Categoria: Polemizando

  • Limão com mel – Músicas de grife

    Há algum tempo atrás, indaguei em meu perfil no Facebook, se meus amigos conheciam músicas de grife. A maioria não entendeu bem o que eu quis dizer e nem imaginavam que isso viraria um texto aqui no O Propagador. Pra não antecipar o que queria dizer com o termo, deixei o dito pelo não dito. Agora é a hora, vamos aos fatos.

    Você já se questionou como surgem as canções? Como elas são criadas? Como ela toma forma na voz de determinado cantor/banda/ministério?
    Cada compositor tem suas experiências particulares para compor. A grande maioria atribui ao divino, como se compor fosse algo sobrenatural, além das habilidades humanas. “Começo a falar com Deus, e de repente ele “me dá” uma canção”. “O Senhor me deu esta música em sonhos, foi incrível!”. “Quando estava aflito, passando por problemas, o Senhor falou comigo, então compus este hino”. Esses são alguns dos milhares “bordões” de compositores gospel. Não que não seja assim, algo sobrenatural o ato de compor, mas…

    Acontece que com o aquecimento do mercado musical gospel, esses feitos parecem que viraram parte do cotidiano dos compositores tamanha é a fabricação de canções. Tais canções ganharam status de super produção. O nome do compositor A ou B virou grife.

    Imagine que você quer um aparelho celular, e pode pagar pelo mais caro. Qual compraria? iPhone? Acho que o iPhone é um dos sonhos de consumo da maioria dos mortais assalariados os não assalariados também, mas Dilma ainda não criou o Bolsa iPhone, chateado rs. Pois é. Alguns compositores se tornaram “Apples” da música gospel. Suas canções são alvo do desejo insaciável de 10 em cada 10 cantores que querem fazer suce$$o.

    A máxima do mercado é que quanto maior for a demanda, mais valorizado é o produto. Aí já viu não é? Nem todos podem comprar iPhones. Quando vejo que um cantor novato conseguiu gravar uma música da grife, prevejo até motivo para nota da assessoria: “O single é de autoria de Fulano de Tal, que compôs os sucessos x, y e z nas vozes de grandes nomes da música gospel”. E daí?

    Gravar música de grife não garante sucesso. Primeiro que não adianta ter iPhone se ainda nem aprendeu a enviar SMS! É uma pena que a música cristã esteja caminho desta forma, buscando músicas fabricadas para emplacar nas rádios e cair na boca do público como se isso fosse o fim nisso mesmo. Claro que como qualquer trabalho comercial, um álbum precisa ser coerente com o que o mercado busca, mas como um trabalho cristão, onde o foco também é servir como ferramenta para o evangelho, esse não deveria ser o único ou o principal viés considerado.
    No entanto, porém, todavia…

    A falha não está apenas nos cantores que “solicitam” canções receitadas para o sucesso à “Apple”, mas também está no público que consome. A cantora Quincas da Silva só lança CD todo ano porque sabe que alguém vai comprar. Mesmo que nem tenha ouvido o anterior. “Quero uma música que fale de vitória, porque a daquela cantora estourou”. Note como as músicas cristãs vem se tornando descartáveis com o tempo. Assim como um celular que hoje é moderno, mas amanhã a Apple já lançou outro ainda mais equipado, as músicas também estão sendo deixadas de lado, esquecidas. Esse efeito “temporada” já é bastante comum no secular, onde lançam músicas pra carnaval, e um mês depois ninguém mais ouve falar. O gospel está no mesmo caminho. Será que daqui há 10 ou 20 anos nos lembraremos das canções que hoje estão tocando nas rádios?

    Aí no fim, faremos campanha contra o consumismo, contra o entretenimento, contra o oba-oba que virou o segmento. Coerência pra que?

    Limão com mel: porque a realidade nem sempre é tão doce quanto gostaríamos…

  • Limão com mel – Pequenas corrupções, grandes corruptos

    O assunto do momento certamente é a eleição que se aproxima, já que tal eleição definirá ou pelo menos influenciará significativamente os rumos do nosso país nos próximos quatro anos.

    É também lamentável que somente neste momento quando precisamos escolher os nossos representantes que o tema “política” fique em evidência, principalmente porque nós, enquanto cidadãos, deveríamos estar muito mais a par do que acontece em nosso país, e não apenas quando se aproxima o período político.

    Como se não bastasse esse quadro de apatia política por parte dos brasileiros é possível notar que muitos que acreditam que falam de política, na verdade se referem à “politicagem”. Defendem com unhas e dentes os seus candidatos baseando em argumentos rasos e discutíveis.

    Mas o que mais chama a atenção de modo geral é a queixa da sociedade quanto à corrupção dos candidatos, dos políticos de modo geral e como é escasso o número de candidatos “honestos”. Será que a desonestidade é algo inerente aos políticos ou a corrupção no poder apenas representa a grande parcela da sociedade corrompida?

    Em análise publicada pela organização Transparência Internacional, a percepção de corrupção ao redor do mundo divulgada em 2013 aponta que o Brasil é o 72º colocado no ranking entre os 177 países analisados, um posto simplório mesmo entre os vários países das Américas.  A escala vai de 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente).

    Perceba que a pesquisa aponta a “percepção de corrupção”, ou seja a sensação que a população tem de que seus servidores públicos e políticos são corruptos. Seria esse o reflexo da própria sociedade brasileira?

    Se uma pessoa não consegue esperar o sinal vermelho abrir para poder passar, por que será honesto quando tiver a chance de pôr a mão no dinheiro público? É diferente aquele que fura a fila para o que se beneficia do cargo público para interesse próprio? E quem estaciona em vaga para deficiente? E quem finge dormir quando entra idoso no ônibus? O que dizer do dinheirinho que muitos dão aos policiais nas blits da vida? Acho que poderia escrever pelo menos mais uma página repleta de “espertezas populares”, mas que salvas as proporções, são tão corrupções quanto o político que desviou dinheiro público.

