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  • Rocklogia – DDG, o álbum superestimado

    Juninho Afram já estava como vocalista há muito tempo, mas as canções da banda exigiam muito do cantor para dividir as guitarras com os vocais. Por outro lado, vinha um álbum agressivo em produção, chamado Depois da Guerra, enquanto conheciam um rapaz de voz monstruosa e rasgada de nome Mauro Henrique. Obviamente, a banda cresceu os olhos e ele foi anunciado como novo vocalista. Muitos acham que, apesar de Juninho ser o líder, quem influencia na sonoridade é o vocal (o que é uma bobagem sem tamanho, já que tudo, segundo eles, é no consenso entre todos). E, neste caso, claro, não foi assim.

    O disco foi lançado no início de dezembro do ano de 2008 e rapidamente causou delírio do público pela forte característica do metal progressivo, já desenvolvido no Além do que os Olhos Podem Ver. Antes de tudo, qual a diferença fundamental entre os dois discos? A mixagem e parte da sonoridade. Além tem uma mix relativamente pop, em que todos os instrumentos ganham destaque, enquanto, no DDG, as guitarras possuem mais peso e o baixo ficou um tanto quanto apagado. Outro detalhe, que vale mencionar, é a influência de metalcore, que Além do que os Olhos Podem Ver não tem.

    É óbvio que DDG é um bom álbum, mas o considero superestimado. A começar que parte do repertório não é autoral. Acredito que seja da consciência geral de que uma banda de rock que se preze deve dar prioridade ao material autoral, e parte das melhores músicas não são, como “Meus Próprios Meios” (Déio Tambasco), “Incondicional” (membros da ex-banda de Mauro, com Mauro) e “Better” (Celso Machado). Em segundo ponto, a influência da produção musical na sonoridade é tão grande que pouco da Oficina tão evoluída dos dois discos anteriores se vê neste álbum. Soou um grupo totalmente diferente. Terceiro, e mais importante: a maioria das baladas deste disco, em minha opinião, são muito chatas, especialmente “Tua Mão”, uma das coisas mais diabéticas que o grupo já fez. A temática “guerra”, explorada nas músicas, em certos momentos soou repetitiva, se tornando algo bastante cansativo ao ouvir. Mas, tirando estes detalhes relevantes, o álbum é realmente surpreendente.

    Sobre a melhor faixa do álbum, Déio Tambasco disse:

    “Esta letra é parte da história da minha vida.
    Todos nós, em algum momento, vivemos escravizados pelo medo, e creio que esta é uma das piores prisões, pois tiram a força, a honra e até a vontade de viver.
    Mas na força dEle, podemos dar um basta.
    De onde vem esta força? Deixe Deus feliz, pois é de Sua alegria que vem a nossa força. Nehemias 8:10”

    O clipe de “Incondicional”, dirigido por Hugo Pessoa, foi bastante visualizado, e filmado no mesmo local onde foi produzido o DDG Experience, em 2009. A respeito deste projeto, é excelente. Ter escolhido Hugo Pessoa foi uma escolha muito acertada, afinal ele vinha com uma produção premiada, o DVD Ao Vivo no Maracanãzinho, do Trazendo a Arca, que venceu o Troféu Talento (apesar de ser uma votação popular, a categoria DVD era avaliada por críticos especializados).

    A banda escolheu o melhor diretor do momento para o trabalho, e o efeito bullet-time é, sem dúvida o principal atrativo das filmagens. Mas o que mais me incomoda neste DVD é a performance de Mauro Henrique, que se limita a bordões como “sai do chão!”, “rock’n’roll” e adjacências. Em “Incondicional”, Mauro apresenta um discurso confuso, e suas palavras não parecem empolgar o público, da tão grande timidez a qual o músico dispunha. Juninho Afram apresenta uma ótima palavra, que acredito ser o melhor momento do DVD dentre a parte “evangelística”.

    O projeto gráfico, tanto quanto do CD e do DVD/Blu-ray foram produzidos por Gustavo Sazes, excelente designer e com um currículo bastante completo na cena do rock nacional. Todo o conceito do álbum é muito bem reproduzido, e acredito que seja a melhor arte de um disco da Oficina G3 já feita.

    Vale lembrar que, para quem diz que a Oficina G3 não é uma banda valorizada por sua gravadora: DDG Experience foi o primeiro, e até agora o único disco em blu-ray lançado pela MK. (e O Tempo foi o primeiro DVD da gravadora também)

    Depois da Guerra ganhou o Troféu Talento na categoria Melhor CD de rock, e também o Grammy Latino. Em 2011, Alexandre Aposan seria efetivado como integrante.

    A respeito do processo de produção do disco, alguns vídeos, divulgados pelo canal oficial da banda na época são interessantes de ver, até mesmo para prever como seria o álbum nos vocais de Juninho Afram:


  • Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã

    A equipe do O Propagador apresenta a lista dos maiores álbuns nacionais da música cristã. O material foi compilado em parceria com os sites Super Gospel, Arquivo Gospel, Casa Gospel, Gospel no Divã, Gospel Prime, Ruben Mukama e Virtual Gospel, entre uma série de músicos, historiadores, jornalistas e audiófilos. Cada um lançou suas indicações, as quais foram discutidas exaustivamente. O repertório consiste em discos que foram lançados desde a década de 60 à década de 2010. Aqui, no O Propagador, você vê a lista na íntegra e com os comentários previamente escritos.


    100º: Fogo e Glória Curitiba – David QuinlanFogo e Glória Curitiba - David Quinlan - 2000

    Disco que representa o movimento worship ocorrido em Contagem, o simplório violão de David Quinlan se tornaria um padrão intensamente – e irritantemente – copiado. Deste movimento, há de se destacar, como influenciados, Santa Geração e o cantor Fernandinho. Heloisa Rosa e Nívea Soares colocam seus vocais, imprimindo uma parceria que duraria por outros discos.

    2000, Aliança


    99º: Pra Louvar – Raiz CoralRaiz Coral - Pra Louvar - 2004

    Quando o Raiz Coral lançou seu primeiro trabalho, não havia nenhum material semelhante em toda a história cristã. Claramente avassalador, quando o assunto é corais, o disco Pra Louvar rapidamente se popularizou e invadiu as igrejas com canções como “A Coroa” e “Jesus meu Guia É”.

    2004, Independente


    Thalles - Na Sala do Pai - 200998º: Na Sala do Pai – Thalles

    Indiscutivelmente um dos trabalhos mais importantes da última década, a estreia de Thalles é uma mistura de blues, pop rock, black music e soul, distribuída em linhas de baixo grooveadas, com letras diretas e confessionais.

    2009, Graça Music


    97º: Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3 - 2005

    “Não ache que eu estou derrotado, você está errado”, canta Juninho Afram em “Mais Alto”, após latidos de cães. Neste disco, a Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais soberbo.

    2005, MK Music


    96º: Antes do Sol Nascer – Nádia SantolliNádia Santolli - Antes do Sol Nascer - 2005

    Cercada de colaboradores experientes, como Genésio de Souza e Val Martins, produzida por Kleber Lucas e no embalo de sua participação em uma canção do Koinonya, assim foi a estreia de Nádia na MK. Num tempo em que “todo mundo” estava gravando disco ao vivo congregacional, Santolli conseguiu se destacar, graças a sua personalidade, impressa em sua voz grave e potente. No entanto, o grande mérito desse disco é que tudo soa bem.

    2005, MK Music


    95º: Ainda não É o Último – ResgateResgate - Ainda não é o último - 2010

    Após anos de silêncio do rock cristão no mainstream, os membros do Resgate se juntaram e ensinaram, mais uma vez, como é que se faz. Com a pop-produção de Dudu Borges, o disco consegue jogar guitarras e hammonds em equilíbrio em meio a letras humorísticas de Zé Bruno, como “Jack, Joe and Nancy in the Mall” e sua veia à lá Traditional Jazz Band e a grande balada “Vou me Lembrar”.

    2010, Sony Music Brasil


    94º: Daniela Araújo – Daniela AraújoDaniela Araújo - Daniela Araújo - 2011

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top.

    2011, Sony Music Brasil


    93º: Na Casa de Deus – EyshilaNa Casa de Deus - Eyshila - 2003

    A carreira de Eyshila, oriunda dos Altos Louvores, pode ser resumida pré e pós este projeto, cuja produção foi dividida entre Rogério Vieira, Woody e Wagner Carvalho. Gravando sete músicas com participação ao vivo da sua igreja, a cantora que antes era conhecida pelas suas baladas, a partir desse disco se tornou figura garantida no chamado louvor congregacional, consagrando-se como compositora, especialmente por “Posso Clamar”.

    2003, MK Music


    Para o Mundo Ouvir - Rose Nascimento - 200492º: Para o Mundo Ouvir – Rose Nascimento

    Utilizando-se de arranjos e fundindo outros gêneros musicais, este disco de Rose Nascimento fez uma música pentecostal diferente do que se ouvia na maioria dos lançamentos de sua época, também trazendo cordas.

    2004, Zekap Gospel


    91º: Respire Fundo – Ao CuboAo Cubo - Respire Fundo - 2004

    Se muitos grupos se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e criminalidade, sob uma ótica cristã.

    2004, Aperte o Play


    90º: Toque no Altar – Ministério Apascentar de Nova IguaçuToque no Altar - 2003

    Com uma enorme equipe de músicos em tempo integral, o Ministério Apascentar de Nova Iguaçu estreou com um dos registros mais fortes da cena congregacional. Revelando o repertório autoral de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, a obra agrega cordas e metais sem se sobrepor aos pianos e teclados, o grande ponto forte deste grupo.

    2003, Independente


    89º: Quebrantado Coração – Fernanda BrumQuebrantado Coração - Fernanda Brum - 2002

    Enfatizando o tipo de coração que deve ser na caminhada cristã, é o auge musical da dupla Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, estendendo a tendência dos discos anteriores com um repertório introspectivo, mas forte, composto por músicas como “Marcas”, “Amo o Senhor”, “O Amor que Cura” e “Espírito Santo”.

    2002, MK Music


    Por Toda Vida - Voices - 200088º: Por Toda Vida – Voices

    O maior supergrupo já existente do meio cristão, o Voices alcançou grande amadurecimento com seu terceiro trabalho, destacando-se com as canções “Pisa no Inimigo” e “Por Toda Vida”, dentre as mais notáveis de sua discografia.

    2000, MK Music


    Cristiane Carvalho - Novo Amanhecer - 199387º: Novo Amanhecer – Cristiane Carvalho

    Diferentemente de seus trabalhos anteriores, Cristiane Carvalho utilizou-se de composições nacionais, transitando em gêneros musicais como o funk e pop. Há de se destacar a faixa-título e “Até que Te Encontrei”, formando o ecletismo necessário para a obra.

