Categoria: Colunas

  • Conectados no Amor – Arrependimento e medo

    I JOÃO 04:18 No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.

    Andam por aí propagando uma ideia errada sobre o arrependimento. Os pregadores do medo, do evangelho imposto e não exposto, nunca tem e nem terá um fim. Desde os remotos tempos da Igreja Católica, onde a salvação era comprada por indulgências, e o medo imposto nas pessoas de ver o fogo do inferno depois de suas mortes a induziam a comprar a sua salvação, as pregações que usam o medo como forma de propagar o evangelho é um dos instrumentos usados pelos protestantes, principalmente pela parte dos pentecostais.

    Sabe daqueles cultos típicos de pregações do fim do mundo, que a metade dos versículos usados vem de Apocalipse, o terrível livro temido pelos medrosos, e o pregador usa a frase que todos temem: “essa pode ser a última chance de você entregar a sua alma”? E para complementar a pregação, o pregador fica uma hora insistindo no microfone para novas pessoas levantarem as mãos e se converterem.

    Isso é o que eu chamaria de ideia completamente errada e confusa sobre arrependimento. As pessoas se ligam tanto no resultado de suas más obras do que na própria causa, ou seja, no próprio ego. Nem por uma confissão e repetição de palavras como “eu aceito Jesus como meu salvador” te livra do temível inferno. Não é do medo que vem o arrependimento e nem ele provoca algum tipo de arrependimento. Metades das pessoas que fizeram a confissão na frente de altar e também por medo pode talvez tiver seu destino direto no inferno.

    A salvação não é mérito de ninguém e não pode ser conquistada. Quando a gente se deparar com a ideia de que não podemos nem conseguir a salvação por nós mesmos, as coisas começam a ficar nos seus devidos lugares.

    Arrependimento não consiste em ter medo do inferno. Um culto sobre arrependimento não é algo que vem com uma temática de destruição de tudo e sobre o nosso destino depois que a vida passar. É uma chamada ao inconformismo contra o próprio ego, um incentivo ao medo do que nós mesmos podemos fazer, a uma mudança de interior e da forma de viver. Arrependimento não é choro, medo e palavras. É mudança de atitude e o reconhecimento de que não conseguimos mudar sozinhos sem a ajuda de Deus.

    Nós podemos achar que após uma confissão de salvação, poderemos estar salvos enfim de uma condenação, mas na verdade, ainda há um espaço oco e vazio dentro de nós clamando por um verdadeiro arrependimento e para ser preenchido pelo Espírito de Deus. Arrependimento verdadeiro é algo tão invisível, mas demonstrado por frutos que só uma pessoa que está com Deus conhece.

    Apocalipse não é um livro que veio pregar medo. Em meio a uma época de desespero e de perseguição contra os cristãos, o livro surgiu como para trazer esperança sobre aqueles que sofriam e um incentivo a busca de Deus.

    Arrependimento não é medo do inferno, mas medo de si mesmo.

    O mundo em volta de mim vende uma promessa vazia
    Constroem-lo só para ver você cair
    É hora de encontrar isto cara a cara

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=RG8yA4xq9KY]

  • Rocklogia – Banda Azul e morte de Janires

    A segunda metade da década de 80 já tinha chegado e Janires já tinha provado, nos dois primeiros álbuns do Rebanhão que seu talento estava bastante acima do que a cena cristã da época (e antes dela) mostrava. Após criar e liderar uma banda de sucesso, gravou um disco solo bastante pretensioso, intitulado Janires e Amigos (que na década de 90 foi remasterizado e incluído na discografia do Rebanhão). Mas diferentemente do que se poderia presumir, o músico não era acomodado e queria fazer mais. Pedro Braconnot, em entrevista já disse que o grupo não conseguia acompanhar seu ritmo. A saída era algo necessário, mas tranquila o suficiente para que os três integrantes restantes (Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix) soubessem qual caminho seguir.

    Do Rio de Janeiro, Janires foi acolhido na cidade de Belo Horizonte. Na capital mineira localiza-se a Mocidade para Cristo, mais conhecida como MPC, um movimento cristão. O cantor tornou-se locutor de um programa chamado Ponto de Encontro, e nesta época gravou um LP de mesmo nome que seria distribuído pela MPC.

