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  • Limão com Mel – A capa do CD é importante ou não?

    Atualmente, publicar a capa de um álbum é quase uma cerimônia, um evento, principalmente nas redes sociais.

    A cada trabalho lançado, um alvoroço para ver como ficou a capa do tal trabalho, se ficou bom, ou se ficou ruim, e dá-lhe opiniões. Uns amam, outros detestam, outros “esculacham na lata”, a espera de uma nova capa pra criticar.

    Mas será que a capa de um CD é tão importante assim ou estamos dando importância demais para algo secundário? Será que o que importa não são as canções?

    Comparemos com o alimento. Sabemos que o papel principal dele é alimentar, não importa a aparência. Certo? Deveria ser. Mas nós seres humanos “comemos com os olhos”. Por mais que algo esteja apetitoso, se não estiver agradável aos olhos, é difícil de acreditar que realmente esteja bom. Não é raro ouvir depois alguém decepcionado ao comer algo: puxa parecia tão saboroso…

    O mesmo serve para os CDs. Difícil de acreditar que as canções estejam boas quando a aparência não está. É claro que a capa não define as canções, assim como uma bela cobertura de bolo não garante que esteja gostoso, mas já é meio caminho andado!

    Percebendo isso, (uns tarde demais) muitos cantores estão buscando serviços especializados para tomarem conta de suas imagens (Graças a Deus).

    Fato é que não adianta tentar empurrar a ideia de que se trata de “um novo conceito” de goela abaixo porque não cola. É óbvio que nada irá agradar a todos, mas se a maioria concorda que não está legal, na boa, é hora de rever os conceitos de beleza por aí. #FicaaDica

  • Um Brinde – Minhas sinceras desculpas

    Um Brinde – Minhas sinceras desculpas

    Observando meus textos no site, especificamente aqui na coluna Um Brinde, percebo o quão superficial e morno fui nos assuntos que queria abordar. Antes de tudo, quero dizer aos caros e amáveis leitores, que esse texto será tematicamente explicativo, ou seja, vou comentar como geralmente escrevia os textos para o site e como quero fazer a partir de hoje. Escrevia os textos para o Um Brinde sempre relacionado com algo que estava vivenciando, igualmente como faço com tudo o que escrevo. Há um pedaço da minha vida em cada letra e frase de efeito. Mas então, isso é ruim? Não. Seria ruim se eu não vivenciasse o que escrevia, aí seria hipocrisia gritante de minha parte. O fato é que quase sempre escrevo os posts apressado e por isso saem aparentemente incompletos, como se fossem falados e não escritos. E realmente é isso mesmo: não dou tudo de mim, não reflito o que sou no tema que quero tratar, não dou atenção exclusiva ao site como deveria, não me sinto parte da equipe. Isso é bom? Não. Péssimo! Quero pedir sinceras desculpas a todos vocês que me leram até hoje. Perdão pela incoerência de alguns textos; perdão por não ler mais a bíblia e livros teológicos antes de escrever qualquer texto aqui; perdão por não orar antes de moldar minha ideia. Perdoe-me!

    Percebi essa falha quando comecei escrever a série de textos Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados. Fui forçado (no sentido mais positivo e espontâneo da palavra) a ler mais, pesquisar mais e especialmente, orar mais. Tive que olhar pra dentro de mim. Apontar minha falha, meu erro, minha imperfeição de ser. Santo Agostinho dizia que: “conhece-se melhor a Deus na ignorância” e isso vivenciei na prática para relatar tudo isso aos fiéis internautas. E não há teologia e/ou filosofia que defina o quão grato sou por poder ser propagador do evangelho de Cristo por esse meio muito importante de  informações. Percebo também, e essa percepção é exclusiva como a de um leitor visitante, que os textos do Um Brinde são bem rotineiros, ou seja, de coisas que diariamente acontecem comigo. Coisas que ouço, assisto e penso. Temo ser um propagador de ideias cruas, sem verdades e alicerces suficientes para cativar quem me dá a honra de sua leitura. Quando publiquei o texto que escrevi com minha namorada, pensei como aquilo refleteria daqui a uns meses ou anos. Mas também pensei em como aquele texto podia servir de edificação para as pessoas que o lê-se. Deixei de pensar no meu futuro para pensar no presente do outro. E é assim que quero escrever agora aqui: quero publicar textos mais pensados, lapidados e revisados.

