Categoria: Colunas

  • Rocklogia – The End

    Tive uma missão árdua, difícil e de grande responsabilidade este ano, aqui no O Propagador: escrever o primeiro post do ano, e agora o último. Passou-se um ano, e tão rapidamente… um ano difícil.

    E é com pesar, mas ao mesmo tempo satisfeito, que anuncio hoje, no findar de 2015, o fim da coluna Rocklogia aqui no O Propagador.

    Durante esta época de Rocklogia, tive a oportunidade de reproduzir, com minhas palavras e visões, um pouco de tudo o que já li em algumas monografias, teses de mestrado e doutorado sobre o rock cristão brasileiro, livros, notícias, entrevistas e fóruns de cada época. É claro que houveram vários erros de informação, algumas das vezes por simples confusão minha, em outras por imprecisões e omissões que já existiam nas fontes. E fiquem tranquilos, os erros cometidos foram corrigidos, e por mais que já estão ajustados, me deixaram constrangido. Aqui, faço uma menção especial ao maior erro da coluna, num post sobre o Fruto Sagrado lá nos primeiros meses do ano, cujo ex-integrante da banda, Flávio Amorim, me alertou e prontamente corrigi (acabei confundindo os integrantes na hora de escrever algo).

    Na verdade, o que me faz terminar a Rocklogia aqui é um projeto pessoal: contar e analisar, criticamente, uma história do rock cristão brasileiro, em um livro. Tenho lido e pesquisado sobre o assunto desde 2011. Há mais de dois anos, pessoas me sugeriram, mas sempre temi, afinal, é uma missão muito difícil, especialmente para mim, que sou muito jovem. Mas, anos depois, decidi aceitar o desafio, e me porei diante dele. Os textos, publicados aqui, então, são apenas rascunhos. O que eu pretendo fazer é algo muito mais profundo, e que promete citar várias bandas e acontecimentos não mencionados durante este tempo. Por isso, caso você tenha sugestões de conteúdos que faltaram, ou que poderiam ser melhor desenvolvidos, comente aqui ou entre em contato comigo. Espero que daqui a alguns anos, eu possa voltar com este material em mãos.

    Foram cerca de três anos aqui, juntamente com grande parte dos colunistas mais antigos, mas está na hora de eu me despedir do portal. De vez em quando vocês ainda verão um ou outro material meu aqui no site, pelo fato de ter muitos textos guardados para postagens futuras.

    Mas fiquem tranquilos: no ano que está chegando, o site aguarda muitas novidades, e uma nova coluna de historiografia musical, com outras pessoas, vem aí.

    Feliz 2016 a todos e… fui!

  • Rocklogia – Citações

    Este é o post mais simples, e talvez o mais “divertido” da Rocklogia. Em grande parte dos textos aqui já publicados, utilizei de citações e citei entrevistas. Mas está na hora de apresentar, aqui, uma série de citações interessantes, alguma até então pouco conhecidas.


    “Somos amigos da galera do G3. Nos afastamos na época da saída deles da Renascer, coisa de igreja, infantilidades denominacionais, mas amamos os caras”. [Zé Bruno, sobre saída da Oficina G3 da Gospel Records, Ruben Mukama, 2012]

    “Conheci o Rebanhão que… na minha época era como se fosse o Metallica do meio gospel (risos), era o terror de todos os pastores e eu me tornei uma versão piorada de tudo isso”. [Marcão, sobre sua inserção no rock cristão, no The Talk GO!, 2015]

    “Nós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram”. [Carlinhos Felix, sobre o início do Rebanhão e as resistências de cristãos, Folha de S. Paulo, 1991].

    “Pois é, coragem é sinônimo de Catedral! Queiram ou não temos história, fatos, resultados que confirmam tudo isso, enquanto muita gente ainda tem que comer muito feijão com arroz em vários sentidos…”. [Kim, sobre declarações de Marcos Almeida acerca do Catedral, O Propagador, 2013]

    “Fiz de tudo. Meditação, ioga. Um dia, aqui em São Paulo, o pastor Estevam Hernandes Filho, idealizador da Fundação Renascer, me viu tocando e disse para eu tocar para Deus. Eu disse: esse cara tá meio pirado”. [Brother Simion, sobre sua conversão religiosa, Folha de S.Paulo, 1993]

    “[…] não inventaram nada depois de Beatles e Queen!” [Dudu Borges, sobre suas referências musicais, Ruben Mukama, 2008]

    “Havia um cenário muito criativo desde os anos 60. Várias canções de autores famosos expressavam o melhor de suas angústias, desejos e celebrações. Algumas letras foram de fato tocantes para muitos corações e, creio eu, usadas por Deus ao menos para despertar indagações e sonhos”. [Wolô, em entrevista pessoal, 2015]

    “As pessoas ainda pensam que música evangélica é bater bumbo na praça”. [Marco Salomão, sobre a incipiência do mercado evangélico, O Globo, 1991]

    “Não acho que seja a MK a responsável pela mudança nas bandas. Sempre falei que ela é empresa, não entidade filantrópica. E uma empresa é boa quando sabe fazer dinheiro. O profissionalismo acima do comprometimento com a verdade, sim, transforma o caráter de uma banda ou cantor. A MK não é babá espiritual de ninguém. A falta de palavra, se seriedade, de honestidade, tudo isso que em geral vem no kit com a fama é que faz uma banda se transformar da noite pro dia”. [Bênlio Bussinguer, sobre a MK Music, Dot Gospel, 2005]

    “Quero agregar o máximo de bandas e artistas nessa caminhada. O que eu lamento, é que muitas vezes me sinto o único a pensar assim. Todos estão tão preocupados com o seu, e em fazer a sua história, que esquecem que juntos a gente pode ir mais longe”. [Fábio Sampaio, sobre sua ligação com outras bandas do novo movimento, O Propagador, 2014]

    “Já tocamos com moçada pesada, como os Ratos de Porão. O som da gente é semelhante. A diferença está nas letras”. [Luciano Manga, sobre a agenda da Oficina G3, Folha de S.Paulo, 1993]

    “Em tempos em que o “serviço de implantação de novos produtos no mercado” andava de vento em popa entre as gravadoras e as rádios, a música “Eu quero sol nesse jardim” já tocava em FMs jovens. Nem a Legião Urbana soaria tão caricaturalmente Legião Urbana quanto naquela balada de violãozinho com vocal empostado e letra sobre jardins, luz da manhã e azul do céu”. [Ricardo Alexandre, no artigo Catedral e o Juízo Gospel, 2013]

