Categoria: Colunas

  • Conectados no Amor – Feliz dia das mulheres

    O valor da mulher de fato na nossa sociedade contemporânea tem sido dobrado a estética e a beleza exterior. Ela é atraída pelo que ouve, e o homem pelo que vê, assim a boa aparência de uma garota é tida como base de um bom relacionamento. Uma das maiores hipocrisias da parte dos homens é dizerem que não valorizam a estética, mas o carinho, companheirismo, etc., e tentarem serem vistos como homens perfeitos que amam a mulher não pelos seus dotes físicos (se é que podemos chamar de desejo por sensualidade de amor), mas no final, consideram como pretendentes mulheres que os atraem exteriormente.

    Nessa realidade da relação da feminilidade e masculinidade, os dois ingredientes máximos de atração têm trazido terríveis consequências para o nosso mundo, já que a família é a base de uma boa sociedade. A cultura do “pegar geral”, proveniente da ideia do consumismo, é um sinônimo da valorização da beleza exterior, pois ela que acentua aquele fogo de atração que queima duas pessoas. Logo, quanto mais mulheres ou homens alguém pegar, mais terá aproveitado. Mas, a estética é só uma máscara de um terrível horror de nosso ser.

    Como anel de ouro em focinho de porco, assim é a mulher bonita, mas indiscreta.” Provérbios 11:22

    A sociedade atual é um conjunto de falsidades das mais pesadas. Por um lado, lindas mulheres atravessam as passarelas carregando nas costas um mundo de caos e destruição, por outro há mulheres que se acham belas interiormente, mas caíram no engodo do próprio ego. Todas são como vaidosas que foram ao espelho, mas vendo a terrível aparência de seus rostos, ignoraram os defeitos e saíram pelo mundo exibindo suas caras cheias de vazios internos.

    A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e joias de ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus.” 1 Pedro 3:3-4

    Uma mulher com dotes como carinho, docilidade, ternura e tranquilidade, são qualidades que talvez estejam sendo jogadas nas latas de lixo. Um homem em um restaurante observa uma bela e atraente jovem. Seus olhos se despertam pela beleza da moça e num jogo de sedução, descobre que a sua beleza era apenas uma roupa que escondia uma alma rancorosa, dura e orgulhosa. Talvez nem descubra e acabe se casando com ela por casa de um namoro superficial, tratando apenas no campo das aparências, e anos depois se separe dela por não suportar seus defeitos e trazendo mais decepções e problemas para seus filhos, para a burocracia da separação. Talvez ainda descubra, mas no final une-se aquela mulher pelo puro instinto sexual, que um dia passará com a flor da primavera.

    Mas antes mesmo desses valores como doçura, intelectualidade, força, há uma qualidade que é a mestra de todas essas: o relacionamento com Deus. Todos os atributos femininos se dobram a esse grande regente da vida humana. Uma mulher santa vale mais que tudo na vida, é o melhor dessa terra, e supera todas as suas qualidades físicas e internas.

    Primeiro lugar, a santidade é único e o melhor ingrediente de uma boa feminilidade. O segundo é beleza interior, que só vive em equilíbrio em contato com a primeira. A beleza exterior, que é sempre a mais valorizada, deveria ocupar o último lugar dessa lista, pois no final, passará com os dias.

    Cito “Concrete Girl” do Switchfoot para lembrar a todas garotas concretas desse mundo: não viva de acordo com o vazio desse mundo, viva para ser, não para ter.

    Nada de correr para trás
    É pior do que algo
    E todos seus medos
    Por nada
    E estão nadando ao redor
    Outra vez, outra vez
    E estão nadando ao redor
    A menina concreta

    Menina concreta
    Não caia
    Neste mundo despedaçado
    Em torno de você
    Menina concreta
    Não caia
    Não caia para baixo
    Minha menina concreta

    Não pare de pensar
    Não pare de sentir

    “Concrete Girl” – Switchfoot

    Parabéns a todas as mulheres do mundo, sem elas o mundo seria sem a “melhor ideia de Deus”.

    https://www.youtube.com/watch?v=cAhqOu0FhrE

  • Rocklogia – Catedral na MK Music

    Com certeza, muitos dos leitores já devem ter sentido a impressão de que o rock cristão nacional sempre esteve uns dez anos atrasado dos acontecimentos do rock nacional do ciclo não-religioso. Pode notar. Os Mutantes, no final dos anos 60 faria uma revolução estética. A revolução estética no Brock cristão ocorreu no final dos anos 70/início dos anos 80 com Janires, juntamente com o Rebanhão. No início dos anos 8o surgiriam várias bandas de rock icônicas, como os Titãs, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Ira! e outros. No rock cristão as bandas mais longevas começaram a surgir no final deste mesmo período.

