Categoria: Colunas

  • Rocklogia – Mais Doce que o Mel

    A década de 80 chegou!

    Depois que Pedro Braconnot e Janires passaram a andar juntos (leia o post sobre a conversão de Janires), compartilhar da fé e fundarem o Rebanhão, era momento de encontrar mais músicos que abraçassem a causa. Os dois assistiram um ensaio de três músicos, nos quais foram convidados a entrar no grupo. Dois deles entraram: Paulo Marotta, filho de um presbítero da igreja e baixista, e o baterista Kandell. Um percussionista chamado Zé Alberto também integrou a primeira formação. Faltava um guitarrista, e Janires encontrou-o dentro da Sinal Verde, que como possuía dois baixistas, teve Carlinhos Felix disponível para atuar nas guitarras do Rebanhão. Entretanto, apesar de Carlinhos ter disponibilidade para a banda, não possuía muita experiência com solos, mas com bases. Janires sentiu em necessidade em chamar mais um guitarrista, convidando Elmar Gueiros. Elmar trabalhava na época, e mesmo pela pouca disponibilidade aceitou, mas não ficou muito tempo com o grupo.

    Acabou que a formação ficou assim mesmo, e em meados de 1980 na preparação de um álbum. Janires, como anteriormente tinha um vasto repertório. Além das músicas de seu cassete, tinha outras composições ainda não gravadas, nas quais optou para o futuro álbum. Carlinhos Felix também tinha outras composições, e Pedro Braconnot uma, escrita após sua conversão. A união deste repertório gerou “Mais Doce que o Mel”, um álbum predominantemente de rock progressivo, com influências do tropicalismo.

    Rebanhão - Janires - Fita Cassete - 1979

    Cassete “Rebanhão”, projeto de Janires em 1979 antes de se mudar para o Rio de Janeiro. (Fonte: Rebanhão)

    Apesar da Comunidade S8, Cantores de Cristo e da Sinal Verde, além de outros músicos e bandas menos reconhecidos já terem lançado algum material de rock anteriormente, nenhum projeto é tão divisor de águas quanto o álbum de estreia do Rebanhão. Além de ser revolucionário pela sonoridade, Mais Doce que o Mel inova nas letras e na estética. A capa da obra foi escandalosamente polêmica, pela foto de Janires de camisa aberta, tendo que ser ‘censurada’ e relançada com modificações na parte gráfica. Dez canções, maior parte de rock, mas curiosamente um baião torna-se a canção que melhor representaria a veia do grupo: misturar cristianismo com crítica social. Vaias em apresentações, boicotes, nada disso adiantou para que o grupo parasse – muito pelo contrário – fez que o álbum, lançado por uma pequena gravadora e sem expectativas batesse o recorde de vender mais de cento e cinquenta mil cópias, fato mencionado até por revistas de fora do nicho cristão, como a Veja. O conjunto fazia um enorme sucesso dentre a juventude, fato que impulsionou os boatos de satanismo contidos nas letras. A canção “Baião” foi regravada várias vezes, sendo a versão mais recente de Paulo César Baruk.

    “Casinha”, também de Janires foi outra canção de destaque no projeto. Um choro, a abordagem é descritiva de uma cidade, que em seus primeiros versos transmite uma imagem de beleza. Entretanto, a realidade daquele lugar é tratada na segunda estrofe, dando ar a mensagem de uma nova humanidade que Jesus deu como exemplo em sua caminhada pela Terra, até sua morte e ressurreição dada na terceira parte. O cantor disse, numa gravação em bootleg de 1987 que a música surgiu num dos piores momentos de sua vida, em que faltavam recursos para tudo, e decidiu escrever sobre todas as realidades que conhecia, incluindo a principal de todas elas, a vida eterna. “Salas de Jantar”, uma das canções do pot-pourri do álbum faz parte do momento mais ‘pesado’ do álbum, com o músico criticando o extenso pessimismo divulgado pela mídia, e o individualismo das pessoas. A canção teria alguma referência à “Panis Et Circenses”, do Mutantes?

    As composições de Carlinhos são o ponto de menor destaque do repertório, mas nem por isso deixam de serem canções que fogem do patamar comum. “Tudo Passa”, sobre a soberania de Deus sob o tempo e as ilusões do mundo. “Passageiro” a respeito da nossa peregrinação sobre a Terra, “Monte” para a onipresença dEle em nossas vidas. “Refúgio”, de Pedro Braconnot é uma das melhores baladas do Rebanhão, e possui também um de seus solos de guitarra mais brilhantes.

    Álbuns posteriores mostraram grande amadurecimento musical do Rebanhão, mas nenhum foi tão ‘chocante’ e revolucionário quanto Mais Doce que o Mel.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=kUzI9VbuZdI]

    O baixista do Rebanhão, Paulo Marotta, juntamente com o músico Erlon Lemos interpretam Casinha.

  • Rocklogia – Sinal Verde

    Já tratamos a respeito desta banda no antigo Gospel Músikas (leia o Trazendo a memória), mas é sempre importante abordar alguns outros pontos. Como dito no segundo post desta série (leia As igrejas da década de 70), a Igreja Presbiteriana de Copacabana realizou uma atividade diretamente importante na música cristã nacional, principalmente no rock.

