêneros musicais sem perder-se totalmente no seu pop rock contemporâneo. Na faixa-título, por exemplo, nota-se influência clara do samba-rap, em “Paixão de Adolescente” um folk, que mais tarde cresce, tornando-se em pop, reggae e um ar nordestino com a sanfona. Os toques de violão em “Foi a Mão de Deus” são excelentes, completando um arranjo simples, mas belo.

    Na interpretação, Thalles precisa conter os exageros, e manter o que estava dando certo em seu primeiro trabalho, “Na Sala do Pai”. Em “Pai, eu não confio em mim”, música que melhor representa seu estilo como músico foi totalmente desnecessária a parte de ministração, oração e dando direito até o falar em línguas, embora a letra e o arranjo estejam bem agradáveis. “Dias de Sucesso” representaria muito bem a influência autobiográfica do cantor em seus versos, que realizou uma de suas melhores interpretações. A sonoridade também é muito boa, e leve. Os toques dos violões com as cordas causaram uma introdução de respeito. “Ele é o Amor”, assim como a anterior cumpre bem o seu papel.

    A faixa mais polêmica do álbum, “Filho Meu”, por incrível que pareça é uma das melhores do trabalho. Apesar das controvérsias relacionadas a sua letra, o cantor apresenta de forma bem informal e direta uma canção de fácil uso para evangelismo. Musicalmente, com suas influências da black music e do reggae, possui um dos melhores arranjos do repertório.

    O CD ainda possui alguns defeitos triviais que podem passar batido por ouvintes mais desatentos: o excesso de faixas, que o torna cansativo, e a superficialidade de algumas músicas, liricamente falando, como pouca Bíblia e muito sentimento pessoal. Particularmente, entendo este lado como uma proposta do cantor de ser um músico facilmente acessível e popular, tanto para cristãos e não-cristãos. Sua música não precisa seguir uma linha a lá Diante do Trono, Palavrantiga ou João Alexandre, por exemplo. O objetivo do músico é diferente da grande maioria de músicos evangélicos atuais. Portanto, para quem deseja canções complexas em um ponto letrístico, o disco não é recomendado. No geral, o álbum cumpre bem a sua proposta para o público alvo: disco bem produzido, arranjado, canções simples, claras e diretas que sem dúvida vai atrair os ouvintes, principalmente os jovens.

  • Análise – CD A Vida como ela era – Hibernia

    A infância, além de ser uma fase marcada pelo início das descobertas da vida, é envolvida pela pureza e simplicidade. O álbum de estreia da banda Hibernia, “A vida como ela era” remete a essa nostalgia dos tempos de inocência, tanto de vida, quanto espiritualmente falando. Não só conceitualmente, as melodias e letras são, em alguns momentos fortemente introspectivas, trazidas a primeira pessoa, o que não é muito comum de encontrarmos no mainstream. Além de tudo, o grupo é adepto ao mesmo crossover abraçado pelas bandas Tanlan e Palavrantiga, por exemplo.

    A capa, produzida por Oliver Garcia traz um guarda-chuva. Sabemos que, a chuva durante a infância lembra o sorriso de se molhar a cada pingo recebido. O guarda-chuva, por outro lado transforma-se no pudor e nos receios de que temos em viver a simplicidade da vida e a pureza desta fase. E, claramente, como todo o projeto enfatiza, não é tarde para voltar à inocência. Foi lançado em 2009.

    O conjunto inteiro da obra soa muito bem trabalhado e coeso, como dito anteriormente. A faixa título A Vida como ela era representa muito bem o CD. O uso de sintetizadores, teclado e piano aliados ao clássico som da guitarra alternativa contemporânea remetem um momento de lembranças, e ao mesmo tempo na procura de uma retomada ao passado, como bem citado na letra.

    Os vocais cheios de feeling do cantor Renato Santana junto a letra e melodia de Além do que se entende retratam bem a angústia do homem contemporâneo cristão em permanecer na presença de Deus com o tempo e situações ao seu desfavor. Ligando-se, temos Vaidade que segue, de forma menos introspetiva a versar sobre as fraquezas humanas, por uma perspectiva bem racional.

    Sei nunca é tarde pra voltar à inocência que me fez feliz
    E reencontrar sem nenhum pudor
    Motivos para estar em Tua presença
    Que me fez tão bem
    Não sinto muito bem onde estou
    Mas é cedo pra dizer não mais
    As cores ainda estão por vir
    Vão trazer consigo tanta paz
    Além do que se entende

    Esses Olhos Teus, mais lenta é a melhor balada do projeto, em todos os aspectos. Retrata muito bem a intimidade de Deus com o homem que abre o coração para Ele, com sua melodia e interpretação suave, principalmente com o órgão sintetizado na introdução.