    O álbum Ponto de Encontro, apesar de pouco conhecido é de certa forma importante para entendermos a cena musical cristã da época que se esforçava para fugir do patamar comum. Como artista solo, Janires regravou “Casinha”, mas o destaque fica para a inédita “Paz pra Cidade”, do compositor, gravada com o Rebanhão. Essa canção é sua última gravação com a banda. No disco, também tem “Pra Você” da Sinal Verde, e também músicas dos Vencedores por Cristo, Grupo Pescador, Jovens da Verdade, entre outros.

    Um projeto que deu certo e teve Janires como um dos mentores foi o Som do Céu. Em abril de 2014, foi realizado mais uma de suas edições, comemorando 30 anos de Som do Céu. O evento reúne vários músicos e bandas cristãs comprometidos com a arte. Sua primeira edição ocorreu em 1985, e conteve a participação do Rebanhão, Vozes da Promessa, Grupo Logos e Quarteto Vida.

    Janires passou a frequentar e tocar no “Clubão” da MPC. Alguns jovens, que estavam montando uma banda também o frequentavam. Eram Guilherme Praxedes, Dudu Guita, Moisés di Souza e Dudu Batera. Logo, Janires tornou-se vocalista daquele grupo, que não tinha nome. A princípio era Banda MPC, mas no ano seguinte mudaram para Banda Azul.

    Durante essa época, a vida do cantor prosseguiu bastante agitada. Conheceu vários músicos, amigos e realizou o sonho de viajar ao exterior. No contexto nacional, o Brasil vivia o fim da ditadura militar e a chegada da redemocratização. Todos estes acontecimentos influenciaram as letras do álbum de estreia da Banda Azul. E Janires seria o principal letrista delas.

    Em julho de 1987, a banda já estava gravando o álbum num estúdio do Rio de Janeiro, com Janires trabalhando como produtor musical. A sonoridade, além da própria pegada progressiva se misturava a outros gêneros musicais. Do projeto, “Veleiro”, “Canção das Estrelas”, “Foi por Você” e “Meninos da Rua” são os grandes destaques. Já, a faixa-título, “Espelho nos Olhos” é especial pela sua abordagem autobiográfica, um pouco nostálgica. Nesta faixa, o cantor relembrou sua infância, sonhos e como Cristo mudou sua vida. Por suas várias viagens, diz no final: “Mas, agora já é hora / De ir embora viajar / Descobrir outro mundo, outro lugar / Levo no peito saudades de vocês…“. Por coincidência, os versos fariam bastante sentido com sua morte.

    Curioso que, Janires não planejava ter uma vida “normal”: casar, ter filhos, bom emprego. Aos quase 35 anos, sua família eram seus amigos. Sua vida era vivida através da música. E compor, projetar músicas era atividade constante. A Banda Azul mal gravou Espelho nos Olhos e o cantor já sonhava com um álbum conceitual. Em seu disco solo Janires e Amigos, Janires gravou “Mamãe”. Nesta época, ele já tinha uma música para os pais e até mesmo uma homenagem à sogra. Em importância a família, o músico queria fazer um trabalho sobre este tema.

    O tempo passava e Janires não podia parar. Ele precisava viajar do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, onde participaria de mais um Clubão. Mas, como muitos devem saber, as estradas no trajeto entre as duas capitais são cheias de curvas e relativamente perigosas. E, numa destas curvas, no município de Três Rios, o ônibus em que Janires viajava envolveu-se num acidente. Somente o músico morreu. Deus o levou para si. Eram 11 de janeiro de 1988.

    Janires foi sepultado em Brasília, cidade na qual viveu parte de sua vida. Dentre os presentes, familiares do cantor, integrantes da Banda Azul, além de outros músicos, como Carlinhos Felix.