    A juventude desta igreja, mais tarde influenciada pelo culto Jovem, que já acontecia há anos decidiu montar uma banda, chamada Sinal Verde. O projeto, iniciado em 1979 era um tanto quanto complexo. Com vários instrumentistas e vocais, o grupo tinha um repertório definido, na autoria de Lucas Ribeiro, guitarrista da banda, Luciano Dewey, tecladista e irmão de Lucas e Carlinhos Felix, um dos baixistas. Entretanto, o recurso financeiro necessário para uma gravação não era muito, além de que, com o passar do tempo se tornaria difícil aliar família e trabalho com as atividades musicais, ainda mais para tantos membros.

    Foi no mesmo ano em que Janires chega à igreja em que a banda estava tendo seu início. O genial pai da música cristã tinha fortes intenções de fundar o Rebanhão com o apoio da igreja, porém ainda não tinha encontrado membros, e certamente não queria tirar ninguém do grupo já existente. Enquanto isso participava no louvor juntamente com a Sinal Verde.

    O restante da história já é conhecido: a gravação do compacto, a saída do Carlinhos para permanecer no Rebanhão (ele era integrante de ambos os grupos) e a desestruturação da Sinal Verde, levando ao seu fim em 1983.

    Tal compacto, lançado em 1981, foi um dos primeiros registros de rock cristão nacional (juntamente com as músicas da Comunidade S8), embora as duas músicas apresentadas na obra tenham forte influência da Tropicália. “Pra Você”, a carro chefe possui uma letra direta ao ouvinte, versando sobre solidão e frustração na vida moderna. Nos vocais de Lulu Milazzo, a sonoridade lembra bastante o estilo do Vencedores por Cristo. Moog no instrumental, e várias características de uma balada progressiva. “Assim diz o Senhor”, assim como a anterior de autoria de Lucas Ribeiro possui uma pegada mais acelerada, mas também com o uso de vários vocais, característica marcante do conjunto.

    Pena que o trabalho da Sinal Verde, com forte potencial não foi a frente. O compacto é pouco conhecido, porém ao menos é encontrado disponível na internet para audição e download, para a alegria dos mais saudosistas.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=5xdsxuOFxsI]

  • Ser Ester – E se…

    • E se você se desse conta de que ainda não chegou nem perto de onde poderia ter chegado se não tivesse perdido tanto tempo com coisas que só te afastam de Deus? (Romanos 8.35)
    • E se você aceitasse que o que move o coração de Deus é seu coração quebrantado (Salmos 34.18), não suas palavras vazias?
    • E se você se conscientizasse definitivamente que você custou um preço alto demais para ficar aí nessa vidinha mais ou menos? (Apocalipse 5.9)
    • E se você assumisse que esse preço pago foi bem mais caro do que o que você realmente vale? (1 Coríntios 7.3)
    • E se a figueira realmente não florescer, os campos não produzirem mantimentos e as vacas sumirem do pasto? (Habacuque 3.17)
    • E se você reconhecesse que não sabe dar graças em tudo, mas ainda assim Ele é benigno até com os ingratos? (Lucas 6.35)
    • E se você percebesse que já leu dezenas e dezenas de livros, mas nunca leu a Bíblia inteira? (Provérbios 7.1)
    • E se você revisasse seu dia e visse que teve tempo para tanta coisa, mas não teve nem 2 minutos para Deus? (Mateus 6.33) 
    • E se você contasse e descobrisse que mais importante do que guardar seus sapatos é guardar seu coração? (Provérbios 4.23) 

    MAS…

    • E se você se lembrasse, que mesmo sendo falha e tendo obtido respostas insatisfatórias nas perguntas acima, que Ele escolheu te amar? (João 3.16)
    • E se você finalmente entendesse que não precisa ficar ansiosa, porque é Ele quem cuida de nós? (1 Pedro 5.7)
    • E se você trouxesse à memória só aquilo que te dá esperança e deixasse o resto de lado? (Lamentações 3.21)
    • E se você recordasse que a Palavra te garante que um dia Ele limpará dos seus olhos toda a lágrima? (Apocalipse 21.4)
    • E se você finalmente compreendesse que tens um Pai que te ama e não precisa te dar justificativas dos motivos que Ele tem para te amar tanto? (Romanos 5.8)
    • E se você olhar o sol nascer e ver que Deus está te dando um novo dia e renovando sua Fidelidade sobre a sua vida? Será que você passaria o dia inteiro sem pensar nEle? (Lamentações 3.23)
    • E se você aprendesse que o que te impede de ser consumida pelo mundo é a misericórdia do Senhor?  (Lamentações 3.22)
    • E se você se lembrasse que, mesmo tão fraca, você pode todas as coisas no Deus que te Fortalece? (Filipenses 4.13)

    É, Esterzinhas… a moral da história é que nós somos sim realmente falhas, temos tanto para melhorar que as vezes pode parecer que nem tem jeito para nosso jeito de ser, mas precisamos lembrar que temos um Deus que nos perdoa, nos ama, nos fortalece e nos prometeu uma vida feliz aqui e uma gloriosa Lá.

