Categoria: Polemizando

  • Limão com Mel – A capa do CD é importante ou não?

    Atualmente, publicar a capa de um álbum é quase uma cerimônia, um evento, principalmente nas redes sociais.

    A cada trabalho lançado, um alvoroço para ver como ficou a capa do tal trabalho, se ficou bom, ou se ficou ruim, e dá-lhe opiniões. Uns amam, outros detestam, outros “esculacham na lata”, a espera de uma nova capa pra criticar.

    Mas será que a capa de um CD é tão importante assim ou estamos dando importância demais para algo secundário? Será que o que importa não são as canções?

    Comparemos com o alimento. Sabemos que o papel principal dele é alimentar, não importa a aparência. Certo? Deveria ser. Mas nós seres humanos “comemos com os olhos”. Por mais que algo esteja apetitoso, se não estiver agradável aos olhos, é difícil de acreditar que realmente esteja bom. Não é raro ouvir depois alguém decepcionado ao comer algo: puxa parecia tão saboroso…

    O mesmo serve para os CDs. Difícil de acreditar que as canções estejam boas quando a aparência não está. É claro que a capa não define as canções, assim como uma bela cobertura de bolo não garante que esteja gostoso, mas já é meio caminho andado!

    Percebendo isso, (uns tarde demais) muitos cantores estão buscando serviços especializados para tomarem conta de suas imagens (Graças a Deus).

    Fato é que não adianta tentar empurrar a ideia de que se trata de “um novo conceito” de goela abaixo porque não cola. É óbvio que nada irá agradar a todos, mas se a maioria concorda que não está legal, na boa, é hora de rever os conceitos de beleza por aí. #FicaaDica

  • Limão com Mel – Conheça Gospelândia, a cidade ideal

    Quem nunca desejou morar em um lugar perfeito? Apresento-lhes agora este lugar tão sonhado: Gospelândia! Como seria a cidade ideal para o movimento gospel?

    Sem dúvida, já que abordamos a música, acredito que em Gospelândia não existe download de CDs! Todos os moradores desta incrível cidade são evangélicos politizados, portanto cientes de que além de ser crime, o download ilegal de CDs é pecado!

    Por estas bandas, comprar CDs é como comprar pão na padaria! Faz parte da rotina dos habitantes, além de ser algo essencial ao desenvolvimento intelectual e crítico dos cidadãos! Até por que, não haveria problema em adquirir os CDs, pois em Gospelândia, as gravadoras vendem os CDs a preços bastante acessíveis, não causando impacto ao orçamento familiar dos menos favorecidos (estes também merecem acesso à cultura!).

    Fã? O que é isto em Gospelândia? Esta palavra não existe lá, até por que todos os cantores são admirados igualmente, todos são respeitados, amados e fazem o mesmo sucesso! Não importa a qual gravadora pertença, A, B, C ou independente, todos fazem parte da mesma família! A família “Gospelândia”, e este laço familiar está acima de tudo, de qualquer interesse pessoal ou comercial…

    Quando se liga a TV, tem lá vários programas de qualidade. Shows de cantores 24 horas e sem comercial! Estes cantores são acessíveis, no Twitter, por exemplo, todos conversam entre si, não se restringindo a artistas famosos.

    A mídia “especializada” não é feita por blogueiros amadores, mas sim por grandes jornalistas com mestrado e se possível doutorado nas áreas da música. Grandes formadores de opinião, especialistas no movimento gospel, proporcionam conteúdos qualificadíssimos ao seu público.

    Ir aos shows é algo muito tranquilo em Gospelândia! Lá os cantores seguem os horários marcados, sempre iniciando e terminando as apresentações no tempo certo.

    Ninguém precisa andar sobre ovos. Em Gospelândia todos os moradores são verdadeiros. Não existe tapinha nas costas, camaradagem, falsidade, favorecimento, e muito menos depreciação do outro…

    Gostou de Gospelândia? Eu também! Só que se ela existisse, pra que mesmo ir para o céu? Ficaria em Gospelândia mesmo! Delirei?

