Categoria: Colunas

  • Conectados no Amor – Pensamentos acerca de “Incomplete”

    Eu desde que percebi a profundidade das letras do Switchfoot, me tornei um fã declarado. Um dia me deparei com a canção “Incomplete”. A sonoridade é muito boa, sério. Mas a letra… a letra é espetacular. Num outro dia, eu estava refletindo em um evangelismo baseado nos versos dessa obra. Sem delongas, vamos à poesia.

    Ele está lavando seu rosto para iniciar o seu dia
    Ele é solitário, solitário, sozinho, sozinho
    Nada no espelho sempre lhe mostra o que está dentro

    Ah, doce solidão, ela é como aquela pessoa silenciosa, invisível: está sempre lá, mas ninguém vê. Como diz o Raul Seixas, eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso que estou abestalhado, que estou decepcionado. Parece que as nossas coisas não serviram para nada, em?

    A gente tenta despistar as coisas que não são compreendidas por esse mundo com coisas desse mundo. Nada no espelho sempre mostra o que está dentro. A solidão é sempre procurada nas coisas visíveis. Mas quando você acordar de sua cama e for ao espelho, ele vai mostrar apenas… você.

    Agora ele está verificando as faces
    Na parte de trás do leite
    Ele é azedo com toda esta pressão
    Ele acha que a pessoa desaparecida olha um lote terrível como ele

    Opa, o homem só é aquela coisa que acabei de dizer: depois das festividades, fica azedo e chato. E quem não está só? Quem não está azedo, por trás de uma aparência de um bom leite, quem não se tornou uma propaganda enganosa? A solidão é um caminho de várias mãos. Melhor, a solidão é uma mão de vários caminhos. E continuamos perdidos, desaparecidos, com a saudade em forma de solidão.

    E ele começa seu motor
    Mas ele sabe que está faltando engrenagem

    Propaganda enganosa. Essa é pior daquelas que a gente vê na TV. Imagina um cara que quer vender um carro, mas o carro vem sem engrenagem. Pois é, isso no mínimo deveria ser cadeia. Acho que nossa hipocrisia vende uma ideia tão glamorosa de nós mesmos, que não sabemos o quanto vamos pagar por isso, pois ao contrário dos direitos dos consumidores, a lei divina é justa de verdade. Não temos um motor, vida, força, ânimo para caminhar. E ainda pretendemos ser uma marca de leite bonita.

    Incompleto
    Onde você se encontra?
    Incompleto
    Onde você se encontra?
    Porque você é a pessoa em falta
    Etapa fora de sua dúvida
    E deixe-se ser encontrado

    A partir de agora, vamos nomear o homem amigo da solidão, ou melhor, nos nomear: Incompleto. Se você ainda não quiser ir pra cama, desistir de viver, posso te ensinar uma verdade: você é incompleto. Isso mesmo, você não tem algo que te faça caminhar, e está morto por dentro. E nesses vários caminhos que você tomou, está perdido, em dúvida, sobre o que você é e para que foi feito. Agora me responda: quer a resposta? Esqueça suas dúvidas, e olhe para o alto.

    Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” João 14:8

    Ele está doente da corrida apenas para salvar a face
    Ele é amarrado e tentou, ele é doente e cansado
    Cansado dos buracos que estão o fazendo incompleto

    Voltemos a falar da realidade do homem. Uma pessoa incompleta tem seu destino fadado a lutar pela sua própria barriga, para saciar a fome que nunca é satisfeita. Cheio de espaços vazios, desordens interiores, e buscando algo para preenchê-lo. Seus dias são como uma corrida onde ele tem que correr para sobreviver, e sua alma permanece cansada da esteira maluca chamada tempo.

    Ele vai empurrar o pedal para o chão
    Como no dia anterior
    Ele está tentando estar sempre tentando
    Tente encontrar um fim para justificar seus meios

    Frases de auto-ajuda, palavras e energias positivas, mantras e muita, mas muita positividade para todos querem tentar e continuar tentando fugir da escuridão chamada Vazio. Somos repartidos, pois perdemos o fim supremo. A gente cria meios e mais meios para lutar por outros meios, mas continuamos sem uma finalidade na vida. O que chamamos de fim são apenas meios, e uma criatura que vive pelo meio (trocadilho), é apenas incompleta.

