Este é um assunto um tanto quanto espinhoso, porém necessário que se discuta. Ironicamente, é muito raro alguém admitir que isso exista no meio gospel, mas não precisa ser nenhum gênio da biofísica pra perceber que existe e aos montes.
Mais conhecida como idolatria, a divinização de pessoas famosas está cada dia mais “normal”. Os fã-clubes de “divas e divos gospel” se proliferam na internet de forma espantosa. Geralmente, quem sofre de “idolatrite” não reconhece sua condição. Insistem em se rotular como “admirador”, “intercessor (sic)” e os mais modernos se consideram “fãs”, mas idólatra, não!
O problema é que a boca diz uma coisa, mas as atitudes dizem outra beeeemmm diferente! Chega ser irritante a forma como esses “intercessores” se colocam, principalmente nas redes sociais. Seu relacionamento com os “divos e divas do gospel” é tão meloso que chega a dar náuseas. Geralmente, chuvas de elogios desmedidos, tentando de alguma forma, chamar a atenção, ou receber um (mísero) retuite ou uma menção, e agressividade extrema aos que se opõem ou que criticam o trabalho do idolatrado salve, salve.
Basta ver os comentários em posts que criticam o trabalho deste ou daquele cantor em blogs, fanpages e sites para perceber o quanto esses fãs são idólatras. Bordões do tipo “não toque no ungido”, “Ela louva pra Deus, não pro mundo”, “Não julgues, só Deus pode julgar”, “Não toquem na menina dos olhos de Deus” já estão surrados de tão usados. Obviamente, estes são os educados. Os mal-educados (ou os sinceros), descem no mais baixo nível vocabular para agredir aqueles que não gostam, ou criticam seus ídolos.
Isso é normal? Está se tornando normal. Os cantores sabem disso? Obviamente que sabem. Alguns já se colocaram contra essa postura, cito como exemplo, Nívea Soares, que num vídeo emocionante, fala da perca do foco, deixando o Criador pela criatura. Mas há outros que são sim coniventes com isso! Sabem e nada fazem. Não se pronunciam. Claro, esses “intercessores” lhes defendem com unhas e dentes (e garras e línguas afiadas), compram qualquer coisa que lancem, de CDs a peças íntimas, fazem divulgação gratuita (pra que assessoria?), além de fazer o impossível para estar em seus shows (até vender a mãe, ou não). Então, pra que perdê-los?
Certa vez, um grupo (grande) de intercessores de uma cantora, indignados porque ela não iria participar de um evento de grande proporção e exposição, passaram o dia no Twitter com o único propósito: interceder levantar uma tag para exigir a presença da diva no evento. Quem liga pra contratos? Ela é diva e tem que estar lá e pronto! A tag ficou entre os assuntos mais comentados. Ironicamente, a cantora ao invés de repreender uma ação tão patética, realizou uma Twitcam para agradecer aos fãs pelo empenho, mas não poderia estar presente por incompatibilidade de agenda. Oi? Traduzindo: “continuem assim queridos! Adorei estar nos TTs, vocês são 10!” Mudar pra que? Vergonha alheia define.
Infelizmente, temos a sensação de que esse quadro ainda irá piorar. Enquanto esses projetos de crente não sabem quantos livros há na Bíblia, conhecem toda a discografia do cantor favorito. Alimentam o espírito (se é que podemos dizer assim) com as frases prontas da tal cantora, e nunca abriu a Bíblia para ler a Palavra de Deus. Pouco vai à igreja, mas não perde um show gospel, e prefere assistir os cultos da IBL pela internet do que congregar em uma igreja do bairro.
Antes que acusem este editor de estar julgando, de antemão me defendo: estou apenas constatando o óbvio e que muitos insistem em varrer pra debaixo do tapete. Está se levantando uma geração de adoradores! Mas não adoradores de Deus, mas adoradores de homens! Geração que não ora, não jejua nem lê a Bíblia. Resta saber para qual céu estão se preparando pra ir…
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