Categoria: Colunas

  • Rocklogia – Princípio

    Após dois álbuns de sucesso, mas mornos, em junho de 1989 finalmente o Rebanhão se redime com os entusiastas das obras de Janires que, naquela época já tinha falecido, chegando ao seu melhor projeto em formação clássica.

    O contrato com a PolyGram se encerrou, e a banda passou a fazer parte do cast de uma pequena gravadora em início, que mais tarde se tornaria uma gigante nos anos 90: a Gospel Records. Princípio foi o primeiro álbum lançado pelo selo, e se destaca pela intensa participação de Pedro Braconnot. Enquanto, antes era Carlinhos Felix que assinava a maioria das músicas e indiretamente traçava os rumos do grupo, Pedro traz a veia crítica que existia na época de Janires. A começar por “Palácios”, que tornou um forte discurso unido as vozes do público nos shows que a banda cantava, principalmente pelos versos da ponte: “aonde está a honra dos orgulhosos? A sabedoria mora com gente humilde. Liberdade, liberdade”. Sua letra é intensa, forte e é por conta disso que, mesmo escrita para o álbum anterior, foi guardada por receios do compositor. Mas ainda bem que ela foi lançada.

    Pedro também assina “Metrô” (na voz de Carlinhos), “Fronteiras” (com fortes características acústicas), “Arsenal” e “Grito de Silêncio” (co-autor com Carlinhos). Carlinhos Felix assina “Grito de Silêncio” com Pedro, “Má Sensação”, “Ele te Ouve” e o hit “Selo do Perdão”. Também canta a faixa-título escrita por Lucas Ribeiro, que faz uma forte crítica ao desmatamento da natureza, que é criação divina. Paulo Marotta, pela primeira vez na banda é autor de uma canção, “Muro de Pedra”, que faz uma crítica às guerras causadas por “revoluções”, centradas em ideais como o comunismo e capitalismo, versando que a revolução que muda o mundo não começa nas ações, e sim na mudança de coração.

    Muitos músicos cristãos citam Princípio como um dos melhores álbuns do nicho. O produtor musical Leandro Silva, ex-tecladista do Toque no Altar, por exemplo disse, em entrevista ao Super Gospel que “junto com Mais Doce que o Mel revolucionou a forma como todos ouviam música na época”. Somente a canção “Palácios” recebeu várias regravações, de músicos como Fernanda Brum, Carlinhos Felix, Promisses, Paulinho Makuko e outros. Inclusive, João Alexandre a cita em uma de suas canções, “Tudo é Vaidade”.

    O lançamento do álbum foi realizado na casa de shows Rio Sampa, e o grupo viajou por todo o país. Só em Brasília, em 1990, a banda apresentou-se mais de uma vez. Um show no Teatro Nacional foi gravado por uma das pessoas no público, e pode ser encontrado no YouTube. O repertório conteve, em grande maioria de canções dos álbuns Princípio e Novo Dia.

    Ainda, em 1990, após cerca de seis anos com a banda, o baterista Fernando Augusto (Tutuca) sai do grupo, e a banda prefere não substituí-lo, trabalhando com um baterista do meio “secular” como músico convidado. Foi com este mesmo baterista que o trio gravou o álbum seguinte, mas isto é assunto para outro post…

    A respeito da composição “Palácios”, o Rebanhão publicou um minitexto recente, em sua página no Facebook.

    A música Palácios, composta por Pedro Braconnot e gravada pelo Rebanhão em 1989, não perde a atualidade. Ainda hoje vemos que o poder da política, o poder do dinheiro e o poder ilusório das drogas tentam dominar a sociedade. Mas sabemos que eles não podem vencer o “sol da justiça”. Palácios foi composta em 1987, mas Pedro tinha receio de que a canção recebesse muitas críticas pela abordagem forte de sua letra. Por isso, ela só foi gravada dois anos depois no CD Princípio, o primeiro da gravadora Gospel Records. Palácios foi uma das músicas mais visualizadas nas redes sociais e a composição mais regravada do Rebanhão, por artistas como Carlinhos Felix (em sua carreira solo), Paulinho Makuko e Fernanda Brum.

  • Um Brinde – Ainda somos estrangeiros (não esqueça)

    Um Brinde – Ainda somos estrangeiros (não esqueça)

    Período pós-eleições, resultados pouco satisfatórios, rumores de fraudes e, o que mais me intrigou é a quantidade considerável de pessoas querendo sair do Brasil. Mas isto não seria fugir do problema?

