Durante esta semana, foi divulgada, através da imprensa, a notícia de que o Hillsong NY havia colocado um casal homossexual para liderar o louvor. O caso obteve grande repercussão, não apenas local, mas também aqui no Brasil. Não podemos discutir a veracidade do fato, até porque já foi negado pelo pastor da igreja, mas podemos dialogar sobre o assunto.
A Hillsong, apesar de negar a presença do casal na liderança do seu ministério, afirma que os gays são bem-vindos lá. Brian Houston, pastor sênior da Hillsong, em um artigo publicado num blog da igreja, declarou: “Se você é gay, você é bem-vindo no Hillsong Church? Claro! Você está convidado a participar, cultuar conosco e participar como um membro da congregação com a garantia de que você será incluído e aceito dentro de nossa comunidade. Mas [aqui é onde fica irritante], você vai poder assumir um papel de liderança ativa? Não. Isso não vai deixar todos felizes e, para alguns, essa postura pode até ser vista como hipócrita. Somos uma igreja que acolhe o gay, mas não somos uma igreja que aprova o estilo de vida gay”.
Nem todos concordam de fato com a postura do Pr. Houston ou da Hillsong. Críticas continuam pelas redes sociais, mas a questão é: se a Hillsong está errada, qual deve ser, então, a postura correta? Qual deve ser o veredito da igreja ante os “gays evangélicos”? Eu usei as aspas, mas nem deveria. Afinal, sim há muitos gays dentro das igrejas evangélicas, inclusive pregando e ministrando o louvor. E nem precisa ser nenhum James Bond para encontrá-los.
Pode parecer irônico que a mesma a igreja que prega veementemente contra a homossexualidade e se coloca como oposição à luta homossexual, tenha entre seus membros numerosos homossexuais. Mais irônico – pasmem – é que, na maioria das vezes, a liderança conhece boa parte dos casos. Por que a igreja os ignora?
Você deve estar se perguntando como é possível existir gays dentro das igrejas mesmo com toda essa “caça às bruxas” promovida pelas instituições, mas garanto que nem é difícil assim entender. Primeiro: boa parte destes cresceu dentro da igreja e sair dela é bem mais difícil quando toda a sua família está lá. Portanto, é correto afirmar que suas vidas foram construídas dentro daquela realidade. Segundo: outros entram crendo ser possível, através da igreja, mudar sua “condição sexual” e acabam criando vínculos e mesmo construindo sua própria visão de cristianismo, em que é possível ser salvo se buscar o sacrifício e a negação “dos desejos carnais”.
De qualquer forma, eles estão lá e não parecem incomodar. A situação aparentemente harmônica muda e causa incômodo apenas quando surgem provas contundentes da vida do membro, a qual expõe publicamente sua condição sexual ou quando este assume, sem cerimônias, ser gay. Aí, nestes casos, vira um problema para a igreja. Podemos comparar isso com a situação das jovens que, enquanto não aparecem grávidas são virgens. E os pastores celebram o casamento sem nenhum problema. Isso soa como uma hipocrisia para você?
A igreja atual parece não chegar a um consenso sobre o assunto e qual deve ser a postura correta. O que se vê é uma repetição exaustiva de que a Bíblia condena a homossexualidade. Que Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Um dos versículos bastante usados para isso é o de Romanos 1:27: “E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”. No entanto, é possível apontar outros versículos que condenam outras posturas também como, por exemplo, a mulher ministrar com a cabeça descoberta: “Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu”.
O texto citado acima também foi escrito por Paulo, em sua carta aos Coríntios. Será que a igreja está “relativizando”a Bíblia? Sendo a Bíblia a regra para a correta vida cristã, não deveria esta ser aplicada integralmente?
As discussões que este tema já suscitou e ainda levantará são muitas e ironicamente não há um consenso nem mesmo entre as igrejas. Há quem acredite na chamada cura gay, a qual consiste na cura através da fé, removendo todos os desejos homossexuais. Em contrapartida, outros acreditam que a questão é comportamental e depende do indivíduo ter força de vontade e buscar a mudança de vida, tendo a igreja importante papel neste processo. Existe também uma vertente que não acredita no fim dos desejos, mas sim na abdicação destes, em que o indivíduo convive com o desejo homossexual, mas negando os desejos.
Cada visão citada, sendo ela a correta ou não, vai exigir uma postura diferente por parte da igreja. Independente da que for adotada, não podemos esquecer que Jesus morreu por todos indiscriminadamente. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo. 3:16). Além disso, se considerarmos o que Jesus disse em Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” não seria a igreja o lugar ideal para onde gays deveriam ir?
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