Categoria: Colunas

  • Polemizando – Gays na igreja: O problema é ser ou assumir?

    Durante esta semana, foi divulgada, através da imprensa, a notícia de que o Hillsong NY havia colocado um casal homossexual para liderar o louvor. O caso obteve grande repercussão, não apenas local, mas também aqui no Brasil. Não podemos discutir a veracidade do fato, até porque já foi negado pelo pastor da igreja, mas podemos dialogar sobre o assunto.

    A Hillsong, apesar de negar a presença do casal na liderança do seu ministério, afirma que os gays são bem-vindos lá. Brian Houston, pastor sênior da Hillsong, em um artigo publicado num blog da igreja, declarou: “Se você é gay, você é bem-vindo no Hillsong Church? Claro! Você está convidado a participar, cultuar conosco e participar como um membro da congregação com a garantia de que você será incluído e aceito dentro de nossa comunidade. Mas [aqui é onde fica irritante], você vai poder assumir um papel de liderança ativa? Não. Isso não vai deixar todos felizes e, para alguns, essa postura pode até ser vista como hipócrita. Somos uma igreja que acolhe o gay, mas não somos uma igreja que aprova o estilo de vida gay”.

    Nem todos concordam de fato com a postura do Pr. Houston ou da Hillsong. Críticas continuam pelas redes sociais, mas a questão é: se a Hillsong está errada, qual deve ser, então, a postura correta? Qual deve ser o veredito da igreja ante os “gays evangélicos”? Eu usei as aspas, mas nem deveria. Afinal, sim há muitos gays dentro das igrejas evangélicas, inclusive pregando e ministrando o louvor. E nem precisa ser nenhum James Bond para encontrá-los.

    Pode parecer irônico que a mesma a igreja que prega veementemente contra a homossexualidade e se coloca como oposição à luta homossexual, tenha entre seus membros numerosos homossexuais. Mais irônico – pasmem – é que, na maioria das vezes, a liderança conhece boa parte dos casos. Por que a igreja os ignora?

    Você deve estar se perguntando como é possível existir gays dentro das igrejas mesmo com toda essa “caça às bruxas” promovida pelas instituições, mas garanto que nem é difícil assim entender. Primeiro: boa parte destes cresceu dentro da igreja e sair dela é bem mais difícil quando toda a sua família está lá. Portanto, é correto afirmar que suas vidas foram construídas dentro daquela realidade. Segundo: outros entram crendo ser possível, através da igreja, mudar sua “condição sexual” e acabam criando vínculos e mesmo construindo sua própria visão de cristianismo, em que é possível ser salvo se buscar o sacrifício e a negação “dos desejos carnais”.

    De qualquer forma, eles estão lá e não parecem incomodar. A situação aparentemente harmônica muda e causa incômodo apenas quando surgem provas contundentes da vida do membro, a qual expõe publicamente sua condição sexual ou quando este assume, sem cerimônias, ser gay. Aí, nestes casos, vira um problema para a igreja. Podemos comparar isso com a situação das jovens que, enquanto não aparecem grávidas são virgens. E os pastores celebram o casamento sem nenhum problema. Isso soa como uma hipocrisia para você?

    A igreja atual parece não chegar a um consenso sobre o assunto e qual deve ser a postura correta. O que se vê é uma repetição exaustiva de que a Bíblia condena a homossexualidade. Que Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Um dos versículos bastante usados para isso é o de Romanos 1:27: “E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”. No entanto, é possível apontar outros versículos que condenam outras posturas também como, por exemplo, a mulher ministrar com a cabeça descoberta: “Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”.

    O texto citado acima também foi escrito por Paulo, em sua carta aos Coríntios. Será que a igreja está “relativizando”a Bíblia? Sendo a Bíblia a regra para a correta vida cristã, não deveria esta ser aplicada integralmente?

    As discussões que este tema já suscitou e ainda levantará são muitas e ironicamente não há um consenso nem mesmo entre as igrejas. Há quem acredite na chamada cura gay, a qual consiste na cura através da fé, removendo todos os desejos homossexuais. Em contrapartida, outros acreditam que a questão é comportamental e depende do indivíduo ter força de vontade e buscar a mudança de vida, tendo a igreja importante papel neste processo. Existe também uma vertente que não acredita no fim dos desejos, mas sim na abdicação destes, em que o indivíduo convive com o desejo homossexual, mas negando os desejos.

    Cada visão citada, sendo ela a correta ou não, vai exigir uma postura diferente por parte da igreja. Independente da que for adotada, não podemos esquecer que Jesus morreu por todos indiscriminadamente. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo. 3:16). Além disso, se considerarmos o que Jesus disse em Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” não seria a igreja o lugar ideal para onde gays deveriam ir?

  • Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    Um Brinde – Seis verdades sobre “Pontes Indestrutíveis”

    “Pontes Indestrutíveis” é a primeira faixa do álbum Ritmo, Ritual e Responsa, da banda Charlie Brown Jr., lançado em 2007. As canções deste projeto contém uma pegada surf music muito atraente, principalmente para adeptos do surf e skate. No entanto, antes de começar a me aprofundar na proposta do texto, quero falar um pouco da inspiração para escrevê-lo. Eu estava dando uma volta de bike com o meu irmão de oito anos, em um fim de tarde de segunda-feira. Isso é meio que nossa tradição de fim de tarde, quando eu estou em casa. É o nosso momento de irmãos. E, enquanto eu pedalava, a música do CBJr. veio na cabeça e comecei a cantar, só que a princípio, baixinho. Meu irmão falava de algum assunto e eu estava completamente em outra vibe, e foi aí que eu disse: “vou te ensinar uma música, OK?”. Ele respondeu: “tá bom”, e aí eu cantei falando pra ele repetir:

    “Viver, viver e ser livre, saber dar valor para as coisas mais simples, só o amor constrói pontes indestrutíveis”

    Enquanto continuávamos pedalando, eu senti o desejo enorme de escrever sobre essa música. Espero que esse texto lhe edifique, assim como o autor se sentiu edificado ao escrevê-lo.