    E ele começa seu motor
    Mas ele sabe que está faltando engrenagem

    Já disse que tudo isso é apenas uma propaganda enganosa, estante de ideias vazias e supérfluas. A engrenagem é o fim de todas as coisas, e também o princípio.

    Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro.

    Apocalipse 22:13

    Incompleto

    Onde encontrará a si mesmo?

    Incompleto

    Onde encontrará a si mesmo?

    Pois você é o desaparecido agora

    Afaste-se das suas dúvidas e deixe-se ser encontrado

    E deixe-se ser encontrado, e deixe-se ser encontrado

    Eu só sou alguém quando eu estou em Deus. Sem Ele, sou apenas um esquecido no meio do escuro, no meio da sociedade. Na escuridão, tudo é igual, tudo é morto, as histórias são sempre iguais, as pessoas são iguais. Nesse mar de crescimento de amor próprio, elas estão confusas sobre o próprio amor. Eu só amo quando Deus está em mim e eu nEle. Um ser incompleto nunca é ele mesmo.

    E ele começa seu motor

    Mas ele sabe que está faltando engrenagem

    Está faltando a peça principal do seu motor, e ele não vai acelerar desse jeito.

    Incompleto

    Onde você se encontra?

    Incompleto

    Quando você vai amar a si mesmo?

    Porque você é a pessoa em falta

    Etapa fora de sua dúvida

    E deixe-se ser encontrado

    E deixe-se ser encontrado

    E deixe-se ser encontrado

    Sabe, a solidão não foi feita para nós. Estar no meio de multidões não te faz uma pessoa sociável e nem uma pessoa que prefira a solitude estar imersa na solidão. A solidão é a falta de companhia de seu próprio interior. Volte-se consigo mesmo, conheça a ti mesmo. Conheça seu interior. Todos querem um amigo, um amor, um pai, uma mãe dentro de si mesmo, para desabafar, chorar, e descansar. Cada um de nós ao se deparar com o grande Eu Sou, finalmente se torna um Eu, unificado ao grande Eu Sou. Alguém para depositar as tristezas, para descansar, para encontrar o amor de verdade. Fora disso, somos apenas incompletos.

    https://www.youtube.com/watch?v=Qu8yqwWnIqI

  • Rocklogia – Asas

    Após Armagedon, último disco do Kats tendo Brother Simion como líder, algumas coisas ocorreram. O cantor lançou mais um disco solo, chamado A Promessa, que, como dito em outro post, é talvez o seu pior trabalho. No entanto, em 1998, o vocalista lançou mais um projeto individual, que desta vez foi um divisor de águas e com certeza foi um impulso para que deixasse o Katsbarnea no ano seguinte: Asas.

    Muito do que há nos primeiros discos de Brother é folk. Canções simples, tocadas em voz e violão. Entretanto, o músico mudou levemente sua lógica em Asas, inserindo outros elementos e gêneros, como o techno e o hard rock. As composições estão claramente mais apuradas, com várias temáticas contextualizadas. A mais gritante é, sem dúvida, a questão ambiental. Com duas músicas diretamente relacionadas à problemática (“SOS Terra” e “Tempestade”), há uns arranjos bons aqui e ali, e no geral nota-se que algumas faixas podiam ser facilmente canções do Katsbarnea (inclusive, Jadão participa em algumas com seu baixo característico).

    “Liberdade” tem uma temática recorrente por Simion, a respeito da pseudoliberdade humana, criticando o uso de drogas por indivíduos que estão aprisionados por seus vícios. “Etério” vem de O Som que Te Faz Girar, desta vez com uma gravação mais recente e com arranjo leve. “Canguru Águia” é certamente a mais forçada e fraca do disco. Apesar de sua proposta, o resultado final não combinou com o estilo de Simion (mas valeu a intenção!). O crossover deu mais certo em “Reggae Street”, com sua pegada gostosa de ouvir. “Hey Brother” recupera todo o entusiasmo do músico em falar de temas atuais, citando em sua letra, por exemplo, a ‘era nuclear’, com preenchimentos vocais de Anhaia e Fontenele. “I Hope You See Light” fecha o CD melhor do que começou, com uma vibe hard rock com riffs de guitarra afiados. Penso o quanto a música seria ainda mais forte se tivesse sido gravada originalmente pelo Kats sem o uso de bateria eletrônica. Mas a faixa mais grandiosa do álbum, embora dotada de grande simplicidade, é a sua faixa-título, “Asas”, que naturalmente tornou-se um dos maiores sucessos do frontman.