    “Acho que podemos falar algo sobre o rock gospel nacional, que é a nossa praia e que em geral é fraco, poderia ter mais qualidade e ser mais inovador principalmente, além de proporcionar mais espaço aos novos compositores que surgem e desaparecem a cada ano por falta de espaço”. [Arvid Auras, sobre o rock cristão brasileiro, Super Gospel, 2005]

    “[…] como banda, posso dizer que originalmente Stryper foi uma das grandes influências do Oficina G3”. [Duca Tambasco, sobre as influências musicais dos integrantes da Oficina G3, Troféu Talento, 2009]

    “Só costumo ouvir as minhas músicas”. [Paulinho Makuko, sobre suas preferências musicais, Super Gospel, 2004]

    “Sou um artista pop. O meu CD tem de tudo, de baião a rock. Por isso, não vejo por que tenha de ficar limitado às lojas de gospel”. [Carlinhos Felix, sobre parcerias com supermercados e Lojas Americanas para distribuição do álbum Toda Reverência, O Globo, 1997]

    “Acho que o “gospel” é um malabarismo entre o universo da fé e do entretenimento. Ora é culto, ora é entretenimento”. [Marcos Almeida, sobre o movimento da música evangélica, Lagoinha, 2014]

    “O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica”. [Murilo Braga, sobre o movimento gospel, O Propagador, 2015]

    “Há muito tempo que não vejo a galera do Fruto Sagrado. Marcão, Bênlio, Flávio… As letras do Fruto são demais, até hoje sinto que há uma lacuna. Ninguém faz o que eles faziam. Não conheço a nova formação, parece ser bem legal, quando digo saudades, é daqueles caras”. [Zé Bruno, sobre músicos dos tempos da Gospel Records, Super Gospel, 2015]

    “Somos um povo desunido. Não nos entendemos em diversos aspectos. Por isso não somos mais fortes”. [Jean Carllos, sobre os cristãos, Território da Música, 2006]

    “Acho que o movimento perdeu o fio da meada e se envolveu numa profusão de bandas, reuniões sem propósito, gente oportunista e falta de visão do Reino de Deus”. [Paulo Marotta, sobre o movimento gospel, Revista MPC, 2000]

    “Começamos como uma banda puramente evangelística. Viajávamos, por exemplo, até 22h de ônibus sem ganhar nada para levar a palavra de Deus em vários estados do país”. [Bênlio Bussinguer, sobre o propósito do Fruto Sagrado, para a Revista Eclésia, 2004]

    “Quando começamos, ninguém falava de Rookmaaker ou Schaeffer. Não existia um embasamento teórico/teológico para o que a gente fazia”. [Fábio Sampaio, sobre o seu início com a Tanlan, O Propagador, 2014].

    “Vivemos em uma sociedade cada vez mais sectária, excludente, onde tudo é categorizado, dividido, rotulado, departamentado para que aquele que faz parte do grupo A não se misture com o B. Entendemos que a mensagem do Evangelho é de inclusão, mistura, unidade e não de divisão. Procuramos contextualizar a música e a mensagem para que não exista essa divisão entre “rock cristão’, “rock secular”, louvor, evangelismo ou qualquer outra segmentação. Fazemos música. Fazemos rock. Pregamos o evangelho”. [Fábio Garcia, sobre o rótulo “rock cristão” na música dos Militantes, Super Gospel, 2015]

    “Fui para e escola com a manga da camisa maior que todas as outras crianças e ai o pessoal pegou no meu pé”. [Luciano Manga, sobre seu apelido, Super Gospel, 2003]

    “Eu não tenho idéia de gravar um CD gospel. Sou evangélico, mas meu trabalho é este. Quero fazer música para todos aqueles que estão no “mundão”. Quero passar uma mensagem positiva”. [Rodolfo Abrantes, sobre planos de carreira ao lado do Rodox, Super Gospel, 2002]

    “A banda Oficina G3, por exemplo, é rock’n roll puro e da melhor qualidade”. [Carlinhos Felix, sobre o preconceito com certos ritmos musicais, G1, 2012]

    “Existe um enorme preconceito. O mínimo que uma igreja poderia fazer era acompanhar a banda, fechar as portas e levar a galera pra prestigiar o trabalho e ajudar a evangelizar, mas não é isso que acontece. Alguns ainda criticam porque estamos lá no meio. Não entendo muito bem como funcionaria essa evangelização (rs). Mas enfim, ninguém vence a guerra sem um exército, concorda?” [Marcelo, sobre a apresentação da banda PontoCom num evento não-religioso, Super Gospel, 2004]

    “O Tchu, antigo baixista tinha saído, e eu queria tocar com a banda. Afinal, quem não gostaria, até um funkeiro como eu gostaria de tocar no Kats, mesmo sendo rock. Finalizando, o Simion saiu dali e foi falar para o Ap. Estevam o que a gente conversou”. [Jadão, sobre sua entrada no Katsbarnea mediada por Brother Simion, Super Gospel, 2005]

    “Sendo bem honesto, a gente não tem medo de nada. Acho que um dos grandes diferenciais do G3 é esse: a gente faz o que dá na cabeça”. [Jean Carllos, sobre o filme Histórias e Bicicletas, Guia-me, 2015].

    “Aonde chegaremos com tanto legalismo e distorções teológicas a respeito da arte? Será que em nosso atual “ambiente” ainda existe oxigênio criativo? Quantos observam estarrecidos a ditadura da mediocridade que impera em grande parte das livrarias, programas de TV, rádios, gravadoras e igrejas?” [Marcão, em artigo, Dot Gospel, 2004]

    “[…] só depende do público gospel exigir na programação de TV, rádios e jornais mais a presença da música gospel. São mais de 26 milhões de evangélicos no país (público tem: é so começar a correria!)”. [Betinho Fonseca, sobre a presença da música evangélica e do Juízo Final nas grandes mídias, Super Gospel, 2003]

    “Tem muita gente hoje que é referência no Brasil porém, para mim, o Oficina G3 é exemplo de compromisso com o Reino e com o público”. [JT, sobre suas referências, Super Gospel, 2004]

  • Rocklogia – Figuras à parte, fundamentais!

