Autor: Tiago Abreu

  • Para refletir – Guerra interior

    Mundo caótico, individualista, no qual grande parte das pessoas são motivadas a vencer pisando nos outros. É neste ambiente que muitos assustadoramente gostam de viver. Talvez, por um sentimento de pertencimento, ou a falta de noção ampla do que vivemos. Se não pertencemos a este lugar, por que o amamos tanto?

    Existem muitas pessoas não cristãs que, pelo fato de não se encaixarem neste ambiente hostil perderam o sentido da vida. Além do externo, existe um imenso conflito interno que “desconserta” os indivíduos. É por conta disso que milhões de pessoas tem procurado ajuda psicológica na tentativa de se adaptarem a este espaço monstruoso no qual, de forma alguma podemos nos esquecer de que construímos.

    Para piorar, a cultura da autoajuda influenciou-nos a crer que nossas forças pessoais são o suficiente para vencer os problemas da vida. É, também por isso que existem tantas pessoas frustradas, lutando contra suas fraquezas, andando em círculos. E, quando não se vence, a primeira alternativa que resta é de engolir o imenso imbróglio e conformar-se, alegando que seu problema é algo normal, e que isto é parte de si ou que é algo passageiro.

    Será que, a maioria destas pessoas não se perguntaram o porquê de viver esta vida medíocre? Onde estão nossas bases e referências? Quando a vida perde o sentido, o primeiro pensamento no qual temos é de procuramos uma nova razão para seguir. Algo mais intenso e duradouro. E, de pouco a pouco vamos tendo novos momentos. Quando isso não acontece, a frustração acusa: “Você caiu outra vez.”

    Os que creem em um Deus que, além de criador é um pai sabem onde afogar os maus sentimentos. Não é um papai noel, ou um mero seguro de vida para o incerto lado obscuro da morte. É Alguém que sonda nossos corações e conhece os sentimentos como ninguém. É com Ele que vemos que não somos independentes.

    A paz que Jesus dá ninguém neste mundo dará. Ademais, a única coisa que este mundo é capaz de mudar são as ações, mas Deus vai mais fundo e trata os corações.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=wGmawJbgbdw]

  • Análise: CD Graça – Paulo César Baruk

    Paulo César Baruk, que chega a seu segundo projeto pela Sony Music e comemorando quase vinte anos de carreira aos poucos vai tomando passos mais ousados e soberbos em seus trabalhos. Se em Multiforme o destaque foi para a versatilidade musical, Graça vai mais longe e incorpora um conceito amplo e fundamental no cristianismo.

    2014 não é um bom ano de lançamentos no meio cristão nacional, e mesmo afirmando que o trabalho de Baruk é uma das exceções que temos, a sensação que se há hoje sobre as novas obras do mercado não são lá tão positivas. Graça talvez tenta desconstruir isso muito bem, sem criar uma sensação falsa de impacto, ou com aquele hit que gruda na mente. É um disco meticulosamente pensado, cuidado e suas surpresas não são tão óbvias.

    A graça de Deus proporciona-nos uma ciência de nossa condição e do amor de Cristo. Consequentemente somos levados a pensar sobre nossas motivações e os relacionamentos com as demais pessoas, que compartilham também esta mesma vida passageira. “Perdão”, provavelmente é uma das melhores canções do tema que ouvi no meio cristão e faz a ponte necessária para discorrer a respeito da amplitude na qual a graça alcança, embora o álbum fique bem mais interessante a partir de “Assim eu Sou”. E se a graça de Deus nos proporciona o dever de perdoar nossos semelhantes, temos em mente de que as pessoas que interagimos nesta Terra são “Nossa Riqueza”. De repente, o flerte com o pop ganha força na regravação de “Nele Você Pode Confiar”, sucesso do Rebanhão de 1987 escrito por um integrante da Comunidade S8. A versão ficou bastante distinta da original, num tom mais intimista, no final com uma participação de Lito Atalaia.

    O ponto alto do álbum está em “Ele Continua Sendo Bom”, um dueto com Marcela Taís. É uma balada que mostra o melhor que Baruk pode oferecer, com nuances instrumentais, uma letra fácil, porém profunda. Creio que este deveria ser o single do projeto. Mais tarde, “A Mídia” tem uma pegada bem Janires e conta como ponto positivo por se tratar de algo autoral. Em seguida, o outro interlúdio “Seven Days” ajuda o álbum a manter fôlego.

    As canções que fecham o álbum são excelentes, mas como se trata de um projeto com 19 faixas, é praticamente impossível não causar cansaço ao ouvinte. Talvez seja este o maior erro de Graça, ou seja, a dificuldade de sintetizar um tema tão amplo em poucas músicas. Por outro lado, a capa do disco é simples, direta, inteligente e foge do padrão comum, também não pecando em exageros.

    Em Graça, resta a certeza de que Baruk segue um caminho difícil, mas diferente do que a maioria dos músicos cristãos da cena estão fazendo. O que, entretanto soa como necessário é um poder maior de síntese.

  • Rocklogia – Sinal Verde

    Já tratamos a respeito desta banda no antigo Gospel Músikas (leia o Trazendo a memória), mas é sempre importante abordar alguns outros pontos. Como dito no segundo post desta série (leia As igrejas da década de 70), a Igreja Presbiteriana de Copacabana realizou uma atividade diretamente importante na música cristã nacional, principalmente no rock.