    A Banda Azul decidiu continuar. Espelho nos Olhos foi lançado depois da morte de Janires, no final de maio de 1988. Reunindo canções não gravadas do músico, retrabalhadas e outras de demais integrantes, depois lançaram Final do Túnel no ano seguinte. Mas nenhum trabalho posterior da Banda Azul conseguiria alcançar o mesmo patamar de Espelho nos Olhos.

    Leia também: Depoimento de Carlinhos Veiga sobre Janires / Entrevista com Moisés di Souza

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=F82qJmSzkHU]

  • Um Brinde – Deus, eu e uma música

    Um Brinde – Deus, eu e uma música

    Antes de conhecer, de fato, o amor de Cristo sobre mim, achava que a redenção fosse apenas mais um ato dos tempos históricos e que nada tinha a ver com nossa realidade. Mas ao crescer e mudar de mente (metanoia), fui atraído por esse amor provado na cruz e não sei mais viver sem o amor do Pai. Amor que cura, muda, transforma e nos dá vida.

    Quando resolvi mudar de estilo – musicalmente falando -, trocando o gospel por música sem rótulo, desconhecia completamente o crossover, e na época não tinha acesso a internet e fui um pouco criticado por esse mudança. Porém, Deus mais uma vez provou seu amor grandioso a mim: me inspirou a escrever minha realidade e criar pequenas histórias que podem ser compartilhadas com quem ouve. Quero apresentar uma de minhas canções que tive o prazer de compor e compartilhar com minha antiga banda, Distrito92. “Vila dos Erros” é uma música que remete um acordo de alguém que conheceu uma nova forma pra se viver uma boa vida, mas essa forma é detalhada de erros, não é perfeito como nos contos de fadas, mas nada nessa “vila” é proposital e esse não é o nosso mundo essencial. Assistam e abração!

  • Conectados no Amor – Sábio, uma pessoa triste

    ECLESIASTES 07:

    2 Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.
    3 Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.
    4 O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.
    5 Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir alguém a canção dos tolos.
    6 Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo da panela, tal é o riso do tolo; também isso é vaidade.

    Os caminhos são realmente difíceis para quem quer um caminho de sabedoria. E a sabedoria, verdadeira, completa e não ideias supérfluas provem do Senhor e de uma caminhada com Ele.

    Felicidade engloba coisas boas. Mas a felicidade pode ser algo meio fútil no seu contexto. O sábio Salomão dizia isso que o tolo vive na alegria, mas o sábio na tristeza. Os sorrisos trazem algo de aparência e só na superfície e reflete a exterioridade, o que está por fora. Quando a tristeza vem, é como se a exterioridade caísse, o véu se quebrasse e pudéssemos nos deparar com o que vem depois do exterior. É o que se percebe em Eclesiastes.

    A tristeza vem para nos colocar no horizonte divino, para fazer nossos olhos se encontrarem com o interior. E toda sabedoria que Deus quer nos passar é adquirida através de experiências e lições e não com ideias rápidas ou frases que devem ser aceitas por si mesmas.

    Jó 42:5 – Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos.

    Depois que Jó percebeu o que havia atrás de toda sua alegria, quando lhe foi tirado o véu, ele havia visto realmente a glória de Deus.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=CRKg-XdixTI]

  • Rocklogia – Complexo J

    Quando o assunto é rock cristão nos anos 80, as pessoas geralmente só lembram de Rebanhão, Sinal de Alerta, Banda Azul (só porque foi fundada por Janires) e os grupos que seriam os principais nomes durante os anos 90. Esquecem-se de um ótimo grupo, no qual traz um som e proposta musical muito interessante, chamado Complexo J.

    O Complexo J é uma banda carioca, que traz uma sonoridade marcada pela predominância de duas vertentes do rock: o hard rock e o rock progressivo. Seu primeiro álbum foi Solidão, lançado em 1988, mas a banda foi fundada em 1986. Este primeiro trabalho traz algumas características que seriam marcas registradas do grupo, como o lado crítico encontrado em “Brasil”. O interessante é que, até hoje eu não conheço nenhuma banda no mainstream do rock cristão nacional que tenha uma mulher nos vocais, e creio que o Complexo J foi a primeira, e até hoje a única. Em 1990, saiu o Arte Final, e a formação era: Marco Salomão (guitarra e vocal), Murilo Kardia (vocal e arcordeon), Liza Cardoso (vocal), Helio Zagaglia (guitarra), José Carlos Salgado (baixo) e Martinho Luthero (bateria).