    Já parou para pensar na quantidade de músicos e cantores que, apesar de não fazerem exatamente (ou exclusivamente rock) foram fundamentais e ativamente participativos na cena? Por isso, neste post, vamos falar um pouco sobre eles.


    Vencedores por Cristo: O grupo musical cristão mais importante dos anos 70, tinha uma estética musical que transgredia qualquer limite de gêneros. Revelando grandes músicos, algumas canções da banda e seus compositores seriam gravadas pelo Rebanhão, especialmente a clássica “Viajar” (1985), escrita por Sérgio Pimenta.

    Edson e Tita: Dupla formada pelos músicos Edson Lobo e Tita Lobo, os instrumentistas gravaram o primeiro trabalho, juntos, em 1982. Chamado Novidade de Vida, o álbum até esteve em nossa lista dos 100 maiores álbuns da história da música cristã brasileira, e com este projeto os músicos cariocas se apresentavam em uma série de locais, especialmente teatros, com a banda Rebanhão e a atriz Darlene Glória (pseudônimo de Helena Brandão). O segundo disco foi lançado em 1990, chamado Partiu do Alto, pela Gospel Records. E lá estavam eles no meio dos roqueiros da Renascer…

    João Alexandre: Ex-Vencedores por Cristo, João criou outro grupo ainda muito jovem (Pescador). Participou do disco Janires e Amigos (1985) do ex-Rebanhão Janires. Mais tarde, Alexandre ingressou no Milad, grupo que não era de rock, mas tinha seu posto dentre os conjuntos jovens da época. Em carreira solo, lançou seu primeiro disco em 1991 pela Gospel Records com produção do tecladista Pedro Braconnot. E lá estava ele no meio dos roqueiros da Renascer… Anos depois, participaria do disco O que na Verdade Somos (2003), do Fruto Sagrado. Aliás, em termos de discurso e contestação, João Alexandre é roqueiro por natureza.

    Banda Fé: Foi um grupo de curta duração. Lançou apenas um vinil e tocou no disco Janires e Amigos. Mais tarde, alguns membros deste grupo fundaram o Banda & Voz.

    Banda & Voz: Com um som muito mais próximo do que pode se chamar de soul e black music, a Banda & Voz cresceu num espaço pouquíssimo explorado no meio evangélico, até mesmo nos dias de hoje. Mas eles estavam bem mais próximos dos roqueiros do que de muitas outras pessoas. Com uma parceria antiga com os integrantes do Rebanhão, membros do grupo participaram de vários discos como backing vocals: Natan Brito participou do disco Semeador (1986). Mais tarde, Carlinhos Felix escreveu e gravou o sucesso “Falando de Vida” no disco homônimo, e Beno César tocou baixo com o Rebanhão num curto período, em substituição de Paulo Marotta. Nos anos 90, Pedro Braconnot produziria alguns discos de Marina de Oliveira e Cristina Mel ao lado de Natan e Jolce Brito.

    Novo Som: Talvez uma das três maiores bandas pop que o meio cristão brasileiro já conheceu, o Novo Som cresceu e se popularizou, de certa forma, sozinho e isolado. Uma banda jovem, mas não pertencente ao circuito do rock cristão propriamente dito, a banda até adotou uma certa aproximação com o Catedral, ao longo dos anos. Mito participou de um dos discos do Catedral e ambos grupos lançaram um disco ao vivo juntos em 2013.

    Actos 2 ou Kadoshi: Banda que se aventurava em diversos sons, mas identificava-se na proposta jovem das bandas de rock, foi crescendo vertiginosamente em sua carreira, especialmente nos anos 90.

    Cristina Mel: Durante certo período, a mais importante e conhecida cantora evangélica de seu tempo, Cristina teve seus primeiros passos diretamente guiados por Pedro Braconnot e Natan Brito. Amante dos grupos de rock cristão (o Sinal de Alerta, por exemplo), Cristina por algumas vezes se apresentou próxima a eles e fez até regravações.

    Renascer Praise: Surgida para ser a banda de louvor da Renascer em Cristo (Katsbarnea era a banda da igreja até então), a instituição centralizou (ou monopolizou) o movimento das bandas de rock cristão nos anos 90. O primeiro disco, e vários, contém a participação de Zé Bruno, Brother Simion, Luciano Manga e outras figuras.

    Amaury Fontenele: Amaury que usava o rock e a vibe do rap para constituir sua carreira musical, ainda foi produtor e parceiro musical de Brother Simion, Luciano Manga e da banda Fruto Sagrado.

    Patmus: Banda pop revelou Dudu Borges, que mais tarde seria integrante do Resgate. Um de seus ex-integrantes, Cris de Matteis, ainda produziu o disco Eclipse (Brother Simion) e Na Estrada (Walter Lopes).

    SILVA: Cantor que se destaca cada vez mais na cena pop-MPB nacional, foi produtor musical e principal compositor de várias canções de seu irmão, Lucas Souza. Produziu, também, o Palavrantiga.

    Leonardo Gonçalves: Admirado pelos integrantes da Oficina G3 e vice-versa, Leonardo subiu ao mainstream da música cristã de uma forma muito incomum: Preservando sua arte e agindo com extremo perfeccionismo. Ao conseguir agradar públicos muito diferentes, o cantor mostrou versatilidade participando das sessões de gravação do álbum Histórias e Bicicletas, ainda se juntando a Mauro Henrique e Guilherme de Sá nos shows Loop Session + Friends.

  • Fique Sabendo – Leonardo Gonçalves, Ton Carfi, Paulo César Baruk e muito mais

    Leonardo Gonçalves participa do programa Esquenta!

    Recentemente, o cantor Leonardo Gonçalves participou do programa Esquenta, na Rede Globo. O artista interpretou três canções já conhecidas do público: “Acredito”, “Quando Deus Criou Você” e “Sublime”.

    Leonardo foi questionado sobre seu disco em hebraico, Alvinu Malkenu (2010). O músico apontou seus motivos para gravar o projeto: “Na verdade, tem a ver com duas coisas. Primeiro, em eu descobrir a minha ascendência judaica. As pessoas que são adventistas do sétimo dia, mas têm ascendência judaica têm um lugar específico, onde podem entrar em contato e manter a sua raiz cultural”, disse.

