Limão com mel – Músicas de grife

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Há algum tempo atrás, indaguei em meu perfil no Facebook, se meus amigos conheciam músicas de grife. A maioria não entendeu bem o que eu quis dizer e nem imaginavam que isso viraria um texto aqui no O Propagador. Pra não antecipar o que queria dizer com o termo, deixei o dito pelo não dito. Agora é a hora, vamos aos fatos.

Você já se questionou como surgem as canções? Como elas são criadas? Como ela toma forma na voz de determinado cantor/banda/ministério?
Cada compositor tem suas experiências particulares para compor. A grande maioria atribui ao divino, como se compor fosse algo sobrenatural, além das habilidades humanas. “Começo a falar com Deus, e de repente ele “me dá” uma canção”. “O Senhor me deu esta música em sonhos, foi incrível!”. “Quando estava aflito, passando por problemas, o Senhor falou comigo, então compus este hino”. Esses são alguns dos milhares “bordões” de compositores gospel. Não que não seja assim, algo sobrenatural o ato de compor, mas…

Acontece que com o aquecimento do mercado musical gospel, esses feitos parecem que viraram parte do cotidiano dos compositores tamanha é a fabricação de canções. Tais canções ganharam status de super produção. O nome do compositor A ou B virou grife.

Imagine que você quer um aparelho celular, e pode pagar pelo mais caro. Qual compraria? iPhone? Acho que o iPhone é um dos sonhos de consumo da maioria dos mortais assalariados os não assalariados também, mas Dilma ainda não criou o Bolsa iPhone, chateado rs. Pois é. Alguns compositores se tornaram “Apples” da música gospel. Suas canções são alvo do desejo insaciável de 10 em cada 10 cantores que querem fazer suce$$o.

A máxima do mercado é que quanto maior for a demanda, mais valorizado é o produto. Aí já viu não é? Nem todos podem comprar iPhones. Quando vejo que um cantor novato conseguiu gravar uma música da grife, prevejo até motivo para nota da assessoria: “O single é de autoria de Fulano de Tal, que compôs os sucessos x, y e z nas vozes de grandes nomes da música gospel”. E daí?

Gravar música de grife não garante sucesso. Primeiro que não adianta ter iPhone se ainda nem aprendeu a enviar SMS! É uma pena que a música cristã esteja caminho desta forma, buscando músicas fabricadas para emplacar nas rádios e cair na boca do público como se isso fosse o fim nisso mesmo. Claro que como qualquer trabalho comercial, um álbum precisa ser coerente com o que o mercado busca, mas como um trabalho cristão, onde o foco também é servir como ferramenta para o evangelho, esse não deveria ser o único ou o principal viés considerado.
No entanto, porém, todavia…

A falha não está apenas nos cantores que “solicitam” canções receitadas para o sucesso à “Apple”, mas também está no público que consome. A cantora Quincas da Silva só lança CD todo ano porque sabe que alguém vai comprar. Mesmo que nem tenha ouvido o anterior. “Quero uma música que fale de vitória, porque a daquela cantora estourou”. Note como as músicas cristãs vem se tornando descartáveis com o tempo. Assim como um celular que hoje é moderno, mas amanhã a Apple já lançou outro ainda mais equipado, as músicas também estão sendo deixadas de lado, esquecidas. Esse efeito “temporada” já é bastante comum no secular, onde lançam músicas pra carnaval, e um mês depois ninguém mais ouve falar. O gospel está no mesmo caminho. Será que daqui há 10 ou 20 anos nos lembraremos das canções que hoje estão tocando nas rádios?

Aí no fim, faremos campanha contra o consumismo, contra o entretenimento, contra o oba-oba que virou o segmento. Coerência pra que?

Limão com mel: porque a realidade nem sempre é tão doce quanto gostaríamos…

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