    Percebo que muitas vezes pegamos o exemplo de Jesus [No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33] e aplicamos somente para questões pessoais, ignorando totalmente que as aflições que Jesus citou é sobre o Mundo. No mundo teremos aflições. Mas não somos do mundo. Somos estrangeiros. No Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália ou qualquer país que você deseje morar, haverá aflições, pois estes locais fazem parte do mundo. Fugir de um problema não é a solução para a dor. É considerável que amenize, mas do que isto vale?

    Carrego comigo uma teoria que, para mim, é eminente rever e reaproveitar o que digo: trazer a responsabilidade para si, ao invés de ficar apontando culpados. Não foi o nordeste que elegeu a Dilma como presidente, foi o Brasil. E se houve esta (re)eleição, houve razões mesmo que subjetivas para o fato acontecer. Durante todo o período eleitoral, não me manifestei sobre o assunto para não falar coisas com coisa que não tem nada-a-ver-com-nada sobre o tema. Porém, como ministro da palavra de Deus e um mero servo de Cristo – assim como também tenho um espaço no portal – decidi dar uma pausa nos textos autobiográficos e poéticos para alertar os cristãos (sejam eles evangélicos, católicos, espíritas) de que eles já são estrangeiros aqui. Não odeie sua pátria, mas também não a ame mais do que a Divina Cidade que um dia iramos morar com Cristo! Ignore os rumores “demonizados” sobre quaisquer hipótese de governo. Não é de hoje que o mundo já é do maligno, e o nosso Jesus não pediu ao Pai para nos tirar do mundo, mas que nos livra-se do mal (João 17:15). Sabendo disso, analise sua condição de servo de Cristo e, ore por nosso país, governantes e que a misericórdia de Deus continue nos alcançando (Lamentações 3:22)

    Um brinde ao reino de Deus e oremos por nossa nação (aqui na Terra)!

  • Conectados no Amor – Eleição

    Eleição é época de tudo.

    Eleição é época de perder amigos.

    Eleição é época de ouvir comícios e carros chatos fazendo propaganda na rua.

    Eleição é época de propaganda eleitoral (pra rir bastante também).

    Eleição é época de decisão.

    Eleição é época de sujeira nas ruas.

    Eleição é época de burrice.

    Principalmente burrice.

    Mas não é de burrice que quero falar.

    Quero falar de corrupção.

    Falou em corrupção, o normal é pensar em política. Política lembra corrupção e corrupção lembra política.

    Mas não quero falar de corrupção na política.

    Quero falar de corrupção no povo que reclama tanto dos nossos governantes. Das pessoas que furam filas, que querem receber mais pelo pouco que fazem, de estarem descontentes pelo pouco, mas serem ambiciosos de tal forma a transformarem homens em objetos, da inveja, da falta de amor, e de outras “corrupções”que não vão caber aqui.

    De que adianta criar políticas de igualdade social, se continuamos individualistas? De que adianta a formulação de leis ambientais, de sustentabilidade, se continuamos consumistas e amantes de objetos?

    Com políticas e leis, nossos problemas são apenas retardados, mas não cancelados, nossa auto destruição fica apenas mais lenta.

    Pois nosso caos não vai acabar se continuarmos tentando lutar contra o fruto, consequência de nossas atitudes. É a lei da ação e reação. Não adianta querer mudar os frutos, não adianta tantas leis para segurar a raça humana. As leis apenas nos seguram até um certo limite, depois elas mesmas se tornam armas nas mãos dos indivíduos.

    Não adianta se julgar como uma pessoa boa, se na primeira oportunidade de ver sua bondade, aquele conceito de si não mostra as ações. Há uma espécie de doença, vírus, comendo cada pessoa no mundo, sem exceção. E se o vírus não for curado dentro de nós mesmos, o mundo não vai mudar, e a morte bate na porta da casa do nosso planeta. Esse vírus pode ser chamado de um monte de coisa, mas resumindo, aponta em uma direção só: destituição da glória de Deus. E a única forma de receber a cura, é percebendo que estamos doentes pois um são não procura médico.

    Quer a mudança de um país para melhor? Mude a si mesmo e reconheça a própria falha. O resto é só tentativa de tapar o sol com peneira. E por último, a verdade é sempre a mesma: quem nos representam é sempre o nosso ego, ou seja, o governo representa o povo, se o povo é corrupto, o governo será corrupto.