    Não prometo textos maiores, pois corro o sério risco de falar coisas desapropriadas para o tema e o momento, mas me esforçarei ao máximo para trazer textos com mais eficiência e que seja edificação para nossas vidas. Ainda também não prometo trazer temas mais complexos , pois por mais que meu coração arda pra que eu escreva sobre temas mais difíceis, tenho convicção de que tenho muito que aprender para que meus argumentos se solidifiquem. Porém, no grau mais regular de minha humildade, me comprometo a ler mais a bíblia, ser mais honesto comigo mesmo, ouvir as musicas com mais delicadeza e atenção antes de fazer uma resenha, orar mais antes de começar a escrever sobre algo que quero muito e claro, estudar sobre os temas. Fica aqui minhas sinceras desculpas! E um brinde ao novo Um Brinde!

  • Resgate – discografia e obra

    Surgida na capital paulista no fim da década de 80, o Resgate é um dos maiores – e melhores – ícones do rock cristão nacional, com o diferencial de manter sua formação praticamente intacta. O quarteto é formado por Zé Bruno, Hamilton Gomes, Marcelo Bassa e Jorge Bruno.


    Guia discográfico

    Vida, Jesus & Rock’n’Roll (Independente/1991): Bastante amador, mas esforçado, contém alguns dos elementos marca-registrada do Resgate. Sonoridade direta, simples, mas empolgante e algumas letras que começam a impressionar, como “Paralelo”. (Nota: [usr 3])

    Novos Rumos (Gospel Records/1993): Seguindo a tendência do anterior, Novos Rumos não contém muitas novidades, mas as canções não são tão elementares como antes. Com pitadas de heavy metal, o hard rock do Resgate começava a se solidificar. (Nota: [usr 3.5])

    On The Rock (Gospel Records/1995): Ampliando a visão do Resgate, o produtor Paulo Anhaia soube lapidar a música da banda. Num registro empolgante da primeira à última faixa, a música da banda é sólida, em certos momentos jovial e saudavelmente composta de autodepreciação. (Nota: [usr 5])

    Resgate (Gospel Records/1997): Se remodelando com questões acerca da religiosidade, é liricamente o disco mais complexo do Resgate. A sonoridade suja das guitarras, inspirada no rock londrino parece abandonar o humor tão positivo de On The Rock. (Nota: [usr 4])

    Praise (Gospel Records/2000): Com uma proposta praticamente conceitual, Praise encara muito bem o contexto do louvor comunitário no Brasil, sem perder-se na essência rock da banda. Com órgão hammond, backing vocals bem arranjados, as canções mesclam melodias agradáveis com letras de fácil assimilação. (Nota: [usr 4.5])

    Acústico (Gospel Records/2001): Embora o disco não pareça sair-se tão bem, o Resgate não se propôs a copiar suas versões de estúdio, mas com um time muito bom de instrumentistas conseguiu criar um registro coerente, e com um repertório bem selecionado. (Nota: [usr 4])

    Eu Continuo de Pé (Gospel Records/2002): Não aproveitando nenhum dos êxitos dos três últimos registros inéditos, Eu Continuo de Pé é, de longe, o pior álbum do Resgate. As letras, em maioria são pobres e a obra soa pouco convincente (Nota: [usr 1.5])

    15 Anos – Ao Vivo (Gospel Records/2004): Com guitarras explosivas e a boa participação de Dudu Borges nos teclados, é uma das melhores apresentações para fãs novos da banda. Embora as interpretações vocais de Zé Bruno propositalmente estejam abaixo de seu nível, o disco é ainda sustentado por duas das três faixas inéditas contidas no final (“O Rio” e “O Meu Lugar”), enquanto “Mais Longe” parece soar como uma sobra horrível de Eu Continuo de Pé. (Nota: [usr 4])

    Até eu Envelhecer (Gospel Records/2006): Em 15 anos, o Resgate só poderia continuar evoluindo por conta de seu novo integrante, o tecladista Dudu Borges, que tornou o registro menos previsível do que os anteriores. No entanto, o grande ponto negativo acerca de Até eu Envelhecer são algumas de suas letras panfletárias pró-Renascer. (Nota: [usr 3.5])

    Até eu Envelhecer – ao vivo (Gospel Records/2008): Repetindo grande parte do repertório de 15 Anos – Ao Vivo, Até eu Envelhecer – ao vivo não parece ser um registro muito necessário. No entanto, os registros para “O Rio”, “O Meu Lugar”, “Leve e Momentânea” e algumas das faixas de Até eu Envelhecer justificam relativamente o lançamento. (Nota: [usr 3])

    Ainda não é o Último (Sony Music/2010): Uma boa versão fundida de Praise com Até eu Envelhecer, Ainda não é o Último é um dos melhores trabalhos do Resgate, com todas as faces apresentadas pela banda em sua carreira. Com teor político, humorístico e até mesmo confessional, as guitarras de Zé Bruno e Hamilton se complementam aos teclados de Dudu Borges. (Nota: [usr 4.5])

    Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito (Sony Music/2011): Um dos melhores Greatest Hits do mercado cristão, é um excelente cartão de visita da banda, com todos os seus sucessos contidos até 2010. Ainda, incluindo a autobiográfica “Assim Caminha a Humanidade?”, inclui fotos e depoimentos que não o tornam apenas uma coletânea, mas uma espécie de documentário sobre os melhores momentos do Resgate. (Nota: [usr 5])

    Este Lado para Cima (Sony Music/2012): Sem Dudu Borges, a banda retorna à agressividade de On The Rock, com a produção de Paulo Anhaia. Neste projeto, é interessante perceber que, apesar de simples, o Resgate criou tantas possibilidades e propostas musicais que a saída de um membro não a afetaria tanto. Com um discurso conceitual e forte de se desapegar das coisas terrenas, em direção para cima, a grande faixa do registro é “Eles Precisam Saber”. (Nota: [usr 4])

    Aos Vivos (Sony Music/2013): Claramente afetado por seu pouco planejamento, Aos Vivos soa justificável pela simplicidade que a banda vem adotando desde a saída de seu tecladista. Abordando também algumas canções de Ainda não é o Último com samples, o disco remonta o Resgate no ápice de sua elementaridade. (Nota: [usr 3])

    25 Anos (Sony Music/2015): Com arranjos acústicos suaves, mas vintage, além das grandes inéditas “Ninguém vai Saber”, “Luz” e “Ele”, o Resgate preferiu fazer um trabalho mais calmo, diferente dos anteriores, revisitando canções esquecidas. Apesar de alguns deslizes, o registro teve um acabamento bastante positivo. (Nota: [usr 4])


    Melhores músicas

    5:50 AM, A Hora do Brasil, Acusador, Água Viva, Astronauta, Daniel, Em Todo o Lugar, Eles Precisam Saber, Eu Estou Aqui, Infinitamente Mais, Jack, Joe and Nancy in the Mall, Liberdade, Neófito, O Meu Lugar, O Nome da Paz, O Rio, Palavras, Paralelo, Passo a Passo, Pra Todos os Efeitos, Restauração, Rock da Vovó, Solidão, Te Encontrar, Tempo, Todo Som e Vou me Lembrar.


    Notícias e matérias sobre o Resgate

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Resgate no O Propagador, clique aqui.

  • Conectados no Amor – Ser ou fazer: eis a questão!

    Há dias que parece que o sol não nasceu para nós, na nossa existência. Escrever semanalmente conteúdos que edifiquem pessoas de uma forma diferente, fora da caixa, às vezes tem seu espinho: o de produzir e não de refletir. Tem semanas que o desejo é de não escrever para aquela data pela falta de conteúdo, pela falta de reflexão. E contrariando meu gosto, boto no papel algum texto qualquer, cheio de informações e pouca coisa digerida.

    Quando recebemos alguma função, o nosso foco volta-se todo para o exercício daquela posição. Parece que o que se deve fazer é criar para cumprir o que lhe foi designado. A dor da responsabilidade. Mas esquecemos o principal de uma função: exercer quem somos.

    Função antes de tudo deveria ser vocação. Eu não produzo algo, mas sou um eco do meu eu interior.  Seja como estou, o que sou, minha arte é aquilo que sou. Eu sou muitas coisas, nem um pouco original, mas a minha composição deve refletir o que sou.

    Arte forçada não é arte. Forçar um pensamento, uma visão, em um texto que reflete tudo menos nós é hipocrisia. Eu sou o que sou, e o que eu faço deve vir do que sou. Se eu quero fazer diferente, devo ser diferente. Fazer e ser são diferentes, um é fruto do outro. Não adianta mudar o que eu faço, o exterior, se eu não mudar o que sou, o interior.

    Eu queria mandar um texto de carnaval para esse dia tão igual, queria refletir sobre essa festa de hipocrisia, mas nesse baile de máscaras chamado carnaval, eu sou o que mais tem disfarces.

    Acho que carnaval é todo dia, no ano inteiro. Festa do ter e do exterior, celebração da carne, que extingue o ser, o interior, o Espírito.

    “Nós temos o fogo, quem tem os fósforos?
    Dê uma olhada ao redor, nesse mar de máscaras
    Venha um, venha todos, bem vindo à grande bola (…)

    Bem vindo ao baile de máscaras”

    https://www.youtube.com/watch?v=waGIiTXPxXk

  • Rocklogia – Os últimos anos do Rebanhão

    Muito se fala no contrato do Catedral com a Warner Music Brasil em 1999, mas bem antes disso vários músicos cristãos assinaram com a ‘gravadora secular’. O Rebanhão foi uma delas.