  • Limão com Mel – Como lançar um CD ruim em 10 passos

    Este texto pretende oferecer dicas para você que, como muitos – sonha em gravar um CD. E lançar um álbum hoje em dia não é lá muito difícil, por isso, se você quer ser cantor a qualquer custo, siga os passos abaixo e se jogue no mundo da música com um CD chinfrim, mas enfim, que tudo seja para honra e glória do Senhor…

    1. O primeiro passo para se lançar um CD de gosto duvidoso é ignorar o momento de planejamento. Planejar é algo inerente ao ser humano, planejamos basicamente tudo o que fazemos, mas é claro, é algo bastante rudimentar, sem uma pesquisa, sem um estudo mais aprofundado. Para lançar um CD de qualidade, é claro que você precisa gastar tempo planejando. É preciso descobrir o que está em alta, o que o público está consumindo. Fazer orçamentos, pesquisar produtores, designers, músicos, estúdios… Mas como você não quer um CD bom ignore o que acabei de falar. Deleta!

    2. Você não faz a menor ideia de quanto vai lhe custar gravar este CD, e mesmo nem faria diferença, já que o dinheiro anda curto. A dica para um CD “meia boca” é que você economize nas composições. Pegue um lápis e rascunhe qualquer três frases e tente cantá-las. Se conseguir, grave. Se não, convide a família para um momento criativo. Façam suas próprias composições. Aproveite para escrever umas mensagens para falar nas canções. Assim ninguém vai perceber que sua composição é bem fraca. Que Deus te use para falar aos corações. Se não rolar mesmo, recorra àqueles compositores famosos, e peça pra eles uma canção. Não importa qual, mesmo aquela que todos os outros cantores rejeitaram. Não se preocupe! Em sua voz ficará divina!

    3. Agora que você tem pelo menos 10 canções, o negócio é começar a ensaiar e preparar para por a mão na massa. Pra ficar bem ruim o CD, seja você mesmo tocador, produtor, produtor vocal, back vocal, sonoplasta, faxineiro e outras coisitas mais. Deus te deu vários talentos! Use-os! Pode também convidar aquela banda de amigos, ou a do seu irmão pra tocar no CD. Eles ficarão mega felizes em colaborar (para seu insucesso) e você terá economizado alguns com músicos decentes.

    4. Pronto! Hora de entrar em Studio! E pra quê gastar com um estúdio equipado e profissional se, aquele pertinho da sua casa também grava e quase com a mesma qualidade? O que importa é gravar. Seu sonho está quase pronto! Um brado de vitória aí meu irmão!

    5. Agora você deve pensar na identidade visual do seu CD. Sabe que o ser humano compra pelos olhos. Ter um projeto gráfico que agrade o público é meio caminho andado para vender. Mas você não precisa gastar rios de dinheiro com uma agência renomada, ou com um designer profissional. Sabe aquele seu sobrinho que faz trabalhos em Photoshop para o Facebook dele? Dá uma moral pra o cara e peça a ele para fazer sua arte! Invista num visual exótico, muita cor, seja extravagante! Seu CD será o primeiro a ser visto na prateleira (se chegar lá).

    6. Chegou o momento do seu CD ir para a fábrica! Não precisa se preocupar em usar mídias de qualidade. Use aquela bem fraquinha mesmo, o suficiente para seu CD rodar um mês sem arranhar (se alguém aguentar ouvir este tempo todo).

    7. Agora que o CD está em mãos, é o momento de começar a divulgar o seu trabalho! O mundo precisa conhecer esta obra-prima da música gospel. Mas depois de tudo que você já fez, pra quê contratar uma assessoria? Faça você mesmo seu marketing! Dizem que são os olhos do dono que engordam o gado. Então crie uma página no Facebook, crie uma conta no Twitter e com muito óleo de peroba na cara envie um “mim seguir” para todos os famosos do Twitter, com o link de um vídeo com seu single. Detalhe: não se esqueça de colocar antes do tuite: “[acessória]”. Pra não pensarem que você está se rastejando. Ok?

