Autor: Tiago Abreu

  • Entrevista: Fernando Augusto (Tutuca)

    Fernando Augusto, também conhecido como Tutuca foi baterista durante a fase clássica do Rebanhão, juntamente com Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta. Permanecendo no grupo durante seis anos, mas com vastas experiências, o músico baterista nos conta um pouco do que viveu e experimentou durante e fora deste tempo, além do projeto de 35 anos do grupo.

    O PROPAGADOR – Como se deu sua conversão e início da vida cristã?

    Eu me converti através de um convite feito pelo grupo jovem da Igreja Episcopal do Rio de Janeiro na Tijuca, bairro onde nasci e cresci.


    O PROPAGADOR – Como lhe surgiu o interesse pela música e a bateria?

    Me interessei por bateria desde meus 5 anos de idade e ganhei uns tambores de ritmos percussivos. Participei de bandas escolares, e depois comecei a tocar em bandas de amigos da minha rua. Logo depois ingressei na escola de música Vila Lobos, onde fiz o curso em canto, percussão e bateria. Após o curso, participei de festivais musicais de escolas e bandas de covers. Daí passei a tocar em casas noturnas do Rio de Janeiro como o Peplo, na zona sul e existe um lugar na Barra da Tijuca. Porém quando me converti aí sim me dediquei apenas à música cristã.


    O PROPAGADOR – Você entrou no Rebanhão numa época de mudanças, com a saída de Kandell e Janires. Como se deu a sua entrada no grupo, e quais as referências que a banda tinha naquela época?

    Após a minha saída da Igreja Episcopal, fui convidado pelo amigo Marcos Brito, guitarrista da Banda & Voz a conhecer a Igreja de Nova Vida da Tijuca, onde conheci o Carlinhos Felix (pois tocávamos juntos na banda da igreja) e aí, num certo dia ele me convidou para entrar na banda. Nossas referências musicais era um som pop de bom gosto.


    O PROPAGADOR – O primeiro álbum do grupo com sua participação, “Semeador”, assim como o sucessor “Novo Dia” foram lançados por uma gravadora multinacional. “Novo Dia” também foi produzido por Paulo Debétio, que trabalhou bastante com a cantora Alcione. Como era para vocês ver que o trabalho do Rebanhão alcançou um patamar alto para os padrões da época?

    Ficamos muito felizes por ter tido esta oportunidade e pelo reconhecimento da gravadora aprendemos muito com estes grandes profissionais.


    O PROPAGADOR – O Rebanhão também foi pioneiro em fazer shows em casas em que a participação de músicos cristãos era nula, como o Canecão. Quais são as maiores lembranças que você tem destes feitos? Em algum momento, naquela época, o senhor seria capaz de supor a importância que o faziam teria para o futuro da nossa música?

    As lembranças… eram muitas!!! Mas um fato engraçado é que logo após o último ensaio na estreia desse show ficamos com muita fome e fomos comer pizza no shopping do Rio Sul. E outra: quando recebemos no palco do Canecão tivemos a visita do Abram Laboriel e do Alex Acunha, que eram músicos consagrados da época. Tínhamos uma relação de família. Sempre estivemos juntos, éramos amigos dos familiares, frequentávamos as casas de cada um. Enfim, uma relação de afetividade e alegrias. Não imaginávamos que teria grande impacto futuro.


    O PROPAGADOR – Após os trabalhos pela PolyGram, a banda lançou Princípio pela Gospel Records, e hoje é considerado o clássico da banda pós-Janires. Em relação ao sucesso de canções como “Palácios” e “Selo do Perdão”, como foi a turnê de divulgação deste trabalho? Após Princípio, você deixou o grupo. Quais atividades musicais tem desempenhado de lá pra cá?

    A divulgação foi ótima. Viajamos muito por todo o Brasil, e éramos muito bem recebidos pelas capitais onde passávamos. Eu iniciei um ministério junto a minha esposa chamada Andréa, que já louvava a Deus antes de nos conhecermos. Gravamos 2 CDs e 1 DVD. Continuo gravando em estúdios.


    O PROPAGADOR – Qual a sua visão sobre a música cristã nacional atual?

    Sobre a música atual, acredito que tenha trabalhos de valores, estúdios e tecnologia de ponta. Eu prefiro ter uma visão pelo ângulo positivo.


    O PROPAGADOR – Recentemente, Pedro Braconnot anunciou a reunião do grupo. Desde 2000, são quase 15 anos inativos, e são quase 25 contados após sua saída. Como se deu essa reunião? Qual a expectativa de vocês para este trabalho? Tem alguma novidade a adiantar?

    Olha, a expectativa é muito grande! Eu, inclusive falei com o Paulinho Marotta, também com o Pedro e fiz exatamente esta pergunta e o Paulo me respondeu que estava muito animado e feliz, assim como eu. Acredito que este projeto seja do coração de Deus. Com certeza é uma forma de devolvermos ao Senhor através da música tudo que ele tem feito de bom na vida de cada um de nós, ao longo destes 35 anos. Com certeza em breve nos reuniremos.


    O PROPAGADOR – Agradecemos pela entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores?

    Deixo um grande abraço a todos os amados irmãos leitores do portal O Propagador, e espero ter contribuído. Que Deus abençoe a todos.

