Hoje é sexta-feira, e como sempre, dia de Fique Sabendo. Vamos lá?
Alex e Alex lançam novo álbum pela Som Livre
Após vários anos lançando obras na MK Music, a dupla Alex e Alex prepara-se para lançar seu novo álbum pela Som Livre. A novidade foi divulgada através da capa do disco, de título Tribo do Leão. Segundo a assessoria de imprensa da dupla, a obra conterá doze faixas, com uma versão de “You and I” de Kenny Rogers e Bee Gees. O restante do projeto será totalmente autoral.
André e Felipe e Daniela Araújo gravam canção juntos
A dupla André e Felipe, próximos de lançar um novo disco pela Sony Music, se juntaram à cantora Daniela Araújo e gravaram uma canção. De título “Quem é esse?”, a letra é assinada pela dupla, e estará na versão em CD do projeto.
Fernandinho explica o conceito do álbum Galileu
O cantor Fernandinho gravará o álbum Galileu no fim do mês. Segundo o músico, o projeto nasceu a partir de uma necessidade sentida pelo intérprete em gravar canções que falem de Cristo de forma mais direta e incisiva: “Há 3 anos atrás, antes mesmo de gravar o DVD Teus Sonhos, em uma conferência, senti muito forte em meu coração o desejo de buscar de Deus canções que trouxessem a exaltação do nome Cristo. Não que as anteriores não fizessem isto, mas, de uma forma mais forte. Falar o que Ele é, e o que Ele fez, e não sobre minhas necessidades, de imediato veio a canção Galileu que mostra o que Ele é. Somos bombardeados por muitos caminhos, temo que alguns venham a se perder pelo excesso de estradas. Neste CD a minha alma clama para que nós voltemos ao evangelho simples, que é o Cristo que morreu e ressuscitou e em breve voltará. Que deixemos o joio pra ser tirado pelo juiz naquele dia. Que deixemos as “visões” e estratégias que nos cercam e olhemos para Cristo “autor e consumador”“.
Trazendo a Arca anuncia gravação de novo CD
A Sony Music divulgou, em suas redes sociais, um evento que ocorrerá nos dias 27 e 28 de maio na Igreja Apostólica Unidade em Cristo. Segundo a gravadora, trata-se da gravação ao vivo de um novo álbum. A banda ainda não se pronunciou, afirmando, se trata realmente de uma gravação ou apenas captações para um projeto de estúdio, como tradicionalmente fazem.
Foto: Raphael Campos, vocalista da Aeroilis em show ocorrido em abril de 2003 | Fotolog Aeroilis
Em meados de 2001, surgia a Aeroilis. Mais que uma banda independente do chamado rock alternativo, ainda incipiente no Brasil como um todo, o grupo se tornaria, com os anos como o precursor de um movimento musical já abordado aqui, o chamado Novo movimento.
A banda surgiu na cidade de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina no início de 2001, e caracteriza-se, inicialmente por ter iniciado suas atividades em uma região, anteriormente, de pouco destaque na cena do rock feito por indivíduos cristãos. Se antes, os grupos estavam concentrados no eixo Rio-São Paulo, a Aeroilis fez parte desta época, em que novas bandas de outras regiões se destacavam, principalmente oriundas das regiões Centro-Oeste e Sul.
Segundo Arvid Auras, baterista e principal letrista da Aeroilis, os integrantes já se conheciam e tocavam em outras bandas em anos anteriores, o que colaborou para a formação, em 2001.
Na verdade a gente já toca junto, em outras bandas, há um bom tempo, eu toco com o Raphael (vocal) desde 94, tocamos juntos no Hadasha e no Nec Plus Ultra, o Fernando (fejão) também tocava no Nec Plus Ultra, assim com o Eduardo, que foi nosso baixista até pouco tempo atrás [Arvid Auras, 2005, Super Gospel]
Após a formação da banda, o repertório autoral foi surgindo, e o primeiro álbum foi gravado num home estúdio, o La Cruz. O vocalista Raphael Campos, responsável pela maior parte das ideias instrumentais do grupo, foi o produtor da obra, que foi gravada e mixada entre julho de 2003 e janeiro de 2004. O baixista Eduardo Galvani ficou responsável pelo projeto gráfico.
O CD, distribuído de forma independente, continha onze faixas. Quatro meses depois, a gravadora Bom Pastor interessou-se pela Aeroilis, contratou a banda e o álbum foi relançado nacionalmente, com mais duas novas canções (“Ter Fé” e “Em Meio ao Frio e a Dor”). Inclusive, tais canções não aparecem no encarte do disco, justamente por terem sido incluídas posteriormente.
