Análise: CD Eclipse – Brother Simion

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Após dois álbuns despretensiosos e medianos pela MK Music, Brother Simion retornou com a força pela qual ficou conhecido. Eclipse é o seu décimo quarto álbum, considerando o período em que foi vocalista e líder conceitual do Katsbarnea. O CD foi lançado no final de 2004, após oito meses de produção, e distribuído de forma independente.

Enquanto Redenção e A Volta de Johnny remetem a sonoridades mais cruas, Eclipse é um registro do controverso new metal, abusando de sintetizadores, distorções e efeitos eletrônicos. E, mais controversas ainda são algumas letras, como a profética “Semi-deus“, que é dedicada a todos aqueles que transformaram igrejas, o corpo de Cristo em empresas, e se acham proprietários daquilo que a Deus somente pertence, conforme descrito no “Prelúdio“. Apesar de questionador, o registro não é nada altivo, e une-se a “10 Real“, que de forma mais aprofundada aborda um tema já comum na discografia do cantor: as drogas. Em seguida, somos presenteados com “Despertar dos Loucos“, que cai muito bem como uma continuação da anterior, com a vida de Deus abundando nos corações mais obscuros.

As canções em inglês também agradam, principalmente “All Right“, que brinca com registros vocais. Por outro lado, “Hotel Paradiso” tinha tudo para ser uma das melhores, mas perde-se no arranjo, que se contrapõe a pegada espontânea da letra. Me arrisco a dizer que a versão acústica no álbum Testemunho é bem melhor. “Ei, Amigo” apresenta, além de temas novos e contextualizados o clássico acordeom, que não foi ofuscado em obras anteriores e também aparece em “Onde Deus me Levar“.

O desenrolar do álbum é muito bom, a exceção das faixas finais. Eclipse poderia terminar muito bem em “Noite de Johnny“, pois “Perdoar” e a faixa-título dão um ar vago a um projeto tão coeso. Muitas são as críticas a performance vocal de Simion, porém apenas cantar bem é algo muito limitado para um intérprete de rock quase completo, que assina todas as letras, músicas, alguns instrumentos e as vezes até a própria produção musical como Brother faz em seu álbum (e diga-se de passagem, com muita modéstia), na preocupação de soar moderno, ao mesmo tempo clássico e não meramente uma cópia de si.

A capa do disco traz uma foto de seu filho Dylan com um óculos 3D, fazendo alusão ao título da obra, que certamente não podia ser outro. A realidade do verdadeiro evangelho de Cristo transcende e ofusca a limitação física e visual deste mundo, independente do observador e sua visão de mundo. É, sem dúvida o melhor álbum de metal de 2004 no meio cristão.

Comentários

5 respostas a “Análise: CD Eclipse – Brother Simion”

  1. […] Mas precisamos andar mais de uma milha, e seguirmos firmes amando nossos amigos. Lançada no álbum Eclipse, esta canção diz que “Andar as milhas, tem que se pagar o preço / Seja o que for, não é […]

  2. […] Music, e mais tarde, de forma independente distribuiu seu último trabalho de inéditas até hoje, Eclipse, com influências do new metal. Em 2007, com quase 20 anos de carreira lançou Gênesis for new […]

  3. […] Leia a resenha do álbum Eclipse aqui. […]

  4. […] pra mim seja bem inferior musicalmente ante os discos Brother, Esperança, Na Virada do Milênio e Eclipse, é inegável a importância desse disco. Foi um dos meus iniciadores no rock cristão, gastei um […]

  5. […] Brother Simion se cofirma nesse disco que é o músico mais incomum e inovador no meio cristão. Eclipse apresenta um novo experimento do cantor: new metal. “Semideus”, “10 Real” e […]

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