  • TOP 10 – Músicas boas em álbuns ruins

    Dizer que um álbum é ruim parece ser extremamente fácil, mas envolve várias percepções do ouvinte não somente no trabalho em específico, mas, na maioria das vezes em toda a discografia do artista, para que entendemos o porquê muitas vezes um músico em questão falha.

    Junte isso ao cenário cristão, no qual ‘tudo é feito pra Deus’ e opiniões negativas são mal vistas… entretanto, nenhuma dessas barreiras impedem de surgir discos fracos. Mas nem tudo está perdido. Aqui listaremos boas músicas encontradas em discos que não deram certo, o que é muito comum. Na lista temos André Valadão, Davi Sacer, Voz da Verdade, PG, Thalles, Cassiane entre outros.

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    Música: Razão de Tudo
    Álbum: Às Margens do Teu Rio
    Artista: Davi Sacer

    Nos aspectos técnicos, o quarto álbum da carreira solo de Sacer é bom. Mas, se analisarmos os seus trabalhos anteriores (incluindo os álbuns pelo Trazendo a Arca) há a conclusão de que esta obra é mais do mesmo. Davi apresenta uma série de canções apresentando temas exaustivamente explorados anteriormente, como prosperidade, milagres e sobrenatural, num exagero enorme, que cansa o ouvinte. As explorações musicais também remetem a tudo o que o cantor já apresentou. Não há novidades. É importante salientar que não há problema em cantar e compor prosperidade, exceto quando a exploração do conceito extrapola a normalidade.

    A única canção do álbum que foge bastante desta temática, e curiosamente é a última de todas é “Razão de Tudo”, que aborda a descrença de muitos sobre a personalidade divina de Jesus Cristo. A letra é excepcional. (2012)

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    Música: Majestoso
    Álbum: Aliança
    Artista: André Valadão

    Após Fé, lançado em 2009, André Valadão lançou apenas trabalhos questionáveis. O principal argumento foi a superficialidade de seu repertório. Em Aliança, o problema é agravado pela forma incorreta de estruturar um álbum temático. Várias canções possuem um lirismo semelhante, que se torna cansativo para quem ouve. Alguns refrões são muito parecidos, e a função de se ouvir o projeto torna-se extremamente cansativa. “Majestoso”, juntamente com “Banquete” são as canções autorais que agradam deste álbum. (2011)

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    Música: Santidade
    Álbum: Sonhos não tem Fim
    Artista: Eyshila

    Sonhos não tem fim é frequentemente conhecido como um disco para cumprir contrato. Seu último trabalho lançado pela MK Music apresentou uma maré muito baixa em costume dos discos anteriores. A canção que se destaca no repertório é “Santidade”, que possui a participação de Bruna Karla. (2011)

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    Música: Amigo Espírito Santo
    Álbum: Ao Som dos Louvores
    Artista: Cassiane

    Ao Som dos Louvores foi um dos álbuns mais questionados de Cassiane. Entretanto, “Amigo Espírito Santo” é considerada uma música excepcional dentro de um álbum mediano. É interessante o destaque que ganhou em seu DVD. Sem dúvidas, a melhor do projeto. (2011)

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    Música: Eu Nunca me Esqueci de Você
    Álbum: Estou Pronto
    Artista: Ministério Unção de Deus

    Após dois bons álbuns, o Ministério Unção de Deus erra feio na mão. Estou Pronto tem um repertório extremamente capenga, talvez explicado pela pouca participação de Ronald Fonseca nas composições. O músico, na época ainda integrante do Trazendo a Arca sempre foi o responsável pelo perfil musical no ministério. A banda tentou deixar de lado a pegada congregacional e apresentar algo mais pop, porém a vibe não combinou com o estilo da banda.

    “Eu Nunca me Esqueci de Você” ainda não chega próximo a canções como “Fala Deus” e “Palavra Final”, mas foi a música que, por um lado salvou o trabalho de um fracasso total. (2010)

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    Música: Sábia Loucura
    Álbum: Adoração
    Artista: PG

    Que PG é um dos melhores artistas do gospel nacional, tratando-se de performance em palco e qualidade vocal não há menor dúvida. Afinal, ele também foi vocalista do Oficina G3, referência em qualidade técnica. Entretanto, sua carreira solo é muito mediana. Não há nenhum álbum do cantor que tenha um repertório muito bom, e é facilmente percebível pelas suas melhores canções, que são geralmente versões. Adoração tem essa característica, potencializado as críticas ao seu new metal. “Sábia Loucura”, com participação de Fernanda Brum foi o hit do álbum. (2004)

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    Música: Pai, eu não confio em Mim
    Álbum: Sejam cheios do Espírito Santo
    Artista: Thalles

    Principalmente pra muitos haters, o álbum de Thalles foi considerado o pior do ano. Acredito que seja um exagero, mas não dá para negar que o álbum foi um erro escandaloso em sua carreira. As letras, no geral são superficiais, embora a mescla de gêneros musicais seja bem interessante. Entretanto, “Pai, eu não confio em Mim” é uma boa parte do projeto, provando isso sendo o single. (2013)

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    Música: Pra Todos os Efeitos
    Álbum: Eu Continuo de Pé
    Artista: Resgate