Durante a turnê do álbum, Eduardo precisou deixar a banda por questões de tempo, fazendo com que o músico Helon Borba (atualmente vocalista do Quarto Fechado) assumisse o baixo da banda. A banda fez apresentações em vários locais no Brasil. Lembro que, na época, o quarteto fez algumas apresentações em Goiânia, e nas rádios locais, “O Tempo” era bastante executada. Pelo fato da carreira musical não ser o meio de sobrevivência principal dos integrantes, a atividade da banda em lançar o disco seguinte ficou extensamente prejudicada, mas um post próximo abordará isso de forma mais detalhada.
Eles esperam que você seja perfeito, que não falhe (não quando eles esperam). E a cada texto que você escreve e publica, eles esperam a perfeição. E agora? Você não pode falhar, companheiro! Escolha um tema que eles gostam. Fale do que a mídia está alimentando no momento. Dê a eles o que querem. Alimente seus egos com informações bem baratas e sutis. Não pesquise muita coisa não, pois eles querem que você mostre seu ponto de vista, para terem um pretexto para que te julguem. Escreva sobre algo bem polêmico pois é isso o que a mídia sustenta: dane-se o bom senso! Eles querem que você se saia bem, mas se sair mal, também vão adorar, pois terão o que compartilhar nas redes sociais com a legenda: “olha o que esse babaca anda escrevendo”. Fique do lado o qual está ganhando. Se for esquerda, esquerda. Se for direita, direita. Não demonstre seu posicionamento teológico, filosófico e/ou político. Eles não gostam de muita formalidade. Mas bem que eles gostam de ser impressionados, então uma formalidade de vez em quando é muito bom. Ignore a letra do Guilherme de Sá que diz “escreva um livro e que ele ensine algo de bom”. Eles gostam de sensacionalismo, mas não muito, pois não gostam que os outros zombem deles por lerem coisas desse nível. Dê um conteúdo bem simples, mas simples demais não, pois eles não querem ler qualquer coisa. Então vai ser necessário fazer uma pesquisa né? Mas talvez não gostem… Mas…
Infelizmente essa é uma realidade na websfera brasileira. Blogueiros, colunistas, jornalistas e escritores de modo geral são os grandes responsáveis por alimentar um público rebelde acostumado a ler somente elogios e algo que os atraia. Eu, particularmente, falho nesse critério, pois não escrevo para agradar ninguém, mas se agrado é por pura consequência de meu trabalho. Se você não se encaixa no perfil de leitor que escrevi logo acima, meus parabéns, porque você não está preocupado em ler artigos com assuntos que vão encher seu ego de bonança crítica, mas ao ler algum conteúdo procura entender o autor. As aulas de português sempre nos exigiram interpretação de textos, e é fato que você entendeu isso. Parabéns leitor, estamos juntos! Não precisamos de heroísmo literário, precisamos apenas de um bom texto argumentativo. A internet é dos inteligentes e os bons textos, dos tolerantes.
Aos demais, digo-vos que fiquei com a arte de decepcionar leitores. Não consigo agradar, eu apenas escrevo. E a todos os meus digníssimos leitores, um brinde!
Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.
JOÃO 16:33
Ao contrário da mensagem que tem sido pregada com bastante frequência, a proposta do evangelho é mostrar as pessoas uma verdade inevitável: o sofrimento que vão enfrentar. Por causa da falsa mensagem de prosperidade divulgada nos púlpitos de algumas igrejas, homens têm sido colocados em ilusões que uma hora ou outra destruirão sua fé.
A cada dia que nasce teremos que lidar com esta verdade dolorosa: a vida não é fácil e nunca será. Infelizmente, pessoas procuram o cristianismo no desejo de ter um bom casamento, bom emprego, serem prósperos e felizes. No entanto, menos para tomar a cruz e seguir o caminho de arrependimento. A verdade é que dificuldades são barreiras as quais existem na estrada de todas as pessoas.
Quantas vezes fazemos propósitos e buscas para que Deus responda nossas orações, jejuns para receber uma vitória, campanhas para abrir a porta, com corações totalmente fechados para as coisas celestiais, e fazendo barganhas para que o Pai possa fazer as coisas segundo nossas vontades?
