Voltamos mais um pouco no tempo e chegamos ao ano de 2005, ano que a banda Rosa de Saron lançava o Casa dos Espelhos, seu quinto trabalho de estúdio e o segundo com Guilherme de Sá como vocalista. O disco traz elementos de hard rock, new metal e pop rock. Mais um lançamento pela gravadora católica CODIMUC e lançado no dia 14 de Agosto de 2005 no Parque Hopi Hari em Vinhedo, interior de São Paulo.
Uma curiosidade interessante sobre o disco é que a música Além do meu Jardim, escrita por Eduardo Faro, foi composta após a saída do baterista Grevão, na época de inverno em que a banda estava sem vocalista, sem agenda e sem esperança alguma. Eduardo pediu para que o Grevão voltasse pois eles iriam conseguir superar essa fase, até que conseguiu convencê-lo, retornando a banda. Inclusive, este álbum teria o nome da música, mas durante o processo de gravação, a banda Oficina G3 lançou o disco Além do que os Olhos Podem Ver, fazendo com que o grupo desistisse de usar a música com título do álbum para evitar quaisquer rumores de comparação de ideia copiada de outra banda de rock cristão. (Fonte: Livro Rock, Fé & Poesia)
A faixa-título abre o disco mostrando o peso instrumental do disco e é, em partes, uma música que se relaciona com o espelho de Narciso, agregando a ideia estética de ser espelho. Sem Você vem em seguida com uma pegada rock norte-americana e mostrando-se como um potencial hit – que acabou sendo, só que na versão acústica. Composição do vocalista Guilherme de Sá, a música fala da dependência de Deus e de como longe dEle, percebemos que não somos nada. Tudo gira para Ele e por Ele!
Quando eu estava no ensino médio (época em que comecei a amar o Rosa de Saron), Obrigado por Estar Aqui marcou demais a minha vida pois eu havia acabado de me mudar de bairro e não conhecia absolutamente ninguém, até que, depois de algum tempo, fiz amizade com uma guria chamada Micaline e ela me passou essa música que incrivelmente eu ainda não tinha – nessa época eu não ouvia música por álbuns e sim aleatoriamente. A canção continua com a temática da anterior, só que na perspectiva de gratidão: de quanto somos gratos pelo amor do Pai em nós. Eu adotei essa música para meus momentos de solidão e gratidão. Mesmo que ninguém me entenda, eu agradeço a Deus pois Ele sempre estará aqui. Continuando: surge a primeira balada do disco, a linda As Dores do Silêncio. Escrita por Eduardo Faro, a música é uma oração cantada que revela um coração quebrantado e que clama pelo alívio que só vem de Deus. “Sabes ouvir as dores do silêncio, e persistir em esquecer os meus lamentos” é um dos trechos da canção que mais marcam a sua temática. Destaque para o arranjo semi-acústico.
Tudo o que é Meu é uma bela canção poprock que caracteriza muito o novo Rosa de Saron, com canções poéticas e sem chavões católicos. Amor Sincero é mais uma composição do Edu e que também, marcou a minha vida no período de transição de um bairro para outro. Lembro muito bem que, na época, eu conversava com uma amiga de um município vizinho de Rio Branco e ela dizia que queria um “amor sincero” e eu sempre cantava essa música pra ela. Assim, esta faixa revela o caráter jovem da banda e de como o amor pode transformar. Destaque para o instrumental bem pra cima e de riffs envolventes. Em seguida, temos Uma Trilha Sem Dor, que está na lista de umas trocentas músicas que vou ouvir pelo resto da minha vida. Composição de Guilherme de Sá e do baixista Rogério Feltrin, expressa a efemeridade da vida, mas de como em Deus, somos imortais. Repleto de metáforas e com um arranjo marcante, é uma das principais músicas do disco.
Roda Gigante é a oitava faixa e terceira composição do Eduardo Faro sozinho no disco. Destaco a pegada pesada da guitarra e dos solos. Lembranças é a típica canção de uma banda famosa que nunca será esquecida pelos fãs. A canção tem uma enorme influência do rock progressivo, mesmo que as letras sejam mais presentes que o próprio instrumental, percebe-se na segunda parte da música uma movimentação maior nas guitarras e bateria, tudo audível sem confusões do que está sendo tocado. Isso deve ser uma das únicas coisas que sinto falta nas gravadoras: elas sabiam pôr os instrumentos em ordem. Não que hoje não seja assim, mas os anos 2000 até 2007, foram anos consideravelmente importantes para o rock nacional. Ao menos para mim, foram anos divisores de águas com bandas acabando e outras nascendo. Divisão de bandas boas e ruins no cenário nacional.
Passos Lentos é uma das minhas favoritas do disco. Claro que acho o álbum todo muito bom, mas algumas músicas estão em um nível maior de preferência do que outras. Escrita pelo Rogério Feltrin, trata de nossa caminhada cristã e de como o Amor nunca nos deixou e assim, somente com a graça dele podemos prosseguir sorridentes. Quem de Nós? é a minha predileta e ela, não sei o motivo, me lembra minha ex-cunhada. Lembro que estudávamos na mesma sala no terceiro ano do ensino médio e eu, ficava olhando como sua feição refletia uma menina cheia de sonhos mas que, por algum motivo se sentia impedida de realizá-los. Lembro que um dia pedi que ela ouvisse essa música e ela ouvia atenciosa e depois disse que achou muito boa. É uma canção reflexiva e feita para todas as pessoas que se encontram em dúvidas. Não que essa canção seja um resposta para todos as nossas dúvidas, mas, de certo modo, traz uma alívio para nossa ansiedade. Falar dessa música para mim é um grande desafio pois, sinceramente, ela me marcou e me marca muito. O ano de 2005 foi um ano ainda de inocência e que eu sempre me perguntava: “o que vou ser quando crescer?” e é aí onde percebemos que nós só seremos o que queremos ser, quando crescermos.
Além do Meu Jardim fecha o disco com chave de ouro. Sendo uma canção acústica e bem reflexiva, fala exatamente do momento em que a banda estava vivendo e da emoção de servir a Deus através da música. Esse álbum tem um envolvimento muito grande na minha vida – você já deve ter percebido -, e essa música também me marcou em certo sentido, quando eu sentia saudades do meu avô na volta pra casa depois da escola. No ônibus lotado, eu vinha olhando a paisagem e pensando em como minha vida teria sido diferente se ele não tivesse partido. Eu chegava em casa, encontrava com a minha namorada e pensava em como as coisas seriam se um dia ela dissesse “adeus pra mim”. Isso aconteceu meses depois, mas ficou de aprendizado, que Deus sonda o meu e o seu coração. Basta entendermos isso. Esse é o tipo de disco onde encontramos muito mais verdades do que rock. Se você é um típico roqueiro que ama os solos e gritos extravagantes, provavelmente se decepcionará com o álbum, mas se quiser ouvir um disco que se confundirá com o que você está vivendo, Casa dos Espelhos é um álbum feito pra você. Espero ter conseguido falar um pouco do disco. É claro que dá para explorar muito mais com uma análise mais crítica, portanto, uma resumida análise sobre a essência desse disco consegui passar.
O Grupo Elo é um dos grupos mais importantes da música cristã nos anos 70, especialmente sob a participação de Jayrinho e Pr. Paulo Cezar.
