Categoria: Colunas

  • Um Brinde – “Gravidade” do Supercombo e o otimismo cristão

    A música que dominamos como “secular” a ser analisada hoje nessa humilde coluna se chama “Gravidade”, da banda Supercombo. Já fazia tempo que eu queria fazer uma série de textos de músicas do Supercombo e, acho que agora vou conseguir fazer isso. Esta banda de rock é, indiscutivelmente, uma das melhores do cenário nacional. E depois de sua passagem pelo reality show Superstar da Rede Globo, sua notoriedade ficou mais ampla.

    Conheci a banda no início de 2014 e foi logo quando lançaram seu álbum mais ousado, Amianto. As letras e voz de Léo Ramos, baixo de Carol Navarro, guitarras de Pedro Ramos, os teclados de Paulo Vaz e a batera do Raul, são elementos que estranhamente se combinam e mesmo sendo muito diferentes um do outro, eles conseguem ser bem parecidos quando se trata de música boa. Para quem me acompanha a mais tempo, sabe que já escrevi aqui sobre pessimismo baseado em um outro texto do meu colega Tiago Junior. Mas hoje eu quero falar um pouco do otimismo cristão.

    A música fala de duas pessoas e aí você pode encarar essas “duas pessoas” como bem quiser: relação de homem e mulher, relação de amigos, relação de chefe e empregado e, até relação do homem e Deus. Decidi elencar alguns trechos da música e relacionar com o nosso comportamento otimista. Que o Senhor nos guie em amor e nos faça perceber que precisamos muito dele.

    Eu vou te mostrar o quanto eu sou

    Capaz de aguentar o que for Preciso

    Preciso

    A música já começa com uma promessa: “eu vou te mostrar”, que indica a necessidade de aguardar. Cristo disse que voltaria a nós (João 14:18). Essa segurança que temos diante de situações as quais nos mostramos fracos são essenciais para o nosso aprendizado e crescimento. Mais a frente, o eu lírico explica o porquê da promessa e justifica que vai mostrar que ele é “capaz de aguentar o que for preciso”.

    Cristo aguentou o que foi preciso morrendo na cruz, mesmo muitos não acreditando e esperando que ele desse um jeito de escapar dali. Afinal de contas, Ele era o filho de Deus, tinha poder, podia sair dali a qualquer momento e se livrar da morte. Nós muitas vezes agimos assim: podemos escapar daquela amizade que só nos leva pra pior, podemos terminar com aquele namorado chato que só quer o nosso corpo, podemos terminar com aquela garota que só olha pra nossa conta bancária, podemos sair do nosso curso chato que entramos só porque não conseguimos algo melhor no ENEM. Mas, mesmo assim, não o fazemos. Continuamos firmes, mesmo com sequelas, continuamos mesmo não sabendo o porque. Levamos tanto tapas na cara que até nos perguntamos se realmente devemos passar por isso. E isso acontece por que? Não tenho outra resposta senão o pecado. Ele é o que nos afasta de Deus e Deus é O Alfa e Ômega, Ele é quem manda e desmanda, quer e efetua. Ele não compactua com o pecado. Mas nós somos capazes.

    Lembro que quando fui fazer a prova para entrar no curso de música, eu fiz uma singela oração: “Pai, seja feita a Tua vontade / Mesmo que essa vontade implique na minha tristeza / Na minha derrota e na minha ira / Seja feita somente a Tua vontade!” Quando nós fazemos isso, Deus nos responde com um “eu vou te mostrar o quanto eu sou / capaz de aguentar o que for preciso”. Esse “aguentar” significa a paciência de Deus com os nossos pecados. E onde está o otimismo nisso tudo? Na plena confiança em Deus.

    Estou há mais ou menos 6 meses sendo missionário urbano e, até hoje nenhuma pessoa chegou pra mim e disse “Jhonata, eu quero viver pra Jesus agora. Ore por mim!”. Detalhe: “ore por mim!” eu sempre ouço mas o “eu quero viver pra Jesus agora” não. Mas eu creio na soberania de Deus e sei que todo o processo de conversão de qualquer individuo é dEle. Eu disse TODO O PROCESSO. A minha ação de ir e pregar não é um fim para a conversão, pois Deus já escolheu os seus antes da fundação do mundo (Efésios 1:4).

    Não há nada

    Que nos prenda

    De alcançar um lugar ao sol

    Largar o que é ruim

    Não esquenta

    Um dia agente vai envelhecer

    E rir do que passou

    Essa é a parte mais otimista da música. “Largar o que é ruim” tem tudo a ver com o que eu disse mais acima: largar o pecado e viver pra Deus. Aqui a música nos dá um outro indicativo interessnte: não há nada. Graças a morte de Cristo, a misericórdia infinita do nosso Deus e a sua graça em nos amar e salvar, podemos dizer que não há nada que nos prenda e impeça de buscarmos o Pai. O maior inimigo de nossas vidas somos nós mesmos. O nosso próprio pecado confronta com toda nossa boa vontade. Largar o que é ruim é reconhecer que precisamos de melhoras. Precisamos ser mais humildes e otimistas com as nossas escolhas.

    Devemos mostrar para Deus que podemos suportar o que for preciso para agradá-lo. Podemos aguentar toda essa confusão que nos ronda no mundo, podemos suportar as crises existenciais, filosofias erradas e até a morte se for preciso em amor do seu nome. Por amor a sua graça, a Ele e por tudo que ele faz por nós. O maior otimismo de nossas vidas é a fé. E não é uma fé barata e nem suspeita, é a fé em Cristo que nos salvou mesmo antes de nascermos. O amor dele nos faz ser otimistas mesmo quando somos pessimistas.

    Meu caso, por exemplo, sou pessimista com o homem e com a política, mas minha fé me possibilita crer em dias melhores. Eu não sairia da minha casa para evangelizar se eu não acreditasse na mudança do homem. Mas eu acredito e acredito que podemos largar o que é ruim todos os dias: a começar pelo nosso orgulho, algo muito grande; e depois pelos nossos mais íntimos pecados que nos afastam de um vida em santidade com Cristo. Ouça a música inteira e ore para que Deus trate o que há de ruim em você. Um brinde!

  • Deus em Debate – O Argumento Ontológico

    De volta à série “Por que acreditar em Deus?”, trataremos agora do Argumento Ontológico.

    O Argumento Ontológico demonstra de forma clara, lógica e simples a necessidade da existência de Deus. Inicialmente, o argumento ontológico foi proposto por Santo Anselmo (d.C. 1033–1109) nos capítulos II e III do seu texto “Proslogium”, escrito em 1077 – 1078.

    Além disso, este argumento tem sendo criticado e acolhido por muitos dentre os séculos, homens como São Tomás, Kurt Gödel, Leibniz, René Descartes e Kant perscrutaram este argumento apresentando suas observações e críticas. Porém, meu objetivo não é apresentar a opinião ou observação destes homens, mas sim explanar o argumento ontológico de forma clara e prática.

    Ontológico é tudo aquilo que é relativo à Ontologia “ontos” (ser) e “logos” (estudo, discurso) que significa “estudo do ser”. A aparição do termo data do século XVII e sua origem é grega. Este conceito é muitas vezes confundido com metafísica, e isto é totalmente equivocado. Na verdade, a ontologia é um aspecto da metafísica que procura categorizar o que é essencial e fundamental em determinada entidade.


    Graham Oppy, filósofo australiano, classificou os argumentos ontológicos em: definicional, conceitual, modal, Meinongian, experimental, mereológico e hegeliano. Analisaremos a versão modal deste argumento que trata das possibilidades empregadas nas premissas apresentadas em favor da existência de Deus. O argumento modal de Alvin Plantinga é provavelmente o melhor argumento para a existência de Deus. Ele usa as leis da lógica modal que age semelhante a uma prova matemática. Analisemos juntos as premissas de Plantinga:

    1. É possível que um ser perfeito exista.
    2. Se é possível que um ser perfeito exista, então um ser perfeito existe em algum mundo possível.
    3. Se um ser perfeito existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.
    4. Se um ser perfeito existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no atual.
    5. Portanto, um ser perfeito existe no mundo atual.
    6. Logo, Deus existe.

    a) Análise das premissas: Bem, depois dessa série de premissas você pode ter ficado, a princípio, meio confuso com o que foi apresentado, mas não se preocupe, pois vamos esclarecer passo a passo os pontos supracitados.

