Este é o post mais simples, e talvez o mais “divertido” da Rocklogia. Em grande parte dos textos aqui já publicados, utilizei de citações e citei entrevistas. Mas está na hora de apresentar, aqui, uma série de citações interessantes, alguma até então pouco conhecidas.
“Fiz de tudo. Meditação, ioga. Um dia, aqui em São Paulo, o pastor Estevam Hernandes Filho, idealizador da Fundação Renascer, me viu tocando e disse para eu tocar para Deus. Eu disse: esse cara tá meio pirado”. [Brother Simion, sobre sua conversão religiosa, Folha de S.Paulo, 1993]
“Havia um cenário muito criativo desde os anos 60. Várias canções de autores famosos expressavam o melhor de suas angústias, desejos e celebrações. Algumas letras foram de fato tocantes para muitos corações e, creio eu, usadas por Deus ao menos para despertar indagações e sonhos”. [Wolô, em entrevista pessoal, 2015]
“As pessoas ainda pensam que música evangélica é bater bumbo na praça”. [Marco Salomão, sobre a incipiência do mercado evangélico, O Globo, 1991]
“Não acho que seja a MK a responsável pela mudança nas bandas. Sempre falei que ela é empresa, não entidade filantrópica. E uma empresa é boa quando sabe fazer dinheiro. O profissionalismo acima do comprometimento com a verdade, sim, transforma o caráter de uma banda ou cantor. A MK não é babá espiritual de ninguém. A falta de palavra, se seriedade, de honestidade, tudo isso que em geral vem no kit com a fama é que faz uma banda se transformar da noite pro dia”. [Bênlio Bussinguer, sobre a MK Music, Dot Gospel, 2005]
“Já tocamos com moçada pesada, como os Ratos de Porão. O som da gente é semelhante. A diferença está nas letras”. [Luciano Manga, sobre a agenda da Oficina G3, Folha de S.Paulo, 1993]
“Em tempos em que o “serviço de implantação de novos produtos no mercado” andava de vento em popa entre as gravadoras e as rádios, a música “Eu quero sol nesse jardim” já tocava em FMs jovens. Nem a Legião Urbana soaria tão caricaturalmente Legião Urbana quanto naquela balada de violãozinho com vocal empostado e letra sobre jardins, luz da manhã e azul do céu”. [Ricardo Alexandre, no artigo Catedral e o Juízo Gospel, 2013]
“Acho que podemos falar algo sobre o rock gospel nacional, que é a nossa praia e que em geral é fraco, poderia ter mais qualidade e ser mais inovador principalmente, além de proporcionar mais espaço aos novos compositores que surgem e desaparecem a cada ano por falta de espaço”. [Arvid Auras, sobre o rock cristão brasileiro, Super Gospel, 2005]
“Sou um artista pop. O meu CD tem de tudo, de baião a rock. Por isso, não vejo por que tenha de ficar limitado às lojas de gospel”. [Carlinhos Felix, sobre parcerias com supermercados e Lojas Americanas para distribuição do álbum Toda Reverência, O Globo, 1997]
“Há muito tempo que não vejo a galera do Fruto Sagrado. Marcão, Bênlio, Flávio… As letras do Fruto são demais, até hoje sinto que há uma lacuna. Ninguém faz o que eles faziam. Não conheço a nova formação, parece ser bem legal, quando digo saudades, é daqueles caras”. [Zé Bruno, sobre músicos dos tempos da Gospel Records, Super Gospel, 2015]
“Vivemos em uma sociedade cada vez mais sectária, excludente, onde tudo é categorizado, dividido, rotulado, departamentado para que aquele que faz parte do grupo A não se misture com o B. Entendemos que a mensagem do Evangelho é de inclusão, mistura, unidade e não de divisão. Procuramos contextualizar a música e a mensagem para que não exista essa divisão entre “rock cristão’, “rock secular”, louvor, evangelismo ou qualquer outra segmentação. Fazemos música. Fazemos rock. Pregamos o evangelho”. [Fábio Garcia, sobre o rótulo “rock cristão” na música dos Militantes, Super Gospel, 2015]
“Existe um enorme preconceito. O mínimo que uma igreja poderia fazer era acompanhar a banda, fechar as portas e levar a galera pra prestigiar o trabalho e ajudar a evangelizar, mas não é isso que acontece. Alguns ainda criticam porque estamos lá no meio. Não entendo muito bem como funcionaria essa evangelização (rs). Mas enfim, ninguém vence a guerra sem um exército, concorda?” [Marcelo, sobre a apresentação da banda PontoCom num evento não-religioso, Super Gospel, 2004]
“O Tchu, antigo baixista tinha saído, e eu queria tocar com a banda. Afinal, quem não gostaria, até um funkeiro como eu gostaria de tocar no Kats, mesmo sendo rock. Finalizando, o Simion saiu dali e foi falar para o Ap. Estevam o que a gente conversou”. [Jadão, sobre sua entrada no Katsbarnea mediada por Brother Simion, Super Gospel, 2005]
“Aonde chegaremos com tanto legalismo e distorções teológicas a respeito da arte? Será que em nosso atual “ambiente” ainda existe oxigênio criativo? Quantos observam estarrecidos a ditadura da mediocridade que impera em grande parte das livrarias, programas de TV, rádios, gravadoras e igrejas?” [Marcão, em artigo, Dot Gospel, 2004]
Que a música gospel venceu preconceitos, derrubou barreiras e expandiu seu espaço, é visível, basta fazer um breve levantamento dos avanços que o mercado gospel conquistou. Nos últimos anos, podemos destacar a abertura das grandes gravadoras para a música cristã. As canções do nicho chamaram a atenção também de grandes nomes da música secular, muitos destes chegando a gravar versões que extrapolaram as fronteiras de nosso gueto, invadindo de vez o meio não-religioso. Confira:
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Ele não Desiste de Você – Péricles (Marquinhos Gomes)
O cantor Péricles Faria, ex-vocalista do Exaltasamba, gravou juntamente com o cantor Marquinhos Gomes a canção “Ele não Desiste de Você”. A faixa, que é um dos maiores sucessos da carreira de Marquinhos Gomes foi gravada originalmente em 2010, no disco de mesmo nome. (2012)
https://www.youtube.com/watch?v=sdf3aMxqqys
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Pensando em Você – Babado Novo (Pimentas do Reino)
“Pensando em Você”, composição de Henrique Cerqueira, foi gravada por sua ex-banda, Pimentas do Reino. Henrique é amigo de Cláudia Leitte, que acabou regravando esta canção ainda quando era vocalista do Babado Novo, e obteve um sucesso regular. Confira. (2007)
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Que Bom que Você Chegou – Silvanno Salles (Bruna Karla)
O cantor Silvanno Salles fez uma versão pra lá de inusitada da canção romântica “Que Bom que Você Chegou” de Bruna Karla. A canção conseguiu cair no gosto dos amantes do ritmo, sendo bastante executada nas rádios do nordeste. (2012)
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Segura na Mão de Deus – César Menotti & Fabiano
A clássica canção “Segura na Mão de Deus” também ganhou uma versão “assertanejada” nas vozes de Cesar Menotti & Fabiano. A dupla gravou a canção no álbum .com_você. Vale ressaltar que Cesar é evangélico, porém não planeja deixar a carreira secular ao lado do Fabiano. (2007)
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A Voz – Michel Teló