    A juventude desta igreja, mais tarde influenciada pelo culto Jovem, que já acontecia há anos decidiu montar uma banda, chamada Sinal Verde. O projeto, iniciado em 1979 era um tanto quanto complexo. Com vários instrumentistas e vocais, o grupo tinha um repertório definido, na autoria de Lucas Ribeiro, guitarrista da banda, Luciano Dewey, tecladista e irmão de Lucas e Carlinhos Felix, um dos baixistas. Entretanto, o recurso financeiro necessário para uma gravação não era muito, além de que, com o passar do tempo se tornaria difícil aliar família e trabalho com as atividades musicais, ainda mais para tantos membros.

    Foi no mesmo ano em que Janires chega à igreja em que a banda estava tendo seu início. O genial pai da música cristã tinha fortes intenções de fundar o Rebanhão com o apoio da igreja, porém ainda não tinha encontrado membros, e certamente não queria tirar ninguém do grupo já existente. Enquanto isso participava no louvor juntamente com a Sinal Verde.

    O restante da história já é conhecido: a gravação do compacto, a saída do Carlinhos para permanecer no Rebanhão (ele era integrante de ambos os grupos) e a desestruturação da Sinal Verde, levando ao seu fim em 1983.

    Tal compacto, lançado em 1981, foi um dos primeiros registros de rock cristão nacional (juntamente com as músicas da Comunidade S8), embora as duas músicas apresentadas na obra tenham forte influência da Tropicália. “Pra Você”, a carro chefe possui uma letra direta ao ouvinte, versando sobre solidão e frustração na vida moderna. Nos vocais de Lulu Milazzo, a sonoridade lembra bastante o estilo do Vencedores por Cristo. Moog no instrumental, e várias características de uma balada progressiva. “Assim diz o Senhor”, assim como a anterior de autoria de Lucas Ribeiro possui uma pegada mais acelerada, mas também com o uso de vários vocais, característica marcante do conjunto.

    Pena que o trabalho da Sinal Verde, com forte potencial não foi a frente. O compacto é pouco conhecido, porém ao menos é encontrado disponível na internet para audição e download, para a alegria dos mais saudosistas.

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  • TOP 10 – músicas gospel sobre perdão

    O perdão é uma das atitudes mais nobres que um ser humano pode tomar. Independente de religiões e crenças, o ato de perdoar carrega em si uma necessidade de se despojar da razão e da própria justiça.

    Com base neste tema, apresentamos aqui dez canções cristãs que abordam o perdão por diferentes óticas.

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    Quero Aprender com Jesus – Thalles

    É um tanto quanto estranho e triste ver discursos de ódio por pessoas que se dizem cristãos, quando Cristo foi um dos maiores, se não o maior exemplo de “perdoador”. O mais justo e um dos maiores intelectuais de seu tempo, não deixou sua natural superioridade reinar, humilhando-se para que obtivéssemos o perdão não merecido pelos pecados. Enquanto sofria na cruz, não evitou dar a outra face. Que possamos aprender com Cristo a perdoar em todas as situações. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=lzL_IO7xu_M]

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    Perdão – Luiz Arcanjo

    Luiz Arcanjo despojou-se de seu estilo marcante no Trazendo a Arca e apresentou algo novo em sua carreira, em seu CD solo. Letras poéticas e melodias que vão desde a MPB, samba até o jazz e o pop. “Perdão” é uma de suas mais belas poesias, que não garante descrições. Apenas ouvindo para conferir toda a beleza da canção. (2009)

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    Antes do Final – Palavrantiga

    A mágoa segura a muitos, e quando resolvem liberar perdão é tarde demais. Antes que isso aconteça, reconcilie-se, até mesmo peça perdão. “Antes do Final” é integrante do álbum Sobre o mesmo chão, da banda de rock alternativo Palavrantiga. (2012)

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    Perdão – Kleber Lucas

    Esta canção contém várias referências a passagens bíblicas proferidas por Cristo, desde a oração do Pai nosso, e versa o sentimento de coletividade que devemos ter uns com os outros, não esquecendo de que não somos filhos únicos. (1998)

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    Me Perdoa – Cassiane e Jairinho

    “Vida a dois não é tão fácil”. Uns dos versos de “Me perdoa”, a canção romântica do casal Cassiane e Jairinho aborda uma dificuldade de vários casais em controlarem seus sentimentos e palavras. Também no ambiente social, e em amizades, as pessoas ferem quem mais amam. E o perdão, nestes casos também é necessário. (2010)

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    Perdão – Paulo César Baruk

    Em seu álbum conceitual Graça, Paulo César Baruk evidencia que, assim como somos perdoados por Deus através de sua soberana graça, temos, no mínimo a obrigação de oferecer perdão a nossos semelhantes, o que, para nosso caráter humano soa tão difícil. (2014)

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    [tab title=”4º”]

    Aliança – Ministério Koinonya de Louvor

    O Koinonya é um dos maiores representantes do congregacional nos anos 90. “Aliança do Senhor” é uma de seus clássicos. Um de seus versos frisa o quão é importante a união entre os irmãos, vivendo a vida cristã compartilhando do amor de Deus, não nos padrões individualistas do século vigente. (1986)

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    [tab title=”3º”]

    A Força do Perdão – Sérgio Lopes

    Sérgio Lopes é um dos poetas mais conhecidos da música cristã nacional, e em “A Força do Perdão” aborda uma questão extremamente pertinente no que se refere a prática do perdão, que não se resume a um ato, mas numa mentalidade disposta a pensar diferente e abolir-se de suas razões. (2001)

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    Mil Desculpas – Ao Cubo

    E se seu filho, ou uma pessoa muito querida fosse assassinada de forma cruel? Você perdoaria o agressor, se ele te pedisse perdão? Esta situação é abordada em “Mil Desculpas”, um dos maiores sucessos do Ao Cubo. Por outro lado, pessoas matam todos os dias com palavras e expressões. Qual tem sido nossa posição em relação as mágoas? (2007)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Viverei Viverás – Nova Dimensão

    O primeiro lugar deste TOP10 vai para o Nova Dimensão, com seu clássico “Viverei Viverás”. Quando temos um encontro real com Cristo, temos nossa mentalidade transformada, tomando atitudes até então inéditas, como perdoar e andar lado a lado com as pessoas. (1988)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=_FpiI_d91Sk]

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    Lembra-se de mais alguma canção sobre perdão? Comente aí!

