Ser Ester – Série Grandes Mulheres: Rispa

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Ela quase passa despercebida na Bíblia. Com poucas referências em seu nome, você talvez nunca nem ao menos tenha sabido de sua existência. Mas ela existiu e pode se tornar a partir de hoje, se ainda não o é, uma referência para você. O seu nome? Rispa!

Em um tempo em quem as mulheres tinham pouco valor social, ela não era nem ao menos esposa. Era uma concubina do harém do rei Saul. De seu relacionamento com o primeiro rei de Israel, nasceram dois filhos: Armoni e Mefibosete (não confundir com o filho de Jonatas).

Com a morte do rei, Israel que já enfrentava uma crise espiritual, entrou em uma severa crise política. O reino foi divido. Davi se tornou rei de Judá e Isbosete – filho de Saul – com a ajuda e tutela de Abner, chefe do exército real, foi coroado no lugar do pai sobre o restante do reino.

Uma intriga entre Abner e Isbosete por causa de Rispa acaba rompendo com
a cooperação entre os dois e o militar passa para o lado de Davi e o ajuda a reunificar o reino e governar sobre toda a nação.

rispa personagem da bibliaEm um momento de grave crise, agora também econômica, com uma fome que já perdurava três anos, Israel passou a acreditar que a calamidade se devia ao fato de o sanguinário rei Saul ter rompido com uma aliança com o povo de Gibeão e matado seus cidadãos. Em um acerto de contas, os gibeonitas pedem como reparação a vida de sete descendentes da casa de Saul. A proposta foi aceita, afinal, eles viviam no tempo do “olho por olho e dente por dente” (Ex 21: 24), logo, vida por vida.

E é aí que nossa Rispa, após ser pivô de uma crise política no reino, volta aparecer na nossa história.

Lembram que ela teve dois filhos com o rei? Pois bem! Sem que ela pudesse fazer nada, eles foram entregues nas mãos dos gibeonitas como reparação dos erros de seu pai.

Rispa vê seus filhos amados serem mortos. Tudo o que ela tinha na vida havia acabado naquele momento. Seus bens mais preciosos haviam sido executados pelas vingativas mãos dos gibeonitas.

Se não havia conseguido poupar-lhes a vida, Rispa resolve garantir-lhes ao menos dignidade em sua morte. Decidida a dar um funeral decente a seus filhos amados, Rispa toma uma atitude que só uma mãe poderia tomar. Ela se coloca em um lugar na rocha de Gibeá e inicia uma incansável vigília para impedir que os animais selvagens devorem os corpos de seus meninos. Para ‘ajudar’, pelo lugar onde haviam acontecido as execuções, esse acampamento foi feito na terra do povo que acabou com sua vida.

Seis meses! Isso mesmo! Seis meses se passaram e Rispa já estava extremamente debilitada. A figura daquela mãe usando o resto de suas forças para guardar o que restava de seus filhos, comoveu a população gibeonita e eles resolveram contar a Davi sobre a situação da pobre mulher.

Comovido, o rei manda tomar os corpos dos filhos dela, bem como os ossos de Saul, Jonatas e do restante da família e providenciou o digno enterro na terra de seus antepassados, realizando-se assim o desejo daquela mãe.

Alguns pontos me chamam muito a atenção nessa história:

  1. A Mãe O sacrifício e dedicação de Rispa em seu propósito de zelar dignamente pela memória de seus filhos queridos mostra o tamanho que o amor de uma mãe pode alcançar. Frio, calor, chuva, vento, fome, dor, noites mal dormidas ou precariedades, nada conseguiu fazer com ela desistisse de seus propósitos. Se você é mãe, sabe que aqui na terra, só você pode fazer isso pelos seus filhinhos. Se você é filha, valorize sua mãe, pois o amor dela é capaz de fazer sacrifícios assim por sua causa. E só por sua causa.
  2. Imperfeita – Como todo ser humano, Rispa não era perfeita. Por todos os fatores sociais e políticos envolvidos em sua história, ela não foi capaz de impedir a morte dos filhos, mas isso não a deteve em lutar por eles. Sua mãe pode não conseguir impedir que você sofra, mas ela certamente lutará até o fim de sua vida por você e ainda se manterá ao seu lado em seu sofrimento.
  3. A Heroina Não Reconhecida – Lembram que eu falei que a reparação com a morte dos filhos de Rispa era uma tentativa desesperada de acabar com a crise que o país enfrentava? Pois bem, aparentemente isso não resolveu o problema. E é isso que me emociona mais nessa história. Leia 2 Samuel 21.14: “Enterraram os ossos de Saul, e de Jônatas seu filho na terra de Benjamim, em Zela, na sepultura de seu pai Quis, e fizeram tudo o que o rei ordenara; e depois disto Deus se aplacou com a terra”. Entenderam? A crise só acabou depois que os corpos de Saul e seus filhos (incluindo os dois de Rispa) foram dignamente sepultados. A crise só acabou depois que o clamor silencioso daquela mãe chegou aos ouvidos do rei e ele realizou seu desejo. A crise só acabou porque uma mulher, no pior momento de sua vida, decidiu continuar lutando.
  4. Persistência – A persistência de Rispa não deu apenas um final digno aos seus filhos, mas também a Saul e todos os responsáveis pelo ocorrido em Gibeão, ou seja, aos causadores de sua tragédia pessoal. É assim que o nosso Deus faz. O seu clamor é capaz de abençoar não só sua vida, mas também a de todos ao seu redor e até de quem, humanamente falando, não merecia.

Muitas vezes nós nos prostramos diante das adversidades. O coitadismo, por vezes, parece ser a saída mais atraente. Em nome de Jesus, não faça isso! Seus sonhos morreram? Dessa morte nascerão outros sonhos. Faça vigília! Tome um lugar sobre a rocha! Não deixe que as aves de rapina consumam sua história. Mande um recado, mesmo que silencioso para o nosso Rei que Ele ouvirá seu clamor.

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