Polemizando – Por que o compositor não é valorizado?

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Você certamente sabe quem canta aquela música do momento, aquele sucesso que não para de tocar nas rádios. Mas você sabe quem é o autor dela?

A maioria esmagadora do grande público desconhece quem são os compositores da maioria das músicas. Não é incomum encontrar aqueles que creditam, ao intérprete, o crédito exclusivo sobre uma canção, o que é um grande equívoco. Atrelado a isso, é possível notar o pouco interesse do mercado musical em mudar isso. Seguimos com cantores cada vez mais famosos e ricos e compositores citados obrigatoriamente apenas nas letrinhas miúdas do encarte cujo material a maioria do grande público não lê. Eu entendo que, no meio gospel, muitos vão dizer que não se deve buscar glória na Terra, nem reconhecimento humano o que é uma grande balela usada para silenciar os insatisfeitos, mas não se trata disso. Trata-se de equidade e justiça.

Isso porque, legalmente, o dono dos direitos autorais de fato é o compositor, não o cantor. O intérprete e demais músicos, produtores que estejam envolvidos na gravação de uma música possuem direitos conexos. Somente o compositor pode autorizar que suas canções sejam regravadas por outro artista, e não o intérprete. Somente ele segue tendo direito sobre todas as versões futuras. Ainda que este tenha repassado os direitos administrativos para uma editora (que neste caso pode ceder as canções ou monopolizá-las), o autor segue detentor dos direitos, recebendo uma parcela não muito expressiva dos royalties gerados pela canção.

Pelo menos é o que se espera. Vez ou outra surgem casos de compositores reclamando direitos não recebidos, seja por má fé, falta de conhecimento ou descaso com o artista por trás da música.

Em pleno 2015, em que a música digital é uma realidade, uma parte significativa dos lucros vem partindo desta nova fatia do mercado. Gravadoras e artistas independentes tem derramado CDs inteiros no YouTube, mas será que todos os compositores tem ciência de quanto suas canções rendem apenas nesta plataforma? Creio que nem os cantores saibam ao certo, já que ainda é tudo nebuloso e falta conhecimento.

Nas plataformas usuais, controladas mais severamente pelo ECAD, é possível ter uma noção mais clara deste rendimento, agora quanto às plataformas digitais ainda não é possível assegurar com precisão até que ponto cada artista envolvido numa canção recebe os repasses. Veja abaixo, um organograma dos repasses de direitos autorais e conexos:

Divisão

Se você é compositor, antes de assinar um contrato, veja quais são as cláusulas que envolvem também a distribuição digital. Se liga!

Para finalizar, deixo claro que quando falo sobre crédito aos compositores vou além de apenas cumprir com a obrigação de repassar a este o que lhes é devido, mas também de reconhecer este profissional como peça fundamental neste segmento. Sem compositor não há música!

Sei que muita gente floreia o ato de compor como algo natural ou entregue de bandeja por um anjo, mas acredite, compor uma música não é fácil. Não existe receita de bolo. Compor uma música que seja aceita pelo mercado é muito mais complicado que se parece. Portanto, ao ouvir uma música, pare por um instante e pense o quanto a pessoa que a escreveu se dedicou para criá-la e quão talentoso e hábil foi o dono  das mãos que cruzaram madrugadas dedilhando acordes para colocar em sons suas angústias, alegrias, sonhos e fé.

Quando você começar a admirar mais que o resultado final, vai entender que o cara por trás das letras geniais certamente merece um pouco mais de crédito.

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