O cantor sertanejo Michel Teló também não ficou fora da onda de incluir música gospel em sua obra, e gravou a música “A Voz”. Porém, esta não é a primeira vez que o cantor grava canções deste gênero. Antes de estourar com o sertanejo universitário, ainda quando fazia parte do grupo Tradição, gravou “Deus é 10”. (2010)
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Vai Dar Tudo Certo – Zezé di Camargo & Luciano (Waldecy Aguiar)
Outro clássico da nossa música, “Vai Dar Tudo Certo” foi regravada pela dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. Composta e gravada por Waldecy Aguiar, esta canção foi muito cantada nas igrejas nos anos 90. Além de Zezé di Camargo & Luciano, diversos cantores evangélicos a regravaram, a exemplo de Noemi Nonato, Marcelo Aguiar e Gerson Rufino. (2005)
https://www.youtube.com/watch?v=7Uv4cZ7r23I
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DNA de Adorador – Gusttavo Lima (Anderson Barony)
Gusttavo Lima foi outro cantor sertanejo que gravou música gospel. Eu seu trabalho Ao Vivo em São Paulo, Gusttavo Lima gravou a canção “DNA de Adorador”, sucesso na voz do cantor Anderson Barony. O fato de gravar uma canção gospel, além de algumas declarações em shows fez levantar a suspeita de que o cantor estivesse insatisfeito com a carreira secular e planejasse migrar para o gospel, fato que foi desmentido por Lima. (2012)
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Casa – Chrystian & Ralf (Palavrantiga)
A famosa dupla goiana Chrystian & Ralf fez uma versão de “Casa”, sucesso da banda Palavrantiga. Escrita por Marcos Almeida, a faixa é um tributo ao grupo e foi produzida pouco tempo depois do grupo mineiro lançá-la. (2010)
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O Mover do Espírito – Eduardo Costa (Armando Filho)
Há alguns anos, o cantor Eduardo Costa regravou a canção “O Mover do Espírito”, um clássico da música cristã. Eternizada na voz do grande Armando Filho, também foi gravada pela cantora Ludmila Ferber. A canção que pode ser conferida no canal do cantor no Youtube ganhou uma interpretação expressiva e cativante do cantor sertanejo. (2013)
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Conquistando o Impossível – Luan Santana (Jamily)
O queridinho das adolescentes, sucesso de vendas na música secular, o sertanejo Luan Santana se rendeu à música gospel, cantando o grande hit “Conquistando o Impossível”, música que ganhou notoriedade na voz da cantora Jamily. Foi gravada no álbum Luan Santana ao vivo no Rio. (2011)
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O que achou deste nosso TOP 10 de canções gospel? Conhece mais músicas acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!
Após o lançamento do EP, a Palavrantiga seguiu com o produtor Lúcio Souza, o SILVA, e Jordan Macedo, e gravou Esperar é Caminhar. Este disco, cuja distribuição ficou a cargo da CanZion, conteve quatro das seis faixas do disco anterior, mais uma série de inéditas, todas assinadas por Marcos Almeida.
Neste álbum, o cantor Thalles participa na faixa-título: “Em junho de 2009, conheci o Thalles quando ele esteve no Polo Estúdio para gravar uma participação no disco do Palavrantiga, que, na época, estava sendo produzido. Desde então, ele decidiu finalizar Na Sala do Pai comigo, apesar de já ter iniciado a gravação em outro estúdio”, disse Jordan ao Super Gospel.
O lançamento do disco catapultou a popularidade do grupo, com canções como “Seguro Vou”, “Amor que nos Faz Um”, e principalmente “Rookmaaker”. Para completar, o disco foi masterizado no Abbey Road Studios, o que de certa forma foi um diferencial importante. Sonoramente, o disco tem referências bem explícitas ao britpop.
Mais tarde, no segundo semestre de 2011, o grupo gravou um Recife um álbum ao vivo que teve o lançamento cancelado. O título era Uma Noite em Recife e foi completamente engavetado. Por outro lado, a banda seria contratada pela Som Livre, selo pelo qual gravariam e distribuiriam um novo projeto.
Em 2012, o novo disco, de título Sobre o Mesmo Chão, seria decisivo na filosofia do grupo. Foi gravado no estúdio da banda Diante do Trono, com um repertório autoral de Marcos. O compositor afirmou, em entrevistas, que as influências para o álbum foram totalmente diferentes do primeiro, a começar pela vida de homem casado que estava começando a ter. As letras deste disco foram mais ousadas, mas não foi tão unânime quanto o anterior. Por exemplo, um jornalista do portal Fita Bruta, site conhecido por suas análises por vezes polêmicas, considerou o disco morno, hermético e as ideias do grupo bastante confusas. Os portais de música cristã, no entanto, foram amplamente favoráveis a obra. A produção musical ficou, novamente, a cargo de Jordan Macedo.
Algo incomum aconteceu na época de lançamento do álbum, que foi a participação do Palavrantiga no programa da Rede Super, 6ª Básica. Além do quarteto, era noite de Oficina G3. Juninho Afram e Marcos Almeida, representando as duas bandas, falaram sobre a carreira e novos projetos. Depois, Mauro Henrique ainda cantou “Feito de Barro” com o Palavrantiga. A Igreja Batista da Lagoinha, nesta noite, ficou lotada.
https://www.youtube.com/watch?v=2Cr5RnLvdGI
Após o lançamento do disco, o clipe da canção “Rio Torto” foi divulgada, e Marcos participaria de uma faixa num disco da Tanlan, o qual falaremos no próximo post. Muitas coisas no grupo ocorreria nestes breves anos.
Naquela altura do campeonato, era óbvio que a banda chamava a atenção. Eles saíram do underground, como nomes do extinto novo movimento, trazem de vez a palavra crossover para a discussão no mercado, mas era Marcos Almeida, ali, que se preparava para dar mais passos. Apesar de toda a contribuição sonora da cozinha, o vocalista e letrista decidiu traçar seus rumos, sozinho, enquanto a banda seguiria, ao menos teoricamente, com um novo vocalista.
Mais de um ano depois, o silêncio continua, e é muito cedo para qualquer um “teorizar” a importância que a curta discografia da banda tem na história do rock produzido por cristãos no Brasil.
Enquanto isso, Marcos já produziu single, gravou disco ao vivo e planeja lançamento inédito para 2016.
https://www.youtube.com/watch?v=SPZgo9SDI3o
Retalhos
Em 2015, Marcos Almeida falou um pouco sobre suas composições. Decidimos reproduzir, abaixo, seus comentários.
Branca [2011]: Nenhum móvel sequer no apartamento. Apenas um modem de internet wireless e um violão. A emoção de entrar no nosso futuro lar ainda é viva na minha memória. Eu estava sozinho e aproveitei o reverb do quarto vazio para dar vazão àquele sentimento em erupção. Foi impressionante; o primeiro acorde que toquei? Um Sol menor com décima terceira e logo, de imediato, como que soprado por Ele, veio a melodia pra ela: “Branca, acordei você”…
Casa [2006]: Só consegui acreditar que a dupla Chrystian e Ralf gravaria a minha composição depois de gravada.