    Aquela altura do campeonato, a nova formação estava estável há três anos. Sem mais vocalistas, creio que o álbum seguinte, Por Cima dos Montes pode ser tranquilamente considerado um álbum solo de Pedro Braconnot, e mostra um afastamento mediano à proposta inicial e musical do grupo. Lançado em janeiro de 1996, musicalmente, é um bom álbum, com arranjos muito interessantes e criativos e produção musical polida. A maturidade instrumental alcançada aqui é admirável. Mas, em letras é uma maré extremamente baixa. Pedro é compositor da maioria delas, a exceção de “Louvor” (Jorge Guedes) e “Eu Voltarei” (Tutuca Borges e Sobreira Batell). “Ligado na Videira”, que é a canção um pouco mais próxima do Rebanhão antigo tem a contribuição de Pablo Chies na autoria.

    Por Cima dos Montes também é um álbum marcado por regravações. Um pot-pourri de “Salas de Jantar” (Janires) e “Contemplar” (Pedro Braconnot), “Razão” do álbum Novo Dia e “Flor do Campo”, do Semeador. Quando pensamos em regravações, há a firme certeza que a nova versão deve superar a original, e ainda bem que neste ponto o álbum não falhou. A exceção de “Razão”, todas as demais regravações ficaram muito boas, principalmente “Flor do Campo”, gravada exclusivamente em piano e voz.

    https://www.youtube.com/watch?v=oZ-Cza9xlCo

    Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.
    Capa do relançamento do álbum, lançado em 2002.

    “Sempre Estar Contigo”, “Noiva” e “Salmo 147”, como dito antes aproximam-se um pouco mais de um estilo mais devocional. A faixa-título, “Por Cima dos Montes” de início lembra um pouco um vocal sertanejo, mas não é. O refrão é bom, e garante um dos momentos interessantes do projeto. “Crazy of Jesus” é a música mais forçada do CD, e consequentemente o pior ponto. Basicamente, Por Cima dos Montes é um disco de art rock, e possui muitas influências da época. Particularmente, a textura do álbum me lembra muito o CD Made in Heaven do Queen, lançado em dezembro de 1995, um mês antes do projeto do Rebanhão.

    A formação deixou de ser estável logo depois. Rogério dy Castro e Wagner Carvalho, em 1997 saíram para fundar uma banda. Com Wagner Derek e Davi Fernandes surgiu a Primeira Essência. Os últimos anos do Rebanhão seguiram-se com Pablo Chies tocando com Pedro por mais um tempo, até em gravações de outros artistas, como Marina de Oliveira e Cristina Mel. Braconnot participou do segundo álbum da coletânea Amo Você da MK Music, juntamente com sua esposa Ayna, época que a gravadora ainda tinha abertura a cantores de fora do cast.

    Pablo Chies acabou saindo também, e mais uma vez Pedro ficou sozinho. Recrutou vários outros músicos, e de forma independente foi lançado, pelo nome Rebanhão o projeto Vamos Viver o Amor, que é uma maré ainda mais baixa que Por Cima dos Montes. Absolutamente nada no álbum lembra o Rebanhão, embora tenha a regravação de “Fronteiras”, do Princípio. Em 2000, o Rebanhão fez seus últimos shows. Pedro Braconnot foi entrevistado por uma revista sobre música, e na mesma época decidiu ‘dar um tempo’ na banda. Porém, o hiato tornou-se permanente. O grupo recebeu convites para voltar, mas Pedro recusou, afirmando que não pretende viver apenas da banda e tem em vista outras coisas a fazer. Carlinhos Felix prestou homenagens ao grupo, regravando várias de suas músicas em carreira solo. Paulo Marotta participou de seu álbum Nada a Perder, lançado pela MK em 1995 na música “Muro de Pedra”.

    Em janeiro de 2013, na Igreja Congregacional de Bento Ribeiro, Pablo Chies, Carlinhos Felix e Pedro Braconnot cantaram várias canções do Rebanhão, e em 2014 a surpresa da volta da banda (um assunto para um post futuro). Acima de tudo, em vinte anos, provou ser uma das bandas mais criativas do rock cristão nacional, e merece todo o crédito pelo legado que construíram.

  • Limão com Mel – Conheça Gospelândia, a cidade ideal

    Quem nunca desejou morar em um lugar perfeito? Apresento-lhes agora este lugar tão sonhado: Gospelândia! Como seria a cidade ideal para o movimento gospel?

    Sem dúvida, já que abordamos a música, acredito que em Gospelândia não existe download de CDs! Todos os moradores desta incrível cidade são evangélicos politizados, portanto cientes de que além de ser crime, o download ilegal de CDs é pecado!