    Os anos 90 foram tempos difíceis, ao contrário do auge ocorrido anteriormente. A música sertaneja começava a se destacar no mainstream, e os grupos de rock mais conhecidos passaram por situações que ameaçaram sua existência. O cantor Cazuza, ex-Barão Vermelho morreria vítima de AIDS, mesma doença que matou Renato Russo em 1996. Uma suposta guerra de egos faria Arnaldo Antunes sair dos Titãs em 92. Em contrapartida, o rock cristão tupiniquim estava a todo o vapor. Com grandes eventos abertos para conjuntos do gênero, como o destacado SOS da Vida, muitos artistas de rock figuravam espaço nas grandes gravadoras (o que não se vê muito atualmente, mas isso é assunto para outro post…).

    A MK Music, em seus primeiros anos, investiu num cast bastante diversificado. Isso implicou em contratações de cantores e bandas de rock. Em 1992, a banda Complexo J foi provavelmente a primeira, lançando dois discos, no qual o primeiro é excelente. Em 1993, Carlinhos Felix, agora em carreira solo lançava o sucesso Basta Querer, com uma proposta bem mais pop do que o rock do Rebanhão. Outros grupos, como o Semeando e o Contato Vital também lançariam obras pela MK.

    No mesmo ano em que o Complexo J trocava a MK pela Gospel Records, o Catedral adentrava à gravadora com o lançamento Contra Todo Mal, que definitivamente demonstrou muitas mudanças na música da banda. Podem até negar, mas ao passar dos anos investiram bem mais em canções mais simples, com propostas mais comerciais. As associações com o Legião Urbana tornaram-se cada vez mais frequentes. Até hoje, todas as ligações são desencorajadas pelo grupo, mas são inquestionavelmente pertinentes. Talvez o ápice disso foi alcançado no álbum A Revolução, cuja faixa-título pode muito bem ser comparada à textura de algumas faixas de O Descobrimento do Brasil. Coincidência ou influência? Prefiro deixar na visão dos leitores.

    O sucesso do Catedral no mercado evangélico é inquestionável. Quando a MK Music, no fim dos anos 90 consolidou-se como a principal gravadora do mercado evangélico, a Catedral gozava o título de artista recordista de vendas do selo. Neste momento, gravadora e banda entrelaçavam-se muito bem em seus alvos, uma parceria de êxito. Mas como nem tudo são flores, sabemos que o fim disso não foi positivo, e é o que veremos nas próximas semanas…

    https://www.youtube.com/watch?v=lez4Hpnoo3M

  • Ser Ester indica – Deise Jacinto

    Olá meninas! Hoje tem estreia de tag nova aqui na coluna. Trata-se do Ser Ester Indica, espaço para apresentar a vocês artistas novatos, mas que tenho ouvido e curtido.
    Passadas as apresentações, vamos ao que interessa!


    Você conhece a Deise Jacinto? Se não, chegue aqui que nós vamos ter uma conversa muito séria.
    A cantora e compositora catarinense de 30 anos de idade lançou seu álbum de estreia, o Final Feliz, no ano passado e recebeu imediatamente o selo ITPA (Instituto Tayse de Pesquisa Aplicada) de qualidade musical.
    Deise é dona de uma voz doce e extremamente agradável que combina perfeitamente com a leveza de suas melodias. Meu amigo Alex Eduardo, músico, crítico, sócio da Agência de Petra de gestão de carreira musical e dono do grande Casa Gospel, descreveu a cantora como um mix de Marcela Taís com Marcela Gadú. Acho que é meio isso mesmo. Deise tem uma doçura natural, mas é uma doçura consistente e nada enjoativa.
    Com letras delicadas, poéticas e com umas sacadas sensacionais, Deise fala sobre o Deus da Graça, vida cristã e esperança celestial se valendo de belas referências às artes: o pintor, o escritor, o desenho, a música, a pauta…
    Frasista de mão cheia, ela não deixa uma única estrofe sem um toque especial. Vejam algumas das minhas frases preferidas.