Guia discográfico
Nova Jerusalém (Elo/1977): A introdução do grupo no meio cristão, Nova Jerusalém mostrou uma banda bem entrosada, com a participação de notáveis músicos da cena cristã. (Nota: [usr 4])
Ouvi Dizer (Elo/1978): O melhor disco do grupo, mescla canções confessionais com uma sonoridade encorpada e arranjos vocais ricos, destacando-se pelas canções “Céu, Lindo, Céu” e “Autor da Minha Fé”. (Nota: [usr 5])
Nova Canção (Elo/1980): Evoluindo seu som para mais guitarras e sintetizadores, Nova Canção adentra muito bem nova década com as últimas canções do Elo. (Nota: [usr 4.5])
O Ensaio (Elo/2008): Compilando sessões de gravação do disco Nova Canção, soa como um bom e despojado registro histórico. (Nota: [usr 3.5])
Melhores músicas
Ao Sentir, Autor da Minha Fé, Calmo, Sereno, Tranquilo, Céu, Lindo Céu, Creio Sim, É Noite em Belém, Não me Deixará e Ouvi Dizer.
Notícias e matérias sobre o Grupo Elo
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Foto: Foto chocante de menino morto revela crueldade de crise migratória | G1
Deixando a “Estante de Livros” de lado, hoje vou tratar um assunto que repercutiu nessa semana: a foto de um garoto sírio que foi encontrado morto numa praia, mais um no meio de muitos refugiados da Síria. A publicação dela trouxe diversas reflexões por todo o mundo desde a semana passada. Montagens da fotografia, textos repletos de pensamentos sobre a morte desse menino se abundaram-se pela mídia e nas redes sociais. Porém, essa adversidade a qual a humanidade lida começou hoje? Só está acontecendo no contexto dessa fotografia?
Estamos nos relacionando uns com outros em um mundo extremamente violento e cheio de guerras. As notícias em torno dos povos árabes aumentam a cada dia, o terrorismo islâmico cresce, tensões entre a Rússia e os EUA explodiram alguns meses atrás e, para agravar a situação, a criminalidade e as violências regionais erguem-se como monstros contra a população urbana. Além das rixas e intrigas entre homens, enfrentamos diversos problemas ambientais causados pela próprio ser humano.
O fato é que estamos cegos pela negação, mecanismo de defesa psicológica que nega um fato que possa incomodar a sua própria existência, e pela falta de empatia. Os acontecimentos se enchem nas nossas mentes, causando uma disfunção narcotizante, uma anestesia total das reações humanas, uma letargia nas atitudes.
Matrix revela que a sociedade humana se encontra cega e tudo que ela mostra são meras projeções virtuais. Cada emoção ocasionada em nós por informações negativas, seja ela boa ou ruim, está na superfície de nossos olhos, porque não podemos realmente sentir o peso das notícias.
Onde está a empatia? Se realmente chorássemos com os que choram com outros “garotos sírios” da vida, talvez a situação não estaria tão crítica na nossa própria nação, onde crianças são entregues a violência, a marginalização, ao abandono dos pais, tanto no sentido criminal como o abandono dentro da própria casa, a prostituição e o trabalho infantil, a hiper exposição midiática, a publicidade exagerada, a pedofilia, etc. São casos que podem se encontrar no vizinho, dentro da nossa própria casa, porém nossa revolta permanece efêmera.
Permanecermos indignados com a injustiça, com as doenças éticas da sociedade, e culpamos Deus pelos problemas mundiais que cada vez mais bate na nossa porta, mas qual é a origem de todas essas desgraças senão nós mesmos? Nossa dor é politizada, vazia como argumentos; nossa moral é egoísta, baseada em pressupostos materialistas e em nosso próprio ser; nossa bondade e ética são individualistas, fundamentadas em conhecimentos sobre o mundo e no status “homem cultural”; nosso conceito de amor é superficial e passageiro, solidificados no interesse e felicidade própria; e nossas fronteiras são ilusões, somos todos iguais.
Para argumentar o que realmente a humanidade está passando, há um trecho do livro “O Futuro da Humanidade” de Augusto Cury exemplifica perfeitamente essa condição:
Marco Polo viu o rosto do amigo entristecer pouco a pouco. Nada o animava. Ligou a TV num programa de notícias para que ele se distraísse um pouco, mas piorou as coisas. Desde que saiu pelo mundo, Falcão nunca mais assistira à TV, apenas de relance.
Viu um repórter denunciando a fome na Etiópia, mostrando imagens de crianças magérrimas, em pele e osso, sem expressão facial, em profundo estado de melancolia. Quase não tinham força muscular para se movimentar. Deviam estar brincando, mas estavam morrendo. Falcão curvou-se, colocou a cabeça à frente do corpo e arregalou os olhos.
O repórter disse que, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentos), a cada cinco segundos morre uma criança de fome. Falcão, estarrecido, meneou a cabeça gritou:
– Não é possível! Estão deixando as crianças morrerem!
Em seguida, viu outra imagem fantasmagórica: um pai correndo e gritando desesperadamente com um filho sangrando no colo. Ele fora vítima de um ataque terrorista. As imagens que saltavam da tela pareciam mais loucas do que as alucinações que o perturbavam na sua fase psicótica mais drástica. E aquilo era real. Falcão começou a passar mal, Teve palpitações e suor excessivo.
Em seguida, observou a expressão facial do repórter que transmitia as notícias. Para seu espanto, o rosto não traduzia o drama da notícia, revelava apenas um ar de consternação.
Posteriormente, o mesmo repórter mudou rapidamente o semblante, abriu um sorriso e falou de um milionário excêntrico, que aparecia na tela acariciando seus cavalos em suntuosas cocheiras. Esta notícia penetrou como um terremoto no intelecto de Falcão. Estava incrédulo.
Percebeu que o processo de transmissão das informações destruía a afetividade dos espectadores. Fitou o jovem amigo e comentou incisivamente:
– Vocês não sentem asco por essa sociedade?
– Esses acontecimentos são péssimos! – confirmou Marco Polo.
– Péssimos? São horríveis! Vocês estão adaptados ao lixo social. Não se perturbam mais com eles!
– Não! Nós detestamos essas imagens!
– Seus olhos a detestam, mas suas emoções não reagem.
Marco Polo ficou abalado. Sentiu que Falcão estava coberto de razão. Embora perambulasse pelas ruas e presenciasse determinados tipos de sofrimentos, não tinha contato com algumas das mais repugnantes misérias cometidas pelo sistema. Sua sensibilidade não estava doente nem era exagerada, mas anestesiada, analisou.
Como estudante de jornalismo, conheço esse universo perfeitamente, a carnificina das pautas. Os dilemas do fato pouco importam ao jornalista, o que é importante nela é o seu retorno midiático. A fotografia não mostrou os mais obscuros pensamentos do noticiador e da massa: notícia boa é notícia que dá dinheiro para repórteres e informação tenebrosa e sensacional para o espectador. Sim, o que mais o jornalista quer é polêmicas e problemas, isso é lucro, o receptor gosta de assistir notícias apenas por ver, saber mais e mais, entrando numa profunda caverna de letargia mental. Não coloco em jogo a publicação da notícia, que foi de vital importância, mas os muitos interesses soturnos das almas que não são vistas naquela imagem.
Nesse enorme muro que levantamos entre nós, por fronteiras de países, ideologias, religião, visões políticas, e muitas outras divisões, vidas como a do garoto sírio serão machucadas e levadas pela sombra da morte, tornando toda a humanidade vítimas e cúmplices de um sistema de egoísmo e individualismo. Achamos que o inimigo mora no oriente, ou no norte europeu ou americano, mas ele está bem dentro de nós, em todos nós.