    Provavelmente você deve estar pensando que isso é “normal”, faz parte, e que provavelmente a corrupção política também é algo que temos que conviver, mas na verdade não é. Podemos mudar, podemos fazer diferente, mas para isso é fundamental mudar o foco do benefício próprio pelo do todo. Quando você vota em alguém por que te deu uma cesta básica, uma dentadura, ou cinquenta reais, você não está pensando no bem público, mas em si próprio. Pior, você já está sinalizando ao seu candidato que é corrompível e que ele tem carta branca para se corromper… Aí depois de quatro anos não adianta reclamar né?

    E para não ficar somente nas minhas palavras…

    Não vos enganeis; de Deus não se zomba. Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará: porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará vida eterna. Não nos desanimemos de fazer o bem; pois a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Portanto à medida que tivermos oportunidade, façamos o que é bom a todos os homens, mas especialmente aos que pertencem à família da fé.

    (Gálatas 6:7-10)

  • Limão com Mel – Quem ouve “música do mundo” vai pro inferno

    Como a maioria daqueles que cresceram numa igreja pentecostal, cheia de rigores e costumes próprios, certamente já devem ser ouvido a frase do título. Sempre me questionei sobre essa expressão “do mundo” afinal, a música evangélica também não é do mundo? Fato é que me acostumei com a ideia de que era errado ouvir e cantar as tais “músicas do mundo”, que não “edificam” o espírito, que não são inspiradas por Deus…

    Até descobrir que posso pensar por mim mesmo, sem assumir uma ideia pronta e acabada. Afinal, quem disse que é pecado? Quem disse que vou para o inferno? E por que ver televisão “do mundo”, ver filmes “do mundo”, ou consumir qualquer outro produto “do mundo” não me leva para o inferno como ficou condicionado quando o assunto é música?

    O mundo evangélico está cheio de verdades absolutas e cada dia se cria mais. E o público cristão se condicionou a não se questionar, a aceitar, como sinal de obediência (ou preguiça). Acontece que cada um cria e molda verdades para seu próprio interesse. Vendem-se essas verdades e as compra quem quer. Em relação à música secular também é assim. Disseram que não podemos ouvir e acreditamos, mas por que não pode?

    Acredito que nenhum tipo de extremismo seja saudável. Não posso simplesmente rotular toda a música secular como ruim apenas por não ter o “selo gospel de santidade”. É preciso bom senso pra que possamos filtrar o que é relevante do que não é. Assim como é no “gospel” a música secular é recheada de sucessos de duas sílabas, aquelas músicas que viram memes e na mesma velocidade em que aparecem, somem sem deixar rastros. Mas há muita música de qualidade sim! Que não podem ser ignoradas ou serem jogadas na lata do profano sem terem tido a chance se serem ouvidas e minuciosamente digeridas.

    Quantos cantores evangélicos tem se proposto a falar dos problemas sociais que afetam a nossa população? Quantos tem usado a sua arte para se opor à corrupção, à ganância, e o descaso com o menos favorecidos? Poucos. Muito poucos. A grande maioria segue a linha “glória glória e aleluia” como se vivêssemos num mar de rosas e que não precisamos nos preocupar, “tudo é permissão de Deus” inclusive a pobreza da população e o enriquecimento da maioria de nossas estrelas.

    Que fique claro que não sou contra as canções que glorificam e engrandecem ao Senhor, afinal, essa é sim uma das funções da música, da arte em si, mas não o único.

    Se você fez a escolha de apenas ouvir música gospel, ótimo. Cada um é livre para escolher aquilo que quer ouvir, agora permita que o outro escolha também, sem julgá-lo por isso. Creio que há tempo para tudo em cima da terra. E isso inclui o momento de ser “edificado”. Não dá pra ficar buscando ser edificado com toda música que ouve. Tanta música que possui o “selo gospel de santidade”, mas não tem nada que edifica além de frases feitas pra vender…

    Não tenho essa síndrome da “edificação” ininterrupta. É preciso compreender que nem todas as canções possuem esse propósito, mas nem por isso podem ser jogadas no lixo, descartadas como sendo ruins ou abomináveis. Existem aquelas que são apenas para viajar na melodia, para curtir o momento, ou para dar um choque de realidade em muita gente que anda dormindo!

    Pensando nisso, deixo duas músicas seculares que já adianto que muito provavelmente não edificará o seu espírito, e você nem é obrigado a ouvir, mas tenho certeza que “edificará” o seu senso crítico (se você tiver).

  • Limão com mel – O controverso ato de baixar da internet

    Não sei se você é como eu que lê até bula de remédio, mas se você já parou para ler as letrinhas miúdas nos Box de alguns CDs gospel deve ter encontrado a seguinte frase: “Pirataria é crime e é pecado”. Geralmente os CDs seculares limitam-se a dizer que a pirataria é crime.

    Quando se fala em pirataria, muitos imaginam ser a cópia física do disco, aqueles vendidos a três reais nas bancas dos camelôs. Mas tem também uma pirataria mais refinada, aquela em que a cópia é tão bem feita que muitas vezes o consumidor acaba levando gato por lebre. Ninguém discute que isso seja crime, e até pecado. Mesmo sabendo que muita gente crente não resiste a um MP3 da barraca ou aquele filme evangélico que saiu nas barracas antes mesmo que no cinema.

    Mas baixar o CD na internet é errado? É crime? É pecado? Talvez você já tenha se feito essas perguntas ou muitas vezes preferiu ignorar o assunto e dormir com a consciência tranquila. Vamos por partes.

    Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é crime.

    Pois é. Apesar de parecer terra sem lei, a verdade é que muito do que está disponível para download na internet é conteúdo ilegal. Livros, programas, filmes, fotos, CDs. Muito desse conteúdo está disponível sem a autorização de seus respectivos donos. Algumas gravadoras têm políticas severas na caça aos links de download ilegal de seus produtos, mas é claro, nunca conseguirão 100% de eficácia. Muitas vezes o conteúdo aparece pra download antes de chegar às lojas. É algo que terão que conviver.