    Muitos afirmam, com total segurança de que, ao passar dos anos o Resgate ficou cada vez melhor. Talvez desconheçam a passagem obscura de Eu Continuo de Pé. A banda faz uma abordagem mais profunda do que fizeram no bem-sucedido Praise, mas praticamente todas as canções do álbum chegam a um nível muito baixo em comparação a tudo o que o Resgate já apresentou. “A Resposta” ainda foi regravada no DVD de 15 anos, mas por sua letra neopentecostal logo foi retirada do repertório do grupo. “Pra Todos os Efeitos” é curiosamente uma das canções mais conhecidas do Resgate, e frequentemente está no setlist dos shows do grupo, provando claramente que uma música muito boa pode estar escondida num álbum muito ruim, fato já reconhecido e comentado pela banda. (2002)

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    Música: Debaixo das Asas
    Álbum: Somos Mais que Vencedores
    Artista: Voz da Verdade

    Após o lançamento de Projeto no Deserto, em 2001, até hoje considerado o melhor álbum da banda, o Voz da Verdade decepciona muito em Somos Mais que Vencedores que, em comparação aos anteriores e sucessores é muito fraco. Samuel Moisés, filho do líder e vocalista Carlos A. Moisés já tinha se destacado em “Pra quê” no álbum anterior, e apresentou o único hit de Somos Mais que Vencedores: “Debaixo das Asas”. A canção também foi regravada no DVD comemorativo dos 30 anos da banda, na participação de Marquinhos Gomes. (2002)

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    Música: Já Posso Suportar
    Álbum: Música de Guerra 1ª missão
    Artista: Pregador Luo

    Não me esquecendo da ótima “Bate Pesadão”, Música de Guerra 1ª missão teve sua fraqueza ocultada pelo sucesso meteórico das duas canções citadas. O álbum gira em torno do tema guerra e também aos lutadores de MMA, porém se afasta bastante do estilo que o consagrou no Apocalipse 16, a respeito dos temas que envolvem a periferia.

    “Já Posso Suportar”, composta por Pregador Luo em parceria com Luiz Arcanjo traz uma das melhores letras de ânimo e força em situações complexas já apresentadas no meio cristão. Pregador Luo, como maior expoente do rap cristão já estava em alta, e considerando o sucesso do Trazendo a Arca na época, o resultado não poderia ser outro: foi uma das canções de maior notoriedade do ano. A canção foi regravada no DVD Árvore de Bons Frutos, com as participações de Davi Sacer e Luiz Arcanjo. (2008)

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    Lembra-se de mais algum álbum fraco que tenha uma música boa? Comente.

  • Análise: CD Eclipse – Brother Simion

    Após dois álbuns despretensiosos e medianos pela MK Music, Brother Simion retornou com a força pela qual ficou conhecido. Eclipse é o seu décimo quarto álbum, considerando o período em que foi vocalista e líder conceitual do Katsbarnea. O CD foi lançado no final de 2004, após oito meses de produção, e distribuído de forma independente.

    Enquanto Redenção e A Volta de Johnny remetem a sonoridades mais cruas, Eclipse é um registro do controverso new metal, abusando de sintetizadores, distorções e efeitos eletrônicos. E, mais controversas ainda são algumas letras, como a profética “Semi-deus“, que é dedicada a todos aqueles que transformaram igrejas, o corpo de Cristo em empresas, e se acham proprietários daquilo que a Deus somente pertence, conforme descrito no “Prelúdio“. Apesar de questionador, o registro não é nada altivo, e une-se a “10 Real“, que de forma mais aprofundada aborda um tema já comum na discografia do cantor: as drogas. Em seguida, somos presenteados com “Despertar dos Loucos“, que cai muito bem como uma continuação da anterior, com a vida de Deus abundando nos corações mais obscuros.

    As canções em inglês também agradam, principalmente “All Right“, que brinca com registros vocais. Por outro lado, “Hotel Paradiso” tinha tudo para ser uma das melhores, mas perde-se no arranjo, que se contrapõe a pegada espontânea da letra. Me arrisco a dizer que a versão acústica no álbum Testemunho é bem melhor. “Ei, Amigo” apresenta, além de temas novos e contextualizados o clássico acordeom, que não foi ofuscado em obras anteriores e também aparece em “Onde Deus me Levar“.

    O desenrolar do álbum é muito bom, a exceção das faixas finais. Eclipse poderia terminar muito bem em “Noite de Johnny“, pois “Perdoar” e a faixa-título dão um ar vago a um projeto tão coeso. Muitas são as críticas a performance vocal de Simion, porém apenas cantar bem é algo muito limitado para um intérprete de rock quase completo, que assina todas as letras, músicas, alguns instrumentos e as vezes até a própria produção musical como Brother faz em seu álbum (e diga-se de passagem, com muita modéstia), na preocupação de soar moderno, ao mesmo tempo clássico e não meramente uma cópia de si.

    A capa do disco traz uma foto de seu filho Dylan com um óculos 3D, fazendo alusão ao título da obra, que certamente não podia ser outro. A realidade do verdadeiro evangelho de Cristo transcende e ofusca a limitação física e visual deste mundo, independente do observador e sua visão de mundo. É, sem dúvida o melhor álbum de metal de 2004 no meio cristão.

  • Rocklogia – Mídia física ou digital: qual a melhor?

    Com o advento da internet e da popularização dos múltiplos formatos e compreensões de áudios, o mercado dos formatos físicos sente um enfraquecimento enorme. Durante a história, vários deles se tornaram obsoletos com a chegada de outros. Os mais populares, em áudio foram o Long play (LP), o Compact disc (CD) e a fita cassete. Vamos refletir os pontos positivos e negativos de alguns destes formatos neste artigo.