    Gonçalves afirmou que sofreu diversas críticas pelo projeto. No entanto, afirmou saber lidar com os comentários que questionavam o fato de um cantor adventista cantar canções judaicas: “Falavam coisas como: ‘Assume logo que você não é evangélico’, ‘…que você está preso na lei’, essas besteirinhas assim. Mas a gente não pode levar isso muito a sério”, destacou.

    Além disso, Leonardo contou que a gravação de um disco totalmente em hebraico serviu para criar um diálogo inter-religioso. “A gente vive em uma era de muitos discursos, muito polarizados. O mundo está muito polarizado e na minha opinião, está muito chato, existindo cada vez menos diálogo”, afirmou.


    Ton Carfi lança clipe com vocalista do Sorriso Maroto

    Ton Carfi divulgou o clipe da versão voz e violão da canção “Porque Eu Te Amei”, com a participação de Bruno, vocalista da banda de pagode Sorriso Maroto. Carfi explicou o motivo de ter escolhido esta canção para essa participação: “Considero essa canção a mais inspiradora das inúmeras que tenho em todos os meus CDs. Ela transmite a mensagem do amor de Deus como se fosse o próprio Jesus falando conosco. Eu sei que os meus trabalhos são frutos de inspiração divina, por isso tocam o coração das pessoas. E “Porque Eu Te Amei” mostra, de maneira bem simples, porém intensa, o sacrifício de Jesus por nós. Essa música nos conscientiza do valor da Salvação.” O vídeo já passa de 260.000 visualizações. Confira:


    Paulo César Baruk gravará DVD Graça

    Após o sucesso com o lançamento dos álbuns Graça, Graça Para Ninar e Graça Quase Acústico {rs}, Paulo César Baruk decidiu gravar o DVD Graça ainda este ano. O cantor gravará ao vivo canções já conhecidas do público, como “Sobre a Graça” e “Assim Sou Eu” e acrescentará ao seu repertório cinco faixas inéditas. A gravação será dia 18 de dezembro, na AD Bom Retiro, em São Paulo. Todo o valor arrecado com a venda dos ingressos serão revertidos as vítimas do desastre em Mariana, no interior de Minas Gerais.


    Israel Salazar lança single em comemoração ao natal

    O cantor e compositor Israel Salazar lançou o vídeo de seu novo single de natal, chamado “É Natal”. Gravado na sala da casa da cantora Ana Paula Valadão, o clipe traz uma interpretação concisa de Israel, com destaque para os arranjos de cordas. Ouça o single:


    Anderson Freire lançará disco em 2016
    O cantor Anderson Freire já está em estúdio para as gravações de seu novo álbum pela MK Music. Em suas redes sociais, Anderson já vinha apresentando trechos de suas novas canções e confirmou a participação de Daniela Araújo em um dueto.


    Michelle Nascimento lança clipe de “Desafio no Deserto”
    A música de trabalho, “Desafio no Deserto”, foi gravado em Nevada (EUA). O videoclipe é fiel a letra. A intérprete relata o momento em que Jesus foi tentado no deserto, fazendo uma alusão com o que é vivido na atualidade. Confira o clipe:


    Ariely Bonatti seleciona repertório para novo álbum
    A cantora Ariely Bonatti ganhou notoriedade por seu estilo pentecostal. Após dois anos sem lançar nenhum trabalho inédito, o público estava aguardando um novo projeto e a espera acabou, pois a cantora já está em fase de seleção das músicas do novo disco. Acompanhada do marido Joelson e de sua filha Valentina, Ariely está na reta final para o fechamento do repertório desse álbum inédito, com previsão de lançamento para 2016.


    Delino Marçal lança lyric video
    Delino Marçal, um dos novos contratados da gravadora MK Music, está preparando seu novo disco, Nada Além da Graça, que teve a produção artística de Marina de Oliveira. Com um estilo pop congregacional contemporâneo, o single “Deus é Deus” tem tudo para agradar em cheio aqueles que o ouvirem. A canção fala que Deus é imutável, Ele continua sendo o mesmo, apesar de todas as nossas falhas. Ouça:

  • Rocklogia – Rebanhão 35 anos – o retorno

    De 2010 pra cá, muitos grupos, outrora sumidos, retornaram as atividades, ou fizeram pequenas apresentações. Stauros e Banda Azul voltaram com todo o fôlego, Complexo J fez algumas apresentações com alguns membros originais e Sinal Verde fez uma apresentação única… mas nada causou impacto em termos de público e imprensa do que a volta do Rebanhão em 2014.

    Quando o O Propagador surgiu, nós da equipe do site, decidimos trazer algumas matérias sobre a banda, e a cada ano, se possível, abordar um cantor ou grupo que já tenha encerrado as atividades. O retorno deste grupo foi praticamente uma surpresa pra mim, e veio exatamente na mesma época em que nós do site estávamos publicando muitos materiais sobre eles.

    Anteriormente a isso, Pedro Braconnot, juntamente com Anderson Freire, foi o compositor da canção “Ame Mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel. Em uma entrevista a uma revista em 2013 (que já está fora do ar), Braconnot afirmou que tocava com o Pablo Chies em alguns eventos, mas que estava difícil reunir o grupo, embora fosse uma vontade geral. No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro daquele ano, Pedro e Pablo fizeram uma surpresa e os três tocaram juntos. Carlinhos, inclusive, estreava pela Sony com o disco Lindo Senhor.

    Mais tarde, ainda em 2013, numa entrevista ao Super Gospel, Carlinhos falou um pouco sobre a banda.

    “Acho não. Estivemos juntos dia 25 de janeiro no meu aniversario, que era a festa de 40 anos da vigília de Bento Ribeiro. Foi emocionante. Sempre falamos que só faríamos se fosse uma produção maravilhosa, pois o Rebanhão merece. E o povo que curte também merece. Creio que a Sony faria isso com muita propriedade”. [Carlinhos Felix, sobre uma reunião em fevereiro de 2013, Super Gospel]

    O movimento continuou, e no final de 2013, Braconnot divulgou uma música inédita no iTunes, chamada “Mais que Palavras”, com a participação de uma de suas filhas nos vocais. Mais tarde, em seu Soundcloud, publicaria mais duas novas músicas, com a tendência mais congregacional existente em Vamos Viver o Amor: “Nada Mais” e “Amado da Minh’Alma” (esta última recebeu a hashtag #Rebanhão).

