Deus em Debate – O Argumento Ontológico

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De volta à série “Por que acreditar em Deus?”, trataremos agora do Argumento Ontológico.

O Argumento Ontológico demonstra de forma clara, lógica e simples a necessidade da existência de Deus. Inicialmente, o argumento ontológico foi proposto por Santo Anselmo (d.C. 1033–1109) nos capítulos II e III do seu texto “Proslogium”, escrito em 1077 – 1078.

Além disso, este argumento tem sendo criticado e acolhido por muitos dentre os séculos, homens como São Tomás, Kurt Gödel, Leibniz, René Descartes e Kant perscrutaram este argumento apresentando suas observações e críticas. Porém, meu objetivo não é apresentar a opinião ou observação destes homens, mas sim explanar o argumento ontológico de forma clara e prática.

Ontológico é tudo aquilo que é relativo à Ontologia “ontos” (ser) e “logos” (estudo, discurso) que significa “estudo do ser”. A aparição do termo data do século XVII e sua origem é grega. Este conceito é muitas vezes confundido com metafísica, e isto é totalmente equivocado. Na verdade, a ontologia é um aspecto da metafísica que procura categorizar o que é essencial e fundamental em determinada entidade.


Graham Oppy, filósofo australiano, classificou os argumentos ontológicos em: definicional, conceitual, modal, Meinongian, experimental, mereológico e hegeliano. Analisaremos a versão modal deste argumento que trata das possibilidades empregadas nas premissas apresentadas em favor da existência de Deus. O argumento modal de Alvin Plantinga é provavelmente o melhor argumento para a existência de Deus. Ele usa as leis da lógica modal que age semelhante a uma prova matemática. Analisemos juntos as premissas de Plantinga:

  1. É possível que um ser perfeito exista.
  2. Se é possível que um ser perfeito exista, então um ser perfeito existe em algum mundo possível.
  3. Se um ser perfeito existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.
  4. Se um ser perfeito existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no atual.
  5. Portanto, um ser perfeito existe no mundo atual.
  6. Logo, Deus existe.

a) Análise das premissas: Bem, depois dessa série de premissas você pode ter ficado, a princípio, meio confuso com o que foi apresentado, mas não se preocupe, pois vamos esclarecer passo a passo os pontos supracitados.

1. É possível que um ser perfeito exista.

A primeira premissa é a mais importante, pois é através dela que todo o raciocínio será desenvolvido. Caso esta premissa falhe, então todo o argumento se tornará obsoleto. Faça a si mesmo a seguinte pergunta: É razoável a ideia de um ser perfeito? Se sua resposta for sim, então estamos prontos para ir para a próxima premissa, se for não, continue mesmo assim, pois quero levá-lo à compreensão do argumento como um todo, bem como livrá-lo de possíveis erros de má interpretação acerca do mesmo.

2. Se é possível que um ser perfeito exista, então um ser perfeito existe em algum mundo possível.

Primeiramente, você deve entender um conceito filosófico chamado mundo das ideias, ou eidos (em grego), pois esta é uma maneira dos filósofos testarem uma ideia para ver se é lógica, indagando se ela existiria em um mundo possível semelhante ao nosso, contudo, a única coisa que as pessoas parecem não entender perfeitamente no argumento é a forma pela qual Deus é definido. Há três maneiras de definir um ser ou entidade no Argumento Ontológico: Entidade impossível, isto é, não existe em nenhum mundo possível. Exemplo: um círculo quadrado. Entidade contingente, isto é, existe em alguns mundos possíveis. Exemplo: unicórnio. Entidade necessária, isto é, deve existir em todos os mundos possíveis Exemplos de entidades necessárias são: Números, verdades absolutas e definições de formas (figuras geométricas).

3. Se um ser perfeito existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.

Um ser perfeito, sendo uma entidade necessária, não pode ser falso ou falhar em existir em qualquer mundo possível. Consequentemente, ele tem que existir necessariamente em TODOS OS MUNDOS POSSÍVEIS, pois do contrário não seria perfeito. As próximas premissas são deduções lógica-modais incontroversas, ou seja, não será necessário apresentar explicações para as mesmas.

4. Se um ser perfeito existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no atual.

5. Portanto, um ser perfeito existe no mundo atual.

6. Logo, Deus existe.


Então, se sente convencido? Bem, a questão não é a forma como você se sente, mas sim a maneira como é o argumento é logicamente coerente. Agora que, felizmente, você sabe como Deus é definido no argumento, você pode entender como o Argumento Ontológico funciona. Concluímos que o argumento ontológico, sendo cabalmente compreendido, é uma prova irrefutável da existência de Deus através dele mesmo, ou seja, sem a necessidade de nossas experiências ou evidências pessoais. Se você quer aprender sobre este e outros argumentos, então fique ligado na coluna Deus em Debate e, é claro, deixe seu comentário, elogio, ou crítica abaixo. O importante é seu feedback.


Referências

Geisler., N. (2002). Argumento Ontológico. São Paulo: Enciclopédia Apologética.

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