    Antes de mudar o mundo, mude a si mesmo.

  • Rocklogia – Sobre resenhas-críticas e a irritação de fãs

    Paro a linha do tempo dos últimos posts para trazer à tona um tema curioso e que, de certa forma é de interesse geral. Na internet, com a popularidade de listas dos “melhores”, dos “piores”, resenhas-críticas de filmes/livros/músicas que causam raiva em fãs, fico me perguntando os motivos pelos quais isso acontece. Aliás, não é apenas no campo cultural, mas em toda a esfera das relações humanas, ter uma opinião distinta dói e machuca. Ainda me pergunto o porquê.

    Antes de tudo, é importante citar que existem dois tipos de resenha, nas quais um leitor atento perceberá sem dificuldades: a resenha-resumo e a resenha-crítica. Existe um artigo sobre as duas modalidades bastante útil publicado pela PUC-RS, no qual pode-se acessar aqui.

    A resenha-resumo, como supõe seu nome tem como objetivo e característica o resumo de uma obra, de caráter exclusivamente informativo, ou seja, evitando qualquer exposição de opiniões do autor acerca do conteúdo. Este tipo de resenha é encontrado em alguns portais e blogs.

    Por outro lado, a resenha-crítica incorpora os elementos da resenha-resumo e vai além, elucidando a avaliação do autor sobre o objeto tratado, seja ela positiva ou negativa. E como tudo que há opinião, este tipo de resenha é a mais polêmica.

    Principalmente no meio gospel, muitas vezes as resenhas são intituladas de “análise”, em uma única categoria, que podem abrigar tanto resenhas-resumo e resenhas-críticas.

    Por que as pessoas se estranham ou ofendem com resenhas-críticas?

    O primeiro motivo, e um dos mais comuns é a assimilação incorreta do texto e sua modalidade. A principal crítica feita pela maior parte dos leitores, nos mais diversos portais e blogs é a tomada de opinião por parte do autor. Ora, se o texto é uma resenha-crítica, por obrigação deve conter a visão do resenhista. Se não houver tal análise, deixa de ser resenha-crítica para se tornar uma resenha-resumo. E se o leitor não deseja uma opinião do escritor, é mais adequado para ele ler um verbete da Wikipédia, por exemplo.

    Outro ponto, de ocorrência mediana são detalhes e outras questões relativas a obra nas quais o autor não abordou. Isso pode ocorrer quando o texto é superficial ou quando o escritor preferiu tratar de outras questões: afinal, é praticamente impossível sintetizar em poucos parágrafos todo o conjunto de percepções que um trabalho pode trazer. É neste ponto que mora a beleza de uma resenha-crítica. Quantas vezes você já leu um texto desta modalidade e leu sobre coisas nas quais você não tinha notado anteriormente?

    Infelizmente, quando envolve-se o meio gospel, um problema ainda maior aparece: há a impressão, na maior parte das pessoas que a música cristã é diferente da não-cristã. E sim, é, no aspecto lírico. Mas, uma resenha não pode-se apegar a isto, muito menos em motivações bem intencionadas do músico, até porque o que está sendo avaliado é a qualidade final da obra, não suas intenções. Se não fosse isso, dentro da história do rock, discos desastrosos não teriam sido rechaçados pela crítica especializada. Sinto que a reação do público, principalmente dos fãs mais fervorosos do gospel em nada se distingue do público secular, embora agrava-se por se embasarem e esconderem em questões sérias, como a evangelização, o “feito para agradar a Deus” para justificarem o resultado pouco feliz de um projeto. Ora, uma resenha-crítica não deseja delimitar o efeito de um disco no Reino de Deus, mas apenas de analisá-lo sob uma ótica completamente racional e desligada de fatores emocionais.

    Dado isso, é importante salientar que as resenhas-críticas, antes de tudo devem ser interpretadas como uma essencial opinião, mesmo que ela venha a contradizer todo o seu espectro de ideias acerca de uma obra. Vale salientar, também que cada autor possui o seu estilo. Alguns mais comedidos, sutis, outros mais diretos, aparentemente ofensivos, mas no geral enquadram-se dentro do gênero. Ademais, é relevante não confundir o veículo (que pode abrigar vários autores) com o escritor. É por conta dessas e outras que não se responsabilizam pelas expressões de seus colunistas.