    Deise Jacinto“Não sei como o inventor do tempo esperou pelo o meu amor”
    (Inventor do Tempo)

    “Como entender que Deus não muda se eu perder, que essa história que eu quis
    Pode ainda ter final feliz?” (Final Feliz)
    “Me leva onde o tempo não me encontre, onde o aroma seja flores, onde a história seja Tua e eu conviva com os autores” (Me Leve)
    “Hoje o meu pranto é só por ter que Te esperar!” (Desacostumar)
    “Por isso vou vivendo, a cada dia vou subindo como se a nuvem com Jesus estivesse vindo” (Vou Subindo)
    “Quero o meu coração Te dar, os meus dias pra desenhar” (Como o Sol)
    “E não acomodar com que incomoda a Deus é pro meu próprio bem também” (É que eu Descobri)
    “Eu sei de um lugar onde as notas não tem valor, pois a pauta não pode conter o mais puro louvor” (Meu Interior)
    “Pois decidi viver como se deve ser, sendo filho de quem eu sou” (Como Deve Ser)
    “Como o aroma de uma flor que eu nunca senti, plantaste a eternidade em mim” (Rumores)
    “As palavras que ensaiei me dão coragem pra voltar ao lar, pra servir aquele que esperou por mim” (Lucas 15)

    A quem interessar possa, minhas músicas preferidas no “Final Feliz” são:

    Inventor do Tempo

    Fala sobre um Deus tão grande, mas que nos dá o direito de escolhê-lo. É um Deus que, mesmo tendo inventado o tempo, ainda espera que a gente lhe dê amor; um Deus dono de todo o universo, mas que nos pede nosso coração, mesmo podendo apossar-se dele no momento em que quiser. Fazendo um paralelo entre a relação Deus X Homem e Artista X Obra, “Inventor do Tempo” é uma música absolutamente imperdível. É para deixar o dedo dormente de tanto apertar o repeat.

    Final Feliz

    “Final Feliz” faz jus a posição de música título do disco. Um Deus bondoso disposto a escrever para nossa vida um final feliz, apesar de todas as nossas decisões erradas quando a gente tenta ser autor de nossa própria história. É disso que se trata a faixa. A história do criador para nós é escrita com o Sangue de Cristo e tem sempre um final feliz.

    https://www.youtube.com/watch?v=Ejagq8Bax9o

    Me Leva

    Um ser humano pequeno que tudo tudo o que tem “cabe em um desenho”, mas que anseia em chegar na presença de Deus, no lugar onde não será alcançado pelo tempo, onde o coração será capaz de comportar o infinito, onde o medo não ficará nem na lembrança e onde, finalmente!, entenderá o que é pra sempre. Letra tocante e que no disco ainda ganha o refrão em dueto maravilhoso.

    Sabe o que é o mais legal? Embora o álbum tenha um viés meio lúdico e bucólico, não é nada maçante nem sonolento. Pelo contrário! O disco é fluido, bem costuradinho e tão agradável quanto um passeio de balão colorido pelo campo, que foi a ideia para o lindo ensaio fotográfico do projeto.

    Sensível e agradável, Deise Jacinto nos apresentou um trabalho ensolarado, revigorante e imperdível.

    Se o título fala sobre um “Final Feliz”, o álbum é uma felicidade do início ao fim. Um disco apaixonante!

    E então, te convenci? Agora dê o play aí no Spotify e ouça o álbum de graça.

    Para conhecer mais sobre a cantora e acompanhar seu trabalho:

    Site Oficial

    Facebook

    Youtube

    Spotify

    Itunes

    COMPRAR DISCO FÍSICO


    E então, meninas, gostaram da nossa nova tag? Já estou pensando em outros artistas para apresentar a vocês!

  • Conectados no Amor – Nós somos o povo da cruz

    A campanha Nós somos o povo da cruz surgiu recentemente de uma terrível atrocidade cometida pelos muçulmanos. No dia 15 de fevereiro, um domingo, foi publicado por parte dos islâmicos um vídeo na internet, exibindo um degolamento de 21 cristãos coptas. A cena mostra os terroristas encaminhando os egípcios vestidos de macacões laranja até uma praia da Líbia, e lá, obrigam-lhes a ajoelharem. O degolamento acontece em seguida. Sobre o título “Uma mensagem firmada com sangue para a nação da cruz”, o que chamou mais a atenção foi a ameaça declarada aos cristãos, apelidado pelos islâmicos de “o povo da cruz”.

    Como apoio, o movimento veio à tona com vários cristãos declarando-se como o povo da cruz, em resposta as ameaças dos terroristas. Campanhas de orações e jejum têm sido iniciadas pelas vidas dos coptas, demonstrando a sensibilidade dos cristãos como irmãos em uma família espiritual em que alguns estão sofrendo perseguições.