    O clássico da banda foi o álbum 3, lançado pela MK Music em 1992. Em todos os aspectos, é o seu melhor projeto. Desde a criativa capa ao repertório de boas músicas como “Sábado quente”, “Abra seus olhos”, “Mais que um Sonho” e “Choro da Natureza”. Nessa época, o Complexo J esteve no programa do Jô e a entrevista da banda pode ser encontrada no YouTube. Em minha opinião particular, o Complexo J, semelhantemente a outros grupos da década de 90 se destacava pela análise crítica do mundo em suas letras, mas em seu caso de uma forma bem mais particular e sutil. “Sábado Quente” é a música que melhor representa o álbum, e eu colocaria facilmente num TOP de melhores músicas do Brock cristão anos 90.

    Após o sucesso de 3, estranhamente, em 1994 lançam Riqueza de Sons, que abre mão parcialmente do rock característico e mergulha em outras sonoridades, como a tropicália e o pop. É difícil dizer que este álbum seja predominantemente de rock, mas como nos anteriores temos muitas boas músicas. “Ieoah (moça bela)” tem uma letra interessante. “Você não precisa de um milagre / para viver com Deus / Você não precisa de um sinal / pra acreditar em Deus”, muito simples hoje, mas para 20 anos atrás? E há de se considerar toda a articulação nas estrofes para este refrão, não sendo algo maçante ou arrogante, mas mesclando muito humor ao citar jovens, velhos e moças belas.

    O Complexo J trocou a MK pela Gospel Records e em 1995 lançou V, cinco no algarismo romano. Seguindo a linha pop do trabalho anterior, o álbum contém canções como “Doce Presença”. Este projeto possui a participação do músico Marcos Kinder.

    A partir dos anos 2000, a banda passou a estar um pouco sumida. Títulos antigos foram relançados, algumas canções regravadas, mas nada que trouxesse a força dos anos de ouro. Porém, o grupo deu grandes contribuições à cena cristã.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=_tw8NJvLE0U]

  • Limão com Mel – Quem ouve “música do mundo” vai pro inferno

    Como a maioria daqueles que cresceram numa igreja pentecostal, cheia de rigores e costumes próprios, certamente já devem ser ouvido a frase do título. Sempre me questionei sobre essa expressão “do mundo” afinal, a música evangélica também não é do mundo? Fato é que me acostumei com a ideia de que era errado ouvir e cantar as tais “músicas do mundo”, que não “edificam” o espírito, que não são inspiradas por Deus…

    Até descobrir que posso pensar por mim mesmo, sem assumir uma ideia pronta e acabada. Afinal, quem disse que é pecado? Quem disse que vou para o inferno? E por que ver televisão “do mundo”, ver filmes “do mundo”, ou consumir qualquer outro produto “do mundo” não me leva para o inferno como ficou condicionado quando o assunto é música?

    O mundo evangélico está cheio de verdades absolutas e cada dia se cria mais. E o público cristão se condicionou a não se questionar, a aceitar, como sinal de obediência (ou preguiça). Acontece que cada um cria e molda verdades para seu próprio interesse. Vendem-se essas verdades e as compra quem quer. Em relação à música secular também é assim. Disseram que não podemos ouvir e acreditamos, mas por que não pode?

    Acredito que nenhum tipo de extremismo seja saudável. Não posso simplesmente rotular toda a música secular como ruim apenas por não ter o “selo gospel de santidade”. É preciso bom senso pra que possamos filtrar o que é relevante do que não é. Assim como é no “gospel” a música secular é recheada de sucessos de duas sílabas, aquelas músicas que viram memes e na mesma velocidade em que aparecem, somem sem deixar rastros. Mas há muita música de qualidade sim! Que não podem ser ignoradas ou serem jogadas na lata do profano sem terem tido a chance se serem ouvidas e minuciosamente digeridas.