    A canção versa uma temática de protesto contra a injustiça e de como o coletivo é tão mais importante que o individualismo. Ensina de forma simples a darmos valor a coisas que não se compram com dinheiro. É uma música, também, de incentivo e de valorizarmos mais os simples momentos. Selecionei seis frases de sua letra cujos versos são indubitáveis verdades. Que o Senhor nos guie!

    1) Os homens podem falar mas os anjos podem voar: Essa frase é autoexplicativa, mas contém uma diversidade gigante de possíveis interpretações. Ficamos com uma das mais simples: por mais que sejamos experientes na oratória, os anjos, ou seja, Deus e aqueles que estão com Ele no céu são os que mais entendem de tudo (tudo mesmo). Somos limitados até quando nos achamos completos. Somos falhos também quando todos nos acham perfeitos, e errados mesmo quando achamos que estamos fazendo tudo certo.

    2) Quem é de verdade sabe quem é de mentira: Chorão era um compositor bem verdadeiro com aquilo que escrevia. Isso é perceptível pela forma pela qual desenvolvia seus versos. Quando nos preocupamos com a estrutura em que as palavras serão escritas, limitamos as suas verdades. Nessa música, claramente identificamos a mensagem, passada sem enfeites de preposições, sem frases filosóficas difíceis de serem compreendidas e nem palavras complexas que nos forçam a usar o dicionário para compreendê-las. Quando ouço “quem é de verdade sabe quem é de mentira”, rapidamente compreendo que “quem fala a verdade manifesta a justiça; porém a testemunha falsa produz a fraude” (Provérbios 12:17). Quem tem a verdade, que é Cristo, compreende as heresias que lhe cerca e sabe o caminho que deve andar.

    3) Cuide de quem corre do seu lado e quem te quer bem, essa é a coisa mais pura: Este trecho me leva diretamente para Provérbios 17:17, o qual enfatiza a necessidade de amarmos o amigo, pois na angústia teremos um irmão. Aos domingos, costumo correr com os amigos, e é nesse tempo em que atualizamos nossas conversas e fazemos planos de ir ao shopping. Mostramos um ao outro a confiabilidade que temos entre nós e do braço amigo que estamos dispostos a dar, caso alguém precise. Na gíria adolescente, “corre do seu lado” significa aquele sujeito o qual anda com você e não abre mão da sua amizade. Ter alguém para contar nas horas ruins é primordial. E, por isso, é importante termos alguém do lado. Jesus poderia muito bem cumprir sua missão sozinho, sem precisar dos seus discípulos, afinal de contas, Ele veio como homem, mas era Deus. Portanto, Ele nos deixou o legado da união, amizade e companheirismo, mostrando a importância de se ter alguém para andar conosco. Lucas Silveira, na música “Canção da Noite”, da banda Fresno, canta que “todo mundo precisa de alguém”. E isso é verdade!

    4) O que se leva dessa vida é o que se vive, é o que se faz: Enquanto os “grandes” homens colecionam carros de luxo, mansões em Paris e títulos invejáveis no mercado dos negócios, os humildes de coração procuram viver uma vida sem regalias, no entanto, verdadeira. Ter algo para se orgulhar é muito mais importante do que ter dinheiro para comprar algo que ninguém ostenta. Sabendo que somos pó e a ele retornaremos, qual a validade de vivermos uma vida constante, em busca do sucesso?

    5) Difícil entender e viver num paraíso perdido: Acredito que o que o Chorão quis dizer com “paraíso perdido” foi a situação do nosso país, politicamente falando. Com toda injustiça e corrupção em nosso país, a beleza que temos, a exuberância que o Brasil é, se perde. Assim temos um paraíso (belo país) perdido (corrupto). Lidar com a nossa situação política é algo extremamente difícil, pois o trabalhador honesto, que sai de casa de madrugada e só volta ao anoitecer sabe do quanto sofre para manter sua família. E mesmo assim, ainda dá mal para pagar as contas no final do mês. Mas o compositor nos dá uma dose de ânimo mais a frente quando canta: “…mas não seja mais um iludido, derrotado e sem juízo”. Enquanto as coisas ruins acontecem, prossigamos fazendo as coisas boas. É como G.K Chesterton disse ao comentar seu livro O que há de errado com o mundo: “errado é não solicitarmos o que é certo”.

    6) Só o amor constrói pontes indestrutíveis: A sexta e última verdade da música que selecionei é o finalzinho da música. Sabemos mais do que ninguém que o amor é a base de tudo. O principal mandamento dado a nós é amarmos a Deus e amarmos ao próximo. Infelizmente, este amor é tão banalizado hoje e, tristemente, se tornou algo relativo. Mas, seguindo a filosofia do Charlie Brown, pontes indestrutíveis são laços inquebráveis, relacionamentos que não se acabam por simples bobagens e, também, nem uma fé frustrada por problemas corriqueiros do dia a dia. Sem o amor nossa força é nula. É basicamente como na física: nossa potência sem uma ligação eficiente não serve de nada. Enquanto vivermos sem sentido e sem bases sólidas, as pontes quebrarão facilmente, e afogaremos no mar das ilusões. Espero que este texto tenha sido uma ferramenta de Deus para você! Um brinde!

  • Fronteira – A pergunta do século: a zoeira nunca acaba?

    A famosa frase advinda do Facebook, a qual deve ter se originado em meados de 2012/2013, “the zuera never ends (a zuera nunca acaba)”, conquistou milhares de seguidores fiéis, transformando a cultura da rede social. Porém, junto com ela, veio seus extremos cujo desconforto nos faz repensar uma grande questão do novo século: a zoeira nunca acaba?

    A revolução da zoeira trouxe mudanças socioculturais à comunidade em geral, transformando-se numa importante ferramenta social, de construção de indivíduos, sendo até mesmo uma relevante máscara para a própria socialização. Ou vai me dizer que alguém com status de “zuero” não está um passo a frente ao sucesso nas relações sociais?

    Porém, arrisco dizer que o maior problema do homem é a falta de equilíbrio que, consequentemente, causa outros milhares de problemas a si mesmo, ao seu próximo e ao meio ambiente. Por que a falta de equilíbrio? Porque tudo tem seu devido lugar e contexto. Logo, se você retirar uma coisa do seu espaço, é como um castelo de cartas: todas as outras saem da sua devida posição e o castelo desaba. E é justamente o desequilíbrio interior que ocasionou um terrível dilema nessa sociedade pós-moderna: a zoeira desregulada.