Eu dava aula no Colégio Presbiteriano de Belo Horizonte e foi no intervalo que corri na sala dos professores, abri o computador, baixei o mp3 e, ainda sem fé, comecei a escutar o que eles tinham feito. Confesso que me emocionei. Por muitas razões: era uma homenagem de uma dupla que eu nunca conheci pessoalmente e até hoje não tenho contato com eles. Era Chrystian e Ralf do hit “tinha um sonho ir pra Nova York”, que a gente cantava em casa quando era criança! Era uma dupla sertaneja gravando uma canção de rock e aumentando o ganho da distorção ainda mais – sim, eles conseguiram ser mais roquenrou que o Palavrantiga. Era eu, um iniciante no mundo da música, que de repente começava a receber ligação de gente importante querendo saber mais do meu trabalho como autor.
“Casa” é minha obra prima, obra prima no sentido de primeira obra, porque depois dela entendi que poderia ser compositor com um caminho próprio. Olha, estou mais seguro hoje do que nunca, quase 10 anos depois de ter escrito essa canção, que não posso receber todos os créditos por ela. Na verdade, tudo aconteceu por causa Dele, o Deus gracioso que jamais nos abandonou. O Deus da obra, que trabalha na gente e através da gente, numa misteriosa jornada de cooperação,tornando possível o absurdo: uma estranha dupla, uma mística dupla. Casa e Dono da Casa!
Vem Me Socorrer [2008]: Estávamos no estúdio do SKANK em Belo Horizonte gravando uma participação para o programa Feira Moderna da REDE MINAS. O Henrique Portugal escolheu 4 bandas da cena independente, entre elas a belíssima TRANSMISSOR, da qual eu me tornaria um fã logo depois daquele dia.
A brincadeira era assim: cada banda tocava duas – uma releitura e outra autoral. Levei para os meninos do Palavra – nesse dia só o baterista não participou – a surpreendente “Todos estão surdos”, do Roberto Carlos e uma inédita de minha autoria: “Vem me socorrer”. Tivemos o luxo de tocar as duas com o Henrique Portugal fazendo um Rhods cheio de sentimento.
O curioso aconteceu nos bastidores. Fiquei sabendo disso depois. Quando o técnico do estúdio – uma figura bastante conhecida da cena musical belorizontina – me ouviu cantar o refrão de “Vem me socorrer”, muito surpreso perguntou para a equipe: “ele disse ‘Deus’? Foi isso mesmo!?” Ao que responderam pra ele: “sim, o cara disse Deus!”. O técnico, como que não acreditando no que ouvia, e com muito entusiasmo, foi enfático na sua alegria soltando um clássico palavrão : “do CARAL**O!!”.
“Vem me socorrer” hoje é tocada em bares e igrejas. Foi mais longe do que eu imaginava. É a música da vida de muita gente. Outro dia recebi uma mensagem dizendo: “minha mulher começou a sentir as contrações e corremos para o hospital. Quando entramos no carro ela disse: coloca “Vem me socorrer”, me acalma. E a nossa filha se preparou para vir ao mundo ao som da sua música”! Muito lindo, não?!
“Vem me socorrer” é um grito, e como percebeu o cara do estúdio, do jeito dele, de fato essa não é mais uma canção de amor!
Deus, Onde Estás? [2007]: Estava em casa e recebi um telefonema. Era minha mãe dizendo que não tinha jeito, teria que fazer uma delicada operação que há anos tentava evitar com outros tratamentos. O médico disse que era um procedimento urgente que (talvez) resolveria o problema, mas disse também que não era uma cirurgia fácil.
A gente lida com a dor de forma muito arbitrária, damos audiência às diversas formas de sofrimento que passam nos canais de notícias, às versões impressas nos jornais; ou quando conversamos com algum vizinho ali tem sempre uma tragédia sendo relatada e nada disso incomoda de verdade. A não ser que aconteça com quem amamos. Aí tudo muda. Dói de verdade.
Mas, aprendi uma coisa: quando sentimos uma dor de verdade, ela nos abre um campo de inédita sensibilidade, fazendo a gente perceber um mundo que já estava ali – só não tínhamos visto antes. A cirurgia de minha mãe e a dor que senti com essa notícia me abriram uma paisagem a princípio detestável, estava diante daquela matéria mais difícil da vida, que os filósofos e teólogos lutam tanto pra explicar: o Sofrimento Humano. A natureza do mal, por que o mundo é assim… E é nesse momento que crentes e ateus se encontram com a mesma pergunta: se o mundo é injusto, como pode existir um Deus justo? Deus, onde estás???
Rio Torto [2012]: A gestação de uma nova canção pode durar meses. É um assunto que incomoda o compositor, um problema para resolver, mas que precisa descansar no inconsciente para em algum misterioso momento ser iluminado por uma Idéia que chega como uma grande descoberta, um espanto. “Rio Torto” é dessas canções. E quase três anos depois ainda consigo sentir aquela emoção de estar cantando algo nascido das regiões mais íntimas da minha alma, por isso ainda meio incompreensível, mas que foi iluminado pela Graça.
Partiu [2011]: Inspirado no primeiro homem a quebrar aquela ideia de que a vida é circular, fiz essa canção. Antes dele, estaríamos repetindo a vida dos nossos pais, estaríamos presos ao que construíram, à geografia em que nascemos, ao ambiente que nos deram; e como um karma, seria impossível se libertar desse destino repetitivo, estaríamos presos a um círculo. Abraão partiu, quando ainda era apenas Abrão filho de Terá. Partiu e desfez o círculo. Partiu e esticou a linha. Partiu e ganhou um novo nome. Partiu e inventou a jornada!
Minha Menina [2011]: Quintana já disse: “nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.” Rubem Alves me ensinou a responder assim: “o que eu quis dizer é exatamente isso que escrevi. Porque, se eu quisesse dizer outra coisa, teria escrito diferente.”
Os dois estão tocando no mesmo ponto; que, a não ser que alguém revele, não é possível saber “a outra coisa”, “a outra interpretação”, apenas a minha coisa, a minha interpretação. Um poema em si é a melhor “revelação” que o poeta pode nos oferecer, até que ele faça outro e mais outro e mais outro, na tentativa de ver melhor o que aponta.
Eu incentivo sempre os meus amigos a buscar a interpretação mais pessoal que puderem ter. A beleza disso é deixar ouvir o que a canção canta em mim, os efeitos desse som na grande sala do coração.
“Minha Menina” tem participado de inúmeros roteiros e narrativas aonde chega. Deixou de ser apenas minha, mas continua uma menina, insegura e carente de amor.