    Estejam com Deus e até a próxima!

  • Conectados no Amor – As cores

    Os homens são como cores. Cada um tem a sua cor e eles colorem o mundo cada um na sua cor. Mas um homem para ter sua cor vista precisa de luz. Não se vê cores no escuro, apenas tudo preto.

    A beleza das diferenças culturais e artísticas, a criatividade humana, tudo isso reflete a soberania de Deus. Cada pessoa com suas características próprias e suas belas qualidades refletem a criatividade de Deus e Sua vida. Somos criados à semelhança Dele.

    Há pessoas que acreditam que o Reino de Deus é um lugar para pessoas que não tem envolvimento com a cultura, que a “mente de Cristo” é uma espécie de mente que encaixa as pessoas e prende elas a uma forma só de viver. Na verdade, Deus disse que somos o corpo de Cristo e cada um teria sua função e parte. Deus não criou ninguém igual, mas criou pessoas diferentes e especiais para uni-las como em um arco íris com várias cores, cada homem sendo uma cor e Ele sendo o espectro que forma essas cores.

    Mas os homens estão afastados dessa luz. É como se você pegasse um desenho cheio de cores e o colocasse num quarto escuro e por isso não o pudesse ver. Sem a luz divina, somos “inexistentes”. Não temos diferenças, não passamos de algo que não existe, somos pessoas apáticas, e procurando uma forma de viver de verdade e de se encontrar. Deus é a luz que dá a vida as pessoas, que mostram à elas mesmas seus defeitos e suas qualidades. Deus é a própria forma de elas se encontrarem, de se reconhecerem e se verem.

    Não consigo entender como os cristãos não conseguem reconhecer a beleza da criação, dos próprios homens, apesar da queda humana. Somos a sombra de algo real, o símbolo de uma vida maior, a pintura de um lugar incrível que ainda não pode ser visto. Os homens são cegos e confundem símbolos por coisas reais, vivendo na superficialidade, ou são cegos para os próprios símbolos.

    Será que você está no escuro, e não sabe quem é ou é uma lâmpada acesa que sabe o que é e para que vive?

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=T7mInwu3Mwg]

  • Rocklogia – Músicas “seculares” que edificam

    Interrompendo um pouco a linha do tempo da história do rock cristão no Brasil, quero fazer, ao menos uma vez a cada dois meses listas com cinco a dez canções que são músicas “seculares” que edificam (ou seja, músicas comuns que trazem alguma reflexão que de alguma forma lembre conceitos cristãos). Óbvio, que o objetivo da lista não é de levar ao ouvinte a ouvir irracionalmente tudo o que há por aí, mas de levar ao bom senso que existem conteúdos bons e ruins, e que devemos aprender a selecionar com base no que aprendemos e sabemos através de nossas convicções cristãs.

    O nosso dualismo, de sempre dividir o sagrado do profano, o cristão do secular traz certo problema: a fé interfere na amplitude do conhecimento. Atrapalha com que pessoas cristãs conheçam conteúdos sinceros e profundos, assim como pessoas que não compartilham da fé cristã perdem ao se deixarem levar apenas pelo rótulo.

    Como a arte é assimilada e interpretada conforme nossas experiências e vivências neste mundo, eu quero evitar buscar uma intenção original do compositor na escrita de cada canção e muito menos supor intenções cristãs na elaboração dos versos, mas apresentar uma visão particular do que tenho ao ouvir certas canções. Acredito que essa possibilidade seja uma característica belíssima da arte.

    Thiago Junio, da coluna Conectados no Amor, ajudou na escolha de algumas músicas citadas no texto, que também possui uma parte 2.

    “Word on a Wing” – David Bowie

    O camaleão do rock em sua carreira, sempre apresentou, além de versatilidade musical uma visão complexa e ampla do mundo em suas letras. Em meados de 1976, durante a produção do clássico álbum Station to Statio”, Bowie estava vivendo um dos momentos mais críticos de sua vida. Em um vício de drogas, o cantor, mesmo trabalhando fortemente no projeto chegou a um estado tão grande de colapso que não se lembra das sessões de gravação. As composições do disco refletem as sensações ruins de David nesta época, e durante as filmagens do filme The Man Who Fell To Earth, o qual foi protagonista compôs “Word on a Wing”, na qual o próprio artista confirma que se trata de um pedido de ajuda a Deus. “Havia dias de terror psicológico enquanto eu fazia o filme de Roeg que eu quase comecei a abordar meu renascimento, nascer de novo. Foi a primeira vez que eu pensei seriamente a respeito de Cristo e de Deus em sentido profundo, e ‘Word on a Wing’ foi uma proteção. A canção veio como uma completa revolta contra os elementos que eu fazia no filme. A paixão da música era genuína… algo que eu precisava criar dentro de mim mesmo para reagir contra as situações que eu sentia que estavam ocorrendo no set de filmagem”.