    O disco foi produzido pelo rapper Amaury Fontenele, que claramente impulsionou a influência eletrônica de algumas faixas (que seria o ponto central do álbum seguinte, Na Virada do Milênio). Paulo Anhaia, que anteriormente produziu Armagedon e os clássicos da Oficina G3 (Indiferença) e Resgate (On The Rock) faz-se presente, tocando baixo e atuando como engenheiro de áudio, back vocal e mixagem. A parceria de Simion com Estevam Hernandes prossegue, com todas as músicas assinadas pela dupla (embora muitos afirmem que os créditos são simbólicos).

    https://www.youtube.com/watch?v=APwRHJinCrM

    Em meados de 1999, o Katsbarnea praticamente já tinha se transformado na carreira solo de Brother Simion. Há um erro histórico por conta de alguns autores, em que afirmam a saída do cantor. No entanto, a banda deixou de existir de forma natural. Certamente, não fazia o menor sentido manter em existência um grupo que trocava constantemente sua formação e tinha apenas como compositor Brother. Todavia, surpreendente, o nome Katsbarnea retornaria em 2000, com uma nova formação, totalmente desvinculada de seu ex-líder e fundador. Mas isso é assunto e explicação para um próximo post

  • Limão com Mel – Ser fã é saudável?

    Não há mais como voltar atrás. O termo “fã” já foi incorporado ao vocabulário do mundinho gospel. Mas ser fã é saudável? Até quando?

    Pra começo de conversa, o “fã gospel” (rs) sempre existiu. Hoje ele apenas “saiu do armário”, se assumiu. Pelo menos foi-se a hipocrisia. Ponto positivo.

    Mas… nem tudo é positivo. Há uma confusão e grande quando o assunto é ser fã. Segundo o Dicionário Web, fã é: Pessoa que tem grande admiração por artistas (de cinema, teatro, televisão) ou figuras populares (campeões esportivos, jogadores de futebol etc.). Admirador.

    Quem não admira algum cantor ou banda/ministérios? Sempre há aqueles que preferimos, que gostamos de ouvir e comprar os CDs assim que lançados. Normal. Por mais “santo” que alguém seja, não é possível que não nutra admiração a ninguém.

    O problema visível hoje é que muitos extrapolaram esse limite faz algum tempo. O fã vem virando (já virou) fanático, desprovido de senso crítico, cujo seu admirado (ídolo) torna-se um semi-deus. Um ser inalcançável, incomparável e perfeito!

    Vai alguém criticar ou questionar pra ver uma coisa… (sugiro que não façam isso a menos que não tenham problemas em serem depreciados pelas fãs).

    Veja o que o Dicionário Web diz sobre fanático: Paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma religião, doutrina, partido etc. Dedicação excessiva.

    Soa familiar? Ninguém pode criticar o “ídolo” que vira alvo dos fãs. Infelizmente, algo comum de se ver principalmente nas redes sociais. E o que falar daqueles que criam rivalidades entre cantores? A “guerra santa” dos fãs rola solta. Até parece que Jesus não vem mais…

    Não é objetivo deste texto afirmar o que seja certo ou errado. Mas sim levantar uma reflexão do nosso papel como “luz do mundo”. Lembremos do que disse Paulo aos Coríntios (1 Co 6. 12): “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”

    Será que o fanatismo convêm ao povo que se diz sal da terra e luz do mundo?

  • Ser Ester – Leo e Amanda: A história do primeiro beijo no altar

    Olá meninas!

    A Ser Ester vai apresentar hoje uma história super bonita e que está alcançando milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Trata-se do casamento de Amanda e Leonardo, o jovem (E LINDO!) casal do Mato Grosso do Sul que deu seu primeiro beijo no altar, após um namoro de 1 ano e 3 meses.