    1993, Line Records


    Humanidade - Banda Rara - 199086º: Humanidade – Banda Rara

    Na ponta das influências do funk e soul, a Banda Rara alcançou o seu auge com Humanidade, especialmente com a faixa-título, nos vocais de Maurílio Santos, além de “Estrela da Manhã” e “Deixa Tudo”.

    1990, Gospel Records


    85º: 2ª Vinda – A Cura – Apocalipse 162ª Vinda a cura - Apocalipse 16 - 2000

    Pregador Luo e DJ Alpiste trouxeram o rap para a cena cristã. Mas 2ª Vinda – A Cura é um divisor de águas no gênero, sombrio e polêmico, tendo o auxílio de Mano Brown (Racionais MC’s) e Eduardo (ex-Facção Central). Seus discos posteriores se fundem de forma mais efetiva com a black music, em contrapartida, perdem o frescor alcançado aqui.

    2000, 7 Taças


    84º: Alta Voz – Kades SingersAlta Voz - Kades Singers - 1997

    Com arranjos do tecladista Paulo Richard (ex-Complexo J) e Raquel Mello, Alta Voz foi fundamental para a caracterização e definição dos grupos vocais na cena mainstream, além de ser um registro de devoção explícita a soul music.

    1997, MK Music


    83º: Aeroilis – AeroilisAeroilis - Aeroilis - 2004

    Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a Aeroilis já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos, o que seria aprofundado em Nada Mais Além, o trabalho sucessor.

    2004, LaCruz / Bompastor


    82º: Um Pinguim com Frio no Alaska – Amaury FonteneleUm Pinguim com Frio no Alaska - Amaury Fontenele - 2001

    Um pouco isolado, Amaury foi o único músico que, em sua época, misturou as batidas do rap com o groove do rock e R&B, com auxílio de Fernando Catatau, ex-colega de banda no Cidadão Instigado formando, assim, uma sonoridade ímpar no âmbito cristão.

    2001, Aliança


    81º: Voar Como a Águia – Alda CéliaAlda Célia - Voar Como a Águia - 2002

    Do Koinonya e Comunidade Cristã de Goiânia para a carreira solo, Alda Célia estabeleceu a ambientação ao vivo como cerne de seu melhor trabalho, Voar Como a Águia o qual, além da faixa-título, se destaca por “Óleo de Alegria” e a regravação de “Poder da Oração”.

    2002, MK Music


    80º: Águas Purificadoras – Diante do TronoDiante do Trono - Águas Purificadoras - 2000

    O follow-up para Exaltado foi um ajuntamento ainda maior, de qualidade técnica superior, inserindo, definitivamente, elementos que se tornariam marca-registrada do Diante do Trono, como as danças e espontâneos gigantescos – fortalecidos pela faixa-título, de sonoridade suave.

    2000, Diante do Trono


    79º: O Valor de Uma Alma – Mara LimaMara Lima - O Valor de uma Alma - 1989

    O Valor de Uma Alma veio para mostrar o porquê Mara Lima é um nome de longevidade no meio cristão: aliando um bom repertório, simplicidade e som direto, o trabalho se destaca, especialmente, pela canção que o intitula, que não se sobrepõe, de forma alguma, ao restante das canções apresentadas.

    1989, Som e Louvores


    78º: O Jardineiro que Chora – Alceu PiresAlceu Pires - O Jardineiro que Chora - 1984

    Um dos grandes poetas da música pentecostal clássica, Alceu Pires é compositor de sucessos emblemáticos como “Abração e Isaque” e “Juízo Final”. O primeiro e mais importante deles, “O Jardineiro que Chora”, foi responsável por colocar o disco homônimo na galeria dos clássicos cristãos. Com influências da música sertaneja de raiz, Alceu fez o Brasil inteiro cantar a parábola sobre a relação entre a flor e seu cuidador.

    1984, Djanir Produções


    77º: Autoridade e Poder – Marcos GóesAutoridade e Poder - Marcos Góes - 1990

    Com produção musical e arranjos de Marcos Góes, o trabalho é de notável qualidade musical, trazendo a participação de músicos como Sidão Pires e Marcos Bonfim. De fato, este é caracterizado como o trabalho solo de maior importância na carreira de Góes.

    1990, Pioneira Evangélica


    76º: Poemas e Canções – Leonardo GonçalvesLeonardo Gonçalves - Poemas e Canções - 2002

    “Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos”, disse Leonardo Gonçalves ao O Propagador. Seu primeiro disco é uma combinação agradável de pop, jazz, blues e contém, além da conhecida “Getsêmani”, uma regravação de João Alexandre. Com o trabalho, Leonardo se inseriu numa nova safra de intérpretes que fogem de temáticas e sonoridades mais populares.

    2002, Novo Tempo


    75º: O que na Verdade Somos – Fruto SagradoO que na Verdade Somos - Fruto Sagrado - 2003

    O que na Verdade Somos é o disco mais forte do Fruto Sagrado: com riffs agressivos de Bene Maldonado, vocais surpreendentes de Marcão, letras fantasticamente ácidas, e apresentando influências diversas, como o maracatu e a música eletrônica, mostraram que só eles, na altura do campeonato, sabiam fazer um som na tendência.

    2003, MK Music


    74º: Oração de Davi – Feliciano AmaralFeliciano Amaral - Oração de Davi - 1981

    Ele é o recordista, segundo o Guiness Book, como o cantor evangélico há mais tempo em atividade no mundo. Mensagem Real, seu disco de 78 rpm (tecnologia pré vinil), é um dos primeiros registros físicos da música evangélica nacional, lançado em 1948. Já com mais de 35 anos de carreira, o cantor lançou uma de suas maiores obras primas, Oração de Davi. O trabalho de 1981 traz os arranjos limpos característicos da música sacra tradicional, a voz inconfundível de Feliciano Amaral e um repertório brilhante, com canções marcantes como “O Rosto de Cristo”, “Tudo Entregarei”, “Cristo meu Mestre” e “Oração de Davi”.

    1981, FA Produções


    73º: Cicatrizes e Testemunho – Jorge AraújoCicatrizes e Testemunho - Jorge Araújo - 1984

    Pode ser que, hoje, seja mais reconhecido como pai de Daniela Araújo, mas Jorge Araújo fez história na música pentecostal como um dos artistas mais ousados do gênero e responsável por grande parte de sua modernização na década de 80. Em um período de resistência à inovação, Jorge esticou a linha, trazendo, para suas produções, a guitarra elétrica e a bateria em destaque. Em Cicatrizes, seu mais reconhecido trabalho, o cantor mostra toda sua veia pop interpretando grandes sucessos, como a faixa-título e “Deus Resolve o Teu Problema”.

    1984, Louvores do Coração


    72º: Tempo de Adoração – Comunidade Vila da PenhaTempo de Adoração - Comunidade Evangélica Vila da Penha - 1994

    A chamada Comunidade Zona Sul se destacaria ao chamado movimento das comunidades dos anos 90. Tempo de Adoração sintetiza, claramente a tudo o que seria feito pelo resto da década, incluindo “Consagração/Louvor a Rei”, uma das mais belas canções cristãs deste período.

    1994, Independente


    71º: Bonança – Os Cantores de CristoBonança - Os Cantores de Cristo

    Muitos grupos, na época, investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo, evoluindo seu som em relação aos discos anteriores, sem perder o enfoque evangelístico.

    1975, Favoritos Evangélicos


    70º: Sem Palavras – CassianeSem Palavras - Cassiane - 1996

    Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua que remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje.

    1996, MK Music


    69º: Primeiro Amor – Shirley CarvalhaesPrimeiro Amor - Shirley Carvalhaes - 1994

    Mesmo já tendo vinte anos de carreira, foi com Primeiro Amor que Shirley Carvalhaes se firmou como a grande dama da música pentecostal brasileira. O disco, produzido por Tuca Nascimento, foi um fenômeno cultural. Seu grande destaque, a música “Faraó ou Deus?”, causou um mix de encanto e repúdio nas igrejas, tamanha era sua ousadia, cujo som misturava referências da música árabe com forró, ritmo que passaria a ser constante nos discos do gênero, a partir de então. Como resultado, a faixa, tratada nas igrejas mais conservadoras como ‘música para dançar’, se tornou um hit inquestionável, elevando a carreira de Shirley e toda a música pentecostal a outro patamar.

    1994, Nancel Music


    68º: Coração Valente – Voz da VerdadeVoz da Verdade - Coração Valente - 1997

    Indiscutivelmente o grupo que mais sabe trazer ecletismo a seu favor, Coração Valente é o maior clássico do Voz da Verdade até aqui. A fusão de orquestras, guitarras wah-wah, baixo funkeado, bateria pulsante, piano e teclado resultam num registro que é pretensioso do início ao fim.

    1997, Independente


    67º: Não é o Fim… – Novo SomNão é o Fim... - Novo Som - 1999

    Não é o Fim… é o melhor trabalho do Novo Som. O pop à lá Roupa Nova chega aqui ao seu ápice, com um repertório sólido, escrito, em grande parte por Lenilton, um dos melhores letristas que o meio cristão já conheceu e responsável por elevar a música do grupo a outro nível.

    1999, NS Records


    66º: Deus Cuida de Mim – Kleber LucasDeus Cuida de Mim - Kleber Lucas - 1999

    Evoluindo desde Meu Maior Prazer, Kleber Lucas fechou a década com Deus Cuida de Mim, um trabalho que consegue trazer para o ambiente congregacional uma música basicamente pop. Assim, Kleber Lucas foi o primeiro cantor solo, a de fato, adentrar este território, agregando outros gêneros musicais ao longo de sua carreira.

    1999, MK Music


    65º: Entrei no Templo – Ozéias de PaulaOzéias de Paula - Entrei no Templo - 1979

    “A melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida, salvou-me por um triz”. Essa foi certamente uma das principais trilhas sonoras do final dos anos 70 e inicio dos 80. O grande, e então já consagrado, Ozéias de Paula, trazia junto com esse sucesso um de seus melhores trabalhos. Com letras de veia poética, como já era característico do cantor, o disco arranjado por Ângelo Apolônio, o famoso Poli, ousava a inserir na tradicional música tipicamente assembleiana os quase profanos contrabaixo, guitarra e bateria.

    1979, Bandeira Branca


    64º: Encontro – Actos 2Encontro - Actos 2 - 1990

    Marcando a geração dos anos 90, o Actos 2 (Kadoshi) chegou ao seu ápice com o disco Encontro e a canção “Cristo Faz a Cabeça”. No entanto, Encontro é rico em gêneros musicais e passeia, com tranquilidade, no louvor congregacional, pop, rock, blues e soul.