    Algo interessante que vejo na letra desta canção é a visão de Bowie que Deus, através da salvação trazida por Cristo nos oferece um novo horizonte fora de nossas ilusões (Nesta era de grandes ilusões você veio para minha vida fora dos meus sonhos).

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=JKMCzzSQWmk]

    “Under Pressure” – Queen e David Bowie

    Bowie foi citado acima, e participou com o Queen na elaboração da canção “Under Pressure”, que foi lançada como parte do álbum Hot Space da banda inglesa. O Queen não é uma das bandas mais demonizadas pelos religiosos de plantão, mas nunca foi muito bem vista por conta do comportamento excêntrico de seu lendário e talentoso vocalista, Freddie Mercury. A canção em si surgiu a partir de um riff de baixo de John Deacon (meu integrante preferido da banda) e a maior parte da letra vem de Bowie. A letra, interpreto como um discurso direto de que infelizmente temos trocado a dificuldade de viver o amor plenamente para que, em nossa preguiça acostumemo-nos a viver sob a pressão do mundo moderno, e o pior, trazendo em proporções exponenciais o mesmo as outras pessoas.

    No B-side do single, temos a canção “Soul Brother”, na qual, escrita e cantada apenas pelo quarteto que caracteriza o Queen e em seus versos remetem a outras músicas da banda. Num estilo de coro gospel, ela está se referindo a Cristo?

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=a01QQZyl-_I]

    “Hey You” – Pink Floyd

    Roger Waters, apesar de odiado por uma parcela dos fãs do Pink Floyd por ter desestruturado a banda é o seu grande compositor. Me arriscaria dizer que ele está dentre os cinco melhores compositores da história do rock, no terceiro, ou no quarto lugar. “Hey You” faz parte de The Wall, uma ópera rock que aborda vários temas, sendo um deles especificamente o isolamento. Considerando nossa contemporaneidade, na qual a solidão tem sido a principal companhia de muitos, a canção encaixa-se perfeitamente em nosso contexto. Mas não é fácil ajudar alguém a sair desta situação, e ao contrário do que reflexões superficiais podem trazer, pessoas ao lado não indicam necessariamente companhia. Precisamos de pessoas ao nosso lado, mas que não nos juntamos por interesses e causas comuns. Assim, continuaremos em frente ao mesmo muro pessoal.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=TFjmvfRvjTc]

    “After Forever” – Black Sabbath

    O principal letrista do Black Sabbath é seu baixista Geezer Butler que, apesar de suas poucas certezas acerca da fé veio de uma família e influências cristãs. Na década de 70, o Black Sabbath em formação clássica alcançava alto sucesso, principalmente por conta do álbum Paranoid. A medida que o som da banda foi ficando mais experimental, o grupo foi mostrando seu ecletismo. No álbum Master of Reality, Geezer escreve “After Forever”, que praticamente é uma resposta indireta as acusações sem sentido de que o Black Sabbath era uma banda satânica. O conteúdo da letra, que se refere à questões cristãs, é sem dúvida mais coerente biblicamente que muitas coisas intituladamente “gospel” que temos por aí…

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=X9ldb4r7vP0]

    “Ouro de Tolo” – Raul Seixas

    Trazer Raul numa dessas listas não é algo fácil, porque além dos vários olhares pejorativos que sua obra ficou presa para alguns, suas canções são complexas e, no geral sempre fugiram do patamar comum. Um de seus primeiros sucessos, “Ouro de Tolo” é uma crítica direta ao “milagre econômico” vivenciado no início da década de 70, durante os difíceis anos de ditadura militar. Apesar disso, sua letra continua muito atual. O consumismo desenfreado humano, que cada vez mais dá mais valor as coisas do que pessoas leva a um pensar utópico e fútil de se levar a vida. E o que isso tem a ver com cristianismo? Tudo. As palavras e ações de Cristo refletiam uma preocupação acima de tudo com as pessoas. Quais são os nossos valores e de nossas vidas?

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2kRMdzfFf8M]

    “O Vencedor” – Los Hermanos

    Amada e odiada por muitos, a banda Los Hermanos foi uma importante representante do rock brasileiro nos últimos anos. “O Vencedor” é um de seus hits pós-Ana Júlia, e reflete, nos versos de Marcelo Camelo a busca desenfreada em ser um vencedor, acrescida muitas vezes pela competição. O eu lírico, ao invés de, irracionalmente correr atrás exclusivamente por conquistas positivas, afirma que chorar é uma glória, e quem tenta o caminho comum não terá todas as experiências de quem decide experimentar também os lados frustrantes da existência humana. Devagar, sem pressão (lembrei-me de “Under Pressure”) damos amor e valorizamos mais as pessoas do que as coisas.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2b4mkBM2A-k]

    “O Amor existe, mas não querem que você acredite” – Selvagens à Procura de Lei

    Está aí uma banda que tem atraído a atenção do público e da mídia especializada e que daqui a uns anos pode-se tornar um dos grandes nomes do rock nacional nesta década. De Fortaleza, Ceará, os Selvagens à Procura de Lei lançaram “O Amor existe, mas não querem que você acredite”, no segundo álbum do grupo, em 2013. Quando ouço esta música, fico pensando principalmente nos perigos escondidos no mercado do trabalho e nas relações sociais atuais, como a competição, a falsa demonstração de afeto e a interação com outras pessoas na busca de benefícios (como o tão famoso e divulgado networking). Em nosso mundo ocidental, parece que fomos rendidos pelo individualismo. Quem gosta da música de John Lennon deve perceber alguma influência sonora nesta canção.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=E0l3r8QEhr4]

  • Limão com Mel – Acabou o sal?