    Disco de vinil, o “bolachão” 

    O disco de vinil foi um dos mais populares dentre as mídias físicas, principalmente tomando por consideração o mercado da música. Foi usado como substituição para os discos de goma-laca, que eram bem mais frágeis e, portanto mais difíceis para consumo do usuário final. Durante várias décadas, o uso do vinil foi intenso. “Cultuado” pelos amantes da música, todo o processo de retirar a embalagem, por a agulha e os ruídos causados eram levados com a devida atenção como um ritual. Também pelo fato das artes gráficas serem grandes, os projetos gráficos de muitas obras eram elaboradas e se tornaram marca registrada de muitos artistas e bandas. Como parte da Rocklogia, tomo o exemplo do clássico dos Beatles, “Sgt. Peppers’s Lonely Hearts Club Band”, contendo uma das capas mais criativas não só do rock, como de toda a história da música.

    capa_queenCompact disc 

    Apesar do CD como conhecemos ter sido comercializado no fim da década de 80, sua popularidade se deu no início da década seguinte, e a proposta de seus criadores era eliminar de vez o problema dos ruídos do LP, tornando-o obsoleto. Com sua chegada e popularidade, por pouco os Long plays quase foram extintos. Por outro lado, muitos acreditam que o áudio do CD é inferior aos do LP em frequências mais graves, e principalmente em relação às artes gráficas, agora diminuídas. Também, o uso do compact disc potencializou a pirataria, já que com o advento da informática e a existência do “CD virgem”, qualquer pessoa pode gravar um CD para qualquer inserção de conteúdo e fim. “The Miracle”, do Queen é um dos discos de rock lançados no final da década de 80 no formato CD, além dos comuns LP e cassete.

    Fita cassete 

    Diferentemente dos demais, a fita cassete possui outros fins mais comumente usados no início de sua popularização, como a gravação caseira de áudio. Com a popularização do walkman, produzido pela Sony o uso desta mídia física caiu no gosto do povo, que também utilizavam para gravação de músicas executadas em rádio. Como a pirataria de LP era praticamente inviável, os cassetes se tornaram a alternativa. As vendas de discos em cassetes passaram a competir com as de LP, causando a impressão de que um dia a fita cassete tomaria o lugar do LP no mercado, mas inesperadamente o CD tirou ambos de cena.

    Música digital 

    Indicado como provável sucessor do CD, o download digital, principalmente no estrangeiro tem tido certo êxito e espaço no mercado. Aqui no Brasil, e particularmente no mercado gospel ainda não se mostra tão promissor. As críticas, por outro lado vem dos amantes de LP e também dos de CD. A começar pela compreensão de áudio, que remove um pouco da qualidade, tal qual passa despercebido por muitos ouvintes pelas distintas frequências nas quais nossos ouvidos atentam. Nem os projetos gráficos em PDF escapam, afinal, uma versão impressa agrada mais o público exigente. Por outro lado, a música digital cumpre muito bem a proposta de ser portátil. Uma pergunta fica no ar: é certo de que os tempos mudaram e o público também mudou. Será que o próprio mercado causou este colapso frente às novas tecnologias?

    Em sua opinião, qual é o melhor dos formatos e quais normalmente utiliza? Comente, exponha sua visão.

  • Marcos Almeida estará fora do Palavrantiga em breve

    A banda de rock alternativo Palavrantiga publicou em sua página oficial no Facebook que Marcos Almeida, vocalista e guitarrista do quarteto se retirará das atividades da banda após o fim da turnê do álbum Sobre o Mesmo Chão.

    O grupo adianta que, os demais integrantes continuarão em atividade e possuem novos projetos a trabalhar a partir do segundo semestre ou não. Não foi esclarecido se Marcos começará carreira solo, ou suas atividades futuras.

    Desde o início do Palavrantiga, Marcos Almeida foi o vocalista, principal compositor e líder conceitual do grupo. Sua filosofia, simpatizante do “novo movimento” (iniciado pelas bandas Aeroilis e Tanlan) vieram, principalmente de Marcos. A banda lançou dois trabalhos de estúdio e um EP, desde 2008.

    Abaixo, o comunicado na íntegra:

    “A banda Palavrantiga está se preparando para mudanças importantes.

    Nosso vocalista Marcos Almeida se dedicará a um tempo sabático. A partir de Julho de 2014 suas atividades com a banda estarão suspensas. A banda Palavrantiga continuará ativa com os outros integrantes – Lucas Fonseca, Felipe Vieira e Josias Alexandre – e a partir do segundo semestre investirá em novos projetos.

    Mas, antes disso, até o final de Junho, você pode levar a turnê Sobre o Mesmo Chão à sua cidade! Vamos celebrar juntos a nossa formação inicial e nos preparar para as novidades da banda Palavrantiga!”

     

  • Rebanhão se reunirá para gravação de DVD

    A banda Rebanhão, uma das primeiras bandas cristãs de rock e pop do Brasil pode se reunir para uma gravação especial, em cidade a ser escolhida através de uma enquete para o público.

    Pedro Braconnot, tecladista, vocalista, co-fundador e líder do grupo divulgou a enquete em sua página no Facebook, e Carlinhos Felix deu apoio no Twitter, afirmando que participará da gravação. Carlinhos foi guitarrista e vocalista durante muito tempo na banda, até decidir seguir carreira solo.