    Enquanto isso, Carlinhos e Paulo Marotta, nestes anos, tornaram-se intensamente críticos da pobreza de conteúdo do meio gospel. Marotta, em uma entrevista à MPC em 2000, diria que “é preciso tirar Jesus do rótulo e trazê-lo de volta para o centro“, e Felix, diria repetidamente, em entrevistas, que estava vendo muita música sem criatividade no meio. Paulo foi o único integrante do grupo a participar do Tributo a Janires, gravado no Som do Céu em 2003.

    Quando Braconnot, Felix e Marotta anunciaram a reunião do grupo, lembro que foi uma surpresa para todos, e imediatamente, a nova página da banda no Facebook passou a ser divulgada. Fernando Augusto ia participar, mas acabou ocorrendo algo que inviabilizou sua participação. Para completar, a banda chamou Pablo Chies para a guitarra solo, e trabalhou com o músico contratado Lucio de Paula para a bateria, durante os ensaios.

    Depois da volta, Pedro Braconnot e Carlinhos Felix responderam entrevistas aqui no site, falando sobre a carreira e projetos com o grupo. Durante os ensaios, se encontraram com Lucas Ribeiro, principal mente atrás da Sinal Verde, um dos embriões antecedentes do Rebanhão e Bené Gomes, líder do Koinonya.

    Depois disso, o Rebanhão acabou firmando uma parceria com a Mess Entretenimento, que fará a distribuição do futuro álbum de 35 anos do grupo.

    Abaixo, veja os blocos de uma entrevista com o Rebanhão veiculada pela TV Boas Novas e vamos aguardar as novidades do Rebanhão 35 anos.

  • Ser Ester Indica: 5 Cantoras que você precisa conhecer!

    Olá Meninas

    Hoje vamos falar um pouco sobre 5 cantoras que você definitivamente precisa conhecer. De estilos e abordagens musicais diferentes, elas têm em comum o grande talento e a alta qualidade em seus trabalhos. Do pop ao R&B, do folk ao pentecostal, essas meninas mostram que a música cristã nacional ainda tem muita coisa boa para mostrar.

    Venha conhecer e ouvir!


    AMANDA RODRIGUES

    11825170_846451428774367_3388779202479301429_nA cantora carioca Amanda Rodrigues faz parte do cast da Universal Music Christian Group e é, para mim, uma das mais gratas surpresas musicais de 2015. Com uma voz doce, interpretações certeiras e excelentes letras, a cantora pop, que trás referências da MPB e Folk, coloca seu disco, Sobre Ele, no rol dos melhores do ano. O álbum conta com a participação especial de Samuel Mizrahy na música Faz a Tua Paz Reinar, e do cantor norte-americano Jimmy Needhan em Refúgio. Entre as faixas, destaque para a música tema, a belíssima Vaso Novo, a ótima Seu Amor, além da romântica Mais.


    DEISE JACINTO

    10675788_996742957009300_8652641085730271482_nA cantora catarinense Deise Jacinto já ganhou destaque aqui na Ser Ester e volta a ser citada nesta lista por seu excelente disco Final Feliz. Lançando mão do Folk e da MPB, a cantora e compositora vem com uma proposta de fazer música leve como a vida deve ser. No álbum, Deise coloca sua voz doce em canções delicadas e com letras marcantes, como a faixa tema, a lindíssima Inventor do Tempo e as poéticas Me Leva e Rumores.


    ESTHER

    11988470_1061708327181111_3737399217302984842_nA linda sergipana Esther, com seu disco de estréia, Milagres que eu Preciso, apresenta um pop com flertes ao pentecostal super envolvente. Com voz doce, mas enérgica, e boas melodias, a cantora é uma grande promessa para o futuro de um dos estilos mais populares da música gospel nacional. Dentre as faixas, destaque para o single Entrega o Teu Caminho, a introspectiva Oração FeridaO Sinal e a empolgante Jesus está na Igreja.


    GISLAINE MATOS

    capaAinda no pop pentecostal, temos a curitibana Gislaine Matos com seu álbum Terra dos Milagres. Com músicas para serem cantadas em igrejas, vocais pesados e bem trabalhados e melodias ricas, a cantora apresenta um disco redondinho para conquistar grupos jovens de denominações pentecostais. Cabe aqui destacar as belas Vou me Abrigar e A Ti a Honra, além da vibrante Virás e da imperdível Serei Fiel.


    JESSICA AUGUSTO

    jessicaaugusto_jessicaaugustoaovivo_0548__AA500Ela é integrante do grande Coral Resgate para a Vida e cantora solo. Jessica Augusto é dona uma voz privilegiada, energia contagiante e talento incontestável. Fazendo uma Black Music de qualidade, com um back vocal afiado e melodias marcantes, o EP Jessica Augusto Ao Vivo é um belo registro de um estilo pouco explorado por artistas solo da música cristã nacional. Destaque para a ótima Poderoso Ele É, a envolvente Ele Pode e a empolgante Eu Sou Filho de Deus.


    E então, curtiram­­­?

    Essas meninas são ótimas, já estão nas minhas playlists e têm tudo para conquistar cada vez mais espaço na nossa música.

  • Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gênesis 1:27)

    “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;” (Atos 17: 26)

    Note que no primeiro texto não citei passagens bíblicas que dessem respaldo à minha tese. Por isso, quis começar a segunda parte com esses dois versos. Se você perdeu a primeira parte deste texto, leia aqui para entender melhor do que estamos falando. John Piper escreveu um artigo com 8 Motivos Bíblicos para Dizer: ‘Racismo Não!’, cujo texto comenta:

    “(…) Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus.”

    Vale dizer aqui que Deus não é “deus dos brancos” ou “deus dos negros”. Ele não é um orixá ou Padroeiro, Ele é o CRIADOR, único Deus e ele não escolheu um grupo étnico para chamar de filhos. Ele escolheu quem ele quis escolher e isso envolve negros, brancos, pardos, indígenas, mestiços e etc. A predestinação e escolha de Deus não envolve cor e sim graça. E como eu prometi no último texto, vou analisar algumas partes da música que considero fundamental serem pensadas por nós cristãos. Que Deus nos guie!