    1. É possível que um ser perfeito exista.

    A primeira premissa é a mais importante, pois é através dela que todo o raciocínio será desenvolvido. Caso esta premissa falhe, então todo o argumento se tornará obsoleto. Faça a si mesmo a seguinte pergunta: É razoável a ideia de um ser perfeito? Se sua resposta for sim, então estamos prontos para ir para a próxima premissa, se for não, continue mesmo assim, pois quero levá-lo à compreensão do argumento como um todo, bem como livrá-lo de possíveis erros de má interpretação acerca do mesmo.

    2. Se é possível que um ser perfeito exista, então um ser perfeito existe em algum mundo possível.

    Primeiramente, você deve entender um conceito filosófico chamado mundo das ideias, ou eidos (em grego), pois esta é uma maneira dos filósofos testarem uma ideia para ver se é lógica, indagando se ela existiria em um mundo possível semelhante ao nosso, contudo, a única coisa que as pessoas parecem não entender perfeitamente no argumento é a forma pela qual Deus é definido. Há três maneiras de definir um ser ou entidade no Argumento Ontológico: Entidade impossível, isto é, não existe em nenhum mundo possível. Exemplo: um círculo quadrado. Entidade contingente, isto é, existe em alguns mundos possíveis. Exemplo: unicórnio. Entidade necessária, isto é, deve existir em todos os mundos possíveis Exemplos de entidades necessárias são: Números, verdades absolutas e definições de formas (figuras geométricas).

    3. Se um ser perfeito existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.

    Um ser perfeito, sendo uma entidade necessária, não pode ser falso ou falhar em existir em qualquer mundo possível. Consequentemente, ele tem que existir necessariamente em TODOS OS MUNDOS POSSÍVEIS, pois do contrário não seria perfeito. As próximas premissas são deduções lógica-modais incontroversas, ou seja, não será necessário apresentar explicações para as mesmas.

    4. Se um ser perfeito existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no atual.

    5. Portanto, um ser perfeito existe no mundo atual.

    6. Logo, Deus existe.


    Então, se sente convencido? Bem, a questão não é a forma como você se sente, mas sim a maneira como é o argumento é logicamente coerente. Agora que, felizmente, você sabe como Deus é definido no argumento, você pode entender como o Argumento Ontológico funciona. Concluímos que o argumento ontológico, sendo cabalmente compreendido, é uma prova irrefutável da existência de Deus através dele mesmo, ou seja, sem a necessidade de nossas experiências ou evidências pessoais. Se você quer aprender sobre este e outros argumentos, então fique ligado na coluna Deus em Debate e, é claro, deixe seu comentário, elogio, ou crítica abaixo. O importante é seu feedback.


    Referências

    Geisler., N. (2002). Argumento Ontológico. São Paulo: Enciclopédia Apologética.

  • Rocklogia – Sobre o Rock in Rio, Queen e o rock clássico

    Este ano, há alguns meses, fiquei fascinado pelo Musical Maps, uma ferramenta extremamente útil do Spotify, que lista as músicas mais ouvidas em várias cidades do mundo. Para quem sempre está a procura de algo diferente ou novo, é muito interessante conhecer grupos e músicos que estão ‘estourando’ em outros lugares e talvez, daqui a muitos anos, serão citados na imprensa local.

    Pois bem, pelas minhas andanças, fui com sede nas cidades britânicas, porque, pelo menos por gosto pessoal, tenho um apreço muito maior pela música feita no Reino Unido do que nos EUA. Ao passear pelos hits em Londres, Cambridge e Leicester, conheci uma banda de art rock chamada Everything Everything, que estava lançando o seu terceiro trabalho, Get it Heaven que, somente o clipe de “Distant Past” traz um milhão e meio de visualizações para o grupo no YouTube. Também conferi alguns nomes novatos no rap e uma banda de punk e hardcore chamada Slaves. E, curiosamente, não vi nenhum “dinossauro” na lista.

    Quando se está no Brasil, a realidade, ao menos em termos de rock, é muito diferente. Para começar, além do sertanejo universitário dominar as paradas de praticamente todas as cidades com 90% das listas, cantores de outros gêneros tomam espaço com várias músicas. Wesley Safadão, por exemplo, é praticamente um ícone brasileiro desde a última vez que olhei. A surpresa veio com Marcela Taís, do meio evangélico, se infiltrando em várias cidades do país com o disco Moderno à Moda Antiga. Em Goiânia, cidade que moro há alguns anos, pensei que o sertanejo fecharia a listagem, mas tive a grata surpresa de que há materiais interessantes, como a banda psicodélica Boogarins e alguns grupos de rap. Aliás, grupos locais são uma tendência observada nas cidades (obviamente). Você vê Selvagens à Procura de Lei em “queda de braço” com bandas de forró em Fortaleza, Palavrantiga em Vitória, o veterano Skank em Belo Horizonte… e por aí vai.

    A cidade realmente diferente é Porto Alegre. Aliás, sem qualquer bairrismo, o Rio Grande do Sul é um ponto fora da curva em relação aos outros estados do país. Com uma lista muito diferente de praticamente todas as demais capitais brasileiras, o setlist foi equilibrado, eclético e recheado de bandas de rock nacionais, tanto alternativas, emocore e indie. A lista também contemplava músicos já longevos e muito conhecidos, como Júpiter Maçã, sem faltar, claro, os sertanejos e as músicas de massa vistas nas outras capitais. Inclusive, a quem se interessar, escrevi uma notícia sobre isso para um site de rock.

    Agora, em setembro, ocorreu o Rock in Rio. A primeira surpresa, diretamente, é que não há nenhum grupo ou músico, dentre as atrações principais, que não tenha participado em alguma edição do festival. Dentre as atrações mais “conhecidas”, a que eu achei, de fato, mais curiosa, foi o supergrupo Queen + Adam Lambert, ainda mais depois dos comentários pós-apresentação que ocorreram pela rede. Do nada, observei vários novos “fãs” da banda e até mesmo uma aclamação que, em minha visão particular, é completamente exagerada. No entanto, eu já imaginava que esta apresentação “daria o que falar” e que a imprensa brasileira escreveria muitas bobagens sobre o assunto.

    Para quem não conhece bem o trabalho do Queen, vou contextualizar: a banda acabou em 1991, com a morte do pianista e vocalista Freddie Mercury. Dentre 1991 e 1997, os três membros ainda vivos, Brian May, Roger Taylor e John Deacon, fizeram poucas apresentações, lançaram uma música inédita, um disco póstumo e só. De 1997 pra frente, a única coisa feita com o nome “Queen” foi a coletânea Queen Forever de 2014, cujo repertório ainda incluiu três músicas “inéditas” – na verdade, versões novas de músicas já lançadas anteriormente por outros artistas, mas gravadas pelo Queen.

    Em meados de 2004, a dupla Brian e Roger se reuniu com um dos melhores cantores de rock de todos os tempos, o experiente Paul Rodgers. Dessa união, surgiu o supergrupo Queen + Paul Rodgers, que excursionou mundialmente (incluindo o Brasil, em 2008) e lançou um disco inédito, bem fraco, inclusive, chamado The Cosmos Rocks. A parceria, insatisfatória, acabou em 2009. Anos depois, o mesmo tipo de colaboração seria formado com o cantor pop Adam Lambert. Aí, as associações e afirmações grosseiras de “continuação do grupo original” seguiram-se de forma bem mais intensa. Os fãs mais conservadores torceram o nariz: afinal, para um grupo que trouxe alguém do nível de Rodgers, apresentar um cantor jovem e pouco aclamado foi algo arriscado. Mas os senhores Brian e Roger gostaram do garoto, e seguem felizes com ele.