Um filósofo existencialista chamado Søren Kierkegaard dizia que “a função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora”, ou seja, é o pedido de “faça-se tua vontade”. Nessa caminhada até a eternidade, ou você segue a vontade de Deus, vivendo livre de si mesmo, ou continuará na sua caminhada própria vivendo escravo de si. Já que ninguém é obrigado a ser cristão, então não venha para o cristianismo com interesses próprios.
O evangelho é uma chamada de venha e tome sua cruz, e sim, ele representa uma estrada difícil, onde poucos encontram. Mas este caminho representa a paz interior, a felicidade e preenchimento do lado mais profundo de nosso ser. É essa paz, essa energia que fortalece os cristãos a caminhar, não as coisas visíveis e passageiras. O sermão das boas aventuranças é um chamado para valores interiores e não a tranquilidade exterior. Assim, viveremos em meio a guerras, mas em paz de espírito.
Fiquem com a música “Superman” e reflitam nas dificuldades da vida, pois todas têm seus planos.
Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me;
Chegamos em maio, e com muitas novidades. É hora de mais um Fique Sabendo!
Jonas Maciel lança novo clipe pela Som Livre
O cantor Jonas Maciel, contratado pelo selo gospel da Som Livre, lançou um clipe de seu último álbum, Feliz de Novo. A faixa-título, foi produzida no estúdio do Grupo Mix 360, de Belo Horizonte.
Pedro Braconnot anuncia retorno à atividades de produção musical no Rio de Janeiro
O multi-instrumentista, arranjador e produtor musical Pedro Braconnot anunciou, em sua página, o retorno de suas atividades no Rio de Janeiro. Pedro tinha um estúdio na capital carioca, o qual gravou vários discos de músicos e artistas do meio cristão nacional, como Cristina Mel, Aline Barros, Denise Cerqueira, Sérgio Lopes e vários outros. É vocalista e tecladista do Rebanhão.
Oficina G3 lança Histórias e Bicicletas – O Filme
A banda de rock Oficina G3 lança mais uma produção audio-visual, desta vez com caráter de documentário. As gravações do álbum Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e Esperança) foram registradas em meados de 2012 pelo diretor Hugo Pessoa, que viajou junto com o grupo. As imagens também mostram Alexandre Aposan ainda como integrante.
Cristina Mel lança clipe de canção acústica
A cantora Cristina Mel lançou um clipe de uma de suas canções de carreira, “De Tarde”, do álbum Você é um Vencedor, de 2002. A produção foi divulgada pela Sony Music.
Com a saída do Catedral do cast da MK, após uma parceria da gravadora com a Warner Music Brasil que rendeu lucros exorbitantes para o selo carioca, era interessante ter outro grupo de rock. A MK Music, de fato, nunca foi a gravadora ideal para bandas de rock cristão, mas, depois da Gospel Records, foi a que mais se propôs a lançar discos do gênero. Tentaram nos anos 90 com o Complexo J, Semeando, Raízes, Contato Vital, e até mesmo com Carlinhos Felix, que aos poucos tendeu mais ao pop. A maioria destes nomes não obtiveram grandes resultados, exceto Carlinhos, que preferiu lançar sua própria gravadora, e o Complexo J, que migrou para a Gospel Records.
Quando o Catedral lançou seu primeiro álbum pela WEA, o então ex-integrante do Oficina G3, Túlio Régis, ciente da vontade dos integrantes da banda de mudarem de gravadora, tentou contato com a MK para levá-los à gravadora carioca. Em entrevista cedida ao Ruben Mukama, o cantor afirma que, apesar do grupo ser o que mais vendia na Gospel Records, seu contrato era ‘animalesco’.
Eu sou um dos culpados disto. Um dia disse: por que vocês estão na Gospel Records ainda? Porque eles se submetiam ao distrato que sofriam, como bandinha, deveriam voar mais alto, independente ou indo para uma gravadora melhor; ficaram receosos, porque tinham o apoio de mídia da Renascer e do apóstolo, e temiam retaliação. Comentei sobre a MK Publicitá, e disse que o Marquinhos, um amigo de uma banda legal do RJ poderia dar uma força. Eles ficaram na dúvida. Eu liguei para o Maquinhos, comentei sobre e justamente quando o Catedral havia saído se abriu uma brecha para eles, o Marquinhos não acreditou que poderia ter esta oportunidade boa… Enfim, a negociação foi feita e o Oficina G3 se transferiu para a MK, a condição é que eles não mais teriam mais direitos sobre os diretos das músicas e afins produzidos por eles na Gospel Records, este foi o trato.