    1992, Gospel Records


    63º: Meu Clamor – Denise CerqueiraMeu Clamor - Denise Cerqueira - 1998

    Ela foi uma das grandes vozes femininas que a música evangélica brasileira conheceu. Depois de se tornar sucesso com o disco Eterno Amor, Denise Cerqueira entrou para a história quando, em 1998, lançou o icônico álbum Meu Clamor. Com um time estrelado de compositores e produção impecável de Alcimar Rangel e Pedro Braconnot, o disco rendeu a artista três troféus Talento em 1999. A trágica e precoce morte de Denise em 15 de novembro de 1999, vitimada em um acidente de carro no auge da carreira, imortalizou definitivamente a voz da intérprete e colocou “Jerusalém e Eu”, composição de Josué Teodoro e carro-chefe da obra, em lugar de destaque nos anais das grandes músicas nacionais.

    1998, Line Records


    62º: Deus Vivo – Édison e TelmaDeus Vivo - Édison e Telma - 1983

    Ele é um dos maiores compositores da história da música pentecostal e, ao lado da esposa Telma formou uma das duplas mais importantes do gênero. Acumulando sucessos desde 1971, quando gravaram os primeiros vinis, o ponto alto da dupla veio em 1983 com Deus Vivo. A música tema ultrapassou os limites do tempo e entrou para o repertório de todas as igrejas pentecostais desde então. Embalado por este grande clássico, o disco traz ótimas referências do samba e alguns lampejos de pop.

    1983, Angelical


    61º: Além do Rio Azul – Voz da VerdadeAlém do Rio Azul - Voz da Verdade - 1988

    Além do Rio Azul veio para estabelecer fórmulas que seriam recorrentes nas produções subsequentes do Voz da Verdade: letras e vocais marcantes de Carlos A. Moysés, pianos de Evaristo Fernandes cobrindo e fornecendo camadas, além do sagaz coral, cujo som nenhum grupo e cantor consegue copiar.

    1988, Califórnia


    60º: Tributo ao Deus de Amor – Renascer PraiseTributo ao Deus de Amor - Renascer Praise - 1998

    Gravado no Palácio das convenções no Anhembi, o quinto trabalho do Renascer Praise seguiu as tendências que o tornaria conhecido pelo Brasil: grandes corais, produção musical pomposa e arranjos de Esdras Galo. Três elementos, que juntos, deram certo.

    1998, Gospel Records


    59º: Final Feliz – Armando FilhoArmando Filho - Final Feliz - 1991

    Armando reuniu várias canções autorais e produziu o seu maior clássico até aqui. Final Feliz contém uma das canções mais importantes da época, “O Mover do Espírito”, produzindo baladas pentecostais que seriam fundamentais para o gênero, por muitos anos.

    1991, Bompastor


    58º: Aqui Chegamos pela Fé – Arautos do ReiArautos do Rei - Aqui Chegamos pela Fé - 1975

    O principal grupo vocal da história da música evangélica nacional já conta com mais de 50 anos de carreira. Precursor do estilo a cappella no Brasil, o Arautos do Rei já está em sua vigésima nona formação, conseguindo o feito incrível de se manter musicalmente relevante, mesmo com o passar do tempo, conseguindo se modernizar sem deixar de ser tradicional. Um dos grandes registros dessa bela história foi Aqui Chegamos pela Fé, gravado pela sexta formação de Arautos. Com a perfeição vocal característica do grupo, o disco apresenta um repertório grandioso, com clássicos como “Junto a Cruz”, “Cristo Jesus Voltará” e “No Grande Mar”.

    1975, Novo Tempo


    57º: Tem Coisas que a Gente não Esquece – Cristina MelTem Coisas que a Gente não Esquece - Cristina Mel - 1999

    No final da década de 90, Cristina utilizou-se de temáticas atemporais para o seu décimo trabalho, como a morte de Cristo, o trabalho missionário e os filhos. Os arranjos são mais suaves em relação aos discos anteriores, mas seguem o seu pop característico.

    1999, Line Records


    56º: Razão para Viver – Nascimento e SilvaNascimento e Silva - Razão para Viver

    O cantor, compositor, produtor e arranjador Tuca Nascimento formou ao lado de Onézimo Silva uma das melhores duplas que a música cristã nacional pode conhecer. Os poucos anos de carreira da dupla, que teve sua trajetória encerrada com a trágica morte de Onézimo, vítima de bala perdida em 1994, foi o suficiente para o lançamento de dois discos, entre eles o imperdível Razão pra Viver. Com arranjos simples, executados apenas com teclado, guitarra, violão, flauta e acordeom, o projeto confere pleno destaque ao dueto com suas interpretações singelas em músicas como as excelentes “Deixa Deus Provar” e “A Volta Feliz”.

    1993, Rosa de Saron


    55º: Nascer de Novo – Rayssa e RavelNascer de Novo - Rayssa e Ravel - 1994

    Com a música “Nascer de Novo”, Rayssa e Ravel conseguiam sintetizar sinceridade e simplicidade musical. Em seguida, com as pop-sertanejas “Arrebatamento” e “Sabe”, mostram que possuem força o suficiente para se colocarem como uma das duplas mais expressivas do gênero no país, até hoje.

    1994, Som e Louvores


    54º: O Sétimo – Sérgio LopesO Sétimo - Sérgio Lopes - 1997

    Com produção musical de Pedro Braconnot, O Sétimo conta com o estilo de Sérgio desenvolvido no Altos Louvores, e se destaca por sua temática judaica – distribuída em parte do repertório, projeto gráfico e fotografias. Além do mais, contém uma das canções mais importantes da época, “O Lamento de Israel”.

    1997, Line Records


    53º: Ao Meu Pai – JesséAo meu Pai - Jessé - 1985

    Ele era uma das grandes revelações da MPB nos anos 80. Ganhando prêmios nacionais e internacionais, Jessé, intérprete de canções como “Porto Solidão” e “Estrelas de Papel”, era sucesso por todo o Brasil. Em seu auge na música secular, o cantor abriu um parêntese e gravou o brilhante disco Ao meu Pai. Com um repertório comporto por clássicos cristãos como “Rude Cruz”, “Cidade Santa” e “Achei um Bom Amigo”, a potente voz do cantor ganha traços dramáticos em interpretações memoráveis.

    1985, RGE


    52º: Momentos Vol.1 / Momentos Vol.2 – Marina de OliveiraMomentos Vol. 1 e 2 - Marina de Oliveira - 1995

    Indissociáveis, Momentos Vol.1 e Vol.2 mostram que só alguém como Marina de Oliveira conseguiria trazer os melhores compositores e produtores musicais de sua época em duas obras. Os registros são impecáveis: canções pop (“Procure por Mim na Glória”), mensagens de autoajuda (“Não Desista do Seu Sonho”) e faixas em inglês (“Celebrate the Lord”). Se alguém era capaz de levar bandas inteiras para apoiar seu som, essa foi Marina.

    1995, MK Music


    51º: Preciso de Ti – Diante do TronoDiante do Trono - Preciso de Ti - 2001

    “Uma das coisas de que temos maior consciência é que no dia em que acharmos que algo vem de nós mesmos, Deus nos tirará da obra”, enfatizou Maximiliano Moraes ao Super Gospel. O ponto mais alto da carreira do Diante do Trono, arranjado por Sérgio Gomes e Maximiliano, é embalado com o discurso de fragilidade humana e dependência divina, especialmente na faixa-título, uma das mais importantes do meio cristão.

    2001, Diante do Trono


    50º: Resgate – ResgateResgate  - Resgate - 1997

    No quarto álbum, o grupo provou ser muito mais do que um devoto ao hard rock. Ao experimentar timbres de bateria, guitarra com flertes evidentes ao britpop, o disco monta uma figura de quebra-cabeças, endossadas com as letras tão incomuns e que questionam o status quo do meio cristão.

    1997, Gospel Records


    49º: Oh, Glória – Mattos NascimentoOh, Glória - Mattos Nascimento - 1991

    Trazendo a influência do pop e, principalmente, o ska para o meio cristão, Mattos Nascimento foi o primeiro – e até o único no meio cristão – a fundir o gênero musical com as letras pentecostais. Oh, Glória é um marco musical no início da década de 90, especialmente com as contagiantes “Dia de Pentecostes” e “Sou Feliz”, mostrando que, especialmente ao vivo, Mattos conseguia elevar tudo a outro nível.

    1991, Rosa de Saron


    48º: Com Muito Louvor – CassianeCassiane - Com Muito Louvor - 1999

    Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais.

    1999, MK Music


    47º: Amigos para Sempre – Integração Jr.Integração Jr. - Amigos para Sempre - 1991

    O melhor álbum infantil já produzido no meio cristão, a obra se destaca pelo seu ecletismo musical e a qualidade dos arranjos, especialmente nas músicas “Amigos para Sempre” e “Milagre da Vida”, anos depois regravada por Cristina Mel, no final da mesma década.

    1991, Bompastor


    46º: Discípulo Teu – Prisma BrasilPrisma Brasil - Discípulo Teu - 1988

    O trabalho mais importante do Prisma, Discípulo Teu contém os elementos adventistas a se repetir: corais robustos, cordas e metais em abundância e canções que versam acerca da vida, as dificuldades e desafios em relação a caminhada do sujeito cristão que caminha para a Eternidade.

    1988, Bompastor


    45º: Não Chores Mais – Victorino SilvaNão Chores Mais - Victorino Silva - 1983

    Dono de uma das mais brilhantes e prestigiadas vozes da música cristã nacional, Victorino Silva tem um de seus grandes momentos com Não Chores Mais, um verdadeiro clássico da música sacra. Além da interpretação e afinação impar do cantor, a parceria com o grande maestro Misael Passos, responsável pela direção musical do projeto, evidenciada até na capa do disco, é digna de destaque. Com arranjos soberbos, o álbum é riquíssimo musicalmente, com a presença marcante de pianos, violinos e muitos instrumentos de sopro.

    1983, Bompastor


    44º: Lágrima no Olhar – Altos LouvoresAltos Louvores - Lágrima no Olhar - 1993

    Seguindo as tendências dos discos anteriores, Lágrima no Olhar trouxe um Altos Louvores mais maduro, mas suficientemente em sua zona de conforto. A grande novidade é a faixa-título de Marquinhos Gomes, com o sax de Zé Canuto, tornando-se, assim, um dos principais registros do grupo.

    1993, Som e Louvores


    43º: Diga Não – RaízesRaízes - Diga não - 1991

    Depois dos Jovens da Verdade em 1972, a banda Raízes foi a única a usar, escancaradamente, a temática das drogas como carro-chefe de um disco. Diga Não se destacou pelas canções críticas, mas que não se sobrepuseram as baladas, as quais lembram bastante o estilo pop do Roupa Nova, cujo vocalista participaria em um disco futuro.

    1991, Independente


    42º: Vento Livre – Guilherme KerrVento Livre - Guilherme Kerr - 1985

    Um dos melhores letristas e musicistas do meio cristão, Guilherme Kerr produziu Vento Livre, seguindo as tendências musicais de sua obra no grupo Vencedores por Cristo. Com arranjos vocais e de cordas complexos, sonoridades regionais são exploradas por letras, em grande parte, verticais.

