TOP 10 – melhores álbuns do Rebanhão

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O Propagador apresenta aos leitores o TOP 10 discografias, em que, de certo tempo apresentaremos listas detalhadas sobre a obra de um certo artista ou banda.

Este é o ano do Rebanhão. Há 35 anos, Janires fundava a banda juntamente com Pedro Braconnot, Paulo Marotta, Kandell, Carlinhos Felix e Zé Alberto. Agora, em 2014 a banda, com sua formação clássica (Pedro, Carlinhos, Paulo) e Pablo Chies gravará um DVD antológico que representará as obras lançadas durante os 20 anos em que esteve ativo.

A banda passou por evidentes quatro fases: a primeira durou de 1979 a 1985, na qual Janires foi o principal destaque como frontman. Nesta época, o som da banda teve forte influência do rock progressivo unido a movimentos musicais brasileiros, como o tropicalismo. Após a saída de Janires, até cerca de 1992, foi a fase conhecida como a da formação clássica, em que Pedro Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix unidos ao baterista Fernando Augusto consistiram na fase mais popular do grupo, mantendo as influências iniciais, porém com um som mais voltado ao pop. Com a saída de Fernando em 1990, Carlinhos em 1991 e Paulo em 1992, o Rebanhão entrou na terceira fase, que durou de 1992 a 1997, com Pedro sendo principal vocalista e compositor, trabalhando com Pablo Chies, Rogério dy Castro e Wagner Carvalho. Nos últimos anos da banda, o Rebanhão seguiu com outros integrantes.

Nós do O Propagador, considerando os dez álbuns lançados pela banda, resolvemos elencar os de maior destaque do grupo carioca que marcou a história da música cristã brasileira.


Vamos Viver o Amor10º: Vamos Viver o Amor (1999)

Pode-se dizer que Vamos Viver o Amor é o único projeto da banda que não convenceu, e é desconsiderado por alguns como parte real da banda. Com sua segunda formação encerrada, Pedro Braconnot nos apresenta novos integrantes. O álbum não é um dos mais brilhantes de sua discografia, mas possui alguns pontos interessantes, como a textura de “Unção”, a pegada pop de “Mais que um Amigo” e a própria canção-título.

Ouça: Vamos Viver o Amor Josué


Capa9º: Por Cima dos Montes (1996)

Um registro mais denso e homogêneo, Por Cima dos Montes apresenta o ápice da criatividade de Braconnot nos sintetizadores – que também é o intérprete de todas as faixas. O trio formado por Chies, Castro e Carvalho também se destacam em canções como “Eu Voltarei” (que lembra “Mother Love”, do Queen). Além das inéditas, como “Sempre Estar Contigo”, “Ligado na Videira”, algumas regravações merecem destaque, principalmente “Flor do Campo”.

Ouça: Eu Voltarei, Ligado na Videira e Por Cima dos Montes


Semeador8º: Semeador (1985)

Sem a menor dúvida, Janires colocou a parte lírica da banda num nível dificílimo para o alcance de Carlinhos Felix e Braconnot. Entretanto, apesar de não surpreender como o seu anterior, Semeador demonstra a unidade da formação clássica do grupo e na sonoridade, mais pop do que de costume. Canções não autorais como “Paz do Senhor” revelam outro lado do grupo que foi muito bem explorado posteriormente.

Ouça: Paz do Senhor, A Flor do Campo e Viajar


Capa7º: Enquanto é Dia… (1993)

Entre canções contemplativas e pesadas, o Rebanhão, em nova formação oscilou sem escorregar em letras mais evangelísticas, como “Comando de Cristo”, hard rocks que exploravam muito bem a capacidade vocal de Dico Parente, como “Mistério” e faixas guiadas pelo piano, como a intimista e profunda “Me Leva pra Casa”. Um terceiro lado do grupo até então não explorado, sai-se com êxito na proposta devocional.

Ouça: Me Leva pra Casa, Comando de Cristo e Mistério


6º: Novo Dia (1987)

CapaMais consistente ainda que seu antecessor, Novo Dia é um passo mais ousado no amadurecimento do Rebanhão pós-Janires. Apesar de suas características oitentistas que soam um pouco datadas (bateria eletrônica cheia de reverb e muitos sintetizadores), o destaque se vai para as composições autorais – a letra direta e pessoal de Pedro em “Razão”, a pegada percussiva de Tutuca em “Você Precisa de Deus”, e os fundamentais riffs de Paulo Marotta em “Entre eu e Você” (ele não facilita para ninguém). Também, para um disco que contém clássicos como “Primeiro Amor” e o gospel de Lionel Richie aqui em versão decente por Paulinho Rezende de título “Jesus é Amor”, impressões positivas são o mínimo que se pode esperar.