    Ultimamente o Facebook tem sido palco de diversos vídeos exibindo performances musicais e pregações em igrejas evangélicas sempre seguidas de uma enxurrada de críticas. Não podemos negar que com a forma vertiginosa em que vem se aumentando o número de denominações, aumentam também os costumes, as permissividades e aquilo que antes poderia ser tido como “marca registrada” do povo evangélico talvez não faça mais tanto sentido.

    Não se trata de certo ou errado, pecado ou não, se vai pro céu ou não, afinal, quem somos nós pra determinar o que fazer pra herdarmos a vida eterna? Todas essas respostas já estão publicadas na Bíblia. Mas essa é outra questão: a igreja atual lê a Bíblia? Às vezes fica a sensação de que os “moveres” dentro das igrejas são muito mais importantes que a leitura bíblica em si. O importante é que Deus se faça presente, e qual a melhor forma de comprovar sua presença que com rodopios, sinais de poder, línguas estranhas, profecias e profetadas e uma série de outras coisas tão em voga?

    Assim como no mercado empresarial, a concorrência entre igrejas hoje é algo evidente e as estratégias para vencer a concorrência são as mais variadas. Igrejas que antes eram bastante rígidas tornaram-se mais flexíveis sob o risco de ficarem vazias. Mas aí surge outro problema: igrejas cheias de pessoas vazias. O que é pior?

    Já percebeu como o mundo vem embrenhando nas igrejas de forma sutil e quase imperceptível? Sempre com alguma justificativa “plausível” trazemos aquilo que é mundano para dentro das igrejas. Não raro hoje ver igrejas que fazem seus próprios carnavais, festas juninas, arraiás, baladas e afins. Afinal, quem disse que precisamos ser diferentes?

    Certamente se Daniel e seus amigos vivessem hoje, não teriam se abstido dos manjares do rei. Talvez não tivessem visto nada demais em comer aquilo que lhes era oferecido pelos pagãos. Mas será que a diferença notável entre eles e os demais mancebos da época teria sido notada?

    Que sal temos sido? Que luz temos sido para o mundo?

    “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens”. (Mateus 5, 13).

  • Baús e Vitrolas – Aclame ao Senhor

    O Baús e Vitrolas de hoje traz uma das canções mais cantadas nos últimos tempos, Shout To The Lord, ou como ficou popularmente conhecida no Brasil: Aclame Ao Senhor.

    Composta aproximadamente em 1993, por Darlene Zschech, uma das maiores ministras de louvor da atualidade, Shout To The Lord tem uma história peculiar. A canção teria sido composta em um período intrigante da autora, quando ela e seu esposo sofriam dificuldades financeiras, com dois filhos. Há relatos, inclusive, de que Darlene teria composto Aclame Ao Senhor após receber o convite para tornar-se líder de louvor na Hillsong Church. Mas Darlene teria escrito este hino, exatamente em um dos quartos da casa do casal Zschech, onde os brinquedos eram guardados, e havia um piano. Ao tocá-la, pela primeira vez, ao então pastor de música da Hillsong Church, Geoff Bulock, ela teria feito um pedido a ele, para que ele virasse o rosto, enquanto ela tocava e cantava a canção.

    Baús e vitrolas - Vinil Mini aclame ao senhorShout To The Lord foi gravada, pela primeira vez, em 1994, no álbum People Just Like Us (Gente como Nós), e já foi regravada em mais de duzentos álbuns, por diferentes artistas e em vários idiomas. Entre eles, Rivers OfJoy, de Don Moen, em 1995; Authentic, de Chris Tomlin, em 1998; Diante do Trono, pela Igreja Batista da Lagoinha, em 1998; Em Tu presencia, com Don Moen, em 1999; Aclame ao Senhor, pela Igreja Batista da Lagoinha, por convite da Integrity Music, em 2000; e mais recentemente pela própria compositora, em seu mais recente álbum ao vivo, Revealing Jesus, em 2012. Outros grandes nomes da música cristã internacional, como Sandi Patty, Michael W Smith, Kevin Jonas, Rich MullinsMatt Redman também a regravaram.

    Shout To The Lord é também a faixa que intitula o primeiro álbum, da Integrity Music, produzido e liderado por uma ministra de louvor, sendo disco de ouro nos EUA, e chegando a ser indicado ao Dove Awards 1997, como álbum de louvor e adoração do ano, e ganhando na categoria de canção do ano, pelo Dove Awards 1998. Ela ainda foi cantada para personalidades como o Papa, e o presidente dos EUA.

