Fronteira – A pergunta do século: a zoeira nunca acaba?

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A famosa frase advinda do Facebook, a qual deve ter se originado em meados de 2012/2013, “the zuera never ends (a zuera nunca acaba)”, conquistou milhares de seguidores fiéis, transformando a cultura da rede social. Porém, junto com ela, veio seus extremos cujo desconforto nos faz repensar uma grande questão do novo século: a zoeira nunca acaba?

A revolução da zoeira trouxe mudanças socioculturais à comunidade em geral, transformando-se numa importante ferramenta social, de construção de indivíduos, sendo até mesmo uma relevante máscara para a própria socialização. Ou vai me dizer que alguém com status de “zuero” não está um passo a frente ao sucesso nas relações sociais?

Porém, arrisco dizer que o maior problema do homem é a falta de equilíbrio que, consequentemente, causa outros milhares de problemas a si mesmo, ao seu próximo e ao meio ambiente. Por que a falta de equilíbrio? Porque tudo tem seu devido lugar e contexto. Logo, se você retirar uma coisa do seu espaço, é como um castelo de cartas: todas as outras saem da sua devida posição e o castelo desaba. E é justamente o desequilíbrio interior que ocasionou um terrível dilema nessa sociedade pós-moderna: a zoeira desregulada.

De um primeiro ponto, a análise das brincadeiras com características físicas, psicológicas e de escolhas individuais demonstram que em boa parte das ocasiões a zoeira tem extrapolado seus limites, infringindo a liberdade do próximo, e desrespeitando o seu semelhante. O famoso “humor negro” é uma das espécies de brincadeiras que mais tem piadas de mau gosto, sem falar na quantidade de “zuerinhos” de Facebook com comentários e posts altamente ofensivos.

Numa forma de erradicar esses dilemas sociais, deve-se sempre pensar se o que se publica vai afetar a quem propriamente pode ver isso, a deixar apenas de enxergar o seu próprio ponto de vista, e perceber as divergências com a sociedade ao redor. É claro que o “vitimismo”, o ego exacerbado, que se ofende com qualquer coisa, deve ser colocado em pauta.

O segundo ponto é o uso da zoeira para desequilibrar debates, como arma de ofensa ao adversário ou até para mudar os rumos do próprio. A verdade é que geralmente a zoeira é usada num debate por causa da falta de argumentos, como as benditas frases (ironia) de impactos, como “mimimi”, etc.

O último ponto é o que eu vou reforçar nesse texto. O maior problema da zoeira são as consequências que ela traz para a falta de compromisso com questões que envolvem seriedade, como eventos relacionados ao cristianismo e a prática da fé. Eu já participei de situações cujo contexto pedia atitudes responsáveis, mas as reações não eram movidas pelo decoro. Um exemplo foi numa ocasião, em que eu estava realizando um evento de rock “cristão” (vale colocar aspas no cristão pelo fato de lá estar priorizando o cristianismo, não o rock, o qual parecia não estar acontecendo, na prática) em uma praça pública, juntamente com uma galera. Havia um grupo de adolescentes por perto, passando por problemas relacionados com o excessivo consumo de álcool, sendo que alguns estavam vomitando e outros deitados no chão. Qual foi a atitude nossa: zoar o pessoal à nossa parte, sem oferecer ajuda aos próprios. Senti-me como mais um nesse mundo de gente gospel, sem fazer a diferença com ações.

Outra situação nada saudável que a bendita zoeira tem criado são os famosos selfies, fotos em locais de orações, cultos e congregações: “Oh, espere, deixe que todos vejam o quanto que eu sou religioso e louvo a Deus”, bem incoerente com Mateus 6. Muitos projetos têm sido fadados ao fracasso quando o objetivo é atropelado pela zoeira, sendo que a própria é apenas um meio.

Outro fato é que o culto a Cristo e o aprendizado tem sido colocado de lado nas congregações contemporâneas em troca de eventos ricos em brincadeiras, jovialidades e coisas do tipo. Isso tem adoecido a igreja, pois ela é completamente dependente do fundamento encontrado em Cristo. Portanto, uma igreja jovem sem Cristo, continua sendo superficial e vazia.

Com todos esses tópicos resta apenas uma resposta para a pergunta do início: a zuera acaba sim, e tem seus limites.

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