    Impulsionando o projeto, Pedro divulgou o novo Twitter oficial da banda, e convidando a todos os fãs para curtirem a página e participarem da votação. Até o presente momento, a capital do Rio de Janeiro e a cidade de Brasília são as mais cotadas para receberem o show do grupo carioca.

    Os demais integrantes da formação clássica, Paulo Marotta (baixo) e Fernando Augusto (bateria) também participarão. Paulo Marotta, um dos primeiros integrantes do grupo atualmente mora no interior do Pará, onde trabalha como engenheiro na Vale.

    Neste ano, Carlinhos Felix lançou o single inédito “Não Posso me Calar” pela Sony Music, e Pedro Braconnot três canções inéditas. O Rebanhão encerrou as atividades em 2000, com vinte anos de carreira ininterrupta.

  • TOP 10 – Músicas sobre angústia

    A angústia ainda é um assunto de tabu no meio cristão. No extremo, em assuntos como a depressão, mais ainda. Muitos acreditam que, um cristão dificilmente passa por momentos de tristeza e desânimo, enquanto outros afirmam que este está passível a passar por isso igualmente ao incrédulo.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo atualmente, e em 2030 será a doença mais comum existente. No Brasil, cerca de 18% da população sofre. Apesar de que a angústia não seja propriamente depressão, esta é uma das características mais notáveis da patologia.

    Independente das opiniões e dos fatos, Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz, no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Jo 16.33

    Apresentamos, então, dez canções a respeito de angústia.

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    Por que Te Abates (Salmo 42) – Trazendo a Arca

    Do álbum temático Salmos e Cânticos Espirituais, lançado em 2009, o Trazendo a Arca apresenta uma de suas canções mais intimistas – baseada no Salmo 42, em que o salmista dialoga com sua alma, perguntando-a o motivo de sua angústia. A salvação de Deus é o alívio, a base na qual o autor se baseia. No instrumental, destaque para o arranjo de cordas, por Wagner Derek.

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    Um Lugar para Descansar – Livres para Adorar

    Poucos álbuns cristãos nacionais possuem uma textura tão melancólica, e ao mesmo tempo de tão grande esperança quanto Mais um dia, do Livres para Adorar. O projeto, conceitual teve início após o suicídio de um amigo de Juliano Son, no qual estava distante por um tempo.

    Por vários momentos, basta apenas uma mensagem de luz no final do túnel para que uma decisão, apesar de pessoal, mas drástica seja evitada. Será que Deus se esqueceu de nós? Será que, meramente respirar seja tão complexo? O discurso de Juliano, aliado as cordas no arranjo são o destaque desta música.

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    A Ilha – Voz da Verdade

    O silêncio, na maioria das vezes é a única companhia de alguém solitário. Quando todas as luzes se queimam, quando as vozes se calam. Não existem palavras, tampouco anseios futuros. No corpo, apenas a vontade de fazer algo que acabe com todo o tormento. O suicídio é a única solução encontrada por muitos. Mas, o Voz da Verdade apresenta em “A Ilha”, além de todo este sentimento introspectivo a resposta de alguém divino que possui um controle acima do humano.

    Esta canção foi gravada originalmente no ano de 1990, no álbum Um Grito de Liberdade. Foi regravada no DVD 30 anos, gravado e lançado em 2008.

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    Marcas – Fernanda Brum

    No registro de nossa pequena vida, várias situações e momentos sucedem-se. Alguns de imenso prazer, outros nos quais esquecer é o melhor. Porém, muitas das vezes não se vão, e ao invés de ficarem enterrados, de volta e meias aparecem, seja para acusar, ou lembrar-nos que não somos tão blindados o quanto pensamos. Indiferença a isso é o amor de Deus, que conforta-nos no íntimo de nossas marcas e lembranças, com sua paz singular.

    A canção, de Fernanda Brum, é registrada no álbum Quebrantado Coração, de 2002.

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    A Deus – Oficina G3

    É sempre mais fácil desistir do que enfrentar as dificuldades da vida. Ainda mais para quem não possui nenhuma garantia de vitória e superação. Dar adeus ao mundo e entregar a Deus sua alma… com este trocadilho criativo, a Oficina G3 produziu uma das mais brilhantes baladas de sua carreira, presente no álbum Elektracustika, lançado em 2007, característico pela fusão do acústico e o elétrico em todo o projeto, baseado no rock progressivo.

    “Não é tempo de dizer adeus, a Deus pertence todo o tempo, sempre que quiser dizer adeus, a Deus entregue todo o seu sofrimento”.

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    5:50 AM – Resgate

    O grande clássico do Resgate, também, demonstra, com uma simplicidade ímpar no meio cristão o clima de monotonia e cansaço de grande parte das pessoas. Os dias iguais, ações semelhantes e mecânicas. Sentido não há, apenas sobrevivendo com enorme dificuldade e peso.

    Entretanto, as misericórdias de Deus se renovam diariamente, e um novo dia, com Ele é possível. Sendo dez para as seis ou não, sempre é hora de buscar Sua face e encontrar a paz que este mundo não dá.

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    Acalma o meu Coração – Anderson Freire

    De seu mais recente projeto Raridade, Anderson Freire sabe unir o poético com um lado pentecostal. O mesmo é observado em Acalma o Meu Coração. Como num turbilhão de sensações, existem momentos em que somos barcos, perdidos em meio do nada. Abaixo, o naufrágio, e no horizonte nenhum sinal de encontro. Será que a maré vai derrubar? Será que vamos nos afogar? Como perder a agonia?

