Autor: Tiago Abreu

  • Paulo César Baruk anuncia detalhes de trabalho inédito pela Sony Music – Graça

    Após o lançamento de “Entre”, e mais recentemente sua contratação pelo selo gospel da gravadora Sony Music Brasil, o cantor Paulo César Baruk publicou, em sua página oficial no Facebook o título de seu futuro projeto, intitulado “Graça”.

    Uma das novidades publicadas a respeito do álbum é a oportunidade dada aos compositores. O cantor disse, em seu post: “Olá amigos compositores, gostaria muito de conhecer sua canção. Se você também quiser, envie para repertorio@baruk.com.br e no assunto descreva “novo cd Baruk by sonymusicgospel”. Peço a gentileza de não enviarem apenas letra ou apenas música, a composição precisa estar completa! o acompanhamento pode ser o mais simples possível. Que a inspiração do Eterno nos inunde e nos faça transbordar em novos cânticos!!! A Ele a Glória“.

    A notícia foi recebida com alegria pelos fãs do artista, conhecido por sua notoriedade no meio virtual. “Ter uma atitude destas de abrir as portas para que outras pessoas, também inspiradas por Deus compartilhem suas idéias e canções não é comum a gente vê, você é um dos artistas cristãos mais humildes que já vi, continue assim mano! Deus tem te exaltado e continuará fazendo pela sua simplicidade! “, citou um internauta.

    Paulo César Baruk foi indicado ao Grammy Latino em 2010 e 2012, com os álbuns “Multiforme” e “Eletro Acústico 3”, respectivamente. Seu lançamento “Entre”, um projeto comemorativo dos quinze anos de carreira que inclui participações especiais está sendo indicado ao Troféu Promessas.

  • Análise: CD Estante da Vida – Heloisa Rosa

    Análise: CD Estante da Vida – Heloisa Rosa

    Nós, seres humanos, tão iguais, mas ao mesmo tempo particulares. Juntos num mesmo espaço, suscetíveis aos mesmos problemas e fraquezas, estampados numa estante, a estante da vida. Em nossa vida cristã, não é nada diferente. Uns vasos, nesta estante estão empoeirados, sinal de que um dia foram úteis. Outros, rachados, quebrados, que necessitam de renovo e reparo. E o Oleiro está pronto em nossa frente, embora muitas das vezes não o enxerguemos. Basicamente isto é o ponto central do terceiro projeto da cantora mineira Heloisa Rosa, lançado em 2008.

    Curioso é, uma artista de melodias e interpretações vocais tão simples, e as vezes passadas desapercebidas pela maior parte das pessoas lançar um álbum contendo um conceito tão maduro, profundo e atual. Talvez este seja o motivo ao qual superou as vendagens dos anteriores, mas isto não vem ao caso. O fato é que, o CD de Heloisa Rosa contém mensagens que ultrapassam comuns temáticas de canções que ouvimos no hall cristão nacional, principalmente levando em conta o mainstream. O trabalho, também foi produzido num momento de grandes mudanças em sua carreira e vida pessoal, como a morte de sua mãe e a mudança de seus músicos de apoio, que formaram o Palavrantiga e deixaram de atuar com Heloisa.

    A faixa-título, e primeira do repertório traz com força e clareza o seu discurso, nos preparando para todo o contexto letrístico e musical do álbum. O pecador despedaçado, destruído pela sua vivência diária, ou experiência com o mundo conturbado, e o Salvador que alivia, preenche o vazio e entende com uma amplitude sobrenatural o que passa em nosso interno e externo. Aos poucos, somos levados a entender que a nossa verdadeira identidade como seres humanos só é revelada e compreendida quando estamos diretamente envolvidos com Deus.

    A intimidade com Deus nos proporciona um amadurecimento espiritual, em sabermos que só podemos ter uma satisfação e vida de verdade quando aprendemos e vivemos dependentes dEle, sem formalismos religiosos ou complexidades desnecessárias, que muitas vezes só fazem empobrecer nossa vida cristã. Após as três primeiras canções, que dissertam sobre os assuntos citados, a obra centra a figura de Jesus Cristo, reforçando a ideia de entrega e dependência do Salvador.