Referências
Marilena Henriques Teixeira Netto, Mecanismos de Defesa. Disponível em: <https://artigosdepsicologia.wordpress.com/2007/10/04/mecanismos-de-defesa/> Acesso em 08 de setembro de 2015.
Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.
Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.
Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?
Hibernia
O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!
Quarto Fechado
O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.
Lucas 9
Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.
Memora
A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.
Observ
O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.
Iahweh
Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.
Godcore
O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.
Os Oitavos
Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).
Hazerhort
OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.
Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.
A coluna de hoje está pra lá de especial. Quis trazer para vocês um belíssimo testemunho de uma Ester, como nós, que vivenciou um grande milagre e tem feito dele canal para alcançar muitas pessoas. Com sua história de vida, Adelãyne tem ido onde poucos querem ir, levando a palavra de Deus e esperança a pessoas necessitadas de fé.
Um lindo testemunho que vale a pena ser conhecido.
Ser Ester – Você é uma sobrevivente e alvo de um grande milagre. Conte-nos um pouco da sua história.
Meu nome é Adelãyne Souza, tenho 33 anos. Nasci em lar cristão, minha família toda serve à Jesus. Sou natural de Concórdia – SC, moro em Itapema, uma cidade no litoral catarinense próxima à Camboriú, congrego na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Camboriú, sede dos Gideões Missionários da Última Hora.
S.E. – Como você descobriu que estava doente? Qual foi sua reação inicial? Em algum momento você chegou a questionar Deus sobre o que estava acontecendo?
Não sabia que estava doente até meu intestino se obstruir. O único sintoma que senti foram algumas fisgadas no abdômen esporadicamente e meu intestino que sempre funcionou muito bem começou a ficar ressequido.
No dia 30 de março de 2014, meu abdômen começou a inchar e eu comecei a sentir muitas dores abdominais. Tomei remédio para cólica mas não adiantou.
Adelãyne no Hospital enquanto lutava contra o Câncer.
Na noite de 31 de março de 2013, um domingo, cheguei no Hospital Ruth Cardoso com fortes dores abdominais, com muitas náuseas e com minha barriga muito inchada. Mas Deus já tinha preparado o médico certo para me atender. Chamaram o Dr. Gustavo Deboni, cirurgião e clínico gástrico, que estava no centro cirúrgico de plantão naquela noite. Ele me avaliou e se preocupou comigo e me internou. Passei por uma bateria de exames, os quais confirmaram que eu estava com meu intestino obstruído e tinha que passar por uma cirurgia de emergência.
Na terça-feira, dia 2 de abril, as 9 horas da manhã, entrei para a sala de cirurgia. Acordei as 14:30 com o Dr. Gustavo do meu lado esperando pra conversar comigo. Assim que abri os olhos ele me disse:
– Tirei um tumor do teu intestino e um pedação do teu intestino grosso, vamos mandar o material para análise.
Na hora que ouvi a notícia, fiquei pasma, mas ao mesmo tempo senti muita paz porque sabia que Deus estava no controle de tudo.
Levantei o lençol pra olhar minha cirurgia e vi algo que me angustiou muito: eu estava usando uma bolsa de colostomia.
O outro médico, Dr. Luiz (não sei o sobrenome) que acompanhou o Dr. Gustavo na Cirurgia, foi dar a notícia para minha família, e disse ao meu pai:
– É só um milagre a tua filha ficar viva, porque o tumor era muito grande e estava todo enraizado, ele se alastrou por quase todo o intestino, nós tiramos o que estava no nosso alcance, temos que fazer outros exames para ver se não foi para os outros órgãos. Infelizmente é uma jovem, porque o estado dela é gravíssimo!
Meu pai respondeu:
– Eu creio em milagres Dr., meu Deus é Deus de milagres.
Mas minha família, sabendo da gravidade da minha situação, não me contou nada.
S.E. – Como foi o processo de recuperação. Em que momento você soube que havia sido alvo de um grande milagre de Deus?
No sábado, dia 6 de abril, na parte da manhã, ganhei alta, mas a tarde comecei a passar mal. Sentia dores terríveis na lombar e na barriga, mesmo debaixo de Tramal (analgésico potente) a dor não passava. Quando anoiteceu eu não estava mais suportando as dores, chamei minha família e os convidei pra louvarem a Deus comigo. Durante o período que eu passei no hospital eu sentia uma vontade enorme de louvar, mas não conseguia, pois meu abdômen doía muito, mas meu pensamento louvava a Deus com o refrão do hino 4 da Harpa Cristã: “Deus cuidará de ti, no teu viver, no teu sofrer…” E era este hino que eu queria louvar com minha família, mas eu só sabia o refrão e não sabia qual o número dele na Harpa Cristã. Aí pensei assim: “Vou abrir a harpa e escolher algum que eu conheço”. quando eu abri a harpa, abri exatamente no hino que eu queria cantar, o n° 4! Fiquei maravilhada…
Meu pai pegou um violão, meu mano pegou outro, minha mãe sentou do meu lado e começamos a louvar a Deus. Eu só conseguia resmungar por causa das dores, mas eu chorava muito de alegria por estar louvando a Deus. Durante este louvor, Deus me anestesiou inteira e quando acabamos de louvar eu estava totalmente curada! Não sentia dor alguma! Comecei a chorar de alegria e disse à todos:
– Jesus me curou, e em nome de Jesus não vou mais tomar remédio para dor!
Eu não estava conseguindo comer, porque nada parava no meu estômago, depois que louvamos mais três hinos pedi algo pra comer pra minha mãe, e não passei mais mal e também não tomei mais nenhum comprimido de Tramal, durante minha recuperação, eu não sofri mais com dores. Com 30 dias de operada eu já estava passeando no Congresso dos Gideões (risos).
Veio o resultado da biópsia: ADENOCARCINOMA mucossecretor no intestino grosso. Meu oncologista disse que é um dos tumores que mais matam no mundo, é o famoso “galopante”. Uma raizinha que fica desse tumor no organismo em pouco tempo cresce e se alastra pelo corpo todo. Ele viu os exames que eu tinha feito uns dias antes, e disse que não tinha mais vestígios da doença, (Glória a Deus!), mas mesmo assim eu teria que fazer quimioterapia de prevenção durante 6 meses e que mesmo eu fazendo quimioterapia ainda tinha 50% de chance de voltar. A minha preocupação no momento que ele me disse tudo isso não foi com o resultado da biópsia, e nem com o risco do tumor voltar, porque eu tinha convicção da minha cura, mas foi em, quando que eu iria poder tirar a bolsa de colostomia, era muito constrangedor pra mim. Aí ele disse, que eu iria poder tirar a bolsa somente depois que fizesse as quimios. Eu disse que não queria fazer porque sabia que estava curada, aí ele foi bem enfático: disse que se eu não fizesse, o outro médico não iria aceitar reconstruir meu intestino. E realmente, o médico que tinha me operado tinha me dito que só iria ligar meu intestino novamente depois que eu fizesse o tratamento. Tive que fazer as quimios…
Fiz quimio durante 6 meses, fazia uma vez por semana, por quatro horas mais ou menos, cada sessão. Deus cuidou de mim! Eu orava antes de cada sessão e pedia pra Jesus me guardar do efeito da quimio. Meu cabelo não caiu, ficou mais bonito, mais brilhoso e cresceu muito, minha pele continuou igual, não ficou vermelha e nem ressecada, a Fernanda (enfermeira chefe do UNACON) certo dia me perguntou: “O que você tem? Seu cabelo está mais bonito que os nossos (das enfermeiras) que não estamos fazendo quimio!”, respondi: “É porque Jesus está cuidando de mim”. A única mudança é que inchei 9 quilos por causa do Corticóide (hormônio) presente na medicação. Não tinha muitas reações a não ser de uma das quimios que deixava meu corpo todo em choque, tudo que era gelado me dava choque, e o braço que eu tinha feito a quimio ficava muito dolorido.