    Os riffs de guitarra “abrasileirado” de Não sei Fingir contribui para a boa variação de melodias do álbum, porém, de maneira alguma foge do conceito geral. E se eu disser que não, como várias, inicia-se com forte presença de sintetizadores, mesclando momentos lentos e densos, trazendo o clima de angústia e reflexão enfatizado na letra, cheia de perguntas e sugestões.

    Ulster e João fazem parte dos momentos mais fracos do projeto, que poderiam ter sido melhor explorados. Quem me Dera volta ao tema inicial, dissertando a respeito dos erros humanos e seu coração caído diante dos seus planos e ações incorretas. Foi a primeira canção do repertório apresentada pela banda em sua carreira.

    Fechando o álbum, este reserva uma das melhores faixas do repertório. O Amor é o que me Basta conclui o conceito do álbum de forma excelente, versando sobre as vaidades e o real sentido da vida para nós que conhecemos Aquele que dá o sentido de todas as coisas, concluindo que, apesar de tanta complexidade e saudade, é possível ser feliz apenas com o amor que vem de Deus. Mais uma vez, o órgão sintetizado é bem presente.

    Sem renúncia não há vida que se possa encontrar
    Não há defeitos no aroma insaciável do amor

    Finalmente, o disco da Hibernia, que se aparenta inicialmente tão simples e despretensioso surpreende-se a cada faixa, embora a partir da sétima o projeto não mantenha o nível apresentado desde o início. O destaque vai, em primeiro lugar as letras. Elas justificam a sensação que as melodias causam a cada audição, sem medo e sem pudor para o ouvinte final. Para quem gosta de discos essencialmente cristãos, mas ao mesmo tempo atento ao mundo contemporâneo, “A Vida como ela era” é um bom exemplo.

    hibernia1

  • Para refletir – E sigo em paz…

    Durante os últimos dias meditei no capítulo 13 de 1ª Coríntios, e pude observar algo que muitos, principalmente grande parte dos cristãos tem negligenciado.

    Sabemos que, durante nossa caminhada nesta Terra, muito podemos aproveitar. Bens materiais, conhecimento científico, lugares, pessoas. Entretanto, muitas vezes, o que poderia ser algo a mais se torna o foco, objetivo principal. Viver em função de tudo isso não é o suficiente para encontrar a razão e o sentido da vida.

    Lembro de, uma certa declaração de uma mãe triste, dizendo que o filho falava quatro línguas, e durante toda a vida tinha estudado em grandes instituições. Porém, nada aquilo resolveu o vazio do rapaz, que procurou nas drogas mais pesadas, como o crack a graça de tudo isso. Dia a dia, pessoas morrem pelo suicídio, pela falta de prazer em viver. Gerações cada vez mais entediadas e angustiadas. O que surpreende? Temos tudo nas mãos. Tecnologias, informações de todos os locais do mundo, conhecimento cada vez mais apurado e profundo. Mas, isso deu razão e sentido em nossa vida ou só nos tornamos mais frustrados e altivos?

    A resposta para todas essas perguntas que nós fazemos hoje, em 2014 já foi dada há muitos séculos. Está ali na carta de Paulo. Sem amor, nada tem sentido. Podemos construir o que há de mais surpreendente e complexo, a vida não terá valor. Podemos ter as pessoas mais interessantes ao nosso lado, não terá valor. Nem muito menos os atos de religião te farão melhor. Nada terá valor.

    Temos nos enchido com coisas desnecessárias. Muitos, perdido a fé, quando o Caminho é claro. Muitos, achando que estão nEle, mas estão na religião, que prende e cega. Uma hora desistem, e culpam a todos. A culpa está em nós. Esquecemo-nos do mais básico: o amor. A vida de verdade só existe por causa do amor. E, com isso que possamos aprender a seguir em paz, sem medo de viver…

    “E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”
    1 Coríntios 13:2

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  • Para refletir – Castelos de areia

    Há pouco tempo, os mais belos tornaram-se feios, e outros novos belos tomaram seus lugares. Hoje, aquela mulher linda está no outdoor, amanhã… ah, o amanhã é sempre incerto. O tempo castiga, em todos os aspectos, maltratando e amedrontando aquele que está preso a ele.

    Em questão de segundos uma vida chega sobre a Terra, e em outro instante se vai. As coisas que construirmos não poderemos levar. Para nós que cremos em Deus, temos a esperança de salvação e vida eterna em Cristo. E que obras permanecerão? E o quanto estamos com a nossa vida concentrada para o grande dia?