Era fato de que os tempos para a banda eram bons. Luciano Manga fez sua despedida em alto estilo com Indiferença, e os álbuns acústicos com o novo vocalista PG eram comercialmente promissores. Com isso, a presidente da MK, Yvelise de Oliveira, sugeriu à banda que neste primeiro trabalho fizessem canções mais pop, ideia que a banda já cogitava abraçar. Com isso, O Tempo se afastou parcialmente do hard rock dos últimos inéditos, mesclando bastante influências do pop rock.
Infelizmente, os fãs mais radiciais do Oficina G3 dilaceram o disco, como se um registro pop rock fosse a pior coisa que a banda teria feito. Ocorre que, não é necessária uma análise profunda para notar que, embora comerciais, a maioria das músicas são bem construídas, com arranjos criativos, o que faz o trabalho ter seus grandes méritos. Ainda há de se considerar que o sucesso da banda deve-se muito a este CD, que na época, chegou a vender quase 200 mil cópias e, até hoje é seu o maior sucesso comercial.
Em 2001, a banda foi convidada para participar do Rock in Rio 3. Até aquele momento, nenhuma banda de rock cristão tinha participado do evento, e o Oficina, além de outro grupo chamado Os Nazaritos (que nunca abordei aqui por não considerar o trabalho deles importante para a história do rock cristão nacional) tiveram a grande chance. Antes mesmo da participação ocorrer, várias igrejas se opuseram ao fato, com acusações ferrenhas ao conjunto. O que parecia soar como uma grande chance de expandir o seu trabalho tornou-se um fracasso, pois a banda foi forçada a iniciar a sua apresentação antes dos portões se abrirem, passando parte do show tocando e cantando para ninguém. Isso os deixou imensamente decepcionados.
Muitas outras polêmicas aconteceriam com a banda, mas isso é para o próximo post, a respeito do álbum Humanos.
Este é um assunto um tanto quanto espinhoso, mas necessário de ser discutido. Afinal, por que alguns (muitos) cantores não gostam e rejeitam o termo “artista”? Por que em pleno século XXI, ser um artista cristão ainda é tabu? E por que alguns “levitas adoradores” repudiam o termo artista, mas leva vida de astro e estrela? Hum…
Com algumas perguntas que não querem calar abertas, tentaremos na medida do possível encontrar as respostas.
Primeiro, há um equívoco na interpretação do termo artista! Segundo o pai dos burros Mini Luft, o termo artista significa:
1. (Pessoa) que pratica arte ou que revela sentimento artístico. 2. (Pessoa) que tem talentos. 3. (Pessoa) que faz da arte um meio de vida.
Cadê o problema cantores? Pessoa que pratica arte ou que revela sentimento artístico. E música é o quê? Para os desavisados, genericamente falando, música é a arte de combinar sons. Se você combina sons e grava num CD, e usa esses sons combinados como um meio de vida, queridinho e queridinha de Jesus, lamento informar, mas você é um(a) artista! (Ai que triste! rs).
Assim entendemos o porquê de o termo artista ainda ser tabu no meio gospel: burrice, ignorância, idiotice, chame do que quiser.
Mas se ser artista é algo “normal” por que cantores gospel rejeitam o termo? A conclusão é simples: por causa do bendito “politicamente correto”. Se a massa acha que cantor gospel não deve ser artista (como se isso fosse uma escolha), então não vamos ser. Não se pode passar uma “imagem” ruim. Tem-se que manter a aparência mais certinha possível (ainda que seja só aparência mesmo).
Na verdade, há uma certa rejeição (aparentemente sendo superada) da postura de superstar adotada por alguns representantes da música gospel. Segundo o site Bem Falar, superstar é um “indivíduo (artista, político, líder religioso, atleta etc.) que apresenta algum talento em alto grau e é por isso extremamente aplaudido, famoso e requisitado”. Conhece algum? Assim, ser artista não garante que se é ou será famoso, aplaudido e requisitado. Mas se é famoso, é porque faz alguma coisa (nem sempre arte, nem sempre algo bom).
Por fim, por que há cantor que repudia o termo “artista”, mas leva vida de super astro? Sim, astro! Afinal, cobrar cachê de 40 mil, possuir jatinho e ser convidado para participar de programas de TV não é para qualquer um. Ou não? Isso é incoerência do que se fala para o que se vive. Faz muito tempo em que a diferença entre cantores seculares e gospel se tornou tênue. (e os seculares não foram os influenciados).