    Muitos podem pensar que o fato de estar se apropriando do conteúdo apenas para uso próprio e não para comercialização é um diferencial e não se configura como pirataria, mas a verdade é que sem ninguém pra baixar não haveria sentido de outro disponibilizar o download. Se você pensa assim, não se engane: você faz parte do sistema.

    Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é pecado (?).

    Por mais irônico que possa parecer determinar que algo seja crime é mais fácil que dizer que é pecado. A lei costuma ser menos relativa que a visão moral das pessoas e a noção de pecado estão intimamente ligada a isso.

    O termo pecar vem do latim: latim pecco, are, dar um passo em falso, tropeçar, cometer um erro, proceder mal.

    1. Cometer pecados.
    2. Errar.

    Perceba como o sentido de pecado pode ser relativo. Se não considero tal ato errado, logo, não o considero pecado. Assim como muita gente acredita que o fato de baixar o CD pra uso próprio não é errado, logo se acredita não ser pecado também.

    Não bastasse isso, há aqueles que justificam os fins pelos meios. Algo comum é dizer que está baixando algo para sua “edificação”, para uso na igreja, na obra de Deus, logo não se pode dizer que seja pecado. O que vale é a intenção (?).

    Alguns mais perspicazes vão além, usando o discurso de muitos cantores gospel a seu favor. “De graça recebeis de graça dai”. Referindo-se ao fato de os artistas gospel terem recebido as canções do Senhor e, portanto, é imoral vendê-las.

    Quem nunca ouviu algum cantor dizer que a composição x foi dada por Deus? Que tal CD é uma ferramenta de evangelização? Há de se tomar cuidado com esses discursos, pois pode ser intencionalmente mal interpretado.

    O problema aqui é a relatividade da coisa. Cada um vai justificar seus atos conforme seu bel prazer. O cantor, a gravadora vai buscar argumentos para dizer que o download é pecado, já os que baixam farão o mesmo para provar justamente o contrário. E quem estará certo?

    Concluindo…

    Creio que tenha ficado evidente o dilema que é afirmar que o download ilegal seja pecado já que tal afirmação estará imbuída de meus próprios conceitos morais e que poderão ser diferentes dos de outra pessoa. No entanto, afirmar que tal ato é crime é baseando-se nas leis que dispomos mesmo que não tenha conhecimento de que alguém até hoje tenha respondido por este ato criminoso.

    Alternativas

    Se você entende que baixar CDs e outros conteúdos na internet é pecado e quer evitar, hoje temos alternativas bastante atrativas que você pode aderir e dormir com a consciência tranquila.

    iTunes

    O iTunes é uma loja de conteúdo digital voltada para os produtos da Apple, mas você pode instalar em seu computador Windows e ter acesso a tudo que é vendido lá. Uma música por exemplo você pode adquirir por $0.99.

    Spotify ou Deezer

    Essas ferramentas são excelentes e considero ainda melhores que o iTunes. Primeiro por estar disponível a qualquer plataforma, inclusive ao popular android. Segundo, por permitir que o usuário tenha acesso ao seu acervo sem pagar absolutamente nada. A grande sacada é a veiculação de anúncios e spots entre uma música e outra, além da exibição de banners no site da plataforma. O usuário ainda pode escolher ter mais autonomia e se livrar também dos anúncios pagando uma pequena taxa mensal.

    Netflix

    A Netflix é uma plataforma de filmes online. Excelentes títulos estão lá disponíveis ao usuário por uma pequena taxa mensal. Filmes, séries, novelas inteiras, desenhos animados e muito mais a um clique. A Netflix ainda permite que o usuário possa criar perfis com a sua assinatura que pode ser para membros da família ou amigos.

    Youtube

    O Youtube é a grande plataforma de música da atualidade. Apesar de ter sua característica de vídeo, acessar o site para ouvir música é muito comum. Se antigamente as gravadoras lutavam para retirar seus DVDs e músicas de lá, hoje elas mesmas fazem questão de colocar lá. Por um lado motivadas pela exposição que a plataforma gera, por outro, visando os ganhos que podem obter pela visualização de seus conteúdos após a monetização destes.

    Por fim…

    Viu como é possível ter acesso a conteúdo legalmente na internet? Creio que não é mais justificável baixar CDs pontuando o preço dos CDs, por exemplo, visto que estes estão acessíveis a preços bem aceitáveis e até de graça na internet sem infringir a lei.

    Se você quiser debater sobre este assunto, clique na imagem abaixo e participe do debate em nossa página oficial no Facebook. Compartilhe conosco a sua opinião!

  • Limão com Mel – O humor no meio gospel

    Hoje nossa doce coluna vai tratar de assunto controverso como sempre. Trata-se do humor no meio cristão.

    O povo brasileiro é engraçado pela própria natureza até demais. Qualquer coisa é motivo para satirizar e fazer piadas. Quem não se lembra da histórica derrota do Brasil para a Alemanha de 7×1 na Copa?

    Como diz Copélia…prefiro não comentar

    Fato é que com o crescimento das redes sociais, o humor tomou proporções gigantescas motivadas principalmente pelo efeito viral. Não há barreiras na internet. Vídeos dos quatro cantos do mundo circulam diariamente no Youtube e Facebook.

    Na TV temos uma grande quantidade de programas humorísticos que vão desde o humor pastelão ao chamado humor “inteligente”, mais refinado. No segmento evangélico, porém a presença do humor ainda é bem “tímida”.

