Rocklogia – O rock vintage do Resgate

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O Resgate tinha alcançado um posto respeitável no rock cristão nacional através de On The Rock, e graças à Paulo Anhaia o som da banda evoluiu muito. Dois anos daquele lançamento se passaram, e o quarteto propôs fazer um disco mais ousado que o anterior, principalmente nas letras. Daí surgiria um de seus trabalhos mais incompreendidos, Resgate.

Nesta época, a banda gostaria de obter um som diferente do disco anterior. Ao invés de estar fortemente pautado no hard rock e no heavy metal, o Resgate gostaria de produzir uma musicalidade vintage e crua. Anhaia abraçou a ideia que, como produtor mais experiente do que em On The Rock, realizou experimentações junto ao grupo que culminou na sonoridade encontrada no álbum.

O disco, como um todo tem timbres de guitarra mais característicos, mas o destaque vai para a bateria de Jorge Bruno. Sem reverbs e poucos overdubs, o som é bastante orgânico. As letras, em maioria extremamente complexas, talvez as mais bem construídas no repertório da banda. Um dos grandes exemplos é a canção de abertura, “Liberdade” e “E Daí?”. Eu particularmente gosto muito de “No One” e sua simplicidade, embora a pegada da intro de “Antes” seja memorável.

Na prática, o álbum não foi masterizado. Paulo Anhaia, juntamente com o vocalista Zé Bruno apenas checaram os níveis de áudio no computador do produtor, que estava na cozinha da casa de sua mãe. Apesar da intensa seriedade do disco, não faltou humor nos créditos do encarte, com a seguinte citação: “Masterização: Mother’s Kitchen”.

No geral, Resgate transmite uma sonoridade envolvente, simples e letras que abordam a questões internas do ser humano e pontos fundamentais do cristianismo (como a transformação de vida do indivíduo). É de certo que sua posição na discografia da banda é ingrata, afinal está dentre dois divisores de águas do Resgate (On The Rock e Praise), o que de certa forma sempre o ofuscou dos demais álbuns.

Comentários

One response to “Rocklogia – O rock vintage do Resgate”

  1. […] Tiago: Resgate foi um dos melhores, e talvez o último disco realmente bom do Resgate por muito tempo. Aliás, sua turnê foi acompanhada por ótimas apresentações da banda juntamente com os caras da Oficina G3. A obra tem seu tom claramente questionador, com letras complexas e versos bem trabalhos, mas que também conta com arranjos primorosos. É um trabalho liricamente e instrumentalmente anticlichê. Neste época, a banda começa a se mostrar bastante atraída pelo rock britânico, e apresenta, aqui, a sua versão do britpop. É um som de vanguarda, pois, se você parar para pensar, só o Skank faria algo parecido no mainstream do cenário nacional, e em Cosmotron (2003). É certamente curioso como um disco que sequer foi masterizado ter uma orgânica tão agradável. […]

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