    A perseguição no oriente médio tem uma versão aqui no Brasil: perseguição ideológica. Não sofremos o tipo de provação que coptas sofreram, mas a cada dia numa guerra de teses e doutrinas, temos cegado nossas visões, oferecendo drogas para nos entorpecer na caminhada com Cristo. Falsas pregações surgem do nosso meio, e trocamos o vivo testemunho de uma Palavra em nós, por hipocrisias de teorias engolidas e mal digeridas. Somos perseguidos por todos os lugares, mas principalmente por nós mesmos, no entanto o morrer do nosso ego efetua e desenvolve a nossa salvação.

    As últimas notícias vem chamando a atenção dos cristãos. Perseguição, multiplicação de joios, depravação moral, problemas ambientais, e outros dilemas mundiais assimilam-se a profecia sobre o retorno de Cristo. Durante muitas épocas da história humana, crentes acreditavam que o fim do mundo seria nas datas em que viviam. A antecipação da volta de Cristo é um assunto desde os velhos tempos da igreja primitiva. Os indícios parecem apontar que estamos nos últimos dias, mas ninguém sabe o dia e nem a hora que Jesus há de voltar.

    Há uma canção do Switchfoot que diz que estamos na madrugada, às 4 horas da manhã, esperando um amanhecer. Com toda certeza, a madrugada é fria, perigosa, mas os fios de um sol surgindo pelo horizonte não são só uma bela visão, mas um início do calor e da luz, e do fim da escuridão. Por mais que tenhamos medo da volta de Cristo (o que não deveria acontecer), o início do novo tempo é um sinal de que toda a dor passará e que agora só haverá alegria.

    Os coptas morreram porque criam que o que estava proposto para eles era maior que tudo o que havia na terra. Eles morreram para redenção final em Cristo. O que será que temos colocado como tesouro em nosso coração?


    Redenção

    Quatro da manhã, 2 horas para ir,

    Estou vestindo uma luz solitária.

    Eu sinto mais sua falta que eu poderia saber.

    Aqui estou eu, aqui estou eu.

    Porque não vem me pegar?

     

    Eu tenho minha mão no lado da Redenção.

    Cujas cicatrizes são maiores que estas minhas dúvidas.

    Eu vou ajustar todas estas monstruosidades interiores.

    E eu vou viver.

    Viver…

    https://www.youtube.com/watch?v=1oXWQteu13Y

  • Rocklogia – O pulso ainda pulsa

    A Rocklogia dá uma pausa essa semana para relembrar uma situação um pouco fora da história do rock cristão brasileiro.

    Em 1989, os Titãs lançavam um de seus melhores trabalhos, o álbum Õ Blésq Blom, que contém o clássico “O Pulso”, época em que Arnaldo Antunes ainda integrava a banda. Sua letra dispensa comentários e merece ser relembrada aqui.

    https://www.youtube.com/watch?v=Ehmqn4OhJXc

    O que ninguém esperava era em que 2012 o vocalista do Resgate, Zé Bruno, escrevesse um texto analisando a situação da música cristã nacional, parodiando a canção de Arnaldo. O texto, intitulado de “Troféu II – O pulso”, é a continuação do texto em que ironizou o processo de votação do Troféu Promessas. Relembre:

    Falando um pouco sobre música.

    Neste final de semana pude conhecer dois trabalhos que me agradaram muito. Tive a grata surpresa ao ouvir os CDs do Hélvio Sodré e do Tanlan que estão dentro de um universo rock-pop no qual tenho navegado com o Resgate, há algum tempo. Acredito que deva ter mais gente fazendo coisa boa por aí a fora, cito dois casos porque pude ouví-los.

    Começamos com o Resgate em 1989, estamos perto de completar 24 anos, mas não me acho uma referência no sentido crítico, até porque meu universo musical roqueiro implica em muitas limitações harmônicas…sabe como é, são só três acordes… (risos) it’s only rock’n’roll but I like it!

    Mas confesso que quando me apresentam algo novo me sinto como se estivesse lendo o jornal de ontem, sabe como é? Aquela sensação de já ter lido aquela matéria e visto aquelas fotos? Imediatamente coloco de lado o periódico e sigo a vida à procura de uma notícia nova, infelizmente o Ctrl + C seguido de Ctrl + V insiste em subsistir em nosso meio.

    Graças a Deus não é o caso destes dois CDs que pude ouvir, eles saem do lugar comum, isso é bom.

    Não estou fazendo o papel de crítico, apenas refletindo sobre o que estamos fazendo com a nossa arte. A música e a poesia andam juntas e são a expressão da nossa razão e sentimento. Na verdade não sei se vivo em busca de uma música do céu, acho que vivo procurando uma maneira cada vez melhor de expressar o que Deus coloca dentro de mim aqui mesmo na Terra. O que eu preciso do céu acho que já tenho na forma revista e atualizada e na linguagem de hoje.