  • Rocklogia – Músicas “seculares” que edificam

    Interrompendo um pouco a linha do tempo da história do rock cristão no Brasil, quero fazer, ao menos uma vez a cada dois meses listas com cinco a dez canções que são músicas “seculares” que edificam (ou seja, músicas comuns que trazem alguma reflexão que de alguma forma lembre conceitos cristãos). Óbvio, que o objetivo da lista não é de levar ao ouvinte a ouvir irracionalmente tudo o que há por aí, mas de levar ao bom senso que existem conteúdos bons e ruins, e que devemos aprender a selecionar com base no que aprendemos e sabemos através de nossas convicções cristãs.

    O nosso dualismo, de sempre dividir o sagrado do profano, o cristão do secular traz certo problema: a fé interfere na amplitude do conhecimento. Atrapalha com que pessoas cristãs conheçam conteúdos sinceros e profundos, assim como pessoas que não compartilham da fé cristã perdem ao se deixarem levar apenas pelo rótulo.

    Como a arte é assimilada e interpretada conforme nossas experiências e vivências neste mundo, eu quero evitar buscar uma intenção original do compositor na escrita de cada canção e muito menos supor intenções cristãs na elaboração dos versos, mas apresentar uma visão particular do que tenho ao ouvir certas canções. Acredito que essa possibilidade seja uma característica belíssima da arte.

    Thiago Junio, da coluna Conectados no Amor, ajudou na escolha de algumas músicas citadas no texto, que também possui uma parte 2.

    “Word on a Wing” – David Bowie

    O camaleão do rock em sua carreira, sempre apresentou, além de versatilidade musical uma visão complexa e ampla do mundo em suas letras. Em meados de 1976, durante a produção do clássico álbum Station to Statio”, Bowie estava vivendo um dos momentos mais críticos de sua vida. Em um vício de drogas, o cantor, mesmo trabalhando fortemente no projeto chegou a um estado tão grande de colapso que não se lembra das sessões de gravação. As composições do disco refletem as sensações ruins de David nesta época, e durante as filmagens do filme The Man Who Fell To Earth, o qual foi protagonista compôs “Word on a Wing”, na qual o próprio artista confirma que se trata de um pedido de ajuda a Deus. “Havia dias de terror psicológico enquanto eu fazia o filme de Roeg que eu quase comecei a abordar meu renascimento, nascer de novo. Foi a primeira vez que eu pensei seriamente a respeito de Cristo e de Deus em sentido profundo, e ‘Word on a Wing’ foi uma proteção. A canção veio como uma completa revolta contra os elementos que eu fazia no filme. A paixão da música era genuína… algo que eu precisava criar dentro de mim mesmo para reagir contra as situações que eu sentia que estavam ocorrendo no set de filmagem”.

    Algo interessante que vejo na letra desta canção é a visão de Bowie que Deus, através da salvação trazida por Cristo nos oferece um novo horizonte fora de nossas ilusões (Nesta era de grandes ilusões você veio para minha vida fora dos meus sonhos).

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=JKMCzzSQWmk]

    “Under Pressure” – Queen e David Bowie

    Bowie foi citado acima, e participou com o Queen na elaboração da canção “Under Pressure”, que foi lançada como parte do álbum Hot Space da banda inglesa. O Queen não é uma das bandas mais demonizadas pelos religiosos de plantão, mas nunca foi muito bem vista por conta do comportamento excêntrico de seu lendário e talentoso vocalista, Freddie Mercury. A canção em si surgiu a partir de um riff de baixo de John Deacon (meu integrante preferido da banda) e a maior parte da letra vem de Bowie. A letra, interpreto como um discurso direto de que infelizmente temos trocado a dificuldade de viver o amor plenamente para que, em nossa preguiça acostumemo-nos a viver sob a pressão do mundo moderno, e o pior, trazendo em proporções exponenciais o mesmo as outras pessoas.

    No B-side do single, temos a canção “Soul Brother”, na qual, escrita e cantada apenas pelo quarteto que caracteriza o Queen e em seus versos remetem a outras músicas da banda. Num estilo de coro gospel, ela está se referindo a Cristo?