    Em abril de 2008, no American Idol, a canção foi executada com a letra alterada, substituindo a palavra “Jesus”, do primeiro verso, por “Pastor”, o que não obteve aprovação nem de Darlene, nem da Hillsong Church. E a canção precisou ser regravada com sua letra original, na abertura do show da noite seguinte, a pedido da equipe do Hillsong.

    Estima-se que este hino seja cantado ao longo dos anos, por cerca de mais de 20 milhões de pessoas, a cada fim de semana, pelo mundo todo.

    No Brasil, além de Ana Pala Valadão que consagrou sua versão em português da canção, com o ministério Diante do Trono, a Igreja Bíblica da Paz e o cantor PG também a regravaram.

    O fato é que Shout To The Lord tornou-se um sucesso, e mesmo após 20 anos de seu surgimento entre as ondas sonoras que ecoam sobre o planeta, milhares de vidas têm sido alcançadas pelas promessas incomparáveis cantadas entre seus versos.

    E sobre tudo o que a canção tem provocado no mundo todo, Darlene diz: “Eu não posso tomar nenhum crédito pelo impacto dela. Deus decidiu colocar Sua bênção sobre esta canção”.

    Assista à canção, regravada recentemente no álbum ao vivo de Darlene Zschech, Revealing Jesus, com Michael W Smith:

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=tk5yLJbQCbI]

  • Rocklogia – Os Cantores de Cristo

    Além das bandas já comentadas aqui na Rocklogia, tive a oportunidade de conhecer alguns títulos do grupo Os Cantores de Cristo. Na proposta jovem dos anos 70, Os Cantores de Cristo é talvez a primeira banda de rock cristão do Brasil (surgiu praticamente na mesma época que o Êxodos ou até mesmo antes). Surgiu no Rio de Janeiro.

    Segundo entrevista ao portal Arquivo Gospel (leia aqui), a banda afirma que surgiu como um conjunto vocal em 1968, adicionando elementos instrumentais anos depois. Dos anos em que esteve ativo, saíram quatro álbuns, nos quais são: Olhando o Infinito, de 1973, Bonança, de 1975, Pra Você, de 1979 e Manso e Suave, de 1982. Lançado pela gravadora Favoritos Evangélicos, “Bonança” provavelmente foi o lançamento mais relevante do grupo. Sonoramente temos uma banda pop rock, com elementos tímidos do progressivo influenciados pelo grande Pink Floyd, formando uma sonoridade já ousada para a época, mas com letras ainda bem diretas sobre o cristianismo. O destaque maior vai para os arranjos vocais.

    Após o fim do grupo, alguns integrantes tentaram seguir como um grupo vocal, mas o projeto se dissolveu antes dos anos 2000. Com o fim da gravadora Favoritos Evangélicos, o material da banda tornou-se uma raridade.

    A antológica música “Arca” de Janires, gravada no álbum Janires e Amigos, mais tarde creditado como álbum do Rebanhão cita Os Cantores de Cristo, mostrando a relevância do grupo na época.

  • Ser Ester – Especial Pamela

    Ela faz sucesso desde a adolescência, tem uma carreira consolidada, emplacou vários hits, é referência para jovens de todo o Brasil e… é linda. Sim, senhoritas! Estou falando da cantora Pamela. Hoje, o Especial da SER ESTER é com ela.

    Vem conferir que está super! Tem entrevista, raio X de estilo e muitas dicas.

    ENTREVISTA

    1- Você é uma referência de beleza para jovens de todo o Brasil. Como você encara essa responsabilidade de saber que o que você usa e faz influencia tantas garotas? Isso pesa em algum momento?

    Isso não pesa pra mim não, mesmo que acabe sendo uma responsabilidade, porque meu gosto em relação a moda, a beleza é bem comportado e me visto pra ficar bonita, não sensual. Eu uso o que gosto e acho super legal jovens curtirem o que eu uso.


    2- Você aparenta gostar de moda e, por vezes, mostra em seus looks referências atuais do mundo fashion, como as calças estampadas, por exemplo. Você acompanha as novidades da moda? Tem essa preocupação em seguir tendências?

    Eu gosto de moda, acompanho o que esta na moda, mas se eu não gostar não adianta que eu não uso. Muitas vezes eu misturo tudo que eu curto e fica bem legal. Acompanho alguns blogs de moda e acho super bacana, é bom pra gente ficar por dentro e dá mais ideias pra inventar e fazer a minha moda.


    3- O que não pode faltar no seu guarda-roupa? Que peça de roupa ou acessório é fundamental na composição do seu estilo pessoal?

    O bom e velho Jeans! Da pra usar em qualquer situação e combina com tudo! É tiro certo! E eu amo usar Jeans. Misturo com um Blaser, uma T-Shirt, coloco uns acessórios e já estou pronta. Estou usando muitas pulseiras, misturo várias e isso ajuda a compor o look. Acho que isso ajuda sim a fazer o estilo e uma pessoa.


    4- Quais são seus principais rituais de beleza? Você segue uma rotina de cuidados com o corpo?