Sagrado [2011]: “Sagrado” nasce depois de eu ter andado algum tempo no meio de avivalistas, de ver de perto certas estruturas religiosas já corrompidas pela filosofia do “conquistar e dominar” e sobretudo de verificar o resultado prático na vida daqueles que defendiam essa onda. Foi um choque perceber que aquilo que 10 anos antes era sagrado na vida de tantos amigos, passou a animar as rodas de piada; eles agora riam do misterioso e intocável. A constatação não foi outra, e foi imediata: “é que o sagrado se tornou hilário…”
Rookmaaker [2010]: Tenho guardado na caixa de e-mails dezenas de cartas, recebidas de várias partes do país, com a pergunta: quem é Rookmaaker? “Não achei nada na internet” ou “ouvi a música doidona que você cantou no show, quero saber mais”; “velho, você fumou o que?”. E coisas do tipo… De fato, na época, se alguém procurasse e encontrasse dois ou três links em português sobre Rookmaaker, ficaria contente. Passados 5 anos, o Google chega a apontar quase 100.000 menções desse nome tão importante na história recente da renovação intelectual da nossa juventude. Livros foram lançados pela Ultimato, artigos acadêmicos nasceram, covers da canção se espalharam no YouTube…
O barulho foi tão grande que Marleen Rookmaaker, filha de Hans, chegou a mandar uma mensagem, antes do nosso inesquecível encontro em Natal, que me enche de alegria até hoje! “apreciamos muito os vídeos da canção no Youtube… Gostamos muito de ver a animada resposta do público e que as pessoas cantam junto nas apresentações. Apreciamos também a entrevista no rádio, apesar de compreendermos muito pouco por não falarmos português. É maravilhoso ver isso acontecendo no Brasil nesse momento. Ah! Achamos muito engraçada a maneira que vocês pronunciam Rookmaaker /rukimaki/! Por fim, consideramos toda essa manifestação cultural muito especial. Tenho certeza que meu pai teria ficado com muito orgulho.” Da pronúncia ela achou graça, mas morreria de rir se ouvisse alguns bilíngues que dizem “ruquimeiquer”, como se fosse uma palavra inglesa, ou outros que chegam a cantar algo próximo à “riquimartin”! Depois dessa mensagem, como disse, nos encontramos em Natal. Seu esposo é o cara mais gentil que já conheci… Tivemos a oportunidade de conversar durante quase 3 horas, sobre seu pai, sobre arte, brasilidade, os tempos na Holanda e Suíça… E tudo começou despretensiosamente com uma canção…
Sobre o Mesmo Chão [2010]: Havia dito em uma entrevista que o trabalho dos novos artistas era, também, o de conseguir criar novas categorias de pensamento que superassem a oposição gospel/secular (especialmente, enquanto fórmula de comunicação). Cheguei a apresentar o “esperances” como vocabulário dessa aventura e a distinção entre gênero musical e circuito cultural como base para invenção de um espaço mais criativo para todos nós.
Alguém comentou a entrevista dizendo algo do tipo: “vocês estão é em cima do muro, cuidado”. Logo em seguida, um outro comentário, só que com outra perspectiva: “eles não estão em cima do muro… Sabem que quem já foi criança não vê dificuldade em saltar muros. Pois, todos os muros estão sobre o mesmo chão.” Uau! Aquilo foi um lampejo, uma revelação! Existiria, então, algo anterior e mais importante que o muro, aquilo que sustenta o peso de todas as diferenças, aquilo que nos torna iguais: o chão! Devo ao Guilherme de Carvalho, amigo e filosofo mineiro, autor desse último comentário, todas as imagens de liberdade que essa canção tão importante traz em si.
Boa Nova [2009]: Ela passou a ser um hino para quem cansou de teologizar a fé sem ver o resultado numa vida prática, real e humana. É uma obra contra o religiosismo, contra o filosofismo, contra os debates intermináveis e tolos que não levam em conta o encontro com a realidade do Amor. Aquele Amor que me faz bem, me deixa amar, sem perguntar a quem.
De Manhã [2012]: Como uma necessidade imperiosa. Não tive como escapar. Uma certa saudade, já conhecida e experimentada, surgiu no meu coração. Fui para a varanda e com o violão em mãos tentei ouvir minha alma. Fiz de tudo para que nada interrompesse, na minha mente, aquele sussurro interior.
Quis falar com Deus. Quis ficar a sós com Ele. Lembrei, enquanto dedilhava o violão, que aquilo não seria um monólogo, uma prosa imanente. Me agarrei nas palavras Dele: “jamais te deixarei”. E senti que Ele estava ali me abraçando.
Hoje Tem Guerra [2007]: “Hoje tem guerra” anunciava para mim a possibilidade de uma música que canta os temas mais profundos (guerra e paz, amor e distância, tempo e eternidade) mas sem formalidades. O próprio refrão em lá, lá, lá, uma reminiscência de rock anos 60, alguma coisa Beatles, deixou a canção mais leve. Foi um achado aquele acorde inicial: um Ré Maior, com sétima maior, décima primeira aumentada e a sétima maior dobrando uma oitava acima [D7M (#11)]. Essa coisa brasileira na harmonia, coloca essa e outras canções que fiz mais perto da tradição bossa-nova atualizada nos Novos Baianos, grupo que juntamente com o Clube da Esquina apontam infinitas combinações entre as intenções do Rock e a tal MPB.
Eu Olhei o Meu Dia [2007]: A construção da harmonia veio primeiro e poucos minutos depois eu já estava cantarolando alguma coisa parecida com: “eu olhei o meu dia, percebi que tu és melhor que uma canção de amor…”. A linha melódica foi me levando para outros blocos harmônicos, o Lá menor se tornou maior no refrão e eu tinha agora uma outra cor para trabalhar. Foi então que cheguei na letra: “me esconda em Ti, meu Deus eu preciso andar no teu caminho…” Depois dessas duas partes prontas, resolvi voltar na parte A e fazer uma segunda letra para ser cantada na repetição. Só que agora ao invés de ir do tom menor para o maior, o caminho era contrário; estava voltando do maior para o menor – precisei de uma ponte! Gastei um tempo pensando em como resolver isso e mais uma vez a melodia me ajudou a escolher os acordes certos para a transição.
“Eu olhei o meu dia” é uma das canções que mais me realiza nesse aspecto harmônico. O Lúcio Souza, produtor da gravação que foi feita com o Palavrantiga, soube valorizar essa atmosfera quando minuciosamente inseriu aquele timbre de teclado tão marcante.
Amor que nos Faz Um [2007]: Foi um ano em que ouvi Bob Marley um tanto! Nas férias da faculdade em 2007 eu acordava e dormia ouvindo “Exodus”, “One Love”, “Get up, Stand Up”, “Is This Love”… Eu queria fazer música como Bob Marley!!! Ele mostrava ser possível criar uma música profundamente espiritual e ao mesmo tempo alegre e dançante. Ele conseguia colocar dentro do discurso social e político a sua esperança e isso pra mim era fascinante.
“Amor que nos faz um” é a minha primeira tentativa de expressar esse sentimento reggae que me habita. Essa vontade de ver as pessoas juntas, superando os discursos religiosos e misticistas, se encontrando.
Esperar é Caminhar [2006]: Todo o sentido peregrino da minha fé se tornou claro quando assistindo ao seriado “Hoje é dia de Maria”, a personagem principal diz: “Vamo, Maria, que esperança num é esperá! Esperança é caminhá!”. Guardei essa revelação durante um tempo no meu coração e isso foi gerando versos, melodias e ideias que transformei em canção meses depois.