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    “Hey You” – Pink Floyd

    Roger Waters, apesar de odiado por uma parcela dos fãs do Pink Floyd por ter desestruturado a banda é o seu grande compositor. Me arriscaria dizer que ele está dentre os cinco melhores compositores da história do rock, no terceiro, ou no quarto lugar. “Hey You” faz parte de The Wall, uma ópera rock que aborda vários temas, sendo um deles especificamente o isolamento. Considerando nossa contemporaneidade, na qual a solidão tem sido a principal companhia de muitos, a canção encaixa-se perfeitamente em nosso contexto. Mas não é fácil ajudar alguém a sair desta situação, e ao contrário do que reflexões superficiais podem trazer, pessoas ao lado não indicam necessariamente companhia. Precisamos de pessoas ao nosso lado, mas que não nos juntamos por interesses e causas comuns. Assim, continuaremos em frente ao mesmo muro pessoal.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=TFjmvfRvjTc]

    “After Forever” – Black Sabbath

    O principal letrista do Black Sabbath é seu baixista Geezer Butler que, apesar de suas poucas certezas acerca da fé veio de uma família e influências cristãs. Na década de 70, o Black Sabbath em formação clássica alcançava alto sucesso, principalmente por conta do álbum Paranoid. A medida que o som da banda foi ficando mais experimental, o grupo foi mostrando seu ecletismo. No álbum Master of Reality, Geezer escreve “After Forever”, que praticamente é uma resposta indireta as acusações sem sentido de que o Black Sabbath era uma banda satânica. O conteúdo da letra, que se refere à questões cristãs, é sem dúvida mais coerente biblicamente que muitas coisas intituladamente “gospel” que temos por aí…

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=X9ldb4r7vP0]

    “Ouro de Tolo” – Raul Seixas

    Trazer Raul numa dessas listas não é algo fácil, porque além dos vários olhares pejorativos que sua obra ficou presa para alguns, suas canções são complexas e, no geral sempre fugiram do patamar comum. Um de seus primeiros sucessos, “Ouro de Tolo” é uma crítica direta ao “milagre econômico” vivenciado no início da década de 70, durante os difíceis anos de ditadura militar. Apesar disso, sua letra continua muito atual. O consumismo desenfreado humano, que cada vez mais dá mais valor as coisas do que pessoas leva a um pensar utópico e fútil de se levar a vida. E o que isso tem a ver com cristianismo? Tudo. As palavras e ações de Cristo refletiam uma preocupação acima de tudo com as pessoas. Quais são os nossos valores e de nossas vidas?

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2kRMdzfFf8M]

    “O Vencedor” – Los Hermanos

    Amada e odiada por muitos, a banda Los Hermanos foi uma importante representante do rock brasileiro nos últimos anos. “O Vencedor” é um de seus hits pós-Ana Júlia, e reflete, nos versos de Marcelo Camelo a busca desenfreada em ser um vencedor, acrescida muitas vezes pela competição. O eu lírico, ao invés de, irracionalmente correr atrás exclusivamente por conquistas positivas, afirma que chorar é uma glória, e quem tenta o caminho comum não terá todas as experiências de quem decide experimentar também os lados frustrantes da existência humana. Devagar, sem pressão (lembrei-me de “Under Pressure”) damos amor e valorizamos mais as pessoas do que as coisas.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2b4mkBM2A-k]

    “O Amor existe, mas não querem que você acredite” – Selvagens à Procura de Lei

    Está aí uma banda que tem atraído a atenção do público e da mídia especializada e que daqui a uns anos pode-se tornar um dos grandes nomes do rock nacional nesta década. De Fortaleza, Ceará, os Selvagens à Procura de Lei lançaram “O Amor existe, mas não querem que você acredite”, no segundo álbum do grupo, em 2013. Quando ouço esta música, fico pensando principalmente nos perigos escondidos no mercado do trabalho e nas relações sociais atuais, como a competição, a falsa demonstração de afeto e a interação com outras pessoas na busca de benefícios (como o tão famoso e divulgado networking). Em nosso mundo ocidental, parece que fomos rendidos pelo individualismo. Quem gosta da música de John Lennon deve perceber alguma influência sonora nesta canção.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=E0l3r8QEhr4]

  • Para refletir – Somos um nada e temos medo do nada

    Dentre tantas coisas na Bíblia, as vezes nos perdemos em pequenas questões. Certas vertentes teológicas centram-se no sofrimento humano, outras nas bênçãos materiais e espirituais, outras em questões da antiga aliança, em costumes e tradições. Mas a atemporalidade de Eclesiastes está sempre lá. Acontece que, enquanto houver sociedade humana, haverá tempo, enquanto tiver tempo haverá vaidade.

    Nascemos nus, desprotegidos, ignorantes, sem a menor consciência de onde viemos e o que será de nós a partir de então. A medida do crescimento, agregamos noções, ideias, conhecimentos. Vemos que a vida não é tão cor-de-rosa o quanto talvez pensávamos. Num conflito de ideias, filosofias de vida, vamos andando sob a corda bamba. Na busca de sentido, encontramos um Evangelho, as palavras de um homem, que se dizia filho de Deus há mais de dois mil anos atrás. Este homem morreu por nós, e cita a Bíblia que ressuscitou. Acreditamos e vivemos isso.

    Mas, a realidade é que, hoje, e talvez desde sempre a maior parte das pessoas vivessem como se não houvesse nada após tudo isso, como se não cressem verdadeiramente no que afirmam. O medo do nada? Afinal, que parte do conhecimento palpável poderia nos provar de que realmente existe um Deus, um ser superior operando este enorme sistema no qual somos nada? Somos insignificantes no meio de um universo tão complexo.

    Trabalhamos, comemos, relutamos contra e a favor de tantas coisas, para que depois de vários anos morramos num leito de hospital após o desenvolvimento de um câncer devastador. Ajuntamos riquezas com tanto suor que mais tarde serão esbanjadas de forma irresponsável por nossos filhos, ou até mesmo retidas em benefício de alguém que sequer conheceremos. Somos engraçados: estamos no nada, somos um nada e trazemos outros para um nada na busca de que esse nada não tenha menos sentido do que já tem.