S.E. – Mas o processo de Quimioterapia trouxe outras grandes experiências, certo?
Durante todo o meu tratamento no UNACON (Unidade de Alta Complexidade Oncológica) eu nunca perdia a oportunidade de falar de Jesus, evangelizei muitas pessoas naquele lugar. Quando faltava um mês para terminar meu tratamento, em um dos dias que eu estava fazendo a quimio mais pesada, meu braço doía demais enquanto eu recebia a medicação, entrou uma freira para nos dar bom dia. Duas mulheres pediram pra ela fazer uma oração, ela pediu que todos dessem as mãos, além de mim, tinha mais ou menos umas 10 pessoas na sala fazendo quimio. Todos nós, mesmo sentados e tomando medicação, demos as mãos e ela começou a orar um Pai Nosso, depois fez uma oração bem bonita e o Espírito Santo falou comigo: “Eu te capacitei! Aproveite esta oportunidade”. Quando a freira acabou a oração eu disse à ela: ” Irmã, já que estamos neste momento de adoração, posso ministrar um louvor?” , ela me olhou surpresa e com um sorriso disse: “Claro que sim”. Fechei os olhos e comecei a louvar ao Senhor com a canção “Ressuscita-me”, da Aline Barros, quando abri os olhos a sala estava cheia de enfermeiras que não estavam ali antes, e elas e aquelas pessoas estavam chorando, meu coração se alegrou porque Deus tinha falado com elas. Dei meu testemunho rapidamente, contei que Jesus tinha me curado através do louvor. A freira e as enfermeiras se retiraram e uma daquelas mulheres que tinha pedido à freira pra orar me disse:
Ministrando no UNACON (Unidade de Alta Complexidade Oncológica) para pacientes em tratamento de Quimioterapia.
“Moça, não foi em vão que você cantou, eu estava pedindo pra Deus me curar, mas eu tinha muitas dúvidas se Ele iria realmente me curar, mas no momento em que você cantava, veio um clarão sobre mim, como um fogo e me aqueceu por inteira, me queimou da minha cabeça até a planta dos meus pés e eu sei que eu fui curada, Jesus me curou! E quando vc contar teu testemunho não esqueça de contar também o meu!”
Saí dali aquele dia muito emocionada e feliz com o que Deus tinha feito, e comecei a entender que Deus tinha permitido de eu fazer quimio para que tudo isso acontecesse, para que eu conhecesse aquele lugar onde tem pessoas tão necessidades de Jesus.
Quando terminei meu tratamento, fiz todos os exames novamente e mais uma vez foi confirmado, estava curada! Glória a Deus!
Dia 5 de dezembro de 2013 passei por uma nova cirurgia, esta para colocar meu intestino no lugar e tirar a bolsa de colostomia. Era pra ser uma cirurgia simples, mas foi muito complicada, meu intestino estava muito aderente. A médica ficou preocupada, estava com muitas dúvidas se a cirurgia iria dar certo. Mas nós clamamos ao Senhor, eu e minha família, e a cirurgia foi um sucesso.
Deus falou comigo logo após a 1° operação que tudo Ele iria prover, nada iria me faltar. E nada me faltou! Todo o meu tratamento e cirurgias foram pelo SUS e eu tive atendimento melhor que na rede particular… :))
Em todo este processo eu nunca questionei à Deus, eu somente confiei e descansei nEle, pois sabia que era permissão dEle tudo o que estava acontecendo para que seus propósitos se cumprissem na minha vida, era para o nome dEle ser glorificado através do meu testemunho.
Em fevereiro de 2014, fui até o UNACON para um exame de rotina e lá encontrei a mesma freira que orou naquela manhã tão especial. Quando ela me viu me disse assim: “Nossa! Você sumiu, estou com muita saudade de ouvir você cantar”. Eu disse a ela: “Irmã, eu gostaria mesmo de voltar aqui, pra cantar pra estas pessoas que estão em tratamento. Podemos vir eu e meu irmão uma vez por semana, trazermos o violão e adorarmos à Deus junto com eles?” Ela deu um sorriso e respondeu: “Claro que sim! Vocês são muito bem vindos aqui, ficaremos muito felizes se vocês fizerem este trabalho”.
Simplesmente ela escancarou as portas para nós e hoje fazemos a obra do Senhor ali. Tiramos uma manhã uma vez por semana e vamos até o UNACON, lá eu testemunho do que Deus fez na minha vida, leio uma palavra pra eles, cantamos mais ou menos por 1 hora e oramos com eles.
Sempre, no final faço, o apelo pra eles se entregaram pra Jesus, e sempre várias pessoas aceitam a Cristo. Temos visto curas, pessoas transformadas, pessoas sem fé com a fé renovada. Ensinamos à elas também que nossa maior vitória não é aqui na Terra, mas sim quando chegamos na glória e abraçamos Jesus.
O inimigo achou que era meu fim, mas Deus mostrou que é maior, e que minha vida pertence à Ele.
Espero que meu testemunho tenha edificado a sua fé, e não importa o que você esteja passando, Deus pode todas as coisas, Ele é maior que o seu problema! Entrega tudo nas mãos dEle e descansa, o que você não pode fazer Deus faz por você!
S.E. – Você acha que tudo o que você passou teve um propósito divino? Se sim, que propósito é esse?
Teve sim e como! Antes eu era muito retraída, não deixava Deus me usar, tinha medo de falar. Quando eu ia cantar eu não falava nada, só cantava. Depois que recebi este milagre, comecei a testemunhar por onde eu passo e Deus começou a tirar todo o medo que eu tinha de falar. Hoje abro a boca e falo sem medo tudo o que o Espírito Santo coloca nos meus lábios, Deus me deu mais ousadia.
Meu testemunho tem impactado vidas, Deus começou a me usar em cura divina também para a glória de Deus!
S.E. – Você é cantora e a música sempre fez parte da sua vida. Qual a importância da música ao longo de todo este processo?
Canto desde pequenina, tinha 6 anos de idade quando comecei a cantar solo na igreja. Minha família é toda de levitas e músicos, cresci neste meio. O que mais amo é cantar pra Deus, e a minha adoração à Deus é o que faz com que eu vença em todas as áreas sempre, inclusive, como vocês leram, foi através da minha adoração que recebi a minha cura.
O clipe “Minha Oração” será lançado este mês.
S.E. – E quanto à música? Quais são seus projetos futuros?
Gravei uma música recentemente, “A minha Oração”, composição do meu irmão Adriano Souza. Gravei esta música na qualidade que desejo que seja meu CD. Quem a produziu foi o produtor musical Ronny Barbosa. Ela estará sendo lançada agora em setembro com um clipe que está pronto, a produção do clipe foi feito por Junior Souza.
Meu CD está projetado por Deus, vai ser composto de composições minhas e do meu irmão Adriano Souza.
S.E. – Para você, o que é Ser Ester no século XXI?
No mundo em que vivemos, a futilidade está em alta.
Mas ser Ester, é ser diferente destas mulheres que o mundo acha o máximo.