    De um primeiro ponto, a análise das brincadeiras com características físicas, psicológicas e de escolhas individuais demonstram que em boa parte das ocasiões a zoeira tem extrapolado seus limites, infringindo a liberdade do próximo, e desrespeitando o seu semelhante. O famoso “humor negro” é uma das espécies de brincadeiras que mais tem piadas de mau gosto, sem falar na quantidade de “zuerinhos” de Facebook com comentários e posts altamente ofensivos.

    Numa forma de erradicar esses dilemas sociais, deve-se sempre pensar se o que se publica vai afetar a quem propriamente pode ver isso, a deixar apenas de enxergar o seu próprio ponto de vista, e perceber as divergências com a sociedade ao redor. É claro que o “vitimismo”, o ego exacerbado, que se ofende com qualquer coisa, deve ser colocado em pauta.

    O segundo ponto é o uso da zoeira para desequilibrar debates, como arma de ofensa ao adversário ou até para mudar os rumos do próprio. A verdade é que geralmente a zoeira é usada num debate por causa da falta de argumentos, como as benditas frases (ironia) de impactos, como “mimimi”, etc.

    O último ponto é o que eu vou reforçar nesse texto. O maior problema da zoeira são as consequências que ela traz para a falta de compromisso com questões que envolvem seriedade, como eventos relacionados ao cristianismo e a prática da fé. Eu já participei de situações cujo contexto pedia atitudes responsáveis, mas as reações não eram movidas pelo decoro. Um exemplo foi numa ocasião, em que eu estava realizando um evento de rock “cristão” (vale colocar aspas no cristão pelo fato de lá estar priorizando o cristianismo, não o rock, o qual parecia não estar acontecendo, na prática) em uma praça pública, juntamente com uma galera. Havia um grupo de adolescentes por perto, passando por problemas relacionados com o excessivo consumo de álcool, sendo que alguns estavam vomitando e outros deitados no chão. Qual foi a atitude nossa: zoar o pessoal à nossa parte, sem oferecer ajuda aos próprios. Senti-me como mais um nesse mundo de gente gospel, sem fazer a diferença com ações.

    Outra situação nada saudável que a bendita zoeira tem criado são os famosos selfies, fotos em locais de orações, cultos e congregações: “Oh, espere, deixe que todos vejam o quanto que eu sou religioso e louvo a Deus”, bem incoerente com Mateus 6. Muitos projetos têm sido fadados ao fracasso quando o objetivo é atropelado pela zoeira, sendo que a própria é apenas um meio.

    Outro fato é que o culto a Cristo e o aprendizado tem sido colocado de lado nas congregações contemporâneas em troca de eventos ricos em brincadeiras, jovialidades e coisas do tipo. Isso tem adoecido a igreja, pois ela é completamente dependente do fundamento encontrado em Cristo. Portanto, uma igreja jovem sem Cristo, continua sendo superficial e vazia.

    Com todos esses tópicos resta apenas uma resposta para a pergunta do início: a zuera acaba sim, e tem seus limites.

  • Rocklogia – Até eu Envelhecer

    Era 2006 e o Resgate lançou mais um disco (quase inédito), pra considerar o mais inédito desde o fracasso de 2002. Até eu Envelhecer, sem dúvida marcou novos elementos na sonoridade do Resgate. O principal motivo foi a entrada do tecladista Dudu Borges em 2005, o qual também assinou a produção musical. A música que deu título ao álbum foi “Passo a Passo”, na qual, em sua parte instrumental aposta em frases de guitarra e boas execuções “bluezísticas” de Dudu.

    E como disse que era quase inédito, o único ponto que tira o total ineditismo deste projeto é a canção “Apocalipse Now”, que é um cover do Katsbarnea, com seu registro original gravado há quase 15 anos do lançamento de Até eu Envelhecer. A banda apostou em uma sonoridade experimental, porém muito diferente das experimentações feitas na original, com piano, cordas e dois solos de guitarra. Sem a menor dúvida, um dos melhores covers que já ouvi no meio cristão.

    É claro, como nem tudo são flores, o álbum derrapa feio em algumas letras, como parte de “A Gente”, que defende a teologia da prosperidade, e “Meus Pés”, bastante “renascersista”. Mas como era a verdade do que os integrantes estavam vivendo, era totalmente coerente que gravassem faixas com estas características. A banda ainda toca “A Gente”, porque é uma música que o público gosta, mas removendo os trechos que não fazem mais parte do que acreditam atualmente.

    Em minha opinião, a melhor canção do álbum é “Astronauta”, com sua pegada tão gostosa de ouvir. O baterista Jorge Bruno conta, no encarte da coletânea Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito, que o processo de gravação da música foi bastante experimental, embora Zé Bruno, ao apresentar para os quatro, tinha ideias gerais de como deveria soar. A bateria utilizada foi uma antiga Signia que o músico tinha, e seu timbre foi fundamental para aquela sonoridade característica.

    “Este CD foi muito tranquilo de gravar, testamos muitas coisas e trabalhamos bem juntos, todo mundo participa e as ideias convergem. Uma coisa que a gente sempre procura é o clima. Não basta ser uma música legal, os timbres precisam “falar”. Achávamos que quem ouvisse a música deveria se sentir em órbita. [Jorge Bruno, sobre “Astronauta”, 2011].

    “Este foi o primeiro CD que eu produzi por inteiro, tivemos tempo de escolher cada microfone, testar os timbres e chegar ao melhor resultado que estivesse ao nosso alcance. A coisa soou um pouco mais gringa do que nos outros trabalhos. Gravamos no mesmo estúdio em que foram feitos On the Rock e Resgate, e para eles foi como estar em casa de novo” [Dudu Borges, sobre o álbum, 2011].

    Em 2008, foi lançada a versão ao vivo do disco, gravada em julho de 2006 no atual HSBC Brasil, além de alguns outros sucessos da banda.

  • Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    Um Brinde – “Vinte e Seis” e o período de solteiro

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    Alguém, alguém”

    Eu começo esse texto deixando claro que a música “Vinte e Seis” da banda Rosa de Saron, a qual está sendo base dessa reflexão, não foi escrita pensando em um cara solteiro que queria arrumar uma namorada. Na verdade, consiste na ideia de alguém que viveu vinte e seis anos de sua vida e quando enfim se toca, está só e clama por Deus. E, de antemão, digo que o texto de hoje vai ser diferente dos demais, mas sem fugir da temática da coluna que resumindo, é bem abrangente e não me prendo a nada para escrever aqui. Tudo de importante e que me sinto capaz de escrever (relacionando é claro, sempre com a mensagem do Evangelho), aqui escrevo. Deixando isso claro, podemos prosseguir.

    Tenho 19 anos e nesse pouco tempo de vida já tive alguns relacionamentos sólidos e outros bem imaturos. Alguns me deixaram marcas quase que incuráveis. Já escrevi aqui criticando o pessoal do Eu Escolhi Esperar, mas há algo que eles pregam que eu acho interessante: a santidade. O meu primeiro relacionamento foi ainda muito cedo e não tínhamos estrutura para assumir um namoro e, por isso acabou. O meu segundo relacionamento também foi uma frustração, e naquele período eu havia acabado de conhecer o Evangelho. E olha como são as coisas: eu estava no meu primeiro amor com Jesus e paralelo a isso, também estava no meu primeiro amor adolescente. É óbvio que o amor por Jesus me atraiu mais. O terceiro relacionamento foi muito doido e não vale nem a pena mencionar aqui. O quarto e quinto foi a distância e nem merecem ser citados como relacionamentos, e o mais recente foi o que mais me causou dor.

    A respeito deste último, eu realmente amava a moça e estava numa fase meio rebelde em termo de santidade. Estava longe de Deus, mas bem perto da moça que eu amava. Perto demais para que eu ficasse (a)b(s)ur(d)amente cego. Um fato interessante: quanto mais perto você fica de algo, poucas coisas você ver. Estava no finalzinho do ensino médio e cursando um curso técnico em administração. Eu só pensava nela. Afinal de contas, era minha primeira namorada que vinha na minha casa, saía comigo para lanchar e a primeira que eu amava de verdade. Mas nós éramos ingênuos demais e isso passou desapercebido. Estávamos muito perto não só na relação, mas no sentido geográfico, pois sua casa fica na rua atrás da minha. Minhas crises de ciúmes e falta de compreensão foi um dos pivôs da separação.

    Durante este período eu já amava a banda Rosa de Saron. Eles foram (e são) uma ferramenta de Deus muito importante para o meu crescimento espiritual e intelectual. Ouvia o álbum O Agora e o Eterno todo santo dia. De casa para o curso, do curso para a escola e da escola pra casa outra vez. Todas as músicas desse álbum são marcantes pra mim e, especificamente a faixa 8 do disco, “Vinte e Seis”. Mas vamos voltar ao meu antigo relacionamento.

    Então, o namoro terminou e foi cada um para o seu lado? Errado. Depois de um tempo separados, voltamos a nos falar e ela sempre dava sinal de que ainda gostava de mim. Acabamos ficando algumas vezes, mesmo separados. Mantivemos um contato por algum tempo, até porque ela mora no mesmo bairro o qual moro, e é quase impossível evitar que esse encontro aconteça. Hoje, eu ignoro, mas o encontro sempre acontece. Estou há quase dois anos solteiro e aprendi muita coisa neste período. Estas coisas que você nunca vai ouvir em um The Love School da vida porque só quem vivenciou pode dizer. Também são coisas que um psicólogo nunca te dirá porque ele não passou madrugadas sozinho pensando na vida. E, por fim, coisas que nem sua mãe pode dizer, porque ela não estava em sua pele em momentos que o que mais queria era um colo amigo.

    Aprendi nessa fase de solteiro que o coração do homem grita por um companheirismo conjugal. Você vê seus amigos namorando e sente vontade de também sorrir com alguém do lado. Passeia nas ruas e ver casais andando de mãos dadas e você sozinho.

    “Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
    Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
    Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
    E quando cansado estiver, que me dê o seu colo amigo
    E se eu desafinar, me abrace e cante um alívio”

    Aprendi que, por mais que você tenha os melhores amigos do mundo, eles não são o suficiente para substituir o companheirismo de uma namorada. Aprendi que quando Deus disse “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18), Ele não estava fazendo nenhuma espécie de metáfora, pois literalmente não é bom que o homem esteja só. Compreendi que, por mais a vontade seja viver sem alguém pra chamar de seu, nosso coração sente falta de algo. Sente falta de uma completude que nos encha mais ainda de amor.

    A banda Rosa de Saron me ensinou e me ensina muito com suas músicas e garanto que passarei isso a frente para os meus filhos e netos. E, no sentido emocional, eu também aprendo que preciso amadurecer a cada dia. Entendo que não posso amar alguém se eu mesmo ainda não me amo. Aprendo que o verdadeiro sentido do “estar” é exatamente “estar” com alguém. Só você conversando e se relacionando com alguém para entender porque que ela age dessa forma e quais são os seus mais íntimos pensamentos. Nesse período de solteiro, venho sido instrumento de mão amiga para amigos que tiveram relacionamentos frustrados. Um exemplo mais recente foi o do meu irmão, que se separou da esposa, e dias depois flagrou-a de mãos dadas com outro. Eu estava do lado dele quando presenciamos a cena e fui o cara que o ajudei a segurar a onda. Trouxe ele pra casa, conversamos até de madrugada e demos boas risadas depois.

    A vida é um grande making of: cheia de coisas inesperadas que no fim das contas são roteirizadas com maestria. Quando decidimos nos relacionar, automaticamente decidimos parar de viver só pra nós. Ou seja, o “eu” não existe mais. Eu lembro muito bem do período em que eu voltei a minha “vida de solteiro” e percebi logo um vazio iminente. Eu havia voltado a ser só eu. Só mais um que anda sem um par em direção ao incerto. Parece uma ideia muito pessimista, mas é isso que o solteiro é: alguém que vaga sem grandes objetivos, pois sua força é muito limitada a ele mesmo. O solteiro só pensa em comprar um suco de maracujá e um salgado na faculdade para ele comer e depois ir pra aula. O solteiro só pensa em comprar o cereal o qual gosta, pois não tem ninguém que discorde do seu péssimo gosto. Assim, se sente livre, porque não tem ninguém para dar satisfações, mas se ilude, pois sabe, mais do que ninguém, como dói não ter ninguém para dar justificativas.

