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  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira para defender a igreja local? (Base em 1 Pedro 3:15)

    No início da série, falei um pouco do significado de apologética e expliquei um pouco o título. Vimos algumas características de pessoas que defendem sua igreja local de maneira errada, no entanto, comprovamos que a apologética cristã é sim necessária. Hoje, dando continuidade a série, vamos atentar um pouco aos desafios que enfrentamos para defender nossa fé. O nosso ponto de partida é o texto de 1 Pedro 3:15:

    “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados par responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;”

    Observamos aqui seis palavras muito importantes que precisam ser categoricamente estudadas quando lemos esse pequeno versículo: “santificai”, “preparados”, “responder”, “mansidão”, “razão”, “esperança”.

    SANTIFICAI: O contexto de “santificai” aqui é muito claro: sejam compreensivos. E isso é um fator muito ignorado pelos que se dizem apologistas modernos. A fé cristã não é barreira e sim vida (João 10:10). Se não nascemos de novo (João 3:3), não amamos Deus de todo coração (Marcos 12:33) e não fomos justificados (Romanos 8:30), não podemos defender a fé cristã. Chega a ser inútil dizer ser cristão se não tem nenhuma dessas características bíblicas.

    PREPARADOS: Talvez quando eu escrevi que todo cristão precisava ser apologético, alguém tenha me interpretado mal e saído por aí contra-argumentando todo mundo, mas a Bíblia nos orienta a nos prepararmos. Como? Oração, palavra e teologia. Teologia? Claro. Muitos ignoram o tal estudo pois dizem que “esfria o crente”. Eu também já pensei assim. Mas, na verdade, o que ela faz é abrir nossos olhos para muitas coisas as quais desconhecíamos (open eyes!). Mas saibam: “Apologética não é só desmontar argumentos, mas elaborar uma defesa coerente acerca dos nossos pontos de fé. Apologética não é só reclamar do que está errado, mas se esforçar ao máximo para fazer as coisas da maneira correta, ensinando também com o nosso exemplo, como Jesus fez”.

    RESPONDER: “Por que você crê em Deus?” / “Por que Jesus morreu?” / “Como você afirma que o cristianismo é a única religião verdadeira?” / “Você é salvo?” Marty Broadwell escreveu um pequeno artigo, o qual diz: “Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pedro 2:23; 3:9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também deve fazer parte de nosso estilo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança – não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato.” Acredito que nessa hora um “Sola Scriptura” vai bem e, se deixarmos de refutar a palavra de Deus como sendo a Palavra inerrante do próprio Deus e procurar através de uma boa hermenêutica compreender cada texto, teremos a base necessária para respondermos aqueles que não conhecem a sã doutrina.

    MANSIDÃO: Acredito que o Evangelho deve ser pregado de forma mansa, mas eficaz. Cristo pregava mansamente e não precisava usar força bruta física e nem intelectual para passar a mensagem de Deus aos outros. Discussões no Facebook sobre Deus, fé e pecado não chegarão a lugar nenhum se você não tiver Jesus como base e referencial em seus argumentos. “Ao invés de gastar tempo discutindo filosofia, será melhor compartilhar o plano de salvação para que a pessoa o aceite na hora”.

    RAZÃO: Possa ser que razão seja interpretada por muitos cristãos como “eu estou certo e você está errado”, mas a RAZÃO proposta aqui é entendimento da Palavra. Mas talvez você se pergunte: “Por que eu preciso da apologética?” Tim Keller responde a essa pergunta: “A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética”. A razão pela qual você precisa deixa de ser algo totalitarista e passa a ser razão evangelística.

    ESPERANÇA: E por último mas não menos importante, devemos ter esperança. Em Romanos, Paulo diz que a experiência produz a esperança (Rm 5:4). Precisamos de vivência cristã para então termos estruturas para defendermos nossa fé. O que muito vejo entre os jovens que se dizem “apaixonados por Cristo” é que suas “paixões” são limitadas a sua igreja. O que seu pastor prega é o correto e mensagem fim. Exemplo: “não pode ouvir música secular” – “mas por que não pode?” – “ah! meu pastor disse que não pode então não pode”. Em casos mais extremos, vemos o seguinte (e triste) argumento: “se temos Nívea Soares, por que ouvir Coldplay?” É claro que estou trazendo simples exemplos para um complexo assunto.

    Igreja local é legal e necessária, mas igreja local tem mil e uma chances de estar ligeiramente errada. Por isso, a apologética cristã se torna muito mais importante, principalmente quando estamos envolvidos em um ambiente onde existe n variações de crenças e opiniões dogmáticas. Eu por exemplo, tenho amigos ateus e católicos, e sempre que necessário estou preparado para defender minha fé diante do Darwinismo, doutrinas católicas e filosofias vãs. Sejam apologéticos, mas acima de tudo, sejam bíblicos. Não saiam por aí agindo por puro impulso e achando que estar certo em tudo (nem o próprio Cristo agiu assim). Estejam cientes que precisam ler mais e mais a Bíblia sagrada e, livros e mais livros teológicos e filosóficos e claro, orem pedindo direção de Deus para que seus argumentos não sejam meras apelações para tentar convencer alguém de que você domina a teologia e assim se promover. Coração humilde, por favor! Um brinde!

  • Fronteira – Musicografia: Bruno Branco – Lado a lado

    O primeiro trabalho musical do Bruno Branco na sua carreira solo foi Lado a Lado, uma obra totalmente acústica, usando três violões, um banjo, escaleta e alguns recursos de percussão, com interpretações vocais de Bruno. Todas as canções foram compostas por Branco, e produzido por Jordan Macedo, produtor de músicos e bandas como Thalles, Heloisa Rosa, Lucas Souza, Chris Durán e bandas como o Palavrantiga.

    Em várias entrevistas, Branco demonstra que o Lado a Lado foi composto por várias ideias. Em entrevista a Missão Gospel, ele revela que o

    “desejo ao produzir esse álbum é que ele fosse de “bolso”, ou seja, algo agradável e pelo qual as pessoas pudessem usufruir no dia a dia. E nada melhor que um álbum “Lado a Lado” das pessoas, nome da terceira faixa do disco. A música foi sugerida para dar brilho ao nome do CD pelo designer que fez a capa do disco, Josué Ribeiro.”