    Entre os vasos rachados, empoeirados e fracos, existem aqueles que um dia já foram fortemente úteis ao Senhor. E o que aconteceu neste ínterim? O comodismo, as pressões deste mundo foram criando pequenas rupturas, enfraquecendo as estruturas. A partir de tudo isso, é importante voltar ao primeiro amor, que diretamente é relacionado com ser moldado e reconstruído novamente pelo Oleiro. Afinal, nossa perfeição como seres humanos é inatingível, e este mundo com suas vaidades sempre tentarão nos distanciar do amor de Deus.

    Quão bom é saber que Deus não desiste de nós. Que, assim como comparado no livro de Jeremias, Ele insiste, continua a moldar, reconstruir o mesmo barro até que este atinja a perfeição, novo, forte e agradável. Que, nesta estante da vida, Ele tem todo o poder e soberania sobre nossa vida, emoções, sabe o melhor para nós antes mesmo do nosso princípio (Salmo 139). Seja um vaso novo e perfeito nas mãos dEle, sem medo de se render e entregar, mesmo na dor de ser reconstruído.

  • Composição com parceria de Marcos Almeida vence o Multishow

    O júri especializado do prêmio Multishow escolheu, nesta terça-feira (3/9) a canção “Calor do Amor” como o melhor novo hit de 2013. Marcos Almeida, vocalista da banda Palavrantiga foi creditado como um dos compositores da canção, gravada por Marcela Vale, conhecida também por Mahmundi.

    Segundo o músico, seu crédito como compositor foi inesperado. “[…] haviam usado parte de uma letra que lhe encaminhei na época que Mahmundi se reunia para gravar as primeiras ideias. O resultado mostra que a minha letra só foi um tipo de guia, um facho de luz inicial para a claridade que se abriu sobre Bruno e Roberto, amigos de Marcela que a ajudaram na feitura da obra. Qualquer mérito da canção vem deles, certamente.”

    A indicação foi anunciada com alegria no blog do músico, Nossa Brasilidade. “Calor do Amor” concorria na categoria com outras três canções – “Maná”, de Rodrigo Amarante, ex-vocalista do Los Hermanos, e “Quadradinho de Borboleta” do Bonde das Maravilhas.

    Por ser um dos compositores, Marcos recebeu o prêmio durante a cerimônia de entrega dos prêmios e anunciação de vencedores ao prêmio. “Olha o que me esperava no Hotel…#PrêmioMultishow” “E a Constelação, Nossa Brasilidade, ela brilhará intensamente. Brilhará ainda mais quando apagarmos o sol da nossa insensatez, sol que nos cega diante do óbvio e nos amarra ao trivial. Ela brilhará quando eu aprender a olhar para o céu e ver que tudo na vida está diante da face de Deus!”, disse o cantor em uma foto publicada em seu Instagram.

  • Para refletir – Um com todos

    O que é o amor para as pessoas hoje em dia?

    Diante desse mundo contemporâneo conturbado, esta é uma pergunta que eu faço a mim mesmo todos os dias, com certo pessimismo. E a resposta é doída. O que exatamente é não sei, mas estou certo de que está totalmente distante do significado do amor em sua essência cristã. Hoje, o sentimento doentio que rotulamos de amor é igualado a uma série de coisas, como troca de favores, interesses desleais, objetos, sexo e até mesmo um conjunto de regras sociais. Na busca deste conceito, nos perdemos em vivências superficiais que jamais se encaixarão no perfeito e único sentido do amor verdadeiro.

    O apóstolo Paulo deixou importantes reflexões sobre o amor. No décimo terceiro capítulo de 1ª Coríntios, é citado um amor que se sobressai a todo conhecimento, e sentimento de individualidade. Este é o primeiro ponto importante na busca de entendermos a diferença do que é chamado de “amor” hoje, e ao amor bíblico. Num mundo capitalista regrado pela individualidade, a prática do sentimento é falha devido às reservas pessoais. Por outro lado, a felicidade e realização pessoal têm sido cada vez mais buscadas no conhecimento, de todas as áreas. Mas a verdade é, que a vida só tem sentido para amar.

