De volta à série Por que acreditar em Deus? , trataremos agora do primeiro argumento citado no post anterior: O argumento cosmológico.
O argumento cosmológico é um raciocínio filosófico que visa buscar uma causa primeira (ou uma causa sem causa) para o Universo (Geisler., 2002). Segue-se, portanto, que este é um dos argumentos mais utilizados atualmente para a existência de Deus.
Há três variantes básicas do argumento cosmológico, cada uma com distinções sutis, mas importantes, sendo estas: argumento da causa (do qual iremos tratar especificamente), da essência (essencialidade), do devir (tornando-se), além do argumento da contingência.
Desenvolvimento
O argumento cosmológico Kalam pode ser exposto com um silogismo simples:
- Tudo o que passa a existir tem uma causa.
b. O universo passou a existir.
c. Logo, o universo tem uma causa.
Observemos agora estas premissas detalhadamente.
Tudo o que passa a existir tem uma causa.
O nada não pode trazer o tudo à existência. É mais fácil, racional, e lógico, acreditar em MAGIA, pelos menos na magia nós temos a cartola e o mágico, já no outro caso nós temos apenas um coelho surgindo do “nada”.
O universo passou a existir.
O universo não pode ser resultado do nada, pois o nada não pode criar nada. Além disso o universo não é infinito, pois se assim o fosse então todos os eventos passados (pense na hipótese de um passado do universo infinito) na história do universo seriam infinitos.
Os matemáticos reconhecem que a existência de um número infinito de coisas leva a auto-contradições. Exemplo: quanto é infinito – infinito? David Hilbert, talvez o maior matemático do século 20, escreveu: “O infinito não pode ser encontrado em nenhum lugar da realidade. Não existe na natureza, nem fornece uma base legitima para o pensamento racional. O papel que resta para o infinito é somente o de uma ideia”.
Conclui-se que os eventos passados não são apenas ideias, mas são reais, então o número de eventos passados deve ser finito. Portanto o universo teve um começo.
Logo, o universo tem uma causa.
Sustentar a premissa da causalidade do universo não é uma tarefa simples, pois exige uma série de pré-requisitos para tal coisa,em outras palavras a causa do universo têm de ser transcendental, ou seja, não pode ser participante das dimensões do tempo e do espaço físicos, além de não ser constituída da matéria, ou energia finita, antes pelo contrário, esta causa deve dispor-se de poder inimaginável para trazer a existência o universo.
Resta-nos admitir que a criação do universo só pode ter sido causada por um ser pessoal etranscendental, sendo que este deve possuir os seguintes atributos: não-causado, atemporal, imaterial, e dotado de um poder inimaginável.
Não-causado (eterno) obviamente diz respeito a um ser pessoal que não está restrito à uma causa existencial, do contrário a ideia da “infinitude do universo” também seria válida. Deus é eterno (Salmos 90.2), portanto atende ao primeiro requisito!
Atemporalidade diz respeito ao “tempo”, ou seja, se o universo teve um começo, então ele não pode ser atemporal (eterno/infinito), sendo assim para que o mesmo fosse criado, seu criador (ser pessoal) não poderia pertencer à dimensão do tempo, ainda ouço dizer que o “tempo” foi criado por esse ser pessoal e transcendental. Nosso tempo não é o tempo de Deus, além disso Ele não está restrito à dimensão que criou(2 Pedro 3. 8)!
Imaterial trata da separação entre esse ser pessoal da matéria e energia finita. Entendemos que Deus é Espírito (João 4. 24), portanto essa descrição é coerente com a bíblia!
Poder inimaginável é fator indispensável para causalidade do universo. Um ser pessoal fraco, ou limitado, não poderia ter formado o universo com tamanho “equilíbrio” e singularidade. Deus é todo-poderoso (Jó 26. 14; Salmos 147:5)!
Conclusão
Podemos concluir que o argumento cosmológico é uma das mais simples e eficazes provas da existência de Deus, sendo extremamente prático, lógico, e racional. Se você quer aprender sobre este e outros argumentos, então fique ligado na coluna Deus em Debate e, é claro, deixe seu comentário, elogio, ou crítica abaixo. O importante é seu feedback.
Referências
Geisler., N. (2002). Argumento Cosmológico. São Paulo: Enciclopédia Apologética.
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