Categoria: Colunas

  • Um Brinde – Gênesis, “Enough To Let Me Go” e a minha imperfeição

    Um Brinde – Gênesis, “Enough To Let Me Go” e a minha imperfeição

    Uma música, poesias, filmes e livros são distrações muito comuns para mim, como os dias que se espalham e se entregam como redemoinho no inverno. Assim, este é um texto para falar de coisas vãs e fatos que passam desapercebidos, pois as noções e encantos do nosso cárcere sentimental enfeitam cada dia mais nosso trajeto existencial.

    E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente“. (Gênesis 2.7)

    Apenas um sopro divino foi capaz de nos dar a vida, e a mesma terra a qual pisamos foi fonte do pó para nossa origem. No entanto, houve a queda, o pecado, e então a consequência:

    Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás“. (Gênesis 3.19)

    Ao pó tornaremos como átomos mortos, sem mais esperança e sem mais vida. Uma música me despertam muitas sensações. Embora não ouço apenas uma música, “Enough to Let me Go”, da banda Switchfoot traz-me melhor esta questão do que outras. Sua primeira estrofe é bem sincera:

    (Tradução)
    Oh!
    Eu sou uma alma perambulante,
    Eu ainda estou caminhando pelo caminho que me leva pra casa,
    sozinho, tudo que eu sei,
    É que eu ainda tenho uma montanha a subir,
    Por conta própria. Por conta própria“.

    A decisão de reconhecer nossos erros e entregar-se a Deus como um filho que corre para os braços de um pai é uma dádiva linda e instigante, sem quaisquer requisitos. A diferença de andar em círculos e andar procurando uma direção é uma só: a intenção. Portanto, mais que nunca aqui na Terra, para deixarmos de ser apenas pó, só existe algo que nos joga para muito longe do caos do egoísmo: Deus, a única esperança.

    Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra“. (Gênesis 6.12)

    O pecado corrompe e nos cega. Isso me faz lembrar uma situação: dia desses conheci dois jovens que com orgulho falavam de suas andanças pelas festas e de como tinham uma vida sexual ativa. Senti pena e estranheza ao mesmo tempo: como podem achar o pecado algo tão normal assim e ainda zombarem de quem não leva a mesma vida?

    (Tradução)
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?
    Para me deixar acabar com isso,
    Para me deixar cair por você,
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    A doutrina da graça me ensinou que não consigo ser bom por mim mesmo, pois tudo é pela graça! Se vos escrevo agora, é pela graça de Deus. Há algum tempo reconheci que Deus molda meu coração de forma tão delicada que as vezes até esqueço de que sou mau e fraudulento. Ele me conhece melhor que ninguém. Raramente sento com alguém para pedir um conselho, porque Deus molda-me! Por mais que minha imperfeição seja grande, Ele me faz reconhecer que tudo que eu preciso já está aqui. Ele me ama, nos ama o suficiente para nos deixar ir e sermos responsáveis por nossos atos, e, assim como o pai permite a filha sair de casa quando atinge uma certa idade para juntar-se ao seu marido, Deus nos deixa refletir e decidirmos se queremos ser artistas na Terra ou meros sobreviventes.

    Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar“. (Gênesis 4.7)

    Devemos controlar o pecado, mas seria hipocrisia minha falar que nunca senti vontade de ir à festas como as quais os dois jovens frequentam contaram, e sair com várias garotas diferentes. No entanto, eu sei que isso não me levaria a lugar nenhum senão a perdição, pois pecado nos cega. No Éden, o pecado abriu os olhos do homem para o conhecimento do bem e do mal, o que de fato é pior que não enxergar, pois o mal atrai e assim nos cega para o bem. Isso é um paradoxo real, e aconteceu, acontece e ainda acontecerá muito entre nós.

    (Tradução)
    De volta da morte do inverno
    De volta da morte e todas as nossas folhas estão secas.
    Você está tão linda essa noite…
    (Você me ama o suficiente pra me deixar ir?)
    De volta da morte que nós passamos,
    De volta da morte e ambas as nossas línguas estão presas.
    Você parece tão linda essa noite.
    (Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    Jon Foreman canta mais a frente que “toda semente morre antes de crescer”, e morrer para o pecado é nascer para Deus. Toda essa metáfora entre os textos de Gênesis e a música do Switchfoot não é para soar como uma poesia redundante e nem para expressar o meu favoritismo pela banda, mas pra tentar traduzir um pouco de minha vivência de forma bíblica. Nunca seremos bons o bastante, eu nunca serei bom o bastante. E, consequentemente, não há sequer um que seja bom (Salmos 14.3). O sentimento de culpa não nos torna inocentes, apenas deixa a máscara desmanchar sem cores, deixando a verdade do “tudo é vaidade” reinar como vilã em nós.

