Análise: CD Respire Fundo – Ao Cubo

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Durante o ano de 2014, aqui, no O Propagador decidimos relembrar alguns bons discos que fazem aniversário. A começar, Respire Fundo do grupo de rap Ao Cubo, lançado em 2004 de forma independente.

Se o êxito do “novo movimento” é tão sonhado para as bandas de rock, creio que os conjuntos de rap estão bem à frente. O Ao Cubo é um de seus melhores exemplos. A partir de seu álbum de estreia fez grande sucesso, e seu público muito diversificado, de várias classes sociais e credos. Embora com os anos a banda tenha se fechado dentro do gospel (e infelizmente também se esquecendo de suas críticas sociais), seu público no ‘secular’ era enorme.

É interessante o desenvolvimento do álbum, que inicia orientando o ouvinte a parar diante do mundo frenético que vivemos para que ele receba as mensagens complexas contidas nas próximas faixas. “Respire Fundo” é um cartão de visita do Ao Cubo, lembrando que na época a banda ainda era um trio (Dona Kelly só entraria após o lançamento). F-jay também possui participação fundamental, e cria as texturas nos quais os versos de Cleber e Feijão são ditos.

O álbum mostra sua verdadeira identidade a partir de “Fora quem USA”, que critica a pouca ação na melhora do Brasil, mas também a supervalorização dos países desenvolvidos pelos mesmos que nada fazem. Os jogos vocais dos rappers envolvem o ouvinte, embora há alguns detalhes na letra que a deixam datada, como a referência ao programa Fome Zero, do primeiro governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Naquela Sala” é o maior sucesso do Ao Cubo, e foi através dela que o grupo recebeu várias indicações ao Prêmio Hutúz. Com seus traços poéticos com elementos do gangsta rap, também há a participação de David Pereira, e de Nega Elis no clássico refrão: “Sabe o quanto eu lutei / para fazer você feliz? / Eu te eduquei / não tinha dinheiro, mas te ensinei / a minha parte eu sei que fiz”.

Por outro lado, “Edvaldo Silva” ganha o posto de melhor canção. A história de um morador de rua, em suas memórias trágicas da família, e mais tarde o convite para conhecer a Cristo. Geralmente, batidas de rap não geram um feeling muito evidente, e a função vai para as letras e a interpretação. Neste aspecto, a música não falha, exalando o clima de desilusão, e ao mesmo tempo de desespero. Também, destaque para o acordeom no final.

Uma juventude hedonista e acomodada, ou uma juventude que age para o Reino de Deus? O tema é discutido em “Ira dos 20”, apontando para a corrupção dos jovens e a alienação existente em muitos. Mais uma vez, há detalhes datados, como a citação do Caso Richthofen, de 2002 e o filme Clube da Luta, de 1999.

As próximas canções, “Se Renda” e “1980” são outros pontos altos do álbum. A primeira, de Feijão questiona detalhadamente a declaração “se arrependimento matasse…”, versando o quão é importante se arrepender a luz da Bíblia. Por outro lado, Cleber assina a segunda, que na verdade é o seu próprio testemunho de vida. É um dos maiores sucessos do grupo.

Plano de Aborto” foi a primeira música da banda, e mesmo sendo um tema tão polêmico, são poucas as canções cristãs que abordam o tema. Como ‘homicídio planejado’, o Ao Cubo tece suas críticas, enquanto F-jay apresenta uma sonoridade sombria. Após, um instrumental com scratchs e batidas do DJ com o rapper Cleber.

Incline os Seus Ouvidos” traz a participação de Pregador Luo, e mostra a versatilidade do grupo com as temáticas e rimas. “Novo Dia”, com Templo Soul fecha o álbum de forma bem modesta, mas com uma pegada soul interessante.

O que dizer de Respire Fundo? É um álbum com tantas abordagens, mas devidamente organizadas que não foi possível fazer uma resenha que não fosse faixa-a-faixa. Possui elementos que todo bom álbum de rap deve ter, como a coesão entre as músicas, um bom DJ e bons rappers. É por essas e outras que este é um dos clássicos do rap cristão nacional e dificilmente o Ao Cubo o superará.

Comentários

One response to “Análise: CD Respire Fundo – Ao Cubo”

  1. […] se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e […]

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