    Quantos cantores evangélicos tem se proposto a falar dos problemas sociais que afetam a nossa população? Quantos tem usado a sua arte para se opor à corrupção, à ganância, e o descaso com o menos favorecidos? Poucos. Muito poucos. A grande maioria segue a linha “glória glória e aleluia” como se vivêssemos num mar de rosas e que não precisamos nos preocupar, “tudo é permissão de Deus” inclusive a pobreza da população e o enriquecimento da maioria de nossas estrelas.

    Que fique claro que não sou contra as canções que glorificam e engrandecem ao Senhor, afinal, essa é sim uma das funções da música, da arte em si, mas não o único.

    Se você fez a escolha de apenas ouvir música gospel, ótimo. Cada um é livre para escolher aquilo que quer ouvir, agora permita que o outro escolha também, sem julgá-lo por isso. Creio que há tempo para tudo em cima da terra. E isso inclui o momento de ser “edificado”. Não dá pra ficar buscando ser edificado com toda música que ouve. Tanta música que possui o “selo gospel de santidade”, mas não tem nada que edifica além de frases feitas pra vender…

    Não tenho essa síndrome da “edificação” ininterrupta. É preciso compreender que nem todas as canções possuem esse propósito, mas nem por isso podem ser jogadas no lixo, descartadas como sendo ruins ou abomináveis. Existem aquelas que são apenas para viajar na melodia, para curtir o momento, ou para dar um choque de realidade em muita gente que anda dormindo!

    Pensando nisso, deixo duas músicas seculares que já adianto que muito provavelmente não edificará o seu espírito, e você nem é obrigado a ouvir, mas tenho certeza que “edificará” o seu senso crítico (se você tiver).

  • Um Brinde – 00h49

    Um Brinde – 00h49

    Existem coisas que visivelmente parecem transitórias, já outras dão a impressão de que serão eternas. Para os mais vividos que se relacionaram com pessoas super legais e, juraram que aquela seria pra sempre, sabem do que estou falando. Jesus sabia muito bem quando alguém precisava dele, e até hoje sabe. Ele também sabe o que é eterno e o que é transitório. Por esse e inúmeros motivos, não se preocupa em nos dar o que pedimos. Já percebeu que nos preocupamos muito com coisas passageiras? Uma roupa pra vestir, um carro pra andar, uma viagem pra fazer, e entre outras coisas que dão a ilusão de que serão duradouras. Me preocupo muito com coisas bem simples: poder andar de ônibus e tomar um bom tereré com os amigos enquanto tocamos e cantamos uma boa música no sábado à noite, por exemplo. 

    O texto de hoje foi feito exclusivamente para fazer o fiel leitor refletir sobre suas prioridades. O mais simples pode ser o mais importante. O visível pode estar visivelmente errado, ou não. Deixo duas belas canções para que te faça refletir sobre a sua vida: “Quando tiver sessenta” e quando não saber o que de fato é “Atemporal”.

  • Rocklogia – Rebanhão (a formação clássica)

    A Rocklogia prossegue no ano de 1985, e além do surgimento do Sinal de Alerta, neste ano teve muitas novidades, algumas boas e outras não tão legais sobre o Rebanhão, que já tinha uma relevância enorme no segmento em cerca de seis anos de existência.

    Após o lançamento de Luz do Mundo, muitas coisas mudariam na formação do Rebanhão. Janires gravaria o disco solo Janires e Amigos em dezembro de 1984. Na época, era um projeto do Janires, mas com os anos acabou sendo considerado como parte da discografia do Rebanhão, mesmo que grande parte da obra seja composta por músicos convidados.

    Em 1985, Kandell deixava a banda, e também Janires. O vocalista tinha outros sonhos, e precisava realizá-los. Na formação restante, ficou o trio que até hoje foi o mais relevante da banda: Pedro Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix. Felix trouxe um baterista à banda, de nome Fernando Augusto, o Tutuca.