  • Ser Ester – A moda do desapego

    Um dos primeiros textos que escrevi aqui na Ser Ester foi “7 Motivos Para você comprar em Brechó”, que apresentava boas razões para conhecer mais sobre essas lojas que podem ser ótimas aliadas do estilo e do bolso.

    Hoje, vamos falar de outra forma bem bacana de moda consciente: o Desapego.

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    Em via de regra, a lógica é a mesma de um brechó: adquirir roupas e acessórios novos ou seminovos com precinho amigo. A diferença é que nos Desapegos, normalmente, as ações de compra, venda, ou mesmo trocas, são feitas entre as pessoas, sem qualquer intermediário.

    Nas grandes cidades já são feitos eventos exclusivos para Desapego, onde cada menina leva os itens que não usam mais, desde que em bom estado, e elas negociam entre si. Para quem mora longe dos grandes centros, existem opções pela internet. Vamos ver algumas:

    Site Intermediador

    logo-desktop-x1-ded73da7495bddae3335e447005faad9Existem sites como o Enjoei onde, por meio de um login, a pessoa pode criar sua lojinha. Ali, o usuário disponibiliza os itens que deseja vender de forma bem facilitada e tem à sua disposição uma relação de cerca de 1,5 milhões de produtos prontos para serem comprados. O site administra os pedidos, faz propaganda, paga o frete e disponibiliza sua estrutura para pagamento facilitado em cartões e boletos, para isso, cobra uma comissão de 20% do valor de venda do produto. Compensa mais que promoção de sapatos “Pague 2 e leve 4” ok, exagerei aqui.

    Sites Especializados em Compra/Venda

    OLX-ou-Bom-Negocio-qual-e-o-melhor-classificadoQuando pensamos em Desapego sem intermediários, os principais sites são os já famosos OLX Bom Negócio, que disponibilizam espaço para compra e venda de produtos que vão de filhote de cachorro a vestido de noiva, passando por carros e sapatos. Nesses sites, o vendedor, por meio de login, publica seus próprios produtos e é contatado pelo comprador diretamente, negociando com este todos os detalhes de pagamento e entrega. Mais simples que fazer gelatina com receita.

    Facebook

    fb_icon_325x325O Facebook também já conta com diversos grupos de Desapego que são ainda mais informais os anteriores. Os grupos são, normalmente, criados de forma espontânea para intermediar as operações entre os membros. Por vezes, esses grupos são por região, de forma a facilitar a entrega dos produtos. Um dos maiores que eu conheço e tem alcance nacional é o Nem Tudo é Farm, que tem quase 5 mil membros e uma vasta quantidade de peças de grandes marcas. Para entrar basta enviar uma solicitação de participação. Ali, tudo é feito diretamente entre as partes (aquela que usa termos jurídicos). Do pagamento ao envio, tudo é resolvido via inbox.

    Então, meninas, ninguém mais tem desculpas para dizer que o guarda-roupas está desatualizado ou que não compra roupas por causa da falta de $$$$$. Hoje em dia, você pode até trocar as peças que já enjoou por outras inéditas.

    É uma nova e boa via de consumo econômica e divertida.

    Vamos tentar?

  • Um Brinde – Quando vou parar de falhar?

    Um Brinde – Quando vou parar de falhar?

    Talvez a resposta seja “nunca!”. Mas isto não significa que posso ser um falho menos falho. Contraditório né!? Calma. Vou explicando aos poucos, mas não se anime, pois minha falha pode não deixar que eu consiga explicar.

    As vezes pensamos e até nos exaltamos dizendo que estamos e somos fortes. Mas e aí que está o problema: quando penso que estou forte, fraco estou. Certo que o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Porém, como entender isso? Deus é Pai, como um ótimo pai, sabe muito bem das fraquezas de seus filhos. Ele conhece bem cada vacilo que cometemos e vai nos corrigindo na medida em que possamos suportar. Mas como todo pai, Ele deseja que não falhamos mais. E aí que eu começo a desenvolver a explicação que falei no início: somos falhos pela natureza humana, por sermos pecadores, mas essa fraqueza pode ser natural. Já somos falhos e fracos, não precisamos forçar mais a barra e falhar por desejo e/ou planejado…

    Se fosse outro texto e em outra ocasião, iria pedir para brindarmos as nossas falhas, mas hoje convido o caro leitor a brindarmos nossos esforços para tentarmos ser um filho melhor desse Pai tão lindo e misericordioso! Vamos ouvir uma música?