    Ter talvez é uma forma de sentirmos que nossa passagem pela Terra não seja tão aparentemente inútil e que teimosamente, se esforçamos um pouco, deixaremos uma marca nossa aqui, já que, pelo menos os que creem em Cristo acreditam que não são daqui. Mas, de que adianta? Buscar o máximo de conhecimento não me fará superior ao ignorante que morre de fome num país subdesenvolvido. Chamados, nada levaremos. Poderia eu ter sobre o meu corpo contatos físicos com várias pessoas. Mas, se revelaria outra vaidade.

    Poderia, até mesmo fazer de Deus como um salva-vidas, um paraquedas, um balão de oxigênio, um seguro de vida, mas meu egoísmo revelaria novamente o nível de vaidade que isso alcançaria. Será que tudo o que estamos vivenciando não é apenas uma demonstração de nossa fragilidade, impotência, decadência, incapacidade de escolha e a soberania do Criador para que cresçamos e desenvolvemos em humildade e renúncia a tudo que, vindo de nós atribuímos como grande e importante?

    A vida é uma escada rolante que não volta, não pede nossa opinião. E por mais que queiramos alongar ou diminuir nossos prazos, há tempo para tudo. Nascer, morrer, alegrar, entristecer. Devemos ter, em nossos corações um real entendimento disso.

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  • TOP 10 – melhores álbuns do Rebanhão

    O Propagador apresenta aos leitores o TOP 10 discografias, em que, de certo tempo apresentaremos listas detalhadas sobre a obra de um certo artista ou banda.

    Este é o ano do Rebanhão. Há 35 anos, Janires fundava a banda juntamente com Pedro Braconnot, Paulo Marotta, Kandell, Carlinhos Felix e Zé Alberto. Agora, em 2014 a banda, com sua formação clássica (Pedro, Carlinhos, Paulo) e Pablo Chies gravará um DVD antológico que representará as obras lançadas durante os 20 anos em que esteve ativo.

    A banda passou por evidentes quatro fases: a primeira durou de 1979 a 1985, na qual Janires foi o principal destaque como frontman. Nesta época, o som da banda teve forte influência do rock progressivo unido a movimentos musicais brasileiros, como o tropicalismo. Após a saída de Janires, até cerca de 1992, foi a fase conhecida como a da formação clássica, em que Pedro Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix unidos ao baterista Fernando Augusto consistiram na fase mais popular do grupo, mantendo as influências iniciais, porém com um som mais voltado ao pop. Com a saída de Fernando em 1990, Carlinhos em 1991 e Paulo em 1992, o Rebanhão entrou na terceira fase, que durou de 1992 a 1997, com Pedro sendo principal vocalista e compositor, trabalhando com Pablo Chies, Rogério dy Castro e Wagner Carvalho. Nos últimos anos da banda, o Rebanhão seguiu com outros integrantes.

    Nós do O Propagador, considerando os dez álbuns lançados pela banda, resolvemos elencar os de maior destaque do grupo carioca que marcou a história da música cristã brasileira.


    Vamos Viver o Amor10º: Vamos Viver o Amor (1999)

    Pode-se dizer que Vamos Viver o Amor é o único projeto da banda que não convenceu, e é desconsiderado por alguns como parte real da banda. Com sua segunda formação encerrada, Pedro Braconnot nos apresenta novos integrantes. O álbum não é um dos mais brilhantes de sua discografia, mas possui alguns pontos interessantes, como a textura de “Unção”, a pegada pop de “Mais que um Amigo” e a própria canção-título.

    Ouça: Vamos Viver o Amor Josué


    Capa9º: Por Cima dos Montes (1996)

    Um registro mais denso e homogêneo, Por Cima dos Montes apresenta o ápice da criatividade de Braconnot nos sintetizadores – que também é o intérprete de todas as faixas. O trio formado por Chies, Castro e Carvalho também se destacam em canções como “Eu Voltarei” (que lembra “Mother Love”, do Queen). Além das inéditas, como “Sempre Estar Contigo”, “Ligado na Videira”, algumas regravações merecem destaque, principalmente “Flor do Campo”.

    Ouça: Eu Voltarei, Ligado na Videira e Por Cima dos Montes


    Semeador8º: Semeador (1985)

    Sem a menor dúvida, Janires colocou a parte lírica da banda num nível dificílimo para o alcance de Carlinhos Felix e Braconnot. Entretanto, apesar de não surpreender como o seu anterior, Semeador demonstra a unidade da formação clássica do grupo e na sonoridade, mais pop do que de costume. Canções não autorais como “Paz do Senhor” revelam outro lado do grupo que foi muito bem explorado posteriormente.

    Ouça: Paz do Senhor, A Flor do Campo e Viajar


    Capa7º: Enquanto é Dia… (1993)

    Entre canções contemplativas e pesadas, o Rebanhão, em nova formação oscilou sem escorregar em letras mais evangelísticas, como “Comando de Cristo”, hard rocks que exploravam muito bem a capacidade vocal de Dico Parente, como “Mistério” e faixas guiadas pelo piano, como a intimista e profunda “Me Leva pra Casa”. Um terceiro lado do grupo até então não explorado, sai-se com êxito na proposta devocional.