    Por estas bandas, comprar CDs é como comprar pão na padaria! Faz parte da rotina dos habitantes, além de ser algo essencial ao desenvolvimento intelectual e crítico dos cidadãos! Até por que, não haveria problema em adquirir os CDs, pois em Gospelândia, as gravadoras vendem os CDs a preços bastante acessíveis, não causando impacto ao orçamento familiar dos menos favorecidos (estes também merecem acesso à cultura!).

    Fã? O que é isto em Gospelândia? Esta palavra não existe lá, até por que todos os cantores são admirados igualmente, todos são respeitados, amados e fazem o mesmo sucesso! Não importa a qual gravadora pertença, A, B, C ou independente, todos fazem parte da mesma família! A família “Gospelândia”, e este laço familiar está acima de tudo, de qualquer interesse pessoal ou comercial…

    Quando se liga a TV, tem lá vários programas de qualidade. Shows de cantores 24 horas e sem comercial! Estes cantores são acessíveis, no Twitter, por exemplo, todos conversam entre si, não se restringindo a artistas famosos.

    A mídia “especializada” não é feita por blogueiros amadores, mas sim por grandes jornalistas com mestrado e se possível doutorado nas áreas da música. Grandes formadores de opinião, especialistas no movimento gospel, proporcionam conteúdos qualificadíssimos ao seu público.

    Ir aos shows é algo muito tranquilo em Gospelândia! Lá os cantores seguem os horários marcados, sempre iniciando e terminando as apresentações no tempo certo.

    Ninguém precisa andar sobre ovos. Em Gospelândia todos os moradores são verdadeiros. Não existe tapinha nas costas, camaradagem, falsidade, favorecimento, e muito menos depreciação do outro…

    Gostou de Gospelândia? Eu também! Só que se ela existisse, pra que mesmo ir para o céu? Ficaria em Gospelândia mesmo! Delirei?

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados

    Ultimamente tenho procurado ler muitos blogs e sites cristãos a respeito de assuntos que possam me indicar uma referência plausível sobre questões vivenciais de um cristão e como se relacionam com não-cristãos. Um exemplo muito bom é o blog Minha Vida Cristã, a qual eu já consegui tirar muitas coisas pra minha vida mesmo. Entendo vida cristã a partir de um pressuposto vivencial e ideológico que, só pode ser explicado – ou ao menos tentado ser explicado – através da fé. Considerando que ela [a fé] ” é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hebreus 11:01), podemos concluir que fé é ter certeza das coisas que virão (futuro) por meio dAquele que não vemos (Deus). Minha busca por conteúdos cristãos é constante, mas não procuro somente nas mídias globais da internet, também as procuro no dia-a-dia, segundo minha ótica teológica e de amor ao próximo. Cada “pregação” que vejo no terminal, senhores entregando panfletos com uma mensagem evangelística ou uma criança pedindo colo a sua mãe, me levam a refletir sobre nossa mera existência. Schopenhauer dizia que “uma vida feliz é impossível. O máximo que se pode ter é uma vida heroica.” e é assim que vejo milhares de heróis no corre-corre diário atrás de suas metas em busca da sobrevivência, longe de uma vida perfeita, mas crentes de que tem uma vida a zelar. E o que dizer dos ateus? Sua existência é pautada no que a ciência diz, pensa e comprova. Posso dizer que, por anos, acreditei numa ciência certa de vez e suficiente para vivermos, até perceber que ela não me dá nenhuma certeza suficiente para continuar acreditando na minha própria vida.

    Tenho amigos ateus, mas cada um é diferente do outro: uns odeiam Deus, outros não queriam ter nascido e outros até leem a bíblia, mas como se fosse um livro qualquer. E diante de tantas ideologias fundamentadas, como o número de ateus pode aumentar ou se manter estável? Simples: falta uma suficiência  que os garanta que vale apena acreditar naquilo. E aqui defino como algo que bastará para viver. Por mais que haja outras coisas tão boas quanto essa suficiência, a ausência delas não fará diferença, pois você já tem o suficiente. E percebo que, está cada vez mais comum vermos pessoas totalmente desprovidas de quaisquer tipo de conhecimento teológico e filosófico, dando seus palpites de lei moral, cultura secular, etc. Escrevo como alguém que já vive com Cristo aproximadamente um ano longe dos templos, distante dos rótulos religiosos, e procuro todos os dias me relacionar com a Igreja que estou envolvido. Comprovo que sim, é possível existir Igreja fora dos prédios ditos como “sagrados”. Não que isto seja uma regra ou maneira específica e fundamentalmente necessária para um cristão verdadeiro. Nos relacionamos como Igreja, nunca esquecendo os princípios da mesma. Talvez seja isto o que falta entre nós: voltar ao princípio do que é Igreja. Relacionamento com aqueles envolvidos na mesma congregação (Continua…)

  • Análise: CD Da Eternidade – Fernanda Brum

    Análise: CD Da Eternidade – Fernanda Brum

    O novo álbum da Fernanda Brum, gravado ao vivo na Igreja Batista Central da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, dividiu opiniões. Lançado em 21 de janeiro de 2015, é caracterizado por uma produção musical mais crua e apegada à gravação na igreja.