    E o que John Deacon sempre pensou disso? Ele não quer estar envolvido em gravações e shows ao vivo e em 2001 até teceu críticas a uma gravação de seus ex-colegas com Robbie Williams, através do The Sun. Dentro do que certamente uma parte de pessoas acham, o músico prefere manter preservada a memória da banda. Enfim, não adiantou Mercury e Deacon estarem de fora e o Queen, de fato, não existir mais, a imprensa dirigiu para meio mundo que se tratava de um “retorno” e que Adam era o “novo vocalista”. Reportagens superficiais e mal apuradas brotaram aos montes no UOL, G1 (e pasmem, até na Superinteressante!), confirmando outro dado lamentável: de todos os textos que eu li, apenas um publicado na Folha de S. Paulo, cujo artigo é uma crítica negativa da apresentação, citou o ex-baixista como músico da formação clássica.

    Isso vem a revelar, além da má apuração de muitos jornalistas (não é o foco deste texto), é que as pessoas, no geral, parecem ter perdido completamente o discernimento entre um grupo original em ótima forma, um grupo original cansado e nas últimas, um músico substituto, ou até mesmo um tributo. Chamar de “Queen” um grupo com metade da formação clássica e um músico convidado é brincar e zombar com a inteligência do leitor. Esta superficialidade nas matérias seguiu-se diretamente para os comentários na rede. Usando as notícias como base, pessoas passaram a sustentar teses e opiniões acerca da apresentação, partindo de pressupostos equivocados.

    OK. Sobre a apresentação, assisti, e como alguém que gosta bastante do trabalho e do legado do Queen, sofri muito, especialmente nas primeiras músicas. Ver Roger Taylor, sempre o mais enérgico dos quatro, em uma performance evidentemente menos acelerada e com a ajuda do filho, é o atestado de que a idade, infelizmente, hora ou hora alcança a todos. Adam Lambert cantando, sem qualquer tipo de alma, a lindíssima “In the Lap of the Gods…Revisited”, foi o ápice da minha agonia. Brian May é o alívio da apresentação. Um músico visivelmente honesto, estava ali, com sua Red Special. Depois disso, o show até melhorou. Não que a performance da dupla e de Adam tenha ajudado, mas o repertório, juntamente com o público que em uníssono cantava as músicas, deixou a experiência menos amarga e mais nostálgica. Definitivamente, lá no fundo, você vê o quanto o rock de arena da banda é eficiente mesmo em uma performance tão plastificada. E, no fim, dentro de uma zona de conforto extrema, a apresentação, aparentemente, funcionou. Mas para falar a verdade, nos dias de hoje, outras bandas, como o Muse, conseguem mostrar mais a “alma” do Queen do que os próprios May e Taylor (já ouviram o disco The Resistance? Aquilo seria o Queen do século XXI).

    https://www.youtube.com/watch?v=L6StSABIa4k

    É ouvir e comparar (não simplesmente os vocalistas, mas toda a química de banda em torno)…

    https://www.youtube.com/watch?v=kO_w7GHMAUw

    Os dilemas do Queen, em diferentes contextos, se aplicam a várias bandas clássicas e com nomes já escritos na história. Afinal, como esquecer o The Who, ainda na ativa com apenas dois integrantes vivos? O que dizer das mudanças no AC/DC do ano passado para cá? Os desgastes cruéis no Yes e as inúmeras formações no Nazareth? E os inúmeros contratempos que atingem o Black Sabbath? Por fim, Motörhead e a lamentável situação do vocalista Lemmy? Esses são apenas alguns exemplos dos limites extremos que estes grupos, de longa trajetória, tem alcançado. Os motivos? Obviamente, são vários, e dependem de cada situação. Mas, no geral, podemos afirmar que estes caras viveram a vida inteira nos palcos, e se dissociar desta rotina não é fácil. E, claro, a indústria da música explora nomes estabelecidos o máximo que pode, pois há um público consumidor muito forte desta música. A internet, por outro lado, até hoje deixa as gravadoras, que antes monopolizavam tudo, confusas.

    Considerando isso, o Rock in Rio, em 2015, pode ser facilmente considerado como uma edição abarrotada de comodismo. Muitos, em contrapartida, afirmam que este ano é uma exceção, pois comemora-se os trinta anos, desde a primeira edição. Mas, analisando todas as atrações, existem alguns nomes que não serão atrações principais, mas que poderiam, tranquilamente, debutar e nos oferecer uma visão de “novidade”: Mastodon, Lamb of God, Queens of Stone Age e Deftones.

    Minha preocupação com isso também se reserva a bandas novas e que tentam seu lugar ao sol. Todo mundo está careca de saber que grupos autorais não tem espaço frente aos conjuntos que tocam covers. Todo mundo sabe que ser músico independente é difícil, e muitas pessoas, de certa forma, querem culpar o chamado “rock clássico” nisso. A minha impressão, por incrível que pareça, é que músicos destas bandas, na verdade, são vítimas e reféns de seu próprio trabalho. No fim das contas, a situação é muito mais complexa e envolve a indústria, gravadoras e, principalmente, público. O baixista do Deep Purple, Roger Glover, utilizando uma abordagem interessantíssima, diria em 2011 que o lance de “classic rock” atrapalha. Interessante, né?

    Por fim, nesta abertura de Rock in Rio, todos estiveram satisfeitos. O público que, em algum momento, alimentou a fantasia de que aquilo foi uma grande, maravilhosa e legítima apresentação, a organização do festival, que lucrou e, em momento algum, se arriscou, além de Brian e Roger, que descansam sob os louros e o legado que construíram. Quando se olha com os olhares da indústria, infelizmente sujeitos como John Deacon parecem loucos.

  • Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Um Brinde – Lucas Silveira quer saber quem pilota os cometas

    Na semana passada, Lucas Silveira, vocalista do Fresno, tocou uma canção inédita no Estúdio Salaquar, chamada “Poeira Estelar”. Eu sou muito fã do trabalho dele e tudo que ele faz (musicalmente) me agrada. Ficou mais velho, amadureceu, vai ser pai ano que vem e, evidente que suas letras ficaram mais profundas. “Poeira Estelar” é um tipo de música que vai na alma, pois confronta com nossas limitações e problemas que passamos no dia-a-dia. A canção foi interpretada no Hangar 110, no último dia 10, juntamente com mais duas inéditas, que seguem uma vibe cósmica em sua parte lírica. Lucas já compôs algumas músicas em parceria com Rodrigo Tavares (Esteban) para a Fresno, cujas letras reforçam o ceticismo do autor. Mas essa não é uma canção ateísta e nem para xingar Deus, ou algo do tipo. Antes de tudo, eu tenho algo pra dizer aos meus três tipos de leitores:

    1. Aos cristãos que não ouvem música secular (especificamente Fresno): Se um artista cristão tivesse composto essa canção e cantasse com a mesma intensidade, ela também estaria sido escrita aqui só que de uma maneira mais superficial. Antes de qualquer conclusão, ouça a música umas trocentas vezes, leia a letra separadamente e depois ouça mais uma vez com uma cosmovisão cristã bem profunda. Garanto que será benção para você.
    2. Aos cristãos que ouvem de tudo (inclusive Fresno): Reflitam que essa música talvez seja um instrumento de Deus para te abençoar. Quando ouço algo, a primeira coisa que busco, antes de prestar atenção no arranjo, voz, bateria, efeitos, loops e se a levada é legal, é saber se consigo tirar algum princípio cristão dali. Não sejam relaxados ao ponto de só aconselharem músicas que vocês gostam porque já ouvem há muito tempo. Lembro que um dia desses indiquei umas músicas da banda Rebanhão a um amigo. Acreditem, eu nem ouço Rebanhão. Não tenho Rebanhão no meu computador e não sei nada da banda, mas algumas músicas deles são bem profundas e sabendo disso, sugeri a um amigo. E detalhe: nós não estamos analisando a qualidade da música e sim a sua mensagem.
    3. Aos fãs de Fresno (cristãos e não cristãos): Por último, mas não menos importante, falo diretamente aos fãs da banda do Lucas. Primeiro parabenizo vocês por terem um bom gosto musical e, segundo, digo que vocês tem muitas mensagens positivas em mãos. Não só no sentido romântico, que até 2009 era uma característica forte da banda, mas no sentido existencial também. Quando o Lucas brada que “nós somos a maré viva!”, ele está dizendo que vocês, nós todos juntos somos maior que qualquer coisa. “A gente pode crescer, perdendo a batalha”. É isso que o compositor diz em “Maior que as Muralhas”. Sei que há ateus dentre os fãs da Fresno, mas por favor, fiquem até o final do texto e entendam que o Piloto que comanda os cometas tem muito a dizer a vocês e ao Lucas.