    “Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença / Chega! Sou voz das nega que integra resistência Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo / Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno / Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia / Basta de Globeleza, firmeza? / Mó faia! / Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia / Devasta esses otário, tipo calendário Maia”

    Essa parte é cantada pela lindíssima Drik Barbosa e esclarece o feminismo – não como algo patético e protestado erroneamente, mas de forma inteligente e esclarecendo que a mulher não nasceu pra ser poste e nem tapete – e o racismo. Abrindo um necessário parêntese, acho eminente entendermos que o fato das mulheres serem submissas aos seus maridos, isso não significa em nada que devem ser menosprezadas. Nós, homens, devemos entender melhor o que a Bíblia quer dizer com submissão ao marido, mas isso é assunto pra outro texto. Fecha parêntese. “Luta intensa nega a minha presença” esclarece o quanto a mulher negra ainda sofre em nosso país. Este texto nem precisaria ser escrito por alguém negro e brasileiro porque grande parte da população brasileira denomina-se negra. Mas infelizmente, isso é uma realidade nua e crua ainda.

    Uma amiga certa vez me disse que se sentia excluída nas rodas de conversas na faculdade porque boa parte da turma que estudava com ela eram brancos. O racismo nunca vai acontecer de forma bonitinha como pensamos, mas só o fato de você ignorar um negro de algo que ele deveria fazer parte, para mim, isso já é racismo. Outra vez, um colega disse que estava sendo vítima de comentários racistas na academia que ele malhava. Disse que todos os dias as pessoas ao seu redor faziam certas piadinhas dizendo: “Academia virou local pra todas as espécies agora né?” / “Rapaz, eu achava que só gente se interessava pra manter o corpo bonito“. Confesso que fiquei muito triste com isso e mais triste ainda por acontecer com alguém tão próximo de mim.

    Basta fazer uma pequena análise no seu dia-a-dia frenético e perceber o quanto o racismo está presente em nossas cidades. E você aí achando que quando um cara ou uma moça branca dos olhos azuis não sentava do seu lado na cadeira vazia no ônibus era porque não estava cansado. Não mesmo, isso tem nome e se chama preconceito. Ainda sobre a parte da Drik: “Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia“. Aqui é usado uma metáfora bem inteligente em referência a uma atriz famosa [Cláudia Raia] com o significado do seu sobrenome. Aquilo que raia, brilha, ou seja, tem foco, luz. Mas as milhões de Cláudia’s negras do nosso país, como são vistas? (fica a pergunta no ar)

    “Respeito, não vão ter por mim? Protagonista, ele preto sim / Pelo gueto vim, mostrar o que difere / Não é a genital ou o “macaco!” que fere / É igual me jogar aos lobos / Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele”

    Há algumas semanas atrás, a atriz Taís Araújo sofreu racismo após publicar uma foto no Facebook e isso reacendeu o debate sobre o tema no país. O mais intrigante nisso tudo, através do trecho cantado pelo Amiri mostra com é que se fala tanto em “direitos humanos” para proteger bandidos e esses mesmos direitos não embasam em nada aqueles que são vítimas de tal preconceito. E o respeito ao próximo? E eu sempre costumo dizer a esse tipo de gente: Já que sua cor é tão bonita, não precisa falar. Mas sem se deixar abater por esses comentários, o conselho que deixo é: Mantenha a classe e honre suas raízes. Você é negro sim, mas isso não é nenhum defeito. Não há nada de errado com você. O que há de (muito) errado é com os preconceituosos que estão naquela de querer dividir o mundo por cor.

    “Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle Meme de branco é: não trarão de volta yan, Gamba e Ringue”

    Essa é a parte do Rico Dalasam e infelizmente só mostra como a sociedade nos rotula: Negro é sinônimo de bandido e branco, intelectual. O meu protesto é: Vamos lutar contra o racismo. Não com armas e nem com xingamentos, mas de forma passiva mostrando que não precisamos abaixar a cabeça e nem se sujeitar a humilhações pela nossa cor, pois nós somos iguais, amados por Deus tremendamente como qualquer outra pessoa de qualquer grupo étnico. Na próxima semana, trago a parte final do texto com a continuação da música. Um brinde!

  • Rocklogia – Desafios para o novo movimento

    Fico muito feliz sempre quando vejo algum músico do novo movimento divulgando um dos primeiros textos que escrevi para a Rocklogia em 2014, sobre o assunto. E fico mais satisfeito ainda quando muitos cristãos veem, nestes artistas, questões muito interessantes sobre os desdobramentos do segmento evangélico no país (por seus lados bons e ruins).

    Mas antes de tudo, eu preciso dizer que não acredito mais na existência do novo movimento da mesma forma com a qual disse naquele texto. Acredito que um movimento, com contexto e raízes históricas, nos dias de hoje, não existe. Sim, existe a ideologia, mas o movimento não. E naquele texto, fiz uma confusão, pois não diferenciei o novo movimento como movimento e o novo movimento como ideologia.

    Confesso que os meus conceitos estão mudando conforme me aprofundo no assunto que, aliás, é ainda bastante complexo. Vejo que o contexto para a existência deste “movimento” já passou, e foi na década passada. Este pano de fundo foi quando os mais esclarecidos já observavam os rumos errados do chamado “meio gospel” e cresceu a falta de identificação ao “rock gospel” (toda aquela estrutura de eventos e gravadoras e a crescente letargia lírica). Sem falar nos fóruns cristãos, cheio de pessoas em busca de novidades que fugissem o lugar-comum. Nisso, o campo estava formado para novas ideias. E, particularmente, acho que de 2011 para cá, as ideias sobre um movimento foram esvaziadas. Se tudo é novo movimento, logo novo movimento não significa nada. O termo crossover, definido como um sinônimo, entrou no vocabulário dos diretores de gravadoras, artistas de vários gêneros, e a discussão, que antigamente era muito mais profunda, parece ter se limitado a discutir o possível alcance mercadológico da música produzida por esses músicos.

    Em contrapartida (uma divagação pessoal), parte do que alguns gostam de chamar de “pós-gospel” (estes artistas mais novos que tem despontado de uns quatro anos pra cá), para mim, não é nada mais do que um “gospel” que certas pessoas querem vender (ou simplesmente divulgar) como música popular. Então, particularmente, não creio que um novo movimento, organizado e concreto, exista hoje.