    (Tradução)
    Inspire
    E deixe isso passar.
    Toda respiração que você toma não é propriamente sua.
    Não é sua espera…
    Você me ama o suficiente pra me deixar ir?

    Nem o ar que respiramos é propriamente nosso! Ainda duvida que vivemos pela graça e nada que fazemos ou porventura venhamos fazer pode mudar isso? Quanto vale sua vida? Você seria capaz de abandoná-la para encontrar em Deus o seu lugar? Isso só é possível quando amamos a Deus sobre todas as coisas! Somos estrangeiros em terras perigosas e frias, por isso, não há muito tempo para ficar rodando e correndo feito louco. A decisão é sua, é minha, é nossa. Mas lembre-se: é pela graça de Deus. Se você O escolheu é porque Ele te escolheu primeiro! Um brinde!

  • Conectados no Amor – Um orgulho vazio

    Quem disse que a caminhada é garantida com esforços pessoais? Quem disse que se nossa salvação é por méritos pessoais? Quem disse que alguém tem que se orgulhar de estar em Deus por si mesmo, e pior, de se considerar como boas pessoas? Dizia C.S. Lewis que se Deus não quiser revelar algo, não há quem o possa contrariar. No livro “Cadeira de Prata”, do mesmo autor, Jill Pole e Eustáquio chamaram em seu próprio mundo a Aslam para que os livrasse de uma encrenca e os carregasse a Narnia. Chegando lá, pensaram que eles haviam chamado ao Leão, mas na verdade, foi Aslam que os chamou e eles apenas haviam respondido a esse chamado. Apesar da discussão se há ou não livre arbítrio, entendo que qualquer possibilidade de relação divina se parte primeiramente dEle.

    Mas nesse grande progresso até a perfeição, caminhamos por duras provas, lições, que ao passar por elas, nos vangloriamos com méritos vazios, sem entender o valor de uma situação difícil. Cada momento é algo que deve ser valorizado, os bons para serem bem vividos e com gratidão, os ruins com bastante reflexividade e gratidão também. Mas ser grato numa situação difícil, que coisa difícil, em? O modo evangeliquês de passar na provação é dando glórias a Deus. E quando passa, o orgulho anda lá em cima, e a humildade debaixo do seu sapato social todo engraxado.

    No entanto, a provação nunca serviu para provar a Deus algo. O que Ele não sabe sobre você? Logo, uma lição não busca ensinar nada a Ele. A resposta do aspecto da batalha começa em nós. Quando Deus coloca uma luta na vida de alguém, Ele busca uma gama de ensinamentos com isso. Uma das primeiras características é o de conhecimento sobre si mesmo. Como dizia Sócrates, “conheça a ti mesmo e conhecerá a Deus”, a lição nos ensina a ver nosso interior. Como assim? No teste do grande professor chamado Deus, o aluno faz a prova buscando provar o que sabe e o que não sabe, o que aprendeu e não entendeu ainda. Quando erramos em algo, Ele simplesmente já sabia disso, mas diz para você: é aí que você erra, é aí que você tem defeito. E também, para mostrar onde acertamos, onde nós mesmos enxergamos forte o bastante para exercer nossas qualidades que Ele mesmo nos deu.

    Sócrates ensinava o conhecimento de si mesmo. A realidade das pessoas é que a exploração do interior tem se resultado em falsos ensinamentos. O homem que entende sua verdadeira realidade, entende a vida.

    Segundo, um momento difícil nos faz mais perto de Deus. Cada lição tira empecilhos entre mim e o ser divino, e fortalece a relação. Por último, uma batalha nos ensina novas coisas, e fortalece nosso espírito, e competências que temos. É como um homem que tem músculos, mas quer aumentá-los saudavelmente com práticas esportivas, ou um músico que deseja melhorar sua habilidade técnica com estudos musicais. A luta do cotidiano é uma prática de fortalecimento espiritual.