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Fruto Sagrado

    O Fruto Sagrado, diferentemente da maioria das bandas de rock cristão que surgiram nesta época é do Rio de Janeiro. Começou como um quarteto, composto por Marcão (voz e baixo), Bênlio Bussinguer (guitarra e vocal), Marcos Valério (teclado e vocal) e Flávio Amorim (bateria e vocal). Oficialmente, a banda iniciou suas atividades em agosto de 1988, e ficou por durante anos ensaiando. Segundo Marcão, ex-vocalista do grupo, o Fruto Sagrado só teve a oportunidade de lançar o primeiro álbum em 1991. Durante os dois anos em que o conjunto ensaiava com o apoio da Igreja Presbiteriana Bethânia de Niterói, o Fruto Sagrado sofreu a primeira mudança em sua formação: o tecladista Marcos Valério teve problemas com a fé e deixou tudo, incluindo o grupo. Porém, algumas de suas composições ainda seriam registradas no primeiro álbum do Fruto.

    E só em 91 que a gente conseguiu lançar o 1° trabalho em estúdio que foi o álbum Fruto Sagrado. Já nessa época a gente lançou em três, porque assim que entramos no estúdio, Marcos Valério teve seus problemas de relacionamento com Deus e literalmente chutou o balde, pulou fora do barco e resolveu nadar contra a maré. Inclusive a música “Livre Arbítrio” do CD O Segredo foi feita para o Marcos Valério. O pessoal fica pensando que foi feita para o Flávio Amorim, porque ele saiu da banda, não foi não.

    As sessões de gravação, que duraram uma semana, com Bênlio assumindo também os teclados geraram o álbum Fruto Sagrado, uma produção independente com distribuição da Bom Pastor. Neste projeto, o grande destaque inicial é a música “Base Forte”, de Bênlio, apresentando o potencial criativo do grupo. Sozinho, ele também escreveu “Nunca mais”. Marcão, com o ex-integrante Marcos Valério escreveu “Fruto Sagrado”, “Guerra interior”, “O tempo vai cessar” e “Sem definição”. O trio Flávio Amorim, Bênlio e Marcão escreveram “Vazios de coração”, “Pra Acordar” e “Não me Deixará”.

    http://www.youtube.com/watch?v=bmvryXAl0n8

    Bênlio acabou assumindo os teclados, e nos shows a banda tocava com guitarristas. A banda efetivava o músico como integrante, mas em cerca de dois anos o indivíduo saía. Assim ocorreu na entrada e saída de  Wagner Junior, Paulo de Barcellos e outros. No final das contas, o Fruto Sagrado seguia na ativa com um núcleo bem sólido: Marcão, Bênlio e Flávio.

    Este trio produziria Na Contramão do sistema, o primeiro disco da banda com distribuição da Gospel Records. Seguindo a proposta do álbum anterior, que mesclava hard rock com progressivo, as críticas sociais neste projeto se tornaram bem mais intensas, com letras como “Jimmy” (sobre racismo), “Meninos de Rua” (segregação social de crianças) e até mesmo críticas a falsos profetas, como “Lobo Mau”.

    Leia também: Entrevista com Marcão (2003)

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Katsbarnea

    O que te faz pensar uma banda de rock surgida no fundo de uma igreja árabe, que era conhecida por seus membros serem muito loucos e ter um nome chamado Katsbarnea? Pois bem, essa banda, em minha opinião foi a mais ‘revolucionária’ dos anos 90. Desculpa Oficina G3, Fruto Sagrado, Catedral e todas as demais bandas, mas os quatro primeiros álbuns do Katsbarnea são clássicos. São sequências de discos muito bons, com repertório criativo, e os arranjos até hoje não superados pelas subsequentes formações. E melhor, um grupo que até certo momento nunca precisou gabar de si mesmo (como muitos fizeram por aí), preocupando-se apenas a fazer música.