    A grande polêmica acerca do álbum foi sobre sua capa. Fernanda Brum divulgou em sua página no Facebook duas produções para a arte, a fim de que seus fãs pudessem escolher qual seria a capa final. A escolhida rendeu polêmicas por apresentar um símbolo matemático, a Lemniscata, figurando o infinito, universalmente difundido, em todas as culturas. Houve muitas críticas carregadas de religiosidade e ignorância por parte dos internautas. Ao contrário do que parece, esse símbolo não é da Nova Era e nem de nenhuma outra seita maligna. E mesmo que se fosse, é apenas um símbolo, nada mais do que isso. Já passamos dois mil anos da Antiga Aliança para ficarmos consagrando e definindo símbolos sagrados, Deus não habita em símbolos e eles apenas representam uma realidade, não é a existência. A insígnia foi bem escolhida para encanar a ideia do título do álbum, Da Eternidade, expressando a ideia do infinito.

    Abrindo a obra, temos Efésios, escrita por Kleber Lucas. A canção possui uma sonoridade pop rock, com guitarras e teclados trazendo uma agitação relativamente melancólica. Diferentemente do pop característico de Brum, nota-se o cunho congregacional empregado no álbum. Sua letra versa sobre seguir a Cristo e de seu retorno à Terra. A interpretação vocal de Fernanda ficou um pouco distinta em relação aos CDs anteriores, sua voz está um bocado mais grave.

    O peso das guitarras e o timbre dos teclados de Som do Meu Amado demonstram a melhor performance do álbum. O pop rock acompanha a letra que expressa a vinda de Cristo. Assim como a primeira, tem estilo mais voltado ao congregacional.

    Por sua vez, Da Eternidade é mais pop e melancólica. A faixa-título vai de carona da atmosfera dramática dos teclados, até as cordas executadas pelos sintetizadores entrarem empregarem mais densidade à canção. A parte lírica apresenta uma proposta baseada nas promessas de Deus a Abraão, o que pode explicar o “Da Eternidade”, de acordo com as promessas eternas a Abraão.

    A quarta composição é mais calma e congregacional, seguindo a proposta do projeto. Troféu é uma exposição sobre o melhor prêmio ser Deus, retornando as bases dos primeiros CDs da cantora. Composição de Anderson Freire. Continuando no mesmo barco das duas canções anteriores e composta por Anderson Freire, Suas Digitais é uma canção que não merecia ter sido escolhida como single do CD. O single do álbum merecia ser uma canção assinada e escrita por Fernanda Brum.

    Minha Oferta continua no mesmo rumo do pop da cantora. Conta com a participação de André Leonno, e foi escrita pela dupla Junior Maciel e Josias Teixeira.

    Deus Está Me Construindo, escrita pela mesma dupla da anterior, é uma canção melancólica e no mesmo traço congregacional que possui o álbum. Uma letra sobre a construção interna de Deus em nós, sendo nós as Suas casas.

    A oitava canção, uma regravação que foi interpretada por vários músicos brasileiros, possui a pior reinterpretação por parte da Fernanda. Não era necessária a mudança na letra de Santo, e a vocalista não cumpriu o que a canção pedia.

    A nona faixa é a pior canção do álbum, outra regravação de Voz de Muitas Águas. Com um instrumental equivocado, O Que a Tua Glória Fez Comigo é uma pobreza musical e lírica. A mistura de línguas, o português, inglês, hebraico, em certa parte da duração da canção, foi extremamente desnecessário e terrivelmente infantil. A artista poderia ter dado uma ministração nessa canção baseada no português, sem os exageros da mudança de dialetos, o que não tinha nada a ver com a canção.

    Pai dos Orfãos, a terceira regravação do álbum e de Jason Upton, tem uma boa letra, mas um arranjo mediano como algumas canções do álbum. Em Tua Presença, outra regravação de Jason Upton, segue o lado pop da cantora, com uma letra com a mesma proposta de Troféu.