    Nós, seres humanos, por vezes temos uma grande necessidade de nos relacionarmos. O autismo, por exemplo, se torna um problema maior porque quem sofre de tal doença, sofre muito mais por não poder se relacionar bem com as pessoas.

    O que eu passo aos meus leitores é, que tudo isso que vivi e ainda vivo, foi e é necessário para o meu crescimento e, eu não mudaria nada. Portanto, se eu puder ensinar algo a vocês, digo que saia a procura do seu par pois ele existe. Ele existe e também deve estar a sua procura. Se relacione, quebre a cara, aprenda. Não espere chegar aos vinte e seis para perceber que você não deve viver o resto da vida solteiro. É claro que esses conselhos estão indo com uma pequena dose de hipocrisia, pois ainda continuo solteiro. Mas, mesmo assim, repito: se você já tem vinte e seis anos, não espere chegar os vinte e sete. Até a próxima! E corre para ir brindar com o seu amor! Um brinde!

  • Fique Sabendo – Thalles, Damares, Marcela Taís e muito mais

    Hoje é sexta-feira e chegou o momento de recapitularmos os principais acontecimentos que movimentaram o mundo gospel esta semana. Confira!


    Humor acima da média

    As polêmicas envolvendo o cantor Thalles e suas declarações estão longe de chegar ao fim e a cada dia ganham novos desdobramentos. Cantores como Leonardo Gonçalves, Kim do Catedral, Cassiane, Andrea Fontes entre tantos outros publicaram sua insatisfação com as falas de Thalles em um evento e que ganharam repercussão na semana passada após vídeos serem publicados no Facebook.

    Leia aqui: Leonardo Gonçalves responde Thalles: “sua opinião a nosso respeito não faz a menor diferença”

    Leia também: Kim, do Catedral, chama Thalles de “backing cantor”, e diz: “tenho pena”

    O público também não perdeu tempo e tem tratado com humor as declarações do cantor, transformando o termo “acima da média” em meme. Diversas publicações tem ganhado as redes sociais e viralizado entre os internautas. Tem de tudo, de montagens a paródias musicais envolvendo o cantor. Confira:

    thalles saiu do grupo
    Reprodução internet

    Fonte: Gospelmente Incorreto
    Fonte: Gospelmente Incorreto

    acima da média
    Fonte: Chloe Crente

    Paródia:

    Thalles Roberto - Lepo Lepo (Paródia)Tha Tha Tha Tha Tha Tha Tha Thalles Robertoooooo... ????? #AcimaDaMédia #MaisRycoQueODT #500GrausOQue ??INSTAGRAM: @censoredbrum ✌Curtam Consagra Jovem (y)Curtam Toca da Chica (y)>>Tem camisetas novas da Linha #CensoredBrum á venda!CONFIRAM>>http://goo.gl/9pHi99 ?LETRA: Sarah JhenniferEDIÇÃO: Davi Carvalho Posted by Censored - Brum on Quinta, 23 de julho de 2015
    Eu e o Tipo Assim nos unimos e criamos esse vídeo só para dizer pra alguém: SEJE MENAS!!! Posted by Gospelmente Incorreto on Segunda, 20 de julho de 2015

    Você acredita na Cruz?

    [caption id="attachment_1029140" align="alignleft" width="300"]filme você acredita? Imagem: divulgação[/caption]

    Chega no dia 03 de setembro às telonas de todo o Brasil o filme Você Acredita?, distribuído pela 360WayUp e California Filmes. Dos criadores do sucesso Deus não está morto, Você Acredita vem alcançando excelente repercussão na internet. A fanpage oficial do longa conta com mais de 50 mil fãs e o trailer já foi visto por mais de 87 mil pessoas.

    Reunindo um elenco encabeçado por nomes conhecidos como Mira Sorvino, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1995, e Sean Astin, dos filmes Os Goonies e O Senhor dos Anéis, Você Acredita? ainda vai tocar em questões atuais na sociedade como intolerância religiosa, gravidez na adolescência, crise no relacionamento e suicídio. Segundo o diretor Jonathan Gunn, o filme traz histórias com as quais as pessoas irão se identificar. "É um filme complexo sobre a fé. A verdadeira redenção vem da escuridão real e este filme não teve medo de explorar isso. Ele explora a fé de uma forma complexa e não foge das perguntas difíceis".

    Para divulgar o filme a 360WayUp criou um aplicativo onde é possível personalizar o avatar no Facebook com a hashtag #EuAcreditoNaCruz. Clique aqui para customizar seu avatar.

    O filme ainda conta com o apoio da gravadora Sony Music. No Brasil, a canção tema terá versão interpretada pelo cantor Leonardo Gonçalves.

    Assista abaixo o trailer do filme Você Acredita? legendado.

    https://www.youtube.com/watch?v=cY5vKeB6qvg&feature=youtu.be

    Reconhecimento

    damares cd mais vendidoDesde que conquistou o Brasil com o sucesso da canção "Sabor de Mel" a cantora Damares coleciona diversos títulos entre eles, discos de ouro, platina e até diamantes. Seus dois últimos discos de inéditas figuraram entre os 10 mais vendidos a nível nacional, sendo o único disco gospel a alcançar essa marca nos últimos anos.

    Leia aqui: Análise do CD O maior troféu de Damares

    Desta vez a cantora foi convidada para ser homenageada na Festa Nacional da Música que acontece no dia 19 de outubro em Canelas-RS representando o segmento gospel. O prêmio já foi concedido a nomes como Aline Barros, Fernandinho e Anderson Freire.

    "Nos últimos anos, se não me engano, quando a Aline Barros recebeu esta homenagem, sempre acompanhei as notícias deste evento. Eu tinha muita vontade de participar e de ter essa experiência tão especial. Quando o diretor do evento me ligou dando a notícia sobre esta homenagem fiquei muito feliz e até emocionada. Uma honra, sem dúvida! Mais uma conquista para o meu ministério!" Comemora Damares.