    “A cada filho que perde um pai
    Quando o fardo é pesado demais
    Quando o amigo trai
    E você sente aos poucos a visão se enturvar
    E a esperança evanescer
    E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”

    Nessa primeira parte da música, Lucas Silveira tenta mostrar, mais ou menos, as dores que sofremos em nossas vidas. Desde o EP Eu Sou a Maré Viva, lançado ano passado, o compositor tem apresentado canções futuristas e outras até apocalípticas. No documentário de gravação do EP comentado, em uma conversa com o rapper convidado Emicida, Silveira explica a música “Manifesto” como uma ideia de “evangelho”. E, aqui, eu cito as próprias palavras do autor: “A gente faz várias coisas e se importa com tantas coisas mas na verdade um dia pode vir um asteroide e ‘baah!’ explodir tudo e, isso não vai significar nada no contexto do universo… Essa é a viagem! É evangelho né!? Tu pira no evangelho!”

    Quando um amigo nos trai qual a nossa primeira reação? Ficamos tristes, com raiva, querendo matar o traidor. Mas isso não vai mudar em nada. No filme João & Maria, quando enfim os irmãos conseguem matar a grande bruxa, João olha para a cabeça da bruxa e exclama: “A vingança não muda o passado!” E é exatamente isso que acontece com a gente: queremos explodir o mundo quando as coisas não vão bem, mas isso não muda a nossa existência, dores, defeitos e guerras. O fato do seu amigo ser ateu não muda o fato de que Deus existe. Não é o ceticismo dele que vai fazer com que Deus perca o poder ou a sua soberania. Entende?

    “E você só queria uma chama pra queimar suas memórias”. Nessa parte, Lucas começa a tocar mais profundamente o meu coração e nesses momentos eu agradeço a Deus por, mesmo com toda essa crise política que tem tanto decepcionado o nosso país, é possível ainda olhar pra frente e bradar que ainda não acabou. Essa chama que irá queimar nossas memórias é a própria Palavra de Deus. É nela que iramos encontrar o sacrifício de Jesus na cruz por nós e entender que Ele abriu mão de ser Deus para ser homem. A frase de Jesus para nós nesses momentos de crises existenciais foi: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Mano, Ele venceu o mundo! Nossa luta não é pra vencer o mundo. Essa luta já foi vencida e nós já não temos preocupação nenhuma com isso, mas a nossa luta é contra nós mesmos e esse orgulho que nos impede de dizer: “Deus, sou pecador, preciso do teu perdão!”

    “Só pra ver, testemunhar
    E nada nesse mundo há de apagar
    Pois somos feitos de histórias
    Se o mundo lá fora quer te apunhalar
    Lembre que seu corpo é só poeira estelar
    Tudo que importa é o agora e nada mais
    Tudo que nós temos é apenas o que a gente faz”

    Somos feitos de histórias. E nesse sentido eu me identifico muito com o Lucas e pergunto: “Quais histórias vocês tem pra contar?”. Estou em processo de escrita do meu livro e as pessoas me perguntam muito do que se trata e, eu sempre digo que é um livro de crônicas sobre minhas perspectivas e um pouco da minha história. Não quero rotulá-lo como auto-biografia, pois não é. Sou feito de passado, presente e futuro. Fomos feitos para estar dentro do tempo e, Deus nos fez para sermos humanos que entendem de horas, meses e anos. Mas Ele não: Ele não se encaixa dentro do tempo, não envelhece e nem se enfraquece. Para nós, o que fazemos tem relevância significativa para nossa realização pessoal, mas para Deus o que fazemos já estava nos planos dEle. Sem querer entrar no debate teológico “arminianismo x calvinismo” eu digo que, se nós fecharmos os olhos e ficarmos o dia todo estáveis, é porque Deus tinha um plano para que aquilo acontecesse. Se o acaso fosse tão inteligente ao ponto de comandar seres humanos, ele se renderia a Alguém que é maior do que ele e diria que Deus é Deus sobre todos e que cada ato nosso gerará consequências boas ou ruins a qual para Deus nunca serão surpresas, pois Ele sabe de tudo. Max Lucado escreve no livro “Antes de dizer amém” que

    “Ele [Deus] tem autoridade sobre o mundo e… Ele tem autoridade sobre o seu mundo. Sobre o seu sono. Os seus hábitos alimentares. O seu salário. O tráfego da viagem diária. A artrite em suas juntas. Deus reina sobre tudo isso. Ele jamais fica surpreso. Ele nunca, jamais pronunciou a frase: ‘Como isso aconteceu?’” (pág. 40)

    Ele sabe de seus mais íntimos desejos. Ele sabe de suas complexidades e de como o universo vai mal. E essa é a nossa segurança, pois Ele sabe de tudo e nunca vai nos dar um fardo maior do que podemos carregar. Seu fardo é leve (Mt 11:30).

    “Quem é esse ser que pilota os cometas?
    Por que é que desvia do nosso planeta?
    Só pra ver, testemunhar, o quanto a gente pode suportar
    Nos ombros
    O peso das memórias”

    Aqui o compositor faz o questionamento “Quem é esse ser que pilota os cometas?” E eu respondo: Deus. Como eu já disse logo acima, Ele sabe de tudo e é soberano sobre tudo e todos. E essa interpretação de que ele desvia do nosso planeta, ou seja, da Terra, é uma interpretação superficial demais pois Deus se relaciona o tempo todo conosco, nós é que não percebemos. Ele não é um deus rabujento que só quer no julgar. Ele é bom e suas misericórdias não têm fim. Ele nos ama como um pai ama seus filhos. Ele nos olha com atenção e nos abençoa com saúde, força e inteligencia todos os dias.

    O nosso problema é que nós achamos que o pecado não é culpa nossa, e nós só agimos assim porque isso lá no fundo não é errado. Quando deixarmos de ver o pecado como algo tão natural ao nível de não nos incomodarmos mais em praticá-lo e enxergarmos como algo que nos distancia de Deus, conseguiremos ver que esse Ser que pilota os planetas está tão próximo de nós ao ponto de podermos senti-Lo. Eu entendo que existem momentos em que nossa fé é confrontada e achamos que Deus é só uma válvula de escape. Tenho um amigo ateu que diz que nós cristãos somos as pessoas mais carentes do mundo e, por isso criamos a figura de um deus bondoso e que vai nos tirar daqui e levar para um lugar melhor. Em resposta eu digo que nós somos sim carentes, mas não trouxas. Somos carentes pois ansiamos todos os dias um contato com o Criador, com o nosso Pai celestial e, sem Ele o vazio que existe em nós só aumenta. Eu encerro citando Max Lucado mais uma vez: “Se Deus é, ao mesmo tempo, Pai e Criador, Santo – diferente de nós – e superior a nós, então estamos, seja qual for o lugar, apenas à distância de uma oração do socorro”. Um brinde!

  • Fronteira – Um remédio, um anestésico ou uma LSD?: As pílulas da farmácia

    As igrejas de hoje são realmente farmácias espirituais, ou tem se tornado um centro de tráfico de drogas e anestésicos mentais e espirituais? Podem ser bastante fortes essas analogias, mas ao se deparar com o evangelho de Jesus, o que deveríamos encontrar: a simplicidade ou fantasias de egos levantados?

    A lei da liberdade em Cristo é quebrada pelo legalismo e anestesiada pela religião, e os extremismos da libertinagem, que na verdade é escravidão da carne, é ingerida em doses de drogas de falso cristianismo. Quando as igrejas deixarão de servir a um sistema para viver pelo Reino de Deus?

    Você encontra remédio, anestésico ou LSD na igreja?

    As Pílulas da Farmácia

    Anestésico,
    LSD,
    Remédio,
    A farmácia da vida
    Passa uma só via,
    Mas ninguém mostra a comida.

    A receita leva,
    Fora dos extremos,
    A cura da lepra
    Do nosso interior.