Ser Ester é ser separada do mundo, é sentir nojo das coisas mundanas e prazer nas coisas que agradam a Deus.
Ser Ester é se portar como princesa a todo instante. Na maneira de andar, de falar, de se vestir, de se maquiar. Uma princesa não usa roupas vulgares, não fala vulgarmente, não usa maquiagem muito forte, não dá em cima de todos os homens, (essa é para as solteiras: uma princesa de verdade não troca de namorado toda hora, e também não corre atrás do príncipe, mas se valoriza e espera que ele tome a iniciativa. Ela se guarda para o homem certo, e o espera em oração).
Ser Ester é ser uma mulher que jejua e ora.
Ser Ester é ser sábia, se guardar mais nas palavras, falar sempre o necessário e na hora certa.
Ser Ester é ser corajosa, não ter medo de dar a sua vida para salvar vidas.
É ser uma mulher guiada pelo Espírito Santo, uma mulher que alegra o coração do Pai com sua maneira de ser e de viver, é ser uma ganhadora de almas para o Reino de Deus!
Ser Ester é ser uma mulher segundo o coração de Deus!
Lindo testemunho! E você? O que tens feito com o que Deus fez na sua vida?
No início da série, falei um pouco do significado de apologética e expliquei um pouco o título. Vimos algumas características de pessoas que defendem sua igreja local de maneira errada, no entanto, comprovamos que a apologética cristã é sim necessária. Hoje, dando continuidade a série, vamos atentar um pouco aos desafios que enfrentamos para defender nossa fé. O nosso ponto de partida é o texto de 1 Pedro 3:15:
“antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados par responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;”
Observamos aqui seis palavras muito importantes que precisam ser categoricamente estudadas quando lemos esse pequeno versículo: “santificai”, “preparados”, “responder”, “mansidão”, “razão”, “esperança”.
SANTIFICAI: O contexto de “santificai” aqui é muito claro: sejam compreensivos. E isso é um fator muito ignorado pelos que se dizem apologistas modernos. A fé cristã não é barreira e sim vida (João 10:10). Se não nascemos de novo (João 3:3), não amamos Deus de todo coração (Marcos 12:33) e não fomos justificados (Romanos 8:30), não podemos defender a fé cristã. Chega a ser inútil dizer ser cristão se não tem nenhuma dessas características bíblicas.
PREPARADOS: Talvez quando eu escrevi que todo cristão precisava ser apologético, alguém tenha me interpretado mal e saído por aí contra-argumentando todo mundo, mas a Bíblia nos orienta a nos prepararmos. Como? Oração, palavra e teologia. Teologia? Claro. Muitos ignoram o tal estudo pois dizem que “esfria o crente”. Eu também já pensei assim. Mas, na verdade, o que ela faz é abrir nossos olhos para muitas coisas as quais desconhecíamos (open eyes!). Mas saibam: “Apologética não é só desmontar argumentos, mas elaborar uma defesa coerente acerca dos nossos pontos de fé. Apologética não é só reclamar do que está errado, mas se esforçar ao máximo para fazer as coisas da maneira correta, ensinando também com o nosso exemplo, como Jesus fez”.
RESPONDER: “Por que você crê em Deus?” / “Por que Jesus morreu?” / “Como você afirma que o cristianismo é a única religião verdadeira?” / “Você é salvo?” Marty Broadwell escreveu um pequeno artigo, o qual diz: “Ainda que sejamos ridicularizados, devemos seguir o exemplo de Jesus, “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje” (1 Pedro 2:23; 3:9). O modo de respondermos pode não apenas afastar a ira, mas também deve fazer parte de nosso estilo de vida, que os outros observam. Temos a ordem de estarmos preparados para explicar a nossa esperança – não de sair vencedor na discussão ou de converter cada pessoa com quem temos contato.” Acredito que nessa hora um “Sola Scriptura” vai bem e, se deixarmos de refutar a palavra de Deus como sendo a Palavra inerrante do próprio Deus e procurar através de uma boa hermenêutica compreender cada texto, teremos a base necessária para respondermos aqueles que não conhecem a sã doutrina.
MANSIDÃO: Acredito que o Evangelho deve ser pregado de forma mansa, mas eficaz. Cristo pregava mansamente e não precisava usar força bruta física e nem intelectual para passar a mensagem de Deus aos outros. Discussões no Facebook sobre Deus, fé e pecado não chegarão a lugar nenhum se você não tiver Jesus como base e referencial em seus argumentos. “Ao invés de gastar tempo discutindo filosofia, será melhor compartilhar o plano de salvação para que a pessoa o aceite na hora”.
RAZÃO: Possa ser que razão seja interpretada por muitos cristãos como “eu estou certo e você está errado”, mas a RAZÃO proposta aqui é entendimento da Palavra. Mas talvez você se pergunte: “Por que eu preciso da apologética?” Tim Keller responde a essa pergunta: “A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética”. A razão pela qual você precisa deixa de ser algo totalitarista e passa a ser razão evangelística.
ESPERANÇA: E por último mas não menos importante, devemos ter esperança. Em Romanos, Paulo diz que a experiência produz a esperança (Rm 5:4). Precisamos de vivência cristã para então termos estruturas para defendermos nossa fé. O que muito vejo entre os jovens que se dizem “apaixonados por Cristo” é que suas “paixões” são limitadas a sua igreja. O que seu pastor prega é o correto e mensagem fim. Exemplo: “não pode ouvir música secular” – “mas por que não pode?” – “ah! meu pastor disse que não pode então não pode”. Em casos mais extremos, vemos o seguinte (e triste) argumento: “se temos Nívea Soares, por que ouvir Coldplay?” É claro que estou trazendo simples exemplos para um complexo assunto.
Igreja local é legal e necessária, mas igreja local tem mil e uma chances de estar ligeiramente errada. Por isso, a apologética cristã se torna muito mais importante, principalmente quando estamos envolvidos em um ambiente onde existe n variações de crenças e opiniões dogmáticas. Eu por exemplo, tenho amigos ateus e católicos, e sempre que necessário estou preparado para defender minha fé diante do Darwinismo, doutrinas católicas e filosofias vãs. Sejam apologéticos, mas acima de tudo, sejam bíblicos. Não saiam por aí agindo por puro impulso e achando que estar certo em tudo (nem o próprio Cristo agiu assim). Estejam cientes que precisam ler mais e mais a Bíblia sagrada e, livros e mais livros teológicos e filosóficos e claro, orem pedindo direção de Deus para que seus argumentos não sejam meras apelações para tentar convencer alguém de que você domina a teologia e assim se promover. Coração humilde, por favor! Um brinde!
PG é um artista diferenciado dos demais do segmento evangélico por ser ousado. E nem me refiro a sua veia roqueira, mas em seu vocal e apresentações bem elétricas. Mas como sou um compositor exigente, considero que suas letras soam uma chatice imensa.
S.E.T.E (Senhor, Exaltado Tú És) é o sétimo trabalho do cantor como artista solo. O disco foi lançado no dia 31 de julho deste ano pela Som Livre, primeiro álbum de PG pela conceituada gravadora, após dez anos na MK Music.
Vale salientar, antes de tudo, que S.E.T.E pode não ser, necessariamente, um disco enfadonho e incompreensível, mas tem propriedade para ser claramente confundido (ou considerado) como um mero Ctrl C + Ctrl V dos artistas cristãos norte-americanos e, isso deixa qualquer trabalho com a pretensão de soar bom alcançar o status de chato.