    1985, IBMorumbi Produções


    41º: Brother – Brother SimionBrother - Brother Simion - 1992

    Em meio a obras cada vez mais superproduzidas no início dos anos 90, Brother Simion quebrou a lógica fazendo um disco quase todo em voz e violão. Humor, introspecção e suavidade são características fundidas nesta produção básica de Rick Bonadio.

    1992, Gospel Records


    40º: Sem Limites – Aline BarrosAline Barros - Sem Limites - 1995

    O grande mérito da estreia de Aline Barros foi contar com a produção musical e arranjos de Ricardo Feghali e Cleberson Horsth, membros do Roupa Nova. Assumindo um caráter totalmente pop, a produção seria, com o passar dos anos, o melhor trabalho solo da carreira de Aline.

    1995, Grape Vine


    39º: Pra Cima Brasil! – MiladPrá Cima Brasil! - Milad - 1990

    Com a decrescente predominância de João Alexandre, e verbalizando toda a decepção com o jogo político e as extremas crises econômicas que assolavam o país, o Milad trouxe o disco mais politizado de sua carreira. Isso causou o despojo de grande parte de seu complexo som, adotando moldes pop, mas seguindo-se forte em seus discursos, como na clássica “Brasil” e na regional “Meu Candidato”. Também traz canções de uma das bandas mais influentes dos anos 80 no nordeste, chamada Artecristã, como “Os Sonhos Evaporam” e “Algo Está Errado”, além de apresentar “Navio Negreiro”, de Gladir Cabral.

    1990, Independente


    38º: Manhãs de Outono – Sinal de AlertaSinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987

    Desprendendo-se de sua fixação pelo Rebanhão, o Sinal de Alerta evoluiu tematicamente e sonoramente, e alcançou o seu ápice em Manhãs de Outono, um trabalho que consegue dialogar com sua época, e de quebra ainda apresenta grandes letras guiadas pelo seu pop rock, como “Tempos Modernos” e “Adolescência”.

    1987, Califórnia


    37º: Prá Falar de Amor – Banda & VozBanda e Voz - Prá Falar de Amor - 1992

    Banda & Voz foi, de fato, o primeiro grupo a ter fielmente um repertório muito eclético e variado, passeando pela black music, soul, ska, envolvendo tudo em ganchos pop. Tudo isso amadureceu em Prá Falar de Amor, em que, especialmente, o timbre de Natan Brito se destaca junto ao groove da guitarra de Marcos Brito e baixo de Beno César.

    1992, Line Records


    36º: Tempos de Celebração – Adhemar de CamposTempos de Celebração - Adhemar de Campos - 1993

    Após a Comunidade da Graça, Adhemar trouxe toda a temática congregacional para sua carreira solo, mas, diferentemente de todos, agregando gêneros musicais ‘incomuns’ para o repertório das igrejas, além das excelentes canções “Tributo a Iehovah”, “Fonte de Água Viva” e “Bem Supremo”.

    1993, Comunidade da Graça


    35º: O Amor é a Resposta – Alessandra SamadelloO Amor é a Resposta - Alessandra Samadello - 1996

    O grande mérito do quarto trabalho de Alessandra é de ultrapassar limites musicais dentro da própria tradição musical adventista. Influenciando até o contemporâneo Leonardo Gonçalves, O Amor é a Resposta aposta em sonoridades mais introspectivas, melancólicas e contemporâneas, sempre regadas a vibrantes e viscerais registros vocais, do estilo que só Alessandra Samadello poderia fazer.

    1996, ABBO


    34º: Intimidade – Jorge CamargoIntimidade - Jorge Camargo - 1999

    Uma produção de Jorge Camargo, Nelson Bomilcar e Marquito Cavalcante, é um dos registros mais agradáveis de música popular brasileira cristã, em que Jorge se estabelece como cantor e compositor. As músicas são bem interpretadas e tocadas. A combinação de canções acústicas e eletrônicas, além do excelente encarte, gerou uma das obras-primas do nicho.

    1999, Alento Produções


    Grupo Semente - Criação - 198633º: Criação – Grupo Semente

    Com a influência do Vencedores por Cristo, o Grupo Semente produziu canções de excelência, com a participação de Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Sérgio Pimenta e vários outros. Criação consegue sintetizar, muito bem, a música do conjunto.

    1986, VPC Produções


    32º: Coisas da Vida – Carlinhos FelixCarlinhos Felix - Coisas da Vida - 1991

    Carlinhos Felix, após deixar o Rebanhão, veio como um dos intérpretes com os discos mais bem produzidos nos anos 90, e sua essência musical nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia, Coisas da Vida. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.

    1991, Continental / Warner Music Brasil


    31º: O que Virá? – Comunidade S8Comunidade S8 - O que Virá - 1981

    Seguindo os passos de seu disco anterior, a S8 produziu o seu maior clássico até aqui. Aqui, a banda se rende a um rock progressivo sombrio, de influências pós-tropicalistas, mas não autoindulgente, especialmente pelas guitarras de Ernani Maldonado. Combinando crítica social com o apocalipse, o trabalho é, no mínimo, intrigante.

    1981, Independente


    30º: Novo Dia – RebanhãoRebanhão - Novo Dia - 1987

    Carlinhos Felix e Pedro Braconnot transformaram as influências da tropicália, trazidas anteriormente por Janires, para faixas pop que caracterizam bem a textura das produções dos anos 80, como “Primeiro Amor”, “Nele Você Pode Confiar”, “Jesus é Amor (Jesus Is Love)” e “Razão”.

    1988, PolyGram


    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - Wolô29º: O que a Lua não Pôde, não Pode e não Poderá – Wolô

    O disco mais rico, musicalmente falando, dos anos 70, também é um recheado de influências culturais. Wolô soube verbalizar a ‘loucura’ hippie, transmitir gírias e filosofar acerca de Cristo, fundindo tudo isso a uma sonoridade que mescla rock, bossa nova, com influências da Jovem Guarda.

    1975, Independente


    28º: Calmo, Sereno, Tranquilo – Jairo Trench Gonçalves e Paulo Cezar da SilvaCalmo, Sereno, Tranquilo - Jayrinho e Paulo Cezar - 1976

    Jayrinho e Paulo Cezar, juntos, formariam o Grupo Elo. Mas, este registro predecessor, captura fielmente a tensão e restrições existentes no meio evangélico na época em que foi produzido. A obra é suave, com camadas de violão ovation, e baixo marcante, guiado por sonoridades influenciadas pela MPB.

    1976, Independente


    27º: Simplesmente João – João AlexandreSimplesmente João - João Alexandre - 1991

    Primeiro disco totalmente – e simplesmente de João, é um de seus trabalhos mais acessíveis e pops. A obra mostra um olhar mais positivo do cantor, com canções verticais, reflexivas, e trazendo algumas regravações, com a colaboração de Pedro Braconnot.

    1991, Gospel Records


    26º: Aliança – KoinonyaAliança - Koinonya - 1988

    A música do Koinonya seria o molde para a música congregacional feita na década seguinte: a banda Diante do Trono, por exemplo, bebeu intensamente de sua fonte. Sob a liderança de Bené Gomes, o grupo goianiense iniciou sua trajetória com o seu trabalho mais brilhante: Aliança contém várias músicas que, até hoje, são entoadas nas igrejas, como “Ao Único”, “Quem Pode Livrar” e a faixa-título, “Aliança”.

    1988, Koinonya


    25º: Obra Santa – Luiz de CarvalhoObra Santa - Luiz de Carvalho - 1969

    Ele foi o primeiro cantor a gravar um disco de vinil no meio evangélico nacional, em 1958, foi o primeiro artista evangélico de fato, o responsável por levar às igrejas o, então profano, violão, inseriu o bolero e elementos de samba e marchinhas na tradicionalíssima música cristã da época e se sagrou como o maior nome do cenário musical protestante nas décadas seguintes. O vinil Obra Santa, clássico indiscutível, além de contar com a voz e interpretação inconfundível de Luiz de Carvalho, é responsável por emplacar o primeiro hit da música evangélica nacional. A faixa-título se tornou uma espécie de hino oficial do movimento de Renovação Espiritual que se iniciou no Brasil a partir da década de 1960.

    1969, Som da Palavra


    24º: Está Consumado – CatedralCatedral - Está Consumado - 1993

    Talvez o mais importante álbum duplo da história da música cristã, Está Consumado, juntamente ao antecessor Volume III, faz uma ponte entre o Catedral, antes pertencente ao underground, e o que seria o grupo mais notório dos anos 90 e um dos expoentes do movimento gospel. O trabalho, no geral, é o clássico pop rock com o baixo funky de Júlio e riffs de guitarra – inconfundíveis – de Cezar. Vale destacar o clássico “Galhos Secos” e a letra de “Carpe Diem”, uma das músicas mais brilhantes do grupo, inspirada em pensamentos de Friedrich Nietzsche e José Ângelo Galarga.

    1993, Pioneira Evangélica


    23º: Armagedom – KatsbarneaArmagedom - Katsbarnea - 1995

    “O Arco-Íris de Deus tem muitas cores, e os sons muitas estradas que expressam nossas vidas. Acho que a mesmice cansa”, disse Brother Simion ao Super Gospel. Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum, Armagedom, mostrando que eram mais do que uma caricatura da Blitz. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs blues executados por Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado.

    1995, Gospel Records


    22º: Indiferença – Oficina G3Oficina G3 - Indiferença - 1996

    Finalmente, Oficina G3 se desfez de suas referências explícitas ao Stryper. Quente e solta, a voz de Luciano Manga, cada vez mais poderosa, chega ao ápice junto ao peso das composições do guitarrista Juninho Afram. Elétrico, o disco se complementa aos teclados de Jean Carllos, ao autoritário e agressivo baixo de Duca Tambasco e as baquetas de Walter Lopes em canções como “Espelhos Mágicos”, mas se rendendo a baladas fascinantes, como “Magia Alguma” e “Novos Céus”. Em “Glória Inst.”, Afram mostrou o porquê é o maior guitarrista que a música cristã nacional já conheceu.

    1996, Gospel Records


    21º: On the Rock – ResgateResgate - On the Rock - 1995

    Paulo Anhaia elevou o nível do Resgate de forma abismal em seu terceiro registro. On the Rock capturou todo o potencial de humor autodepreciativo sob sua música, e ascendeu as guitarras de Zé Bruno e Hamilton, com riffs poderosos de hard rock. Sendo o trabalho mais importante e sólido do rock cristão nacional durante a segunda metade dos anos 90, o disco combina temáticas obscuras, como a depressão, solidão e morte com a mais peculiar sátira, cuja habilidade o quarteto é especialista.

    1995, Gospel Records


    20º: Fruto dos Lábios – Comunidade da GraçaComunidade da Graça - 1988 - Fruto dos Lábios

    Clássico do louvor congregacional do Brasil, Fruto dos Lábios é o melhor trabalho da Comunidade da Graça, sob a participação de Adhemar de Campos. Recheado de clássicos, como “Nosso General”, “Louvemos ao Senhor” e “Hosana”, o trabalho se destaca pela qualidade dos arranjos vocais e de instrumentos utilizados.