Não há problema algum em ser artista, viver da arte que produz. O problema está em negar o que se vive. Se são astros, famosos e reconhecidos, então parem com a hipocrisia de fingir que não são. É aquela velha história citada por Jesus em Mateus 23 verso 24: “Condutores cegos! Que coais um mosquito e engulais um camelo”.
Simonami é uma banda curitibana muito massa! Massa? Deixe eu explicar: quando estamos preparando um bolo, o essencial no seu preparo é a massa. Se a massa não for boa, o bolo não será bom. Talvez a expressão “massa” que nós, jovens brasileiros do século XXI usamos, não tenha nada a ver com o que massa signifique realmente. Os ingredientes precisam ser bem escolhidos e com amor. A galera do Simonami sabe muito bem disso. Desde a escolha do nome da banda, o qual é uma homenagem a um grande amigo, até a composição de suas músicas, são usados componentes dignos para um bolo consistente. E assim como em todo bom bolo, não pode faltar o leite, não é? (embora eu não seja muito simpatizante de bolos, no máximo um pedacinho em um pires no aniversário de um amigo e só, sinto-me satisfeito). Mas, e se o leite estiver azedo? Boa coisa o bolo não vai ficar.
Digamos que você acabou de ler uma metáfora da metáfora. Usei o exemplo do bolo para um contraste extrovertido entre leite e massa. Portanto, o principal nesse texto é falar da música “Leite Azedo” da banda Simonami (inclusive entrevistei a vocalista Lillian Soares no meu blog), a qual está no primeiro trabalho da banda, o Simonami EP, lançado em 2011 de forma independente. Pretendo fazer uma análise bem simples, pois a música é simples. Não me lembro quem disse, mas alguém de nosso tempo falou que uma coisa não deixa de ser grande por ser simples. E é essa a definição mais cabível para “Leite Azedo”: grande e simples. No papo bem distraído o qual tive com a Lillian no Dialetos & Coisas Boas, a cantora disse que as vezes escreve a dor a qual sente e depois que ela passa, aquilo se transforma em uma linda canção. E talvez seja a definição correta do que os sertanejados definem como sofrência. O que os discípulos de Pablo não sabem é a profundidade de uma música além de uma mera afirmação coletivas de experiências falhas. Existe consistência na letra, a mesma torna o bolo durinho e com um brilho atraente. Assim, há vida lá fora, como canta a Tanlan em “Hermético“.
“Do alto vem trovão, vem raio De dentro vem todo o mal De um lado eu tenho as sete vidas Do outro eu morro toda vez E no começo eu usou bandida No fim eu sou a mãe do rei O meu “pra sempre” era tão certo E agora eterno é leite azedo…“
O que faz um leite azedar? Antes, não espere de mim a função de um exímio crítico que explique a letra da música, até porque fico levemente irritado quando alguém me pede para explicar algo autoral. O leite azeda quando fica fora do congelador por muito tempo e não é esquentado. A vida é tão transitória como um leite esquecido na cozinha em uma noite de quinta. E o motivo pelo qual a torna esquecida é o isolamento, ou seja, fechar-se do mundo em constante movimento. Infelizmente não sou jornalista e tão pouco estudo a profissão, mas amo o ofício, tento ser colunista e leio de tudo para escrever bem. Eu sei que se eu me fechar, ninguém nunca vai saber de mim, pois nenhuma pessoa lerá nada de um Jhonata Fernandes anônimo. Quando ouço a Lillian cantar “De outro eu morro toda vez“, sinto que aí está o sentimento lá do início do texto: se a massa não for boa, o bolo não será bom. “Leite Azedo” é uma das únicas músicas que ouço repetitivamente sem enjoar. Deve ser porque existe muito mais do que o violão, voz e letra: existe vida!