    Perceba como, finalmente tudo é baseado no amor. Deus realizou sua criação, e viu o quão foi bom tudo o que Ele fez. Amou a sua criação, ao ponto de entregar o seu filho em amor, vendo nosso colapso. Nos pontos mais humanos, ninguém pode ser só. Precisamos de amigos, família, companhias. Um momento da vida, a reprodução, em que somente é possível com duas pessoas. Tudo é um ciclo de união. Nascemos para amar, vivemos para amar, e este amor com dependências gera união. Não é fácil vivê-lo, mas é necessário. O amor é tão complexo e difícil de praticar porque é divino, eterno e único. O amor de Deus nos faz um. Um com as pessoas, e um com Ele.

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  • Para refletir – Superman

    As vezes me pergunto certas coisas que observo na sociedade. Quão triste é, sabermos no geral que ninguém é blindado de problemas e tristezas, mas todos acabam por ser obrigados a passar uma imagem de alegria e satisfação constante, como superhumanos.

    Outro fato importante a salientar é que, nos tempos atuais a maior parte das pessoas buscam por uma alegria pessoal por meio da experimentação excessiva e indiscriminada. Drogas, bebidas, sexo, amizades que mais parecem um titanic prestes a se afundar. Enquanto isso, um monstro interior grita por socorro, ajuda e atenção. O que fazer disto? Vivemos num tempo onde descobrimos o mundo, o universo, os planetas, mas não conseguimos entender nem dominar nossos sentimentos e o ser. Estamos fora de controle.

    Talvez, diante dessa situação desesperadora, você pergunta: onde está Deus em tudo isso? Onde Deus entra no seu universo particular, na sua identidade, nos seus problemas e conceitos? A resposta, para os mais racionais e reflexivos pode soar absurda, mas quando o “compartimento” é emocional, a razão não se mostra totalmente bem-sucedida na explicação de algo. Nós que cremos em Deus (o que é muito diferente de ter e seguir uma religião) experimentamos isso. Isto porque, para Ele não conseguimos de maneira alguma fugir ou esconder nossos problemas. A própria Palavra de Deus diz, que “sem mim nada podereis fazer” (João 15. 5). Ainda, no Salmo 139 é clara a ciência de Deus da nossa vida de forma tão quanto abrangente e profunda. Para seres mortais e limitados como nós, é fácil transmitir uma inverdade sobre nossos sentimentos, mas Deus possui ciência antes mesmo de confessarmos, e mais do que isso, mesmo sendo tão poderoso e grande, eles nos compreende e sabe como levantar-nos. Diante dEle você reconhece que é igual a todo mundo, e quem sem Ele você é absolutamente nada.

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  • Trazendo a Arca grava DVD em Israel

    Após o primeiro DVD internacional do grupo fluminense, lançado em 2011 pela Graça Music (Live in Orlando), o Trazendo a Arca gravou, neste mês de julho no Oriente Médio as imagens do seu futuro projeto áudio-visual a ser lançado pela gravadora #Dos3Music, que recentemente substituiu as atividades da CanZion Brasil. Anteriormente a isso, o ministério já gravara um CD no Japão em 2007, e sua proposta é fazer produções que se diferenciem dos materiais normalmente lançados no meio gospel.

    A banda, formada por Luiz Arcanjo (vocal, violão), André Mattos (bateria), Deco Rodrigues (baixo) e Isaac Ramos (guitarra) trouxe, no repertório canções do disco Na Casa dos Profetas, dentre outras até então não gravadas em DVD em outros álbuns do conjunto, desta vez com arranjos acústicos. As primeiras informações sobre a obra foram divulgadas numa Twitcam, realizada meses atrás.

    Imagem anterior a gravação. Fonte: Tiago Brunet (Instagram)
    Imagem anterior a gravação.
    Fonte: Tiago Brunet (Instagram)

    A gravação, que contou com a participação do público que esteve com o grupo durante sua caravana, em parceria com a Amar Turismo passou por vários locais biblicamente conhecidos. Do Rio de Janeiro, o Trazendo a Arca desembarcou em Dubai, e mais tarde realizando um louvor no grande deserto localizado ali. Além de incluir canções e ministrações, o projeto é fazer um documentário, lembrando locais notáveis no material.

    Dias depois, o grupo foi para a Jordânia. No local, após um almoço, Arcanjo realizou uma ministração antes de irem para o Monte Nebo, localizado a 30km da capital. Na Bíblia, é o local onde Deus mostrou a terra prometida a Moisés, morrendo ali. O ministério ainda esteve no Monte das Oliveiras, local onde Jesus orou antes de ser traído.