    O quarteto, após o grande sucesso dos projetos anteriores, desperta a atenção da gravadora PolyGram, juntamente com outros músicos cristãos de sucesso da época, como Ozéias de Paula e Álvaro Tito. Tudo estava indo muito bem. Mas, como seria o Rebanhão sem Janires? O início, comercialmente foi ótimo. O álbum Semeador, lançado em 1985 marcou um momento da banda mais pop e afastado do tropicalismo. Mas, todo aquele olhar crítico sumiu. Nenhuma das canções do álbum possui este caráter. Também contou com gravação de letras externas, como “Viajar” (Sérgio Pimenta) e “Paz do Senhor” (Lucas Ribeiro). Esta última é uma canção tão conhecida que muitos a consideram como um corinho evangélico.

    Pedro Braconnot passa a ter mais espaço nas composições, assinando a faixa-título, “Semeador”, “A Flor do Campo” e “Mar de Amor”. Carlinhos, por sua vez é responsável por “Pastor da minh’alma”, “Disse Jesus”, “Vinde às águas” (com Lucas Ribeiro), “Não Julgueis” e “Seu Melhor Amigo”. Os vocais ficaram divididos entre o trio mais conhecido do Rebanhão, embora Carlinhos e Paulo Marotta tenham cantado a maioria das músicas.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=0LyUe75i8OI]

    Foi neste tempo em que o Rebanhão passou a ser destaque em shows de grandes casas, shows noticiados por jornais, alguns até encontrados online. Em 1987 é lançado Novo Dia, que no quesito letras é bem superior ao anterior. A banda ainda não apresentou algo próximo do que era com Janires, mas dava indícios que aos poucos as coisas estavam mudando. A melhor música é “Razão”, de Pedro Braconnot, que neste álbum assume um dos principais vocais. Paulo Marotta interpreta apenas “Entre eu e você”, e Carlinhos Felix, além de assinar a faixa-título interpreta “Jesus é Amor” (versão de Lionel Richie), “Firme os Pés” (de Lucas Ribeiro), “Você Precisa de Deus”,  “Primeiro Amor” (sucesso de Aurélio Rocha) e “Nele Você Pode Confiar” (de Ricardo Costa Neves, da Comunidade S8). “Contemplar” e “Nada mais a Temer” também são de Pedro. Apesar do repertório ser superior, no quesito técnico o álbum é datado, com fortes características oitentistas. Numa época em que as bandas de rock progressivo se rendiam as baterias eletrônicas cheias de reverb e toda a tecnologia da época, o Rebanhão foi no mesmo caminho… mas passou, e isso não tira o mérito de ser um primeiro grande álbum da formação clássica. Em setembro de 1988, um lançamento deste projeto foi realizado no Canecão lotado, marcando como a primeira banda de origem cristã no Brasil a fazer shows em grandes casas. O músico Beno César participou do show tocando baixo, já que Paulo Marotta não pôde estar.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=MOfOvwNqCpQ]

    Leia também: Messianismo musical com muito marketing

  • Limão com mel – O controverso ato de baixar da internet

    Não sei se você é como eu que lê até bula de remédio, mas se você já parou para ler as letrinhas miúdas nos Box de alguns CDs gospel deve ter encontrado a seguinte frase: “Pirataria é crime e é pecado”. Geralmente os CDs seculares limitam-se a dizer que a pirataria é crime.

    Quando se fala em pirataria, muitos imaginam ser a cópia física do disco, aqueles vendidos a três reais nas bancas dos camelôs. Mas tem também uma pirataria mais refinada, aquela em que a cópia é tão bem feita que muitas vezes o consumidor acaba levando gato por lebre. Ninguém discute que isso seja crime, e até pecado. Mesmo sabendo que muita gente crente não resiste a um MP3 da barraca ou aquele filme evangélico que saiu nas barracas antes mesmo que no cinema.

    Mas baixar o CD na internet é errado? É crime? É pecado? Talvez você já tenha se feito essas perguntas ou muitas vezes preferiu ignorar o assunto e dormir com a consciência tranquila. Vamos por partes.

    Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é crime.