A minisérie foi exibida em 2005 pela Rede Globo. Mas, foi só depois de entrarmos para estúdio em 2008, com o trabalho já mixado, que percebi o óbvio: essa música não deveria se chamar “Espero em Ti”, como eu a chamava até então. A parte principal da letra que revela todo o paradoxo guardado em meu coração desde aquele dia que assisti a minisérie estava no final do último verso: “esperar em Ti é sempre caminhar”. Esperar é Caminhar. Era isso! Era Abraão resolvendo Babel, era Maria me ajudando a entender a narrativa cristã: que esperar vem de esperança e aquele que tem esperança caminha!
Palavra Antiga [2007]: São tantos lados de uma mesma canção, mas aqui só cabe pedaço, fragmento, retalho.
Essa canção de 2007 eu escrevi antes mesmo de formar a banda que todos vocês conhecem com o mesmo nome (ou o mesmo som, a escrita que difere – num grande detalhe que poucos percebem de cara).
Durante um curto período, o grupo de rock se chamou Verbo Remoto! (sim, com essa exclamação no final). Não durou muito essa coisa terrível – “Verbo Remoto!”. Graças a sinceridade de Marcel Lins Camargo, sociólogo amigo, que no final de três meses de “Verbo Remoto!” viu chegar Palavra Antiga, que depois virou Palavrantiga, afim de dar mais sentido ao paradoxo velho/novo que sempre curti tanto.
Palavra Antiga chegara como a composição mais próxima do disco Ventura dos Los Hermanos. Na época, eu não percebia a influência do disco dos caras na minha forma de escrever. Mas hoje, mais maduro e menos bobo, percebo que as horas que eu passava ouvindo Ventura, aquele show deles transmitido ao vivo pela rádio 98 (rádio do rock em BH) e as rodinhas de violão indie dos irmãos da igreja, contribuíram para que eu chegasse naqueles caminhos melódicos e harmônicos. Bem, só não estou satisfeito ainda, porque nunca consegui fazer um arranjo oficial de marchinha de carnaval, especialmente para os versos iniciais: “No acaso ia, não vou mais / vou pela fé na tua voz”… Pam pam pamram / Pam pam pam pam! Ei! Quem sabe agora nesse futuro que acaba de chegar!? Lá vamos nós!
Fundada por Marcos Almeida, Josias Alexandre, Felipe Vieira e Lucas Fonseca, o Palavrantiga formou-se após anos de excursão com Heloisa Rosa. O trabalho rapidamente se destacou, com suas influências do novo movimento.
Guia discográfico
Volume 1 (Independente/2007): O cartão de visitas do grupo, destaca-se pela simplicidade das composições e riqueza dos arranjos, sob a produção de Lúcio Souza. (Nota: [usr 4])
Esperar é Caminhar (CanZion/2010): Utilizando-se várias canções do EP anterior, Esperar é Caminhar soa agradavelmente pop, e ao mesmo tempo rock. Com uma mensagem cristã bem clara e sem pieguices, foi um dos melhores lançamentos de seu ano. (Nota: [usr 4])
Sobre o Mesmo Chão(Som Livre/2012): Utilizando-se de canções menos simples que o anterior, Sobre o Mesmo Chão é repleto de algumas boas canções sólidas, mas também peca por idiossincrasias. Um disco excessivamente soberbo, perdeu a leveza dos sintetizadores e adentrou a guitarra de forma mais incisiva. (Nota: [usr 3.5])
Melhores músicas
Amor que nos faz um, Casa, Deus, Onde Estás?, De Manhã, Rio Torto, Rookmaaker, Seguro Vou e Vem me Socorrer.
Notícias e matérias sobre o Palavrantiga
Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Palavrantiga no O Propagador, clique aqui.
O rock cristão brasileiro, embora não muito popular contribuiu imensamente para a modernização da música cristã. Desde os anos 70, até atualmente, surgiram bandas e músicos de diversos subgêneros e propostas. De todos estes, dez homens se destacaram, fizeram história, e outros continuam a fazer. Apresentamo-os abaixo.
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Marcos Almeida (ex-Palavrantiga)
Dentre todos deste TOP10, é o mais jovem. Era líder, compositor e vocalista da banda Palavrantiga, e mesmo tendo a deixado em 2014, o músico tem sido um dos nomes, se não o maior em popularização do chamado novo movimento. Seu discurso para o fim dos rótulos, e uma música que derrube muros neste mesmo chão tem sido elogiado, criticado e difundido à medida que sua banda tem se popularizado. Também é escritor e escreve os textos do blog Nossa Brasilidade. (n. 1983)
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JT (Metal Nobre)
O cantor JT, frontman do Metal Nobre, é seu integrante fundador. De voz marcante, também é o principal compositor desta banda que faz seu hard rock competentemente há quase vinte anos. Foi candidato à deputado distrital nas eleições de 2014. (n. 1964)
https://www.youtube.com/watch?v=XTBF0qcb54g
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Guilherme de Sá (Rosa de Saron)
O vocalista do Rosa de Saron, Guilherme de Sá, é integrante do grupo desde o início dos anos 2000. Sendo o principal compositor por trás das letras extremamente poéticas e complexas da banda, o intérprete já marcou o seu espaço por sua interpretação forte e cheia de feeling. (n. 1980)
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Rodolfo Abrantes
Vivenciador de uns dos maiores testemunhos no meio cristão protestante nacional, o ex-compositor e vocalista da banda punk Raimundos deixou o grupo em seu auge por conta de sua conversão. As letras do Raimundos, apesar de divertidas e criativas, carregavam conteúdos que, na visão de Rodolfo não possuíam compatibilidade com suas novas crenças. O músico ainda fundou o Rodox, e mais tarde, pelo fim desta optou pela carreira solo. Até hoje, com seu punk rock, gênero pouco explorado no meio cristão lançou quatro álbuns solo, porém possui uma carreira com cerca de vinte anos como músico. (n. 1972)
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PG (ex-Oficina G3)
PG foi ex-vocalista da Oficina G3 entre 1997 e 2003. De personalidade forte, assim que entrou no grupo, passou a ter forte participação nas composições, mesmo o guitarrista Juninho Afram e o baixista Duca Tambasco serem os letristas majoritários. Saiu de forma polêmica, e ingressou numa carreira solo, a qual já possui mais de dez anos. Até hoje, suas interpretações vocais são bastante elogiadas, tanto por sua proficiência nos graves e agudos. (n. 1976)
https://www.youtube.com/watch?v=rt1OiSd2Fzg
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Marcão (ex-Fruto Sagrado)
Sua voz “rasgada”, embora firme e sempre destacável nos álbuns do Fruto Sagrado deu tom as críticas sociais, religiosas e políticas de sua banda. Mais que um vocalista, Marcão também foi líder e principal compositor do grupo, e também baixista até meados de 2003, quando o grupo passou a trabalhar com músicos convidados. Por desentendimentos com o tecladista Bênlio, que mais tarde saiu do grupo realizando várias críticas a Marcão, este passou a liderar o Fruto de forma total, lançando seu último trabalho pelo conjunto em 2005. Participou também dos álbuns Meu Alvo de Kleber Lucas, e Além do que os olhos podem ver da Oficina G3. Anos depois, deixou o Fruto Sagrado em função de priorizar seu ministério pastoral. Hoje, afastado da música, é pastor no Rio de Janeiro. (n. 1966)
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Kim (Catedral)