“Ah, se eu fosse o tempo esperaria mais, mais, mais Para ver se acontece o que eu prevejo no fim Ah, se eu fosse espaço eu soltaria mais a mim Pra ver se aqui dentro eu desaborreço Pra ver se aqui dentro eu desapareço“
Lembro que minha ex-namorada me perguntou após duas semanas de termos terminado, como eu me sentia. De imediato enviei a música do Simonami para ela e disse: “é assim que me sinto”. Ela respondeu alguns minutos depois dizendo: “pela letra, acho que não se sente muito bem”. De fato, não me sentia bem mesmo, pois perder algo que, principalmente se gosta tanto, é muito ruim. Um pedaço da sua alma se desmancha. Alguns fazem automutilação, outros se embriagam, outros mais radicais, até tentam suicídio; nós mortais, apenas escrevemos. E foi isso que Lillian fez: escreveu o que sentia. A massa leva tempo para ficar boa e as vezes esse tempo nos custa algo como ansiedade e sem ter o que fazer. Na vida acontece o mesmo: leva tempo para nos recompormos e esse período nos custa muito. Cada segundo parece milênios de tensão. Deve ser por isso que o p(r)o(f)eta disse:
“Tempo de chorar, e tempo de rir; Tempo de prantear, e tempo de dançar;”
(Eclesiastes 3:4)
O tempo é muito mais do que um espaço de minutos e horas, ele significa que os episódios mudaram e o curso da vida também. Eu lembro que já escrevi uns dois textos para o meu blog ouvindo esta música. Lembro-me também de voltar para casa durante a noite olhando a linda paisagem de Rio Branco da janela do ônibus. Não esqueço de ouvir meu amigo Iury Aleson mudando de opinião sobre a banda (a princípio ele não gostava do folk deles, mas depois entendeu a essência e passou a gostar). Lembro-me de “Leite Azedo” servir de inspiração para alguns conselhos os quais, obrigatoriamente, dei ao meu irmão. Lembro, também, de certa madrugada de angústia, quando reproduzi a música e orei. Portanto, assim como o leite azeda quando é esquecido, perdemos o bom humor quando somos esquecidos. Perdemos o foco quando olhamos para o lado e não enxergamos mais razões para lutar, persistir, crer, e, desta forma, a vida azeda quando é esquecida. Belchior escreveu em “Como nossos pais” que sabe tudo na ferida viva de seu coração. E nós sabemos de fato, pois sabemos a dor que sentimos em madrugadas de insônia. Nós, mais do que ninguém, sabemos quando a vontade de chorar aperta o coração e nos desmanchamos em lágrimas. Sabemos, e só Deus e nós sabemos, do desconfortável sentimento de culpa e angústia que sentimos em tempos de crises. “Se eu fosse o tempo esperaria mais” e certamente esperaria mesmo pois queremos acertar as coisas. Queremos endireitar a rota que se desviou e por ordem na bagunça toda que há em nossa casa interna.
“Dos dedos vem o arranjo que eu quis Dos lábios vem cebola e fel Em casa tem amor, tem pai, mãe Da rua vem um homem mau De mim sai choro, vos, saudade Do Outro eu roubo a ideia o ideal“
Como um recém estudante de música, entendo a alegria que é instrumentalizar uma canção. Nossa, que dádiva! Mas em termos, o outro lado de nós não está alinhado com melodias esplêndidas. Cebola e fel representam mau gosto horrível. Se perceber bem, a cebola só entra na comida acompanhada de outros legumes ou nutrientes, mas nunca é servida só em um lindo prato, pois é ruim e desagrada a boca. O mais incrível é que eu entendo perfeitamente o sentimento do compositor. Parece até que eu fiz parte da elaboração musical da letra, no entanto, não a fiz. Acima disse que há muito mais por trás de uma música do que nos é apresentada, e quando atingimos uma certa idade, entendemos a dor como uma fase ruim e que ela logo passará, mesmo que aquilo nos leve alguma coisa. “Do outro eu roubo a ideia o ideal“. Daqui há alguns anos olharemos para trás e entenderemos cada sentimento sentido, sorriremos de situações bobas e compreendermos o porquê do bolo demorar tanto para ficar pronto, mas o principal é que entenderemos o quanto se pode aprender com uma canção e o quanto podemos refletir com a arte que nos cerca, e, assim, também, o quanto podemos usar a dor para abençoar outros. Desta forma foi comigo quando ouvi “Leite Azedo” pela primeira vez! Para concluir, deixo uma pequena poesia que escrevi em um desses tempos difíceis. Um brinde!
O tempo me destrói
Eu pouparei palavras Falarei tão pouco que você nem vai perceber Vou ignorar a gramática como ignora a matemática Não vou rimar e nem convencer Vou mostrar somente o que está escrito Então, você vai perceber que tudo o que quis dizer É que o tempo me destrói E por causa dele, encerro essa dor disfarçada de poesia.
25 Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?
26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
27 Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
28 E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;
29 contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.
30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?
32 (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.
33 Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
A canção “Naquela Rua”, de Marcela Taís, é uma das minhas favoritas da compositora, mas muito pelo seu conteúdo. Essa música se encaixaria no que eu chamo de filosofia de vida, ou o que tento fazer de ideologia no meu viver. Ela parece uma expressão poética das palavras de Jesus em Mateus 6.25-36.