    Eles são evangélicos, lindos, jovens, inteligentes, formados (ela em direito e ele em fonoaudiologia), bem sucedidos e escolheram esperar o casamento não apenas para iniciarem no sexo, mas também para trocarem, no altar, o primeiro beijo.

    Leo e Amanda

    O mais bacana da história é que eles não se importaram em expor a história, mas a usaram para incentivar outros jovens a manterem um relacionamento casto até o grande dia.

    Em uma cerimônia jovial, cheia de gente bonita e divertida, com direito a padrinhos dançando na entrada, plaquinhas fofas e muita animação, Leonardo e Amanda se beijaram após o “sim”, ovacionados pelos convidados em um misto de alegria e emoção.

    Mais romântico impossível.

    O vídeo resumo da cerimônia que aconteceu em setembro do ano passado chegou a marca de 1 milhão de visualizações, segundo informações da coluna Lado B do portal Campo Grande News.

    Vem ver que o vídeo é imperdível!

    Para ver mais fotos do casamento (LINDO!) tem post no blog do fotógrafo Lisival Junior, amigo do casal e responsável pelo registro da cerimônia.

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (parte final)

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (parte final)

    A nossa série de textos tão intrigante chega em sua fase final. Diante mão, quero ressaltar que essa é apenas uma simples visão. Não se limite a esses textos que escrevi, busque saber mais e conhecer mais sobre o assunto. Nesse artigo falo sobre os prédios ditos como sagrados. E na maioria das vezes, são chamados de igreja. O que diferencia um prédio de uma empresa para um de uma denominação cristã? Chefe e pastor, salário e dízimo, empregados e fiéis, se confundem. Mas por favor, não me interpretem mal. Não estou afirmando e nem induzindo que, as congregações [igrejas] são empresas religiosas ou comercio da fé. O que quero dizer, é que há uma semelhança mesmo que pequena, no sentido organizacional dos templos com os de uma empresa comercial. Escrevo isso como um técnico em administração. Agora, falando como um simples cristão, digo que isso é muito perigoso. Pois com semelhanças assim, correm-se sérios riscos de se tornarem de fato, uma empresa, e não um lugar onde se louvam e adoram a Deus celebrando Suas misericórdias. Nesse texto quero aplicar fatos verídicos que vivi como ponto concreto do que proponho passar aos caros leitores.

    Atualmente, estou bem distante de congregações. Porém, sou bíblico, vivo em igreja. Há um ano me reúno com minha família e amigos em um grupo ministerial chamado Adoração Livre. Acreditamos que é sim projeto de Deus, pois resistimos a tempestades, resistimos ao ego tentador de querer fazer o que queremos pelos desejos carnais, resistimos aos “não dá pra ser crente sem congregar”. Congregar. Essa parte é importante pois eu congrego sim. Nós congregamos. Não numa congregação específica onde nós precisamos ir até lá, mas estamos congregados em Cristo vivendo em união como igreja. Notou a diferença? Eu não posso me reunir com duas ou três pessoas, atender clientes e chamar aquilo de empresa, pois a estrutura física e mesmo burocrática, não condiz com os padrões de empresa. É necessário uma matriz física a qual as pessoas tenham ciência do que se trata. Mas eu posso me reunir com duas ou mais pessoas, viver com elas em Cristo e juntos sermos igreja. Por isso igreja e empresa não podem se assemelhar. Seria uma heresia para os fiéis e falcatrua para os clientes.

    Portanto, também não digo que precisamos ou devemos abandonar nossas congregações, até porque somos aconselhados biblicamente a não fazer isso (Hebreus 10:25), mas digo que não podemos fazer de nossa congregação um templo de egos, ou visitar o lugar afim de me sentir melhor ou por cronograma ministerial. Temos que fazê-lo por amor e para a glória de Deus (I Co 10:31). Caso contrário, estaremos sendo ativistas religiosos e fazendo de nossas congregações o que o próprio Jesus rejeitou: um comércio. Não dá pra vender fé e nem esperança. Fé e esperança são inegociáveis. Então assim encerro essa serie de textos: brindando o bom senso e dando um grito de liberdade intelectual para que entendamos que nossos prédios “sagrados” não passam de construções humanas a qual Cristo jamais vai habitar (At 17:24). Somos nós que constituímos a a igreja de Cristo. Vivendo em unidade e amor! Um brinde!