    Já em outra entrevista para o site Som de Madeira, ele afirma:

    “Tentamos não fazer um disco enjoativo. É um disco que carrega várias épocas da minha vida, mostrando os frutos de andar lado a lado com Deus: nas crises e nos momentos bons. O nome é um resumo do disco. Ele foi feito lado a lado com Deus e com as pessoas também que participam da minha vida. E por ser um CD com músicas de reflexão, ele foi feito com a intenção de uma pessoa tê-lo lado a lado por muito tempo.”

    A leveza e a simplicidade transmitida pelos arranjos e pelas letras sugerem realmente um disco para se estar lado a lado com as pessoas, e reflexões sobre o que é realmente importante na vida. É algo que deva ser apreciado não como uma obra religiosa, escutada nos cultos de domingo e esquecida na semana, um costume que permeia a falsa espiritualidade dos cristãos de templos e não do diário, mas para ser mastigada no cotidiano, acompanhadas por dose de reflexões. Das palavras de Bruno sobre Lado a Lado na entrevista ao Som da Madeira:

    “O disco é muito verdadeiro, é uma extensão destes últimos anos da minha vida, carrega uma inocência. Ele não foi pensado para uma tribo ou mercado. É um disco para ser degustado com tempo. É atemporal. É o resultado de uma coragem de saber que tenho algo que pode não ser importante para a multidão, mas pode ser importante para alguém. Se for, valerá muito a pena.”

    A primeira canção do álbum, “Canção pra Você”, foi baseada em um testemunho do autor.

    “No final de 2008, comprei um apartamento que estava caindo aos pedaços. Decidi reformá-lo. Eu morava com minha avó e achava que precisava ir morar sozinho, me casar etc. Queria muito uma mudança na minha vida e apliquei essa mudança na reforma do apartamento. Após a reforma, o apartamento estava simplesmente perfeito. Mas lá estava eu, sozinho na sala, olhando para aquele porcelanato lindo, mas com um enorme vazio dentro de mim. Foi então que me ajoelhei e o Espírito Santo disse ao meu coração: ‘Quem precisa de reforma é você. A casa está linda, você fez isso para chamar a atenção, ser amado, mas a casa que eu quero mexer é você. Você é o templo. Não adianta nada disso aqui, se você, a verdadeira casa, estiver em ruínas.” [Troféu Promessas, 2012]

    A faixa segue a mesma ideia de “Casa” do Palavrantiga,  porém é mais romantizada, uma bela declaração, e contém reflexões sobre a abnegação e o verdadeiro templo divino. “Onde está o valor destas coisas, disso aqui sem Você” expressa perfeitamente o vazio do materialismo humano, de preencher todo o nosso vácuo de espírito com coisas passageiras, a casa interior destroçada e desocupada, sendo que a vida só terá seu valor se Deus estiver conosco.
    “Simples” é uma das melhores do disco. Ela representa perfeitamente um dos supremos conceitos expressados no conjunto: a simplicidade. A canção foi debatida e usada na questão sobre a cultura artística do Reino por causa dos versos “Então, quem dirá que a arte não pode ser nossa?/ Então, quem dirá que tem que ser sem sorriso?”. Porém, essa canção me leva a pensar sobre a arte de ser simples e viver sobre esse estilo de vida. O melhor trecho da música com uma influência do músico Bob Marley reflete muito bem essa arte: “Use as coisas e ame as pessoas”. O primeiro defensor dessa prática, no entanto, não foi Bruno e nem Bob Marley, foi Cristo:

    25. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
    26. Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
    27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
    28. E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
    29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
    30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
    31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
    32. Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
    33. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
    34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
    Mateus 6:25-34

    Viver nas pegadas da simplicidade do Mestre significa, também, trocar as prioridades na vida. Não se torna apenas um conceito de aparência, na qual transforma apenas como nós portamos. Muda também nossos ideais, nossas buscas, os motivos das nossas orações. A vida é uma arte de amar as pessoas.

    A faixa-título “Lado a Lado”, apesar de boa, é a canção menos interessante do álbum, mas uma letra bem mais complexa que as demais. De qualquer forma, o folk veloz dela anima qualquer um.

    A melhor do álbum é a “Reforma”. Um dos movimentos que mais cresceu nos últimos anos com o advento da internet e das redes sociais foi o reformado, ou calvinista. Os estudos feitos pela teologia calvinista são um dos mais bem organizados, estruturados e solidificados do  protestantismo, e seu extremo cuidado no aspecto bíblico foi um dos motivos de sua explosão. Porém, a cosmovisão calvinista é apenas mais um no meio de tantos pontos de vista do cristianismo, e embora seja muito bem organizado não significa salvação. Qualquer teologia sempre se estruturará na mentalidade das pessoas, mas se o coração não estiver transformado não passará de títulos e rótulos. A verdadeira reforma não transforma a construção primeiramente, ela muda a estrutura da casa, senão qualquer teologia virará teoria. E teoria demais embriaga, como dizia a letra do “Neófito” do Resgate.

    Voltando a canção, a genialidade da letra foi no jogo de analogias feitas nela com as duas passagens bíblicas sobre os odres velhos e a pérola perdida, e a verdadeira capacidade gerada na humanidade com a reforma: poderem amar.

    “Os loucos que amaram mais, acharam a pérola perdida
    Os loucos que amaram menos, odres velhos vinho desperdiça”

    O vinho simboliza na música o Amor, a pérola perdida o encontro do homem com o Amor, e os odres velhos um indivíduo não arrependido ou não transformado. Repetindo o conceito de Simples, a composição se estrutura no Amor.

    Você pode não estar apaixonado, não gostando de alguém, mas mesmo assim irá curtir a belíssima “Flores”. O melhor desse tipo de balada romântica, como “Mais uma Canção” do Los Hermanos, é conquistar seus ouvidos, mesmo sendo solteiro e sem expectativas amorosas. Quem estiver apaixonado, ou em algum relacionamento, essa música pode ser oficial da sua playlist. “Flores” é uma mistura de poesia romântica com um arranjo simples, mas encantador, uma das melhores do tema.

    “Palavras Soltas” é uma excelentíssima canção. A combinação do folk cheio de feeling no arranjo à letra de declaração a Deus estala o coração do ouvinte, uma habilidade do Bruno. São composições poéticas, simples, sem o toque pseudo intelectual das letras da música contemporânea, mas são ricas e profundas. “Saberás” segue da mesma forma que essa faixa, focada numa musicalidade com mais feeling e numa bela declaração, mais poética, contudo, não tão profunda. São duas canções sublimes, e suas poesias revelam mais sentimentos do que conceitos.

    “Vermelho Escarlate” finaliza o álbum maravilhosamente. Essa faixa mistura um folk com uma ideia que já havia explicado em “Reforma”. Vermelho escarlate é descrito na composição como a cor da letra inscrita nos corações dos filhos de Deus, e é baseado em 2 Coríntios 3.3.

    Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.
    2 Coríntios 3:3

    Esses dois trechos da música explica toda a ideia dela:

    “A cidade tem confrontação no amor
    E a letra é vermelha escarlate
    Escritas nestas tábuas, de carne e coração(…)
    Não é letra mas sim sangue o conserto
    E a letra é vermelha escarlate
    Escrita nestas tábuas de carne e coração”

    Vermelho é a cor do sangue e sangue significa vida. A letra em um papel é morta, porém, quando entra em um coração se transforma em algo vivo. Rótulos e títulos se tornarão vazios se as letras vermelhas escarlates não circularem em nosso sangue.

    Lado a Lado é baseado em dois fundamentos, amor e simplicidade, e o meio utilizado foi a linguagem poética, arranjos modestos, andando sobre o folk com influências do blues e do MPB, mas que foram perfeitamente combinados. Um motivo de agradecimento a genialidade do Jordan Macedo, afinal, a ideia de gravar um álbum totalmente acústico foi persistida por ele, pois Bruno queria gravar um disco de banda.

    Bruno Branco buscou principalmente com essa produção fornecer um álbum com princípios cristãos, com uma linguagem menos engessada, presa aos clichês gospel e quebrar a barreira entre o gospel e secular. Sua opinião sobre essa barreira, aliás, sempre foi confusa para mim. Apesar disso, ele é um grande músico da geração que tem surgido atualmente e o seu inicio de carreira com esse excelentíssimo trabalho merece todo respeito.

    “Reforma”, “Simples”, “Vermelho Escarlate”, “Canção pra Você”, “Flores” e “Palavras Soltas” são as melhores, em ordem decrescente, do disco.

    Na próxima Musicografia falarei sobre o Prato & Sino, último lançamento do compositor, e dissertar em mais reflexões proporcionadas por esse álbum.

    Playlist da semana: Palavras Soltas, Reforma, Flores


    Referências

    Érica Fernandes, “As pessoas estão cansadas de religião”, afirma Bruno Branco. Disponível em: <http://www.lagoinha.com/ibl-noticia/as-pessoas-estao-cansadas-de-religiao-afirma-bruno-branco/> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Som da Madeira, Entrevista – Bruno Branco. Disponível em: <http://somdemadeira.blogspot.com.br/2011/12/entrevista-bruno-branco.html> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Wikipédia, Jordan Macedo. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jordan_Macedo> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Wikipédia, Lado a Lado (álbum). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lado_a_Lado_(%C3%A1lbum)> Acesso em 1 de agosto de 2015.

  • Rocklogia – DDG, o álbum superestimado

    Juninho Afram já estava como vocalista há muito tempo, mas as canções da banda exigiam muito do cantor para dividir as guitarras com os vocais. Por outro lado, vinha um álbum agressivo em produção, chamado Depois da Guerra, enquanto conheciam um rapaz de voz monstruosa e rasgada de nome Mauro Henrique. Obviamente, a banda cresceu os olhos e ele foi anunciado como novo vocalista. Muitos acham que, apesar de Juninho ser o líder, quem influencia na sonoridade é o vocal (o que é uma bobagem sem tamanho, já que tudo, segundo eles, é no consenso entre todos). E, neste caso, claro, não foi assim.

    O disco foi lançado no início de dezembro do ano de 2008 e rapidamente causou delírio do público pela forte característica do metal progressivo, já desenvolvido no Além do que os Olhos Podem Ver. Antes de tudo, qual a diferença fundamental entre os dois discos? A mixagem e parte da sonoridade. Além tem uma mix relativamente pop, em que todos os instrumentos ganham destaque, enquanto, no DDG, as guitarras possuem mais peso e o baixo ficou um tanto quanto apagado. Outro detalhe, que vale mencionar, é a influência de metalcore, que Além do que os Olhos Podem Ver não tem.

    É óbvio que DDG é um bom álbum, mas o considero superestimado. A começar que parte do repertório não é autoral. Acredito que seja da consciência geral de que uma banda de rock que se preze deve dar prioridade ao material autoral, e parte das melhores músicas não são, como “Meus Próprios Meios” (Déio Tambasco), “Incondicional” (membros da ex-banda de Mauro, com Mauro) e “Better” (Celso Machado). Em segundo ponto, a influência da produção musical na sonoridade é tão grande que pouco da Oficina tão evoluída dos dois discos anteriores se vê neste álbum. Soou um grupo totalmente diferente. Terceiro, e mais importante: a maioria das baladas deste disco, em minha opinião, são muito chatas, especialmente “Tua Mão”, uma das coisas mais diabéticas que o grupo já fez. A temática “guerra”, explorada nas músicas, em certos momentos soou repetitiva, se tornando algo bastante cansativo ao ouvir. Mas, tirando estes detalhes relevantes, o álbum é realmente surpreendente.

    Sobre a melhor faixa do álbum, Déio Tambasco disse:

    “Esta letra é parte da história da minha vida.
    Todos nós, em algum momento, vivemos escravizados pelo medo, e creio que esta é uma das piores prisões, pois tiram a força, a honra e até a vontade de viver.
    Mas na força dEle, podemos dar um basta.
    De onde vem esta força? Deixe Deus feliz, pois é de Sua alegria que vem a nossa força. Nehemias 8:10”

    O clipe de “Incondicional”, dirigido por Hugo Pessoa, foi bastante visualizado, e filmado no mesmo local onde foi produzido o DDG Experience, em 2009. A respeito deste projeto, é excelente. Ter escolhido Hugo Pessoa foi uma escolha muito acertada, afinal ele vinha com uma produção premiada, o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, do Trazendo a Arca, que venceu o Troféu Talento (apesar de ser uma votação popular, a categoria DVD era avaliada por críticos especializados).

    A banda escolheu o melhor diretor do momento para o trabalho, e o efeito bullet-time é, sem dúvida o principal atrativo das filmagens. Mas o que mais me incomoda neste DVD é a performance de Mauro Henrique, que se limita a bordões como “sai do chão!”, “rock’n’roll” e adjacências. Em “Incondicional”, Mauro apresenta um discurso confuso, e suas palavras não parecem empolgar o público, da tão grande timidez a qual o músico dispunha. Juninho Afram apresenta uma ótima palavra, que acredito ser o melhor momento do DVD dentre a parte “evangelística”.