    1988, Comunidade da Graça


    19º: Alma Cansada – Jair e HozanaAlma Cansada - Jair e Hozana

    As duplas formadas por homem e mulher fizeram história na música sertaneja cristã, e a primeira de destaque foi Jair e Hozana. Jair, aliás, era ninguém menos que Jair Pires, que faria história como um dos mais notórios cantores e compositores da história da música pentecostal. Alma Cansada, um disco embalado por viola e acordeom, misturava canções autorais do músico com alguns poucos hinos da Harpa Cristã. Em meio a faixas de grande relevância na época, como “Canta meu Povo” e “Multiplicações de Pães”, se destacaria a faixa-título, que se tornaria um inegável clássico.

    1968, Celeste


    18º: Portas Abertas – Grupo LogosPortas Abertas - Grupo Logos - 1987

    Um dos últimos trabalhos do Logos nos anos 80, Portas Abertas tem todas as características das produções oitentistas, e foi totalmente aberto para os modismos da época, como os sintetizadores utilizados e o reverb da bateria. Mas as composições seguem fortes e sinceras, como se espera em relação a este grupo.

    1987, Logos


    17º: Novidade de Vida – Edson e TitaNovidade de Vida - Edson e Tita - 1982

    Com a participação de grandes nomes da música nacional, como Paulo Jobim, João Donato, Danilo Caymmi, Toninho Horta e muitos outros, Novidade de Vida é o disco de música popular brasileira mais brilhante da década de 80. Tratando de questões como a solidão, o vazio humano e o encontro com Cristo, o trabalho conta com arranjos refinados de qualidade muito acima da média que o meio evangélico apresentava, na época. O primor das músicas foi tão notável que, anos depois, Tita processou Tom Jobim, por um suposto plágio de uma de suas canções, o qual Tom foi absolvido.

    1982, Parejhara


    16º: Anseios – Altos LouvoresAnseios - Altos Louvores - 1986

    A grande fórmula do Altos Louvores foi, além de seguir os outros grupos musicais com temática de louvor da época, utilizar uma musicalidade mais simples e próxima ao pop em suas produções. Sob o comando de Edvaldo Novaes e colaboração de Pedro Braconnot nos pianos e teclados, o disco contém uma gama variada de composições, escritas por Sérgio Lopes, Léa Mendonça, e muitos outros.

    1986, Som e Louvores


    15º: Voz e Violão – João AlexandreVoz e Violão - João Alexandre - 1996

    Ninguém soa ou soará um dia como João Alexandre. Em boa forma, Voz e Violão é um dos registros mais brilhantes de nossa história, e compreende canções conduzidas de forma literalmente “solo” pelo cantor. O repertório, no geral, nem é lá tão novidade, mas a proficiência e intimidade que Alexandre possui com seu violão é ímpar, produzindo o maior disco do estilo no meio cristão.

    1996, VPC Produções


    14º: Dê Carinho – Cristina MelCristina Mel - Dê Carinho - 1997

    Cristina Mel foi a intérprete mais importante da música cristã nos anos 90, e Dê Carinho registra a intérprete em pleno voo, alcançando o seu ápice, dividindo seu repertório entre vários gêneros musicais. A obra trata do amor, em sua amplitude, versando, por exemplo, sobre amizades (“Ao Amigo Distante”) e o favor de Cristo (“Mestre”). Essencialmente pop, com produção musical de Cristina, e arranjos instrumentais de Karam e Natan Brito, foi também lançado numa edição em espanhol.

    1997, MK Music


    13º: 3 – Complexo JComplexo J - 3 - 1992

    Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, 3 é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.

    1992, MK Music


    12º: Espelho nos Olhos – Banda AzulEspelho nos Olhos - Banda Azul - 1988

    Sendo o canto do cisne de Janires, é um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80. Seu teor poético se entrelaça com o contexto histórico: é neste disco que o cantor faz uma retrospectiva de sua vida, nos dá referências de outras músicas que se tornaram relevantes em sua carreira, e constantemente trata da Eternidade. Trazendo, agradavelmente, variações de rock progressivo, pop rock, reggae e MPB, Espelho nos Olhos é um testemunho musical brilhante de uma vida humana voltada, até o seu último momento, para o céu.

    1988, Bompastor


    11º: Não Há Barreiras – Álvaro TitoÁlvaro Tito - Não Há Barreias - 1986

    Imagine uma das maiores gravadoras do planeta, a PolyGram (hoje Universal Music), abrindo suas portas para a música evangélica brasileira que estava fervilhando nos anos 80. Agora, imagine um talentoso cantor de apenas 21 anos que misturava MPB, jazz, soul e pop como recém contratado por ela para gravar seu terceiro disco. Artisticamente ambicioso, se propõe a não apenas interpretar, mas também atuar no projeto como diretor musical, arranjador, músico e compositor de metade das faixas. A despeito da resistência inicial da cúpula da gravadora em confiar tamanha responsabilidade a um artista tão jovem, o trabalho resultou em um dos melhores discos já produzidos na música evangélica nacional. O sucesso de público e crítica foi imediato e a faixa que o intitula, certamente, uma das mais importantes daquela década dourada.

    1986, PolyGram


    10º: Princípio – RebanhãoRebanhão - Princípio - 1990

    Era 1990 e o Rebanhão disse sim para o início do movimento gospel, intensificando o pop do disco anterior, cuja consistência seria o molde para as produções da época. Neste disco, o grupo apresenta baladas suaves e de excelência, como “Selo do Perdão”, mas questiona os poderosos e regimes totalitários nas elegantes “Muro de Pedra” e “Palácios”, um triunfo de Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Como cereja do bolo, o grupo ainda utilizou-se do fatídico assassinato de Chico Mendes para questionar: “até quando viverei pra testemunhar e dizer sim, sim a Deus e a toda vida?”, dando o desiludido atestado de que mais uma década passara e os dilemas ainda eram os mesmos. Além do mais, foi o primeiro disco gospel, e o primeiro lançado em CD.

    1990, Gospel Records


    9º: Retratos de Vida – MiladRetratos de Vida - Milad - 1987

    Foi no álbum conceitual mais importante da música cristã em que a dupla João Alexandre e Toninho Zemuner explorou a vida noturna paulista e todo o caos urbano que existia – e persiste – na maior cidade do país. Tratando da elite cultural (“Plateia”), prostituição (“Esquinas Cruéis”), desigualdade em seus extremos (“Pobres Ricos” e “Meninos de Rua”) e isolamento social (“Solidão de Ilha”), o trabalho é cheio de riqueza musical, passeando pela MPB, bossa-jazz e até mesmo o post-punk, com muita tranquilidade. Além da clássica “Olhos no Espelho”, o disco contém despojadas e agradáveis faixas instrumentais, confirmando a coragem e relevância que contém para a história da música cristã nacional.

    1987, Água Viva


    8º: Janires e Amigos – JaniresJanires e Amigos

    O primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional é o registro definitivo de toda uma cena que estava se consolidando nos anos 80: Janires reuniu amigos e fincou sua respeitada imagem. Apoiado pela Banda Fé, com participação de João Alexandre, Ed Wilson, Rebanhão e muitos outros músicos e personalidades midiáticas, como o ex-jogador Baltazar e o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, o disco é intimista, e pouco religioso. Falando de sua vida, e refletindo acerca dos testemunhos e dificuldades diárias de seus amigos, o repertório surpreende pelas belas “Mamãe”, “Alex, o Baixinho Voador”, “Helena, Todo Pecado Será Perdoado”, além da icônica “Jesus Super Herói”. No geral, Janires e Amigos é um trabalho que revela o melhor de Janires: riqueza musical, simplicidade e sinceridade.

    1985, Doce Harmonia


    7º: Situações – Grupo LogosGrupo Logos - Situações - 1984

    Após o fim do Grupo Elo, o Grupo Logos surgiu sob o comando de Pr. Paulo Cezar. Situações é o seu clássico, registro que se mostra bastante superior ao trabalho antecessor, Caminhos. Aqui, a banda aposta em um som que segue as tendências do último trabalho do Elo, Nova Canção, trazendo influências populares para a sua música. Outro destaque, acerca de sua sonoridade, é a riqueza de sintetizadores que apresenta. Portanto, além de musicalmente dentro das tendências da época, o disco possui a consistência lírica que tornaria o Logos um dos melhores grupos musicais já existentes.

    1984, Logos


    6º: Luz do Mundo – RebanhãoRebanhão - Luz do Mundo - 1983

    O céu é a temática mais clara para definir Luz do Mundo. Neste álbum, o Rebanhão apresentava uma evolução técnica considerável, em relação ao primeiro trabalho. Gravado no melhor estúdio brasileiro da época, o Estúdio Transamérica, se destaca pela suave “Hoje Sou Feliz”, com influências da MPB, e sua letra, tão atual, sobre a situação do nosso país. Embora o disco descreva, de forma bem forte e incisiva, os problemas da sociedade, não é pessimista, mas indica Cristo como a solução. Janires, claramente, era alguém fixado na Eternidade, e não deixou de cantar sobre ela até o último momento de sua vida: “Ele faz muita falta, mas não aguentaria a forma com que a igreja caminha nos dias de hoje”, disse Carlinhos Felix ao Super Gospel.

    1983, Arca Musical Evangélica


    5º: Cem Ovelhas – Ozéias de PaulaCem Ovelhas - Ozéias de Paula - 1973

    O disco Cem Ovelhas, do cantor Ozéias de Paula é, provavelmente, o mais importante álbum lançado por um artista do movimento pentecostal. O que saiu deste trabalho influenciou as gerações que viriam. Todas as onze canções que compõem o disco se tornaram sucesso e algumas delas clássicas, como “Hoje sou Feliz” e “Oh foi por mim”, além da faixa-título que se tornou um hino o qual ultrapassa o limite do tempo. Outro grande sucesso, “É Assim que eu Te Amo”, embora se tratasse de uma declaração a Deus, passou a ser considerada como uma música romântica, o que abriria portas para as diversas canções e discos apaixonados que viriam nas décadas seguintes. Com grandes letras e uma pegada ousadamente moderna para a época, Ozéias entrou para a história como o maior nome masculino da história da música pentecostal nacional.

    1973, Estrela da Manhã


    4º: Celebraremos com Júbilo – Don e AsaphDon e Asaph Borba - Celebraremos com Júbilo - 1978

    Asaph Borba, juntamente a Adhemar de Campos, são os nomes mais conhecidos, e importantes, do meio congregacional. No entanto, na segunda metade dos anos 70, Asaph já estava no meio evangélico. E, com o músico Donald Stoll, formou a dupla Don e Asaph, produzindo Celebraremos com Júbilo. Gravado totalmente em território estrangeiro, em Bay City, Michigan, nos Estados Unidos, a obra possui uma consistência sonora e instrumental bastante superior, se considerarmos os lançamentos deste período. Por sua vez, este trabalho se destaca com várias canções, mostrando que, mesmo após mais de trinta anos após o seu lançamento, é um dos clássicos de nossa música.