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    Não quero mais Acordar Assim – Fruto Sagrado

    Para todos, sempre existe aquele dia em que não poderia ter existido. Um imenso peso, cansaço, clara demonstração de agonia presa a uma falsa tranquilidade. Em que, olhando-se ao espelho, nada se vê além de uma capa que reveste um ser fracassado.

    É neste fracasso, no qual todos estão mergulhados que Deus se manifesta levantando, nos tornando alguém, tirando-nos da condição de meras criaturas caídas para seus filhos. Pessoas não satisfazem, bens materiais também não, mas somente a Sua voz tira toda a escuridão do nosso céu interior.

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    Esperança – Diante do Trono

    O medo é um dos sentimentos humanos mais complexos. Por conta deste evitamos o perigo. As vezes o odiamos por perdermos grandes momentos por tais receios, em outros o abraçamos como um troféu. Desfalece, perdemos a força. Pelo medo, evidenciamos as marcas e más lembranças da vida.

    Quando nos sentimos protegidos, todos os nossos monstros internos se desintegram. Nosso Deus, o nosso pai é este que ampara, protege, nos livra e esconde das preocupações que criamos ou vivenciamos, dando força para também enfrentar, em necessidade.

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    Quem Chora pra Deus – Elaine de Jesus

    Escrita por Daniel e Samuel, a letra aborda o ponto principal de nossa reflexão. Pessoas de qualquer credo ou falta dele passam por momentos de angústia. Entretanto, apenas aquele que verdadeiramente conhece a Deus sabe onde encontrar abrigo no dia mau.

    O sentimento humano é as vezes inexplicável para o próprio indivíduo, mas Deus, como nosso “programador” conhece até nossos lados mais complexos e sombrios. E é através dEle que somos levantados da melhor forma possível e na que convém ocorrer.

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  • Análise: CD Respire Fundo – Ao Cubo

    Durante o ano de 2014, aqui, no O Propagador decidimos relembrar alguns bons discos que fazem aniversário. A começar, Respire Fundo do grupo de rap Ao Cubo, lançado em 2004 de forma independente.

    Se o êxito do “novo movimento” é tão sonhado para as bandas de rock, creio que os conjuntos de rap estão bem à frente. O Ao Cubo é um de seus melhores exemplos. A partir de seu álbum de estreia fez grande sucesso, e seu público muito diversificado, de várias classes sociais e credos. Embora com os anos a banda tenha se fechado dentro do gospel (e infelizmente também se esquecendo de suas críticas sociais), seu público no ‘secular’ era enorme.

    É interessante o desenvolvimento do álbum, que inicia orientando o ouvinte a parar diante do mundo frenético que vivemos para que ele receba as mensagens complexas contidas nas próximas faixas. “Respire Fundo” é um cartão de visita do Ao Cubo, lembrando que na época a banda ainda era um trio (Dona Kelly só entraria após o lançamento). F-jay também possui participação fundamental, e cria as texturas nos quais os versos de Cleber e Feijão são ditos.

    O álbum mostra sua verdadeira identidade a partir de “Fora quem USA”, que critica a pouca ação na melhora do Brasil, mas também a supervalorização dos países desenvolvidos pelos mesmos que nada fazem. Os jogos vocais dos rappers envolvem o ouvinte, embora há alguns detalhes na letra que a deixam datada, como a referência ao programa Fome Zero, do primeiro governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva.

    Naquela Sala” é o maior sucesso do Ao Cubo, e foi através dela que o grupo recebeu várias indicações ao Prêmio Hutúz. Com seus traços poéticos com elementos do gangsta rap, também há a participação de David Pereira, e de Nega Elis no clássico refrão: “Sabe o quanto eu lutei / para fazer você feliz? / Eu te eduquei / não tinha dinheiro, mas te ensinei / a minha parte eu sei que fiz”.

    Por outro lado, “Edvaldo Silva” ganha o posto de melhor canção. A história de um morador de rua, em suas memórias trágicas da família, e mais tarde o convite para conhecer a Cristo. Geralmente, batidas de rap não geram um feeling muito evidente, e a função vai para as letras e a interpretação. Neste aspecto, a música não falha, exalando o clima de desilusão, e ao mesmo tempo de desespero. Também, destaque para o acordeom no final.

    Uma juventude hedonista e acomodada, ou uma juventude que age para o Reino de Deus? O tema é discutido em “Ira dos 20”, apontando para a corrupção dos jovens e a alienação existente em muitos. Mais uma vez, há detalhes datados, como a citação do Caso Richthofen, de 2002 e o filme Clube da Luta, de 1999.

    As próximas canções, “Se Renda” e “1980” são outros pontos altos do álbum. A primeira, de Feijão questiona detalhadamente a declaração “se arrependimento matasse…”, versando o quão é importante se arrepender a luz da Bíblia. Por outro lado, Cleber assina a segunda, que na verdade é o seu próprio testemunho de vida. É um dos maiores sucessos do grupo.

    Plano de Aborto” foi a primeira música da banda, e mesmo sendo um tema tão polêmico, são poucas as canções cristãs que abordam o tema. Como ‘homicídio planejado’, o Ao Cubo tece suas críticas, enquanto F-jay apresenta uma sonoridade sombria. Após, um instrumental com scratchs e batidas do DJ com o rapper Cleber.