    O projeto gráfico, tanto quanto do CD e do DVD/Blu-ray foram produzidos por Gustavo Sazes, excelente designer e com um currículo bastante completo na cena do rock nacional. Todo o conceito do álbum é muito bem reproduzido, e acredito que seja a melhor arte de um disco da Oficina G3 já feita.

    Vale lembrar que, para quem diz que a Oficina G3 não é uma banda valorizada por sua gravadora: DDG Experience foi o primeiro, e até agora o único disco em blu-ray lançado pela MK. (e O Tempo foi o primeiro DVD da gravadora também)

    Depois da Guerra ganhou o Troféu Talento na categoria Melhor CD de rock, e também o Grammy Latino. Em 2011, Alexandre Aposan seria efetivado como integrante.

    A respeito do processo de produção do disco, alguns vídeos, divulgados pelo canal oficial da banda na época são interessantes de ver, até mesmo para prever como seria o álbum nos vocais de Juninho Afram:


  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Primeiramente eu preciso dizer que defender a igreja local não é nenhum extremismo. Muito pelo contrário, isso até pode ser uma atitude louvável. Mas, mesmo que pode ser, nem sempre é. Como exemplo básico e pessoal, eu muitas vezes defendi a igreja local em que estava envolvido, porém ela estava toda errada: pregava uma doutrina incorreta, não vivia o cristianismo de fato e não tinha relacionamento profundo com Deus. Sim, acreditem, já passei por uma congregação assim. Hoje me arrependo por ter “comprado briga” por tal ministério. Primeiro, porque eu não estava preparado teológica e nem espiritualmente para isso. Segundo, eu estava sendo mais errado que a própria congregação por defender seus erros.

    A Bíblia nos orienta a crescermos na graça e no conhecimento (2 Pedro 3:18) e esse foi um dos principais motivos que me fez querer estudar mais teologia. Não no seminário, porque não tenho tempo e sequer dinheiro, mas procurei aprender em casa, nas madrugadas de insônia que tenho. Apologética (do latim apologetĭcus, através do grego ἀπολογητικός, por derivação de “apologia”, do grego απολογία: “defesa verbal”) é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Em uma visão ampla, é certo afirmar que todo cristão deve ser apologético. Mas, nem sempre o que vemos é uma defesa da fé e sim uma defesa do “meu quadrado”, ou seja, da minha congregação. Eu vou além e digo: tristemente vemos a defesa de seitas e heresias, menos a do cristianismo. E aqui o caro leitor deve se perguntar: mas o cristianismo realmente precisa de defesa? A apologética cristã é relevante? Sim, claro, óbvio e evidente. Gregory Koukl disse:

    “A apologética desfruta de uma reputação questionável entre os não-simpatizantes. Por definição, os apologistas ‘defendem’ a fé. Eles combatem as falsas ideias, destroem especulações levantadas contra o conhecimento de Deus. Tais palavras soam como palavras de combate para muitas pessoas: façam um círculo com as carroças; levantem a ponte levadiça; preparem as baionetas; carreguem as armas; preparar, apontar, fogo! Não é surpresa, portanto, que os cristãos e incrédulos igualmente associem apologética a conflito”

    Como disse o blogueiro João R. Weronka, do site Internautas Cristãos, discordância não significa desrespeito. Eu acredito veementemente que sem apologética, dificilmente haverá cristianismo. Explico: não é de hoje que o cristianismo é mal compreendido. Desde a época de Jesus, já existiam pessoas que achavam toda essa ideia uma coisa de louco e sem sentido. Por isso, Cristo precisou, em várias vezes, dialogar com os fariseus para defender seus ideais. Alan Richardson esclarece melhor a importância da apologética:

    “A apologética trata das relações da fé cristã com a esfera mais vasta do conhecimento ‘secular’ do homem – a filosofia, a ciência, a história, a sociologia e as outras mais – visando demonstrar que a fé não discrepa da verdade descoberta por essas pesquisas. Tarefa como esta deve, necessariamente, ser empreendida em cada época. É mesmo um empreendimento de considerável urgência num período em que os conhecimentos científicos e as transformações sociais se processam tão rapidamente”

    Então qual é o problema de eu defender minha igreja local? Depende. Vamos lá: suponhamos que você ache sua igreja perfeita: o pastor vive em santidade e é honesto, o louvor é verdadeiro e dedicado, os obreiros são bem preparados e esforçados para com a obra de Deus e isso já é o suficiente para que você brade que sua congregação está preparada para receber os perdidos. Até aí, tudo bem. Mas o grande PORÉM é que sua congregação não desenvolve nenhuma atividade missionária, não se importa com evangelismo, não se relaciona com os demais irmãos e os cultos são mornos por falta de uma pregação inteligente. Tem como defender isso? Os membros são até pessoas dedicadas dentro da congregação mas fora delas, onde mais eles precisam ser dedicados, o cristianismo morre e eles voltam a ser pessoas comuns, sem desempenhar o evangelho.

    Apologética cristã não é defesa da sua igreja local e sim defesa da sua fé. Talvez muitos dos pressupostos usados em sua igreja local, estejam biblicamente incoerentes com o cristianismo. Paul Tripp, em seu livro Como as Pessoas Mudam (coescrito com Tim Lane) identifica sete evangelhos falsos – caminhos “religiosos” que usamos para nos “justificar” ou “salvar” à parte do Evangelho da graça.

    • Formalismo: “Eu participo dos encontros regulares e dos ministérios da igreja, assim sinto-me como se minha vida estivesse sob controle. Estou sempre na igreja, mas isso realmente tem pouco impacto em meu coração ou sobre como vivo. Posso me tornar julgativo e impaciente com aqueles que não têm o mesmo compromisso que eu”.

    Isso explica um pouco do que eu disse logo acima: não é porque a intenção é boa que a motivação seja a correta [Cristo].

    • Legalismo: “Eu vivo pelas regras – regras que criei para mim mesmo e regras que criei para os outros. Sinto-me bem se posso guardar minhas próprias regras, e me torno arrogante e cheio de desdém quando os outros não alcançam os padrões que coloquei para eles. Não há alegria em minha vida porque não há graça a ser celebrada”.

    Muitos de nós ainda vivemos esse legalismo, cujas regras desestruturam toda a aparência sincera de cristianismo. Em Filipenses 2 versos 14 e 15 diz que precisamos fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” para que nos tornemos “irrepreensíveis e sinceros”. Precisamos ser servos de Cristo por completo. Consegue entender a importância da apologética cristã?