    Pois é. Apesar de parecer terra sem lei, a verdade é que muito do que está disponível para download na internet é conteúdo ilegal. Livros, programas, filmes, fotos, CDs. Muito desse conteúdo está disponível sem a autorização de seus respectivos donos. Algumas gravadoras têm políticas severas na caça aos links de download ilegal de seus produtos, mas é claro, nunca conseguirão 100% de eficácia. Muitas vezes o conteúdo aparece pra download antes de chegar às lojas. É algo que terão que conviver.

    Muitos podem pensar que o fato de estar se apropriando do conteúdo apenas para uso próprio e não para comercialização é um diferencial e não se configura como pirataria, mas a verdade é que sem ninguém pra baixar não haveria sentido de outro disponibilizar o download. Se você pensa assim, não se engane: você faz parte do sistema.

    Baixar CD, filme ou qualquer coisa que de terceiros sem autorização é pecado (?).

    Por mais irônico que possa parecer determinar que algo seja crime é mais fácil que dizer que é pecado. A lei costuma ser menos relativa que a visão moral das pessoas e a noção de pecado estão intimamente ligada a isso.

    O termo pecar vem do latim: latim pecco, are, dar um passo em falso, tropeçar, cometer um erro, proceder mal.

    1. Cometer pecados.
    2. Errar.

    Perceba como o sentido de pecado pode ser relativo. Se não considero tal ato errado, logo, não o considero pecado. Assim como muita gente acredita que o fato de baixar o CD pra uso próprio não é errado, logo se acredita não ser pecado também.

    Não bastasse isso, há aqueles que justificam os fins pelos meios. Algo comum é dizer que está baixando algo para sua “edificação”, para uso na igreja, na obra de Deus, logo não se pode dizer que seja pecado. O que vale é a intenção (?).

    Alguns mais perspicazes vão além, usando o discurso de muitos cantores gospel a seu favor. “De graça recebeis de graça dai”. Referindo-se ao fato de os artistas gospel terem recebido as canções do Senhor e, portanto, é imoral vendê-las.

    Quem nunca ouviu algum cantor dizer que a composição x foi dada por Deus? Que tal CD é uma ferramenta de evangelização? Há de se tomar cuidado com esses discursos, pois pode ser intencionalmente mal interpretado.

    O problema aqui é a relatividade da coisa. Cada um vai justificar seus atos conforme seu bel prazer. O cantor, a gravadora vai buscar argumentos para dizer que o download é pecado, já os que baixam farão o mesmo para provar justamente o contrário. E quem estará certo?

    Concluindo…

    Creio que tenha ficado evidente o dilema que é afirmar que o download ilegal seja pecado já que tal afirmação estará imbuída de meus próprios conceitos morais e que poderão ser diferentes dos de outra pessoa. No entanto, afirmar que tal ato é crime é baseando-se nas leis que dispomos mesmo que não tenha conhecimento de que alguém até hoje tenha respondido por este ato criminoso.

    Alternativas

    Se você entende que baixar CDs e outros conteúdos na internet é pecado e quer evitar, hoje temos alternativas bastante atrativas que você pode aderir e dormir com a consciência tranquila.

    iTunes

    O iTunes é uma loja de conteúdo digital voltada para os produtos da Apple, mas você pode instalar em seu computador Windows e ter acesso a tudo que é vendido lá. Uma música por exemplo você pode adquirir por $0.99.

    Spotify ou Deezer

    Essas ferramentas são excelentes e considero ainda melhores que o iTunes. Primeiro por estar disponível a qualquer plataforma, inclusive ao popular android. Segundo, por permitir que o usuário tenha acesso ao seu acervo sem pagar absolutamente nada. A grande sacada é a veiculação de anúncios e spots entre uma música e outra, além da exibição de banners no site da plataforma. O usuário ainda pode escolher ter mais autonomia e se livrar também dos anúncios pagando uma pequena taxa mensal.

    Netflix

    A Netflix é uma plataforma de filmes online. Excelentes títulos estão lá disponíveis ao usuário por uma pequena taxa mensal. Filmes, séries, novelas inteiras, desenhos animados e muito mais a um clique. A Netflix ainda permite que o usuário possa criar perfis com a sua assinatura que pode ser para membros da família ou amigos.

