“Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu, as lindas melodias, se ouviram na escuridão” – Frida Vingren
Como assembleiano, desde os cinco anos cresci ouvindo os hinos da Harpa Cristã sendo entoados em praticamente todos os cultos. Geralmente eram dois, cantados antes da leitura da palavra oficial. Acostumei-me com essa rotina. De um tempo pra cá, essa rotina vem deixando de existir em muitas igrejas a ponto de questionar os motivos. Estariam os hinos tradicionais da Harpa Cristã ficando ultrapassados frente a uma igreja cada vez mais jovem e em busca das novidades?
Percebe-se que cada dia mais os cultos estão ficando “pequenos” para a quantidade de grupos e ministérios que querem “louvar” as músicas do momento lançadas por grandes nomes da música gospel e em vista disto, os hinos da harpa são retirados da programação ou empurrados para “os cultos de semana”.
Para entender um pouco esse “fenômeno da modernidade cristã”, usei o meu perfil no Facebook para instigar os amigos virtuais sobre o tema. Interessante como o assunto repercutiu, gerando muitas contribuições relevantes que certamente enriquecerá essa discussão.
Segundo Renan Pablo, estudante de música e também colunista aqui no O Propagador, os hinos da harpa são mal cantados, mal conduzidos muitas vezes, apenas, mas são sempre lindos. Isso explica um pouco o que pode estar afastando os Hinos da Harpa dos cultos. Essas canções são de uma época onde as igrejas não tinham ministérios de louvor, tocadores, e uma série de recursos que se tem hoje, sendo geralmente executados pelas irmãs dos círculos de orações ou pelo pastor que nem sempre detinham um expressivo talento musical. Essa forma de louvar vem sendo transmitida por gerações e quem chega à igreja já encontra essa forma “engessada” de executar hinos da harpa. Não são raras às vezes em que os tocadores penam pra acompanhar o “ritmo”, um tanto quanto sem harmonia alguma.
Alex Eduardo segue com essa reflexão e expõe em seu comentário: “Excelentes letras, porém as melodias precisam de uma boa repaginada. Não dá mais pra cantar como era há décadas atrás. São lindos!” Em um aspecto todos os usuários que participaram desta conversa concordam: as canções são lindas!
Luciana Mazza, Jornalista e organizadora da feira cristã Salão Internacional Gospel declara: “Música boa com letra, melodia e principalmente com unção nunca fica ultrapassada. Agora gritos desafinados, ausência de melodia e somente apelo comercial . Aquelas músicas que repetem a mesma frase 45 vezes … Aí ninguém merece e com o passar do tempo desaparece!”
Marcelo Rebello, jornalista e diretor executivo na Grupo MR1 de Comunicação & Marketing , acrescenta ao comentário de Luciana, sua esposa: “De jeito maneira! Nunca! Ali estão composições feitas e versionadas por Paulo Leivas Macalão e outros grandes compositores… Quem é estudioso de música gospel vai entender a importância do que estou dizendo. Sem contar que, como já bem disse a Luciana Mazza, as letras e interpretações hoje em dia estão bem distantes da poesia e profundidade teológica e musical das belas canções da Harpa Cristã e de seu irmão Cantor Cristão.”
De fato, todos inclusive eu concluímos que os hinos da Harpa não estão e jamais serão ultrapassados. Inspirações do Espírito Santo, como define Lizandra Dias, jamais perderão o seu valor. O que provavelmente vem acontecendo é um descaso com a riqueza que essas canções possuem. Os cristãos mais jovens tão acostumados às músicas modernas, efeitos eletrônicos, e até pouca mensagem aproveitável, provavelmente desconhecem a grande maioria das canções presentes nos hinários, e parte da culpa é da própria igreja. Não que seja um problema a entrada de canções do momento nos louvores das igrejas, mas abrir mão de canções tão ricas por canções “da moda” é sim um erro.
Como foi dito por comentaristas, é possível trazer as canções da harpa para uma maneira menos arcaica de entoar. É possível tornar mais atraente e menos cansativas para a nova geração de cristãos sem perder a essência de canções que são riquíssimas tanto em poesia quanto em inspiração do Espírito Santo.
Para ver o que outras pessoas comentaram a respeito deste tema, clique aqui.
E você, o que acha?
Deixe um comentário