Limão com mel – O controverso ato de baixar da internet

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Não sei se você é como eu que lê até bula de remédio, mas se você já parou para ler as letrinhas miúdas nos Box de alguns CDs gospel deve ter encontrado a seguinte frase: “Pirataria é crime e é pecado”. Geralmente os CDs seculares limitam-se a dizer que a pirataria é crime.

Quando se fala em pirataria, muitos imaginam ser a cópia física do disco, aqueles vendidos a três reais nas bancas dos camelôs. Mas tem também uma pirataria mais refinada, aquela em que a cópia é tão bem feita que muitas vezes o consumidor acaba levando gato por lebre. Ninguém discute que isso seja crime, e até pecado. Mesmo sabendo que muita gente crente não resiste a um MP3 da barraca ou aquele filme evangélico que saiu nas barracas antes mesmo que no cinema.

Mas baixar o CD na internet é errado? É crime? É pecado? Talvez você já tenha se feito essas perguntas ou muitas vezes preferiu ignorar o assunto e dormir com a consciência tranquila. Vamos por partes.

Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é crime.

Pois é. Apesar de parecer terra sem lei, a verdade é que muito do que está disponível para download na internet é conteúdo ilegal. Livros, programas, filmes, fotos, CDs. Muito desse conteúdo está disponível sem a autorização de seus respectivos donos. Algumas gravadoras têm políticas severas na caça aos links de download ilegal de seus produtos, mas é claro, nunca conseguirão 100% de eficácia. Muitas vezes o conteúdo aparece pra download antes de chegar às lojas. É algo que terão que conviver.

Muitos podem pensar que o fato de estar se apropriando do conteúdo apenas para uso próprio e não para comercialização é um diferencial e não se configura como pirataria, mas a verdade é que sem ninguém pra baixar não haveria sentido de outro disponibilizar o download. Se você pensa assim, não se engane: você faz parte do sistema.

Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é pecado (?).

Por mais irônico que possa parecer determinar que algo seja crime é mais fácil que dizer que é pecado. A lei costuma ser menos relativa que a visão moral das pessoas e a noção de pecado estão intimamente ligada a isso.

O termo pecar vem do latim: latim pecco, are, dar um passo em falso, tropeçar, cometer um erro, proceder mal.

  1. Cometer pecados.
  2. Errar.

Perceba como o sentido de pecado pode ser relativo. Se não considero tal ato errado, logo, não o considero pecado. Assim como muita gente acredita que o fato de baixar o CD pra uso próprio não é errado, logo se acredita não ser pecado também.

Não bastasse isso, há aqueles que justificam os fins pelos meios. Algo comum é dizer que está baixando algo para sua “edificação”, para uso na igreja, na obra de Deus, logo não se pode dizer que seja pecado. O que vale é a intenção (?).

Alguns mais perspicazes vão além, usando o discurso de muitos cantores gospel a seu favor. “De graça recebeis de graça dai”. Referindo-se ao fato de os artistas gospel terem recebido as canções do Senhor e, portanto, é imoral vendê-las.

Quem nunca ouviu algum cantor dizer que a composição x foi dada por Deus? Que tal CD é uma ferramenta de evangelização? Há de se tomar cuidado com esses discursos, pois pode ser intencionalmente mal interpretado.

O problema aqui é a relatividade da coisa. Cada um vai justificar seus atos conforme seu bel prazer. O cantor, a gravadora vai buscar argumentos para dizer que o download é pecado, já os que baixam farão o mesmo para provar justamente o contrário. E quem estará certo?

Concluindo…

Creio que tenha ficado evidente o dilema que é afirmar que o download ilegal seja pecado já que tal afirmação estará imbuída de meus próprios conceitos morais e que poderão ser diferentes dos de outra pessoa. No entanto, afirmar que tal ato é crime é baseando-se nas leis que dispomos mesmo que não tenha conhecimento de que alguém até hoje tenha respondido por este ato criminoso.

Alternativas

Se você entende que baixar CDs e outros conteúdos na internet é pecado e quer evitar, hoje temos alternativas bastante atrativas que você pode aderir e dormir com a consciência tranquila.

iTunes

O iTunes é uma loja de conteúdo digital voltada para os produtos da Apple, mas você pode instalar em seu computador Windows e ter acesso a tudo que é vendido lá. Uma música por exemplo você pode adquirir por $0.99.

Spotify ou Deezer

Essas ferramentas são excelentes e considero ainda melhores que o iTunes. Primeiro por estar disponível a qualquer plataforma, inclusive ao popular android. Segundo, por permitir que o usuário tenha acesso ao seu acervo sem pagar absolutamente nada. A grande sacada é a veiculação de anúncios e spots entre uma música e outra, além da exibição de banners no site da plataforma. O usuário ainda pode escolher ter mais autonomia e se livrar também dos anúncios pagando uma pequena taxa mensal.

Netflix

A Netflix é uma plataforma de filmes online. Excelentes títulos estão lá disponíveis ao usuário por uma pequena taxa mensal. Filmes, séries, novelas inteiras, desenhos animados e muito mais a um clique. A Netflix ainda permite que o usuário possa criar perfis com a sua assinatura que pode ser para membros da família ou amigos.

Youtube

O Youtube é a grande plataforma de música da atualidade. Apesar de ter sua característica de vídeo, acessar o site para ouvir música é muito comum. Se antigamente as gravadoras lutavam para retirar seus DVDs e músicas de lá, hoje elas mesmas fazem questão de colocar lá. Por um lado motivadas pela exposição que a plataforma gera, por outro, visando os ganhos que podem obter pela visualização de seus conteúdos após a monetização destes.

Por fim…

Viu como é possível ter acesso a conteúdo legalmente na internet? Creio que não é mais justificável baixar CDs pontuando o preço dos CDs, por exemplo, visto que estes estão acessíveis a preços bem aceitáveis e até de graça na internet sem infringir a lei.

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