    Youtube

    O Youtube é a grande plataforma de música da atualidade. Apesar de ter sua característica de vídeo, acessar o site para ouvir música é muito comum. Se antigamente as gravadoras lutavam para retirar seus DVDs e músicas de lá, hoje elas mesmas fazem questão de colocar lá. Por um lado motivadas pela exposição que a plataforma gera, por outro, visando os ganhos que podem obter pela visualização de seus conteúdos após a monetização destes.

    Por fim…

    Viu como é possível ter acesso a conteúdo legalmente na internet? Creio que não é mais justificável baixar CDs pontuando o preço dos CDs, por exemplo, visto que estes estão acessíveis a preços bem aceitáveis e até de graça na internet sem infringir a lei.

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  • Ser Ester – Evolução capilar

    Olá esterzinhas! Após dois especiais com entrevistas, uma reflexão sobre o amor de Deus e uma resenha de filme, hoje nós vamos futilizar geral e falar sobre cabelos.

    Você certamente já reparou o quanto que algumas cantoras conhecidas gostam de mudar as madeixas, algumas vezes para melhor, outras para… ok, superem!

    Se você, assim como eu tem receio medo, pânico, pavor de mudanças radicais, venha conferir a evolução capilar de 4 belas mulheres. Quem sabe você não se anima, não é mesmo?

    Daniela Araújo

    A ideia deste tema veio justamente com a mais recente aventura capilar da Dani Araujo: sua inédita loirice. A morena Dani sempre conservou os fios em um comprimento próximo aos ombros, mas o formato do corte sempre mudou… e como! Antes do atual loiro assimétrico, a cantora usou por um tempo o Chanel assimétrico com uma lateral quase rente à nuca e a outra na abaixo da linha do queixo. Antes disso teve o polêmico corte com a lateral raspada, Chanel desfiado, médio repicado com franjinha.

    Dani Araujo

    Damares

    A paranaense Damares é a prova de que o cabelo muda a aparência de uma mulher. No início da carreira, a cantora usava cachinhos que pareciam modelados com os dedos. A evolução começou timidamente quando ela passou a usar a franja escovada, mantendo o restante do cabelo cacheado. O resultado foi… bem, sigamos em frente. Quando, enfim, decidiu alisar todo o cabelo e repicá-lo sutilmente, Damares mostrou definitivamente que é uma linda mulher. Hoje, quando aposta nos cachos, eles são frutos de modelador. Ela não mudou a cor, pouco alterou no comprimento, mas a evolução capilar da cantora é para ser aplaudida.

    Damares

    Ana Paula Valadão

    Os anos de carreira de Ana Paula Valadão à frente do Diante do Trono ficam claros quando vemos a evolução capilar da cantora. No início da carreira, no final dos anos 1990, Ana usava os cabelos longos escuros e cacheados ao natural. Nos anos seguintes, manteve o comprimento, teve poucas variações de cor, mas intercalando os longos cachos com períodos  de fios lisos. Após o nascimento de seu segundo filho, a cantora radicalizou e cortou os cabelos na altura da nuca. Esse período variou de um loiro duvidoso até um repicadinho despojado. Ana deixou os fios voltarem a crescer lisos e recentemente apostou em um loiro pérola.

    APV

    Marcela Taís

    Se tem uma alguém que se diverte com os cabelos é a Marcela Taís. Quando ganhou notoriedade no cenário musical, a cantora tinha os fios longos, pretos, desfiados e com franja. Depois, com os cabelos ainda compridos, Marcela repicou de deu mais volume ao topo da cabeça e deixou as pontas claras. Em seguida, ela chutou o balde e pintou os fios de pink. Entrando no processo de encurtamento dos fios, ela usou um médio desfiado com mechas loiras nas camadas de baixo dos cabelos, até que a moça radicalizou e apostou em um chanelzinho à moda dos anos 1920 com franjinha reta.

    Marcela

    E então meninas, curtiram essas evoluções? Temos muitos outros exemplos ainda. Quem sabe, futuramente, não teremos uma parte 2…