    Não que o povo cristão seja sisudo e sem graça. Na verdade os cristãos costumam ser bem engraçados, porém o fazer humor em si ainda é rodeado de tabus. Alguns assuntos são intocáveis e a linha entre o “engraçado” e o “ofensivo” é bem tênue e depende muito principalmente do receptor da mensagem. O fato de usar a religião em si como matéria-prima para o humor ainda é vista com ressalva por muitos evangélicos, geralmente motivada pelo temor da “blasfêmia”, o que é até compreensível devido à interpretação que muitos fazem do versículo 10 de Lucas cap. 12: “Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado”. Além disso, a famosa frase “ai daquele que tocar no ungido” virou bordão na boca dos que são contra o humor crítico principalmente direcionados a pastores e cantores cristãos.

    Mas será que fazer humor com o cotidiano cristão, teologias e práticas pastorais, postura e ações de cantores gospel também pode ser enquadrado como blasfêmia? Há quem acredite que não e graças a isso o humor gospel, seja com único objetivo de divertir ou criticar vem crescendo aos poucos em nosso meio.

    Uma das modalidades atualmente exploradas é o humor em vídeo. Sejam produções caseiras ou bem elaboradas, ultimamente vem surgindo opções interessantes de humor com esse formato no meio evangélico. Um dos precursores foi o controverso Jonathan Nemer. Amado por uns e por outros nem tanto, o advogado e humorista nas horas vagas ganhou notoriedade no meio principalmente por suas paródias de sucessos tanto gospel quanto secular. A grande maioria dos cantores veem as sátiras com bons olhos, mas uma sátira de um clipe do cantor Thalles Roberto foi excluída do Youtube por questões desconhecidas gerando mal estar e debates no Twitter. Um dos vídeos de maior sucesso de Nemer é a paródia de Sabor de Mel da cantora Damares. O vídeo ultrapassou meio milhão de visualizações apenas em seu canal sem contabilizar os vídeos replicados. Assista:

    O Porta Estreita surgiu como uma “versão gospel” do conhecidíssimo Porta dos Fundos. O Estilo é parecido, o que diferencia mesmo é o conteúdo. A trupe do Porta Estreita lança a cada segunda-feira um novo vídeo no Youtube obtendo grande sucesso com vídeos que ultrapassam meio milhão de visualizações em seu canal oficial. Segundo Gilson Munhoz Andreazzi (diretor geral), o humor gospel exige ainda mais empenho do que o humor tradicional: “no humor secular sempre tem um que está sendo depreciado, o nosso humor trata-se de uma lente de aumento para as nossas atitudes, nossas falhas. Os episódios não são para apontar ninguém, são apenas exemplos do que não se deve fazer. Da mesma forma que você conhece o que é correto na Escola Bíblica Dominical, mostramos na prática o que não se deve fazer.” Pontua. Veja o episódio Agenda 2014 (Tapa na cara do capeta):

    Ainda em vídeos, quem vem alcançando destaque é Fabiana Bertotti. Ela é escritora e Jornalista e vem alcançando grande repercussão através de seus vídeos no Youtube. A sacada de Fabiana é falar de assuntos diversos muitas vezes sugeridos por seguidores de forma sarcástica, crítica e com pitadas de humor. Sua postura e tom ao falar de assuntos importantes de forma despretensiosa cativa e certamente contribui para o seu sucesso. Confira:

    No Facebook há uma quantidade considerável de páginas destinadas a fazer humor gospel, porém diferente dos citados no Youtube, aqui a originalidade ainda é um ponto a ser melhorado devido ao copiar e colar. Poucas páginas de fato se destacam com conteúdos de qualidade e originais. Geralmente o tom do humor é crítico e direcionado aos pastores da mídia, cantores, gravadoras e personalidades incluindo também o dia a dia do cristão como matéria-prima para o humor.

    Entre essas é possível destacar: Hipster do Gospel, Gospelmente Incorreto, Eu sou mais crente que você, Coisa de Crente, Profetirando, Na Igreja entre tantas outras.

    E você, gosta de humor gospel? Comente e indique as páginas que você acompanha no Facebook!

  • Limão com Mel – Troféu de Ouro e o show de incoerências

    Depois do aparente fim do Troféu Promessas (já que a noite de premiação da terceira edição foi cancelada inexplicavelmente e não informaram se haverão novas edições), parecia que o segmento da música evangélica brasileira ficaria novamente órfão de uma premiação digna que reconhecesse os excelentes trabalhos desenvolvidos na música cristã.

    Então eis que surge uma nova premiação: O Troféu de Ouro… E o segmento da música evangélica continuou órfão de uma premiação séria.

    A premiação tinha tudo para ser levada a sério, não fossem algumas muitas inconsistências. Acompanhe.

    Abrangência

    No site do Troféu, menciona que “O Troféu de Ouro, destinado a premiar o Mercado Fonográfico Gospel de São Paulo, tem como Primícias dar Toda a Honra e Toda Glória a Deus, como também dar o reconhecimento a todos os que trabalham no desenvolvimento e na valorização da Música Gospel Brasileira”. Isso não me soou bem rs.

    Como assim o prêmio visa premiar o mercado fonográfico gospel de São Paulo? O mercado seriam os cantores? Ok. Mas os cantores devem ser nascidos em SP, morar em SP ou pertencer a uma gravadora de São Paulo? Não ficou claro.

    Outro ponto é: cantores de outros estados não podem concorrer ou o “Música gospel brasileira” dá essa abertura?  A proposta do Troféu era que acontecesse bienalmente. Porém a partir da edição 2014 (que é a segunda edição) passa a ser anual.

    Categorias

    Aqui é parte mais controversa do Troféu. Primeiro pelas próprias categorias que são estranhas a qualquer premiação anteriormente existente. Segundo, pelas indicações. Ainda que o público votasse, havia uma quantidade irrisória de indicados, além de o fato de alguns dos indicados não se adequarem à categoria na qual concorria como veremos adiante.

    Design Gráfico: JR Designer

    Confesso que conheço muito pouco o trabalho da JR Designer, mas talvez em São Paulo eles sejam os melhores. Vai saber. Esta é uma das categorias que, creio eu, nunca vimos em outras premiações e até é válido dar enfoque também à área de design, afinal faz parte do mercado gospel, mas por que premiar empresas e não projetos gráficos como era no falecido Troféu Talento?