  • Conectados no Amor – Um diálogo com “Instead of a Show”

    É um fato quando se fala sobre hipocrisia na igreja. O lugar dos doentes, dos fracos, de quem realmente viu quem é, virou uma casa de super homens construtores de máscaras. Se o carnaval é um verdadeiro baile de máscaras e folias, pode-se dizer que numa congregação há um o ano inteiro. E é justamente isso que retrata uma bela canção de Jon Foreman em carreira solo.

    “Instead of a Show” é um folk muito bom de ouvir. Mas para uma boa canção como essa há uma letra mais bela e brilhante ainda. Nos seus primeiros versos já se percebe uma influência bem forte de Isaías 1.10-19.

    11. De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas?, diz o Senhor. Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes.
    12. quando vindes apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios?
    13. De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa.
    14. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas.
    15. Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue,
    16. lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos.
    17. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.
    18. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!
    19. Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra;

    Isaías 1:11-19

    Lembrando muito bem essa passagem bíblica, assim começa a canção:

    Eu odeio todo o seu show e pretensão
    A hipocrisia do seu louvor
    A hipocrisia de seus festivais
    Eu odeio todo o seu show

    Sim, a letra é bem forte e contra esse rótulo gospel. A composição retrata Deus como o eu lírico falando para seu povo. Expressa a revolta contra os shows interpretados pelos músicos da cena gospel. O show, antes de tudo, tem um foco somente em representações humanas como sendo o poder de Deus. A emoção e força dos “grandes cultos”, com destaque às sensações humanas, e não ao Deus em si. Mas como diz “A Lição” da Oficina G3, “será que o sacrifício valeu, só pra trazer emoções, enquanto as lágrimas caírem, e não tocarem o coração?

    Passa a intensidade da adoração cheia de emoção e na hora de provar se houve ou não uma mudança de coração, não há atitudes que o provem. Deus odeia a hipocrisia desses shows chamados cristãos.

    Longe da sua adoração barulhenta
    Longe dos seus hinos barulhentos
    Eu tapo meus ouvidos quando você os canta
    Eu odeio todo o seu show

    E essa é exatamente a hipocrisia de nossa adoração vã que não passa do teto. Como diz em Salmo 66.18, se nossa oração se volta ao nosso ego, ela foi feita para engrandecer a nós mesmos, não a Deus, e por isso essa glória é vazia.

    Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;” Salmo 66.18

    Em vez disso, deixe que seja uma inundação de justiça
    Um processo sem fim de retidão
    Vivendo, vivendo
    Em vez disso, deixe que seja uma inundação de justiça
    Em vez de um show

    Ao invés de shows e grandes eventos cristãos, troquemos isso por ações que comprovem a nossa crença, pois a fé sem obras é vazia. Em vez de adorações vazias, que a nossa vida inteira seja uma entrega, tanto fora como dentro da igreja, que possamos parar com essa divisão de santo e profano no nosso viver.

    Seus olhos estão fechados quando você ora
    Você canta certinho com a banda
    Você lustra seus calçados para os serviços
    Mas tem sangue em suas mãos

    Qualquer boa atitude feita com a intenção para comprovar que você tem um bom caráter ou para se exibir diante dos homens é um fruto duma cegueira de não se enxergar, de nunca ter se encontrado com Cristo. O verdadeiro filho de Deus não faz algo para mostrar que é bom, mas porque tem consciência do que o próprio Eterno fez por ele e com ele. Um justificado ama ao seu irmão porque Deus o ama.

    Mateus 6:1-8:

    1. Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.

    2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

    3.Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;

    4. Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.

    5. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.

    6.Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.

    7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.

    8. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”

    Não se assemelhe a fariseus que tentam construir imagens de si próprios, mas não conhecem a si mesmos. Não faça nada que tente provar algo, pois ninguém conseguiu. Seja quem você é, não mostre aos outros outra pessoa de seu ser. Se você quer viver diferente, seja diferente.