    Dina Santos prepara novo CD pela Graça Music

    [caption id="attachment_1029141" align="aligncenter" width="1024"]Leno Maia Ana Paula Porto - diretora da Graça Music e o produtor Leno Maia[/caption]

    Lançado em 2013, o primeiro projeto da cantora pentecostal Dina Santos pela Graça Music, Minha Benção, conquistou o público e rendeu a cantora disco de ouro por mais de 40 mil cópias vendidas.

    Agora a cantora se prepara para lançar seu segundo disco pela casa que conta com produção de Lena Maia. O CD virá com 14 faixas algumas delas assinadas pelo rapper Leandro Marques e a dupla sertaneja Rick e Renan, também contratados da Graça Music.

    O novo CD, ainda sem título definido, tem previsão de chegar ao mercado em meados de novembro.


    Marcela Taís lança clipe da canção "Ame mais, Julgue menos"

    Sucesso entre o público jovem, a cantora Marcela Taís lançou recentemente o clipe da canção "Ame mais, Julgue menos" na plataforma Vevo e já conta com mais de 170 mil visualizações. O clipe conta com direção de Bruno Fioravanti.

    Ame mais, julgue menos integra o novo álbum de Marcela Taís pela Sony Music Moderno à moda antiga. Vale citar que o projeto figurou em primeiro lugar entre os mais vendidos no iTunes, feito conquistado por poucos artistas do gospel além de ter sido a primeira a obter destaque na Home da plataforma.

    Leia também: Análise CD Moderno à Moda Antiga - Marcela Taís

    Confira o clipe aqui:


    Primeiro CD de Anayle Sullivan é lançado no iTunes e em 60 plataformas digitais

    Intitulado Anayle Sullivan, o projeto chega às plataformas digitais pela Sony Music nesta sexta-feira (24). A direção de repertório ficou por conta de seu esposo Michael Sullivan, grande Hitmaker e referência musical no país, recordista do Guiness Book com 600 músicas entre as 100 mais executadas no Brasil e América Latina, além de ser autor de 1400 composições gravadas.

    Além do iTunes, outras 60 plataformas digitais irão disponibilizar o disco. Em agosto o CD estará disponível nas melhores lojas de todo o Brasil.


    Primerandar lançará nova música

    A banda Primerandar anunciou que está finalizando uma música nova, a ser lançada em breve. O anúncio foi feito em suas redes sociais. Segundo o grupo, será divulgada no início do próximo mês.

    Leia também: Entrevista - Primerandar


    Por hoje é só pessoal! Até a próxima sexta-feira!

  • Deus em Debate – O argumento cosmológico

    De volta à série Por que acreditar em Deus? , trataremos agora do primeiro argumento citado no post anterior: O argumento cosmológico.

    O argumento cosmológico é um raciocínio filosófico que visa buscar uma causa primeira (ou uma causa sem causa) para o Universo (Geisler., 2002). Segue-se, portanto, que este é um dos argumentos mais utilizados atualmente para a existência de Deus.

    Há três variantes básicas do argumento cosmológico, cada uma com distinções sutis, mas importantes, sendo estas: argumento da causa (do qual iremos tratar especificamente), da essência (essencialidade), do devir (tornando-se), além do argumento da contingência.


    Desenvolvimento

    O argumento cosmológico Kalam pode ser exposto com um silogismo simples:

    1. Tudo o que passa a existir tem uma causa.
      b. O universo passou a existir.
      c. Logo, o universo tem uma causa.

    Observemos agora estas premissas detalhadamente.

    Tudo o que passa a existir tem uma causa.

    O nada não pode trazer o tudo à existência. É mais fácil, racional, e lógico, acreditar em MAGIA, pelos menos na magia nós temos a cartola e o mágico, já no outro caso nós temos apenas um coelho surgindo do “nada”.

    O universo passou a existir.

    O universo não pode ser resultado do nada, pois o nada não pode criar nada. Além disso o universo não é infinito, pois se assim o fosse então todos os eventos passados (pense na hipótese de um passado do universo infinito) na história do universo seriam infinitos.

    Os matemáticos reconhecem que a existência de um número infinito de coisas leva a auto-contradições. Exemplo: quanto é infinito – infinito? David Hilbert, talvez o maior matemático do século 20, escreveu: “O infinito não pode ser encontrado em nenhum lugar da realidade. Não existe na natureza, nem fornece uma base legitima para o pensamento racional. O papel que resta para o infinito é somente o de uma ideia”.

    Conclui-se que os eventos passados não são apenas ideias, mas são reais, então o número de eventos passados deve ser finito. Portanto o universo teve um começo.

    Logo, o universo tem uma causa.

    Sustentar a premissa da causalidade do universo não é uma tarefa simples, pois exige uma série de pré-requisitos para tal coisa,em outras palavras a causa do universo têm de ser transcendental, ou seja, não pode ser participante das dimensões do tempo e do espaço físicos, além de não ser constituída da matéria, ou energia finita, antes pelo contrário, esta causa deve dispor-se de poder inimaginável para trazer a existência o universo.

    Resta-nos admitir que a criação do universo só pode ter sido causada por um ser pessoal etranscendental, sendo que este deve possuir os seguintes atributos: não-causado, atemporal, imaterial, e dotado de um poder inimaginável.

    Não-causado (eterno) obviamente diz respeito a um ser pessoal que não está restrito à uma causa existencial, do contrário a ideia da “infinitude do universo” também seria válida. Deus é eterno (Salmos 90.2), portanto atende ao primeiro requisito!

    Atemporalidade diz respeito ao “tempo”, ou seja, se o universo teve um começo, então ele não pode ser atemporal (eterno/infinito), sendo assim para que o mesmo fosse criado, seu criador (ser pessoal) não poderia pertencer à dimensão do tempo, ainda ouço dizer que o “tempo” foi criado por esse ser pessoal e transcendental. Nosso tempo não é o tempo de Deus, além disso Ele não está restrito à dimensão que criou(2 Pedro 3. 8)!

    Imaterial trata da separação entre esse ser pessoal da matéria e energia finita. Entendemos que Deus é Espírito (João 4. 24), portanto essa descrição é coerente com a bíblia!