A obra conta com a participação do guitarrista e ex-companheiro de PG no Oficina G3, Juninho Afram, na faixa que abre o disco, Olhos da Fé. Em relação ao repertório, Ser Alguém é uma das faixas mais poéticas e legais do trabalho, com um violão cujo som é marca registrada de toda a sonoridade. Faz Morada em Mim reflete um pouco da parte trovadoresca do álbum que, por sinal, é boa. Em contrapartida, a faixa-título é uma mistura de vários clichês do gospel e alguns versículos bíblicos fortes. Isso me fez lembrar que, quando ouço música gospel, geralmente sinto mal, por ver a falta de criatividade dos compositores. Ao invés de gravarem um CD por simplesmente gravar, deveriam se atualizar, procurando, assim, superar suas obras. Um curso teológico também não seria nada ruim.
A respeito das referências estrangeiras, O Salvador surge com um peso ameno e diferenciado no disco. E, claro, revela uma perceptível e significativa influência da banda Thousand Foot Kruth na musicalidade deste trabalho. Mergulhar em Ti, por sua vez, é uma canção relevante.
Lamentavelmente, Orgulho ou Salvação? é mais uma daquelas faixas gospel que tentam empurrar Deus goela abaixo na vida das pessoas, apelando para as consequências do pecado, usando palavras como “inferno” e “Satanás” para amedrontar os outros. Ser de Deus é uma tentativa frustrada do artista em soar crítico, utilizando-se dos sentidos de “ter” e “ser” de forma superficial, simplesmente finalizando que ele, como eu lírico, quer “ser de Deus”.
A produção de S.E.T.E ficou por conta do próprio PG e ficou do seu nível: entediante. Para quem busca algo mais além de um som pesado e letras sem muita profundidade, o álbum vai te decepcionar, assim como me decepcionou.
O tempo é algo que, até os dias de hoje, não sabemos definir. Mas é através desta noção que guiamos nossa vida, e ouvimos canções sobre o tema. No meio cristão, existem várias, por isso fizemos uma seleção e trouxemos dez músicas gospel sobre o tempo.
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Eclesiastes – Brother Simion
O décimo lugar vai para Brother Simion, com a canção mais eclesiástica desta lista. O livro de Eclesiastes é cheio de reflexões acerca da temporalidade, a passagem da vida, e outras questões relacionadas. Assim, Simion conclui que, assim como há tempo para tudo, neste trajeto é Deus quem nos guia. (2001)
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[tab title=”9º”]
Quatro Estações – Kleber Lucas
Uma das mais belas e singelas canções da carreira de Kleber Lucas, o cantor relaciona as fases do ano, a passagem do tempo aludindo os momentos bons e ruins da vida de qualquer pessoa, afirmando que em qualquer tempo o Senhor é nosso pastor e que nada nos separa do amor dEle. Sem dúvida, ótima opção para ouvir. (2007)
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Ainda Há Tempo – Marcela Taís
Marcela Taís já é conhecida por seus versos poéticos, e “Ainda Há Tempo” não foge disto. É uma canção que, suavemente trata que, enquanto ainda existe vida, ainda existe tempo. Tempo para amar, cuidar, dedicar-se à Deus: não perca seu tempo. (2011)
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Ninguém Vai Saber – Resgate
Escrita para o disco de 25 anos do Resgate, “Ninguém Vai Saber” é uma canção que reflete o quão inesperado o futuro pode nos ser. Quanto mais dias passam, menos dias temos para evoluir, e mais próximos estamos de nossa morte. No álbum, antes de cantá-la, Zé Bruno também faz uma reflexão. (2015)
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[tab title=”6º”]
A Vida como Ela Era – Hibernia
Canção que intitula o álbum, o qual, toda a sua temática é voltada ao fato de voltar aos tempos de infância, é uma canção suave e agradável. A banda afirma que o tempo “é trem que não espera por ninguém”, e que a vida como era bela na infância, com requintes de inocência. (2009)
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[tab title=”5º”]
Tempo para Amar – Thiago Grulha
Do álbum Meus Passos no Tempo, “Tempo para Amar” é uma das várias canções de Thiago Grulha acerca do tempo, e é uma das mais fortes, tratando a necessidade de dedicarmos parte do nosso tempo para amar as pessoas à nossa volta: “Quem não tem tempo para amar / Morre por dentro a cada segundo / Nós fomos feitos para amar / O amor de Deus transforma o mundo“. (2010)
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[tab title=”4º”]
Tempo – Daniela Araújo
Juntamente à canção “Milímetro”, Daniela Araújo reflete sobre a nossa pequena e curta existência em meio à um universo de duração tão gigante. Assim, esquecendo-se do que passou, o tempo que não mais volta, somos levados à recomeçar com Deus: “O tempo não volta, nem pode parar / Mas me dá a chance de recomeçar / O tempo é tempo não pode curar / Mas é no tempo que escolhes me encontrar / Esquecendo o tempo que passou / Segurando Tua mão, Senhor / Eu vou recomeçar“. (2011)
https://www.youtube.com/watch?v=j8KFKh5JQv4
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[tab title=”3º”]
O Tempo de Deus – Ma-Lu
A dupla Ma-Lu ficou conhecida nacionalmente entre meados de 2006 e 2007, quando lançaram seu primeiro álbum. Com um som pop com influências do country, a dupla lançou o álbum Amor Maior, com a produção de Dudu Borges. “O Tempo de Deus” foi a principal canção deste projeto, a qual afirma que a vontade de Deus para as coisas acontecerem sempre são maiores e melhores em nossa vida. (2008)
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[tab title=”2º”]
Senhor do Tempo – Paulo César Baruk
Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)
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[tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]
O Tempo – Oficina G3
Um dos maiores sucessos da Oficina G3, que marcou gerações, foi escrita pelo guitarrista Juninho Afram, que também é o intérprete, juntamente com o ex-vocalista PG. A canção é uma reflexão em primeira pessoa, vendo como o tempo passa e nós morremos, aos poucos, com o seu passar. No entanto, seus versos são esperançosos: “O tempo se vai / Mas algo sempre guardarei / O teu amor, que um dia eu encontrei“. Ainda há a participação especial do Coral Kemuel. (2000)
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O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!
No último dia 25 aconteceu a pré-estreia do filme Você acredita? Na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O evento foi realizado para imprensa e personalidades importantes do segmento cristão e nós do O Propagador estivemos lá conferindo em primeira mão esta mega produção que estreou nesta quinta-feira (3) nos cinemas.
Você Acredita? é a mais nova produção dos mesmos criadores de Deus Não Está Morto. Esse novo projeto busca mostrar o poder restaurador do sacrifício de Cristo na Cruz e a importância de compartilhar essa mensagem de salvação.
O longa reúne atores de peso, como a vencedora do Oscar® Mira Sorvino (De Coração Partido), Sean Astin (O Senhor dos Anéis), Alexa PenaVega (Pequenos Espiões), Ted McGinley (Pearl Harbor), Cybill Shepherd (A Ultima Sessão de Cinema), Lee Majors (O Homen de Seis Milhões de Dólares), Andrea Logan White (Mamãe Operação Balada), Delroy Lindo (Malcolm X), Madison Pettis (Treinando o Papai), e Brian Bosworth (Golpe Baixo).
“Trabalhar com esse elenco foi um sonho”, diz o diretor Jonathan M. Gunn. “Eu sou muito aberto a atores que trazem a sua própria opinião sobre seus personagens e quando você trabalha com um elenco como o que tivemos, todos muito talentosos, dirigir fica muito prazeroso.”