Cantor, compositor e instrumentista, Kim é até hoje uma figura importante, e ao mesmo tempo polêmica no rock cristão. O líder do Catedral, banda que recentemente encerrou as atividades, é o principal compositor das canções do grupo, o músico ainda possui, em paralelo uma carreira solo de canções românticas. Devido à semelhança de sua voz com o cantor Renato Russo, Kim foi alvo de críticas negativas por parte do público. Sendo citado por alguns, juntamente com o Catedral como precursores do crossover no Brasil, desde aos tempos em que o grupo fazia parte da MK Music suas letras continham um teor de reflexões e fuga do comodismo. Kim também é psicólogo. (n. 1967)
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Brother Simion (ex-Katsbarnea)
Ele foi usuário de drogas, órfão e morou em vários países do exterior antes de se tornar cristão. Com mais de 20 anos de carreira, Simion é um dos três compositores mais particulares e geniais do rock cristão brasileiro. Durante os anos 90, teve repertório suficiente para sustentar uma carreira solo e a liderança do Katsbarnea, banda a qual foi o único compositor com suas letras reflexivas, divertidas e evangelísticas. Também participou dos primeiros álbuns do Renascer. Suas melodias experimentais, usando vários instrumentos como a guitarra, piano, teclado e gaita guiavam a originalidade do grupo. Saiu do Katsbarnea em meados de 1999, posteriormente se desligando da Igreja Renascer em Cristo. Em carreira solo, lançou dois álbuns pela MK Music, e mais tarde, de forma independente distribuiu seu último trabalho de inéditas até hoje, Eclipse, com influências do new metal. Em 2007, com quase 20 anos de carreira lançou Gênesis for new generation, com 10 de seus maiores sucessos. Também é escritor, contando seu testemunho no livro Jhonny não morreu, lançado em 2003. Atualmente trabalha em evangelismos e missões com a família, mora em São Paulo. Um futuro disco inédito é incerto. (n. 1954)
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Zé Bruno (Resgate)
Produtor musical, guitarrista, cantor, engenheiro civil e pastor, Zé Bruno é uma voz ativa e forte desde o início dos anos 90, e atualmente mais ainda. De personalidade forte e polêmica, o vocalista do Resgate também foi o produtor musical de vários discos do Renascer Praise e compositor de algumas canções da banda. Como pastor, foi o bispo primaz da Renascer em Cristo até 2010, quando o deixou por discordâncias teológicas. Fundador da Igreja A Casa da Rocha, tem sido constantemente elogiado por suas ações transparentes a favor de um evangelho puro. É o compositor da maioria das canções do Resgate. (n. 1966)
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Janires (ex-Rebanhão, Banda Azul)
Não é o mais famoso, mas possui um título ao qual nenhum músico da categoria também é digno de receber. Janires, além de pai do rock cristão, é um dos maiores influenciadores para a modernização da música cristã brasileira, e do movimento gospel. Fundador do Rebanhão, o músico estampava, além do rock progressivo característico de bandas como Pink Floyd, Genesis e Beatles a música brasileira com Novos Baianos, 14 Bis, dentre outros. Além do mais, foi multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor musical. Em sua liderança, o Rebanhão gravou o primeiro disco ao vivo cristão no Brasil. Após deixar o Rebanhão, realizou alguns projetos, e fundou a banda Azul, a qual viajou por vários locais do Brasil, divulgando seu trabalho. Com 34 anos de idade, foi vítima fatal de um acidente, em 1988. Janires foi homenageado em 2003 com o disco Tributo a Janires, que também contém vários depoimentos de pessoas que conviveram com ele. Vários músicos cristãos, dentro e fora do rock se declaram influenciados por Janires. (n. 1953 – m. 1988)
https://www.youtube.com/watch?v=fFsIWrQ7tkA
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O que achou deste nosso TOP 10? Concorda com os intérpretes citados? Comente!
Acredito eu que seja de conhecimento geral que os integrantes do Palavrantiga eram antigos músicos de apoio da cantora Heloisa Rosa. O guitarrista Josias Alexandre é irmão da cantora, mas antes de começar a tocar com ela, o baterista Lucas Fonseca e o baixista Felipe Vieira já trabalhavam com a artista.
A entrada do tecladista Marcos Almeida foi a mais tardia. Heloisa precisava de alguém para tocar teclado em algumas canções, e uma de suas amigas indicou o irmão, um estudante de piano, chamado Marcos. No álbum Andando na Luz, de 2006, a formação estava completa.
O álbum Andando na Luz, por sua vez, é bastante interessante de ouvir. Soa mais simples que Liberta-me, mas é também mais coeso. Na canção “Pai”, uma das minhas preferidas, Heloisa e Marcos fazem um dueto.
Almeida contou, em uma entrevista cedida ao Carlinhos Veiga, que a dissidência ocorreu com o apoio de Heloisa Rosa, quando se casou e teve que dar uma pequena pausa na carreira. Nesta época, o tecladista apresentou composições próprias, e ela incentivou a criarem uma banda, a qual se tornou o Palavrantiga.
Uma das primeiras canções que surgiu da banda foi “Casa”, regravada por Chrystian & Ralf, dupla que criou o formato SMD de discos, o mesmo formato que o Palavrantiga adotou para lançar seu primeiro EP. O álbum, de seis faixas, foi produzido por Lúcio Souza, o cantor SILVA.
Conversando com o amigo Diego M. Azevedo que tive o prazer de encontrar durante os dias que fiquei no Rio de Janeiro, acabamos chegando num assunto que achei pertinente discorrer em um texto. Afinal, o que faz uma música ser clichê? Quando ela se torna clichê?
Analisando por um viés da música cristã, entendemos que a nossa música para ser caracterizada como cristã ou gospel como queiram, precisava trazer conceitos e mensagens religiosas, relacionados à fé que pregamos, devendo estar criteriosamente dentro do diz a Bíblia.
Assim, surge uma dúvida: é possível que músicas baseadas na palavra de Deus se tornem “clichês”? Estaria a principal fonte de inspiração musical evangélica se tornando “batida” e comum?
Atualmente surge no meio um novo movimento musical, por vezes intitulado de crossover, que não se rotula gospel, mas também não se coloca como secular. Poderíamos colocar que é uma intersecção entre os dois segmentos musicais, sendo possível ser consumida pelos dois mercados sem problema algum, visto que essa música não vem carregada de jargões religiosos, apesar de ter uma essência cristã, mas também não abusa de termos mundanos nem se opõe à vida cristã. Devagar, esse movimento vem conquistando apreciadores, principalmente no lado do “conjunto” evangélico.
Não se sabe se vem pra ficar, se vai passar. Sabemos que não é algo novo, isso já foi tentado em outro momento da história da música cristã, como a banda Catedral, que por esse motivo foi alvo de inúmeras críticas sendo acusados de trocar a música gospel pela secular. Agora, em um novo momento, com cristãos mais receptivos, pode ser que o movimento frutifique, atualmente defendido por nomes como Palavrantiga, Tanlan, Marcela Taís, entre outros expoentes.