    Alguém Vai Me Ouvir é uma canção que retorna a uma das marcas registradas de Brum, a visão missionária. O arranjo é interessante, sentimental, e complementa a música e a proposta da letra. Além disso, é uma canção escrita por Fernanda Brum com parceria com Luiz Arcanjo, o que favorece a composição.

    Faz Brilhar encerra o álbum com dramaticidade e com uma letra de vibe pentecostal. É uma composição assinada pelo marido de Fernanda Brum, Emerson Pinheiro.

    O CD vem com canções dramáticas, preenchidas por riffs de guitarras, e teve uma boa participação da cozinha instrumental, mas as interpretações vocais de Fernanda deixaram a desejar. O álbum não soa original, criativo, do estilo de Brum, mas uma mistura de músicos, compositores, produtores que não souberam assimilar a identidade que a cantora possui. Isso pode ser negativo ou positivo. Se a proposta era construir um conjunto de músicas que expressem a criatividade de uma reunião de músicos, foi positivo, mas, neste caso, o álbum não deveria entrar para a carreira solo da intérprete.

    A produção executiva foi feita pela MK Music, com Emerson Pinheiro cuidando da produção musical, piano e dos arranjos, Leonardo Reis no baixo, Dedy Coutinho no baixo e no backing vocal, Duda Andrade na guitarra (solo) e no violão, Luciano Bill na guitarra (base), Tadeu Chuff nas cordas, Johnny Essi nos teclados e loops e Adelso Freire no backing vocal.

  • Conectados no Amor – Vivendo no meio de ilhas, a procura de continentes

    Foram-se os dias que havíamos deixado a ditadura e demos o passo para a redemocratização. Nossos pais rebeldes fizeram histórias contra a imposição estatal. A história da humanidade é uma caverna rica de histórias. Em milhares de anos, somos um povo que construiu coisas, das cavernas a prédios.

    Sim, a tecnologia evoluiu, a ciência evoluiu, mas o homem só retrocede. A ciência tenta materializar o ser humano, transformando-o em cadeias químicas e biológicas, um sistema de fenômenos explicáveis por um microscópico, mas as guerras aumentam, e a depressão agora é o mal do século. A razão tenta explicar todo o mundo, mostrar que toda a existência é perceptível pelos sentidos humanos, mas não explica a individualidade, e os fenômenos físicos de culpa humana continuam aumentando. Em pleno século XXI, conseguimos criar a bomba atômica, voar com aviões, navegar por mares, mas não conseguimos amar nossos inimigos.

    Assim, pode-se dizer, somos um povo conectado, unidos, mas individualistas por dentro. Mas por trás desse egocentrismo exacerbado, a espécie humana vive sob uma condição: está interligada com os seres ao redor. Não existem processos históricos de características individuais, somos seres sociais, o que fazemos influencia todos ao redor. Sim, o seu individualismo afeta a todo mundo. Você, liderando empresas, ganhando dinheiro, financiando suas ações, ficando milionário, o dinheiro que você possui, uma criança lá na África está precisando dele para comprar comida, pois quem tem e quer demais, possui o que é dos outros. Você quer justiça, mas planta injustiça. Como queremos um mundo sem desigualdades se ainda desejamos ter mais e conquistar, ganhar, somar?

    Nossa intelectualidade é um poço fundo vazio. Criamos grandes mentes lotadas de títulos e estudos, mas com pouca profundidade. Valorizamos a embalagem e não o conteúdo. Os títulos são os almejados, as honras e as grandezas estão no topo de nossos sonhos, mas a interioridade de nosso cérebro é destruída por tanta decoração e intensivas ministrações. Formamos muitos inteligentes, poucos sábios. E o pouco que aprendemos é utilizado apenas para aumentar nossa glória, mas também as deficiências de nossos achegados.

    Nossos empregos, nossas áreas, nossos cursos são tão deturpados, vazios de justiça e igualdade. Não se produz mais para construir uma sociedade melhor, mas para crescimento profissional. Nossas funções são carregadas de corrupção. A política não constrói leis para melhorar a sociedade, nosso sistema judicial não estabelece a justiça, mas uma disputa de direitos, o povo não luta pelo país, mas quer um lugar cheio de perfeições, nossos meios de comunicações corrompidos pela mídia baseada na fama e no sucesso. Nosso tempo é um dia baseado em esteiras de luta por sucessos, mas para sobreviver à guerra terrena.