    Acredito que este é o grande problema… Nossa arte musical e poética precisa vir à luz pela reflexão nas sagradas letras, acho que é disso que sinto falta.

    Meu amigo e mestre Ariovaldo Ramos me disse que sem Bíblia não há heresia. Acho que é por isso que me sinto melhor às vezes ouvindo uma música em uma rádio qualquer do que ouvindo o melhor dos iguais no meio evangélico. Onde não há Bíblia não há heresia, na música “secular” (sei lá quem inventou esse título) consigo enxergar apenas o sentimento que o poeta demonstra e sua reflexão sobre a vida, e isso me soa coerente, e muitas vezes até se alinha com a lógica de Renato Pereira de Carvalhos em sua palavra. Por um outro lado músicas evangélicas sem reflexão e teologia se tornam avessas aos meus ouvidos, pois a poesia não contém o ingrediente que eu esperava que deveria conter.

    Teve dias que cheguei a pensar que não teria mais jeito, mas ouvindo meus novos amigos, valei-me Arnaldo Antunes, senti que o pulso ainda pulsa.

    Poderia citar Palavrantiga, O Trigo, Daniela Araújo…e outros tantos que me perecem que nadam livremente contra a correnteza. A mim me parece que não se importam com o fluxo natural, que legal isso! Fazem sua arte, cantam sua música e pronto. Eu gosto de ser assim, e admiro quem o é. Espero não me equivocar com essa galera, acho que não vou não…

    Depois de um tour de alguns anos no universo neopentecostal, sou grato por estar de volta e encontrar gente que sempre foi herói na resistência, pessoas que mantiveram vivo o mundo onde hoje encontro vida outra vez, obrigado a todos!

    Além disso, esses heróis servem de útero para que Hélvios e Tanlans possam nascer. Espero poder contribuir de algum jeito com esse mundo.

    Parabéns aos novos diferentes que mantém a alegria sentir de que o vinho pode ser novo todo dia em todos os sentidos. A cada dia vem um novo tsunami, mais um sucesso gospel, mais um meteoro da paixão, mas esse pessoal me faz ver que o pulso ainda pulsa…

    Vai minha paródia…

    Auto-ajuda, profecia, esquizofrenia
    Só vitória, dando glória, e histeria
    Conquistando, avançando, valentia
    Submundo do gerúndio, alquimia

    E o pulso ainda pulsa (graças a Deus)

    O pulso ainda pulsa

    Atos proféticos, símbolos, judaísmo
    Artimanha, barganha, fanatismo
    Fronha, lenço, arca, candelabro
    Meia, sabonete ungido, abracadabra!

    E o pulso ainda pulsa
    O pulso ainda pulsa

    Cópia, versão, fé, enlatado
    Revelação, mais unção, pré-fabricado
    Mexas, barbies, clipes, relógios dourados
    Tiques, Sarzedas e Disney, auditório animado

    Mas o pulso ainda pulsa
    O pulso ainda pulsa

  • Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (Parte II)

    Um Brinde – Sobre ideologias, cultura secular e prédios sagrados (Parte II)