Essa rua que a cantora reflete parece ser o belo Reino de Deus. O Reino da igualdade, simplicidade, e da paz. A manifestação perfeita do Reino se dará na eternidade, em outro lugar, mas caminhar para ele, vendo brilhos dele aqui na terra é uma tarefa a qual vale nossa vida inteira.
A música parece fazer referência à velha cultura de nossos pais, quando podiam fazer coisas na rua sem se preocuparem com a insegurança. Aquela famosa frase, “na nossa época brincávamos na rua”, parece ser a orientação da letra da composição. No entanto, a transmissão de paz e tranquilidade que a obra transmite é a sua maior beleza.
“Hoje vou voltar na rua que eu nasci
Hoje eu quero lembrar como é ser feliz
Lá nossas crianças brincavam mais
Hoje vivemos os dias sempre tão iguais”
O encanto se alastra por cada verso. “Voltar na rua que eu nasci” é uma verdadeira prefiguração do nosso retorno ao início de tudo, à origem das coisas, uma regressão a Deus. E nos nossos caminhos impuros, esquecemos-nos da verdadeira vida nEle. Se encontrar com Deus, é se lembrar de como é ser feliz. Se encontrar com Ele, é se tornar uma criança. Uma criança não tem medo e nem vergonha de ser quem é, vive a simplicidade, e está segura sob a proteção de quem cuida dela. Em Mateus 18.3 está escrito que ninguém entrará no Reino dos Céus sem se tornar uma criança. Nesses dias velhos, numa cidade a qual cada vez mais cresce, que avanços acontecem, mas o desespero aumenta, a tristeza aperta nos corações das pessoas, é tão bom retornar ao lugar de onde vim.
“O tempo vai, vamos decidir
Vamos sonhar antes de dormir”
Então, todos os dias, eu decidirei sonhar com isso, com o que os olhos nunca viram. E esse sonho está aberto às pessoas que desejam um lugar que possam viver em paz, em amor, e em união com todos, e principalmente, com Deus.
“Vem me visitar e não repare
Que hoje a casa eu nem vou arrumar
Senta aqui na minha varanda
Temos tempo e deixa as plantas
Hoje nem vou regar
Que a chuva vai trabalhar,
Enquanto ela cai vamos conversar
A vida repartir, juntos vamos ser feliz
Como naquela rua continua aqui”
Cristo dizia para não se preocupar com o que haveria de comer e vestir, pois se os pássaros e as plantas Ele os vestia e alimentava, imagina como seria o trato dEle conosco. Na minha caminhada até o céu, só vejo como necessidades duas coisas: Deus e as coisas que são necessárias para reconstrução do meu interior. Temos tempo, temos uma vida inteira para viver pela verdade, para amar a Deus e ao próximo, por que nos preocupamos tanto com coisas passageiras?
Não precisamos de nos preocupar com nada, Ele já está cuidando das coisas. Bob Marley dizia “Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar, por que amamos as coisas e usamos as pessoas?”. Com base nisso, parece que os supostos avanços tecnológicos morais, atualmente, é só uma prova do quanto temos caído. Em vez de as preocupações humanas se voltarem para riquezas, para construir e erguer castelos, em busca de felicidade, a atenção do homem deveria se voltar para justiça, igualdade, para o amor. Esqueça as coisas, ame as pessoas, seja feliz e faça feliz a quem está do seu lado.
“Hoje eu vou voltar na rua que eu nasci
Hoje eu quero lembrar como é ser feliz
Ensinem as crianças a brincarem mais
Vamos plantar mais flores em nossos quintais”
Hoje em dia, o tema publicidade infantil tem criado polêmicas. Infiltrar a vida adulta num menino gera complicações com toda certeza, porém, antes de ensinar a uma criança habilidades que vão definir seu futuro, ensinem a elas a viverem sempre como elas são. Elas já vivem assim, mas quando chegam à vida adulta, máscaras começam a ser colocadas em seus rostos. Portanto, incentivem a elas buscarem a Deus e o seu reino transformando o que são, e não o que fazem, pois o que as crianças fazem apenas mudará completamente se elas mudarem o interior do coração delas.
Entretanto, o que mais desejo ressaltar é a importância de nós mesmos, os que já deixaram a infância, se tornarem como elas, não tendo medo de ser feliz de verdade, de viver em tranquilidade, pois esse caminho trata-se de uma ida à direção contrária do mundo inteiro. Ao invés de colocarmos no jardim do nosso coração o ódio, a luxúria, o interesse próprio, dinheiro, vamos trocá-las por amor, pela justiça, por tudo que é bom, agradável e respeitável.