    8. Grave um clipe! Um clipe em tempos de internet é como fogo em palha. Rapidamente você será conhecido pelo público sedento por seu talento. Nem pense em gastar muito dinheiro, a música secular tá cheia de cantores que estouraram com vídeos na internet (e nos dias de hoje gospel também). Pegue sua câmera e peça pra seu amigo filmar enquanto você dubla seu single em paisagens da cidade. Pode ser na praça, na praia, no rio, enfim, onde a sua criatividade mandar. O importante que você seja visto e sua música ouvida. O resto é detalhe!

    9. Um cantor que se preze não pode deixar de marcar presença no principal evento gospel do país, a Expo Cristã. Distribua CDs, e leve também chaveiros, camisetas (pague uns 10 reais para alguns garotos usarem pra passar a imagem de alguém importante. Aqui não vai ter jeito, você terá que gastar). Tente dar entrevistas e tire muita foto com famosos (pra colocar no Facebook e chamar de amigo. O povo pira!). Não se esqueça de entregar sua obra-prima para as gravadoras presentes pedindo para ouvirem com carinho (não resisti: O Maurício Soares pira!).

    10. Agora que você é quase um cantor famoso, e seu CD um quase sucesso, crie seu próprio fã clube nas redes sociais, afinal, se você não se amar quem vai, não é mesmo? Aproveite para usar aqueles sistemas de compra de seguidores para passar uma imagem de alguém mais importante. Com mais uma dose de óleo de peroba na cara, envie seu clipe para TODOS os sites, blogs e portais que você conheça. Exija que publiquem algo sobre você. Crie uma hashtag com seus amigos pedindo sua matéria. Mentalize o sucesso, cruze os dedos e faça campanha de oração para ser capa de revista, ganhar disco de ouro e ainda ser contratado por uma grande gravadora. Não se esqueça de se inscrever no Troféu de Ouro como revelação do ano. Vai que cola?!

    Viu? Nem foi tão difícil assim. Agora você é praticamente uma estrela “do gospel”. Com direito a loja virtual, camisetas e marca registrada. Lembra-se das promessas do Senhor para sua vida? Olha aí se cumprindo? E se por algum acaso você mandar uma música para mim e eu falar que é ruim, (e 99.9 % de quem ouvir) nem dê bola. Você é um ungido! Acrediiiiiita!

  • Limão com Mel – Entrevistas encalhadas: por que os cantores prometem, mas não respondem?

    Essa pergunta por enquanto tem me deixado inquieto: por que tantos artistas se tornam inatingíveis? Por que vários não possuem “palavra”? Confesso que não tenho a resposta para estas indagações, mas é claro que podemos levantar hipóteses e quem sabe “matar a charada”. Vamos lá?

    1. Esquecimento

    Quem nunca esqueceu de algum compromisso? Quantas vezes não nos pedem para retransmitir um recado e esquecemos? Pois é, a nossa memória as vezes nos prega peças, nos deixando em situações embaraçosas. Por que seria diferente com os artistas, não é mesmo? Mesmo aqueles que possuem 2 ou 3 assessores é possível que aconteça amnésia coletiva! Puts! Esqueci geral… (clássico!)