    Você virou as costas para o desabrigado
    E aqueles que não se encaixam nos seus planos
    Terminam fazendo jogos da religião
    Tem sangue em suas mãos

    Esse é o exemplo de tantas igrejas da prosperidade. Demos as costas para os aflitos, e nos voltamos aos jogos e mercados da religião. Pequenas igrejas, grande negócios, é a pura ideologia de muitos templos dos nossos dias. Cristianismo é lugar de pessoas aflitas, desesperadas, com fome de espírito, pessoas que não tinham um valor, mas encontraram o verdadeiro sentido de viver no evangelho, não heróis, mercadores, grandes homens, indivíduos que creem ser o melhor, o mais abençoado, etc. E assim como Deus fez conosco, nos livrando do mal e de nós mesmos, a ponto de se entregar para nos salvar, devemos fazer com nossos irmãos, não porque eles mereçam, mas porque Deus nos ama.

    Ah! Vamos discutir isso
    Se seus pecados são sangue vermelho
    Vamos discutir isso
    Vocês serão brancos como as nuvens
    Vamos discutir isso
    Acabam se fazendo de tolos

    E é claro que toda essa santidade fingida tem que ser discutida, debatida e criticada. O nome de Deus vem sendo usado em vão por teologias emocionais e cultos extravagantes (isso mesmo), que ao invés de conduzirem indivíduos ao arrependimento, levam-nas ao pecado.

    Dê amor para aqueles que não conseguem amar
    Dê esperança para aqueles que não tem
    Erga aqueles que não conseguem se erguer
    Em vez de um show
    Eu odeio todo o seu show

    Cristo, antes de pregar as boas aventuranças, chamavam os homens ao arrependimento, ao reconhecimento do pecado e do estado de si mesmo, e assim, com a consciência da própria aflição por não ser quem deveria ser, Ele pregou a esperança sobre todas as ansiedades e preocupações humanas, sobre o medo de não se tornar um ser completo.

    Quando alguém se encontra em um estado de tristeza por falta de dinheiro, fome, ou qualquer adversidade terrena, costuma entrar em contato com a verdade que os acerca, com a pequenez de suas vidas, com ideia de que tudo passa, e aí é que o desespero captura a sua alma. É como se tudo o que os segurasse, caísse e não sobrasse mais nada. Mas a função do cristão é dar esperança para todos que chegaram nesse estado, nesse reconhecimento, que sobre o vazio do mundo, há uma verdadeira vida. Não porque o cristão seja o dono da fé, mas porque ele mesmo também foi um aflito, mas Deus teve misericórdia dele.

    Essa canção pode expressar melhor o que eu não poderia oferecer em um texto como esse, mas que ela possa tocar os corações dos que sabem que essa realidade tem consumindo as nossas igrejas.

  • Rocklogia – Metal Nobre

    A banda brasiliense Metal Nobre surgiu em meados de 1997, quando, por um sonho, o baixista Kenney teve a ideia do nome para o grupo. Até os dias de hoje, da formação original, além de Kenney, sobrou o vocalista JT (foto), mas vários discos foram lançados. No ano seguinte, saiu o primeiro projeto, de título homônimo, mas a banda alcançaria um reconhecimento maior através de Revelação, seu sucessor.

    O divisor de águas na carreira do Metal Nobre foi o ao vivo Nas Mãos do Senhor, de 2002, que conteve as canções de maior notoriedade dos discos anteriores. Lançado pela Gospel Records, o disco impulsionou o lançamento de mais um inédito, chamado Ao Teu Lado, que incluiu o estilo característico do hard rock da banda contido nos projetos anteriores, mas com a inclusão maior de baladas.

    Após um longo tempo sem inéditas, a banda apresentou Alta Voltagem em 2008, com “Guerreiro de Deus”, destaque no projeto ao vivo sucessor. Made in Brazil, de 2012, foi gravado em vários locais do país, e foi produzido com toda a dificuldade de um trabalho independente, mas o resultado final não deve em nada em relação às bandas do mainstream. Afinal, Metal Nobre é, mesmo assim, um dos grupos mais conhecidos na história recente do rock cristão brasileiro.