    1978, Life Produções


    3º: Ouvi Dizer – Grupo EloOuvi Dizer - Grupo Elo - 1978

    O Grupo Elo é um dos mais importantes grupos musicais já surgidos na música cristã. Sob o destaque das figuras de Jayrinho (in memoriam) e Pr. Paulo Cezar, a sua obra alcançou outro nível com o disco Ouvi Dizer. Enquanto Nova Jerusalém, o trabalho de estreia, se destacava por trazer instrumentos até então pouco convencionais, como a bateria e a guitarra, o disco sucessor une isso a um bom repertório, que se tornou um clássico no meio evangélico.

    Com bases gravadas nos EUA e representando uma virada no som na banda, conta com uma produção musical de altíssimo nível e músicos competentes. Assim, somos introduzidos a faixas de grande riqueza poética, como a clássica “Céu, Lindo Céu”, além das regravações de “Calmo, Sereno, Tranquilo” e “Mais Perto Quero Estar”. A melhor música, por sua vez, é “Autor da Minha Fé”, uma das mais belas canções nacionais que temos, já regravada por Cristina Mel, Carlinhos Felix, Alex Gonzaga e Paulo César Baruk.

    1978, Elo


    2º: Mais Doce que o Mel – RebanhãoRebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981

    “Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época”, afirmara Pedro Braconnot ao O Propagador. De 1981 pra cá, Mais Doce que o Mel apenas foi mais reconhecido e estimado: o primeiro registro de rock e tropicália que definitivamente alcançou o meio cristão, o disco foi, por muitos anos, um escândalo.

    Com sua sonoridade ousada e direta, o repertório se destaca especialmente pelas composições de Janires que, claramente, dialogava com a cultura do nosso país. O destaque vai para o pot-pourri, cujo som, durante oito minutos, prende o ouvinte, com riffs de baixo bem marcados e um arranjo de metais de classe. A primeira música deste medley, “Salas de Jantar”, claramente faz referência à “Panis et Circenses”, do antológico disco de estreia dos Mutantes. A riqueza de sons se expande ao “Baião” e sua crítica social, e a melhor música do disco, o choro “Casinha”. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot também surgem com as agradáveis “Monte” e “Refúgio”, guiadas por uma sonoridade que passeia pelo pop rock e rock progressivo.

    Mais Doce que o Mel não foi muito bem recebido por conta de suas músicas questionadoras, livres e diretas, mas nada foi mais polêmica do que a capa, em que Janires esbanja simplicidade, com a camisa aberta. ‘Censurada’, a capa teve que ser refeita em outra edição. Além das críticas, boicotes e acusações de satanismo, o reboliço causado pela música do Rebanhão apenas expandiu a sua popularidade, tornando-os conhecidos por todo o país.

    1981, Doce Harmonia


    1º: De Vento em Popa – Vencedores por CristoDe Vento em Popa - Vencedores por Cristo - 1977

    Um dos discos mais aclamados até hoje em termos de letras, ritmos, vocais e instrumentais. A grande importância desse trabalho reside na proposta diferente que trazia, na linguagem inovadora e na influência que provocou em tantos artistas cristãos, que estavam sendo formados naquela época, e mesmo em épocas posteriores. Pela primeira vez, os Vencedores por Cristo lançavam um disco com canções totalmente autorais e cujas letras e sonoridade dialogavam, sem medo, com a cultura brasileira.

    “Eu o considero um marco porque Vencedores àquela altura era o grupo musical de maior penetração no meio cristão devido às equipes que viajavam por todo o país divulgando o trabalho musical da organização”, diria Jorge Camargo, em entrevista ao Arquivo Gospel. De Vento em Popa foi o único disco cristão a ser tema de uma tese de mestrado, defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda, esta obra, devido a sua qualidade musical, transpassou as barreiras do meio cristão, servindo de influência para alguns músicos ‘seculares’, sendo citado, recentemente, por Ed Motta, como “um disco raro no gospel”.

    Aliando-se à música brasileira, na pretensão de nacionalizar as canções cristãs da época, era um contraponto a tantas versões que eram feitas (profético?). Reúne músicas de grandes compositores da música cristã: Aristeu Pires Junior, Artur Mendes, Ederly Chagas, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta e Nelson Bomilcar, que também participam nos vocais e instrumentais. Um disco em que brasilidade, poesia, qualidade e espiritualidade se harmonizam.

    1977, VPC Produções


    Eleitores: Alex Eduardo (músico), Danilo Andrade (editor-chefe, O Propagador), João Dias (historiador), Leiliane Lopes (jornalista), Philipe Daniel (músico), Rafael Ramos (jornalista e editor-chefe, Gospel no Divã), Roberto Azevedo (editor-chefe, Super Gospel), Rogério Oliver (pesquisador, Gospel no Divã), Ruben Mukama (músico), Salvador de Souza (historiador), Tayse Souza (editora, O Propagador), Tiago Abreu (editor colaborador, Super Gospel).

    Contribuintes: Alexandre Pereira, Charles Spencer, Cleber Nadalutti, Gesson Vasconcelos, Jhonata Fernandes, Philippe Santos, Renan Lima, Thiago Ferreira.

  • Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Um Brinde – Apologética cristã ou bandeira pra defender a igreja local?

    Primeiramente eu preciso dizer que defender a igreja local não é nenhum extremismo. Muito pelo contrário, isso até pode ser uma atitude louvável. Mas, mesmo que pode ser, nem sempre é. Como exemplo básico e pessoal, eu muitas vezes defendi a igreja local em que estava envolvido, porém ela estava toda errada: pregava uma doutrina incorreta, não vivia o cristianismo de fato e não tinha relacionamento profundo com Deus. Sim, acreditem, já passei por uma congregação assim. Hoje me arrependo por ter “comprado briga” por tal ministério. Primeiro, porque eu não estava preparado teológica e nem espiritualmente para isso. Segundo, eu estava sendo mais errado que a própria congregação por defender seus erros.

    A Bíblia nos orienta a crescermos na graça e no conhecimento (2 Pedro 3:18) e esse foi um dos principais motivos que me fez querer estudar mais teologia. Não no seminário, porque não tenho tempo e sequer dinheiro, mas procurei aprender em casa, nas madrugadas de insônia que tenho. Apologética (do latim apologetĭcus, através do grego ἀπολογητικός, por derivação de “apologia”, do grego απολογία: “defesa verbal”) é a disciplina teológica própria de uma certa religião que se propõe a demonstrar a verdade da própria doutrina, defendendo-a de teses contrárias. Em uma visão ampla, é certo afirmar que todo cristão deve ser apologético. Mas, nem sempre o que vemos é uma defesa da fé e sim uma defesa do “meu quadrado”, ou seja, da minha congregação. Eu vou além e digo: tristemente vemos a defesa de seitas e heresias, menos a do cristianismo. E aqui o caro leitor deve se perguntar: mas o cristianismo realmente precisa de defesa? A apologética cristã é relevante? Sim, claro, óbvio e evidente. Gregory Koukl disse:

    “A apologética desfruta de uma reputação questionável entre os não-simpatizantes. Por definição, os apologistas ‘defendem’ a fé. Eles combatem as falsas ideias, destroem especulações levantadas contra o conhecimento de Deus. Tais palavras soam como palavras de combate para muitas pessoas: façam um círculo com as carroças; levantem a ponte levadiça; preparem as baionetas; carreguem as armas; preparar, apontar, fogo! Não é surpresa, portanto, que os cristãos e incrédulos igualmente associem apologética a conflito”

    Como disse o blogueiro João R. Weronka, do site Internautas Cristãos, discordância não significa desrespeito. Eu acredito veementemente que sem apologética, dificilmente haverá cristianismo. Explico: não é de hoje que o cristianismo é mal compreendido. Desde a época de Jesus, já existiam pessoas que achavam toda essa ideia uma coisa de louco e sem sentido. Por isso, Cristo precisou, em várias vezes, dialogar com os fariseus para defender seus ideais. Alan Richardson esclarece melhor a importância da apologética:

    “A apologética trata das relações da fé cristã com a esfera mais vasta do conhecimento ‘secular’ do homem – a filosofia, a ciência, a história, a sociologia e as outras mais – visando demonstrar que a fé não discrepa da verdade descoberta por essas pesquisas. Tarefa como esta deve, necessariamente, ser empreendida em cada época. É mesmo um empreendimento de considerável urgência num período em que os conhecimentos científicos e as transformações sociais se processam tão rapidamente”

    Então qual é o problema de eu defender minha igreja local? Depende. Vamos lá: suponhamos que você ache sua igreja perfeita: o pastor vive em santidade e é honesto, o louvor é verdadeiro e dedicado, os obreiros são bem preparados e esforçados para com a obra de Deus e isso já é o suficiente para que você brade que sua congregação está preparada para receber os perdidos. Até aí, tudo bem. Mas o grande PORÉM é que sua congregação não desenvolve nenhuma atividade missionária, não se importa com evangelismo, não se relaciona com os demais irmãos e os cultos são mornos por falta de uma pregação inteligente. Tem como defender isso? Os membros são até pessoas dedicadas dentro da congregação mas fora delas, onde mais eles precisam ser dedicados, o cristianismo morre e eles voltam a ser pessoas comuns, sem desempenhar o evangelho.

    Apologética cristã não é defesa da sua igreja local e sim defesa da sua fé. Talvez muitos dos pressupostos usados em sua igreja local, estejam biblicamente incoerentes com o cristianismo. Paul Tripp, em seu livro Como as Pessoas Mudam (coescrito com Tim Lane) identifica sete evangelhos falsos – caminhos “religiosos” que usamos para nos “justificar” ou “salvar” à parte do Evangelho da graça.

    • Formalismo: “Eu participo dos encontros regulares e dos ministérios da igreja, assim sinto-me como se minha vida estivesse sob controle. Estou sempre na igreja, mas isso realmente tem pouco impacto em meu coração ou sobre como vivo. Posso me tornar julgativo e impaciente com aqueles que não têm o mesmo compromisso que eu”.

    Isso explica um pouco do que eu disse logo acima: não é porque a intenção é boa que a motivação seja a correta [Cristo].

    • Legalismo: “Eu vivo pelas regras – regras que criei para mim mesmo e regras que criei para os outros. Sinto-me bem se posso guardar minhas próprias regras, e me torno arrogante e cheio de desdém quando os outros não alcançam os padrões que coloquei para eles. Não há alegria em minha vida porque não há graça a ser celebrada”.