    Ideologia “é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações ou regras (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem fazer e como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo explicativo, de representações e práticas (normas, regras e preceitos) de caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes. Pelo contrário, a função da ideologia é a de apagar as diferenças, como as de classes, e de fornecer aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, encontrando certos referenciais identificadores de todos e para todos, como, por exemplo, a humanidade, a liberdade, a igualdade, a nação, ou o Estado.” (Marilena Chauí, o que é ideologia 1980).
    Essa é uma das variáveis definições de ideologia. Posso indicar um norte que garanta ao caro leitor que essa série de textos não tem uma certa função de “puxar corda”, indicando o que é aproveitável e o que não é. Assim como faço com tudo aquilo que escrevo, abordo o cotidiano e aquilo que convém a minha realidade de vida. A palavra ideologia foi criada por Destrutt de Tracy, no séc. XIX, e significa, etimologicamente, ciência das ideias. Isso envolve desde já, pelo menos aqui nesse texto, o muro que existe entre a cultura cristã e a secular que quase, utopicamente, conseguem se separar. Ao meu ver elas deveriam se encontrar em vários momentos do nosso cotidiano quanto eventual, quanto rotineiro. Um dia desses, ajudando um amigo em um trabalho em um trabalho de cartografia, conheci um amigo dele, cristão da Igreja Metodista Wesleyana, e me falou que só ouvia música gospel pois encontrou todos os ritmos lá, então não tem porque procurar fora. Respeitei a opinião dele, mas pensei comigo: “isso não seria limitar a cultura? Se fechar em um mundo gospel e não deixar nada mais entrar, somente sair?” e é isso que acontece: queremos que os outros ouçam os mais variáveis ritmos gospel, mas nós não aceitamos nada que venha de lá, do ‘mundo’. Nem ao menos damos chances para ouvir o que a letra passa, refletir sobre a intenção do autor, sobre aquilo que compôs, procurar entender o meio que vive. Isso é cultura. Lembro também de um amigo meu ateu, que ao ser apresentado a banda Switchfoot por mim, disse que achava o som dos caras muito bom, mas que não ia dar atenção a ela pois eles são cristãos, apesar de suas letras serem sem rótulos. Então, é isso que acontece por aí: uma contracultura contraditória. Karl Marx compreende a ideologia como uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho manual e o intelectual. Isso afetaria outros conceitos que temos a respeito de assuntos mais complexos como a doutrina da salvação, por exemplo.
    Ainda sobre a definição de ideologia, é coerente citar o pensador Antônio Gramsci, que considero uma das mais conceptíveis para ser estudada nesse texto, a qual diz que “ideologia significa uma concepção de mundo, manifestando-se de modo tácito na arte, no direito, na atividade econômica, enfim em todas as manifestações da vida”. A partir disso, compreendemos que ideologia, em si, não é algo ruim. Torna-se algo negativo quando isso tem um fundamento ruim, com fins egoístas, indo ao encontro da cultura como um labirinto de ideias que se cruzam para constituir uma massa de entretenimento e conservação cultural. Segundo Rousseau “todo homem nasce bom, e a sociedade o corrompe”. A cultura secular é extremamente plural. Não tem como fugir dela. E aqui parafraseio Jesus, quando disse: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno” (João 17:15). Estabelecer um muro entre a cultura cristã e a cultura secular, é querer dividir o mundo, que o próprio Cristo não quis fazer. Como Salvador, pediu que fossemos libertos das coisas vis e más deste mundo, mas que houvesse relacionamento com a cultura e arte universal…
  • Ser Ester: Mania de Sapatilhas

    Hoje vamos falar sobre o modelo de sapato que faz a cabeça das brasileiras: a sapatilha. Se eu fosse perguntar para minha avó quem pode usar as flats, ela me responderia que está liberada de “mamando a caducando”, ou seja, todo mundo pode! Independente do porte físico, idade ou estilo, qualquer uma pode apostar nas sapatilhas e elas, democráticas que são, vão bem com quase tudo e se adequam em várias as ocasiões.

    SAPATILHA NO TRABALHO

    A sapatilha pode ser uma boa alternativa para um dia de trabalho confortável e elegante. Um modelo adequado pode ir muito bem com looks mais sóbrios e estruturados, como paletós e camisas. Para quem quer apostar nesse visual, a melhor dica é escolher modelos com cores sólidas e sem muito brilho. Uma boa ideia para conferir mais elegância ao look é optar por sapatilhas com bico fino que, além de alongar a silhueta, conferem mais seriedade ao visual. Não fica um charme?

    Montagem Trabalho

    SAPATILHA COM SAIA MIDI

    As saias midi foram um dos grandes hits fashionistas de 2014. Com ares de ‘novidade vintage’ para o mundo da moda, para as cristãs acostumadas ao traje, nada mais do que uma saia de tamanho comportado e adequado para ir à igreja, por exemplo. Como o comprimento é do joelho para baixo, a combinação com sapato rasteiro tende a dar uma achatada na silhueta. O que fazer, então? Se você for mais baixinha, opte por modelos de bico fino e/ou cores mais próximas ao tom da sua pele. Isso que vai dar a sensação de que seu corpo é mais longilíneo.

    Montagem Saia Midi

    SAPATILHAS METALIZADAS/PURPURINADAS

    Se tem uma coisa legal nessa vida é usar sapatilha chamativa. É a escolha perfeita para quem quer dar uma interessância ao look, mas sem se papagaiar toda. Paetês, bordados, brocados, pedrarias e tachas são elementos que valorizam a produção e dão aos pés lugar de destaque na composição do visual. Como não amar esse look romântico todo branco da Olivia Palermo combinado com a sapatilha prateada?