    Ouça: Me Leva pra Casa, Comando de Cristo e Mistério


    6º: Novo Dia (1987)

    CapaMais consistente ainda que seu antecessor, Novo Dia é um passo mais ousado no amadurecimento do Rebanhão pós-Janires. Apesar de suas características oitentistas que soam um pouco datadas (bateria eletrônica cheia de reverb e muitos sintetizadores), o destaque se vai para as composições autorais – a letra direta e pessoal de Pedro em “Razão”, a pegada percussiva de Tutuca em “Você Precisa de Deus”, e os fundamentais riffs de Paulo Marotta em “Entre eu e Você” (ele não facilita para ninguém). Também, para um disco que contém clássicos como “Primeiro Amor” e o gospel de Lionel Richie aqui em versão decente por Paulinho Rezende de título “Jesus é Amor”, impressões positivas são o mínimo que se pode esperar.

    Ouça: Razão, Primeiro Amor e Nele Você Pode Confiar


    5º: Pé na Estrada (1991)

    Pé na EstradaNão há a menor dúvida que a saída de Fernando Augusto, baterista de longa data afetaria os integrantes de alguma forma. Mas Pé na Estrada é um registro tão maduro e forte como o seu anterior. O entrosamento entre o trio Felix/Marotta/Braconnot alcança o seu ápice, e canções como “Elo Perdido”, “Existe um Lugar”, “Ovelha Ferida” e “Fé” são os pontos altos do projeto, embora músicas como “Nzile Nzulu” e “Pedaço do Céu” pouco contribuem positivamente no geral. O projeto gráfico, de longe é o melhor em toda a carreira da banda e é claro resultado da criatividade da canção-título, escrita por Paulo Marotta.

    Ouça: , Criação e Elo Perdido


    4º: Janires e Amigos (1985)

    Janires e AmigosIndependentemente de o álbum ter sido lançado inicialmente como obra solo de Janires (mais tarde incluído como discografia do Rebanhão), há de se imaginar que, em pleno 1985 não dava para pensar em Rebanhão sem seu líder, e Janires sem sua banda. O cantor, aqui apresenta de alguma forma sua versão pura do grupo, com canções dedicadas a pessoas importantes em sua vida. E apenas pessoas tão geniais como Janires poderiam ser tão delicados, diretos e verdadeiros em seus discursos. De longe, “Helena” e “Mamãe” são as melhores do disco, mas ainda temos canções singulares como “Jesus Super Heroi” e “Arca”. Grande valor histórico também possui, afinal foi o primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional.

    Ouça: Mamãe, Arca e Helena


    3º: Luz do Mundo (1983)

    Luz do MundoCom o sucesso de Mais Doce que o Mel, o Rebanhão poderia muito bem descansar sob a sombra e fazer algo comum. Mas Luz do Mundo é um salto mais alto e mais evidente no aspecto técnico: foi gravado nos Estúdios Transamérica, referência em gravação na época e o entrosamento da banda é bem superior. Janires, com seu clássico ovation abrilhanta canções autorais, como “Hoje Sou Feliz” e “Ano 2000”, enquanto Carlinhos Felix apresenta boas baladas pop, mas não tão brilhantes quanto as contidas no projeto de estreia do Rebanhão. Paulo Marotta estreia nos vocais, e Pedro Braconnot surge com um Phophet-5, grande sintetizador da época.

    Ouça: Hoje sou Feliz, Taças de Cristais e Casa no Céu


    2º: Princípio (1989)

    PrincipioDiferentemente de todos os álbuns do Rebanhão, Princípio foi um disco que representou uma nova vibe na música cristã nacional, dando “start” ao chamado movimento gospel. Com a cabeça dentro dos anos 90, o destaque do álbum vai para Pedro Braconnot, que é o compositor da maioria das músicas e apresenta três grandes obras, “Fronteiras”, “Metrô” e “Palácios”. Esta última tornou-se um hino para as multidões que assistiam as apresentações da banda, como um discurso vívido do cristianismo intercalado com crítica e consciência social. Paulo Marotta surpreende com seu “Muro de Pedra”, e Carlinhos Felix mantém sua proficiência na criação de baladas, com destaque para o hit “Selo do Perdão”.

    Ouça: Palácios, Muro de Pedra e Selo do Perdão


    1º: Mais Doce que o Mel (1981)

    Mais Doce que o MelApesar de Luz do Mundo apresentar uma consistência técnica superior, Mais Doce que o Mel é de longe o disco mais marcante da banda, no qual cada canção funcionaria perfeitamente caso apresentadas de forma individual. Janires nunca gravou canções tão criativas, como a grandiosa “Casinha”, a balada “Mel” e o especial pot-pourri, no qual “Salas de Jantar” é o grande destaque. As composições de Carlinhos Felix, apesar de ofuscadas são muito bem articuladas, principalmente “Passageiro”, que brinca com arranjos de metais. Pedro Braconnot surge com “Refúgio”, uma das canções mais feelinzeiras do grupo. O projeto também foi extremamente revolucionário para a sua época e, de longe é um dos trabalhos mais importantes da música cristã nacional no século XX.

    Ouça: Casinha, Refúgio e Passageiro


    O que achou da nossa lista? Mudaria algum álbum de lugar? Comente, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Os Cantores de Cristo

    Além das bandas já comentadas aqui na Rocklogia, tive a oportunidade de conhecer alguns títulos do grupo Os Cantores de Cristo. Na proposta jovem dos anos 70, Os Cantores de Cristo é talvez a primeira banda de rock cristão do Brasil (surgiu praticamente na mesma época que o Êxodos ou até mesmo antes). Surgiu no Rio de Janeiro.