Mas fugir do comum é fazer algo totalmente diferente? Não seria possível cantar a Bíblia sem os famosos bordões consagrados por cantores de renome, do tipo “Faz chover, chuva de bençãos, Eu vou conquistar, Vou vencer, O Deus de promessas”? Sim é possível. E tem gente mostrando como.
Um desses nomes responde por Leonardo Gonçalves. Basta pegar o encarte de seu disco pra perceber que as composições não fogem da ótica cristã, mas não é um amontoado de frases feitas extraídas de nenhum almanaque gospel de motivação. Em Principio e Fim, Leonardo consegue mesclar poesia cristã com melodias que nos fazem viajar nas canções, refletir sobre ou apenas se deixar levar. Nessa vibe também surge os irmãos Arrais. Trazendo pela Sony Music o disco Mais, a dupla tem sido muito elogiada pela forma diferenciada como tem trazido mensagens cristãs, sendo considerado por muitos como um dos melhores projetos do ano. Impressionante como as composições são criativas, como são colocadas sem buscar o crossover, e muito menos ser clichê.
Por fim, vale salientar que não existe fórmula da criatividade, da fuga do clichê. Caso se torne uma fórmula, o criativo e inovador passará a ser o novo clichê. A criatividade está justamente nisso, de fugir aos padrões e modelos, e para isso, não é preciso deixar de cantar a Bíblia, apenas que deixe de ver a música como um mero produto fabricado para vender, voltando a dar à música o status de arte, que é seu por direito.
E pra você, quando a música gospel se torna clichê?
O perdão é uma das atitudes mais nobres que um ser humano pode tomar. Independente de religiões e crenças, o ato de perdoar carrega em si uma necessidade de se despojar da razão e da própria justiça.
Com base neste tema, apresentamos aqui dez canções cristãs que abordam o perdão por diferentes óticas.
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Quero Aprender com Jesus – Thalles
É um tanto quanto estranho e triste ver discursos de ódio por pessoas que se dizem cristãos, quando Cristo foi um dos maiores, se não o maior exemplo de “perdoador”. O mais justo e um dos maiores intelectuais de seu tempo, não deixou sua natural superioridade reinar, humilhando-se para que obtivéssemos o perdão não merecido pelos pecados. Enquanto sofria na cruz, não evitou dar a outra face. Que possamos aprender com Cristo a perdoar em todas as situações. (2009)
Luiz Arcanjo despojou-se de seu estilo marcante no Trazendo a Arca e apresentou algo novo em sua carreira, em seu CD solo. Letras poéticas e melodias que vão desde a MPB, samba até o jazz e o pop. “Perdão” é uma de suas mais belas poesias, que não garante descrições. Apenas ouvindo para conferir toda a beleza da canção. (2009)
A mágoa segura a muitos, e quando resolvem liberar perdão é tarde demais. Antes que isso aconteça, reconcilie-se, até mesmo peça perdão. “Antes do Final” é integrante do álbum Sobre o mesmo chão, da banda de rock alternativo Palavrantiga. (2012)
Esta canção contém várias referências a passagens bíblicas proferidas por Cristo, desde a oração do Pai nosso, e versa o sentimento de coletividade que devemos ter uns com os outros, não esquecendo de que não somos filhos únicos. (1998)
“Vida a dois não é tão fácil”. Uns dos versos de “Me perdoa”, a canção romântica do casal Cassiane e Jairinho aborda uma dificuldade de vários casais em controlarem seus sentimentos e palavras. Também no ambiente social, e em amizades, as pessoas ferem quem mais amam. E o perdão, nestes casos também é necessário. (2010)
Em seu álbum conceitual Graça, Paulo César Baruk evidencia que, assim como somos perdoados por Deus através de sua soberana graça, temos, no mínimo a obrigação de oferecer perdão a nossos semelhantes, o que, para nosso caráter humano soa tão difícil. (2014)
O Koinonya é um dos maiores representantes do congregacional nos anos 90. “Aliança do Senhor” é uma de seus clássicos. Um de seus versos frisa o quão é importante a união entre os irmãos, vivendo a vida cristã compartilhando do amor de Deus, não nos padrões individualistas do século vigente. (1986)
Sérgio Lopes é um dos poetas mais conhecidos da música cristã nacional, e em “A Força do Perdão” aborda uma questão extremamente pertinente no que se refere a prática do perdão, que não se resume a um ato, mas numa mentalidade disposta a pensar diferente e abolir-se de suas razões. (2001)
E se seu filho, ou uma pessoa muito querida fosse assassinada de forma cruel? Você perdoaria o agressor, se ele te pedisse perdão? Esta situação é abordada em “Mil Desculpas”, um dos maiores sucessos do Ao Cubo. Por outro lado, pessoas matam todos os dias com palavras e expressões. Qual tem sido nossa posição em relação as mágoas? (2007)
O primeiro lugar deste TOP10 vai para o Nova Dimensão, com seu clássico “Viverei Viverás”. Quando temos um encontro real com Cristo, temos nossa mentalidade transformada, tomando atitudes até então inéditas, como perdoar e andar lado a lado com as pessoas. (1988)
Eu me nego a usar a palavra crossover neste contexto. Vamos apenas de novo movimento.
Com a popularidade de bandas e artistas como Tanlan e Palavrantiga, tem crescido a discussão de vários assuntos nos meios virtuais, como portais de notícias e redes sociais. Um destes, sendo o principal é: até onde vai a interação da “música religiosa” em espaço “não-religioso”? A própria pergunta possui um raciocínio errado. Mas vamos com calma, e entender o que é, com quem começou e disseminou esta ideologia. Eu, particularmente abordaria esse assunto apenas daqui a uns meses, para não atropelar a linha do tempo que vou apresentar sobre a história do rock cristão no Brasil aqui na Rocklogia. Mas, como o tema tem gerado confusão, é de certa urgência apresentar a minha visão particular e do que tenho lido sobre o assunto vindo de quem mais entende: os próprios criadores dessa música.
Antes de tudo: Janires, Catedral e João Alexandre não são nomes do novo movimento. Se você observar isso escrito em qualquer lugar, não acredite. No caso de Janires, era um músico comum que se converteu ao cristianismo e decidiu colocar a sua visão de mundo nas músicas para evangelização. O cantor não tinha um propósito filosófico e extremamente conceitual em sua obra. Fazia o que sua criatividade permitia e o público que identificasse o abraçaria. Óbvio que ele é um dos nossos melhores referenciais de como olhar fora da caixa, mas não é o mesmo que temos atualmente. No caso do Catedral, surgiu como uma banda de rock cristão como qualquer outra, que mais tarde construiu uma ideia de fazer uma música para todos os públicos. Ou seja, o grupo nasceu segmentado e depois tentou subverter esta situação. A Catedral conseguiu atingir o mercado secular? Sim, e com êxito! Mas não pode ser chamada como integrante do novo movimento porque não nasceu com essa ideia. João Alexandre nunca negou ser um cantor do mercado evangélico, ou colocar um cristianismo claro e direto em suas canções. Possui seu lado poético e artístico, mas continua sendo um músico com rótulo cristão. Quando o cantor afirmou não querer mais fazer parte do chamado “movimento gospel”, não negou sua veia cristã, mas referindo-se ao movimento ocorrido no final dos anos 80, no qual a Renascer em Cristo foi a principal instituição colaboradora.