“Se essa, se essa rua fosse minha
Não deixava, não deixava ela mudar
Brincadeira, brincadeira todo dia
Porque, a vida porque a vida ela não pode parar”
Se formos filhos do Rei, o nosso destino é traçado por uma busca por seu Reino. Quem vive a espera de um lugar melhor, sem caminhar para ele, sem fazer do seu mundo ao redor um campo do Reino de Deus, não sentiu ainda a verdadeira manifestação da salvação de Cristo. A busca tem que ser diária, deveremos caminhar para isso, cada vez nos tornando mais crianças, inocentes, e sendo nós mesmos, à medida que nosso ser se transforma a cada dia. Devemos nos preocupar, mas em amar ao nosso próximo do que juntar muitas coisas e morrer sem nada. Viva cada dia como se fosse o único na existência terrena, plantando o amor de Deus.
As preocupações viram, as lutas cruzaram nossos caminhos, mas maior quem está conosco que qualquer dificuldade. Deixem a simplicidade no caminho ao invés de conquistas sem propósito algum.
Ouçam a música, tenho certeza que ela fala muito melhor do que as meras palavras deste texto.
Praise, ou Resgate Praise, é um divisor de águas na carreira do Resgate. Não sou eu quem digo, mas a própria banda. A banda começou a evoluir em On The Rock, continuou evoluindo em Resgate e alcançou um patamar de qualidade ainda maior em Praise. Tudo isso graças à uma peça fundamental, pela qual o quarteto sempre presta elogios: Paulo Anhaia.
Paulo Anhaia era, e é amigo de Rick Bonadio. Rick foi o primeiro engenheiro de som do Resgate, e os dois primeiros discos da banda foram gravados lá. A partir disso, cada um seguiu o seu caminho. O quarteto começou a trabalhar com Anhaia, enquanto Bonadio tornou-se nacionalmente conhecido através da produção do único álbum de inéditas do Mamonas Assassinas. Tornando-se um produtor musical de notoriedade nacional, seu estúdio Midas tornou-se fortemente requisitado. E no verão de 2000, o Resgate esteve lá.
As experimentações do álbum Resgate, tanto em suas letras quanto arranjos revelou um potencial que a banda ainda podia explorar. Nesta época, apesar dos integrantes estarem morando à distância, o trabalho foi mais coletivo. Para completar, Estevam Hernandes sugeriu ao grupo que fizessem um álbum com letras de louvor comunitário. Consequentemente, Resgate Praise foi a síntese disso.
Para completar o time nas guitarras compostas por Zé e Hamilton, a banda teve a participação de Marcus Rampazzo na slide, além de Roberto Pacciello no hammond e pianos, afinal o vintage é uma das características fundamentais da sonoridade do Resgate. Com Esdras Gallo e um time de back vocals, Resgate Praise contém um repertório bastante uniforme, mas envolvente. “Infinitamente Mais”, “Restauração” e “O Nome da Paz” são, certamente, os maiores destaques do projeto, que até hoje é bastante lembrado.
No encarte de Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito, Zé Bruno diria: “Acho que foi um marco na nossa trajetória. Não sei explicar, mas depois do Praise, a banda foi outra, assim como será depois do Ainda não É o Último. Foi o terceiro CD produzido pelo Paulo Anhaia, e trabalhar com ele é uma mistura de trabalho, curtição e escola, e esse fator pesou muito na nossa história”.
Após isso, o grupo gravou um disco acústico, e em 2002 viveria uma nova fase, com o encerramento da parceria com Anhaia e a primeira participação de Dudu Borges como músico contratado… mas isso é assunto para um próximo post.
Cookies necessários ativam recursos essenciais do site como logins seguros e ajustes de preferências de consentimento. Eles não armazenam dados pessoais.
Nenhum
►
Cookies funcionais suportam recursos como compartilhamento de conteúdo em redes sociais, coleta de feedback e ativação de ferramentas de terceiros.
Nenhum
►
Cookies analíticos rastreiam interações dos visitantes, fornecendo insights sobre métricas como número de visitantes, taxa de rejeição e fontes de tráfego.
Nenhum
►
Cookies de publicidade entregam anúncios personalizados baseados em suas visitas anteriores e analisam a eficácia das campanhas publicitárias.
Nenhum
►
Cookies não classificados são cookies que estamos em processo de classificar, junto com os provedores de cookies individuais.