    No dia 21 de julho, a banda atravessou o Mar da Galiléia de barco, onde foi realizado um luau. O último dia foi marcado pela passagem em Jerusalém. O baterista André Mattos, publicou no Instagram uma foto com a seguinte mensagem: “Ele não está aqui, porque já ressuscitou. Túmulo de Jesus, vazio. Emoção muito, muito grande.”

    André Mattos, baterista do Trazendo a Arca. Fonte: Instagram
    André Mattos, baterista do Trazendo a Arca.
    Fonte: Instagram

    A direção de vídeo ficou por conta de Hugo Pessoa, também responsável pelo premiado Ao Vivo no Maracanãzinho, lançado em dezembro de 2008. O diretor tem colecionado obras aclamadas pelo público e crítica especializada, sendo o mais recente o álbum “Mais um Dia” do Livres para Adorar.

    O disco tem lançamento previsto para 2014. O Trazendo a Arca ainda prepara um disco com seus maiores sucessos em espanhol, além de estar em turnê no exterior em divulgação do CD Na Casa dos Profetas. A Amar Turismo divulgou um vídeo com filmagens da gravação.

  • Aline Barros seleciona repertório para próximo álbum inédito pela MK Music

    Vencedora do Grammy Latino com seu último disco adulto, “Extraordinário Amor de Deus”, Aline Barros prepara mais um projeto de canções inéditas pela gravadora MK Music, a qual faz assinou contrato ainda em 2004, ano que produziu “Som de Adoradores”, até hoje o seu maior sucesso comercial.

    Segundo Yvelise de Oliveira, presidente da gravadora, nesta sexta-feira (2 de agosto) Aline estará na sede da MK para selecionar o repertório definitivo da obra. Foram várias composições por vários autores, vindos de todo o Brasil. Tais canções já foram pré-selecionadas para compor o futuro álbum, porém a escolha final será ainda nesta semana.

    Repertório pré escolhido para o novo CD da Aline Barros. Fonte: Yvelise de Oliveira
    Repertório pré escolhido para o novo CD da Aline Barros.
    Fonte: Yvelise de Oliveira

    “Vem coisa muito boa por aí. Músicas tão lindas que vocês nem imaginam! A Aline é muito abençoada e vieram canções maravilhosas para ela. Só Jesus para ajudar a escolher”, disse Yvelise de Oliveira. O trabalho será lançado ainda este ano, e Aline Barros prepara também a gravação do DVD Extraordinário Amor de Deus, sem informações maiores divulgadas pela gravadora.

    Fonte: MK Music / Yvelise de Oliveira

  • Análise: CD Pra Tocar no Manto – Trazendo a Arca

    Análise: CD Pra Tocar no Manto – Trazendo a Arca

    NOTA: Este texto era parte integrante da coluna Destrinchando, do antigo portal Gospel Músikas, hoje parte do O Propagador. Pela fusão dos portais, todos os textos do Destrinchando estão na coluna de análises/resenhas de discos.

    Em 6 de junho de 2009, o grupo Trazendo a Arca lançava o segundo álbum de inéditas de sua carreira, e, somando com os discos lançados pelo Toque no Altar este era o sexto.

    É importante nos situarmos ao contexto histórico em que o disco foi lançado – mesmo que este seja um tanto quanto recente. No gospel nacional, o mercado estava vivendo uma fase pós-estouro de Regis Danese, Lázaro e Damares, principalmente com suas canções “Faz um Milagre em Mim”, “Meu Mestre” e “Sabor de Mel”, respectivamente. À exceção de Lázaro, todas as demais canções possuem uma tendência letrística muito forte pela horizontalidade, em palavras mais informais, trazem o homem como foco de sua temática, embora todas elas falem de Deus. Em 2009, Fernandinho chegara com seu trabalho Uma Nova História, com a música-título apresentando uma letra altamente positivista. Coincidência ou não, o mercado estava colhendo uma gama de discos e canções frutificadas a partir de uma tendência a qual o Toque no Altar (grupo ao qual o Trazendo a Arca se dividiu) plantou, de deixar a verticalidade para apresentar uma horizontalidade, em assuntos, as vezes altamente ligados à vertentes neopentecostais, como prosperidade e milagres.