    Nessa infindável quantidade de propósitos que Deus nos oferece no dia a dia é uma demonstração de que a lógica das dificuldades não está em pessoas provarem que são alguém, mas tornar seu ser alguém. Eu não sou ninguém e só me formo nessa relação entre Deus e eu. Não tenho que provar-Lhe o que consigo, mas tornar o meu eu algo que seja perfeito. Isso sim alegrará o coração de Deus, quando nosso coração bater na mesma sintonia dEle, deixando o coração de pedra se quebrar por inteiro. O meu orgulho será quando eu manifestar a verdadeira criação, o verdadeiro sentido de viver. O resto será jactâncias vazias.

    Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem (e não orgulho) daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8.28

  • Rocklogia – A reformulação e o fim prematuro do Katsbarnea

    Como já dito em um post anterior, após Asas, muitas coisas mudaram na carreira musical de Brother Simion. A música do cantor, principalmente, era composta por uma longa parceria entre ele e Estevam Hernandes. Essa contribuição se encerraria em meados de 1999, quando Simion começou a escrever suas músicas completamente sozinho e desligou-se da Renascer em Cristo.

    Ao deixar a Renascer, Brother automaticamente deixava implícita a continuação de sua carreira solo. Era óbvio que o cantor não estava deixando o Katsbarnea, pois o Kats não existia mais. Era impraticável dar continuidade a uma banda que trocava constantemente de formação, com apenas um vocalista oriundo da formação inicial escrevendo todas as músicas, exceto por um baixista extremamente competente que continuara por quase dez anos atuando no grupo. Banda de rock sem guitarrista fixo é um tanto quanto impraticável. Portanto, a ação de Simion em trazer Jadão para tocar consigo em carreira solo era ótima. Além do mais, a esposa de Brother poderia trabalhar como tecladista nos eventos.

    Ainda no fim de 1999 ao início de 2000, Simion entrou em estúdio para gravar seu álbum mais pretensioso, Na Virada do Milênio, distribuído pela MID Produções em bancas de revistas pelo Brasil. Com influências do rock industrial, utilizando vários efeitos eletrônicos, retoma a parceria do cantor com o produtor Amaury Fontenele, que tinha produzido Asas. Amaury era o nome mais óbvio para inserir Brother Simion no mundo dos loops e programações. Jadão participou em algumas faixas. O registro é, em alguns momentos, extremamente peculiar, mas também chocante. A canção “Caos”, por exemplo, retoma toda a questão do juízo final e a secularização do mundo, tema presente em todo o disco. Há uma influência de blues na monótona “Help”. Mas é claro, um álbum do cantor sem trechos instrumentais ou de humor não é álbum de Simion, e “01001011” brinca muito bem com a linguagem binária. Aliás, todo o conceito gráfico do projeto retoma ao hardware de computadores pessoais, e a “era digital” é por vezes citada nas canções.

    Reza a lenda que, nesta época, também ocorreu um convite para o Katsbarnea se reunir novamente para gravar. Déio Tambasco, Marcelo Gasperini e Jadão foram chamados, embora Simion estivesse ocupado com seu disco solo. Paulinho Makuko, ex-integrante, que vinha com três álbuns solo (A Lei do Rei, Vol. 1 e Limites Invisíveis) acabou se tornando o vocal principal, além de cumprir a velha função de percussionista. Makuko não participava do Kats desde meados de 1993, quando era o baterista da banda, por conta da saída de Marcelo Gasperini. Nesta época, o cantor optou por seguir uma carreira solo. Paulinho, ainda, trabalhou em alguns lançamentos da Gospel Records, como o próprio Asas de Simion, no qual Brother presta agradecimentos ao percussionista. Makuko ainda era responsável pela seleção de repertório de algumas coletâneas, como O Melhor do Rebanhão, mas seu trabalho solo nunca alcançou forte destaque, até porque, o forte do músico é mais como instrumentista do que intérprete.

    Mesmo assim, o Acústico do Katsbarnea foi gravado no final de 1999 e lançado em 2000. O grande diferencial deste disco para os demais acústicos desta época foi justamente a participação do público, que é o maior destaque, fazendo forte presença da primeira a última música. As roupagens para as canções foram muito boas, e ter vendido 100 mil cópias, maior venda de toda a história da banda, foi um marco justo.