    Incline os Seus Ouvidos” traz a participação de Pregador Luo, e mostra a versatilidade do grupo com as temáticas e rimas. “Novo Dia”, com Templo Soul fecha o álbum de forma bem modesta, mas com uma pegada soul interessante.

    O que dizer de Respire Fundo? É um álbum com tantas abordagens, mas devidamente organizadas que não foi possível fazer uma resenha que não fosse faixa-a-faixa. Possui elementos que todo bom álbum de rap deve ter, como a coesão entre as músicas, um bom DJ e bons rappers. É por essas e outras que este é um dos clássicos do rap cristão nacional e dificilmente o Ao Cubo o superará.

  • Rocklogia: A verdade sobre o cristianismo e sua posição em relação ao rock

    Não poderia começar este artigo citando o, nada além de hilário livro “La cara oculta del rock” (em português: A Face Oculta do Rock), publicado em 1986 por Fernando Salazar Bañol, um gnóstico, ex-músico de rock que tirou conclusões, no mínimo absurdas em sua obra. Além dessas conclusões, observamos vários trechos mentirosos, aos quais evidentemente percebe-se com vários materiais encontrados na internet sobre trechos de música. É claro, em plena década de 80, sem internet, é difícil pensar que muitas pessoas desacreditariam em um profissional, mesmo fazendo afirmações tão fortes.

    Talvez você se pergunte o porquê citei o livro de um gnóstico. Acontece que, esta obra tornou-se um clássico na Alemanha por ser de um foco até então inédito. E, mais tarde, no Brasil, foi utilizado por vários cristãos na disseminação do ‘conteúdo satânico’ no qual o rock estava inserido. A alienação foi repassada com fervor, embora aqui no país as resistências ao gênero aos poucos estava diminuindo. Outro fato é de que, esta obra contém todos os tipos de preconceitos carregados por alguns cristãos. Lembrando que, o cristianismo não possui nenhuma posição ao rock. Na Bíblia não existe citação alguma a respeito de ‘gêneros musicais violentos’, muito menos algo semelhante. A questão é meramente sociológica e doutrinária.

    Neste livro, a principal crítica é uma dos assuntos ‘preferidos’ de grande parte dos religiosos: mensagem subliminar. Segundo o autor, a maioria das bandas de rock de grande sucesso utilizam mensagens satânicas decodificadas numa execução inversa das canções. Como a mensagem é subliminar se o cérebro, por sua vez não ouvirá naturalmente uma música de trás pra frente? Basta conhecer o básico de algumas bandas e artistas citados, e percebe-se que há várias lendas e mentiras afirmadas como verdade absoluta, como a música “Congratulation” do Pink Floyd, em que tocada de trás pra frente possui uma mensagem satânica. Entretanto, o Floyd não possui nenhuma música com este título. O que se sabe é que, no álbum The Wall, lançado em 1979, na música “Empty Spaces” há uma mensagem inversa, que ouvida de trás pra frente parabeniza ao ouvinte que a percebe. Inclusive, o primeiro no mundo a perceber foi um radialista. Mais absurdos: a história de que o nome artístico de Alice Cooper, na verdade é de uma bruxa de vários séculos atrás, e que o músico faz rituais satânicos no palco é outro disparate. Basta rondar a biografia do artista, e percebe-se que Alice Cooper era o nome de sua antiga banda, e que Vincent é cristão, entretanto não deseja ligar sua fé ao trabalho musical. Passaria de três páginas facilmente exemplificando outras afirmações grotescas contidas nesta obra, distribuída até os dias de hoje.

    A respeito deste mesmo preconceito, lembremos que várias instituições religiosas não aceitam ao rock por sua musicalidade “irreverente” em comparação a outros gêneros, e isso não é problema algum. Ele só consiste quando, categoricamente um indivíduo ou instituição coloca a visão de Deus em igualdade com a sua, dizendo que Ele só se agrada de certos gêneros. Outra argumentação é de que o estilo de vida de vários astros do rock demonstra claramente o seu lado ofensivo. Entretanto, sabemos, com múltiplos exemplos que o gênero não possui a menor culpa disso. Basta observar a grande quantidade, mais uma vez tomando o Brasil como exemplo nos artistas da chamada MPB, em décadas anteriores. E o que dizer dos grandes gênios da música clássica? Até os ‘adoradores’ do gospel nacional são flagrados em polêmicas enormes, como casamentos e divórcios, adultérios, uso de bebidas/drogas, homossexualidade, ganância, depressão (e quem acompanha sabe muito bem de quais pessoas me refiro). Não adianta fugir: o ser humano sempre quer colocar um culpado em seus próprios erros. Uma frase resume tudo: “Se o mundo ainda é mal o culpado está diante do espelho”, como já dizia o bom e velho Fruto Sagrado.

  • Rocklogia – A verdade sobre o preconceito ao “rock cristão”

    Antes de tudo, é importante salientar que, eu particularmente considero muito hilária e ridícula a expressão de opinião sem estudo, e principalmente experiência. Em um contexto virtual em que as pessoas são vitrines, prontas para exibirem máscaras de pseudoconhecimento, a situação torna-se mais notável. Cito porque, o que vejo de ateus fazendo críticas à religião e a espiritualidade (lembrando que são duas coisas distintas) sem uma gota qualquer de raciocínio e de conhecimentos práticos, além de religiosos, principalmente cristãos que citam opiniões ferrenhas a respeito do rock sem ao menos terem lido sequer a história do gênero musical é uma situação quase generalizada. Isso para não dizer no mundo real, em que estas características são ainda mais gritantes.