Ouça: Razão, Primeiro Amor e Nele Você Pode Confiar


5º: Pé na Estrada (1991)

Pé na EstradaNão há a menor dúvida que a saída de Fernando Augusto, baterista de longa data afetaria os integrantes de alguma forma. Mas Pé na Estrada é um registro tão maduro e forte como o seu anterior. O entrosamento entre o trio Felix/Marotta/Braconnot alcança o seu ápice, e canções como “Elo Perdido”, “Existe um Lugar”, “Ovelha Ferida” e “Fé” são os pontos altos do projeto, embora músicas como “Nzile Nzulu” e “Pedaço do Céu” pouco contribuem positivamente no geral. O projeto gráfico, de longe é o melhor em toda a carreira da banda e é claro resultado da criatividade da canção-título, escrita por Paulo Marotta.

Ouça: , Criação e Elo Perdido


4º: Janires e Amigos (1985)

Janires e AmigosIndependentemente de o álbum ter sido lançado inicialmente como obra solo de Janires (mais tarde incluído como discografia do Rebanhão), há de se imaginar que, em pleno 1985 não dava para pensar em Rebanhão sem seu líder, e Janires sem sua banda. O cantor, aqui apresenta de alguma forma sua versão pura do grupo, com canções dedicadas a pessoas importantes em sua vida. E apenas pessoas tão geniais como Janires poderiam ser tão delicados, diretos e verdadeiros em seus discursos. De longe, “Helena” e “Mamãe” são as melhores do disco, mas ainda temos canções singulares como “Jesus Super Heroi” e “Arca”. Grande valor histórico também possui, afinal foi o primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional.

Ouça: Mamãe, Arca e Helena


3º: Luz do Mundo (1983)

Luz do MundoCom o sucesso de Mais Doce que o Mel, o Rebanhão poderia muito bem descansar sob a sombra e fazer algo comum. Mas Luz do Mundo é um salto mais alto e mais evidente no aspecto técnico: foi gravado nos Estúdios Transamérica, referência em gravação na época e o entrosamento da banda é bem superior. Janires, com seu clássico ovation abrilhanta canções autorais, como “Hoje Sou Feliz” e “Ano 2000”, enquanto Carlinhos Felix apresenta boas baladas pop, mas não tão brilhantes quanto as contidas no projeto de estreia do Rebanhão. Paulo Marotta estreia nos vocais, e Pedro Braconnot surge com um Phophet-5, grande sintetizador da época.

Ouça: Hoje sou Feliz, Taças de Cristais e Casa no Céu


2º: Princípio (1989)

PrincipioDiferentemente de todos os álbuns do Rebanhão, Princípio foi um disco que representou uma nova vibe na música cristã nacional, dando “start” ao chamado movimento gospel. Com a cabeça dentro dos anos 90, o destaque do álbum vai para Pedro Braconnot, que é o compositor da maioria das músicas e apresenta três grandes obras, “Fronteiras”, “Metrô” e “Palácios”. Esta última tornou-se um hino para as multidões que assistiam as apresentações da banda, como um discurso vívido do cristianismo intercalado com crítica e consciência social. Paulo Marotta surpreende com seu “Muro de Pedra”, e Carlinhos Felix mantém sua proficiência na criação de baladas, com destaque para o hit “Selo do Perdão”.

Ouça: Palácios, Muro de Pedra e Selo do Perdão


1º: Mais Doce que o Mel (1981)

Mais Doce que o MelApesar de Luz do Mundo apresentar uma consistência técnica superior, Mais Doce que o Mel é de longe o disco mais marcante da banda, no qual cada canção funcionaria perfeitamente caso apresentadas de forma individual. Janires nunca gravou canções tão criativas, como a grandiosa “Casinha”, a balada “Mel” e o especial pot-pourri, no qual “Salas de Jantar” é o grande destaque. As composições de Carlinhos Felix, apesar de ofuscadas são muito bem articuladas, principalmente “Passageiro”, que brinca com arranjos de metais. Pedro Braconnot surge com “Refúgio”, uma das canções mais feelinzeiras do grupo. O projeto também foi extremamente revolucionário para a sua época e, de longe é um dos trabalhos mais importantes da música cristã nacional no século XX.

Ouça: Casinha, Refúgio e Passageiro


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