    • Misticismo: “Eu estou envolvido em uma busca incessante por uma experiência emocional com Deus. Vivo para os momentos em que me sinto próximo dele, e frequentemente luto contra o desânimo quando não me sinto dessa maneira. Posso também mudar de igreja frequentemente, buscando aquela que me dará aquilo que procuro”.

    Observe que “experiência emocional” é muito diferente de “experiência espiritual”. Quando nos sujeitamos a momentos de emoções com Deus, não nos preocupamos com nossa vida espiritual.

    • Ativismo: “Reconheço a natureza missional do Cristianismo e estou apaixonadamente envolvido em consertar esse mundo destruído. Mas, no fim do dia, minha vida é mais uma defesa do que é certo que uma busca alegre por Cristo”.

    Chegamos em um ponto primordial que é posto equivocadamente por alguns de nós: o desejo por defender a fé mas a limitação física e teológica não permite. Fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis diante dele [Deus] em amor (Efésios 1:4). Devemos pregar o evangelho com convicção e não por mera emoção para sermos vistos e reconhecidos.

    • Biblicismo: “Eu conheço a Bíblia do começo ao fim, mas não permito que ela me domine. Reduzi o Evangelho à proficiência do conteúdo e teologia bíblicos, portanto sou intolerante com aqueles que têm menos conhecimento”.

    Isso é bem comum em nosso meio e, isso me entristece. Os fariseus conheciam muito bem a lei e as escrituras e nem por isso eram santos. A bíblia deve ser alimento para nossa alma e não vantagem para o nosso ego.

    • Terapismo: “Falo muito sobre as pessoas feridas em minha congregação, e como Cristo é a resposta para suas dores. Porém, mesmo sem perceber, eu fiz de Cristo mais Terapeuta que Salvador. Eu vejo as feridas como um problema maior que o pecado – e, sutilmente, mudo minha maior necessidade – da minha falência moral para minhas necessidades não satisfeitas”.

    Esse deve ser um dos principais problemas de defender sua congregação: vocês devem estar fazendo a coisa certa da maneira errada. Se tiverem uma apologética do cristianismo, estarão sendo firmes em suas convicções e biblicamente corretos.

    • Socialismo: “A comunhão e amizades profundas que encontro na igreja se tornaram meu ídolo. O corpo de Cristo substituiu o próprio Cristo, e o Evangelho é reduzido a uma rede de relacionamentos cristãos satisfatórios”.

    Sejam igrejas e amem o dono dela, que é Cristo. Enquanto pensarmos que nossa congregação é a base de tudo, estaremos errando feio em nossa vida cristã. Fiquem atentos aos próximos textos. Por enquanto, um brinde!


    Referências

    MYATT, Alan – Apologética p. 4 – www.monergismo.com

    KOUKL, Gregory in BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.55

    RICHARDSON, Alan. Apologética cristã. JUERP. Rio de Janeiro, RJ: 1978. p.17

  • Fique Sabendo – Tanlan, Novo Som, Nani Azevedo e muito mais

    Hoje é sexta-feira, portanto, dia de mais um Fique Sabendo, o último do mês. Vamos lá!


    Tanlan lança novo clipe e single: “A Maior Aventura”

    Três anos após o disco Um Dia a Mais, a banda Tanlan acaba de lançar a canção “A Maior Aventura”, prévia de um disco futuro, a ser lançado pela gravadora Sony Music Brasil. A canção foi mixada e masterizada por Rodrigo Del Toro, e a direção de vídeo ficou por conta de Mateus Raugust. Assista:

    Leia: entrevista com Fábio Sampaio


    Novo Som segue cumprindo agenda, mesmo com as proibições de Lenilton

    Nesta quarta-feira, o fundador e ex-baixista do Novo Som, Lenilton, proibiu a banda de tocar e gravar suas composições. Ocorre que o músico é o letrista majoritário da maioria das músicas e praticamente de todos os sucessos do Novo Som. O desabafo do artista em suas redes sociais causou comoção nos fãs do grupo, que em massa exigiram esclarecimentos e desculpas de Alex Gonzaga e Mito ao ex-colega e afirmando que sem o ex-músico, o Novo Som “não tem graça”. Eles seguem cumprindo agenda, tocando, desta vez, músicas que não são de Lenilton. Uma delas foi “Teu Choro”, escrita exclusivamente por Mito.

    Alex Gonzaga falou sobre o assunto, assista:


    SBB lança coletânea do Chá de Mulheres

    conviteO álbum é fruto do Chá de mulheres, evento idealizado por pastor Marcos Batista, coordenador de desenvolvimento Institucional da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e organizado pela atriz e apresentadora Eliana Ovalle.

    Com início em abril de 2009, o evento acontece a cada última quinta-feira do mês e reúne mulheres no Centro Cultural da Bíblia (RJ). Várias cantoras de muito talento frequentam o evento e tem a oportunidade de louvar a Deus, algumas delas se tornam frequentadoras assíduas. Foi a partir daí que Eliana teve a ideia de gravar uma coletânea, um CD do Chá das Mulheres na SBB.

    O álbum reúne canções de louvor e adoração e tem produção musical do maestro Lito Figueroa. Participam do projeto: Eliana Ovalle, Fátima de Souza, Glaucia Leite, Ivana Viana, Janete Bandez, Luci de Sá, Luciene Camargo, Patrícia Andrade, Renata Martins, Zenir Nevez, cada uma delas participando com uma canção e Sylvia Jane Crivella, que realiza uma belíssima oração no encerramento do disco.

    O lançamento do projeto acontece neste sábado (29), na Igreja Assembleia de Deus Cidade Nova (RJ).


    Jossana Glessa investe em música e vídeo de qualidade duvidosa

    A cantora Jossana Glessa acaba de lançar um novo clipe, da canção “Som do Trovão”. No entanto, a qualidade do vídeo deixou muito a desejar e a canção aposta em todos os clichês possíveis do gênero, utilizando-se de temáticas antropocêntricas.


    Nani Azevedo apresenta capa do novo CD, Eu Confiarei

    O cantor Nani Azevedo acabou de apresentar a capa de seu novo álbum, Eu Confiarei. Confira o post abaixo:

    https://www.facebook.com/cantornaniazevedo/photos/a.603807722972924.1073741825.184133124940388/1000252466661779/?type=1


    Duca Tambasco divulga música instrumental, “Woods”

    O baixista da Oficina G3, Duca Tambasco, iniciou, recentemente, um novo projeto musical, chamado Música e Prosa. A música divulgada, em seu canal oficial, foi “Woods”. Assista:


    Daniela Araújo lança música “Agosto”, com Mauro Henrique

    O vocalista da Oficina G3, Mauro Henrique, acaba de participar na música “Agosto”, de Daniela Araújo, canção divulgada nas redes sociais da intérprete.