  • Um Brinde – “Primeiro Andar”

    Um Brinde – “Primeiro Andar”

    Andamos em círculos, muitas vezes sem saber ao certo para onde ir, buscando o que nem sabemos que queremos. “Eu preciso andar, um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou” – Rodrigo Amarante. É nesse sentido que as coisas caminham: nem sabemos quem de fato somos e já queremos mais e mais. Humanismo capitalista. Sabe, eu aprendo muito com a minha rotina. Não deixo nunca que ela se torne fadigante e chata. Tento dar sempre um extra para que os dias não sejam todos iguais. A rotina por si só não é chata, o chato são os dias repetidos. Eu escolhi andar. Acredito que só esperamos o que temos um certo grau de certeza. Deus não me prometeu nada terreno a qual tenha um prazo que preciso esperar a não ser Sua volta. E se esperar é caminhar, eu decido andar. “E o que eu vou ver? Eu sei lá“. Repito: andamos em círculos. Reforço essa tese citando como é complicado lidar com as pessoas. Tenho uma imensa dificuldade em fazer amizades. Não sei como me comportar e resumindo, não sei lidar. Ando em círculos porque tudo acaba do mesmo jeito que começou: no nada. Éramos pó e por um toque divino fomos moldado e hoje somos isso: imagem e semelhança do Criador.

    A repreensão que há em nós é quantitativa. Somos meros mortais em busca da perfeição. Do alimento para o ego. Com correções e limitações chegamos ao pódio criado por nós mesmos, onde não há vencedores pois os únicos competidores somos nós próprios. Não existe vencedores numa luta contra si, apenas morte de ego. Um ego vivo é ameaça constante, um ego morto é prêmio diário. E prêmio por prêmio é nulo. Nada vale se perdermos a própria vida (Mc 8:36). O que se segue no aprendizado da rotina é reconhecer-se, saber nossos limites e virtudes. Lembro de que uma vez pedi ao amigo Tiago Abreu para que me cedesse uma de suas letras para gravar em meu EP. Ele me passou algumas, mas uma me chamou muito atenção mais que as outras. Uma música chamada “Onde?”, na qual tive o prazer de harmonizar e arranjar com o meu amigo Jussan Mendonça. Uma parte da canção diz “um objetivo é meu troféu, empoeirado na estante e nesse instante, vívido mas distante“. Depois, em uma conversa singela com ele, entendi um pouco do sentimento da música e percebo mais uma vez que de fato somos moinhos de vento, estilhaçados afim de encontrar o nosso lugar. Poderia citar mais uma penca de músicas que se relacionam com o que trato aqui nesse texto, mas ficaria chato demais, até porque o título leva o nome de uma música do Los Hermanos de seu último álbum de estúdio, o simplista 4, composição do guitarrista e um dos vocais da banda na época, Rodrigo Amarante. O que aprendo com ela? Que andamos em círculos para nos descobrirmos. Andamos pela rotina para sair dela. Escolhemos esperar para recebermos algo. Escolhemos andar para alcançarmos o nosso ser. Descobrir o que se quer sem ter noção do que se espera. Um brinde a nossa trajetória!

    Imagem: Filipe Soares Dilly (com licença creative commons)

  • Rocklogia – O rock vintage do Resgate

    O Resgate tinha alcançado um posto respeitável no rock cristão nacional através de On The Rock, e graças à Paulo Anhaia o som da banda evoluiu muito. Dois anos daquele lançamento se passaram, e o quarteto propôs fazer um disco mais ousado que o anterior, principalmente nas letras. Daí surgiria um de seus trabalhos mais incompreendidos, Resgate.

    Nesta época, a banda gostaria de obter um som diferente do disco anterior. Ao invés de estar fortemente pautado no hard rock e no heavy metal, o Resgate gostaria de produzir uma musicalidade vintage e crua. Anhaia abraçou a ideia que, como produtor mais experiente do que em On The Rock, realizou experimentações junto ao grupo que culminou na sonoridade encontrada no álbum.

    O disco, como um todo tem timbres de guitarra mais característicos, mas o destaque vai para a bateria de Jorge Bruno. Sem reverbs e poucos overdubs, o som é bastante orgânico. As letras, em maioria extremamente complexas, talvez as mais bem construídas no repertório da banda. Um dos grandes exemplos é a canção de abertura, “Liberdade” e “E Daí?”. Eu particularmente gosto muito de “No One” e sua simplicidade, embora a pegada da intro de “Antes” seja memorável.

