Rocklogia: A verdade sobre o cristianismo e sua posição em relação ao rock

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Não poderia começar este artigo citando o, nada além de hilário livro “La cara oculta del rock” (em português: A Face Oculta do Rock), publicado em 1986 por Fernando Salazar Bañol, um gnóstico, ex-músico de rock que tirou conclusões, no mínimo absurdas em sua obra. Além dessas conclusões, observamos vários trechos mentirosos, aos quais evidentemente percebe-se com vários materiais encontrados na internet sobre trechos de música. É claro, em plena década de 80, sem internet, é difícil pensar que muitas pessoas desacreditariam em um profissional, mesmo fazendo afirmações tão fortes.

Talvez você se pergunte o porquê citei o livro de um gnóstico. Acontece que, esta obra tornou-se um clássico na Alemanha por ser de um foco até então inédito. E, mais tarde, no Brasil, foi utilizado por vários cristãos na disseminação do ‘conteúdo satânico’ no qual o rock estava inserido. A alienação foi repassada com fervor, embora aqui no país as resistências ao gênero aos poucos estava diminuindo. Outro fato é de que, esta obra contém todos os tipos de preconceitos carregados por alguns cristãos. Lembrando que, o cristianismo não possui nenhuma posição ao rock. Na Bíblia não existe citação alguma a respeito de ‘gêneros musicais violentos’, muito menos algo semelhante. A questão é meramente sociológica e doutrinária.

Neste livro, a principal crítica é uma dos assuntos ‘preferidos’ de grande parte dos religiosos: mensagem subliminar. Segundo o autor, a maioria das bandas de rock de grande sucesso utilizam mensagens satânicas decodificadas numa execução inversa das canções. Como a mensagem é subliminar se o cérebro, por sua vez não ouvirá naturalmente uma música de trás pra frente? Basta conhecer o básico de algumas bandas e artistas citados, e percebe-se que há várias lendas e mentiras afirmadas como verdade absoluta, como a música “Congratulation” do Pink Floyd, em que tocada de trás pra frente possui uma mensagem satânica. Entretanto, o Floyd não possui nenhuma música com este título. O que se sabe é que, no álbum The Wall, lançado em 1979, na música “Empty Spaces” há uma mensagem inversa, que ouvida de trás pra frente parabeniza ao ouvinte que a percebe. Inclusive, o primeiro no mundo a perceber foi um radialista. Mais absurdos: a história de que o nome artístico de Alice Cooper, na verdade é de uma bruxa de vários séculos atrás, e que o músico faz rituais satânicos no palco é outro disparate. Basta rondar a biografia do artista, e percebe-se que Alice Cooper era o nome de sua antiga banda, e que Vincent é cristão, entretanto não deseja ligar sua fé ao trabalho musical. Passaria de três páginas facilmente exemplificando outras afirmações grotescas contidas nesta obra, distribuída até os dias de hoje.

A respeito deste mesmo preconceito, lembremos que várias instituições religiosas não aceitam ao rock por sua musicalidade “irreverente” em comparação a outros gêneros, e isso não é problema algum. Ele só consiste quando, categoricamente um indivíduo ou instituição coloca a visão de Deus em igualdade com a sua, dizendo que Ele só se agrada de certos gêneros. Outra argumentação é de que o estilo de vida de vários astros do rock demonstra claramente o seu lado ofensivo. Entretanto, sabemos, com múltiplos exemplos que o gênero não possui a menor culpa disso. Basta observar a grande quantidade, mais uma vez tomando o Brasil como exemplo nos artistas da chamada MPB, em décadas anteriores. E o que dizer dos grandes gênios da música clássica? Até os ‘adoradores’ do gospel nacional são flagrados em polêmicas enormes, como casamentos e divórcios, adultérios, uso de bebidas/drogas, homossexualidade, ganância, depressão (e quem acompanha sabe muito bem de quais pessoas me refiro). Não adianta fugir: o ser humano sempre quer colocar um culpado em seus próprios erros. Uma frase resume tudo: “Se o mundo ainda é mal o culpado está diante do espelho”, como já dizia o bom e velho Fruto Sagrado.

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