    Até a próxima!

  • Fronteira – A interpretação é livre!

    Devo ter polemizado com esse título, numa sociedade pós-moderna que exerce com vigor ferrenho a base relativista (incoerência juntar base e relativismo na mesma frase, já que base significa algo absoluto). Mas esse título, queira ou não, é a verdade mais absoluta.

    Por que a interpretação é livre? Para quem faz essa pergunta, eu devolvo uma outra: pode uma árvore de maçã dar laranja? Uma indagação nada convencional, mas vou explicar.

    Na Revista Espaço Acadêmico, da edição N° 144 de maio de 2013, Andrey Dioney Fonseca afirma que “ao momento em que determinado bem cultural chega às mão de um consumidor que dele pode fazer diferentes usos, inclusive usos que distam do que fora pensado por aqueles que produziram esse bem cultural.”, o autor enfoca na liberdade de interpretação. Esse fundamento tem raízes no humanismo e no relativismo cultural. E a realidade é que esse argumento é tão verídico, que faz o relativismo uma verdade absoluta (adoro paradoxos).

    Jesus disse em Mateus 7 sobre uma realidade além do que é visível para nós: “16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? 17. Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. 18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.”

    Nesse mundo de certezas e dúvidas, há outra realidade por trás dessa, feita de cenas de vazio e deserto. Esse mundo é um complexo sistema a qual eu mesmo não entendo em sua totalidade, mas sei que fui feito para ser dele. Esse mundo complexo pode ter vários nomes: eu, identidade, coração, etc. E é essa dimensão que Cristo veio tratar, pois dela provém toda a realidade humana. Parafraseando Søren Kierkegaard:

    “O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é, em suma, uma síntese.”

    Quando afirmo esse mundo, eu falo sobre quem eu, você é. Não sobre o que você faz e o que você tem, mas sobre seu ser, sua identidade espiritual, seu eu, e é esse planeta de interioridade que define o que você interpreta, pensa, escolhe e faz. Sua interpretação é livre para pensar sobre quem você é!

    A pergunta do início agora foi respondida. Pode uma árvore de maçã dar laranja? Não, porque o que eu interpreto é a partir de quem eu sou. Eu tenho dois pares de olhos, os olhos exteriores e os olhos do interior, que enxerga o além das coisas materiais. Se eu tiver esses olhos interiores fechados, enxergarei só a materialidade, interpretarei apenas o que é material.

    Já ouviu a afirmação que todo homem é pecador, não é? Vejo teólogos, crentes repetindo essa afirmação como papagaios. Na verdade, às vezes um cristão parece realmente um papagaio: repete informações e doutrinas decoradas, sem ao menos entendê-las. O cérebro deles é um tijolo. Você sabe o que o pecado significa? Pecado não é uma substância venenosa, que possui materialidade, pois assim ela teria que ser criada.

    Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (Romanos: 3. 23)

    O ato de pecar é possibilitado pela destituição da glória de Deus. Destituição é perder algo, é ser ausente de uma posição a qual era seu destino, seu propósito. O pecado é ausência de Deus, e nada melhor que o Albert Einstein para explicar isso:

    “O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

    Só há duas alternativas para o seu próprio interior: ser ou não ser. Porque toda interpretação tem apenas duas bases, o que é e o que não é. Sabe por que o homem detém verdades relativas? Porque ele não conhece o todo, e por estar cego espiritualmente, enxerga partes da verdade pela graça comum. O absoluto se encontra na espiritualidade, no divino, pois só Deus conhece toda realidade, e só conhecendo essa dimensão o homem deixará de ser relativista.

    A Bíblia trata plenamente da história dessa verdade absoluta. Essa verdade veio e os homens não o conheceram, pois não eram dos seus. A verdade é uma pessoa, e essa pessoa se chama Jesus. É a expressão perfeita do homem e Deus. Conhecer a Cristo, ter sua identidade totalmente formada nEle é o destino do homem, porém, não é simplesmente uma vontade sua, pois um interior vazio não pode querer ser cheio por si mesmo. “Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende dEle”, dizia o C. S. Lewis.

    Você pode ter sua vida padronizada em regras práticas baseada em religiosidade que fingem ser a espiritualidade, mas pode não conhecer a Deus. Jó dizia que antes ele apenas conhecia de ouvi falar sobre Deus, mas depois de grandes dificuldades e problemas, ele disse: mas agora os meus olhos te veem. Ele passou do vazio existencial para a verdadeira vida, obteve seu eu. E são justamente os olhos desse eu que pode dizer: eu realmente vejo Deus, eu realmente conheço a verdadeira interpretação, pois eu o enxergo com os verdadeiros olhos do interior.

  • Rocklogia – O primeiro álbum da Tanlan

    Como dito no primeiro post da Aeroilis, a Tanlan surgiu no início dos anos 2000, com uma proposta semelhante. De um projeto solo do cantor Fábio Sampaio, evoluiu para uma banda. Em 2005, foi lançado o primeiro EP de canções do grupo, que tornou-se um álbum completo em 2008, produzido por Kiko Ferraz.

    Este primeiro trabalho da Tanlan é liricamente mais ousado do que o primeiro projeto da Aeroilis. Evidentemente, as composições são mais implícitas, o que facilitou o sucesso da banda no meio em geral. A Tanlan seguiu um rumo um pouco diferente das bandas do novo movimento: o seu público, na maioria dos anos, era, em maioria, formado por não-cristãos. O grupo tinha imensa dificuldade de, por exemplo, fazer agendas em igrejas. Com os anos, isso foi mudando.

    Tudo que eu Queria é basicamente um álbum de rock alternativo, com canções alegres, com o destaque das execuções instrumentais do guitarrista Beto Reinke. Vale salientar que este projeto alcançou relevância na mídia local de Porto Alegre, o que colaborou para a continuação do grupo e expansão de sua agenda para outros estados do país. Destaco as canções “Castelo” e “Bem-Vindo”, as quais só tive a oportunidade de conhecer no início de 2012.

    Entre o primeiro e o segundo álbum, algumas coisas em relação ao grupo, especialmente em relação ao rótulo que receberia dos meios de comunicação, foram mudando, mas isso é assunto para outro post, daqui a algumas semanas. Aguardem!

  • Polemizando – Por que o compositor não é valorizado?

    Você certamente sabe quem canta aquela música do momento, aquele sucesso que não para de tocar nas rádios. Mas você sabe quem é o autor dela?