    2. Autosuficiência

    Isso mesmo! Há artistas que são tão famosos, mas tão famosos, que não precisam dar entrevistas a qualquer “meiozinho” de comunicação. A menos que seja da Rede Globo…

    3. Perguntas mal elaboradas

    Sim, acontece! Existe uma diferença grande entre “Como o público tem recebido o seu novo trabalho?” Para: “Depois do grande sucesso de seu trabalho anterior, como tem sido a receptividade do público ao seu mais novo sucesso?” Captou a diferença? Em um texto no Observatório Cristão, Mauricio Soares questiona a falta de assunto, principalmente nas entrevistas que circulam nos sites gospel:

    “Sinceramente espero que os artistas sejam mais criativos e audaciosos em todas as oportunidades em que sejam convidados a se manifestar. Também espero que os jornalistas e incautos que pululam nas mídias evangélicas procurem ampliar o espectro de suas perguntas. Que sejam mais inquiridores, mais perspicazes, menos “chapa branca”, que estimulem mais os grandes debates. Que deixem de reproduzir textos pré-fabricados somente tecendo loas a este ou aquele artista. Que estimulem para si o sentimento-mor de todo o jornalista: a dúvida na realidade dos fatos que se nos apresentam! Não aceitem as interpretações já manufaturadas por terceiros! Criem suas próprias opiniões!”

    Sem dúvida dicas importantes! Anotem e torçam pra funcionar!

    4. Humildade…

    Há cantores que são tão humildes, mas tão humildes que detestam falar de si mesmos. Assim evitam conceder entrevistas a blogs e sites… A menos que seja um site de grande expressão na rede. Nestes casos, faz-se um sacrifício né? Entendemos…

    5. Falta de tempo

    Vida de artista não é fácil! É um corre corre que só Deus na causa! É show do Pará ao Rio Grande do Sul, gravação de CD, poses pra fotos, autógrafos, responder tweets de fãs, bater papo no Facebook… Enfim, são tantas obrigações que é compreensível que nossos queridos cantores não nos respondam.

    Conseguimos levantar cinco hipóteses sobre os possíveis motivos que nos levam a ter tantas entrevistas encalhadas. E você tem outra ideia em mente? Em breve postaremos novas entrevistas – se forem respondidas! Aguardem!

  • Limão com Mel – Ser ou não ser gospel: eis a questão!

    A famosa frase “Ser ou não ser: Eis a questão!” do famoso William Shakespeare vem bem a calhar neste texto que tentarei discorrer. Talvez ainda não tenha lhes vindo à mente do que irei falar, mas a questão é bem simples: Ser gospel ou não? Afinal, é obrigado ser gospel?

    Em meados de 2012 e 2013, um dos assuntos mais comentados na internet no segmento gospel foi o possível ingresso da cantora Joelma da Banda Calypso no meio gospel. O fato levantou uma série de argumentações, críticas e suposições. Algumas dessas críticas põem em cheque a fé da cantora em questão. Teria realmente a cantora Joelma “se convertido”?

    Essa situação não é exclusividade da Joelma. Outros cantores também vivem da música “secular” mesmo tendo afirmado serem evangélicos, a exemplo do César da dupla César Menotti e Fabiano. Músicos menos famosos, ou desconhecidos, sem oportunidades no gospel, seguem tocando na noite como forma de sobrevivência.

    Em cima disto, outras perguntas surgem: que direito tenho eu de questionar a fé de alguém seja quem for? Infelizmente, nós evangélicos tidos como os “normais”, dentro dos padrões usuais da nossa igreja acabamos formando um “pré-conceito” com todos os que fogem a esses padrões. Fato é que apenas Deus conhece o íntimo da cada um, apenas ele, que sonda nosso interior é capaz de saber se ouve ou não mudança (interessante que Deus sonda o nosso interior, mas a igreja* valoriza o exterior).

    Mas a Bíblia fala que quem aceita Jesus precisa mudar seus atos… Hum… Justamente! Mas quem convence o ser humano da necessidade de mudança é o Espírito Santo, não é pastor, eu ou você. Já vi casos de novos convertidos abandonarem a igreja porque foram chamados à atenção por continuar usando brinco, calça, etc. (veja como isso soa ridículo hoje). A mudança geralmente é gradativa, se realmente ela for necessária. O tempo de Deus não é o meu tempo…

    Outro detalhe que não posso deixar passar em branco é justamente o inverso. Há nas igrejas pessoas aparentemente convertidas, santas e justas mas… mas são ocas, vazias, más! Lobos em pele de cordeiro. Afinal, o que me garante que todos os cantores gospel aclamados pelo público é mais santo que Joelma? Você sabe o que ele faz fora do palco, do púlpito? Conhece suas ações e pensamentos? Deus sabe.