    Poder inimaginável é fator indispensável para causalidade do universo. Um ser pessoal fraco, ou limitado, não poderia ter formado o universo com tamanho “equilíbrio” e singularidade. Deus é todo-poderoso (Jó 26. 14; Salmos 147:5)!


    Conclusão

    Podemos concluir que o argumento cosmológico é uma das mais simples e eficazes provas da existência de Deus, sendo extremamente prático, lógico, e racional. Se você quer aprender sobre este e outros argumentos, então fique ligado na coluna Deus em Debate e, é claro, deixe seu comentário, elogio, ou crítica abaixo. O importante é seu feedback.


    Referências

    Geisler., N. (2002). Argumento Cosmológico. São Paulo: Enciclopédia Apologética.

  • Fronteira – Existe mesmo arte gospel e secular?

    Nos últimos dias, suscitou uma polêmica em torno de alguns músicos gospel. Fugindo dessa questão, há um crescente debate sobre a arte sagrada, porém baseada nos mesmos pressupostos falhos.

    A formulação de questionamentos revela uma base de reflexões, e antes de questionar qualquer cultura e pensamento, devemos colocar em dúvida a própria base da questão, conferindo-lhe a verdade. E a grande pergunta é: pode-se ou não pode fazer arte secular?

    O cerne deste problema é uma grande falha do nosso atual sistema religioso. O que deve ser debatido não é a autorização para produzir arte secular, mas a enorme barreira entre o que é território do mundo e o que é da igreja. E o teor de preconceito que existe nestes lados é tão alto.

    Respondendo a esta polêmica, trago um texto do vocalista da banda Switchfoot, Jon Foreman, encontrado traduzido para o português no blog de Sandro Baggio:

     “Para ser honesto , esta questão me entristece, porque sinto que ela representa um problema muito maior do que simplesmente algumas músicas do Switchfoot. Na verdadeira forma socrática, deixe-me lhe fazer algumas perguntas: Lewis ou Tolkien mencionam Cristo em qualquer de suas séries de ficção? As sonatas de Bach são cristãs? O que é mais semelhante a Cristo, alimentar os pobres, fabricar móveis, limpar banheiros ou pintar um pôr do sol? Há um cisma entre o sagrado e o secular em todas as nossas mentes modernas. A visão de que um pastor é mais “cristão” do que um treinador de um time de voleibol feminino é falha e herética. A posição que um líder de adoração é mais espiritual do que um zelador é condescendente e falha. Essas vocações e propósitos diferentes demonstram ainda mais a soberania de Deus. Muitas canções são dignas de serem escritas. Switchfoot escreverá algumas; Keith Green, Bach e talvez você mesmo tenha escrito outras. Algumas dessas canções são sobre redenção, outras sobre o nascer do sol, outras sobre nada em particular: escritas pela simples alegria da música. Nenhuma dessas músicas nasceu de novo, e nesse sentido, não existe tal coisa como música cristã. Não. Cristo não veio morrer por minhas músicas, ele veio por mim. Sim. Minhas músicas são uma parte da minha vida. Mas, julgando pelas Escrituras, só posso concluir que o nosso Deus está muito mais interessado em como eu trato os pobres, os quebrantados e os famintos, do que com os pronomes pessoais que eu uso quando eu canto. Eu sou um crente. Muitas dessas músicas falam sobre essa crença. A obrigação de dizer isso ou fazer aquilo não soa como a gloriosa liberdade que Cristo morreu para me dar. No entanto, eu tenho uma obrigação, uma dívida que não pode ser quitada por minhas decisões líricas. Minha vida será julgada por minha obediência, e não por minha capacidade de limitar as minhas letras nessa ou naquela caixa. Todos temos vocações diferentes; Switchfoot está tentando obedecer ao que fomos chamados. Não estamos tentando ser Audio Adrenaline ou U2 ou POD ou Bach; estamos tentando ser Switchfoot. Uma canção que tem as palavras “Jesus Cristo” não é nem mais nem menos “cristã” do que uma instrumental (já ouvi muita gente dizer “Jesus Cristo” e não estavam falando sobre o seu redentor). Jesus não morreu por nenhuma de minhas músicas. Portanto, não há hierarquia de vida ou músicas ou ocupação, só há obediência. Temos um chamado para tomar a nossa cruz e seguir. Podemos ter certeza de que essas estradas serão diferentes para todos nós. Assim como você tem um corpo e cada parte tem uma função diferente, assim também, em Cristo nós, que somos muitos, formamos um só corpo e cada um de nós pertencemos uns aos outros. Por favor, seja lento em julgar “irmãos” que têm um chamado diferente.”

    Marcos Almeida, um dos maiores nomes do novo movimento, vem trabalhando nesse debate, e durante esses tempos de polêmicas, futilidades e mais rixas cristãs, sua resposta parece ter sido a única convincente em tanta gritaria vazia em prol de si mesmo. O debate não gira em torno da liberdade para criar arte secular, porém na falsa ilusão da separação do que é profano e do que é sagrado. Secular tem significado imundo, e gospel, o puro, mas são duas divisões que em si mesmas não existem. Uma criação sonora, tanto secular como gospel, é música, foram feitas pelas mesmas notas mundanas, usando os mesmos símbolos de linguagem, não se utiliza de um acorde celestial nem demoníaco, pois tudo que existe na Terra foi criado por Deus, para uso dos homens. É claro que a nossa cultura é sim manchada pelo pecado, tanto o falso termo gospel como o ilusório secular, pois provém de homens pecadores, no entanto, não significa que a arte peque, mas que ela é um fruto da criatividade de quem a detém.

    Como artista, um cristão não tem obrigação de definir sua arte para enquadrar-se nesses dois mercados tolos, porém, deve produzir algo que glorifique a Deus, conforme seu próprio chamado. No entanto, o significado do ato de glorificar a Deus não significa algo que deva ter as palavras e expressões gospel, evangélicas e/ou cristãs, contudo, somente glorificamos a Deus quando nos tornamos objeto de sua glória, ou seja, nosso interior se transforme a cada dia mais num espelho da face de Deus. Logo, a melhor definição de arte é aquela que expõe quem somos.