    A maioria esmagadora do grande público desconhece quem são os compositores da maioria das músicas. Não é incomum encontrar aqueles que creditam, ao intérprete, o crédito exclusivo sobre uma canção, o que é um grande equívoco. Atrelado a isso, é possível notar o pouco interesse do mercado musical em mudar isso. Seguimos com cantores cada vez mais famosos e ricos e compositores citados obrigatoriamente apenas nas letrinhas miúdas do encarte cujo material a maioria do grande público não lê. Eu entendo que, no meio gospel, muitos vão dizer que não se deve buscar glória na Terra, nem reconhecimento humano o que é uma grande balela usada para silenciar os insatisfeitos, mas não se trata disso. Trata-se de equidade e justiça.

    Isso porque, legalmente, o dono dos direitos autorais de fato é o compositor, não o cantor. O intérprete e demais músicos, produtores que estejam envolvidos na gravação de uma música possuem direitos conexos. Somente o compositor pode autorizar que suas canções sejam regravadas por outro artista, e não o intérprete. Somente ele segue tendo direito sobre todas as versões futuras. Ainda que este tenha repassado os direitos administrativos para uma editora (que neste caso pode ceder as canções ou monopolizá-las), o autor segue detentor dos direitos, recebendo uma parcela não muito expressiva dos royalties gerados pela canção.

    Pelo menos é o que se espera. Vez ou outra surgem casos de compositores reclamando direitos não recebidos, seja por má fé, falta de conhecimento ou descaso com o artista por trás da música.

    Em pleno 2015, em que a música digital é uma realidade, uma parte significativa dos lucros vem partindo desta nova fatia do mercado. Gravadoras e artistas independentes tem derramado CDs inteiros no YouTube, mas será que todos os compositores tem ciência de quanto suas canções rendem apenas nesta plataforma? Creio que nem os cantores saibam ao certo, já que ainda é tudo nebuloso e falta conhecimento.

    Nas plataformas usuais, controladas mais severamente pelo ECAD, é possível ter uma noção mais clara deste rendimento, agora quanto às plataformas digitais ainda não é possível assegurar com precisão até que ponto cada artista envolvido numa canção recebe os repasses. Veja abaixo, um organograma dos repasses de direitos autorais e conexos:

    Divisão

    Se você é compositor, antes de assinar um contrato, veja quais são as cláusulas que envolvem também a distribuição digital. Se liga!

    Para finalizar, deixo claro que quando falo sobre crédito aos compositores vou além de apenas cumprir com a obrigação de repassar a este o que lhes é devido, mas também de reconhecer este profissional como peça fundamental neste segmento. Sem compositor não há música!

    Sei que muita gente floreia o ato de compor como algo natural ou entregue de bandeja por um anjo, mas acredite, compor uma música não é fácil. Não existe receita de bolo. Compor uma música que seja aceita pelo mercado é muito mais complicado que se parece. Portanto, ao ouvir uma música, pare por um instante e pense o quanto a pessoa que a escreveu se dedicou para criá-la e quão talentoso e hábil foi o dono  das mãos que cruzaram madrugadas dedilhando acordes para colocar em sons suas angústias, alegrias, sonhos e fé.

    Quando você começar a admirar mais que o resultado final, vai entender que o cara por trás das letras geniais certamente merece um pouco mais de crédito.

  • Ser Ester: O estilo dos cantores gospel

    Olá pessoal!

    Comecei diferente, não saudando apenas as meninas, por um motivo nobre: O tema de hoje é estilo… masculino.

    Depois de muito falar sobre as meninas do mundo gospel, o tema neste post é conhecer mais sobre o que os cantores evangélicos brasileiros apostam, quando o tema é moda. Selecionei 11 moçoilos cantantes dos mais variados estilos musicais e visuais para mostrar que, além do talento de cantar, eles também fazem bonito na hora de se vestir.

    Aviso importante: os nomes estão listados em ordem alfabética, logo, a lista não é um ranking à moda TOP 10 😉
    Vem!


    André Valadão

    André Valadão, dentre os cantores aqui listados, é provavelmente um dos que mais aparenta gostar de moda. O cantor não tem um único look com cara de desleixado ou não pensado. Pelo contrário! Todos os seus visuais demonstram um bom senso de estilo e preocupação na hora de compor cada montagem. Sem medo de abusar das cores e com um armário cheio de peças modernas, André tem uma coleção de blazers com padronagens/cores pouco usuais, indo do xadrez ao camuflado, passando pelo jeans manchado. O cantor é adepto das calças skinny e sapatos diferenciados como modelos bicolores ou o super fashionista de veludo azul marinho com dourado da primeira imagem. Mesmo quando aposta em um visual mais básico, André sempre arruma um jeito de dar o seu toque, seja com um chapéu, óculos ou estampa criativa.

    André 1André 2

    Jonas Vilar

    O estilo do sertanejo Jonas Vilar pode ser definido com diversas palavras, mas ‘discreto’ não é uma delas. O cantor ama visuais chamativos e combina seus jeans rasgados, manchados ou coloridos com camisas de cores vibrantes ou texturizadas. Para completar o look, jaquetas de couro colorido, paletós com estampa tié-dye ou coletes. Para ocasiões que pedem uma produção mais discreta, o músico mantém a mesma base de estilo, mas com cores mais sóbrias, mas arrematando tudo com sapato social de bico mais afinado.

    Jonas 1Jonas 2

    Jotta A

    O menino prodígio que encantou o Brasil e faz sucesso até em outros países, é pura ousadia e alegria quando o assunto é estilo. O garoto não tem medo das cores e está sempre bem arrumado. O cantor ama combinar camisas estampadas ou camisetas com paletós largos e de tecidos inusitados, como tweed e moletom. Nos pés, presença constante de coturnos e tênis modelo botinha. Jotta gosta de compor visuais com detalhezinhos modernos, como jaqueta mais curta que camisa, barra da calça dobrada e paletó com a manga puxada. Um acessório que sempre figura nas composições de cantor é belo par de óculos. Jotta sempre aposta em modelos grandes e chamativos que contrastam bem com sua figura mignon.

    Jotta 2Jotta 1

    Leonardo Gonçalves

    O talentoso cantor Leonardo Gonçalves, marido de uma quase unanimidade fashion do mundo gospel, Daniela Araujo, é o mais básico da nossa lista. Sem grandes ousadias, Leo aposta no combo anti-erro de jeans e camisa/camiseta com tênis em eventos mais despojados e terno nos momentos mais formais. Os lampejos de ousadia do cantor vêm com alguma calça colorida ou as gravatas xadrez cheias de bossa.