    A Palavra mostra, em Mateus 6 que os maiores tesouros desta Terra não são materiais, nem financeiros. Nosso coração estará no mesmo lugar em que estarão nossos tesouros. Se tivermos nossa família em primeiro lugar, lá estará o nosso coração. Se as posses e nosso trabalho for prioridade, ali o coração estará. Mas, todos estes tesouros ajuntados pela Terra se esvairão pelo cruel tempo. Mas o tesouro ajuntado no céu, em almas, investido na nossa espiritualidade com o criador não se perderá!

    Nossa vida é como a flor do campo, como as árvores e as ervas. Como os demais animais. Um dia, fortes e novos. Mais tarde, desaparecemos como pó, como chuva de verão. Necessitamos crer e dedicarmo-nos a Deus, na esperança de que tudo o que fizermos seja para Ele, com todo o nosso coração.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=92vfIzhuTg8]

  • Análise: CD Graça – Aline Barros

    Análise: CD Graça – Aline Barros

    Após dois anos do lançamento de “Extraordinário Amor de Deus”, Aline Barros traz seu novo projeto musical, intitulado “Graça”. Com catorze faixas, a produção musical e arranjos são assinadas por Ruben di Souza, atualmente um dos produtores mais conceituados no mercado nacional cristão.

    O álbum, no geral não é temático, e apresenta uma capa que fortemente desagrada. As imagens são excelentes, todavia a tipografia deixou muito a desejar. O encarte, por sua vez contém um excesso de fotos, em que poderia ser mais clean e não causar tanta poluição visual.

    O repertório é muito bom, e neste ponto Aline Barros quase sempre acerta. Dentre as canções de andamento mais lento, destaque para Lugar Seguro, baseada no Salmo 91, de autoria de Anderson Freire. O cantor, também autor do hit Ressuscita-me mostra sua capacidade de trazer canções congregacionais de letras simples. Também, destaque para a execução da bateria por Alexandre Aposan. Casa do Pai, do recém-contratado Pr. Lucas, em parceria com Josué Godoi lembra o Salmo 139. Mas a melhor música do disco vai para Esperança, parceria de Freire com Aline, com sua boa melodia com a inclusão de um arranjo de cordas e o refrão marcante. Entretanto, o repertório também possui seus pontos fracos, como a confusa Revolução e O Fogo não Descansa. O cantor Fernandinho também contribui em duas canções, fortemente semelhantes ao estilo que o consagrou.

    No geral, “Graça” é um bom CD. Além do pop rock e da vibe congregacional que Aline sempre mescla em seus projetos, a cantora aposta, com certo risco em influências eletrônicas. O grande ponto negativo vai para as captações ao vivo, mais artificiais que o comum. O caminho mais apropriado para a artista talvez é não utilizá-las nos próximos trabalhos.

    Outro ponto de fácil assimilação é o uso de canções mais agudas. Para uma cantora que apresentou sérios problemas nas cordas vocais, é um ponto ousado e perigoso. Entretanto, o resultado final ficou positivo.

  • Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Depois de mais de dez anos da saída de Brother Simion do Katsbarnea e a atual liderança de Paulinho Makuko, muito ainda se diz no assunto. Até, porque se antes Simion era o “dono” da banda, hoje Makuko representa o mesmo. Entretanto, todas as letras e arranjos experimentais fora do comum não são percebíveis nos últimos trabalhos do grupo como eram nos anos 90. Desta nova fase, o melhor álbum foi A Tinta de Deus, uma espécie de cala a boca para os haters que insistentemente afirmavam que Paulinho nunca faria algo digno no Katsbarnea. E, juntamente com Déio Tambasco, ele fez.

    Seis anos se passaram de 2007 pra cá, e somos surpreendidos com o novo lançamento da banda, bastante adiado: Eis que Estou à Porta e Bato. Produção musical assinada por André Kostta e lançado de forma independente, o disco apresenta um bom projeto gráfico, um ponto que a banda raramente deixou a desejar. E provavelmente seja o único realmente excelente do álbum.

    A formação atual contém Paulinho Makuko (vocais), Marrash (bateria) e Moisés Brandão (baixo). Juntamente a músicos mais jovens, Makuko continua o mesmo: pretensioso e cheio de energia. O que falta, afinal, são músicas de verdade.

    No setlist, onze obras. Infelizmente duas são regravações. “Overdose” e “Jeremias” são oriundas do álbum “12” de Makuko, lançado em 2005. A primeira é de bom gosto, porém, a última citada não, contendo uma letra extremamente confusa e desconexa, iniciando sua mensagem com uma descrição de um personagem fictício, e esquecendo-se de todo este contexto pela expressão de louvor no refrão.