    O Kats foi uma banda pela qual muitos integrantes passaram. Essas saídas e entradas, na verdade, não são uma suposta saída deliberada de membros, mas vários processos internos ocorridos, principalmente em seus primeiros anos. O grupo surgiu em meados de 1988, com uma formação grande. O projeto de estreia, O Som que Te Faz Girar, seria lançado em 1989, quando o grupo tinha cerca de um ano formado. Segundo Sandra Simões, uma das ex-integrantes, este álbum foi produzido por Domingos Orlando, o Mingo, integrante do Os Incríveis pelo fato de, na época, o músico ter gravado um projeto juntamente com Rod Mayer, e consequentemente conhecido o Katsbarnea, interessando-se pelo trabalho do conjunto. A formação inicial era composta por: Brother Simion (vocal, guitarra e gaita), Paulinho Makuko (percussão), Tchu Salomão (vocal e baixo), Patrícia (teclado), Fábio (bateria), Alessandra Orlando (back vocal), Sandra Simões (vocal), Cláudia Bastos (back vocal) e Marquinhos (sax).

    Nesta época, Alessandra inscreveu a banda no FICO, um concurso que ocorria no Colégio Objetivo onde estudava. O Katsbarnea ficou em primeiro lugar. Este projeto seria composto por canções em maioria escritas por Simion, nos vocais do cantor, exceto em “Brisa”, na voz de Tchu Salomão. “Salve a Tua Paz” foi um dueto entre Brother e Sandra.

    “Extra” é até hoje o hit do grupo. Sua textura sombria, e ao mesmo tempo divertida com os vocais femininos traz o individualismo como crítica. E que álbum começa com “Contato”? Meio cantada, meio falada, com sua pegada folk recebeu uma boa regravação no álbum solo de Brother Simion, lançado em 1992, ao qual falaremos em outro post. “Etéreo” e “Retrovisor” são duas canções que trabalham bastante a poesia e assuntos mais pontuais. “Essa energia não é nuclear, mas poderosa para o mundo em amor. Revolucionar”. O som do Kats é uma verdadeira colcha de retalhos, uma gaveta com peças distintas.

    “Grito de Katsbarnea”, assim como “Corredor 18”, “Extra” e “Viagem da Oração” são canções regravadas no segundo projeto do grupo, já com outra formação no Estúdio Transamérica. Nesta época, entrou Maurício Domene (teclado e arranjos), Márcio Domene (trombone), Chiquinho (trumpete), André Mira (guitarra) e Marcelo Gasperini (bateria).

    Este foi produzido por Maurício. Brother Simion, por sua vez apresenta boas composições, como “Apocalipse Now”, “Fumaça Arisca” e “Sepulcro Caiado”. O interessante é a temática droga nas canções. Paulinho Makuko, por exemplo, teve contato com LSD, e conta seu testemunho em “Corredor 18”. Brother Simion teve várias overdoses antes de se tornar cristão, e uma vida pessoal extremamente triste e devastadora, que acabou levando-o a ter conhecimento suficiente sobre tais temas e cantá-los. Em 1991, a formação do Kats mudaria drasticamente, mas isso é assunto para outro post…

  • Limão com mel – Músicas de grife

    Há algum tempo atrás, indaguei em meu perfil no Facebook, se meus amigos conheciam músicas de grife. A maioria não entendeu bem o que eu quis dizer e nem imaginavam que isso viraria um texto aqui no O Propagador. Pra não antecipar o que queria dizer com o termo, deixei o dito pelo não dito. Agora é a hora, vamos aos fatos.

    Você já se questionou como surgem as canções? Como elas são criadas? Como ela toma forma na voz de determinado cantor/banda/ministério?
    Cada compositor tem suas experiências particulares para compor. A grande maioria atribui ao divino, como se compor fosse algo sobrenatural, além das habilidades humanas. “Começo a falar com Deus, e de repente ele “me dá” uma canção”. “O Senhor me deu esta música em sonhos, foi incrível!”. “Quando estava aflito, passando por problemas, o Senhor falou comigo, então compus este hino”. Esses são alguns dos milhares “bordões” de compositores gospel. Não que não seja assim, algo sobrenatural o ato de compor, mas…

    Acontece que com o aquecimento do mercado musical gospel, esses feitos parecem que viraram parte do cotidiano dos compositores tamanha é a fabricação de canções. Tais canções ganharam status de super produção. O nome do compositor A ou B virou grife.

    Imagine que você quer um aparelho celular, e pode pagar pelo mais caro. Qual compraria? iPhone? Acho que o iPhone é um dos sonhos de consumo da maioria dos mortais assalariados os não assalariados também, mas Dilma ainda não criou o Bolsa iPhone, chateado rs. Pois é. Alguns compositores se tornaram “Apples” da música gospel. Suas canções são alvo do desejo insaciável de 10 em cada 10 cantores que querem fazer suce$$o.