    Eu faço algumas coisinhas sim… Malho de 3 a 4 vezes por semana (quando dá e quando eu estou no RJ) gosto de correr e faço musculação. Fazer as unhas uma vez por semana é obrigatório! Costumo hidratar os cabelos em casa. Agora estou curtindo usar os cabelos cacheados, comprei o Miracurl e estou amando! Limpeza de pele uma vez por mês (como uso maquiagem todos os dias é fundamental!), Pelling de Cristal a cada 15 dias. Uma vez por semana faço massagem e drenagem. Agora estou loira então tenho que retocar as mechas a cada 2 meses.


    5- Você já está com 30 anos, mas com cara de 18. Como faz? [É mágica, genética, campanha de oração por colágeno?]. Você é ligada a cosméticos e tratamentos estéticos? Você pode nos contar algum de seus truques para manter a pele sempre bonita?

    Eu tenho certeza que é genética! Obrigada Jesus! Mas há dois anos comecei a usar uns creminhos pra o rosto, pra o corpo, uso filtro solar todos os dias, tenho me alimentado melhor, cuidado mais da minha saúde. Isso reflete muito no nosso corpo. Eu vou sempre a minha dermatologista e ainda não tomo colágeno! Toda vez que vou malhar levo uma garrafinha de água gelada com um saquinho de gelatina light e bebo tudo durante meu treino.


    6- Embora atualmente o tema já seja comum em nosso meio, a divulgação gosto pela moda ainda não é unanimidade entre todos os segmentos evangélicos. Para você, existe algum limite na moda para uma pessoa evangélica? Se sim, qual? O que você não usa/usaria?

    Claro que existe limite! Não uso nada que venha me deixar sensual, decotado… Temos que nos vestir com decência sem ser vulgar. Tem muitas meninas que não usam calça porque algumas Igrejas não permitem, mas usam saias super curtas e apertadas, eu não acho legal usar saia assim.


     

    7- Você mulher, cristã, tem uma carreira sólida, é casada e ainda arruma tempo para ser linda. Para nós, isso é Ser Ester! Como você faz para ser essa Ester que é uma mulher moderna e bonita, mas não descuida de sua vida espiritual e comunhão com Deus?

    Dá trabalho, não é fácil mesmo, mas temos que da um jeito! Eu acordo cedo e procuro dormir cedo (quando dá), tenho um marido que me ajuda também. Tenho que saber organizar a minha agenda pra dar tempo pra tudo, e graças a Deus dá! Procuro estar na minha Igreja nos cultos de domingo ou quarta-feira. Ainda faço escola Rhema todas a terças a noite e estudo inglês duas vezes por semana. Além de estar sempre viajando pra louvar . Posso dizer que dá tempo sim! Se a gente quiser e se organizar dá tempo sim. Tem que ter foco!


    RAIO X: PAMELA

    Combinando com a música pop que apresenta, Pamela tem um estilo bastante jovial e que super serve de inspiração. O visual padrão é calça, geralmente skinning, combinada com blusa ou T-Shirt com algum charminho, seja estampa, brilho ou aplicações. Acessórios múltiplos são obrigatórios na composição do estilo da cantora.

    TENDÊNCIA

    Antenada, ela gosta de usar referências e informações de moda para montar seu visual. Um hit das últimas temporadas que ela tem usado bastante é a calça estampada.

    A dica básica para usar essas peças é procurar optar pela parte de cima mais discreta, ou em cores neutras ou lisas em alguma cor que tenha destaque na estampa. Pamela gosta de combinar com o bom e velho branco. No look da penúltima foto, a cantora fez uma composição interessante com duas estampas. Nesse caso, esperta que é, ela usou peças com padronagens diferentes, mas cores familiares.

    MONTAGEM 1

    JEANS, JEANS, JENS…

    Pamela já nos falou que ama um bom jeans. Skinning, reto, liso, com lavagem, colorido, rasgado, estampado… não importa. A calça jeans é uma grande aliada na composição de visuais desde os mais descolados até os mais arrumadinhos e sérios. Ela segue aquela nossa velha regrinha: se a calça é justa, a parte de cima, geralmente, é mais larguinha ou comprida para equilibrar as proporções visuais. A combinação que ela gosta de apostar é com T-Shirt e paletó. Um charme.

    MONTAGEM 2

    SAIAS E VESTIDOS

    Já sabemos que a Pamela não apoia saia curta. Em eventos, a cantora geralmente usa calças, mas quando aposta em saias e, especialmente, vestidos, ela opta por modelos comportados e de preferência longos. Modelos mais curtos ganham o complemento de uma calça justinha para ajudar a deixar tudo devidamente comportado.

    MONTAGEM 3

    ACESSÓRIOS 

    Se o corte dos looks é simples, Pamela potencializa o visual com muitos acessórios. A cantora já nos contou que está curtindo a onda do pulseirismo, que basicamente é a mistura de estilos de pulseiras no mesmo pulso. A onda é combinar descombinando, colocando juntas peças de materiais, cores e formas diferentes.

    Outro acessório que está sempre rondando as composições da cantora é o cinto. Os modelos são quase sempre largos e chamativos, geralmente com uma influência country, seja pela cor marrom, pelas franjas ou fivelas. Esses modelos mais destacados e, especialmente, os localizados abaixo da linha do umbigo funcionam bem para quem, como ela, tem o copo pequeno. Para quem for mais cheinha, uma boa aposta são os cintos marcando a cintura, pois eles afinam a silhueta.