    Em toda a história do Kats, Paulinho Makuko escreveu apenas uma música, “Corredor 18”. O cantor provavelmente não tinha repertório inédito até aquele momento, então optou por utilizar outras canções antigas da banda, além de faixas da carreira solo de Simion para compor Profecia, lançado em 2002 (a faixa-título é parte do álbum Na Virada do Milênio). Apesar de não ser um registro completamente acústico, faltava-lhe o clima de novidade. Isso talvez, foi um ponto chave no hiato da banda que durou até 2007 (em um próximo post falaremos mais disso). Além do mais que, a popularidade de outras bandas do rock cristão, como a Oficina G3, Fruto Sagrado e até mesmo a carreira solo de Brother Simion, todos na MK Music estava muito mais alta que a do Kats. É neste momento que Makuko, Jadão e Gasperini saem da banda (Déio Tambasco já estava fora há um bom tempo).

  • Ser Ester: Estilo da banda Skillet

    Olá meninas

    Dia desses fiquei sabendo que a banda norte-americana de rock cristão Skillet, uma das mais importantes do mundo, vem ao Brasil para uma turnê em 2015.

    Para quem ainda não conhece a Skillet sério fia?, a banda liderada por John Cooper surgiu em 1996 e hoje conta com outros três integrantes: o guitarrista Seth Morrison, a guitarrista Korey Cooper e a baterista Jen Ledger.

    Ao longo de quase 20 anos, a banda lançou 10 discos, entre álbuns de estúdio e ao vivo, 4 EPs, 4 DVDs, contou com 2 indicações ao Grammy Awards e 1 vitória no Dove Awards com “Comatose”, premiada como melhor música de rock de 2007.

    Com milhões de cópias vendidas, a banda faz sucesso tanto no meio cristão quanto no secular. Prova disso foi a música “Awake and Alive”, fazendo parte da trilha sonora do filme Tranformers 3: O Lado Oculto da Lua.

    Depois disso tudo, não é de estranhar o tamanho do burburinho que já está rolando por causa da vinda da banda ao Brasil.

    Como aqui é a Ser Ester, então para irmos entrando no clima e esquentando os motores, vamos conhecer hoje um pouquinho dos integrantes da banda e, principalmente, vamos botar reparo nos looks porque eles capricham de verdade. Puro rock.


    Jen Ledger

    Jen Ledger é inglesa, tem 25 anos e integra a Skillet desde 2007. Ela é nada menos que a baterista da banda e ainda faz participações no vocal. Ela é talentosa, carismática, tem uma legião de fãs e, como se não bastasse, ainda é conhecida como a maior baterista da América.

    Jen tem uma carinha meiga e faz um estilo meio na linha rock comportadinho e pouco literal. Os elementos básicos do rocker estão presentes nos jeans, couro e no preto, mas a composição visual de Jen é relativamente básica.

    A artista está sempre com as pernas cobertas, seja com skiny jeans escuro, ou meia-calça preta combinada com vestidos. Nos pés, a grande preferência é por calçados rasteiros. All Stars de cano médio, botas com fivelas e tachas, além de sapatilhas brilhosas ajudam a dar conforto durante as apresentações e ainda conferir despojamento ao look.

     Jen Ledger 1Jen Ledger 2

    Korey Cooper

    Korey Cooper, de 42 anos, esposa do John Cooper, é a performática guitarrista da Skillet.

    Diferente da companheira de banda, Korey tem um estilo roqueiro extravagante. Sempre super montada no palco, a artista é pura atitude e ousadia.

    Com um visual essencialmente preto, Korey faz a linha dark style com gosto, abusando de leggings de couro, meia-calça rasgada, tachas (tachas, tachas, muitas tachas), coturnos, correntes e cintos largos. Para dar um charminho e leveza, alguns toques de renda ou tule. O restante da personalidade visual fica por conta dos cabelos que já passou pelo preto, azul, rosa, loiro, moicano, raspado na lateral… Criatividade é o que não falta.

    Korey Cooper 1

    Korey Cooper 2

    John Cooper

    Os meninos da Skillet também fazem bonito na hora de se vestir. O baixista e líder da banda, John Cooper, de 40 anos, tem um estilo roqueiro meio personalizado ao seu gosto e não muito usual. Todos os elementos rocker básicos estão presentes, mas tem sempre alguma peça inusitada, como uma gravatinha curta ou mesmo um mix de estampas, como listras e poá, mas sempre em cores escuras. Uma das “inovações” de Cooper e peça recorrente nas produções para shows é a camisa social sem mangas que ele combina com gravata e colete. O resultado é interessante e inusitado, mas lembre-se: se você, menino, não for John Cooper, não faça isso em casa. Brigada, di nada

    John Cooper

     

    Seth Morrison

    O guitarrista Seth Morrison leva o Tayse Fashion Awards de mais bem vestido da banda. O músico faz uma mistura super interessante entre o rocker e o social clássico deixando compondo visuais que misturam esses dois extremos com maestria. Smoking com jeans, camisa com colete e coturno, blazer com sneaker tênis e por aí vai. O resultado é super harmônico e estiloso, ousado e ao mesmo tempo comportado.