    Segundo entrevista ao portal Arquivo Gospel (leia aqui), a banda afirma que surgiu como um conjunto vocal em 1968, adicionando elementos instrumentais anos depois. Dos anos em que esteve ativo, saíram quatro álbuns, nos quais são: Olhando o Infinito, de 1973, Bonança, de 1975, Pra Você, de 1979 e Manso e Suave, de 1982. Lançado pela gravadora Favoritos Evangélicos, “Bonança” provavelmente foi o lançamento mais relevante do grupo. Sonoramente temos uma banda pop rock, com elementos tímidos do progressivo influenciados pelo grande Pink Floyd, formando uma sonoridade já ousada para a época, mas com letras ainda bem diretas sobre o cristianismo. O destaque maior vai para os arranjos vocais.

    Após o fim do grupo, alguns integrantes tentaram seguir como um grupo vocal, mas o projeto se dissolveu antes dos anos 2000. Com o fim da gravadora Favoritos Evangélicos, o material da banda tornou-se uma raridade.

    A antológica música “Arca” de Janires, gravada no álbum Janires e Amigos, mais tarde creditado como álbum do Rebanhão cita Os Cantores de Cristo, mostrando a relevância do grupo na época.

  • TOP 10 – músicas sobre a teologia da prosperidade

    Como cada corrente teológica, uma teologia apresenta uma interpretação de textos bíblicos, seja a visão aceita como verdadeira ou não. A teologia da prosperidade é uma das vertentes mais conhecidas e polêmicas da atualidade. Intimamente ligada ao movimento neopentecostal, tem rendido frutos e ao mesmo passo discussões acaloradas sobre sua essência. Na música, se por um lado, várias músicas fazem apologia a respeito do assunto, outras criticam fortemente.

    Em linhas simples, a teologia da prosperidade defende, usando-se de várias referências advindas da Bíblia que o crescimento financeiro é um desejo de Deus para os cristãos. Entretanto, outras correntes teológicas discordam de tal ponto defendido, e neste TOP 10, vamos trazer canções que façam crítica ao consumismo, dinheiro, e até mesmo a teologia da prosperidade. Vamos lá?

    OBS: O portal O Propagador não possui pretensões em defender ou combater a teologia da prosperidade.

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    [tab title=”10º”]

    Semideus – Brother Simion

    Após mais de cinco anos sem um álbum relevante, Simion volta com tudo (literalmente) em Eclipse. Letras do estilo que consagrou o cantor. Mas o destaque mesmo vai para “Semideus”, uma canção de protesto nunca vista na carreira do músico, criticando pastores que transformam seu ministério em business, se perdendo nas coisas deste mundo. Vale ressaltar que Brother Simion, por anos, frequentou a uma igreja adepta à teologia da prosperidade. (2004)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=xrZ2RlE6-sk]

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    [tab title=”9º”]

    Gadara – Luiz Arcanjo

    Bem distante do estilo ao qual é conhecido através do Trazendo a Arca, Luiz Arcanjo apresentou com seu álbum solo uma forte letra de crítica social, na participação de Pregador Luo. A letra faz referência da passagem de Jesus em território gadareno, quando a população o expulsou da região após ter expulsado uma legião de demônios de um homem e o lançado sobre porcos, deixando a entender que os porcos, os quais obtinham lucro eram mais importantes do que a cura vivida pelo homem.

    “O povo de Gadara prefere os porcos do que as pessoas”, diz o refrão de “Gadara”. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=3jpgd7koY-s]

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    [tab title=”8º”]

    The Time is Over – Fruto Sagrado

    Do álbum O Segredo, o Fruto Sagrado apresenta uma de suas várias canções que contém visões críticas despejadas na cabeça dos ouvintes. A banda sempre foi conhecida por abordar temas polêmicos e complexos. “The Time is Over” aborda a história fictícia de um pastor que deixou o primeiro amor e se iludiu com as riquezas deste mundo e tem sua alma levada por um anjo da morte para o inferno.

    Nos shows da época, o grupo utilizava uma pequena parte teatral durante a execução desta canção. (2000)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=FVtAa8jGLvE]

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    [tab title=”7º”]

    Eu não Aceito – Godcore

    Uma banda independente, que alcançou uma quantidade de visualizações interessante com seu primeiro clipe, “Eu não Aceito”. Misturando elementos de rock, reggae e rap, a banda apresenta um tema polêmico, de uma das formas mais polêmicas possíveis, criticando abertamente a campanhas a favor da teologia da prosperidade feitas por igrejas neopentecostais e a valorização do dinheiro. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=fqZ3uYQCE7w]

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    [tab title=”6º”]

    Eu Espero em Ti – Davi Sacer

    Chega até ser curioso um cantor extremamente criticado por algumas letras de apologia a prosperidade ter uma canção como “Eu Espero em Ti”. Sim, pois é. Davi Sacer lançou em 2008 o álbum Deus não falhará, que segue na mesma linha da canção citada.