    Mas quem pode explicá-la?
    Quem pode explicá-la?

    Anestésico para os dias,
    Compramos anestésicos
    Na farmácia dali nessa via,
    A via da visão de império.

    Império de visões,
    De sensações,
    De criações,
    Não somos nós,
    Somos um império as sós.

    Há três vias:
    O anestésico, o LSD e o remédio.

    O anestésico do homem
    Vem anestesiando
    Nossas sensações,
    Padronizando
    Nossas identidades,
    Escravizando
    Nossos pensamentos.
    Fogem da liberdade
    Para a falsa verdade,
    Iludem as cidades,
    Cantam boas maldades.

    Você está anestesiado?

    Mas se não injetou
    Os anestésicos,
    A LSD pegou
    E nós céus se jogou.

    Você cria verdades?
    Vive outro deus
    De sua individualidade?
    Você fuma os seus
    E do sistema inverdades?

    O fogo desce
    Queimando você,
    Um cigarro
    De fumaça e ser.

    E nessa busca do sobrenatural,
    Toma a LSD espiritual,
    Cria fantasias e mistérios,
    Onde requer o simples, o sério.

    Você fuma prosperidade
    E atrocidades,
    Fuma busca por anjos,
    Fuma fantasias espirituais
    Com fundos carnais,
    Você fuma você.

    Você tem LSD no bolso?

    Mas você sabe quem é
    Por detrás dessa face
    De iludida fé?

    É um mendigo espiritual
    Atrás de comida imaterial,
    Doente, o inimaginável
    Pecado fatal.

    Morrendo aos poucos
    Na agonia sem paz,
    Deixe-se ser louco
    Longe do que lhe apraz.

    A receita do médico
    Tem o seu remédio,
    Isso é o evangelho
    Sem grandes mistérios.

    Você deseja ver
    O seu eu e seu remédio?

  • Rocklogia – Ainda não é o Último

    O Resgate é uma banda incrível. Não é somente porque sua formação é bem sólida, devido ao sentimento de amizade que seus membros alimentam entre si, mas também porque, apesar de suas limitações, a banda sempre se esforçou para melhorar o seu som e se tornar relevante. Muitas bandas de alta qualidade, e de músicos com egos altíssimos ficaram pelo caminho, e o Resgate, na sua limitada capacidade, seguiu ativo e surpreendendo.

    A melhor coisa que aconteceu para o grupo, então, foi a entrada de Dudu Borges. Quem imaginaria que um dos produtores, senão o produtor musical mais requisitado dos últimos anos, seria integrante de uma banda de rock cristão cujos integrantes afirmam não serem grandes músicos? Dudu foi uma peça muito importante para a renovação que sua música sofreu nos últimos anos.

    Após Até eu Envelhecer, muitas coisas mudariam em volta da banda. A gravadora Gospel Records, que distribuiu discos do grupo desde os primeiros anos, encerraria as atividades. Os escândalos em relação à Igreja Renascer em Cristo balançaram (e muito) a confiança de muitos membros. Zé Bruno também chegou a ser deputado, foi investigado por um suposto envolvimento de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro através de igrejas laranjas. Zé foi inocentado, mas, em 2010 deixaria a igreja, ação que também foi tomada pelos demais integrantes.

    Em 2009, o executivo Maurício Soares pretendia lançar uma gravadora própria, e o Resgate era sua primeira parceria. Quando foi convidado para estar à frente do selo gospel da Sony Music Brasil, o Resgate acabou se tornando a primeira contratação. Mais um fato inusitado para uma banda que já não estava dentre os “gigantes” há muito tempo.

    Enquanto isso, o grupo preparava Ainda não É o Último. A obra foi gravada no estúdio VIP, de Dudu Borges. Por ter sido gravado no estúdio do músico, a banda teve liberdade e tempo total para se dedicar ao disco. O hammond, rhodes e experimentações de Borges estão lá, em todas as músicas. Não foram utilizados teclados no álbum. Sem sintetizadores, o som é bem orgânico, vintage, mas ao mesmo tempo tem um som muito dentro do nosso tempo.

    Zé Bruno se superou como vocalista, e cantou muito bem as faixas deste álbum. Evitando exageros dos discos antigos, o intérprete se destacou, principalmente no single “Depois de Tudo” e “Neófito”. O vocalista ainda foi o compositor majoritário, mas as composições foram mais coletivas que nos últimos discos. Uma destas canções individuais foi “Jack, Joe and Nancy in the Mall”, uma brincadeira do músico, que mais tarde tornou-se uma ideia bastante original. O clipe da canção foi dirigido por Kako Alves, baterista do Militantes (banda que falaremos daqui a algumas semanas).

    Mas claro, os demais músicos também são dignos de nota. Hamilton Gomes está lá, na vanguarda, um pouco diminuído, enquanto você puder ouví-lo. O baterista Jorge Bruno e o baixista Marcelo Bassa cumprem o que as músicas pedem e não exageram. No fim, o que se ouve é uma banda experiente, coesa, mas vívida como nunca. Ainda não É o Último mostrou que é possível fazer um disco “pop e comercial”, mas, ao mesmo tempo, de qualidade. A obra foi lançada no dia 30 de abril de 2010.

    Segundo a banda, desde Praise, foi o primeiro projeto em que realmente terminaram as gravações e viram que o resultado tinha sido muito positivo. Foi o primeiro lançamento do selo gospel da Sony Music e, na minha particular visão, continua sendo, cinco anos depois, um dos três melhores álbuns que a música cristã viu nestes últimos anos.

    Convenhamos que, teologicamente falando, a banda saiu-se bem, de uma forma não vista desde o disco Resgate (1997). Mais, recentemente, foi incluso na lista dos 100 maiores álbuns da música cristã nacional.

    Com a saída da Renascer, o que gerou muitas críticas, e ao mesmo tempo elogios, Zé Bruno acabou fundando uma igreja, a Casa da Rocha. Desde então, o Resgate aumentou sua agenda. Dudu Borges, por sua vez, tornava-se mais conhecido como produtor musical, o que tiraria muito de seu tempo, como veremos em breve. Mas isso é assunto para outro post

    E antes de tudo: Dudu, volta para o Resgate! (risos)

  • Crítica: Você não Precisa de um Chamado Missionário – Yago Martins

    Assim que eu soube que o Yago Martins havia publicado um livro, eu rapidamente quis comprar. E, após descobrir que era sobre missões, minha vontade de ter o livro só aumentou. Pessoas como Augustus Nicodemus Lopes, Norma Braga, Renato Vargens e Solano Portela comentaram o livro, e quando você ver essas feras falando bem de uma obra, pode comprar, pois é garantia boa na certa.

    Quando estou desejando muito algo, costumo pregar numa folha A4 no meu quarto o que devo comprar em determinado mês. Meu amigo Marcos não pôde me dar nada de presente no meu aniversário (que foi em maio) e então no mês de junho ele perguntou: “Naquele dia fomos no shopping e vi que você se interessou pela camisa dos Beatles, mas também sei que você quer muito o livro do Yago. Então, o que você quer ganhar de aniversário?”. Eu fiquei na dúvida, porque para mim a pergunta soou como: “você quer beber água ou comer pelo resto da vida?”. Fui pego em vícios que não consigo me libertar: MÚSICA e BEATLES de um lado e LIVROS e TEOLOGIA do outro. Mas optei pelo livro do Yago. Confesso que foi uma das melhores decisões que tomei nesse ano. Entendi o título já de cara, exatamente por entender que o IDE é uma ordem e não um pedido ou um mero chamado.