    Muitos de nós ainda vivemos esse legalismo, cujas regras desestruturam toda a aparência sincera de cristianismo. Em Filipenses 2 versos 14 e 15 diz que precisamos fazer “todas as coisas sem murmurações nem contendas” para que nos tornemos “irrepreensíveis e sinceros”. Precisamos ser servos de Cristo por completo. Consegue entender a importância da apologética cristã?

    • Misticismo: “Eu estou envolvido em uma busca incessante por uma experiência emocional com Deus. Vivo para os momentos em que me sinto próximo dele, e frequentemente luto contra o desânimo quando não me sinto dessa maneira. Posso também mudar de igreja frequentemente, buscando aquela que me dará aquilo que procuro”.

    Observe que “experiência emocional” é muito diferente de “experiência espiritual”. Quando nos sujeitamos a momentos de emoções com Deus, não nos preocupamos com nossa vida espiritual.

    • Ativismo: “Reconheço a natureza missional do Cristianismo e estou apaixonadamente envolvido em consertar esse mundo destruído. Mas, no fim do dia, minha vida é mais uma defesa do que é certo que uma busca alegre por Cristo”.

    Chegamos em um ponto primordial que é posto equivocadamente por alguns de nós: o desejo por defender a fé mas a limitação física e teológica não permite. Fomos eleitos para sermos santos e irrepreensíveis diante dele [Deus] em amor (Efésios 1:4). Devemos pregar o evangelho com convicção e não por mera emoção para sermos vistos e reconhecidos.

    • Biblicismo: “Eu conheço a Bíblia do começo ao fim, mas não permito que ela me domine. Reduzi o Evangelho à proficiência do conteúdo e teologia bíblicos, portanto sou intolerante com aqueles que têm menos conhecimento”.

    Isso é bem comum em nosso meio e, isso me entristece. Os fariseus conheciam muito bem a lei e as escrituras e nem por isso eram santos. A bíblia deve ser alimento para nossa alma e não vantagem para o nosso ego.

    • Terapismo: “Falo muito sobre as pessoas feridas em minha congregação, e como Cristo é a resposta para suas dores. Porém, mesmo sem perceber, eu fiz de Cristo mais Terapeuta que Salvador. Eu vejo as feridas como um problema maior que o pecado – e, sutilmente, mudo minha maior necessidade – da minha falência moral para minhas necessidades não satisfeitas”.

    Esse deve ser um dos principais problemas de defender sua congregação: vocês devem estar fazendo a coisa certa da maneira errada. Se tiverem uma apologética do cristianismo, estarão sendo firmes em suas convicções e biblicamente corretos.

    • Socialismo: “A comunhão e amizades profundas que encontro na igreja se tornaram meu ídolo. O corpo de Cristo substituiu o próprio Cristo, e o Evangelho é reduzido a uma rede de relacionamentos cristãos satisfatórios”.

    Sejam igrejas e amem o dono dela, que é Cristo. Enquanto pensarmos que nossa congregação é a base de tudo, estaremos errando feio em nossa vida cristã. Fiquem atentos aos próximos textos. Por enquanto, um brinde!


    Referências

    MYATT, Alan – Apologética p. 4 – www.monergismo.com

    KOUKL, Gregory in BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.55

    RICHARDSON, Alan. Apologética cristã. JUERP. Rio de Janeiro, RJ: 1978. p.17

  • Análise: CD Entre a Fé e a Razão – Trazendo a Arca

    Análise: CD Entre a Fé e a Razão – Trazendo a Arca

    Quando uma banda cresce e rapidamente se torna um sucesso nacional, com um disco que supera o outro, o público espera que o artista, a cada lançamento, passe por um processo de catarse musical, sempre se inovando, testando suas fronteiras. Mas como humanos possuem seus limites, em uma hora ou outra a fonte começa a secar.

    O Trazendo a Arca de Pra Tocar no Manto não era mais o grupo tão festivo dos discos anteriores e isso causou um imenso impacto no público. Mas, claro, isso se deve a própria fase que o conjunto estava passando. Com letras mais maduras, a banda imergiu numa temática dura e difícil para digerir, principalmente num contexto em que a teologia da prosperidade perde seus sinais de encanto e desperta mais críticas dos diferentes segmentos evangélicos.

    Após Salmos e Cânticos Espirituais e a subsequente saída de Verônica e Davi Sacer, a banda completou esta trilogia com um disco tão sombrio quanto o de estreia. Entre a Fé e a Razão é um disco curto, direto, rico e… saturado.

    É neste álbum que a banda investe toda a sua sonoridade construída ao longo dos anos. Os teclados de Ronald Fonseca são o principal ponto desta musicalidade, que tem arranjos assinados pelo músico. Com mais cara de “banda” e menos de um pomposo (e exagerado) ministério de louvor, o quinteto mostra-se coeso, sólido, sob as colaborações de Quiel Nascimento na orquestra de cordas e Zé Canuto nos metais.

    Luiz Arcanjo, por sua vez, soou um pouco desconfortável, afinal era a primeira vez em que estava completamente sozinho como vocalista. Suas letras, por outro lado, são aquelas de sempre e, agora, com mais espaço, direcionaria sua parceria, antiga com Sacer, para Ronald. Um redirecionamento necessário e que era o mais óbvio.

    Entre a Fé e a Razão, assim como Pra Tocar no Manto, não foi bem compreendido. Um pouco taxados de “perderem a essência”, esta que foi atribuída a Davi Sacer que, sem mover um dedo, gravou um disco só com composições de Davi Fernandes e Jill Viegas, a banda se fechou em seu mundo a partir de então, ao invés de se ampliarem musicalmente com parcerias. Embora o disco tenha grandes méritos e seja o último grande lançamento do Trazendo a Arca, o que veio, posteriormente, é a velha mania de grandeza (e teimosia) que um grupo, em sua postura musical hermética, possui.

  • Palavrantiga – discografia e obra

    Fundada por Marcos Almeida, Josias Alexandre, Felipe Vieira e Lucas Fonseca, o Palavrantiga formou-se após anos de excursão com Heloisa Rosa. O trabalho rapidamente se destacou, com suas influências do novo movimento.


    Guia discográfico

    Volume 1 (Independente/2007): O cartão de visitas do grupo, destaca-se pela simplicidade das composições e riqueza dos arranjos, sob a produção de Lúcio Souza. (Nota: [usr 4])

    Esperar é Caminhar (CanZion/2010): Utilizando-se várias canções do EP anterior, Esperar é Caminhar soa agradavelmente pop, e ao mesmo tempo rock. Com uma mensagem cristã bem clara e sem pieguices, foi um dos melhores lançamentos de seu ano. (Nota: [usr 4])

    Sobre o Mesmo Chão (Som Livre/2012): Utilizando-se de canções menos simples que o anterior, Sobre o Mesmo Chão é repleto de algumas boas canções sólidas, mas também peca por idiossincrasias. Um disco excessivamente soberbo, perdeu a leveza dos sintetizadores e adentrou a guitarra de forma mais incisiva.  (Nota: [usr 3.5])


    Melhores músicas

    Amor que nos faz um, Casa, Deus, Onde Estás?, De Manhã, Rio Torto, Rookmaaker, Seguro Vou e Vem me Socorrer.


    Notícias e matérias sobre o Palavrantiga

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Palavrantiga no O Propagador, clique aqui.

  • Fique Sabendo – Tanlan, Novo Som, Nani Azevedo e muito mais

    Hoje é sexta-feira, portanto, dia de mais um Fique Sabendo, o último do mês. Vamos lá!


    Tanlan lança novo clipe e single: “A Maior Aventura”

    Três anos após o disco Um Dia a Mais, a banda Tanlan acaba de lançar a canção “A Maior Aventura”, prévia de um disco futuro, a ser lançado pela gravadora Sony Music Brasil. A canção foi mixada e masterizada por Rodrigo Del Toro, e a direção de vídeo ficou por conta de Mateus Raugust. Assista:

    Leia: entrevista com Fábio Sampaio


    Novo Som segue cumprindo agenda, mesmo com as proibições de Lenilton

    Nesta quarta-feira, o fundador e ex-baixista do Novo Som, Lenilton, proibiu a banda de tocar e gravar suas composições. Ocorre que o músico é o letrista majoritário da maioria das músicas e praticamente de todos os sucessos do Novo Som. O desabafo do artista em suas redes sociais causou comoção nos fãs do grupo, que em massa exigiram esclarecimentos e desculpas de Alex Gonzaga e Mito ao ex-colega e afirmando que sem o ex-músico, o Novo Som “não tem graça”. Eles seguem cumprindo agenda, tocando, desta vez, músicas que não são de Lenilton. Uma delas foi “Teu Choro”, escrita exclusivamente por Mito.

    Alex Gonzaga falou sobre o assunto, assista:


    SBB lança coletânea do Chá de Mulheres

    conviteO álbum é fruto do Chá de mulheres, evento idealizado por pastor Marcos Batista, coordenador de desenvolvimento Institucional da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) e organizado pela atriz e apresentadora Eliana Ovalle.

    Com início em abril de 2009, o evento acontece a cada última quinta-feira do mês e reúne mulheres no Centro Cultural da Bíblia (RJ). Várias cantoras de muito talento frequentam o evento e tem a oportunidade de louvar a Deus, algumas delas se tornam frequentadoras assíduas. Foi a partir daí que Eliana teve a ideia de gravar uma coletânea, um CD do Chá das Mulheres na SBB.

    O álbum reúne canções de louvor e adoração e tem produção musical do maestro Lito Figueroa. Participam do projeto: Eliana Ovalle, Fátima de Souza, Glaucia Leite, Ivana Viana, Janete Bandez, Luci de Sá, Luciene Camargo, Patrícia Andrade, Renata Martins, Zenir Nevez, cada uma delas participando com uma canção e Sylvia Jane Crivella, que realiza uma belíssima oração no encerramento do disco.

    O lançamento do projeto acontece neste sábado (29), na Igreja Assembleia de Deus Cidade Nova (RJ).


    Jossana Glessa investe em música e vídeo de qualidade duvidosa

    A cantora Jossana Glessa acaba de lançar um novo clipe, da canção “Som do Trovão”. No entanto, a qualidade do vídeo deixou muito a desejar e a canção aposta em todos os clichês possíveis do gênero, utilizando-se de temáticas antropocêntricas.


    Nani Azevedo apresenta capa do novo CD, Eu Confiarei

    O cantor Nani Azevedo acabou de apresentar a capa de seu novo álbum, Eu Confiarei. Confira o post abaixo:

    https://www.facebook.com/cantornaniazevedo/photos/a.603807722972924.1073741825.184133124940388/1000252466661779/?type=1


    Duca Tambasco divulga música instrumental, “Woods”

    O baixista da Oficina G3, Duca Tambasco, iniciou, recentemente, um novo projeto musical, chamado Música e Prosa. A música divulgada, em seu canal oficial, foi “Woods”. Assista:


    Daniela Araújo lança música “Agosto”, com Mauro Henrique

    O vocalista da Oficina G3, Mauro Henrique, acaba de participar na música “Agosto”, de Daniela Araújo, canção divulgada nas redes sociais da intérprete.