    Seth Morrison

    Bacana o estilo da banda, né? Parabéns aos envolvidos!


     

    Agenda!

    17 de Outubro: Belo Horizonte – MG

    18 de Outubro: Rio de Janeiro – RJ

    21 de Outubro: Porto Alegre – RS

    23 de Outubro: Curitiba–PR

    24 de Outubro: São Paulo – SP


    Mais informações:

    Produção:

    8X8 Live

    contato@8x8live.com

    Assessoria de Imprensa

    Agência Petra

    imprensa@agenciapetra.com

  • Um Brinde – Mutantes-Humanos

    Um Brinde – Mutantes-Humanos

    Acorda cedo, ajoelha-se, ora, levanta, toma banho, escova os dentes, toma café, se arruma e vai à aula. Isso se repete na quinta e sexta-feira. Já falei dos dias aqui metaforizando a música “Primeiro Andar” dos Los Hermanos. Pensa-se muito: no emprego que não se conseguiu, faculdade que ainda não começou, na vida que se leva e o que encarregou para que se chegasse até aqui. Lê-se a bíblia, sente-se mais perto de Deus, e só. Isso é tudo na semana. O motivo mais singelo de levantar e viver mais um dia é unicamente pela graça do Pai, a qual nem merecemos. Mas existem complicações cotidianas que só entendemos quando há um choque fatal com algo inédito: por isso, conheça uma banda nova, pegue outro ônibus, conheça alguém especial, faça com que cada segundo valha a pena. Seja mais do que se vê.

    Certamente vos repreenderá, se em oculto vos deixardes levar de respeitos humanos” (Jó 13:10)

    A vida no piloto automático é diminuta e, muita das vezes, sem escolhas. A única noção a qual temos é de que precisamos correr numa esteira sem fim. Lembra-se então de dias alegres em família e pensamos: “onde tudo isso se perdeu?” Mas na verdade, o que somos? Uma evolução de alguma espécie de macaco? Ou criação de Deus à sua imagem e semelhança? Se você é cristão, ou ao menos crê na existência de Deus, ficará com a segunda opção. Mas apenas isso é inútil, pois posso dizer com a minha boca todos os dias que gosto de molho inglês e todos os dias não provar de seu sabor. O que isso adianta? Nada. Afirmar uma coisa não a torna real. Dizer que crê em Deus e que foi feito a sua imagem e semelhança não te faz um humano ou algo parecido, apenas como um mutante que se move e respira. Isso parece algo repentino, mas isso é cosmovisão cristã: observar a ciência e a evolução humana por uma perspectiva cristã nos faz enxergar fatores sobre a humanização do nosso ser e mutação dos ideais comportamentais. Vida cristã não é um devocional, mas é renúncia e aprendizado. É cruz!

    Fato é que, nossa vida é um processo, e é difícil ter certezas de tudo imediatamente. Existem várias questões as quais ainda não tenho um pensamento concreto. Acredita-se em tão pouca coisa que se fosse selecionar as que de fato acreditamos, ficariam muito poucas. Mas eu acredito no homem, mesmo não sendo humanista lá essas coisas, eu acredito no homem porque Deus o ama. A raça humana ainda não está extinta e tampouco tornando-se burra, só estamos perdendo a fé e a esperança em nosso Deus universal, aquele que não faz acepção de pessoas (Ef 6:9). Ele transcende quaisquer tipo de religião e contribui para o bem daqueles que O amam (Rm 8:28).  A mutação mais equivocada e triste foi a queda do homem. O pecado é a mutação extraordinária da maldade e que nos impede de sermos humanos de origem, criados à imagem e semelhança de Deus. Mas, ao reconhecemos isto, permitimos que Ele nos clareie e, a partir desta aceitação, deixaremos de ser fruto do acaso fermentado por uma ideia também equivocada, tornando-nos, com toda honestidade, parecidos mais ainda com Cristo! Um brinde!