    O livro me ajudou bastante principalmente no quesito motivação:

    “A obra missionária é um meio para a glória de Deus – e isso é o que nos motiva […] Precisamos de motivações cristocêntricas, e é sobre isso que fala o texto de Mateus 28:18,19. Se isto é verdade, então encontramos uma ótima indicação bíblica sobre como nos tornamos pessoas cada vez mais motivdas a pregar o evangelho às nações.” (pág. 34)

    Como missionário urbano, dedico-me a cumprir o IDE e a agenda do ministério o qual faço parte. Mas, foi lendo o livro que eu parei para refletir sobre minhas reais motivações para pregar o Evangelho. Yago expressa isso biblicamente também: “O motivo pelo qual precisamos falar sobre motivações é que a bíblia fala sobre motivações. Ela é repleta de mandamentos sobre isso. O famoso Sermão do Monte mostra Jesus interpretando os Dez Mandamentos e outros preceitos da Lei judaica de um modo que não se prende apenas à ordenança em si, pois vai ao âmago da motivação por detrás de cada ensino” (Mt 5:21-48) (pág. 23). Eu não costumo fazer resenha de livros justamente por considerar uma publicação algo complexo e particular, mas este em especial, apresenta uma série de ensinamentos muito importantes principalmente para quem está pensando se deve ou não evangelizar mais do que evangeliza. O legal de Você não Precisa de um Chamado Missionário é defender algo que sempre digo quando estou pregando sobre missões: “Convidar pessoas para ir à igreja não é evangelizar!” Por fim, eu digo, nessa curta resenha, que o livro é muito bom. Vale a pena comprar e usá-lo até em pequenos grupos para ministrações e palestras sobre missões. É necessário que possamos entender que o IDE já nos foi dado. Precisamos obedecer a Grande Comissão. Um brinde!

  • Fronteira – Por cada “garoto sírio” no mundo

    Foto: Foto chocante de menino morto revela crueldade de crise migratória | G1

    Deixando a “Estante de Livros” de lado, hoje vou tratar um assunto que repercutiu nessa semana: a foto de um garoto sírio que foi encontrado morto numa praia, mais um no meio de muitos refugiados da Síria.  A publicação dela trouxe diversas reflexões por todo o mundo desde a semana passada. Montagens da fotografia, textos repletos de pensamentos sobre a morte desse menino se abundaram-se pela mídia e nas redes sociais. Porém, essa adversidade a qual a humanidade lida começou hoje? Só está acontecendo no contexto dessa fotografia?

    Estamos nos relacionando uns com outros em um mundo extremamente violento e cheio de guerras. As notícias em torno dos povos árabes aumentam a cada dia, o terrorismo islâmico cresce, tensões entre a Rússia e os EUA explodiram alguns meses atrás e, para agravar a situação, a criminalidade e as violências regionais erguem-se como monstros contra a população urbana. Além das rixas e intrigas entre homens, enfrentamos diversos problemas ambientais causados pela próprio ser humano.

    O fato é que estamos cegos pela negação, mecanismo de defesa psicológica que nega um fato que possa incomodar a sua própria existência, e pela falta de empatia. Os acontecimentos se enchem nas nossas mentes, causando uma disfunção narcotizante, uma anestesia total das reações humanas, uma letargia nas atitudes.

    Matrix revela que a sociedade humana se encontra cega e tudo que ela mostra são meras projeções virtuais. Cada emoção ocasionada em nós por informações negativas, seja ela boa ou ruim, está na superfície de nossos olhos, porque não podemos realmente sentir o peso das notícias.

    Onde está a empatia? Se realmente chorássemos com os que choram com outros “garotos sírios” da vida, talvez a situação não estaria tão crítica na nossa própria nação, onde crianças são entregues a violência, a marginalização, ao abandono dos pais, tanto no sentido criminal como o abandono dentro da própria casa, a prostituição e o trabalho infantil, a hiper exposição midiática, a publicidade exagerada, a pedofilia, etc. São casos que podem se encontrar no vizinho, dentro da nossa própria casa, porém nossa revolta permanece efêmera.

    Permanecermos indignados com a injustiça, com as doenças éticas da sociedade, e culpamos Deus pelos problemas mundiais que cada vez mais bate na nossa porta, mas qual é a origem de todas essas desgraças senão nós mesmos? Nossa dor é politizada, vazia como argumentos; nossa moral é egoísta, baseada em pressupostos materialistas e em nosso próprio ser; nossa bondade e ética são individualistas, fundamentadas em conhecimentos sobre o mundo e no status “homem cultural”; nosso conceito de amor é superficial e passageiro, solidificados no interesse e felicidade própria; e nossas fronteiras são ilusões, somos todos iguais.

    Para argumentar o que realmente a humanidade está passando, há um trecho do livro “O Futuro da Humanidade” de Augusto Cury exemplifica perfeitamente essa condição:

    Marco Polo viu o rosto do amigo entristecer pouco a pouco. Nada o animava. Ligou a TV num programa de notícias para que ele se distraísse um pouco, mas piorou as coisas. Desde que saiu pelo mundo, Falcão nunca mais assistira à TV, apenas de relance.

    Viu um repórter denunciando a fome na Etiópia, mostrando imagens de crianças magérrimas, em pele e osso, sem expressão facial, em profundo estado de melancolia. Quase não tinham força muscular para se movimentar. Deviam estar brincando, mas estavam morrendo. Falcão curvou-se, colocou a cabeça à frente do corpo e arregalou os olhos.

    O repórter disse que, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentos), a cada cinco segundos morre uma criança de fome. Falcão, estarrecido, meneou a cabeça gritou:

    – Não é possível! Estão deixando as crianças morrerem!

    Em seguida, viu outra imagem fantasmagórica: um pai correndo e gritando desesperadamente com um filho sangrando no colo. Ele fora vítima de um ataque terrorista. As imagens que saltavam da tela pareciam mais loucas do que as alucinações que o perturbavam na sua fase psicótica mais drástica. E aquilo era real. Falcão começou a passar mal, Teve palpitações e suor excessivo.

    Em seguida, observou a expressão facial do repórter que transmitia as notícias. Para seu espanto, o rosto não traduzia o drama da notícia, revelava apenas um ar de consternação.

    Posteriormente, o mesmo repórter mudou rapidamente o semblante, abriu um sorriso e falou de um milionário excêntrico, que aparecia na tela acariciando seus cavalos em suntuosas cocheiras. Esta notícia penetrou como um terremoto no intelecto de Falcão. Estava incrédulo.

    Percebeu que o processo de transmissão das informações destruía a afetividade dos espectadores. Fitou o jovem amigo e comentou incisivamente:

    – Vocês não sentem asco por essa sociedade?

    – Esses acontecimentos são péssimos! – confirmou Marco Polo.

    – Péssimos? São horríveis! Vocês estão adaptados ao lixo social. Não se perturbam mais com eles!

    – Não! Nós detestamos essas imagens!

    – Seus olhos a detestam, mas suas emoções não reagem.

    Marco Polo ficou abalado. Sentiu que Falcão estava coberto de razão. Embora perambulasse pelas ruas e presenciasse determinados tipos de sofrimentos, não tinha contato com algumas das mais repugnantes misérias cometidas pelo sistema. Sua sensibilidade não estava doente nem era exagerada, mas anestesiada, analisou.

    Como estudante de jornalismo, conheço esse universo perfeitamente, a carnificina das pautas. Os dilemas do fato pouco importam ao jornalista, o que é importante nela é o seu retorno midiático. A fotografia não mostrou os mais obscuros pensamentos do noticiador e da massa: notícia boa é notícia que dá dinheiro para repórteres e informação tenebrosa e sensacional para o espectador. Sim, o que mais o jornalista quer é polêmicas e problemas, isso é lucro, o receptor gosta de assistir notícias apenas por ver, saber mais e mais, entrando numa profunda caverna de letargia mental. Não coloco em jogo a publicação da notícia, que foi de vital importância, mas os muitos interesses soturnos das almas que não são vistas naquela imagem.

    Nesse enorme muro que levantamos entre nós, por fronteiras de países, ideologias, religião, visões políticas, e muitas outras divisões, vidas como a do garoto sírio serão machucadas e levadas pela sombra da morte, tornando toda a humanidade vítimas e cúmplices de um sistema de egoísmo e individualismo. Achamos que o inimigo mora no oriente, ou no norte europeu ou americano, mas ele está bem dentro de nós, em todos nós.


    Referências

    Marilena Henriques Teixeira Netto, Mecanismos de Defesa. Disponível em: <https://artigosdepsicologia.wordpress.com/2007/10/04/mecanismos-de-defesa/> Acesso em 08 de setembro de 2015.

  • Rocklogia – Um pouco de outras bandas independentes

    Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.

    Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.

    Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?


    Hibernia

    O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!