    Não querendo debater aqui a validade de tais canções, o fato é que, Pra Tocar no Manto é um disco que rompe de maneira forte toda essa tendência dentro e fora da carreira do Trazendo a Arca. E, o natural era que isso mesmo acontecesse, principalmente pelo desligamento com o Toque no Altar, e consequentemente o Ministério Apascentar em Nova Iguaçu. Não faria o menor sentido o grupo dissidente continuar a compor e produzir canções que colocassem em contradição sua nova vibe.

    O que me deixa fascinado, a princípio, não é a mensagem confrontadora e reflexiva que molda as faixas – mas sim, o ineditismo de Luiz Arcanjo, vocalista como principal compositor e, consequentemente frontman na concepção e produção deste projeto. No disco anterior, Marca da Promessa, a maior parte das faixas são assinadas por Luiz, Davi Sacer, Ronald Fonseca e Deco Rodrigues, ou seja, uma contribuição em grupo. Das 12 canções do álbum, Arcanjo contribui em todas como compositor, sendo que assina sozinho 5 delas, incluindo a faixa-título, single do CD. A explicação para isto é fácil. No ano anterior, Davi Sacer lançou Deus não falhará, seu primeiro trabalho solo, escrito em maioria pelo próprio em parceria com Ronald Fonseca, e Ronald trabalhou como compositor em várias canções do álbum Separados do Ministério Unção de Deus.

    A respeito do conceito do álbum, esta mostra a capacidade criativa do Trazendo a Arca, que não se limitou a continuar a apresentar as mesmas temáticas, já manjadas. Enquanto “Marca da Promessa” declarava forte: “eu sei que chegará minha vez!”, “Serás Sempre Deus” diz em baixo e reflexivo tom em uma das canções que melhor representa o disco: “e ainda que a dor me diga que não, sei que é por amor, estás me ensinando que sempre És Deus”. A parte mais confrontante e forte está reservada para o final do repertório, com a seguinte pergunta: “quem é você, quando ninguém vê?”. Nota-se, que no ambiente religioso cristão sempre fomos acostumados a negar nossa verdade e a valorizar uma vida de aparências. Perdemos a nossa integridade enquanto somos corroídos por dentro em nossa realidade. E isso também entra na questão de nossos interesses. Temos nos esquecido de sermos francos e sinceros com Deus em relação à nossa vida espiritual para alcançar objetivos terrenos, que no final somente inflam nossa carne.

    Imagem: Agência Excellence Fonte: Trazendo a Arca
    Imagem: Agência Excellence
    Fonte: Trazendo a Arca

    Mas não é só de reflexão que o álbum vive. “Yeshua” é um bom exemplo de celebração, sem se prender a frases pobres, somente para entretenimento ou aprendizagem fácil nas igrejas, mostrando, com clareza o nível do amor e soberania de Deus, que, abrindo mão de toda a Sua glória, se fez menor que nós. Isso que fez Pra Tocar no Manto um álbum difícil de consumo para as igrejas, pois sua mensagem não é óbvia, tampouco superficial. “Semeando com Lágrimas” mostra a capacidade de Luiz Arcanjo em adaptar poeticamente um Salmo em uma canção bem estruturada, o que mais tarde renderia ao conceito de Salmos e Cânticos Espirituais, um sonho antigo da banda. “Dono das Estrelas” revela uma adoração a Deus não pelo o que Ele pode dar, porém, enfatizando o que Ele é e por Sua soberania. Outro ponto positivo! O trabalho, no geral, exalta a Cristo, mesmo em nossas fraquezas, relevando, em versos o quão dependentes somos dEle e do Seu amor, embora nossos sentimentos e experiências e convicções pessoais tentam nos afastar de Sua vontade.

