Como a maioria daqueles que cresceram numa igreja pentecostal, cheia de rigores e costumes próprios, certamente já devem ser ouvido a frase do título. Sempre me questionei sobre essa expressão “do mundo” afinal, a música evangélica também não é do mundo? Fato é que me acostumei com a ideia de que era errado ouvir e cantar as tais “músicas do mundo”, que não “edificam” o espírito, que não são inspiradas por Deus…
Até descobrir que posso pensar por mim mesmo, sem assumir uma ideia pronta e acabada. Afinal, quem disse que é pecado? Quem disse que vou para o inferno? E por que ver televisão “do mundo”, ver filmes “do mundo”, ou consumir qualquer outro produto “do mundo” não me leva para o inferno como ficou condicionado quando o assunto é música?
O mundo evangélico está cheio de verdades absolutas e cada dia se cria mais. E o público cristão se condicionou a não se questionar, a aceitar, como sinal de obediência (ou preguiça). Acontece que cada um cria e molda verdades para seu próprio interesse. Vendem-se essas verdades e as compra quem quer. Em relação à música secular também é assim. Disseram que não podemos ouvir e acreditamos, mas por que não pode?
Acredito que nenhum tipo de extremismo seja saudável. Não posso simplesmente rotular toda a música secular como ruim apenas por não ter o “selo gospel de santidade”. É preciso bom senso pra que possamos filtrar o que é relevante do que não é. Assim como é no “gospel” a música secular é recheada de sucessos de duas sílabas, aquelas músicas que viram memes e na mesma velocidade em que aparecem, somem sem deixar rastros. Mas há muita música de qualidade sim! Que não podem ser ignoradas ou serem jogadas na lata do profano sem terem tido a chance se serem ouvidas e minuciosamente digeridas.
Quantos cantores evangélicos tem se proposto a falar dos problemas sociais que afetam a nossa população? Quantos tem usado a sua arte para se opor à corrupção, à ganância, e o descaso com o menos favorecidos? Poucos. Muito poucos. A grande maioria segue a linha “glória glória e aleluia” como se vivêssemos num mar de rosas e que não precisamos nos preocupar, “tudo é permissão de Deus” inclusive a pobreza da população e o enriquecimento da maioria de nossas estrelas.
Que fique claro que não sou contra as canções que glorificam e engrandecem ao Senhor, afinal, essa é sim uma das funções da música, da arte em si, mas não o único.
Se você fez a escolha de apenas ouvir música gospel, ótimo. Cada um é livre para escolher aquilo que quer ouvir, agora permita que o outro escolha também, sem julgá-lo por isso. Creio que há tempo para tudo em cima da terra. E isso inclui o momento de ser “edificado”. Não dá pra ficar buscando ser edificado com toda música que ouve. Tanta música que possui o “selo gospel de santidade”, mas não tem nada que edifica além de frases feitas pra vender…
Não tenho essa síndrome da “edificação” ininterrupta. É preciso compreender que nem todas as canções possuem esse propósito, mas nem por isso podem ser jogadas no lixo, descartadas como sendo ruins ou abomináveis. Existem aquelas que são apenas para viajar na melodia, para curtir o momento, ou para dar um choque de realidade em muita gente que anda dormindo!
Pensando nisso, deixo duas músicas seculares que já adianto que muito provavelmente não edificará o seu espírito, e você nem é obrigado a ouvir, mas tenho certeza que “edificará” o seu senso crítico (se você tiver).
Deixe um comentário