    MONTAGEM 4

    CABELO, BELEZA E CUIDADOS CORPORAIS

    Pamela é bastante cuidadosa com os cabelos, afinal, quem tem fios claros, principalmente tingidos, deve ter cuidado redobrado para mante-los sempre bonitos. Ela faz hidratação em casa e retoca as mechas bimestralmente. Para quem gosta de cuidar das madeixas, não faltam opções boas e baratas para a hora de deixar os cabelos macios e saudáveis.

    Um item que ela disse que tem e está gostando muito é o Miracurl, o chamado babyliss mágico. O produto está fazendo um super sucesso pela praticidade e por apresentar excelentes resultados até nas mãos de quem não tem experiência com os modeladores tradicionais. Para quem gosta de cachear os cabelos, essa é uma ótima pedida. Várias marcas já estão produzindo seus modelos e o preço vem diminuindo. Vale a pena apostar.

    Quanto à pele e corpo, a dica da gelatina é sensacional. Para quem não sabe, a gelatina é rica fonte de colágeno, uma proteína que previne a flacidez e ajuda a impedir deformação dos tecidos. Ela ainda ajuda a prevenir doenças, como artrose e osteoporose, alem de ser uma ótima aliada na cicatrização. Gelatina é show.

    MONTAGEM 5

    E então, meninas, curtiram nosso especial com a querida Pamela?

    Fiquem ligadas que estamos preparando novos especiais e as tags de sempre.

    Estejam com Deus e até a próxima!

  • Rocklogia – A conversão de Janires

    É extremamente difícil fazer uma linha do tempo quando os fatos entrelaçam-se. A conversão de Janires ocorre na mesma época de fatos já mencionados em outras postagens (leia a reflexão sobre as igrejas da década de 70 e a história da banda Êxodos).

    Pouco se sabe da vida pessoal do músico durante a época de conversão e início da vida cristã, e mais ainda a respeito da infância. Janires era capixaba, não conheceu o pai (que abandonou a mãe ainda pequeno) e, por motivos ainda não muito bem esclarecidos envolveu-se na criminalidade e uso de drogas (creio que por uma moda da época). Nenhum destes problemas, entretanto afetou negativamente a clara proficiência do músico em compor, e sua visão de mundo. Talvez, apenas enriqueceu.

    Tendo contato com realidades as quais a maioria dos cristãos não possuem, Janires tinha liberdade e cacique para falar das coisas da vida, suas frustrações, alegrias e tristezas. Por conta de um milagre, ao invés de ser condenado por um crime que cometeu, foi confundido com outro detento e parou numa casa de recuperação duas vezes. Foi ali que ele e sua mãe conheceram a Cristo. Mas, como a realidade é nua e crua, Janires ainda não conseguiu manter-se completamente limpo após a conversão. Teve recaídas, todavia se levantou. Frequentou a Igreja Cristo Salva, em São Paulo e realizou algumas atividades musicais, dentre elas um cassete amador chamado “Rebanhão”, com dez músicas autorais. Rebanhão, mais tarde se tornaria o nome da banda que fundaria. Muitos consideram o Rebanhão como este grupo que Janires gravara na igreja do tio Cássio, entretanto o curso da história evidencia que o grupo propriamente dito começaria no Rio de Janeiro.

    E a ida para o Rio de Janeiro, segundo Janires era uma direção de Deus. Ele queria que aquele projeto começasse lá. Passou a frequentar a igreja Presbiteriana de Copacabana, e sua aparência surpreendia a todos: era extremamente simples. Não ajuntava riquezas, não tinha vaidades, mas possuía palavras e visão de mundo que poucos apresentavam. Eis aí, um gênio, a frente de seu tempo.

    Após ser ajudado por irmãos na fé, era tempo de Janires fazer o mesmo por neófitos. O primeiro foi Pedro Braconnot. Tecladista e compositor, vindo de família católica, era desinteressado pelo cristianismo. Acreditava que Deus não existia, e se existisse estava bem alheio de sua vida, e não compreendia os protestantes. Pedro participou de um acampamento em Juiz de Fora, e se converteu. Tentou largar as drogas e bebidas, mas teve dificuldade. Foi Janires, que teve experiências semelhantes a Pedro que o ajudou a se levantar, num processo de altos e baixos. Juntos, foram os primeiros integrantes do que se tornaria o Rebanhão (mesmo que em São Paulo Janires tenha feito algo semelhante). E, curiosamente ambos compuseram a maioria das melhores músicas já gravadas pelo grupo. Diante disto, será que podemos afirmar que as múltiplas experiências (incluindo as negativas) nos dão ampla visão de nossos objetivos como cristãos, também enriquecendo a criatividade?

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=KUb4s_L24fs]

    “Etc e tal”, uma das canções do cassete do Janires. A crítica de Janires, no final da década de 70, soa atual por conta da popularidade da teologia da prosperidade.