    Destaque internacional: Lenilda Borges

    Tive que fazer uma busca no Google pra descobrir quem é a cantora internacional com nome tão familiarmente brasileiro. Tentei descobrir como ela conseguiu derrotar, por exemplo, Kari Jobe, Hillsong, Casting Crowns, Chris Tomlin, entre outros. Não encontrei nada dela na Wikipédia, nem site oficial, mas descobri que ela tem dez letras cadastradas no site Letras, todas em língua portuguesa.

    Cantora Mirim: Milena

    Parabéns Milena! Canta muito a baixinha!

    Melhor produtor: Ronny Barbosa

    Ok.

    Cantora Internacional: Suelen de Jesus

    Esse nome não me é estranho, mas vale uma “busquinha” no Google. Descobri que Suelen é brasileira, tá eu já sabia mais precisamente do Paraná, Ponta Grossa. Mudou-se para os Estados Unidos com apenas 19 dias de nascida. Poxa vida, por pouco ela não seria americana de verdade.

    Na minha busca não encontrei nenhum disco da cantora em outra língua que não o Português, mas descobri que ela é irmã da Elaine de Jesus (também brasileira). Provavelmente se o Troféu fosse em território americano ela provavelmente seria uma cantora internacional apta a concorrer, a menos que o fato de morar fora do Brasil a transforme em cantora internacional. Sendo assim…

    Melhor compositor: Anderson Freire

    Achei bacana premiar os compositores. Geralmente os compositores pouco são mencionados e o intérprete acaba recebendo todo o crédito pela música, principalmente quando a música se torna sucesso. Anderson Freire é de fato o melhor compositor gospel da atualidade, mas vem surgindo alternativas com igual qualidade como o baiano Tony Ricardo. Ahhh, Anderson nasceu em Cachoeiro de Itapemirim – ES, só pra constar.

    Melhor música: Sublime – Leonardo Gonçalves – que ganhou como melhor intérprete também.

    Realmente a música é linda, e o Léo, um dos cantores mais talentosos da atualidade, não apenas no gospel. Falando dele, aproveite pra ler a entrevista incrível que ele concedeu ao nosso site. Clique aqui.

    Cantor Jovens Talentos: Davi Lukato e Cantora Jovens Talentos: Bekah Costa

    Eu não iria comentar essa categoria, mas a pedidos rs, resolvi considerar. Provavelmente de todas é a categoria mais sem propósito do Troféu. Por acaso cantores que saíram do quadro Jovens Talentos do Raul Gil não se enquadram em nenhuma outra categoria? Então por que Jotta A concorreu como destaque? Eis que surge uma nova linhagem de cantores gospel: Os jovens talentos. Se nada der certo no programa, pelo menos os jovens sonhadores vão poder participar deste troféu e quem sabe levar a estatueta pra casa como prêmio de consolação. Quando alguém for eliminado do programa já quero Raul Gil dizendo: “não chore querido (a), você agora pode participar do Troféu de Ouro 2015!”.

    Destaque de São Paulo: Célia Sakamoto

    Pra quem gosta da música pentecostal, Célia tem bons CDs. Se ela é destaque em São Paulo… Conviva com isso Paulo César Baruk.

    Cantor destaque de São Paulo: Jotta A

    Jotta A continua com muita popularidade, não apenas em São Paulo, mas no Brasil e até fora do país. De qualquer forma, é estranha a divisão entre nacional e São Paulo.

    Melhor dupla: André e Felipe

    Eles são de São Paulo? Pensei que fossem do Paraná. Mas cantam muito, é realmente uma dupla muito talentosa, gosto bastante do CD Chuva de Poder. (veja aqui minha análise).

    Destaque nacional: Sellen Lima

    Só digo uma coisa: o Paraná arrasou na premiação de São Paulo…

    Melhor grupo: Coral Kemuel

    Ok.

    Melhor gravadora: Sony Music

    Mais uma categoria visando premiar empresas. Não temos assim tantas opções de gravadoras a concorrer. De qualquer forma, está coerente, exceto o fato de a Sony ser uma multinacional e sua sede no Brasil estar no Rio de Janeiro e não em São Paulo.

    Melhor álbum: Escolhidos – Elaine de Jesus

    Realmente o CD é bom, mas é impressão minha ou ele foi lançado em 2012?

    Revelação Nacional: Leandro Borges

    Gosto bastante do Leandro Borges e a canção “Cresça” conseguiu grande destaque sendo a sua canção mais buscada no Letras. Tudo bem, ok. Leonardo Borges foi uma das revelações do ano. Leandro Borges é de Santa Catarina.

    Cantora de São Paulo e revelação de São Paulo: Daniela Araújo

    Daniela Araújo é uma grande cantora, produtora, compositora não apenas em São Paulo, mas em nível de Brasil. Apesar disso, ser revelação em São Paulo soou estranho. Daniela já é conhecida do grande público tendo carreira longa e sólida na música cristã.

    Melhor cantor nacional: Anderson Freire

    Alguém tira uma dúvida: cantor e intérprete são duas coisas distintas? Qual a necessidade de duas categorias análogas? Vai entender. Parabéns Anderson. Canta muito!

    Homenagens

    O Troféu ainda homenageou Shirley Carvalhaes na categoria feminina e Mattos Nascimento na categoria masculina. Justo.

    No mais, a cerimônia aconteceu em São Paulo com apresentação das cantoras Vanilda Bordieri, Dani Grace que não ganhou nada e Priscila Alcântara, no último dia 5, na casa de festas Monte Carmelo na cidade de Mauá. A premiação é uma idealização da Prisma Brasil (revista gospel) e contou com a presença de diversos artistas inclusive o vencedor da edição do The Voice Brasil 2013, Sam Alves.

    Veja aqui as fotos da noite de premiação

  • Limão com Mel – Acabou o sal?