    Montagem Metalizadas

    SAPATILHA COM MEIA CALÇA

    A sapatilha é um calçado versátil e que funciona o ano inteiro. Confortável no verão, ela ainda é quentinha no inverno. Para se manter ainda mais aquecida, uma boa combinação é com a meia calça, fazendo joguinho com saia/vestido soltinho. Uma dica bacana é combinar a meia preta com sapatilha colorida, ou a meia colorida com sapatilha de cor neutra. Esse balanceamento entre as cores vai deixar o look chamativo na medida e sem exageros. Ah! E para quem quiser dar aquela alongada na silhueta, vale apostar nas duas com a mesma cor. Isso vai dar a sensação de que sua perna é enorme.

    Montagem Meia calça

    SAPATILHA ANIMAL PRINT

    Antes de falar sobre as sapatilhas com estampa de onça/leopardo/adjacências, quero deixar aqui registrada aqui minha frustração por não ter uma dessas. Grata pela atenção!

    Quer deixar um look casual sofisticado e com uma informação de moda bacana? Que tal apostar em uma sapatilha com estampa animal? Ótima pedida para combinar com jeans, a oncinha ainda pode ser uma boa opção para fazer um mix de estampas com as peças de cima, como no primeiro look que combinou a sapatilha de animal print com calça xadrez.

    Montagem Animal Print


    E então meninas, vocês também amam as sapatilhas?

    Eu amo, uso muito e estou empenhada em aumentar minha coleção hehe

    Por falar em aumento de coleção, todas as sapatilhas em destaque nas montagens são da Paula Schulz, da loja Coisinhas da Paula. A marca me foi apresentada pela minha amiga jornalista e linda Monique Jales. Ela tem loja online, entrega em todo o Brasil e o precinho é amigo.

    Valeu pela dica, Monique! Já estou desejando diversos modelos 😀

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  • Conectados no Amor – Sexo e eternidade

    Como dizia a música do Los Hermanos, todo carnaval tem seu fim, e agora a ressaca vem, o arrependimento (falso) vem, e finalmente o ano começa. A festa que aconteceu há alguns dias tem um dos maiores pilares que a sustenta por anos: a banalização do sexo. No carnaval pode faltar tudo, mas se faltar uma relação sexual sem valores, não é carnaval.

    O Brasil é um fenômeno nessa questão. O que na verdade é uma desvalorização feminina, uma visão consumista de “coma todo mundo”, uma propagação de indignidades, é visto como algo bom, como uma festa para aproveitar e ser feliz. Mas agora que a algazarra acabou, os fogos estão se esfriando, vamos falar de sexo.

    Falar de sexo parece ser uma ideia polêmica, principalmente nessa época que esquenta o cio brasileiro. Mas falando dentro de um contexto filosófico, cristão e bíblico, qual seria o valor da relação sexual?

    Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9

    Esse versículo não tem nada a ver com sexo. Nada mesmo. É um versículo falando sobre a eternidade com Deus, em que os anos vindouros com Ele são grandes e misteriosos aos nossos olhos, porém belos e fogem de tudo de bom que o homem já viu, que é incomparavelmente maior que nós. Mas por que coloquei em um texto que fala sobre sexo?

    Uma das idéias que cerca o cristianismo é que a relação amorosa só é praticada dentro do casamento, e que fora dele, a castidade tem que ser exercida. Sexo é para casados e ponto final (1 Co 7.2). E o que todas as pessoas sabem, é que o sexo é um dos maiores prazeres que nossa carne pode sentir, e que o desejo sexual é um instinto natural do ser humano.

    No âmbito divino, vemos que as coisas terrenas são sombras de uma verdadeira vida, o Reino dos Céus. De acordo com João 1:18, ninguém jamais viu a Deus, e quem ver a face de Deus, certamente morrerá. O conhecimento da face de Deus é um momento que está reservado para a eternidade. Se alguém O visse, essa pessoa já não teria mais vida. E é aí que entra a chave da questão: se eu posso fazer sexo só depois do casamento, eu logo só posso ver a Deus depois de ir para o céu! Sexo simboliza algo infinitamente maior que ele: a eternidade com Deus, o conhecer a face de Deus. Se o sexo dá tanto prazer a uma pessoa, é porque essa pessoa foi feita para um bem maior, um maior gozo do que o da relação sexual.

    Fomos feitos para algo maior. Solteiros como eu tem instintos sexuais, algo completamente normal, mas, além disso, temos o desejo da eternidade. Podemos tentar saciar esse desejo em diversas formas, mas ele foi feito para Deus. Deus nos fez para Ele, para desejá-Lo espiritualmente. Não devemos temer o anseio pelo Reino de Deus, mas incentivá-lo, buscando viver para isso, aprendendo sobre a vontade divina aqui na terra, até que o tempo divino chegue e nós possamos nos unir a Ele. Não devemos proibir desejos sexuais, devemos incentivar as pessoas a se amarem, a descobrirem o interior, a nudez da alma de quem eles amam, até que possam se tornar um no casamento, no sexo, que é um prazer tão santo, que não deve ser proibido. De fato, o melhor sexo é aquele que fazemos com os olhos em Deus.