    Quarto Fechado

    O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.


    Lucas 9

    Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.


    Memora

    A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.


    Observ

    O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.


    Iahweh

    Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.


    Godcore

    O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.


    Os Oitavos

    Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).


    Hazerhort

    OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.


    Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.

  • Ser Ester Testemunho: “eu fui curada de câncer”

    Olá, meninas!

    A coluna de hoje está pra lá de especial. Quis trazer para vocês um belíssimo testemunho de uma Ester, como nós, que vivenciou um grande milagre e tem feito dele canal para alcançar muitas pessoas. Com sua história de vida, Adelãyne tem ido onde poucos querem ir, levando a palavra de Deus e esperança a pessoas necessitadas de fé.

    Um lindo testemunho que vale a pena ser conhecido.


    Ser Ester – Você é uma sobrevivente e alvo de um grande milagre. Conte-nos um pouco da sua história.

    Meu nome é Adelãyne Souza, tenho 33 anos. Nasci em lar cristão, minha família toda serve à Jesus. Sou natural de Concórdia – SC, moro em Itapema, uma cidade no litoral catarinense próxima à Camboriú, congrego na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Camboriú, sede dos Gideões Missionários da Última Hora.


    S.E. – Como você descobriu que estava doente? Qual foi sua reação inicial? Em algum momento você chegou a questionar Deus sobre o que estava acontecendo?

    Não sabia que estava doente até meu intestino se obstruir. O único sintoma que senti foram algumas fisgadas no abdômen esporadicamente e meu intestino que sempre funcionou muito bem começou a ficar ressequido.
    No dia 30 de março de 2014, meu abdômen começou a inchar e eu comecei a sentir muitas dores abdominais. Tomei remédio para cólica mas não adiantou.

    Adelãyne no Hospital enquanto lutava contra o Câncer.
    Adelãyne no Hospital enquanto lutava contra o Câncer.

    Na noite de 31 de março de 2013, um domingo, cheguei no Hospital Ruth Cardoso com fortes dores abdominais, com muitas náuseas e com minha barriga muito inchada. Mas Deus já tinha preparado o médico certo para me atender. Chamaram o Dr. Gustavo Deboni, cirurgião e clínico gástrico, que estava no centro cirúrgico de plantão naquela noite. Ele me avaliou e se preocupou comigo e me internou. Passei por uma bateria de exames, os quais confirmaram que eu estava com meu intestino obstruído e tinha que passar por uma cirurgia de emergência.
    Na terça-feira, dia 2 de abril, as 9 horas da manhã, entrei para a sala de cirurgia. Acordei as 14:30 com o Dr. Gustavo do meu lado esperando pra conversar comigo. Assim que abri os olhos ele me disse:
    – Tirei um tumor do teu intestino e um pedação do teu intestino grosso, vamos mandar o material para análise.
    Na hora que ouvi a notícia, fiquei pasma, mas ao mesmo tempo senti muita paz porque sabia que Deus estava no controle de tudo.
    Levantei o lençol pra olhar minha cirurgia e vi algo que me angustiou muito: eu estava usando uma bolsa de colostomia.
    O outro médico, Dr. Luiz (não sei o sobrenome) que acompanhou o Dr. Gustavo na Cirurgia, foi dar a notícia para minha família, e disse ao meu pai:
    – É só um milagre a tua filha ficar viva, porque o tumor era muito grande e estava todo enraizado, ele se alastrou por quase todo o intestino, nós tiramos o que estava no nosso alcance, temos que fazer outros exames para ver se não foi para os outros órgãos. Infelizmente é uma jovem, porque o estado dela é gravíssimo!
    Meu pai respondeu:
    – Eu creio em milagres Dr., meu Deus é Deus de milagres.
    Mas minha família, sabendo da gravidade da minha situação, não me contou nada.


    S.E. – Como foi o processo de recuperação. Em que momento você soube que havia sido alvo de um grande milagre de Deus?

    No sábado, dia 6 de abril, na parte da manhã, ganhei alta, mas a tarde comecei a passar mal. Sentia dores terríveis na lombar e na barriga, mesmo debaixo de Tramal (analgésico potente) a dor não passava. Quando anoiteceu eu não estava mais suportando as dores, chamei minha família e os convidei pra louvarem a Deus comigo. Durante o período que eu passei no hospital eu sentia uma vontade enorme de louvar, mas não conseguia, pois meu abdômen doía muito, mas meu pensamento louvava a Deus com o refrão do hino 4 da Harpa Cristã: “Deus cuidará de ti, no teu viver, no teu sofrer…” E era este hino que eu queria louvar com minha família, mas eu só sabia o refrão e não sabia qual o número dele na Harpa Cristã. Aí pensei assim: “Vou abrir a harpa e escolher algum que eu conheço”. quando eu abri a harpa, abri exatamente no hino que eu queria cantar, o n° 4! Fiquei maravilhada…
    Meu pai pegou um violão, meu mano pegou outro, minha mãe sentou do meu lado e começamos a louvar a Deus. Eu só conseguia resmungar por causa das dores, mas eu chorava muito de alegria por estar louvando a Deus. Durante este louvor, Deus me anestesiou inteira e quando acabamos de louvar eu estava totalmente curada! Não sentia dor alguma! Comecei a chorar de alegria e disse à todos:
    – Jesus me curou, e em nome de Jesus não vou mais tomar remédio para dor!
    Eu não estava conseguindo comer, porque nada parava no meu estômago, depois que louvamos mais três hinos pedi algo pra comer pra minha mãe, e não passei mais mal e também não tomei mais nenhum comprimido de Tramal, durante minha recuperação, eu não sofri mais com dores. Com 30 dias de operada eu já estava passeando no Congresso dos Gideões (risos).
    Veio o resultado da biópsia: ADENOCARCINOMA mucossecretor no intestino grosso. Meu oncologista disse que é um dos tumores que mais matam no mundo, é o famoso “galopante”. Uma raizinha que fica desse tumor no organismo em pouco tempo cresce e se alastra pelo corpo todo. Ele viu os exames que eu tinha feito uns dias antes, e disse que não tinha mais vestígios da doença, (Glória a Deus!), mas mesmo assim eu teria que fazer quimioterapia de prevenção durante 6 meses e que mesmo eu fazendo quimioterapia ainda tinha 50% de chance de voltar. A minha preocupação no momento que ele me disse tudo isso não foi com o resultado da biópsia, e nem com o risco do tumor voltar, porque eu tinha convicção da minha cura, mas foi em, quando que eu iria poder tirar a bolsa de colostomia, era muito constrangedor pra mim. Aí ele disse, que eu iria poder tirar a bolsa somente depois que fizesse as quimios. Eu disse que não queria fazer porque sabia que estava curada, aí ele foi bem enfático: disse que se eu não fizesse, o outro médico não iria aceitar reconstruir meu intestino. E realmente, o médico que tinha me operado tinha me dito que só iria ligar meu intestino novamente depois que eu fizesse o tratamento. Tive que fazer as quimios…
    Fiz quimio durante 6 meses, fazia uma vez por semana, por quatro horas mais ou menos, cada sessão. Deus cuidou de mim! Eu orava antes de cada sessão e pedia pra Jesus me guardar do efeito da quimio. Meu cabelo não caiu, ficou mais bonito, mais brilhoso e cresceu muito, minha pele continuou igual, não ficou vermelha e nem ressecada, a Fernanda (enfermeira chefe do UNACON) certo dia me perguntou: “O que você tem? Seu cabelo está mais bonito que os nossos (das enfermeiras) que não estamos fazendo quimio!”, respondi: “É porque Jesus está cuidando de mim”. A única mudança é que inchei 9 quilos por causa do Corticóide (hormônio) presente na medicação. Não tinha muitas reações a não ser de uma das quimios que deixava meu corpo todo em choque, tudo que era gelado me dava choque, e o braço que eu tinha feito a quimio ficava muito dolorido.


    S.E. – Mas o processo de Quimioterapia trouxe outras grandes experiências, certo?