    Cantor que se converte tem que cantar gospel!

    Todo tipo de profissional pode se converter sem problema algum, ninguém ignora. Mas se um cantor secular se converte já se olha com olhos de desconfiança. (Tomé ficaria feliz). A grande massa começa a fazer hipóteses: “Será que onde ele estava não dava mais dinheiro? Agora que o gospel está dando lucro…” Como se os cantores gospel não quisessem dinheiro também. Me poupem. Será que tem mesmo que haver um interesse financeiro pra que um cantor aceite Jesus?

    Temos diversos casos de cantores que se renderam ao Senhor e passaram a cantar música gospel. Posso citar Felipão, ex-Forró Moral, hoje contratado da Graça Music, Thalles da Universal Music, Daniel Diau, ex-Calcinha Preta, Perlla que está lançando discos pela Central Gospel, Chris Durán, entre outros.

    Mas isso é regra? Talvez. Pelo menos para atestar e validar o “diploma” de evangélico, o cantor deve mudar de profissão, ou pelo menos de público pra mostrar que mudou. Seu comportamento, suas ações, caráter, isso pelo visto não valem nada.

  • Limão com Mel – Humanos no pedestal, até quando?

    Este é um assunto um tanto quanto espinhoso, porém necessário que se discuta. Ironicamente, é muito raro alguém admitir que isso exista no meio gospel, mas não precisa ser nenhum gênio da biofísica pra perceber que existe e aos montes.

    Mais conhecida como idolatria, a divinização de pessoas famosas está cada dia mais “normal”. Os fã-clubes de “divas e divos gospel” se proliferam na internet de forma espantosa. Geralmente, quem sofre de “idolatrite” não reconhece sua condição. Insistem em se rotular como “admirador”, “intercessor (sic)” e os mais modernos se consideram “fãs”, mas idólatra, não!

    O problema é que a boca diz uma coisa, mas as atitudes dizem outra beeeemmm diferente! Chega ser irritante a forma como esses “intercessores” se colocam, principalmente nas redes sociais. Seu relacionamento com os “divos e divas do gospel” é tão meloso que chega a dar náuseas. Geralmente, chuvas de elogios desmedidos, tentando de alguma forma, chamar a atenção, ou receber um (mísero) retuite ou uma menção, e agressividade extrema aos que se opõem ou que criticam o trabalho do idolatrado salve, salve.

    Basta ver os comentários em posts que criticam o trabalho deste ou daquele cantor em blogs, fanpages e sites para perceber o quanto esses fãs são idólatras. Bordões do tipo “não toque no ungido”, “Ela louva pra Deus, não pro mundo”, “Não julgues, só Deus pode julgar”, “Não toquem na menina dos olhos de Deus” já estão surrados de tão usados. Obviamente, estes são os educados. Os mal-educados (ou os sinceros), descem no mais baixo nível vocabular para agredir aqueles que não gostam, ou criticam seus ídolos.

    Isso é normal? Está se tornando normal. Os cantores sabem disso? Obviamente que sabem. Alguns já se colocaram contra essa postura, cito como exemplo, Nívea Soares, que num vídeo emocionante, fala da perca do foco, deixando o Criador pela criatura. Mas há outros que são sim coniventes com isso! Sabem e nada fazem. Não se pronunciam. Claro, esses “intercessores” lhes defendem com unhas e dentes (e garras e línguas afiadas), compram qualquer coisa que lancem, de CDs a peças íntimas, fazem divulgação gratuita (pra que assessoria?), além de fazer o impossível para estar em seus shows (até vender a mãe, ou não). Então, pra que perdê-los?