    Diferente do A Tinta de Deus, Eis que Estou à Porta e Bato é um álbum tão quente como uma pista de gelo, ecoando a fraqueza lírica do grupo. A melhor canção do álbum, e que mais representa o Kats que todos conhecem é “Mensageiro”. Seu arranjo progressivo, e a letra versando o caos mundial controvertido ao amor de Deus garante o momento mais agradável do projeto. Um solo de guitarra simples, nada rápido e pesado. O single “Nasceu um Novo Dia” aproxima-se com mais fidelidade as músicas de carreira solo de Makuko. Sua versão acústica é superior a original.

    “I Can Fly” lembra bem a tendência do Katsbarnea em incluir uma faixa em inglês em suas obras, versando sobre libertação. O groove tentado em “Anjo do Mal” não convence e “A Cabeça de João Batista” começa bem, porém perde-se no refrão. Em contrapartida, “Morra Babilônia” e “Passo a Passo” são canções que agradam, com suas pegadas hard rock. “Verdadeiro Amigo” é o single que o álbum precisava.

    O grupo está decaindo com força letristicamente, usando termos de modismo como “chuva”, “bênçãos”, “armas espirituais”, sendo estes objetos de crítica do próprio vocalista Paulinho Makuko em entrevistas, declarando que o conteúdo do gospel está careta. Entretanto, não há diferença alguma entre os pontos negativos observados pelo cantor no gospel em relação à Eis que Estou à Porta e Bato.

    O Katsbarnea tem potencial para surpreender positivamente se esforçar a fazer um trabalho melhor que o apresentado, nas letras. Sonoramente, a banda ainda acerta. Finalmente e infelizmente, este é o projeto mais fraco de toda a sua discografia.

  • Análise: DVD Aos Vivos – Resgate

    Análise: DVD Aos Vivos – Resgate

    Uma das “modas” que chegaram ao mercado gospel nos últimos anos foram as superproduções audiovisuais. Palcos enigmáticos, edição de vídeo complexa, figurino e iluminação acima da média e outras parafernálias que enriquecem, ou muitas vezes poluem os álbuns, praticamente forçando o telespectador a achar tudo aquilo espetacular, o que geralmente acontece.

    Após Até eu Envelhecer – ao vivo, lançado em 2008, o Resgate chega com um novo e inesperado DVD. Aos Vivos não possui praticamente nenhuma característica descrita anteriormente. Para um consumidor comum e desatento, a obra passará batido, mas para um grupo como o Resgate e para seu público, o trabalho está dentro do esperado: A simplicidade e qualidade, atributos que a banda sempre concilia em seus projetos, suficientes para o agrado do seu alvo.

    O repertório foi bem escolhido. À exceção de músicas dos DVDs anteriores, o trabalho trouxe as músicas que o público gostaria de ouvir, principalmente dos dois últimos CDs da Sony. Ainda não é o Último está bem representado: “A Hora do Brasil”, uma das melhores do CD com interpretação vibrante, “Depois de Tudo”, single do álbum foi logo selecionada para o início. “Jack, joe and Nancy in The Mall” com sua letra irreverente e inteligente levou o público a delírio. “Vou me Lembrar” tem uma das melhores letras do Resgate, indiscutivelmente sua presença era obrigatória.

    De Este Lado para Cima tem seis canções: “Eu Estou Aqui” (que abre muito bem o DVD), “O que não precisa” (com sua letra direta e consciente), “Errando e Aprendendo” (destaque para o uso do ukeleke), “Fora do Sistema” (cheia de antíteses que fazem total sentido), “Eles Precisam Saber” (o destaque do álbum) e “Eu Só Preciso Acreditar”.

    O repertório de antigas, representadas em outros DVDs, foram: “Restauração”, “Infinitamente Mais”, “Em Todo Lugar”, “Pra Todos os Efeitos”, “Sete Dias”, “O Nome da Paz”, “A Gente”, “Todo Som”, “5:50 AM” e “Rock da Vovó”. A maioria destas não tiveram mudanças destacáveis no arranjo (exceto por sonoridades acústicas exploradas), mas no mais não contam como ponto negativo pela qualidade das canções que não podem faltar nos shows do Resgate, principalmente as duas últimas. Ainda, a banda apresenta “Quebrantado” e, entre as canções interage com o público de forma descontraída, o que garante, para o telespectador a imagem real dos integrantes do grupo durante os shows.

    Alguns defeitos triviais podem ser observados no álbum, como o corte brusco de algumas cenas, sem uma manipulação detalhada do áudio, a sépia exagerada nas canções acústicas, e a falta de um músico tecladista convidado.

    Talvez o maior erro de Aos Vivos seja o fato de que não é um álbum bem planejado. Entretanto, este erro pode ser considerado um acerto. A sua simplicidade traz vários aspectos que faltam em algumas das produções atuais. Aos Vivos é um trabalho para ouvir, cantar, refletir e rir com o Resgate, e isto simplesmente basta.