  • Conectados no Amor – O progresso do arrependimento

    Mateus: 3. 2. dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

    Esse versículo expõe duas direções: Reino dos céus, ou o reino do ego. Arrependimento é um caminho, se você o toma, você obviamente anda nele. Ou seja, se converto à esquerda, eu vou tomar essa direção e me aproximar do que quer que tenha nesse caminho. O caminho até o Reino dos Céus, Cristo, é tomado através de arrependimento. Se eu tomar esse caminho, vou apresentar o fruto desse caminho. Arrependimento sem mudança de mentalidade é tão falso e inexistente como apontar a seta da direção do carro à esquerda e virar à direita. Arrependimento é a mudança de coração, colocar o coração em rumo ao Reino dos Céus. Uma cultura cristã que prega o evangelho, mas não induz pessoas à busca do evangelho em si é inútil. A fé de alguém precisa apresentar obras, assim como alguém que anda sobre Cristo. Cada passo nesse caminho representa as obras provindas de um coração regenerado em Cristo. Mesmo que rastejando, precisamos caminhar sobre Ele.

    Para finalizar, a passagem de Tiago 2 define o valor das obras em virtude da fé. Ela comprova o verdadeiro arrependimento.

    1. Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?

    2. E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,

    3. E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?

    4. Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

    5. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

    6. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.

    7. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?

    8. Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?

    9. Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.

    10. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

    11. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.

    12. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho?

    13. Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

    Tiago 2:14-26

    Eu te desafio a se mexer
    Eu te desafio a se mexer
    Eu te desafio a se levantar do chão
    Eu te desafio a se mexer
    Eu te desafio a se mexer
    Como se o ‘hoje’ nunca tivesse acontecido
    O ‘hoje’ nunca aconteceu

  • Rocklogia – O processo judicial e mudanças estruturais no Fruto Sagrado

    Após O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar, o Fruto Sagrado deixou a Gospel Records e ficou por um tempo sem lançar discos. O guitarrista recém integrado ao grupo, Bene Maldonado, precisou deixar o grupo, pois trabalhava com seu pai em um estúdio, que necessitava de cuidados. O estúdio de Ernani Maldonado era bastante requisitado por cantores na época, como Marina de Oliveira, que compôs músicas em parceria com o produtor.

    Para não deixar o Fruto Sagrado sem guitarrista, Bene trouxe o músico Leonardo Cordeiro, um aluno seu, para tocar o instrumento na banda. Com ele, juntamente aos integrantes da formação inicial, Marcão, Bênlio e Flávio, foi gravado um disco acústico em comemoração dos 10 anos do grupo, já abordado por aqui.

    O acústico do Fruto Sagrado foi distribuído por uma gravadora chamada Salmus Produções. Nesta época, ocorreram duas baixas na banda: Leonardo recebeu uma proposta de tocar com o cantor Kleber Lucas, e optou por deixar o Fruto, ação que foi apoiada pelos demais membros, por Kleber estar em uma fase excelente em sua carreira, o que lhe daria visibilidade. Por outro lado, o baterista Flávio Amorim resolveu deixar a banda¹.

    Com a saída de Leonardo, Bene Maldonado voltou, e trouxe outro músico chamado Sylas Jr., para cumprir a função de baterista. As gravações do disco seguinte, O Segredo, seguiram-se nesta formação. A sonoridade do grupo mudou drasticamente. Sylas trouxe um estilo diferente para as baquetas da banda, e se, antes, a parte musical era fortemente caracterizada pela parceria de Marcão e Bênlio, Bene entrou em cena como principal arranjador, com Marcão limitando-se geralmente como letrista. Neste álbum, ocorre as participações especiais de PG e Marquinhos Gomes, algo que o Fruto já procurava trazer. No acústico, o conjunto trouxe Carlinhos Felix para as gravações.

    O Segredo foi lançado pela gravadora TOP Gospel, o que gerou um processo judicial da Salmus Produções por quebra de contrato. A banda foi condenada a pagar 400 mil reais. Segundo Bênlio Bussinger, Bene e Sylas se recusaram a ajudar a pagar, e com a saída de Flávio Amorim, o tecladista, juntamente com Marcão custearam sozinhos os efeitos da “proeza”. Este acontecimento apenas contribuiria para maiores mudanças estruturais no Fruto Sagrado, as quais veremos em breve, num próximo artigo.

    Apesar disso, o álbum foi melhor recebido pelo público do que O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar, justamente por conter canções mais simples e acessíveis. E claro, no aspecto técnico, a qualidade melhorou bastante.