    Ultimamente o Facebook tem sido palco de diversos vídeos exibindo performances musicais e pregações em igrejas evangélicas sempre seguidas de uma enxurrada de críticas. Não podemos negar que com a forma vertiginosa em que vem se aumentando o número de denominações, aumentam também os costumes, as permissividades e aquilo que antes poderia ser tido como “marca registrada” do povo evangélico talvez não faça mais tanto sentido.

    Não se trata de certo ou errado, pecado ou não, se vai pro céu ou não, afinal, quem somos nós pra determinar o que fazer pra herdarmos a vida eterna? Todas essas respostas já estão publicadas na Bíblia. Mas essa é outra questão: a igreja atual lê a Bíblia? Às vezes fica a sensação de que os “moveres” dentro das igrejas são muito mais importantes que a leitura bíblica em si. O importante é que Deus se faça presente, e qual a melhor forma de comprovar sua presença que com rodopios, sinais de poder, línguas estranhas, profecias e profetadas e uma série de outras coisas tão em voga?

    Assim como no mercado empresarial, a concorrência entre igrejas hoje é algo evidente e as estratégias para vencer a concorrência são as mais variadas. Igrejas que antes eram bastante rígidas tornaram-se mais flexíveis sob o risco de ficarem vazias. Mas aí surge outro problema: igrejas cheias de pessoas vazias. O que é pior?

    Já percebeu como o mundo vem embrenhando nas igrejas de forma sutil e quase imperceptível? Sempre com alguma justificativa “plausível” trazemos aquilo que é mundano para dentro das igrejas. Não raro hoje ver igrejas que fazem seus próprios carnavais, festas juninas, arraiás, baladas e afins. Afinal, quem disse que precisamos ser diferentes?

    Certamente se Daniel e seus amigos vivessem hoje, não teriam se abstido dos manjares do rei. Talvez não tivessem visto nada demais em comer aquilo que lhes era oferecido pelos pagãos. Mas será que a diferença notável entre eles e os demais mancebos da época teria sido notada?

    Que sal temos sido? Que luz temos sido para o mundo?

    “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens”. (Mateus 5, 13).

  • Limão com Mel – O que tem de errado com a música Sabor de Mel?

    Desde que a cantora Damares estourou no Brasil inteiro com a canção “Sabor de Mel” que essa música virou alvo de duras críticas principalmente nas redes sociais, acabando rotulada como música que enaltece a vingança. Muitos chegam a afirmar que a música é carregada de heresias e vai contra os ensinamentos cristãos. Seria excesso de zelo ou hipocrisia mesmo?

    A Bíblia possui66 livros, totalizando exatamente 31103 versículos que podem ser usados a bel prazer de qualquer um para fundamentar sua linha de raciocínio. Tudo depende do interesse de quem está fazendo a fundamentação. Assim como há os que usam para criticar a música, farei o mesmo para dizer que tem gente engolindo camelo e se engasgando com mosquito.

    Aproveitando que o nome da nossa amada coluna é “Limão com Mel”, resolvi analisar essa doce canção, buscando compreender os motivos de tantas críticas. Vamos lá!

    O primeiro motivo de crítica é o fato da canção enaltecer a vitória, a conquista. Até parece que o fato querer ser vitorioso é algo infame para os “humildes servos de Deus” na atualidade. Fico imaginando qual ser humano não quer vencer? Não se trata de pisar no próximo, mas de vencer por mérito próprio. Qual o problema nisso?

    Claro que vão dizer que o problema não é a vitória, mas a importância que esta toma em nossas vidas. Não servimos a Deus pra sermos vitoriosos (oi?). Em uma análise publicada em 2010 em um blog, o autor do texto comenta o seguinte:

    “O motivo da crítica não é pela suposição de que as “vitórias” não estão nos planos de Deus para nossas vidas, mas que nem de longe este fato trata-se da ênfase do Evangelho de Cristo. O evangelho realça a cruz, a renúncia, a santidade e a necessidade de salvação para a vida de todo ser humano e isso sim é a vitória verdadeira. Todo e qualquer outro modelo de vitória trata-se de um assunto periférico.”

    Algumas considerações: o autor está analisando uma música ou todas as músicas cristãs ao mesmo tempo? O autor acredita que uma música verdadeiramente cristã precisa necessariamente abordar a cruz, renúncia, a santidade e a necessidade de salvação ou não se enquadraria no que o evangelho propõe? Porque sendo assim, há de se descartar boa parte do que foi e é produzido no nosso meio musical.

    Outro blogueiro faz uma lista do que considera expressões equivocadas na música.

    1. “Vão dizer que você nasceu pra vencer”.

    Segundo o blogueiro, o homem não nasceu pra vencer, mas sim pra perder porque nasceu no pecado, baseando-se no versículo 5 de Salmos 51: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe”. Fico imaginando Deus após criar o homem à sua imagem e semelhança decidindo que o criaria pra perder.

    2. “Que já sabiam porque você tinha mesmo cara de vencedor”

    Segundo o blogueiro, a frase “está sugerindo que o ser humano pode ser vencedor sozinho, sem a Ajuda do Alto”. Podemos escolher o ângulo que quisermos pra vermos o que quisermos certo? Pois bem. A palavra diz que somos luz, e a luz vence as trevas. Impossível que a luz passe despercebida. Somos filhos de Deus, imagem e semelhança dEle. Apesar da expressão um tanto clichê, não vejo onde o cristão ter cara de vencedor seja errado. Não temos cara de vencedor por nós mesmos, mas por quem está em nós. Em nenhum momento a música afirma que “temos cara de vencedor por nós mesmos”, mas que “vão dizer que”. O mundo pode não entender o porquê de sermos diferentes, por que temos cara de vencedor, mas nós sabemos bem o motivo. Acho que isso responde também a expressão “vai olhar e ver Jesus brilhando em você”.

    3 “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender”.

