Quando uma banda cresce e rapidamente se torna um sucesso nacional, com um disco que supera o outro, o público espera que o artista, a cada lançamento, passe por um processo de catarse musical, sempre se inovando, testando suas fronteiras. Mas como humanos possuem seus limites, em uma hora ou outra a fonte começa a secar.
O Trazendo a Arca de Pra Tocar no Manto não era mais o grupo tão festivo dos discos anteriores e isso causou um imenso impacto no público. Mas, claro, isso se deve a própria fase que o conjunto estava passando. Com letras mais maduras, a banda imergiu numa temática dura e difícil para digerir, principalmente num contexto em que a teologia da prosperidade perde seus sinais de encanto e desperta mais críticas dos diferentes segmentos evangélicos.
Após Salmos e Cânticos Espirituais e a subsequente saída de Verônica e Davi Sacer, a banda completou esta trilogia com um disco tão sombrio quanto o de estreia. Entre a Fé e a Razão é um disco curto, direto, rico e… saturado.
É neste álbum que a banda investe toda a sua sonoridade construída ao longo dos anos. Os teclados de Ronald Fonseca são o principal ponto desta musicalidade, que tem arranjos assinados pelo músico. Com mais cara de “banda” e menos de um pomposo (e exagerado) ministério de louvor, o quinteto mostra-se coeso, sólido, sob as colaborações de Quiel Nascimento na orquestra de cordas e Zé Canuto nos metais.
Luiz Arcanjo, por sua vez, soou um pouco desconfortável, afinal era a primeira vez em que estava completamente sozinho como vocalista. Suas letras, por outro lado, são aquelas de sempre e, agora, com mais espaço, direcionaria sua parceria, antiga com Sacer, para Ronald. Um redirecionamento necessário e que era o mais óbvio.
Entre a Fé e a Razão, assim como Pra Tocar no Manto, não foi bem compreendido. Um pouco taxados de “perderem a essência”, esta que foi atribuída a Davi Sacer que, sem mover um dedo, gravou um disco só com composições de Davi Fernandes e Jill Viegas, a banda se fechou em seu mundo a partir de então, ao invés de se ampliarem musicalmente com parcerias. Embora o disco tenha grandes méritos e seja o último grande lançamento do Trazendo a Arca, o que veio, posteriormente, é a velha mania de grandeza (e teimosia) que um grupo, em sua postura musical hermética, possui.
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