    A letra é muito interessante, e a execução instrumental também. A letra e a melodia são de autoria do próprio Davi Sacer. (2008)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2evNSRyBBBs]

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    [tab title=”5º”]

    O Último Julgamento – Mara Lima

    Mara Lima é a representante pentecostal deste TOP 10. E em, “O Último Julgamento” faz algo um pouco semelhante ao Fruto Sagrado, defendendo através da letra que Deus está acima de qualquer bem material. Também aborda a falta de amor por missões e ao egoísmo. (1999)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=65TGUkMx0Q8]

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    [tab title=”4º”]

    Põe na Conta – Ao Cubo

    O consumismo irracional e a sede enorme de comprar é tratado muito bem pelo Ao Cubo, de forma bem humorada e inteligente. “Guarde o seu tesouro onde o ladrão não alcança”, e é com base nisso que a banda estrutura toda a sua letra. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=59vHSr_ll0c]

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    [tab title=”3º”]

    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre pode ser considerado um dos músicos, senão o mais completo dentre os cristãos. Produtor, compositor, instrumentista conceituado, João também é notável por afirmações e canções polêmicas, que, como o Fruto Sagrado (inclusive a banda e João já gravaram juntos) apresenta assuntos sem a menor pretensão de agradar egos. Tanto é que Alexandre já foi imensamente prejudicado em sua carreira por afirmações.

    “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a teologia da prosperidade e até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=54MPV2u877c]

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    [tab title=”2º”]

    Eles Precisam Saber – Resgate

    Considerada por muitos como uma das melhores músicas de 2012, “Eles Precisam Saber” é uma crítica na autoria de Zé Bruno a venda de fé. Em suas palavras, as pessoas necessitam apenas de salvação e da compreensão de que não há barganha com Deus.

    A canção em si originalmente seria gravada com a participação do guitarrista e líder da banda Oficina G3, Juninho Afram, mas por questões relacionadas às gravadoras, não foi possível. (2012)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=HRhumHx-nr0]

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Último Dia – Apocalipse 16 e Templo Soul

    Esta canção fez um enorme sucesso, e somente no YouTube possui cerca de cinco milhões de acessos. Aborda a história fictícia de alguém que pôs o dinheiro como seu deus, e de forma inescrupulosa correu atrás de riquezas. “Último dia” faz parte do álbum Apocalipse 16 e Tempo Soul, uma parceria entre as duas bandas. (2006)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=KauIwsmX9wo]

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  • Dia do rock: Live Aid, movimento e 2014

    Da esquerda para a direita: John Deacon, Brian May e Freddie Mercury, três dos quatro integrantes do Queen

    Um gênero musical inicialmente com pequeno prazo de validade transformou-se num dos maiores, se não o maior movimento musical do último século. Em várias décadas, várias vertentes, que demonstraram várias exposições de ideias e valores deram corpo ao rock tão multifacetado que temos hoje.

    Se hoje temos uma visão abrangente do que tudo isso representou para a cultura mundial, gostaria de pensar em 1985, no dia 13 de julho, quando Bob Geldof organizou o evento em prol da fome na Etiópia, contando com a participação de vários artistas e bandas da música popular. O evento prometia bastante, com a reunião do Led Zeppelin (que tinha acabado em 1980 com a morte do baterista John Bonham), a volta de Paul McCartney aos palcos depois do susto e lamento causado pelo assassinato de seu ex-companheiro de Beatles John Lennon, e também a participação do The Who, que estava em hiato.

    Cada artista tinha exatos vinte minutos para apresentação, e de todos, quem roubou a cena foi o Queen. O quarteto, formado por John Deacon, Brian May, Freddie Mercury e Roger Taylor embalou o público, de 82 mil pessoas com canções como “Bohemian Rhapsody”, “Radio Ga Ga” e “Hammer to Fall”. A icônica presença de palco de Mercury tornou-se uma prova de que o cantor e compositor era uma lenda viva, e sua performance foi considerada a melhor apresentação de uma banda de rock na história.

    O Live Aid foi uma prova de que as questões sociais sempre estiveram, de certa forma paralelo ao rock como gênero musical. A expressão fora do conservadorismo da juventude da época era talvez uma busca pela contracultura do movimento hippie dos anos 60. O evento foi tão importante que em 2005 Bob organizou o Live 8, com intenções distintas, mas com um impacto enorme. A reunião da formação clássica do Pink Floyd (dividida desde meados de 1981) marcou o evento. Foi a única reunião da banda em sua história, já que em 2008 o tecladista Richard Wright morreu de câncer.


    No ambiente cristão

    O rock fez lembrar, através de uma juventude cristã influenciada pelo gênero muitas questões esquecidas e ignoradas pela “bolha religiosa”. Se por um lado, ainda, em pleno século XXI há um enorme preconceito ao rock feito por cristãos por parte de antirreligiosos, podemos considerar que o rock fez um belo serviço ao mundo cristão.

    Em 2014, recolhemos algumas lembranças e comemorações no cenário nacional. A banda Resgate, que já gravou quase dez álbuns em vinte e cinco anos de carreira soma uma discografia admirável, mantendo a mesma formação de seu início. Sem dúvida, um quarto de século merecido que gerará uma gravação este ano. Dando mais surpresas ainda, o Rebanhão se reunirá após quase quinze anos inativo para gravar um DVD no Rio de Janeiro, previsto para novembro e com turnê no país em 2015, comemorando os 35 anos da banda fundada em 1979. Ambos os grupos quebraram paradigmas em seu tempo, na luta por uma expressão de fé mais livre e mais preocupada com o contexto atual.

    Parte das bandas novas da cena independente tentam um caminho mais ousado, o chamado novo movimento, também conhecido popularmente como “crossover” (leia o artigo sobre o assunto) que tenta, de uma vez por todas expressar a fé sem o uso do “evangeliquês” ou conceitos que muitas vezes não fazem sentido para quem nunca teve contato mais profundo com temas do ambiente cristão. Destas bandas, temos como destaques Tanlan, Quarto Fechado, a extinta e precursora Aeroilis, Hibernia, Memora, Palavrantiga e muitas outras.

    Que venham mais dias mundiais do rock!