Esclarecido um ponto importante, surge uma pergunta: o que é novo movimento? Novo movimento é, como seu título define um movimento musical (não um estilo) em que a arte produzida não é segmentada por barreiras religiosas, ou até mesmo antirreligiosas. Um movimento em que a fé do indivíduo não é mais importante que o conteúdo no qual é apresentado. Não é um movimento nascido no “gospel” para atingir o “secular”. Até porque, em concepção o novo movimento não nasce dentro da música religiosa, mas desde o início desconsidera os muros existentes para invadir todos os ambientes e não ser contaminado pela perspectiva atual. É, claro, que por consequência, o fato de atingir um “público cristão” fará com que muitos, até de forma inocente o rotule como um artista/banda gospel. Uma das consequências que o novo movimento pretende trazer é uma transformação de todos os mercados “segmentados” que o envolvem para que seus efeitos perdurem com o passar do tempo.
E por que se chama “novo movimento”? O nome “novo movimento” foi utilizado pela primeira vez pelo músico Arvid Auras, um baterista que foi integrante e o principal compositor da banda Aeroilis, conhecida como a precursora do movimento. Neste texto, produzido pelo instrumentista, ele conceitua a expressão. Infelizmente, não posso transcrevê-lo, porque o site da banda encontra-se inativo. No início do texto, eu disse que não gosto de utilizar a palavra “crossover”, porque o significado desta expressão, em sentido original e principal se refere ao fato de misturar dois ou mais gêneros musicais, o que tem pouco, ou definitivamente nada a ver com o que o novo movimento propõe em sua concepção. Entretanto, ainda assim o termo ainda é utilizado no exterior para designar cristãos que romperam as barreiras do mercado cristão e expandiram seu trabalho para um público maior e mais heterogêneo.
O novo movimento também coincide com um momento de descontentamento de uma parcela de cristãos (ainda pequena), tanto com teologias nas quais mantém contato, seja pelas igrejas/instituições que frequentam e músicas produzidas por artistas do mainstream gospel. A busca por um conteúdo relevante, sincero, profundo e que não é uma mera propaganda de uma crença ou placa de denominação pode explicar o êxito que artistas do underground estão alcançando atualmente, principalmente com o advento da internet. Incluindo o contexto pós-moderno, em que muitas pessoas procuram algo etéreo, mas fora dos padrões religiosos que temos, a música apresentada pelo novo movimento cai como uma luva para esses indivíduos.
E por que o “novo movimento” causa tanta confusão? Para começar, há pouco material disponível sobre o assunto, e a conceituação por jornalistas e blogueiros é confusa e superficial. A inclusão de nomes que não fazem parte do movimento, ou até mesmo a linha de pensamento em que ele é restrito as bandas de rock, o que não é. Segundo, porque a própria “música gospel” brasileira, mesmo com suas limitações líricas está chegando numa mídia que não pertence ao nicho evangélico. Estes artistas que estão em destaque, por alcançarem novos públicos (embora não fidelizem) são denominados, de forma incorreta como algo semelhante ao novo movimento. Terceiro, porque achamos que, para ser integrante do novo movimento, o público deve de alguma forma falar pelo conteúdo do artista. Se o artista, com seu conteúdo ainda possui um público muito homogêneo, somos levados a pensar que a tentativa é falha. Quarto e mais importante: a nossa mentalidade dualista de dividir a música “profana” da “sagrada” é algo tão enraizado na nossa cultura (principalmente aqui no Brasil) que é, de certa forma muito complexo definirmos com clara exatidão o que esses desbravadores de novas linguagens e abordagens estão fazendo. Isso me lembra do desconforto que temos em pensar no pós-modernismo com nossa perspectiva modernista. Talvez, a minha metáfora seja absurda, mas é a visão que tenho.
A Aeroilis foi a primeira banda que nasceu com essa ideologia no Brasil (lembremo-nos que no exterior temos várias outras) e lançou seu primeiro álbum em 2004, tal qual é considerado o primeiro trabalho desse movimento. No ano seguinte, a Tanlan lançou seu primeiro EP, e ambos os grupos são os precursores. De certa forma, influenciaram tanto que a maioria das bandas de rock que compartilham dessa visão são da região sul do Brasil. E, por minha suposição, creio que Palavrantiga alcançou mais sucesso por três motivos: tem sua origem na região sudeste, sua aparição foi mais tardia e a imagem/discurso de Marcos Almeida, que de certa forma se destacou de uma forma diferente e tomou novas abordagens, principalmente com seu portal Nossa Brasilidade.
O vocalista e frontman da Tanlan, Fábio Sampaio citou artistas e bandas que crê serem do novo movimento, que são: Aeroilis, Hibernia, Marcela Taís, Crombie, Lorena Chaves, Danni Distler, Eduardo Mano, Banda Salt, Grato!, Hélvio Sodré, Adriel Nephesh, Primerandar, Os Oitavos, Quarto Fechado, Palavrantiga e Tanlan. Eu, particularmente também incluiria Bruno Branco, Memora e Matina. Aeroilis e Fábio Sampaio já tocaram juntos, Tanlan já gravou com Marcos Almeida. Várias outras parcerias entre esses nomes poderiam ser mencionadas aqui.
Para finalizar, creio que é importante citar a obra de um filósofo que influenciou a proposta de algumas, senão todas essas bandas e artistas. O livro “A arte não precisa de justificativa”, de Hans Rookmaaker provavelmente seja a leitura mais indispensável para quem deseja entender a fundo as ideias do novo movimento. Convido você, assim como eu a entender mais profundamente esse movimento dentro da música nacional, e não sermos levados por uma visão de patamar comum sobre o assunto.
A banda de rock alternativo Palavrantiga publicou em sua página oficial no Facebook que Marcos Almeida, vocalista e guitarrista do quarteto se retirará das atividades da banda após o fim da turnê do álbum Sobre o Mesmo Chão.
O grupo adianta que, os demais integrantes continuarão em atividade e possuem novos projetos a trabalhar a partir do segundo semestre ou não. Não foi esclarecido se Marcos começará carreira solo, ou suas atividades futuras.
Desde o início do Palavrantiga, Marcos Almeida foi o vocalista, principal compositor e líder conceitual do grupo. Sua filosofia, simpatizante do “novo movimento” (iniciado pelas bandas Aeroilis e Tanlan) vieram, principalmente de Marcos. A banda lançou dois trabalhos de estúdio e um EP, desde 2008.
Abaixo, o comunicado na íntegra:
“A banda Palavrantiga está se preparando para mudanças importantes.
Nosso vocalista Marcos Almeida se dedicará a um tempo sabático. A partir de Julho de 2014 suas atividades com a banda estarão suspensas. A banda Palavrantiga continuará ativa com os outros integrantes – Lucas Fonseca, Felipe Vieira e Josias Alexandre – e a partir do segundo semestre investirá em novos projetos.
Mas, antes disso, até o final de Junho, você pode levar a turnê Sobre o Mesmo Chão à sua cidade! Vamos celebrar juntos a nossa formação inicial e nos preparar para as novidades da banda Palavrantiga!”
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