    ¹um trecho do texto foi suprimido a pedido e em respeito ao músico Flávio Amorim, ex-integrante do Fruto Sagrado, afirmando que a parte anteriormente contida não é verdadeira.
  • Um Brinde – Eu pensei que a casa estava arrumada

    Um Brinde – Eu pensei que a casa estava arrumada

    Eu vagava sem direção alguma. Não tinha conhecimento nenhum de nada. Vivia de acordo com o que foi pregado a vida inteira para mim. Eu pensei que a casa estava arrumada, mas não estava. Nunca fui o cara certo pata falar sobre certos assuntos. Eu só vagava sem bússolas e GPS’s. Eu era aflito e só. Mas Deus me escolheu, e eu O escolhi porque Ele já havia me escolhido. Pensei que havia me convertido há 12 anos atrás, quando disse SIM no altar para Jesus. Repito: eu pensei que a casa estava arrumada. Igualmente como em um domingo que você levanta meio-dia e se encontra sozinho em casa; toma banho, come e depois de algum tempo percebe que é necessário varrer a casa. Há exatamente 12 anos atrás eu disse SIM para uma nova vida com Cristo. Cresci, amadureci e encontrei-me com a doutrina da Graça. Arrumei a casa! Permiti que Cristo retirasse todos os entulhos teóricos e mal-dizeres do meu ego. Um choque com a verdade! A vida inteira pensei que podia fazer algo que me levasse à eternidade com o Pai. Mas não, pois tudo é pela graça. Nada por méritos e circunstâncias, mas sim pela graça! Só pela graça, unicamente pela graça!

    Eu pensei que a casa estava arrumada quando adotei um conjunto de regras e doutrinas baseada em pregações barulhentas. Tudo que eu tinha era a ânsia por mais. O desejo incontrolável de abraçar o Criador. A chama permaneceu viva! Eu entendo hoje que mesmo que eu corra milhas e milhas, pegue o ônibus mais próximo para uma parada mais próxima de um aeroporto, e lá eu pegue um vôo para o país mais distante que um avião é capaz de voar, ainda assim não seria o suficiente para impedir que a graça de Deus reine sobre minha vida. Mesmo que eu me forme no maior nível de universidades do mundo, e a partir disso esteja apto para ensinar o presidente dos Estados Unidos, não haverá diplomas no mundo que me faça entender o modo que Deus age e rege a Terra. E hoje eu canto “Learning to Breathe” do Switchfoot como um hino libertador.

    Olá, bom dia, como você vai?
    O que faz seu sol nascente tão novo?
    Eu poderia usar de um novo começo também
    Todos os meus arrependimentos não são nada novos
    Então este é o jeito que eu digo que preciso de Ti
    Este é o jeito
    Este é o jeito que eu estou aprendendo a respirar
    Aprendendo a engatilhar
    Estou descobrindo que você e só você pode acabar com a minha queda.
    Estou vivendo novamente, animado e vivo
    Estou morrendo pra respirar nesses céus abundantes“.

    Estou morrendo pra respirar! O fato mais intrigante é que agora tudo faz sentido: a queda, a crucificação, a redenção, a salvação, a própria vida. Deus, o único sentido, a única verdade, abriu meus olhos e me fez entender o quão pequeno sou diante Sua glória, mas o quanto posso viver para a Sua glória.

    Queria que o caro leitor não interpretasse este texto como uma defesa oculta do calvinismo. De fato, sou sim calvinista, mas este não foi o intuito do texto. A proposta é simples: entender que somos habitação de Deus, então é bom arrumarmos a casa. Ele merece o melhor!

  • Conectados no Amor – Reflexões em Judas

    Reflexões Judas 1-25

     1. Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo:

    1. Misericórdia, paz e amor vos sejam multiplicados.

    2. Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos.

    3. Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.

    4. Ora, quero lembrar-vos, se bem que já de uma vez para sempre soubestes tudo isto, que, havendo o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram;

    5. aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia,

    6. assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.

    7. Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades.

    8. Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda

    9. Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem.

    10. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré.

    11. Estes são os escolhidos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas;

    12. ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas.

    13. Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos,

    14. para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram.

    15. Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências; e a sua boca diz coisas muito arrogantes, adulando pessoas por causa do interesse.

    16. Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo;

    17. os quais vos diziam: Nos últimos tempos haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias concupiscências.

    18. Estes são os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito.

    19. Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,

    20. conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.

    21. E apiedai-vos de alguns que estão duvidosos;

    22. e salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia com temor, aborrecendo até a roupa manchada da carne.

    23. Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos,

    24. ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém.