Se você ainda está em dúvida se deve assistir ou não, não se preocupe. A seguir você terá 12 motivos para ver este filme. Acompanhe:
1. Você vai aprender
Mais que um questionamento vazio com uma resposta monossilábica, o filme busca expor tudo o que o o questionamento de acreditar na cruz significa. Até mesmo o mais que se imagina estar apto a responder sem pestanejar, vê-se por um momento estremecer diante da pergunta “Você acredita na cruz de Cristo?” O filme acaba sendo uma grande lição, não apenas do valor de acreditar, mas de sermos menos egoístas e mais humanos.
2. Você vai se emocionar
Desde o início o longa procura tratar de questões emocionais, a trama se desenrola pelo viés emocional de seus personagens. Toda a história é construída na ideia de que cada um, todos nós temos motivos para não acreditar e até culpar a Deus por nossos problemas, mas mostra também a recompensa de acreditar. É impossível não se emocionar, não vivenciar da dor e da alegria de cada personagem. Se você é emotivo, prepare-se para fortes emoções.
3. Você vai se divertir
Embora o filme tenha um tom dramático, Você acredita? Vai arrancar gargalhadas de muita gente. São frases muito bem construídas e excelentes sacadas trazendo leveza a uma história densa sem comprometer sua mensagem. Depois que você assistir, volte aqui para contar qual cena foi a mais engraçada… Eu até contaria, mas aí te daria spoiler…
4. Você vai aplaudir
Não basta se emocionar. Se você é um cristão de verdade você vai ter que ser forte para conter a vontade de aplaudir em pleno cinema. Na sessão VIP o público não se conteve. Aplausos efusivos marcaram uma cena em especial e tenho certeza que ao assistir você saberá qual é.
5. Vai avivar a sua fé
A igreja usa de um recurso bastante comum como forma de avivar a fé dos fiéis: o testemunho. Nada como um relato, uma experiência para nos trazer para perto da Cruz de Cristo, aumentar a chama em nossos corações. É isso que Você acredita? busca despertar nas igrejas. O avivamento da fé.
6. É uma oportunidade de evangelizar
Se você tem um amigo que talvez não tenha decidido por seguir no evangelho, esta é a sua oportunidade de fazer a diferença. Leve-o para assistir Você Acredita?. Ao contrário do que alguns pensam, os filmes cristãos tem evoluído e tem se tornado entretenimento não apenas para cristãos, mas para a todos os públicos. Estou sabendo que há condições especiais para grupos e igrejas então… Fica a dica.
7. Você vai contribuir
O cinema cristão vem se desenvolvendo em nosso país e ganhado relevância ano a ano. O seu apoio é fundamental para incentivar novas produções. Num ambiente dominado por mensagens que muitas vezes contrariam os valores cristãos, carecemos cada vez mais de produtos que tragam ao público mensagens que edifiquem e fortaleçam a fé. Assistindo Você Acredita? Você estará contribuindo diretamente para o crescimento do cinema cristão no Brasil.
8. Você vai se encantar por Lily
Isso eu vou contar. A pequena Lily (Makenzie Moss) roubou a cena no filme e não é por menos. Apesar de todas as dificuldades, essa pequena guerreira não perdeu a doçura e pureza da inocência. Sempre espontânea, Lily expressa sem rodeios o que sente. Orfã de pai, Lily é uma sobrevivente com o poder de encantar a todos de quem se aproxima.
9. Você vai repensar valores
Quem arriscaria a sua própria vida para salvar a vida de alguém que acabou de lhe prejudicar? Essa é uma das falas do filme e nós temos o maior exemplo disso: Jesus. Ele morreu para salvar o mundo que o mandou para a cruz. Nós enquanto seguidores dEle, deveríamos fazer o mesmo, mas…
10. Você vai se questionar
Você certamente é uma pessoa de bem. Mas o que você estaria disposto a fazer pelo próximo? Em Você Acredita? Vemos os questionamentos vindo a toda a todo o momento. Sabemos o que é o certo a se fazer. Por que não fazemos? Não se trata de apenas professar, mas de viver a fé em Cristo plenamente.
11. Você vai assistir um dos melhores filmes com temática cristã da atualidade
Você acredita? Traz uma narrativa fluída e contagiante. Com excelentes atores e equipe de produção de alto nível, o longa certamente é um dos melhores filmes cristãos lançados até hoje e você vai conferir esse grande projeto em uma super tela. Vale a pena.
12. Você vai entender que acreditar não está em dizer sim, eu acredito, mas demonstrar. Todos os momentos nossa fé é testada. O que as nossas ações tem respondido?
O primeiro trabalho musical do Bruno Branco na sua carreira solo foi Lado a Lado, uma obra totalmente acústica, usando três violões, um banjo, escaleta e alguns recursos de percussão, com interpretações vocais de Bruno. Todas as canções foram compostas por Branco, e produzido por Jordan Macedo, produtor de músicos e bandas como Thalles, Heloisa Rosa, Lucas Souza, Chris Durán e bandas como o Palavrantiga.
Em várias entrevistas, Branco demonstra que o Lado a Lado foi composto por várias ideias. Em entrevista a Missão Gospel, ele revela que o
“desejo ao produzir esse álbum é que ele fosse de “bolso”, ou seja, algo agradável e pelo qual as pessoas pudessem usufruir no dia a dia. E nada melhor que um álbum “Lado a Lado” das pessoas, nome da terceira faixa do disco. A música foi sugerida para dar brilho ao nome do CD pelo designer que fez a capa do disco, Josué Ribeiro.”
Já em outra entrevista para o site Som de Madeira, ele afirma:
“Tentamos não fazer um disco enjoativo. É um disco que carrega várias épocas da minha vida, mostrando os frutos de andar lado a lado com Deus: nas crises e nos momentos bons. O nome é um resumo do disco. Ele foi feito lado a lado com Deus e com as pessoas também que participam da minha vida. E por ser um CD com músicas de reflexão, ele foi feito com a intenção de uma pessoa tê-lo lado a lado por muito tempo.”
A leveza e a simplicidade transmitida pelos arranjos e pelas letras sugerem realmente um disco para se estar lado a lado com as pessoas, e reflexões sobre o que é realmente importante na vida. É algo que deva ser apreciado não como uma obra religiosa, escutada nos cultos de domingo e esquecida na semana, um costume que permeia a falsa espiritualidade dos cristãos de templos e não do diário, mas para ser mastigada no cotidiano, acompanhadas por dose de reflexões. Das palavras de Bruno sobre Lado a Lado na entrevista ao Som da Madeira:
“O disco é muito verdadeiro, é uma extensão destes últimos anos da minha vida, carrega uma inocência. Ele não foi pensado para uma tribo ou mercado. É um disco para ser degustado com tempo. É atemporal. É o resultado de uma coragem de saber que tenho algo que pode não ser importante para a multidão, mas pode ser importante para alguém. Se for, valerá muito a pena.”
A primeira canção do álbum, “Canção pra Você”, foi baseada em um testemunho do autor.