  • Rocklogia – Acústicos, acústicos e mais acústicos

    A moda dos acústicos chegou no rock cristão nacional, e de 1998 até 2003 teve alguns trabalhos do tipo que até hoje são marcados como projetos marcantes na carreira de algumas bandas. Apesar de serem álbuns que pouco agradam aos fãs de rock, ajudam na vinda de novos públicos que não apreciam tanto ‘peso’.

    A primeira banda a apostar em gravar um disco do tipo foi a Oficina G3, com o Acústico de 1998. Um álbum de estúdio, como se fosse um cartão de apresentação do novo vocalista, PG que substituía Luciano Manga. É um álbum mediano, que agrada bem mais pelas duas inéditas (Quem? e Autor da Vida) do que pelas novas versões. No ano seguinte, foi gravada a versão ao vivo deste álbum, com mais músicas acústicas, e o resultado foi bem melhor que o anterior, lembrando uma boa época da Oficina G3.

    Foi no mesmo ano de 1999 que o Fruto Sagrado também gravou um acústico comemorando dez anos de carreira. Diferentemente da Oficina G3, a banda explorou novos arranjos, como em “Investimento”, numa execução bem melhor que a original.

    Mas o melhor acústico, sem dúvida foi o do Katsbarnea, de 2000. É claro que o vocal de Paulinho Makuko está longe de ser um dos melhores, mas em nenhum dos outros discos citados neste texto possui tanta participação do público como este do Kats. É audível por todo o projeto o público vibrando a cada canção. Até se fosse um mudo cantando, este disco seria muito bom.

    Em 2001, foi a vez do Resgate. A própria banda não gostou do resultado final, mas particularmente acho um bom álbum, além da inclusão da inédita “Água Viva”. Mas, se a banda desejar gravar outro acústico melhor que este, creio que todos aguardarão bem satisfeitos.

    https://www.youtube.com/watch?v=GGNmSZyxO7M

    Numa atitude um tanto quanto insana, Paulinho Makuko resolveu fazer outro álbum acústico no Katsbarnea em 2002. Profecia une o acústico com a música clássica, e embora não seja completamente acústico, foi um disco na hora errada, ainda mais por trazer músicas da carreira solo do ex-vocalista Brother Simion.

    O Catedral, mesmo não se intitulando cristão ou gospel, lançou pela Line Records o Acima do Nível do Mar, em 2003, que faz uma boa fusão do rock com a MPB, com músicas inéditas e regravações. É considerado por muitos como o melhor trabalho do grupo carioca.

  • Limão com Mel – A capa do CD é importante ou não?

    Atualmente, publicar a capa de um álbum é quase uma cerimônia, um evento, principalmente nas redes sociais.

    A cada trabalho lançado, um alvoroço para ver como ficou a capa do tal trabalho, se ficou bom, ou se ficou ruim, e dá-lhe opiniões. Uns amam, outros detestam, outros “esculacham na lata”, a espera de uma nova capa pra criticar.

    Mas será que a capa de um CD é tão importante assim ou estamos dando importância demais para algo secundário? Será que o que importa não são as canções?

    Comparemos com o alimento. Sabemos que o papel principal dele é alimentar, não importa a aparência. Certo? Deveria ser. Mas nós seres humanos “comemos com os olhos”. Por mais que algo esteja apetitoso, se não estiver agradável aos olhos, é difícil de acreditar que realmente esteja bom. Não é raro ouvir depois alguém decepcionado ao comer algo: puxa parecia tão saboroso…

    O mesmo serve para os CDs. Difícil de acreditar que as canções estejam boas quando a aparência não está. É claro que a capa não define as canções, assim como uma bela cobertura de bolo não garante que esteja gostoso, mas já é meio caminho andado!

    Percebendo isso, (uns tarde demais) muitos cantores estão buscando serviços especializados para tomarem conta de suas imagens (Graças a Deus).

    Fato é que não adianta tentar empurrar a ideia de que se trata de “um novo conceito” de goela abaixo porque não cola. É óbvio que nada irá agradar a todos, mas se a maioria concorda que não está legal, na boa, é hora de rever os conceitos de beleza por aí. #FicaaDica