    A máxima do mercado é que quanto maior for a demanda, mais valorizado é o produto. Aí já viu não é? Nem todos podem comprar iPhones. Quando vejo que um cantor novato conseguiu gravar uma música da grife, prevejo até motivo para nota da assessoria: “O single é de autoria de Fulano de Tal, que compôs os sucessos x, y e z nas vozes de grandes nomes da música gospel”. E daí?

    Gravar música de grife não garante sucesso. Primeiro que não adianta ter iPhone se ainda nem aprendeu a enviar SMS! É uma pena que a música cristã esteja caminho desta forma, buscando músicas fabricadas para emplacar nas rádios e cair na boca do público como se isso fosse o fim nisso mesmo. Claro que como qualquer trabalho comercial, um álbum precisa ser coerente com o que o mercado busca, mas como um trabalho cristão, onde o foco também é servir como ferramenta para o evangelho, esse não deveria ser o único ou o principal viés considerado.
    No entanto, porém, todavia…

    A falha não está apenas nos cantores que “solicitam” canções receitadas para o sucesso à “Apple”, mas também está no público que consome. A cantora Quincas da Silva só lança CD todo ano porque sabe que alguém vai comprar. Mesmo que nem tenha ouvido o anterior. “Quero uma música que fale de vitória, porque a daquela cantora estourou”. Note como as músicas cristãs vem se tornando descartáveis com o tempo. Assim como um celular que hoje é moderno, mas amanhã a Apple já lançou outro ainda mais equipado, as músicas também estão sendo deixadas de lado, esquecidas. Esse efeito “temporada” já é bastante comum no secular, onde lançam músicas pra carnaval, e um mês depois ninguém mais ouve falar. O gospel está no mesmo caminho. Será que daqui há 10 ou 20 anos nos lembraremos das canções que hoje estão tocando nas rádios?

    Aí no fim, faremos campanha contra o consumismo, contra o entretenimento, contra o oba-oba que virou o segmento. Coerência pra que?

    Limão com mel: porque a realidade nem sempre é tão doce quanto gostaríamos…

  • Um Brinde – Qual a sua linguagem?

    Um Brinde – Qual a sua linguagem?

    Estou tão cansado de ser eu. O ‘eu’ meu, não tem o mesmo Seu que eu queria que vivesse em mim.” – É legal quando um trecho poético desses toca o nosso coração. Diariamente sou agraciado com traduções de músicas em inglês que são verdadeiras poesias, e nesse delírio, já até passou pela minha cabeça a ideia de compor em inglês. Em Atos 2 lemos a descida do Espírito Santo e que os fiéis falaram em outras línguas. E analisando este texto, e mais após assistir a ministração do Rodolfo Abrantes, entendo que nós temos uma linguagem: seja ela usada para benefício ou condenação, ela tem uma função, basta encontrar-mos seu sentido. Como cantor, compositor, crítico musical, escritor e blogueiro, uso diversas linguagens para alcançar um determinado público: como vocalista da banda Volta&Meia, procuro atingir o público que ainda não conhece a beleza que há na poesia de cunho cristão. No meu trabalho solo, procuro passar um pouco do que sou afim de que as pessoas se identifiquem também. Em meus textos como blogueiro, relato temas do cotidiano para passar uma mensagem positiva. Qual tem sido a sua linguagem?

    Já paraste para pensar que em 24hs, dezenas de pessoas, e dependo da sua rotina, centenas de pessoas te observam? Nossa linguagem não é só o que sai da boca: já ouviu falar em LIBRAS? Sua postura é fundamental quando se quer passar uma mensagem á alguém. Qual tem sido sua linguagem? Lembro-me muito bem quando a banda Distrito92 chegou ao fim, mas tempos depois tive a ideia de um novo projeto, e assim nasceu o Volta&Meia. Quase choro quando o Tiago Abreu enviou-me uma composição sua ao meu pedido para o repertório da nossa banda. A música chama-se “Onde?” e eu tive a honra de harmonizá-la e ajudar a criar o arranjo. Mais uma vez eu te pergunto: qual tem sido sua linguagem? Talvez você não seja o tipo de pessoa que se preocupa muito com o olhar do próximo, porém evidencio a sua importância para o reconhecimento pessoal, pois é, não há muita diferença. O brinde de hoje será para as nossas linguagens. Diferentes modos de interpretação e dialetos fascinantes. Brindamos Atos 2!