    Desconsiderando o Português, a música apenas externa algo que é natural de todo ser humano. As pessoas valorizam o que você tem, não quem você é.

    Esse é o trecho onde pontuam que há sentimento de vingança. São duas situações distintas segundo o crítico:

    “Primeiro: alguns crentes veem outros passando dificuldades e não fazem nada pra ajudar porque pensam “quero só ver esse crente sofrer”. Segundo – o crente que está passando lutas pode pensar “estou sofrendo e esses irmãos não me ajudam, mas eles vão ver só, quando eu estiver na bênção vão ficar arrependidos”, em outras palavras: “me vinguei””.

    Vale ressaltar que a música não pontua que são outros crentes que vão se arrepender, até porque se fossem cristãos de verdade seriam amorosos, caridosos com o próximo fazendo o possível para ajudá-lo no momento da dificuldade. Segundo: mais uma vez o autor coloca palavras na boca do personagem da música. Se considerarmos a história de José, seus irmãos fizeram pior que isso. Jogaram no poço, o venderam como escravo. Mas quando a fome chegou e eles tiveram que buscar provisões no Egito e ficaram sabendo que seu irmão, aquele mesmo que eles deixaram ser levado como escravo havia se tornado o segundo homem mais importante de todo o Egito, se arrependeram. “E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face” Gn 45. 3. Então…

    4 “Vai estar na plateia e você no palco”

    Esta é uma das expressões mais criticadas pelos puritanos. Impressionante como as pessoas detestam o palco. Ninguém genuinamente cristão faz questão do destaque. Aliás, pra que púlpito nas igrejas com aquelas cadeiras acolchoadas enquanto o “resto” da igreja senta em bancos duros e desconfortáveis? Mas focando no assunto, a expressão é análoga à outra mencionada por Davi no Salmo 23: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos”. Crente tem inimigo? O homem segundo o coração de Deus tinha… É clara a mensagem de Davi: Deus o exaltaria perante os seus inimigos. Ambas as metáforas, Mesa/palco são equivalentes. “perante mim na presença dos meus inimigos” não denota que os inimigos estão de “expectadores/plateia?”.

    5 “Mas minha vitória hoje tem sabor de mel”

    Para o autor: “Esse refrão isolado não sugere perigo algum, mas ele está inserido no contexto das demais expressões acima. E a repetição exagerada reforça a ideia de vingança, como se dissesse: “veja meu irmão inimigo {se é que pode}, eu venci, eu venci, veja, me vinguei”.”

    Ou pode ser apenas uma forma de dizer o quanto foi bom vencer, ou quão boa foi a vitória dada por Deus. Mirian por exemplo, dançou e cantou. Será que os egípcios se sentiram ofendidos com a manifestação de alegria pela vitória concedida por Deus ao povo de Israel sobre o exército egípcio? Fico imaginando esses críticos santos e humildes no lugar de Mardoqueu tendo que passar pelo “sacrifício” de ser honrado pelo Rei Assuero, passeando montado num cavalo real pelas ruas da cidade com coroa e vestes reais e o maior inimigo dele e de seu povo tendo que aclamar “Assim de fará ao homem de cuja honra o rei se agrada!”

  • Limão com Mel – Receita de clipe gospel de sucesso no Youtube

    E na Limão com Mel de hoje não irei ensinar nenhuma receita milagrosa contra a gripe e nenhum xarope poderoso que combate mil e uma enfermidades. Rochelle curtiu isso.

    www.youtube.com/embed/b-Wg7IPGnWo

    Hoje vou ensinar pra vocês, queridos leitores dessa doce coluna como gravar o seu primeiro videoclipe gospel de sucesso. Essa dica é pra você que não está numa situação financeira muito boa, anda dizimando e ofertando pouco e Deus não tem aberto as portas nem as janelas dos céus em sua vida. Você verá que com poucos recursos, boa vontade e algumas doses de talento é possível fazer um clipe gospel de sucesso. né Gederson?

     Mãos à obra, e atenção aos ingredientes:

     


    Uma música emotiva

    Pode ser aquela música que dê pra encenar fatos reais, que falem de cura, milagres, libertação, restituição e afins. Se, no entanto o seu repertório estiver “pobrinho” nesses assuntos, pegue a música mais próxima disso que tiver. Se isso for impossível, então opte por uma dançante, o resultado vai ser o mesmo.

     


    Paisagem natural a gosto

    Desculpa mundo, mas clipe gospel sem paisagem natural não é clipe gospel. Tenha a dignidade de incluir no roteiro cenas de praia, matagais, lagoas, muitas árvores, curiós, papagaios, pelicanos. O motivo na verdade não importa muito, já é tradição e tradições não podem ser quebradas. Conviva com isso.

     


    Uma igreja grande e vazia

    Qual a graça de gravar clipe numa igreja lotada? Acho digno gravar em igrejas amplas e vazias, com lindas poltronas fazendo figuração. Passa uma imagem de humildade. “Nossa que cantor humilde, este canta até em igreja vazia! Aleluias!” Anota aí, igreja vazia no seu clipe por obséquio. Caso você não tenha conseguido uma música emotiva o suficiente, leve uma galera pra um viaduto, um parque ou rodovia cuidado com os carros e faça alguns passinhos semicoreografados. Costuma dar certo também.


    Unidade de microfone antigo (pra dar um tom vintage)

    Querido e querida. Onde já se viu clipe gospel sem microfone? Se vir algum por aí, chuta que é laço! Não há nada mais emocionante que ver o cantor se contorcendo em interpretações vibrantes e carregadas de gesticulações de praxe. Quem se importa se o microfone está ligado ou se existe tomada de energia no meio da mata? Se joga (a lá irmão Naldo) e arrasa na interpretação amado!