    Durante todo o meu tratamento no UNACON (Unidade de Alta Complexidade Oncológica) eu nunca perdia a oportunidade de falar de Jesus, evangelizei muitas pessoas naquele lugar. Quando faltava um mês para terminar meu tratamento, em um dos dias que eu estava fazendo a quimio mais pesada, meu braço doía demais enquanto eu recebia a medicação, entrou uma freira para nos dar bom dia. Duas mulheres pediram pra ela fazer uma oração, ela pediu que todos dessem as mãos, além de mim, tinha mais ou menos umas 10 pessoas na sala fazendo quimio. Todos nós, mesmo sentados e tomando medicação, demos as mãos e ela começou a orar um Pai Nosso, depois fez uma oração bem bonita e o Espírito Santo falou comigo: “Eu te capacitei! Aproveite esta oportunidade”. Quando a freira acabou a oração eu disse à ela: ” Irmã, já que estamos neste momento de adoração, posso ministrar um louvor?” , ela me olhou surpresa e com um sorriso disse: “Claro que sim”. Fechei os olhos e comecei a louvar ao Senhor com a canção “Ressuscita-me”, da Aline Barros, quando abri os olhos a sala estava cheia de enfermeiras que não estavam ali antes, e elas e aquelas pessoas estavam chorando, meu coração se alegrou porque Deus tinha falado com elas. Dei meu testemunho rapidamente, contei que Jesus tinha me curado através do louvor. A freira e as enfermeiras se retiraram e uma daquelas mulheres que tinha pedido à freira pra orar me disse:

    Ministrando no UNACON (Unidade de Alta Complexidade Oncológica) para pacientes em tratamento de Quimioterapia.
    Ministrando no UNACON (Unidade de Alta Complexidade Oncológica) para pacientes em tratamento de Quimioterapia.

    “Moça, não foi em vão que você cantou, eu estava pedindo pra Deus me curar, mas eu tinha muitas dúvidas se Ele iria realmente me curar, mas no momento em que você cantava, veio um clarão sobre mim, como um fogo e me aqueceu por inteira, me queimou da minha cabeça até a planta dos meus pés e eu sei que eu fui curada, Jesus me curou! E quando vc contar teu testemunho não esqueça de contar também o meu!”
    Saí dali aquele dia muito emocionada e feliz com o que Deus tinha feito, e comecei a entender que Deus tinha permitido de eu fazer quimio para que tudo isso acontecesse, para que eu conhecesse aquele lugar onde tem pessoas tão necessidades de Jesus.
    Quando terminei meu tratamento, fiz todos os exames novamente e mais uma vez foi confirmado, estava curada! Glória a Deus!
    Dia 5 de dezembro de 2013 passei por uma nova cirurgia, esta para colocar meu intestino no lugar e tirar a bolsa de colostomia. Era pra ser uma cirurgia simples, mas foi muito complicada, meu intestino estava muito aderente. A médica ficou preocupada, estava com muitas dúvidas se a cirurgia iria dar certo. Mas nós clamamos ao Senhor, eu e minha família, e a cirurgia foi um sucesso.
    Deus falou comigo logo após a 1° operação que tudo Ele iria prover, nada iria me faltar. E nada me faltou! Todo o meu tratamento e cirurgias foram pelo SUS e eu tive atendimento melhor que na rede particular… :))
    Em todo este processo eu nunca questionei à Deus, eu somente confiei e descansei nEle, pois sabia que era permissão dEle tudo o que estava acontecendo para que seus propósitos se cumprissem na minha vida, era para o nome dEle ser glorificado através do meu testemunho.
    Em fevereiro de 2014, fui até o UNACON para um exame de rotina e lá encontrei a mesma freira que orou naquela manhã tão especial. Quando ela me viu me disse assim: “Nossa! Você sumiu, estou com muita saudade de ouvir você cantar”. Eu disse a ela: “Irmã, eu gostaria mesmo de voltar aqui, pra cantar pra estas pessoas que estão em tratamento. Podemos vir eu e meu irmão uma vez por semana, trazermos o violão e adorarmos à Deus junto com eles?” Ela deu um sorriso e respondeu: “Claro que sim! Vocês são muito bem vindos aqui, ficaremos muito felizes se vocês fizerem este trabalho”.
    Simplesmente ela escancarou as portas para nós e hoje fazemos a obra do Senhor ali. Tiramos uma manhã uma vez por semana e vamos até o UNACON, lá eu testemunho do que Deus fez na minha vida, leio uma palavra pra eles, cantamos mais ou menos por 1 hora e oramos com eles.
    Sempre, no final faço, o apelo pra eles se entregaram pra Jesus, e sempre várias pessoas aceitam a Cristo. Temos visto curas, pessoas transformadas, pessoas sem fé com a fé renovada. Ensinamos à elas também que nossa maior vitória não é aqui na Terra, mas sim quando chegamos na glória e abraçamos Jesus.
    O inimigo achou que era meu fim, mas Deus mostrou que é maior, e que minha vida pertence à Ele.
    Espero que meu testemunho tenha edificado a sua fé, e não importa o que você esteja passando, Deus pode todas as coisas, Ele é maior que o seu problema! Entrega tudo nas mãos dEle e descansa, o que você não pode fazer Deus faz por você!


    S.E. – Você acha que tudo o que você passou teve um propósito divino? Se sim, que propósito é esse?

    Teve sim e como! Antes eu era muito retraída, não deixava Deus me usar, tinha medo de falar. Quando eu ia cantar eu não falava nada, só cantava. Depois que recebi este milagre, comecei a testemunhar por onde eu passo e Deus começou a tirar todo o medo que eu tinha de falar. Hoje abro a boca e falo sem medo tudo o que o Espírito Santo coloca nos meus lábios, Deus me deu mais ousadia.
    Meu testemunho tem impactado vidas, Deus começou a me usar em cura divina também para a glória de Deus!


    S.E. – Você é cantora e a música sempre fez parte da sua vida. Qual a importância da música ao longo de todo este processo?

    Canto desde pequenina, tinha 6 anos de idade quando comecei a cantar solo na igreja. Minha família é toda de levitas e músicos, cresci neste meio. O que mais amo é cantar pra Deus, e a minha adoração à Deus é o que faz com que eu vença em todas as áreas sempre, inclusive, como vocês leram, foi através da minha adoração que recebi a minha cura.


     

    Imagem do clipe "Minha Oração", que será lançado ainda em Setembro.
    O clipe “Minha Oração” será lançado este mês.

    S.E. – E quanto à música? Quais são seus projetos futuros?

    Gravei uma música recentemente, “A minha Oração”, composição do meu irmão Adriano Souza. Gravei esta música na qualidade que desejo que seja meu CD. Quem a produziu foi o produtor musical Ronny Barbosa. Ela estará sendo lançada agora em setembro com um clipe que está pronto, a produção do clipe foi feito por Junior Souza.

    Meu CD está projetado por Deus, vai ser composto de composições minhas e do meu irmão Adriano Souza.


    S.E. – Para você, o que é Ser Ester no século XXI?

    No mundo em que vivemos, a futilidade está em alta.
    Mas ser Ester, é ser diferente destas mulheres que o mundo acha o máximo.
    Ser Ester é ser separada do mundo, é sentir nojo das coisas mundanas e prazer nas coisas que agradam a Deus.
    Ser Ester é se portar como princesa a todo instante. Na maneira de andar, de falar, de se vestir, de se maquiar. Uma princesa não usa roupas vulgares, não fala vulgarmente, não usa maquiagem muito forte, não dá em cima de todos os homens, (essa é para as solteiras: uma princesa de verdade não troca de namorado toda hora, e também não corre atrás do príncipe, mas se valoriza e espera que ele tome a iniciativa. Ela se guarda para o homem certo, e o espera em oração).
    Ser Ester é ser uma mulher que jejua e ora.
    Ser Ester é ser sábia, se guardar mais nas palavras, falar sempre o necessário e na hora certa.
    Ser Ester é ser corajosa, não ter medo de dar a sua vida para salvar vidas.
    É ser uma mulher guiada pelo Espírito Santo, uma mulher que alegra o coração do Pai com sua maneira de ser e de viver, é ser uma ganhadora de almas para o Reino de Deus!
    Ser Ester é ser uma mulher segundo o coração de Deus!


    Lindo testemunho! E você? O que tens feito com o que Deus fez na sua vida?