    A respeito desta divisão entre rock versus religião, tenho uma imagem que, embora não caracterize a situação com clara exatidão é de: existem dois lados estáveis e um pequeno espaço de intersecção altamente instável. De um dos lados estáveis, está o rock sem ligações religiosas, e consequentemente grande parte de seus ouvintes. De outro lado, estão religiosos completamente fechados ao estilo musical, e religiosos que, ao menos toleram um “rock religioso” (abaixo vamos abordar a questão da religião como estilo). Na intersecção, estão pessoas não religiosas e uma quantidade de religiosos (no caso, em meu exemplo abordando o cristianismo) tolerantes, ou seja, que transitam pelos conteúdos dos dois lados. Entretanto, a quantidade de pessoas nesta última situação é extremamente menor em relação aos demais, além de que não são de forma alguma bem vistos por grande parte destes.

    Mas, o que seria o rock cristão? Basicamente, um rock como qualquer outro. A distinção por religião apenas esclarece que, obviamente existe uma separação muito forte entre a religião e as demais coisas. É culpa da religião? Talvez sim, porém o fato mais importante está é que, todo o tipo de diálogo que tenta desvirtuar este paradigma é fortemente desencorajado. A separação pelo rótulo limita o alcance da arte, todavia não possui apenas efeitos negativos. O rótulo também serve para criar e guiar os nichos, embora em muitas situações os rótulos separam conteúdos semelhantes. Tratando o cenário nacional, ao qual está mais próximo da nossa realidade, o que diferenciaria Renato Russo e Brother Simion em seus discursos, nas músicas “Monte Castelo” e “Amor” se, os músicos em suas respectivas letras tratam o mesmo tema a partir da mesma referência?

    Não compreendo o preconceito, ainda mais quando uma das críticas feitas é que o rock cristão é extremamente comercial, e por sua vez estaria traindo a ideologia do gênero. A afirmação é falsa por dois motivos: o primeiro, é que desde sua entrada no ambiente religioso a resistência tem sido enorme, até os dias de hoje. Que ser humano lúcido, com intenções comerciais tentaria introduzir um estilo musical discriminado ao qual dificilmente obteria lucro? Se fosse extremamente comercial, os integrantes do Êxodos (uma das primeiras bandas do segmento no mundo) não teriam sido expulsos de sua igreja, a Sinal Verde não teria encerrado as atividades por dificuldades financeiras, e por aí vão vários exemplos. Até hoje, em anos 2010, existem bandas com propostas contextualizadas que misturam crítica com espiritualidade e são extremamente martirizadas, dos dois lados da moeda. Vendas? Às vezes não chegam nem a cinco mil cópias e precisam de campanhas financeiras do próprio público, isto quando não lançam para download grátis. Proporcionalmente ocorre nos países internacionais, salvo que eles possuem uma abertura mais tolerante ao estilo. Duas vertentes no meio cristão que certamente vendem é o pentecostal (uma espécie de brega religioso) e o congregacional. O restante é campo duvidoso. O segundo motivo está em que o rock não nasceu com uma ideologia anticomercial. Durante a década de 50, o rock possuía um caráter mais dançante e romântico. Uma frase interessante que li em algum lugar diz que: “Não existe gênero musical mais pop do que o rock, pela sua extensa quantidade de subgêneros”.

    Em relação às origens do rock, um detalhe interessante é que o rock começou com várias influências, dentre jazz, blues, folk, country e gospel. O gospel, aqui não possui o mesmo significado do termo comercial que abrange toda a música evangélica produzida aqui no Brasil, mas possui sua origem diretamente ligada aos corais religiosos. Ou seja, o rock indiscutivelmente nasceu com um pouco de “sangue” religioso.

    Na década de 70, o movimento punk ganhou força contrapondo o rock progressivo, por conta da influência pop existente na época. O punk, mesmo surgindo com uma proposta anticapitalista, tornou-se extremamente lucrativo. Em outra época, agora mais recente a linha tênue entre a forte resistência ao indie e sua popularidade. A história do rock é cheia de nuances, controvérsias, e o mais interessante: um estilo musical abraçado por muitos que desejam o fim das barreiras do preconceito o exalta em suas atitudes. Vale salientar que isto não é culpa do rock, mas do ser humano que ainda não aprendeu a lidar com sua bipolaridade.

    Não dá para entender a limitação dos trabalhos musicais. A arte é uma expressão de múltiplas experiências e percepções de alguém. O músico que apresenta um rock com letras cristãs está, simplesmente fazendo o mesmo que um músico comum faria: apresentar a sua visão de mundo em seu trabalho. E quem foi que disse que uma expressão artística é válida, e outra não é? É insano obrigar um músico adepto ao cristianismo a deixar de utilizar sua fé e ao mesmo tempo forçar um ateu a não ver defeitos na religião. E proselitismo, palavra amada pelos pseudointelectuais de hoje não tem nada a ver com o que o rock cristão é.

    Sobre o Black metal e demais vertentes que já nasceram com uma ideologia antirreligiosa, é um assunto bem mais profundo, e com outras considerações, as quais provavelmente serão tratadas em outro artigo.

    Na próxima semana, apresentarei a continuação deste artigo abordando as argumentações que os religiosos apresentam ao respeito do rock.