    Certa vez, um grupo (grande) de intercessores de uma cantora, indignados porque ela não iria participar de um evento de grande proporção e exposição, passaram o dia no Twitter com o único propósito: interceder levantar uma tag para exigir a presença da diva no evento. Quem liga pra contratos? Ela é diva e tem que estar lá e pronto! A tag ficou entre os assuntos mais comentados. Ironicamente, a cantora ao invés de repreender uma ação tão patética, realizou uma Twitcam para agradecer aos fãs pelo empenho, mas não poderia estar presente por incompatibilidade de agenda. Oi? Traduzindo: “continuem assim queridos! Adorei estar nos TTs, vocês são 10!” Mudar pra que? Vergonha alheia define.

    Infelizmente, temos a sensação de que esse quadro ainda irá piorar. Enquanto esses projetos de crente não sabem quantos livros há na Bíblia, conhecem toda a discografia do cantor favorito. Alimentam o espírito (se é que podemos dizer assim) com as frases prontas da tal cantora, e nunca abriu a Bíblia para ler a Palavra de Deus. Pouco vai à igreja, mas não perde um show gospel, e prefere assistir os cultos da IBL pela internet do que congregar em uma igreja do bairro.

    Antes que acusem este editor de estar julgando, de antemão me defendo: estou apenas constatando o óbvio e que muitos insistem em varrer pra debaixo do tapete. Está se levantando uma geração de adoradores! Mas não adoradores de Deus, mas adoradores de homens! Geração que não ora, não jejua nem lê a Bíblia. Resta saber para qual céu estão se preparando pra ir…

  • Limão com mel – Que o natal seja mais que um dia…

    Nem bem o mês de dezembro chega, e já somos bombardeados com o “Espírito do Natal”. E não há como fugir disso, afinal para qualquer canto que olhemos haverá uma promoção, um cartaz, banner indicando que “chegou o Natal! venha comprar os presentes!” Seja online ou fisicamente.
    Mas será que Natal é isso? Por muito tempo me questionei sobre o que verdadeiramente era o Natal.
    Quando criança, acreditava que o Natal era um dia especial, no qual as crianças eram agraciadas com os presentes do Papai Noel. Na adolescência, descobri que no Natal comemoramos o nascimento de Jesus, mas que na verdade, não é exatamente na data que ele nasceu…
    Para piorar, percebo que o Natal, que era para ser uma data de confraternização, passou a ser algo extremamente capitalista, sendo explorado até a última gota pelos comerciantes de todas as áreas.
    Então, reflito e chego a conclusão de que o Natal não é algo imposto, uma festa pronta a ser comemorada! Cada pessoa, cada família pode fazer o seu Natal conforme acredita, conforme sua concepção do que vem a ser o Natal! Não se apegue a detalhes que não nos levam a lugar nenhum.
    Quer comemorar? Então reúna-se com os amigos, com a família, jogue conversa fora. Vá a igreja e louve, adore ao único Deus! Rei dos Reis e Senhor dos Senhores!
    Se não teve condições para comprar presentes, que importa? Pra que presente melhor do que uma amizade verdadeira? Um abraço quando se precisa? Uma palavra de conforto na hora certa? Há coisas que o dinheiro não compra, e esses são os verdadeiros tesouros, que muitas vezes não valorizamos.
    Pense nisso!
  • Limão com Mel – Quando a música se torna clichê?

    Conversando com o amigo Diego M. Azevedo que tive o prazer de encontrar durante os dias que fiquei no Rio de Janeiro, acabamos chegando num assunto que achei pertinente discorrer em um texto. Afinal, o que faz uma música ser clichê? Quando ela se torna clichê?

    Analisando por um viés da música cristã, entendemos que a nossa música para ser caracterizada como cristã ou gospel como queiram, precisava trazer conceitos e mensagens religiosas, relacionados à fé que pregamos, devendo estar criteriosamente dentro do diz a Bíblia.