    Até a próxima!

  • Fronteira – A interpretação é livre!

    Devo ter polemizado com esse título, numa sociedade pós-moderna que exerce com vigor ferrenho a base relativista (incoerência juntar base e relativismo na mesma frase, já que base significa algo absoluto). Mas esse título, queira ou não, é a verdade mais absoluta.

    Por que a interpretação é livre? Para quem faz essa pergunta, eu devolvo uma outra: pode uma árvore de maçã dar laranja? Uma indagação nada convencional, mas vou explicar.

    Na Revista Espaço Acadêmico, da edição N° 144 de maio de 2013, Andrey Dioney Fonseca afirma que “ao momento em que determinado bem cultural chega às mão de um consumidor que dele pode fazer diferentes usos, inclusive usos que distam do que fora pensado por aqueles que produziram esse bem cultural.”, o autor enfoca na liberdade de interpretação. Esse fundamento tem raízes no humanismo e no relativismo cultural. E a realidade é que esse argumento é tão verídico, que faz o relativismo uma verdade absoluta (adoro paradoxos).

    Jesus disse em Mateus 7 sobre uma realidade além do que é visível para nós: “16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? 17. Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus. 18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.”

    Nesse mundo de certezas e dúvidas, há outra realidade por trás dessa, feita de cenas de vazio e deserto. Esse mundo é um complexo sistema a qual eu mesmo não entendo em sua totalidade, mas sei que fui feito para ser dele. Esse mundo complexo pode ter vários nomes: eu, identidade, coração, etc. E é essa dimensão que Cristo veio tratar, pois dela provém toda a realidade humana. Parafraseando Søren Kierkegaard:

    “O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é, em suma, uma síntese.”

    Quando afirmo esse mundo, eu falo sobre quem eu, você é. Não sobre o que você faz e o que você tem, mas sobre seu ser, sua identidade espiritual, seu eu, e é esse planeta de interioridade que define o que você interpreta, pensa, escolhe e faz. Sua interpretação é livre para pensar sobre quem você é!

    A pergunta do início agora foi respondida. Pode uma árvore de maçã dar laranja? Não, porque o que eu interpreto é a partir de quem eu sou. Eu tenho dois pares de olhos, os olhos exteriores e os olhos do interior, que enxerga o além das coisas materiais. Se eu tiver esses olhos interiores fechados, enxergarei só a materialidade, interpretarei apenas o que é material.

    Já ouviu a afirmação que todo homem é pecador, não é? Vejo teólogos, crentes repetindo essa afirmação como papagaios. Na verdade, às vezes um cristão parece realmente um papagaio: repete informações e doutrinas decoradas, sem ao menos entendê-las. O cérebro deles é um tijolo. Você sabe o que o pecado significa? Pecado não é uma substância venenosa, que possui materialidade, pois assim ela teria que ser criada.

    Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (Romanos: 3. 23)

    O ato de pecar é possibilitado pela destituição da glória de Deus. Destituição é perder algo, é ser ausente de uma posição a qual era seu destino, seu propósito. O pecado é ausência de Deus, e nada melhor que o Albert Einstein para explicar isso:

    “O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

    Só há duas alternativas para o seu próprio interior: ser ou não ser. Porque toda interpretação tem apenas duas bases, o que é e o que não é. Sabe por que o homem detém verdades relativas? Porque ele não conhece o todo, e por estar cego espiritualmente, enxerga partes da verdade pela graça comum. O absoluto se encontra na espiritualidade, no divino, pois só Deus conhece toda realidade, e só conhecendo essa dimensão o homem deixará de ser relativista.

    A Bíblia trata plenamente da história dessa verdade absoluta. Essa verdade veio e os homens não o conheceram, pois não eram dos seus. A verdade é uma pessoa, e essa pessoa se chama Jesus. É a expressão perfeita do homem e Deus. Conhecer a Cristo, ter sua identidade totalmente formada nEle é o destino do homem, porém, não é simplesmente uma vontade sua, pois um interior vazio não pode querer ser cheio por si mesmo. “Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende dEle”, dizia o C. S. Lewis.

    Você pode ter sua vida padronizada em regras práticas baseada em religiosidade que fingem ser a espiritualidade, mas pode não conhecer a Deus. Jó dizia que antes ele apenas conhecia de ouvi falar sobre Deus, mas depois de grandes dificuldades e problemas, ele disse: mas agora os meus olhos te veem. Ele passou do vazio existencial para a verdadeira vida, obteve seu eu. E são justamente os olhos desse eu que pode dizer: eu realmente vejo Deus, eu realmente conheço a verdadeira interpretação, pois eu o enxergo com os verdadeiros olhos do interior.

  • Rocklogia – O primeiro álbum da Tanlan

    Como dito no primeiro post da Aeroilis, a Tanlan surgiu no início dos anos 2000, com uma proposta semelhante. De um projeto solo do cantor Fábio Sampaio, evoluiu para uma banda. Em 2005, foi lançado o primeiro EP de canções do grupo, que tornou-se um álbum completo em 2008, produzido por Kiko Ferraz.

    Este primeiro trabalho da Tanlan é liricamente mais ousado do que o primeiro projeto da Aeroilis. Evidentemente, as composições são mais implícitas, o que facilitou o sucesso da banda no meio em geral. A Tanlan seguiu um rumo um pouco diferente das bandas do novo movimento: o seu público, na maioria dos anos, era, em maioria, formado por não-cristãos. O grupo tinha imensa dificuldade de, por exemplo, fazer agendas em igrejas. Com os anos, isso foi mudando.

    Tudo que eu Queria é basicamente um álbum de rock alternativo, com canções alegres, com o destaque das execuções instrumentais do guitarrista Beto Reinke. Vale salientar que este projeto alcançou relevância na mídia local de Porto Alegre, o que colaborou para a continuação do grupo e expansão de sua agenda para outros estados do país. Destaco as canções “Castelo” e “Bem-Vindo”, as quais só tive a oportunidade de conhecer no início de 2012.

    Entre o primeiro e o segundo álbum, algumas coisas em relação ao grupo, especialmente em relação ao rótulo que receberia dos meios de comunicação, foram mudando, mas isso é assunto para outro post, daqui a algumas semanas. Aguardem!

  • Lenilton desabafa e proíbe Novo Som de tocar suas músicas

    O baixista, compositor e arranjador Lenilton publicou, em seu Facebook, uma nota oficial acerca de suas relações com a banda Novo Som. Conhecido por ser o baixista original e compositor da maioria de suas músicas, o músico deixou o conjunto em meados de 2002, fundando o Rota 33, mas participou do projeto de 25 anos do grupo, gravado recentemente pela Mess Entretenimento.

    Novo Som com Lenilton

    Segundo Lenilton, desde os tempos mais antigos da banda, seu trabalho não era muito valorizado, e o grupo envolveu-se em certos conflitos com o projeto de 25 anos. Nesta longa história, contada em seu comunicado, o baixista disse que os membros restantes não o querem no grupo e, por conta disso, vai satisfazer a vontade deles, também os proibindo de gravar suas músicas.

    Lenilton escreveu praticamente todas as músicas de sucesso do Novo Som, como “Escrevi”, “Deixa Brilhar a Luz”, “Acredita” e “Herói dos Heróis”. Leia abaixo o depoimento de Lenilton:

    https://www.facebook.com/lenilton.silva2/posts/10206623973071027

  • Polemizando – Por que o compositor não é valorizado?

    Você certamente sabe quem canta aquela música do momento, aquele sucesso que não para de tocar nas rádios. Mas você sabe quem é o autor dela?

    A maioria esmagadora do grande público desconhece quem são os compositores da maioria das músicas. Não é incomum encontrar aqueles que creditam, ao intérprete, o crédito exclusivo sobre uma canção, o que é um grande equívoco. Atrelado a isso, é possível notar o pouco interesse do mercado musical em mudar isso. Seguimos com cantores cada vez mais famosos e ricos e compositores citados obrigatoriamente apenas nas letrinhas miúdas do encarte cujo material a maioria do grande público não lê. Eu entendo que, no meio gospel, muitos vão dizer que não se deve buscar glória na Terra, nem reconhecimento humano o que é uma grande balela usada para silenciar os insatisfeitos, mas não se trata disso. Trata-se de equidade e justiça.

    Isso porque, legalmente, o dono dos direitos autorais de fato é o compositor, não o cantor. O intérprete e demais músicos, produtores que estejam envolvidos na gravação de uma música possuem direitos conexos. Somente o compositor pode autorizar que suas canções sejam regravadas por outro artista, e não o intérprete. Somente ele segue tendo direito sobre todas as versões futuras. Ainda que este tenha repassado os direitos administrativos para uma editora (que neste caso pode ceder as canções ou monopolizá-las), o autor segue detentor dos direitos, recebendo uma parcela não muito expressiva dos royalties gerados pela canção.

    Pelo menos é o que se espera. Vez ou outra surgem casos de compositores reclamando direitos não recebidos, seja por má fé, falta de conhecimento ou descaso com o artista por trás da música.

    Em pleno 2015, em que a música digital é uma realidade, uma parte significativa dos lucros vem partindo desta nova fatia do mercado. Gravadoras e artistas independentes tem derramado CDs inteiros no YouTube, mas será que todos os compositores tem ciência de quanto suas canções rendem apenas nesta plataforma? Creio que nem os cantores saibam ao certo, já que ainda é tudo nebuloso e falta conhecimento.

    Nas plataformas usuais, controladas mais severamente pelo ECAD, é possível ter uma noção mais clara deste rendimento, agora quanto às plataformas digitais ainda não é possível assegurar com precisão até que ponto cada artista envolvido numa canção recebe os repasses. Veja abaixo, um organograma dos repasses de direitos autorais e conexos:

    Divisão

    Se você é compositor, antes de assinar um contrato, veja quais são as cláusulas que envolvem também a distribuição digital. Se liga!

    Para finalizar, deixo claro que quando falo sobre crédito aos compositores vou além de apenas cumprir com a obrigação de repassar a este o que lhes é devido, mas também de reconhecer este profissional como peça fundamental neste segmento. Sem compositor não há música!

    Sei que muita gente floreia o ato de compor como algo natural ou entregue de bandeja por um anjo, mas acredite, compor uma música não é fácil. Não existe receita de bolo. Compor uma música que seja aceita pelo mercado é muito mais complicado que se parece. Portanto, ao ouvir uma música, pare por um instante e pense o quanto a pessoa que a escreveu se dedicou para criá-la e quão talentoso e hábil foi o dono  das mãos que cruzaram madrugadas dedilhando acordes para colocar em sons suas angústias, alegrias, sonhos e fé.

    Quando você começar a admirar mais que o resultado final, vai entender que o cara por trás das letras geniais certamente merece um pouco mais de crédito.