    No geral, Pra Tocar no Manto é um disco confrontador, dissertando e provocando reflexões sobre nossa identidade como filhos de Deus e Igreja de Cristo. É um projeto que, convence o seu ouvinte das suas maiores fraquezas pessoais, mas ao mesmo tempo mostra a quem devemos e como sempre recorrer. Que o ser humano, mesmo fazendo parte de uma igreja, de aparentemente servir a Deus corretamente não é blindado de fraquezas, tristezas, e dificuldades. Deus não dá somente “sim”. Pelo nosso bem, e pelos caminhos dEle que são maiores que os nossos, podemos compreender que em muitos momentos o não é necessário. Em “Perdoa”, por exemplo, retrata muito bem o lado antropocêntrico dos cristãos atuais, a arrogância, a vaidade que atinge tanto pela natureza do ser humano quanto pelo tipo de “evangelho” que muitas vezes é pregado hoje. Necessitamos ser livrados, isolados de nós mesmos. Mensagem forte demais para um trabalho congregacional, não? Eu particularmente acredito que seja, mas é necessário, completamente, principalmente no contexto atual que vivemos.

    Quando Pra Tocar no Manto estava próximo de ser lançado, Arcanjo disse ao portal Casa Gospel: “As pessoas que ouvirem esse CD vão sentir uma diferença tanto na produção musical quanto nas letras. É um CD reflexivo, embora tenha muitas celebrações, é mais maduro; há canções que vão confrontar.” E realmente, hoje, após vários anos do lançamento do projeto, Luiz continua certo. Pra Tocar no Manto foi, e até hoje é o álbum liricamente mais maduro do Trazendo a Arca. O que reflete como uma pena é o fato de que na música em geral, principalmente no gospel nacional letras confrontantes, reflexivas, complexas e pouco comerciais não sejam bem aceitas, ainda mais no congregacional. Isso não é um reflexo de fracasso do disco, porém muito pelo contrário. O público da banda não estava – e ainda creio que não esteja preparado para digerir esta mensagem. Na verdade, até músicos envolvidos na produção do disco, como o ex-vocalista Davi Sacer não demonstram uma compreensão da proposta de Pra Tocar no Manto. Segundo afirmações do cantor em um vídeo divulgado em 2011, ele “percebia que depois do CD Marca da Promessa a gente começou a compor outras canções, mas que eram canções que já não estavam tão conectadas à igreja como eram as canções do Marca da Promessa pra trás”. Davi não está errado em sua afirmação. É claramente notável que foi um risco do Trazendo a Arca apresentar canções sobre verdades que a igreja brasileira, no geral não vivia e nem vive nos dias de hoje, porém nunca, liricamente são inferiores aos trabalhos anteriores do conjunto.

  • Artistas da Som Livre participam da FIC – Feira Internacional Cristã

    Durante os 4 dias da Feira Internacional Cristã, realizada pela Geo Eventos, a gravadora Som Livre esteve com seu stand, com vários artistas e atrações para o público geral. No primeiro dia, a grande novidade ficou por conta da contratação do cantor Bruno Branco, que foi finalista na categoria “Pra curtir” no Troféu Promessas 2012. O músico destaca-se por suas poesias, seu som folk atrelado a sua voz rouca. Seu álbum de estreia, Lado a Lado, lançado no final de 2011 se destaca pela jovialidade e na qualidade das canções. A obra como um todo, principalmente a canção “Simples”, que ganhou versão em videoclipe aborda várias questões do meio cristão atual, como a divisão de arte e louvor, e a relação do homem com Deus. Ainda houve a participação de Israela Claro, filha de Cláudio Claro, que apresentou algumas de suas canções ao vivo.

    Na quinta-feira, segundo dia da FIC, estiveram no stand Ana Nóbrega, Palavrantiga, Maurício Paes e Dan e Daniel. Ex-vocalista do Diante do Trono, a cearense Ana Nóbrega esteve durante cerca de cinco anos como integrante do grupo. A medida de cada ano, sua relevância para o grupo cresceu, e, com uma identidade musical própria e formada, investiu na carreira solo, lançando o disco “Nada Temerei”, que mescla canções congregacionais em melodias, na maioria influenciadas pelo pop. A versão playback foi disponibilizada para download digital. Maurício Paes é ex-integrante da primeira formação do Toque no Altar (liderada por Luiz Arcanjo e Davi Sacer), iniciando sua carreira solo em 2007, por motivos pessoais. Em 2011, gravado ao vivo em Nova Lima (Minas Gerais), o cantor produziu o CD “Aba Pai”, que foi lançado na FIC.