    Assim, surge uma dúvida: é possível que músicas baseadas na palavra de Deus se tornem “clichês”? Estaria a principal fonte de inspiração musical evangélica se tornando “batida” e comum?

    Atualmente surge no meio um novo movimento musical, por vezes intitulado de crossoverque não se rotula gospel, mas também não se coloca como secular. Poderíamos colocar que é uma intersecção entre os dois segmentos musicais, sendo possível ser consumida pelos dois mercados sem problema algum, visto que essa música não vem carregada de jargões religiosos, apesar de ter uma essência cristã, mas também não abusa de termos mundanos nem se opõe à vida cristã. Devagar, esse movimento vem conquistando apreciadores, principalmente no lado do “conjunto” evangélico.

    Não se sabe se vem pra ficar, se vai passar. Sabemos que não é algo novo, isso já foi tentado em outro momento da história da música cristã, como a banda Catedral, que por esse motivo foi alvo de inúmeras críticas sendo acusados de trocar a música gospel pela secular. Agora, em um novo momento, com cristãos mais receptivos, pode ser que o movimento frutifique, atualmente defendido por nomes como Palavrantiga, Tanlan, Marcela Taís, entre outros expoentes.

    Mas fugir do comum é fazer algo totalmente diferente? Não seria possível cantar a Bíblia sem os famosos bordões consagrados por cantores de renome, do tipo “Faz chover, chuva de bençãos, Eu vou conquistar, Vou vencer, O Deus de promessas”? Sim é possível. E tem gente mostrando como.

    Um desses nomes responde por Leonardo Gonçalves. Basta pegar o encarte de seu disco pra perceber que as composições não fogem da ótica cristã, mas não é um amontoado de frases feitas extraídas de nenhum almanaque gospel de motivação. Em Principio e Fim, Leonardo consegue mesclar poesia cristã com melodias que nos fazem viajar nas canções, refletir sobre ou apenas se deixar levar. Nessa vibe também surge os irmãos Arrais. Trazendo pela Sony Music o disco Mais, a dupla tem sido muito elogiada pela forma diferenciada como tem trazido mensagens cristãs, sendo considerado por muitos como um dos melhores projetos do ano. Impressionante como as composições são criativas, como são colocadas sem buscar o crossover, e muito menos ser clichê.

    Por fim, vale salientar que não existe fórmula da criatividade, da fuga do clichê. Caso se torne uma fórmula, o criativo e inovador passará a ser o novo clichê. A criatividade está justamente nisso, de fugir aos padrões e modelos, e para isso, não é preciso deixar de cantar a Bíblia, apenas que deixe de ver a música como um mero produto fabricado para vender, voltando a dar à música o status de arte, que é seu por direito.

    E pra você, quando a música gospel se torna clichê?

  • Limão com Mel – Cantores gospel também são humanos

    Parece óbvia essa afirmação, mas na prática, não é esse o entendimento que a maioria tem dos nossos cantores. O que vemos atualmente é uma enaltação dos mesmos, elevando-os a um nível além do restante dos mortais.

    Isso certamente coloca o cantor em uma situação bastante desconfortável, visto que precisam manter uma postura condizente com este status – a do “politicamente correto”. É preciso andar “pisando em ovos”, em sua neutralidade forçada, não podendo sequer emitir opiniões, pois isso pode desagradar alguém, e isso não é permitido. Porém, como todo ser humano, os cantores NÃO SÃO PERFEITOS, e por isso são passíveis de erros. Mas quando isso acontece, quem se lembra disso? E algo ínfimo toma proporções gigantescas (é o poder do boca -a – boca entre os evangélicos) onde cada um quer emitir o seu juízo.
    Pense: Você nunca errou? Nunca disse algo que se arrependeu depois? Então qual a diferença entre você e um cantor? Claro, os cantores são pessoas públicas. Mas isso os tornam diferentes de você?