    E dentre os remanescentes do movimento, com o passar dos anos, alguns artistas procuraram embasar todo aquele descontentamento verbalizado em músicas por correntes teóricas. Foi aí que os nomes de Rookmaaker, por exemplo, caíram como uma luva para estas propostas. Naquele momento, a questão musical tornou-se muito mais ideológica (uma perda enorme, diga-se de passagem). Estas teorias bebem da fonte de clássicos da antropologia e sociologia nacional. Ver um músico cristão citando Sérgio Buarque de Holanda, por exemplo, é algo muito incomum para o que temos visto nas últimas décadas. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que o chamado ‘gospel’ (nada mais do que um rótulo bizarro surgido no início dos anos 90) é um mercado com letras maiúsculas: está muito bem articulado, forte e segmentado. Transitar entre os meios ‘populares’ e neste espaço, dependendo da forma como se é proposto, não faz sentido algum. Reforçando: Vejo que a proposta essencial do novo movimento era de questionar, proporcionar alternativas, restaurar o sentimento de muitos artistas cristãos aos tempos que antecederam o movimento gospel. Afirmar, ou utilizar-se do novo movimento como mera ideologia de mercado é usar de um reducionismo muito inocente.

    Mas, se o questionamento é de fazer uma música que provoque identificação para um público religioso e não-religioso, a questão fica ainda mais tênue e difícil. É impossível? Tenho a absoluta certeza que não. É interessante para o mercado gospel? Tenho a absoluta certeza que não. Mas, considerando que fosse, diria o seguinte:

    O preconceito, talvez, é a chave de toda a dificuldade de transitar entre o ‘gospel’ e o ‘secular’, o ‘profano’ e o ‘sagrado’. O crescimento dos evangélicos na população, o surgimento de todo um meio específico e segmentado para este público, ilhou e destruiu a maioria das pontes possíveis. Nos anos 70, era normal Wolô e Ozéias de Paula serem produzidos por Ângelo Apolônio (Poli). Nos anos 80, era normal o Rebanhão gravar com Jessé Sadoc, um dos melhores trompetistas do Brasil, trabalhar com Amaro Moço, engenheiro de gravação responsável por discos da Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Martinho da Vila. Era normal serem produzidos por Paulo Debétio, que trabalhou em diversos discos para a Polygram nos anos 80 e gravar uma composição de Tutuca Borba, tecladista/pianista do cantor Roberto Carlos. Sem falar na dupla Edson e Tita, que tocam até hoje com medalhões da MPB. Era totalmente aceitável Carlinhos Felix gravar com Paulinho Guitarra, um dos mestres da guitarra no Brasil. Mesmo após o início do chamado movimento gospel, não era estranho Resgate e Katsbarnea trabalhar com Paulo Anhaia e Rick Bonadio, este último que se tornou nacionalmente conhecido produzindo os Mamonas Assassinas, e até hoje é um produtor musical extremamente notável. Mais recentemente, ocorreu a ascensão de Dudu Borges no cenário sertanejo e como um dos produtores musicais mais caros do país, e sua consequente saída do Resgate fomentou novas discussões. Vi, por várias vezes, pessoas acusando-o de falso cristão, mercenário, ou coisas do tipo. Curiosamente, quando é entrevistado por grandes mídias, sequer citam que, por dez anos, trabalhou com o Resgate (sendo seis anos como integrante), e, no máximo, diz que gravou com músicos do gospel. Por que? Pela “aparelhagem” do meio. E, mesmo querendo ou não, introduzir-se neste mercado obriga o artista a abrir mão de várias coisas. No ‘gospel’, há regras, linguajar e propostas específicas e que dificultam muito o diálogo com qualquer meio que não seja o seu. Eles, com razão, não entendem o que nós produzimos.

    Em 2012, tivemos três coisas interessantes: Uma delas foi o discurso tido, por um portal de música não-religiosa, como confuso do álbum Sobre o Mesmo Chão, as fortes críticas do disco Este Lado para Cima e as polêmicas de Zé Bruno acerca de sua insatisfação com o meio gospel. Esses acontecimentos e registros reiniciaram uma discussão que precisa ser trazida constantemente para o nosso meio. Para questionar os que dizem que tudo é válido, questiono: Será que, realmente, esta popularização do gospel no mercado é real e benéfica? Será que, como evangélicos, as pessoas não tem sido apenas usadas e manipuladas como consumidores fiéis de produtos originais? Será que vale a pena renegar a cultura brasileira, a crítica, a alma artística, tão valorizada em clássicos dos anos 70 e 80, para importar e copiar, irracionalmente, o pop-rock-Hillsong-Gateway-Masterizado-No-Sterling-Sound nos anos 2010? Será que trazer de volta os clichês “Jesus-luz”, “Jesus-cruz” e “Jesus-conduz” não é cuspir em todo o esforço que cristãos das décadas anteriores tiveram para tornar a música feita por evangélicos mais criativa e menos caracterizada como mera propaganda fútil? Seja qual a resposta, é importante refletir.

    Por isso, talvez seja interessante bandas e artistas pensarem se o mais válido, no momento, seria se livrar de toda a estrutura e associação com o chamado meio “gospel” que, pelo menos em minha visão, representa todo o oposto do que querem fazer. Ou então, tentarem, à sua maneira, transformar o mercado, pois em seu estado atual, qualquer proposta de transgressão ao rótulo é impossível e desinteressante para toda a sua estrutura. Até porque, se definir adepta ao novo movimento e ter toda a sua agenda dedicada ao meio gospel é, no mínimo, incoerente.

    Antes do final, eu preciso pontuar algo que eu venho observando: é necessário também, aos grupos que conseguirem contratos com gravadoras, explicitar o que realmente se propõem a fazer. Um caso: há uns meses, estava visitando a página do selo gospel da gravadora Sony Music Brasil e notei que a Tanlan, por exemplo, estava sendo chamada, em um post, de “pop rock gospel”. Só que Tanlan é uma banda de rock alternativo, não de pop rock (engraçado que no Brasil, tudo é pop).

    Portanto, acima e independentemente de tudo, sigam fazendo o que todos os bons músicos fizeram e fazem: música com arte. Daqui a algumas décadas, veremos no que deu tudo isso.

  • Cantor Luiz de Carvalho morre aos 90 anos

    Nota sobre o falecimento do cantor foi dado em página oficial de Luiz de Carvalho por parentes.