    Na prática, o álbum não foi masterizado. Paulo Anhaia, juntamente com o vocalista Zé Bruno apenas checaram os níveis de áudio no computador do produtor, que estava na cozinha da casa de sua mãe. Apesar da intensa seriedade do disco, não faltou humor nos créditos do encarte, com a seguinte citação: “Masterização: Mother’s Kitchen”.

    No geral, Resgate transmite uma sonoridade envolvente, simples e letras que abordam a questões internas do ser humano e pontos fundamentais do cristianismo (como a transformação de vida do indivíduo). É de certo que sua posição na discografia da banda é ingrata, afinal está dentre dois divisores de águas do Resgate (On The Rock e Praise), o que de certa forma sempre o ofuscou dos demais álbuns.

  • Um Brinde – Protótipo corriqueiro dividindo a teoria e a prática

    Um Brinde – Protótipo corriqueiro dividindo a teoria e a prática

    O conceito de “estar certo” ou “estar intuitivamente correto” não me agrada.

    “Nem mesmo o tédio me surpreende mais” – trecho da música “Déjà Vú” da banda Pitty. Adaptando, nem mesmo a teologia me surpreende mais. É fato que de qualquer modo que eu viva, haverá uma teoria que irá suster a minha ação. Não dá para fugir da teoria, por mais que seja a mais alta das irrelevâncias. Minha vivência não condiz com nada que seja linearmente teórico. O próprio nome já diz tudo: vivência! Mas é inegável que sou um cara teórico, só não entendo o porquê optei cursar o nível técnico de administração e agora curso licenciatura em música. Disciplinas práticas para um teórico! E aí quando o celular vibra com uma mensagem de uma de suas melhores amigas pedindo sua ajuda querendo desabafar? O que fazer? Usar a teoria ou dizer que tudo vai passar? Calma, termine de ouvir a música, leia melhor seu livro sobre teologia reformada, pense na sua vivência, faça seu trabalho da faculdade e aí você pensa no que vai falar pra sua amiga. São indecifráveis ações sem pretensões!

    Costumo ouvir sempre a frase “eu estou certo” de pessoas que volta e meia se veem em situações em que seus princípios são testados. Alguma coisa errada nisso? Aparentemente não. O lance é saber o intuito, o porquê de querer estar certo. Terá alguma boa finalidade isso?

    “Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança” (II Timóteo 3:10)

    Minha intuição pode ser uma das melhores possíveis, mas se não tiver um fim benevolente de amor, não servirá em nada. “De boas intenções o inferno está cheio”. Ser teórico ou prático nessa questão não significa muita coisa. O que observo nos mais distintos padrões filosóficos e teológicos é a ânsia pela certeza absoluta ou em questão, algo que induza um ideal que convença. Mas, por hora, é necessário eu ser o mínimo tolerante e entender que todo ideal precisa ou se sente na necessidade de convencer, pois caso fosse o contrário, qual seria a finalidade do ideal? Certo, mas o meu raciocínio vai muito além, porém, não está tão longe assim de ser entendido. Leve em consideração que estou tratando de cristãos, pessoas que possuem princípios e procuram viver e pregar a sã doutrina. O que te leva a fazer o que você faz? Freud explicaria que são instintos e características próprias do indivíduo que fazem com que cada um faça o que faz. Ou não? Entendo que o que eu faço (e o que você faz) agrada uns e ridiculariza outros e isso é o que nos leva ao suprassumo da imperfeição.

    Se a minha teoria não condiz com minha prática, eu sou um hipócrita/farsante/mentiroso. Se minha prática não condiz com minha teoria, talvez eu seja um ignorante/burro/ingênuo. De um modo ou outro, estaria incoerentemente errado. Quando se trata de evangelho, não basta ter vivência edificante. Acredito que é necessário estudar. Sim, estudar! Ler a bíblia por ler é incoerente e nada produtivo. Orar por orar é perca de tempo. Pregar por pregar é agir como um ativista religioso. Faça as coisas com uma finalidade biblicamente correta. Tenha uma vivência prática com conceitos bíblicos teóricos edificantes. Viva Cristo!