    Na sexta, foi a vez de David Quinlan e Alda Célia participarem. O cantor irlandês, em carreira no Brasil há mais de dez anos soma vários sucessos do congregacional nacional, seja solo ou com o Paixão, Fogo e Glória. Fogo e Glória Curitiba, lançado em 2000 é um clássico no congregacional brasileiro, contendo canções cantadas até hoje. Abraça-me, Águas Profundas são dois discos de relevância em sua discografia. Em 2012, agora pela Som Livre, o cantor lançou “Um Lugar para 2”. A obra tem como proposta a adoração intimista, tendo a participação de vários cantores, como Nívea Soares. Seu destaque é a produção musical bem elaborada, e os arranjos usando instrumentos irlandeses. Alda, por sua vez cantou vários de seus sucessos, incluindo faixas do álbum Escolhi Adorar, produzido ano passado. Escolhi Adorar, distribuído em CD e DVD contém as participações de seus filhos, e Bené Gomes, Ana Paula Valadão, Ludmila Ferber e Asaph Borba. A cantora foi indicada ao Troféu Promessas, na categoria “Melhor cantora”. Mais tarde, o público teve a oportunidade de interagir com os cantores e mídias, com fotos e autógrafos.

    David Quinlan na FIC. Crédito: Roberto Azevedo (Super Gospel)
    David Quinlan na FIC.
    Crédito: Roberto Azevedo (Super Gospel)

    No sábado, foi a vez de André Valadão, Israela Claro, Chris Durán, Renato Vianna e Jonas Villar participarem. Villar lançou seu recente disco, “Te Amo mais que Tudo”. André Valadão vem com “Fortaleza”, após o decepcionante “Aliança”. Gravado ao vivo na Praia de Iracema, em Fortaleza – CE, o projeto respira jovialidade e uma sonoridade pop rock até então não encontrada em seus trabalhos antigos. O álbum já encontrava-se a venda em formato físico e digital anteriormente, porém seu lançamento oficial em CD foi na FIC. Renato Vianna estreia pela gravadora com seu recente lançamento, “Estrangeiro”: “estou vivendo os sonhos que Deus reservou para mim, estou muito feliz de fazer parte da Som Livre e poder levar essa mensagem do amor de Deus a todos”. Chris Durán apresentou sucessos antigos, incluindo canções do disco “Entrega”. Encerrando o evento, o músico declarou que pretende gravar um DVD ano que vem pela gravadora.

  • Para refletir – Errando e Aprendendo

    Quantas vezes um ser humano comum, como eu e você erramos na busca de um acerto? Quantas vezes pensamos estar preparados para algo, e no grande momento notamos que estivemos enganados? Quantas vezes, pensamos que estamos puros diante de Deus, e Ele nos convence que não é esta a nossa realidade? Perguntas francas, diretas, e que, para a maioria de nós tem uma resposta incalculável diante de tantas situações vividas.

    A incoerência dos nossos pensamentos e ações certamente nos levam, na maioria das situações a resultados equivocados, afinal, o erro é algo comum neste ambiente humano. E é através de nossos erros que aprendemos a acertar, ou muitas vezes reconhecer que necessitamos ser dependentes de Deus, afinal, o nosso orgulho e soberba impedem que viermos a alcançar a vida que Deus deseja pra nós através do arrependimento dos nossos pecados. Em Provérbios, capítulo 16 verso 18 diz: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda”. Ou seja, devemos sempre estar abertos a analisar nossas ações e decisões, e reconhecer que precisamos rever muitos conceitos para vivermos a vontade de Deus.

    Existem pessoas que oram tanto na busca de se verem blindadas contra erros, mas nunca pararam para perceber que eles nos moldam e nos levam a aperfeiçoar em nossos atos. O medo de errar, muitas vezes causa um receio enorme de, ao menos tentar. A Palavra de Deus diz, por exemplo que foi posto um espinho na carne de Paulo, uma fraqueza a qual ele não pode se livrar. E o mesmo cita as palavras de Deus, em 2ª Coríntios, 2:9: “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”. Este versículo é claro e direto ao assunto. Não interessa a fraqueza, dificuldade mas sim a forma com a qual nos encaramos. É necessário sabermos que o Mestre nos ensina com nossas fraquezas, e que tudo é usado em nossas vivências para estes propósitos.

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