“No final de 2008, comprei um apartamento que estava caindo aos pedaços. Decidi reformá-lo. Eu morava com minha avó e achava que precisava ir morar sozinho, me casar etc. Queria muito uma mudança na minha vida e apliquei essa mudança na reforma do apartamento. Após a reforma, o apartamento estava simplesmente perfeito. Mas lá estava eu, sozinho na sala, olhando para aquele porcelanato lindo, mas com um enorme vazio dentro de mim. Foi então que me ajoelhei e o Espírito Santo disse ao meu coração: ‘Quem precisa de reforma é você. A casa está linda, você fez isso para chamar a atenção, ser amado, mas a casa que eu quero mexer é você. Você é o templo. Não adianta nada disso aqui, se você, a verdadeira casa, estiver em ruínas.” [Troféu Promessas, 2012]
A faixa segue a mesma ideia de “Casa” do Palavrantiga, porém é mais romantizada, uma bela declaração, e contém reflexões sobre a abnegação e o verdadeiro templo divino. “Onde está o valor destas coisas, disso aqui sem Você” expressa perfeitamente o vazio do materialismo humano, de preencher todo o nosso vácuo de espírito com coisas passageiras, a casa interior destroçada e desocupada, sendo que a vida só terá seu valor se Deus estiver conosco.
“Simples” é uma das melhores do disco. Ela representa perfeitamente um dos supremos conceitos expressados no conjunto: a simplicidade. A canção foi debatida e usada na questão sobre a cultura artística do Reino por causa dos versos “Então, quem dirá que a arte não pode ser nossa?/ Então, quem dirá que tem que ser sem sorriso?”. Porém, essa canção me leva a pensar sobre a arte de ser simples e viver sobre esse estilo de vida. O melhor trecho da música com uma influência do músico Bob Marley reflete muito bem essa arte: “Use as coisas e ame as pessoas”. O primeiro defensor dessa prática, no entanto, não foi Bruno e nem Bob Marley, foi Cristo:
25. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
26. Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
28. E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32. Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
33. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Mateus 6:25-34
Viver nas pegadas da simplicidade do Mestre significa, também, trocar as prioridades na vida. Não se torna apenas um conceito de aparência, na qual transforma apenas como nós portamos. Muda também nossos ideais, nossas buscas, os motivos das nossas orações. A vida é uma arte de amar as pessoas.
A faixa-título “Lado a Lado”, apesar de boa, é a canção menos interessante do álbum, mas uma letra bem mais complexa que as demais. De qualquer forma, o folk veloz dela anima qualquer um.
A melhor do álbum é a “Reforma”. Um dos movimentos que mais cresceu nos últimos anos com o advento da internet e das redes sociais foi o reformado, ou calvinista. Os estudos feitos pela teologia calvinista são um dos mais bem organizados, estruturados e solidificados do protestantismo, e seu extremo cuidado no aspecto bíblico foi um dos motivos de sua explosão. Porém, a cosmovisão calvinista é apenas mais um no meio de tantos pontos de vista do cristianismo, e embora seja muito bem organizado não significa salvação. Qualquer teologia sempre se estruturará na mentalidade das pessoas, mas se o coração não estiver transformado não passará de títulos e rótulos. A verdadeira reforma não transforma a construção primeiramente, ela muda a estrutura da casa, senão qualquer teologia virará teoria. E teoria demais embriaga, como dizia a letra do “Neófito” do Resgate.
Voltando a canção, a genialidade da letra foi no jogo de analogias feitas nela com as duas passagens bíblicas sobre os odres velhos e a pérola perdida, e a verdadeira capacidade gerada na humanidade com a reforma: poderem amar.
“Os loucos que amaram mais, acharam a pérola perdida
Os loucos que amaram menos, odres velhos vinho desperdiça”
O vinho simboliza na música o Amor, a pérola perdida o encontro do homem com o Amor, e os odres velhos um indivíduo não arrependido ou não transformado. Repetindo o conceito de Simples, a composição se estrutura no Amor.
Você pode não estar apaixonado, não gostando de alguém, mas mesmo assim irá curtir a belíssima “Flores”. O melhor desse tipo de balada romântica, como “Mais uma Canção” do Los Hermanos, é conquistar seus ouvidos, mesmo sendo solteiro e sem expectativas amorosas. Quem estiver apaixonado, ou em algum relacionamento, essa música pode ser oficial da sua playlist. “Flores” é uma mistura de poesia romântica com um arranjo simples, mas encantador, uma das melhores do tema.
“Palavras Soltas” é uma excelentíssima canção. A combinação do folk cheio de feeling no arranjo à letra de declaração a Deus estala o coração do ouvinte, uma habilidade do Bruno. São composições poéticas, simples, sem o toque pseudo intelectual das letras da música contemporânea, mas são ricas e profundas. “Saberás” segue da mesma forma que essa faixa, focada numa musicalidade com mais feeling e numa bela declaração, mais poética, contudo, não tão profunda. São duas canções sublimes, e suas poesias revelam mais sentimentos do que conceitos.
“Vermelho Escarlate” finaliza o álbum maravilhosamente. Essa faixa mistura um folk com uma ideia que já havia explicado em “Reforma”. Vermelho escarlate é descrito na composição como a cor da letra inscrita nos corações dos filhos de Deus, e é baseado em 2 Coríntios 3.3.
Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.
2 Coríntios 3:3
Esses dois trechos da música explica toda a ideia dela:
“A cidade tem confrontação no amor
E a letra é vermelha escarlate
Escritas nestas tábuas, de carne e coração(…)
Não é letra mas sim sangue o conserto
E a letra é vermelha escarlate
Escrita nestas tábuas de carne e coração”
Vermelho é a cor do sangue e sangue significa vida. A letra em um papel é morta, porém, quando entra em um coração se transforma em algo vivo. Rótulos e títulos se tornarão vazios se as letras vermelhas escarlates não circularem em nosso sangue.
Lado a Lado é baseado em dois fundamentos, amor e simplicidade, e o meio utilizado foi a linguagem poética, arranjos modestos, andando sobre o folk com influências do blues e do MPB, mas que foram perfeitamente combinados. Um motivo de agradecimento a genialidade do Jordan Macedo, afinal, a ideia de gravar um álbum totalmente acústico foi persistida por ele, pois Bruno queria gravar um disco de banda.
Bruno Branco buscou principalmente com essa produção fornecer um álbum com princípios cristãos, com uma linguagem menos engessada, presa aos clichês gospel e quebrar a barreira entre o gospel e secular. Sua opinião sobre essa barreira, aliás, sempre foi confusa para mim. Apesar disso, ele é um grande músico da geração que tem surgido atualmente e o seu inicio de carreira com esse excelentíssimo trabalho merece todo respeito.
“Reforma”, “Simples”, “Vermelho Escarlate”, “Canção pra Você”, “Flores” e “Palavras Soltas” são as melhores, em ordem decrescente, do disco.
Na próxima Musicografia falarei sobre o Prato & Sino, último lançamento do compositor, e dissertar em mais reflexões proporcionadas por esse álbum.
Playlist da semana: Palavras Soltas, Reforma, Flores
Referências
Érica Fernandes, “As pessoas estão cansadas de religião”, afirma Bruno Branco. Disponível em: <http://www.lagoinha.com/ibl-noticia/as-pessoas-estao-cansadas-de-religiao-afirma-bruno-branco/> Acesso em 1 de agosto de 2015.
Som da Madeira, Entrevista – Bruno Branco. Disponível em: <http://somdemadeira.blogspot.com.br/2011/12/entrevista-bruno-branco.html> Acesso em 1 de agosto de 2015.
Wikipédia, Jordan Macedo. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jordan_Macedo> Acesso em 1 de agosto de 2015.
Wikipédia, Lado a Lado (álbum). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lado_a_Lado_(%C3%A1lbum)> Acesso em 1 de agosto de 2015.
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