Como dizia a música do Los Hermanos, todo carnaval tem seu fim, e agora a ressaca vem, o arrependimento (falso) vem, e finalmente o ano começa. A festa que aconteceu há alguns dias tem um dos maiores pilares que a sustenta por anos: a banalização do sexo. No carnaval pode faltar tudo, mas se faltar uma relação sexual sem valores, não é carnaval.
O Brasil é um fenômeno nessa questão. O que na verdade é uma desvalorização feminina, uma visão consumista de “coma todo mundo”, uma propagação de indignidades, é visto como algo bom, como uma festa para aproveitar e ser feliz. Mas agora que a algazarra acabou, os fogos estão se esfriando, vamos falar de sexo.
Falar de sexo parece ser uma ideia polêmica, principalmente nessa época que esquenta o cio brasileiro. Mas falando dentro de um contexto filosófico, cristão e bíblico, qual seria o valor da relação sexual?
“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9
Esse versículo não tem nada a ver com sexo. Nada mesmo. É um versículo falando sobre a eternidade com Deus, em que os anos vindouros com Ele são grandes e misteriosos aos nossos olhos, porém belos e fogem de tudo de bom que o homem já viu, que é incomparavelmente maior que nós. Mas por que coloquei em um texto que fala sobre sexo?
Uma das idéias que cerca o cristianismo é que a relação amorosa só é praticada dentro do casamento, e que fora dele, a castidade tem que ser exercida. Sexo é para casados e ponto final (1 Co 7.2). E o que todas as pessoas sabem, é que o sexo é um dos maiores prazeres que nossa carne pode sentir, e que o desejo sexual é um instinto natural do ser humano.
No âmbito divino, vemos que as coisas terrenas são sombras de uma verdadeira vida, o Reino dos Céus. De acordo com João 1:18, ninguém jamais viu a Deus, e quem ver a face de Deus, certamente morrerá. O conhecimento da face de Deus é um momento que está reservado para a eternidade. Se alguém O visse, essa pessoa já não teria mais vida. E é aí que entra a chave da questão: se eu posso fazer sexo só depois do casamento, eu logo só posso ver a Deus depois de ir para o céu! Sexo simboliza algo infinitamente maior que ele: a eternidade com Deus, o conhecer a face de Deus. Se o sexo dá tanto prazer a uma pessoa, é porque essa pessoa foi feita para um bem maior, um maior gozo do que o da relação sexual.
Fomos feitos para algo maior. Solteiros como eu tem instintos sexuais, algo completamente normal, mas, além disso, temos o desejo da eternidade. Podemos tentar saciar esse desejo em diversas formas, mas ele foi feito para Deus. Deus nos fez para Ele, para desejá-Lo espiritualmente. Não devemos temer o anseio pelo Reino de Deus, mas incentivá-lo, buscando viver para isso, aprendendo sobre a vontade divina aqui na terra, até que o tempo divino chegue e nós possamos nos unir a Ele. Não devemos proibir desejos sexuais, devemos incentivar as pessoas a se amarem, a descobrirem o interior, a nudez da alma de quem eles amam, até que possam se tornar um no casamento, no sexo, que é um prazer tão santo, que não deve ser proibido. De fato, o melhor sexo é aquele que fazemos com os olhos em Deus.
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