    O conceito de arte em si é uma discussão milenar, e gerou diversas teorias. O melhor significado que dá para se tirar com vários debates sobre, da teologia e da filosofia, pode-se supor que ela se relaciona com o interior do homem, de suas expressões mais profundas, mas qualquer sistema cultural faz com que essa expressão se engesse de acordo com seus valores, para servir os gostos da massa, do mercado, etc. Todo homem está em luta constante dentro de si mesmo, se deparando com algo que pode matar o seu ego e ponto de vista. A arte é a expressão disso, de como o ser humano se relaciona com essas guerras interiores, com a crítica do que é ruim. A verdadeira expressão artística é aquela que procura ser um espelho do seu autor. Também se relaciona com o simples prazer artístico, com o gozo de criar, pois compor uma obra é a suprema realização de um artista.

    Todavia, tanto o sistema religioso quanto o secular cria formas de sistematizar a criação artística para se adequar a mass media. O pior é ver que esse sistema é uma feitoria humana para o seu próprio ego, principalmente do próprio artista. Fugir de “caixas” é procurar um reconhecimento pelo que você faz do seu mais profundo interior, mesmo que não seja pleno, nem o mais verdadeiro e belo, pois o resto procura ser produto de massa.

  • Rocklogia – Brother Simion independente

    Após uma temporada na MK Music, Brother Simion decidiu seguir seu rumo de forma independente. Em 2004 produzia um novo disco, chamado Eclipse, o qual trazia a tão em moda sonoridade new metal. Apesar disso, o álbum não foi mal recebido, muito pelo contrário. O projeto é, até hoje, um dos mais elogiados do cantor.

    Eclipse, além de um disco antenado nos sons da época, revisitava o discurso de protesto e crítica não tão evidente nos dois trabalhos anteriores (embora haja, em poucas músicas). A grande paulada do projeto, com tons de novidade, é “Semideus”, com críticas ferrenhas à “líderes que transformaram igrejas do corpo de Cristo em empresas e se acham proprietários daquilo que só a Deus pertence”, conforme dedicatória contida na introdução do álbum. Esses falsos profetas, os quais o trabalho é dedicado, também são intrincados com as mensagens de exortação que Simion aborda em suas músicas, como a experimental “Perdoar” e “10 Real”, tratando a escravização de seres humanos através das drogas, um tema, convenhamos, bastante recorrente em toda a carreira do músico.

    https://www.youtube.com/watch?v=xrZ2RlE6-sk

    O disco não contém muitos pontos negativos, e ainda é muito agradável por “Ei, Amigo“, canção que, ao contrário das clichês faixas de amizades, aborda o quão difícil é as vezes caminhar na mesma direção, e que nossos ideais e diferenças não podem se sobrepor ao relacionamento que temos com nossos amigos. Simion também faz reflexões acerca de sua carreira, como em “Hotel Paradiso” e “Onde Deus me Levar”, sua última composição gravada por muitos anos. Se definitivamente fosse o último disco de inéditas de Brother, definitivamente seria uma ótima síntese do músico, apresentando, em suas letras, elementos essenciais do trabalho do cantor em cerca de 20 anos.

    Mas Simion não parou, e em 2005 lançou um álbum contando, de forma bastante legal o seu testemunho de vida, incluindo algumas versões acústicas e com cordas das canções “Hotel Paradiso”, “Ei, Amigo”, “10 Real” e “Onde Deus me Levar.

    Em 2007, o cantor lançaria mais um álbum, e novamente sem inéditas. Comemorando sua carreira, o cantor escolheu dez músicas de sua autoria em carreira solo e pelo Katsbarnea e produziu Gênesis for New Generation. Basicamente, o trabalho seguiu influências do pop rock e do rock progressivo contemporâneo. Em 2009, o cantor mudou-se para o exterior com sua família, para evangelizar.

    Simion esteve pelo Brasil em 2012, onde gravou um novo álbum, desta vez com músicas inéditas sob produção de Lucas Nogueira. O projeto estava sendo mixado em novembro daquele ano, mas algo aconteceu e até o momento em que escrevo este post, não foi lançado. Uma música, de título “Beautiful“, foi divulgada no site do cantor, que atualmente está fora do ar.

  • Polemizando – Festa junina é coisa de crente?

    Acabamos de sair do mês de junho, mês em que acontece uma das festas mais tradicionais do país, as Festas juninas que comemoram dias de diversos santos da Igreja Católica.

    A festa popular foi, por muito tempo, ignorada e rejeitada pelos evangélicos, pois era tida como idolatria. Todas as comidas típicas não podiam ser consumidas porque, na visão dos protestantes em geral, eram oferecidas aos ‘ídolos’ católicos.

    Na minha infância eu vivi isso e confesso que morar numa região rural predominantemente católica não facilitava muito. Mas eu entendi que devíamos ser diferentes. Aprendi com Daniel que às vezes devemos abdicar os manjares para alcançarmos algo maior.

    Porém, no entanto, todavia, a igreja atual meio que deu um “jeitinho brasileiro” de enfiar a Festa junina dentro do calendário de comemorações anuais. Rebatizaram para santificar e festejar o São João com a consciência limpa. Arraiá Gospel, Festa Jesuína (misericórdia), Festa do milho, Festa caipira e por aí vai. A música é gospel, e a bebida não tem álcool. Mas e a motivação? Jesus? Por que estamos sendo influenciados pelo mundo quando deveria ser o contrário? De que serve o sal que não salga?

    Você pode até achar que estou sendo radical e que isso não tem nada a ver. Talvez você tenha razão. Mas o que pensar e concluir diante de uma igreja cada dia mais corrompida pelo mundo? Sinto que as igrejas tem deixado de ser hospitais e estão se transformando em clubes. E hospitais devem acolher doentes, pessoas que muitas vezes não tem nada em troca para oferecer.

    Em contrapartida, clubes são para os que podem R$. São feitos para pessoas cuja contribuição paga a presença. E isso lhes traz benefícios. Assim, podemos concluir que clubes focam no lucro e, quanto mais contribuintes, melhor: mais estrutura, mais benefícios e mais nome. Por este motivo, creio que o sentido de ser igreja esteja se perdendo e festejar o são João seja só um sintoma do mundanismo que entra sorrateiramente nas igrejas.

    Festa junina é coisa de crente? Parece que sim. Agora de salvos, eu já não tenho tanta certeza.