    Judas 1.3-8

    Precisamos lutar pela fé que temos a honra de carregar, inclusive no meio dos que se dizem cristãos. Os que dizem proclamar a boa vontade do nosso Senhor, mas provoca dissensões, o hedonismo, cria lobos, em vez de ovelhas, crianças mimadas na fé, do que soldados que lutam em uma guerra caída de um mundo caído. A salvação não vem por obras, mas por meio da fé nAquele que pode operar toda a sua vontade em nós, inclusive a salvação e seu processo. E aqueles que dizem pregar a boa vontade de Deus, tem pregado a si mesmos. Iremos contra o mundo, e uma boa parte deles são formados por evangélicos.

    Judas 1.10-24

    Esses, transformam a verdade divina, em objeto de uso pessoal para satisfazer seus próprios engodos. Tiram tudo do seus contextos e se aproveitam disso para beneficiar seus interesses, entendem as coisas espirituais pelo modo carnal, transformam o poder de Deus em operações de sobrenaturais místicos. Deus não está no meio deles, e eles verão o fruto do que estão plantando. E Deus há de salvar os que são seus, os que creram em sua obra pela sua obra, e desejam isso de todo o coração, há de livra-los do mal, guardá-los de si mesmo, da dúvida, e eles verão o lugar onde haverá alegria de verdade. Que possamos andar na contramão do mundo!

  • Rocklogia – Catedral e a mudança de mercado

    Uma das histórias mais polêmicas, senão a mais polêmica de toda a pequena história do rock cristão nacional se refere à questão da banda Catedral com as gravadoras MK Music e WEA.

    Há uma série de acontecimentos e questões que devem ser levadas em conta antes da contratação do Catedral com a Warner. A multinacional tentou, durante os anos 90, investir no segmento musical evangélico. Em 1996, a WEA lançou o álbum Por Cima dos Montes do Rebanhão. A parceria com a gravadora não continuou, com o vocalista Pedro Braconnot optando por criar uma gravadora independente ao invés de lançar mais um disco da banda pela Warner. O motivo? Não se sabe, até porque o músico nunca falou a respeito do assunto, se houve quebra de contrato, se a gravadora não se interessou em lançá-los mais, ou se o contrato previa apenas um lançamento. No entanto, Por Cima dos Montes foi o disco de menor sucesso da banda, não emplacou nenhum sucesso nas rádios, o que não acontecia com a banda desde o seu surgimento.

    Enquanto o Rebanhão, como representante do rock cristão nos anos 80/início dos anos 90 aproximava-se de seu fim, uma outra banda vivia exatamente o oposto: o Catedral. Recordista de vendas na MK Music, o trabalho do grupo não possuía mais nenhum espaço de crescimento dentro do gospel, e neste período, surgiu a proposta de migração para a Warner. Através de um acordo bastante lucrativo para a MK, o quarteto foi para a multinacional, enquanto a carreira solo do vocalista Kim continuaria a ser gerenciada pela Publicitá.

    Entender os possíveis motivos que levaram o interesse da WEA em contratar o Catedral é algo importante. Além das vendas e popularidade no meio evangélico, não é nenhuma ingenuidade pensar que a multinacional estava interessada em oferecer ao público uma espécie de “banda substituta” do Legião Urbana. À altura daquele campeonato, as músicas mais recentes do grupo estavam sendo fortemente associadas ao conjunto de Renato Russo. Não cabe julgar aqui se o Catedral propôs-se a soar uma espécie de Legião, até porque não precisa ser músico profissional para notar várias diferenças na música de ambos os grupos.

    Certamente, não dá para definir claramente os projetos do Catedral naquela época. A proposta era, de certa forma, promissora para a banda. Numa gravadora fora do nicho religioso, com possibilidade de levar seu som fora de um rótulo limitante, certamente era atrativo explorar isso. Acontece que, evidentemente, em seus trabalhos anteriores, o conjunto tentava abrir o caminho, mas o estereótipo de “banda gospel” em “gravadora gospel” atrapalhava, assim como atrapalha muitos no dia de hoje.

    Para Todo Mundo foi finalmente lançado, e seguiu a tendência dos discos anteriores. Nada de grandes novidades, não. O disco não foi um divisor de águas na carreira da banda, como muitos por aí insistem em dizer. A MK se beneficiou disso, a Warner e a Catedral, para todo mundo ficar satisfeito. Mas sabemos que o desenrolar da história não foi tão positivo assim…