    Cristo veio estabelecer um Reino capaz de transformar pessoas. O Reino de Deus não é um reino de homens, que coloca o ser humano como centro de tudo, como na época da ditadura católica, que pregava o geocentrismo, colocando a terra como o ponto central. Mas coloca Deus como centro de tudo (Rm 11:36). Quando a tese do heliocentrismo foi divulgada, os religiosos da época acusavam os criadores da teoria de hereges, de todos os tipos de críticas, cegos pela própria barriga, mas não sabiam que estavam tremendamente enganados. Pregavam que o homem era o centro de tudo, e que Deus o havia feito assim, para dominar, e que tudo fora criado para honra de seu próprio eu. Mas o heliocentrismo afirmou, mesmo sendo condenado como uma heresia, que o sol era o centro do universo. É assim conosco. Se algum religioso, humanista, egocêntrico te condenar por pregar que todas as coisas foram feitas para Deus, lembre-se que a verdade sempre esteve invisível para aqueles que só olham a si mesmos.

    E o Reino dos Céus veio trazer a verdade divina:
    Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; (Mateus: 16. 24)

    Aquele que deseja seguir a Cristo deve negar a si mesmo, negar a individualidade, o seu eu, e viver sob o arrependimento. Seguir a Cristo implica amar ao seu irmão mesmo quando não quer amá-lo, é abnegar de seus caminhos para tomar um trajeto, de sobremaneira, maior, mas estreito, dolorido. É deixar de viver pelo mundo e por coisas passageiras, para viver por um lugar eterno, o amor.

    Quando Cristo morreu na cruz, o madeiro mostrava dois mistérios: o vertical e o horizontal. O tronco era o vertical, ligava o homem a Deus, e o horizontal nos braços, ligava os homens em amor, em comunhão. E estava Cristo no meio estabelecendo o perdão. Ele destruiu o pecado para trazer a paz e a harmonia.

    Porque então, estamos vivendo no meio de ilhas individualistas, a procura de continentes solidários. Pois é isso que buscamos, a comunhão sobrenatural, a solidariedade, o amor correndo nas veias exteriores de nossos relacionamentos e nas nossas socializações. Enquanto o ódio provoca mares tempestuosos, cria oceanos enormes, que separam pessoas umas das outras, o Reino de Deus é um continente que emana o amor.

  • Rocklogia – Indiferença

    Aos fãs mais recentes da Oficina G3, mil desculpas, mas existem álbuns na discografia da banda que sejam melhores que o tão comentado, bajulado e superestimado D.D.G. O que parece controverso para alguns é óbvio para outros. Assim, Indiferença é, talvez o grande exemplo disso.

    Lançado em meados de 1996, este disco foi, sem dúvida, o primeiro divisor de águas na carreira da banda Oficina G3. Duca Tambasco já tinha participado em poucas faixas de Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho, mas é neste momento em que o baixista faz realmente sua estreia. No entanto, ele não era o único. Um tecladista brasiliense, chamado Jean Carllos era recém-chegado, para somar a formação que tinha Juninho Afram, Luciano Manga e Walter Lopes como veteranos.

    Outro destaque no disco é a produção musical de Paulo Anhaia, que tinha, recentemente trabalhado com o Resgate e Katsbarnea. Com o ótimo resultado de On The Rock e Armagedon, o óbvio era que o futuro trabalho da Oficina G3 ampliasse a visão do grupo. E foi o que aconteceu.

    As canções do álbum são escritas por quase todos os integrantes, embora a maioria sejam resultado do trabalho individual de Juninho. Com mais faixas instrumentais como “Glória” e “Duca’s Jam”, os pequenos espaços no álbum são preenchidos por performances proficientes dos músicos. Nos vocais, Manga comanda com maestria, embora haja participação de Afram e Lopes em outras. Os sintetizadores de Jean são perfeitamente adequados ao que cada música pede.

    Embora o repertório não seja completamente inédito, as regravações do primeiro álbum da banda foram competentemente produzidas, com novos arranjos e interpretações. Um grande exemplo é “Magia Alguma”, uma das melhores baladas do Oficina G3. Vale lembrar que o maior sucesso do grupo está no disco, a clássica “Espelhos Mágicos”.

    Algumas performances do Oficina G3, nesta época podem ser encontradas na internet. No ano seguinte, Luciano Manga saiu do grupo. Na verdade, a banda já estava preparada para isso, já que Manga era pastor, e em algum momento precisaria se ausentar. Mas, para não atrapalhar a Oficina G3, Manga ajudou-os na escolha de outro vocalista, e encontraram num rapaz chamado Pedro Geraldo (mais tarde, conhecido como PG) a personalidade perfeita para substituí-lo. PG era vocalista e baixista de uma banda de metal cristão da época, e aceitou entrar no grupo.

    Luciano Manga é amigo dos integrantes do Oficina G3 até hoje, e ajudou o grupo em outros momentos, como na indicação de Celso Machado para guitarrista base convidado. Manga fez participação especial em dois álbuns posteriores do grupo, na canção “Pirou”.