     


    Dois litros de histórias reais

    O que é mais impactante que fatos reais em clipes? Tem que ter, nem que os fatos não tenham sido tão reais assim. Dá um up na mensagem da música. Pode ser o marido que largou a esposa e depois volta para os braços da amada, ou filho rebelde que deixa a casa dos pais e quebra a cara no mundo e retorna (é clichê, mas vale na falta de algo mais original), ou sobre aquele seu namorinho do passado quando você nem era gospel e adorava andar de bike e não deu certo graças ao bom Deus e ele te libertou. Não se preocupe em fazer sentido, se preocupe em emocionar o público. Amém?

     


    Uma pitada de inspiração divina (pode ser americana também)

    Depois de dar uma visualizada no que é sucesso pelo mundo, não esqueça de incrementar o seu roteiro com alguns elementos de clipes de fora. Pode ser um efeito, um cenário, iluminação ou mesmo o clipe inteiro, porque você nunca vai conseguir reproduzir igual mesmo e o público gospel raramente vai ver os clipes de onde as inspirações surgiram. Se por algum motivo alguém conseguir notar, diz que foi da vontade de Deus. Vai que cola? Sempre cola. Então relaxa e capricha na criatividade. Afinal, somos servos de Deus e pra Deus tem que ser o melhor certo?


    Agora que você já sabe quais são os ingredientes fundamentais para fazer seu clipe estourar no Youtube, mãos à obra! Tenho certeza que encontrará um primo, um sobrinho que seja inteligente e entenda de filmagens e o melhor, que cobre uma pechincha porque é pra você. Depois não esqueça de mandar o link para mim e todos os outros editores de sites do segmento, além de todos os diretores de gravadoras via Twitter. Queremos muito conferir o resultado. No momento estou vendo o do Gederson e estou amando. Veja também:

    Até a próxima!

  • Limão com Mel – Os hinos da Harpa Cristã estão ultrapassados?

    “Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu, as lindas melodias, se ouviram na escuridão” – Frida Vingren

    Como assembleiano, desde os cinco anos cresci ouvindo os hinos da Harpa Cristã sendo entoados em praticamente todos os cultos. Geralmente eram dois, cantados antes da leitura da palavra oficial. Acostumei-me com essa rotina. De um tempo pra cá, essa rotina vem deixando de existir em muitas igrejas a ponto de questionar os motivos. Estariam os hinos tradicionais da Harpa Cristã ficando ultrapassados frente a uma igreja cada vez mais jovem e em busca das novidades?

    Percebe-se que cada dia mais os cultos estão ficando “pequenos” para a quantidade de grupos e ministérios que querem “louvar” as músicas do momento lançadas por grandes nomes da música gospel e em vista disto, os hinos da harpa são retirados da programação ou empurrados para “os cultos de semana”.

    Para entender um pouco esse “fenômeno da modernidade cristã”, usei o meu perfil no Facebook para instigar os amigos virtuais sobre o tema. Interessante como o assunto repercutiu, gerando muitas contribuições relevantes que certamente enriquecerá essa discussão.

    Segundo Renan Pablo, estudante de música e também colunista aqui no O Propagador, os hinos da harpa são mal cantados, mal conduzidos muitas vezes, apenas, mas são sempre lindos. Isso explica um pouco o que pode estar afastando os Hinos da Harpa dos cultos. Essas canções são de uma época onde as igrejas não tinham ministérios de louvor, tocadores, e uma série de recursos que se tem hoje, sendo geralmente executados pelas irmãs dos círculos de orações ou pelo pastor que nem sempre detinham um expressivo talento musical. Essa forma de louvar vem sendo transmitida por gerações e quem chega à igreja já encontra essa forma “engessada” de executar hinos da harpa. Não são raras às vezes em que os tocadores penam pra acompanhar o “ritmo”, um tanto quanto sem harmonia alguma.

    Alex Eduardo segue com essa reflexão e expõe em seu comentário: “Excelentes letras, porém as melodias precisam de uma boa repaginada. Não dá mais pra cantar como era há décadas atrás. São lindos!” Em um aspecto todos os usuários que participaram desta conversa concordam: as canções são lindas!

    Luciana Mazza, Jornalista e organizadora da feira cristã Salão Internacional Gospel declara: “Música boa com letra, melodia e principalmente com unção nunca fica ultrapassada. Agora gritos desafinados, ausência de melodia e somente apelo comercial . Aquelas músicas que repetem a mesma frase 45 vezes … Aí ninguém merece e com o passar do tempo desaparece!”

    Marcelo Rebello, jornalista e diretor executivo na Grupo MR1 de Comunicação & Marketing , acrescenta ao comentário de Luciana, sua esposa: “De jeito maneira! Nunca! Ali estão composições feitas e versionadas por Paulo Leivas Macalão e outros grandes compositores… Quem é estudioso de música gospel vai entender a importância do que estou dizendo. Sem contar que, como já bem disse a Luciana Mazza, as letras e interpretações hoje em dia estão bem distantes da poesia e profundidade teológica e musical das belas canções da Harpa Cristã e de seu irmão Cantor Cristão.”

    De fato, todos inclusive eu concluímos que os hinos da Harpa não estão e jamais serão ultrapassados. Inspirações do Espírito Santo, como define Lizandra Dias, jamais perderão o seu valor. O que provavelmente vem acontecendo é um descaso com a riqueza que essas canções possuem. Os cristãos mais jovens tão acostumados às músicas modernas, efeitos eletrônicos, e até pouca mensagem aproveitável, provavelmente desconhecem a grande maioria das canções presentes nos hinários, e parte da culpa é da própria igreja. Não que seja um problema a entrada de canções do momento nos louvores das igrejas, mas abrir mão de canções tão ricas por canções “da moda” é sim um erro.

    Como foi dito por comentaristas, é possível trazer as canções da harpa para uma maneira menos arcaica de entoar. É possível tornar mais atraente e menos cansativas para a nova geração de cristãos sem perder a essência de canções que são riquíssimas tanto em poesia quanto em inspiração do Espírito Santo.

    Para ver o que outras pessoas comentaram a respeito deste tema, clique aqui.

    E você, o que acha?