    Leo 1Leo 2

    Marcos Almeida

    O ex-Palavrantiga e atual cantor solo, Marcos Almeida, é outro que figura na nossa lista com um estilo que é a plena materialização de sua música. Dono de um visual meio desgrenhado e com uma pegada boêmia, o cantor sempre combina suas camisas estampadas e camisetas molinhas, com paletós coloridos curtos e com estrutura pouco enrijecida.

    Marcos 2Marcos 1

    Mauro Henrique

    Mauro Henrique, o vocalista da banda Oficina G3 e uma das principais vozes do rock nacional na atualidade, é outro cantor que esbanja estilo. Embora roqueiro, Mauro não cai nos clichês do estilo, mas aposta em um rock style mais fashionista. Mesmo tendo o preto como cor sempre presente, o cantor não costuma ser monocromático, mas combina suas calças skinny com camisas estampadas que podem vir acompanhadas por jaquetas. Nos pés, um dos pontos altos de qualquer composição visual de Mauro, o cantor aposta em coturnos de couro, moccasins, botinhas e sneaker tênis.

    Mauro 1Mauro 2

    Paulo César Baruk

    O cantor e produtor super carismático Paulo César Baruk trás boa parte de seu bom humor para os visuais que compõe. Passeando entre o estilo básico e o nerd divertido, ele aposta muito em camisas estampadas, jeans escuros e jaquetas de tom neutro, coletes ou suéteres. Diferentemente de vários outros artistas aqui listados, Baruk não é adepto das cores vibrantes, mas sim um amante dos tons frios. As produções barukianas do dia-a-dia ficam com a cota divertida, com camisas abotoadas até o último botão combinadas com bermuda, bolsa tiracolo e sapatênis diversos. Nos shows, os principais acessórios são um ‘usualíssimo’ par de pés de pato e equipamento de mergulho.

    Baruk 1Baruk 2

    Pregador Luo

    Um dos maiores nomes do rap gospel do Brasil, Pregador Luo esbanja estilo. O uniforme do cantor é composto por jeans largo, camiseta preta mega estampada e tênis chamativo. A partir desse quadro básico, o cantor incrementa o visual com acessórios chamativos, tais como lenços estampados pendurados na calça, relógio grande, cordão dourado, boné com aba reta e óculos escuros em qualquer hora do dia. Para completar, Luo capricha no carão.

    Luo 2Luo 1

    Salomão do Reggae

    O maior nome do reggae gospel nacional, o talentoso Salomão, é dono de um estilo extremamente característico de sua música. Apostando em visuais despretensiosos e com aparência mais largada, o cantor está quase sempre com o ar de quem está de férias no litoral. Com muitas peças de algodão, Salomão abusa dos tons crus e terrosos contrastando com detalhes na indefectível combinação de amarelo, vermelho e verde, cores da bandeira da Jamaica e características do reggae. Como acessório coringa, as inseparáveis toucas que arrematam o visual e colar longo feito com materiais naturais.

    Salomão 1Salomão 2

    Thalles

    O controverso, mas dono de inequívoco sucesso, Thalles, também é cheio de pressão quando o assunto é a forma de se vestir. O cantor é adepto a poucas peças de tendência fashion, mas que trazem referências de vários outros estilos. Com um visual que mistura elementos esportivos com peças inusitadas e chamativas, o cantor abusa de sobreposição de camisetas com blusas de manga compridas justas, jaquetas esportivas, calças ajustadas e muitas cores vibrantes contrastando com preto ou branco. Em eventos que exigem traje mais formal, Thalles aposta em ternos bem cortados, mas com algum toque inusitado, como uma cor pouco usual ou tecido brilhante, sempre combinado com tênis ou sapato social sem meia.

    Thalles 1Thalles 2

    Ton Carfi

    O cantor pop Ton Carfi, tem um estilo com várias referências da cultura hip hop street americana, compondo visuais com calças justas, muito preto, tênis grandes e chamativos, além de bonés com aba reta. O cantor, no entanto, não adota esse estilo literalmente e acaba dando a ele seu toque pessoal, deixando tudo mais sóbrio e com uma cara mais arrumadinha. Quando se apresenta em eventos de igrejas, Ton lança mão de visuais mais básicos, deixando a grande ousadia para shows, onde apostas nos casacos com capuz, calça de couro e óculos escuros.

    Ton 1Ton 2

    Gostaram da nossa matéria sobre o estilo dos cantores gospel? Legal ver que os meninos também são cheios de estilo e fazem bonito na hora da produção.

    Até a próxima!

  • Fronteira – Um remédio, um anestésico ou uma LSD?

    O lançamento de séries nesta coluna já virou mania, e hoje anuncio uma nova: “Um remédio, um anestésico ou uma LSD?”. O que esta sequência de textos buscará trazer? O que esse título significa?

    Remédio, anestésico e LSD. Alguém entende esses termos? Remédio indica uma doença e uma cura. Anestésico está ligado com o desligar, dopar dos sentidos humanos. LSD é uma droga alucinógena. Nessa série, elas adquirem a posição de metáfora sobre qual tipo de cristianismo eu, você e os cristãos têm divulgado.

    Primeiro, o cristianismo sempre afirmou sobre a doença humana de cunho espiritual, logo, também afirma que é o portador da cura. Søren Kierkegaard dizia em seu livro, “O Desespero Humano”, que o “único que conhece a doença mortal é o cristão”. Logo, o cristianismo tem a função de divulgador do remédio. Esse é o seu supremo propósito.

    O anestésico faz uma analogia com a questão da alienação, do controle da racionalidade que a tradição faz, e se relaciona com a seguinte pergunta: você tem feito do cristianismo uma religião de controle e massificação por interesses próprios, ou mesmo, é uma própria marionete desse sistema?

    Por último, LSD remete a fantasia que os cristãos constroem com o misticismo propagado principalmente pelo meio neopentecostal, porém, também com desejos que nunca serão realizados pelo cristianismo. Se identifica com a seguinte questão: o que você mostra às pessoas é uma concepção mágica, fantasiosa as pessoas, ou o verdadeiro evangelho?

    Essa série nasceu de um profundo cansaço e revolta contra a alienação religiosa e contra a hipocrisia encontrada nesse meio. De um modo artístico, pretendo abordar vários textos, poemas, e exibir algumas escritas por mim.
    Um remédio, um anestésico ou uma LSD, o que você tem divulgado?