    Um dos maiores intérpretes da música cristã, Luiz de Carvalho partiu para os braços do Senhor por volta das 4h30 da manhã de hoje (17), aos 90 anos de idade. Luiz deixou um legado impressionante de 40 álbuns lançados, 2 DVDs, um livro e várias gerações marcadas por suas canções.

    Fundador da gravadora Bompastor, Luiz foi responsável por lançar diversos nomes da música cristã tais como Cristina Mel, Paulo César Baruk e Jorge Araújo. Além disso, foi o primeiro cantor cristão a gravar um LP de 33 RPM.

    “Luiz foi um homem que deu sua vida pelas outras pessoas. São incontáveis os testemunhos que vemos e ouvimos de pessoas que foram aos pés de Cristo através dos louvores, testemunho e pregações de Luiz. 90 anos, dos quais sua maior parte dedicados a trabalhar por Jesus. […] Sempre humilde, foi cantar nos cantinhos mais distantes e inacessíveis deste grande Brasil. Viajou pela Europa e Estados Unidos pregando o evangelho, levando a mensagem de Cristo à todas as pessoas. Sua voz inconfundível e marcante entoava os louvores de maneira singela, e através destes louvores o Espírito Santo de Deus tocou no coração de milhares de pessoas. Não importava se a igreja era grande ou pequena, se tinha muita ou pouca gente. Luiz sempre estava disposto a ir, mesmo quando ficou na cadeira de rodas, aonde quer que fosse, para levar a mensagem Daquele que é o Autor e Consumador da nossa fé: Jesus Cristo, o nosso Senhor”, comentou a filha do cantor em nota.

  • Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã

    Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã

    No texto A Rua é Nós – Frase de um Missionário Urbano, disse aos meus leitores para procurarem ouvir mais o rapper Emicida porque, com certeza, iriam me ver falando mais dele aqui. E, conhecendo uma considerável parcela deles, sei que não estão naquela ideia maniqueísta e ultrapassada de gospel versus secular. Então, nesta semana, trago uma breve análise da música “Mandume”, parte do mais recente disco de Emicida, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… Mandume é um personagem cuja imagem é de um homem de grande porte físico, com o corpo descoberto e mais jovem. Mas a canção contém muitas informações contidas e vamos lá, oro para que esse texto lhe edifique! Em amor!

    É necessário citar algumas coisas da música fora da letra que são as suas participações especiais. Emicida sofreu duras críticas por parte de alguma feministas radicais que criticaram supostas mensagens machistas e ofensivas na música “Trepadeira”, do álbum anterior. Entretanto, se você ouvir a música com um pingo de atenção entenderá que não existe nada de machista na canção, a não ser que eu esteja muito errado do conceito de machismo. Mas, esse não é o foco do texto. Chega até ser de uma ofensa sem tamanho chamá-lo de machista, pois quem acompanha sua história desde 2010, por exemplo, sabe que várias de suas músicas contém participações de mulheres e algumas músicas bem românticas. E pra provar isso, Emicida chamou Drik Barbosa para participar da canção e é ela quem abre o rap, com duração de mais de oito minutos. Outro convidado ilustre é Rico Dalasam, primeiro rapper negro e homossexual no Brasil. Ele defende e luta por essas duas classes: negros e gays. O time é fechado com Amiri, Muzzik e Raphão Alaafin. A música, assim como todo o projeto, luta contra o racismo que infelizmente nos cerca e ainda é muito grande em nosso país. Eu também sou um expoente dessa luta contra o racismo. Em oportunidades que tenho de participar de eventos e palestras sobre o assunto, procuro trocar uma ideia bem positiva sobre o assunto.

    “Mandume” é uma das melhores músicas de toda a carreira do Emicida e aqui eu preciso levantar três questões sobre a música antes de analisá-la: Racismo, desigualdade social e hipocrisia. Os três conceitos andam juntos, mas com alguns impactos particulares. E o que o cristianismo tem a ver com isso? O apóstolo Paulo em Gálatas lutou contra o racismo quando quem estava fazendo isso era o próprio apóstolo Pedro. No livro Gálatas para Você, Tim Keller ilustra muito bem de forma teológica esse acontecimento. Dentro de nossos templos existe uma das maiores desigualdades sociais: Existe igreja para pobres e para ricos, para “normais” e para os de tatuagens, para os negros e para os brancos. Sim, por mais que você negue isso, existe isso sim em nossas comunidades locais. E sobre a hipocrisia, nem preciso falar nada, né?

    A música fala claramente dos negros e da luta diária contra o preconceito. O refrão, por exemplo, é enfático. Os versos falam claramente dos negros (até com o uso intenso de palavrões). Infelizmente, é assim como os racistas nos veem. Faço parte da maioria negra brasileira e também me sinto no direito e dever de defender minha cor. Nunca sofri racismo de forma clara, mas já fui o último da fila na escola pela minha cor. Isso é racismo. E os versos preenchem duas das categorias citadas: racismo e desigualdade. Por sermos negros e pobres, qualquer pódio que conseguirmos chegar, vamos ser vistos como “pessoas determinadas que venceram na vida apesar do lugar que vieram”. Moro em um residencial desses financiados pela Caixa Econômica Federal e tenho muito orgulho de morar onde moro e de vir de onde vim, mas isso não é motivo para abaixar a cabeça e dizer “sim, senhor” para tudo. Cristo, como Deus, fez um ótimo papel de homem aqui na Terra. Quando todos viravam as costas para as mulheres, ele as abraçou e perdoou seus pecados. Quando todos descriminavam os deficientes, ele os curou. E nós? Achamos que a única bandeira que temos que levantar é a de Deus contra o diabo, sem saber que o “diabo” pode estar em coisas tão mais próximas do que em filmes de terror como a descriminação, preconceito e corrupção.

    Quantos negros você vê sendo os protagonistas das novelas da Globo? Praticamente nenhum. Porque negro é sempre o cara que dirige para as madames, mantém a segurança do prédio, o humilhado. Negras são sempre as empregadas, as coitadas e humilhadas. O racismo não nasceu agora, séculos atrás já existia, só foi agravando mais e mais. O nazismo matou centenas e hoje a gente mata sonhos e autoestima de muitos com esse preconceito.

    Aguardem para a segunda parte desse texto que irei analisar as partes de cada rapper, por enquanto, ouçam a canção. Um Brinde!