    É importante que não esqueçamos: todos nós somos humanos! E quanto a julgar? Crente julgando? Crente espalhando inimizades? Infelizmente, esses são mais comuns do que deveriam. Falar que não podemos julgar e que apenas Deus tem esse poder é fácil e de praxe, mas na prática…

    Assim, nossos cantores acabam entre a cruz e a espada, sendo cobrados e julgados de negligentes e omissos por não opinarem e se engajarem nas campanhas promovidas por entidades e personalidades cristãs, e se o fazem, se opinam, também são criticados por polemizar. O fato é que andar sobre ovos não deve ser tarefa fácil, principalmente porque sabem: um dia a casca quebra! E quando isso acontecer…

    Quando isso acontecer, ao invés de sairmos por aí disparando acusações, paremos e nos coloquemos no lugar de quem estamos a julgar.

    Precisamos lembrar de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Será que nos sentiríamos como se fossem conosco?

    Se não pararmos para refletir, e mudarmos a nossa visão, haja advogado fiel para tantos julgamentos simultâneos.

  • Limão com Mel – Que venham as rosas, mas me poupem os espinhos

    E isso é normal. Como seres humanos, temos necessidade de reconhecimento pelo que fazemos. Apesar de alguns dizerem que não precisam ser reconhecidos por ninguém, fato é que o reconhecimento é importante sim. Imaginemos que façamos algo há algum tempo e ninguém reconhece o nosso esforço. A tendência é desistir, mudar de área, afinal qual o sentido de continuar fazendo algo apenas por fazer? Certamente na música também é assim.
    Quem nunca ganhou um RT (retuite no Twitter) por falar: “nossa que canção linda @fulana! Arrepiei, Deus bradou através de sua voz!” isso é tão comum… Vejo casos inclusive de pessoas que vivem de bajular cantores em busca de 2 minutos de fama e atenção… (mas isso é assunto para outro post rs).
    Mas e quando a música não é tão linda assim? E quando o clipe é medíocre e sem criatividade? Quando o CD é extremamente clichê e repetitivo? Se a capa é medonha? Quando a atitude do cantor em rede social é questionável? Quando se faz declarações polêmicas? Quando se manda indiretas no Twitter? O que fazer? Elogiar? Ignorar? Fingir que tudo é lindo e maravilhoso porque é para o Senhor?
    Parece que sim. Pelo menos é o que dão a entender quando se critica (fala a verdade) a respeito de algum trabalho gospel. Infelizmente, os envolvidos, fãs e cantores não costumam separar o trabalho da pessoa, trabalho comercial de unção. Critique e verás!
    Em sua coluna, há uns anos o jornalista Flávio Ricco publicou a seguinte observação:

    “Escrever sobre televisão, por extensão sobre qualquer assunto, tem coisas hilariantes. Você elogia um alguém e o trabalho dele a vida toda, na primeira crítica essa pessoa vira inimiga de infância. Mas como não existe “vacina” pra isso, segue o jogo. O recado é pra um só, mas como existem vários na mesma situação, vai no geral. Pt, saudações”.

    Digo idem para a música gospel. Maturidade mandou lembrança! Comemorar um post elogioso, dar RT num tuíte bajulador é normal, mas é preciso entender que nem tudo são flores, há espinhos também. É preciso aprender a lidar com eles.
    É difícil compreender essa postura de quem diz “buscar e primar pela verdade”. Fala-se tanto do desnível de qualidade da nossa música gospel em relação à música gospel internacional, mas que diferença é essa se está tudo lindo? Tudo ótimo?
    Oremos pelo dia em que fãs e cantores aprendam a separar trabalho, pessoa, unção. Que aprendam a lidar com a crítica, que vejam além do simples ato de criticar como forma de crescimento e mudança. Para que como diz Flávio Ricco, não se tornem nossos inimigos de infância. Oremos!