Categoria: Colunas

  • Limão com Mel – Quando a música se torna clichê?

    Conversando com o amigo Diego M. Azevedo que tive o prazer de encontrar durante os dias que fiquei no Rio de Janeiro, acabamos chegando num assunto que achei pertinente discorrer em um texto. Afinal, o que faz uma música ser clichê? Quando ela se torna clichê?

    Analisando por um viés da música cristã, entendemos que a nossa música para ser caracterizada como cristã ou gospel como queiram, precisava trazer conceitos e mensagens religiosas, relacionados à fé que pregamos, devendo estar criteriosamente dentro do diz a Bíblia.

    Assim, surge uma dúvida: é possível que músicas baseadas na palavra de Deus se tornem “clichês”? Estaria a principal fonte de inspiração musical evangélica se tornando “batida” e comum?

    Atualmente surge no meio um novo movimento musical, por vezes intitulado de crossoverque não se rotula gospel, mas também não se coloca como secular. Poderíamos colocar que é uma intersecção entre os dois segmentos musicais, sendo possível ser consumida pelos dois mercados sem problema algum, visto que essa música não vem carregada de jargões religiosos, apesar de ter uma essência cristã, mas também não abusa de termos mundanos nem se opõe à vida cristã. Devagar, esse movimento vem conquistando apreciadores, principalmente no lado do “conjunto” evangélico.

    Não se sabe se vem pra ficar, se vai passar. Sabemos que não é algo novo, isso já foi tentado em outro momento da história da música cristã, como a banda Catedral, que por esse motivo foi alvo de inúmeras críticas sendo acusados de trocar a música gospel pela secular. Agora, em um novo momento, com cristãos mais receptivos, pode ser que o movimento frutifique, atualmente defendido por nomes como Palavrantiga, Tanlan, Marcela Taís, entre outros expoentes.

    Mas fugir do comum é fazer algo totalmente diferente? Não seria possível cantar a Bíblia sem os famosos bordões consagrados por cantores de renome, do tipo “Faz chover, chuva de bençãos, Eu vou conquistar, Vou vencer, O Deus de promessas”? Sim é possível. E tem gente mostrando como.

    Um desses nomes responde por Leonardo Gonçalves. Basta pegar o encarte de seu disco pra perceber que as composições não fogem da ótica cristã, mas não é um amontoado de frases feitas extraídas de nenhum almanaque gospel de motivação. Em Principio e Fim, Leonardo consegue mesclar poesia cristã com melodias que nos fazem viajar nas canções, refletir sobre ou apenas se deixar levar. Nessa vibe também surge os irmãos Arrais. Trazendo pela Sony Music o disco Mais, a dupla tem sido muito elogiada pela forma diferenciada como tem trazido mensagens cristãs, sendo considerado por muitos como um dos melhores projetos do ano. Impressionante como as composições são criativas, como são colocadas sem buscar o crossover, e muito menos ser clichê.

    Por fim, vale salientar que não existe fórmula da criatividade, da fuga do clichê. Caso se torne uma fórmula, o criativo e inovador passará a ser o novo clichê. A criatividade está justamente nisso, de fugir aos padrões e modelos, e para isso, não é preciso deixar de cantar a Bíblia, apenas que deixe de ver a música como um mero produto fabricado para vender, voltando a dar à música o status de arte, que é seu por direito.

    E pra você, quando a música gospel se torna clichê?

  • Ser Ester – A moda das camisetas

    Olá Meninas. Hoje vamos falar sobre um clássico que anda em alta: as T-Shirts, ou as boas e velhas camisetas. Presença indispensável em qualquer guarda-roupa, elas deixaram os visuais básicos e até desarrumados, para invadiram produções mais elaboradas, como looks para igreja, trabalho e festas.

    Fugindo do óbvio lulante da camiseta com jeans, podemos ver a peça aparecendo combinada com saias de todas as formas e comprimentos, paletós e acessórios destacados.

    Temos camisetas para looks de todos os gostos e estilos. Encontre o seu e se divirta fazendo produções que fogem do lugar comum, mas matem o conforto da camiseta associado a um chame extra.

    Camiseta com Saia Rodada

    Essa é uma das minhas combinações preferidas! Uma forma bacana de compor um look com inspiração lady like, mas de forma mais relax. Essa combinação é bacana, pois vai bem acompanhando de tênis à scarpin.

    Dica: quando for usar a saia rodada do joelho para baixo, prefira combinar com salto para alongar as pernas. Se a saia for um pouco mais curta, como a da Dani Araujo, o sapato rasteiro é uma boa pedida.

    Camiseta com saia rodada

     Camiseta com saia lápis

    Um look de trabalho, para ambiente menos formais ou mesmo para ir ao culto pode ficar muito interessante com uma camiseta.

    Dica: Como a saia é bastante justa na área do quadril, opte por uma camiseta mais larginha para balancear o visual. Salto também é um ótimo aliado para alongar ainda mais a silhueta.

    Camiseta com saia lápis

     Camiseta com Saia Longa

    A combinação da T-Shirt com saia longa pode ganhar uma aparência mais elegante ou despojada.

    Dica: Para um visual mais alongado para as baixinhas, opte por uma saia de cintura mais alta e aposte em um cinto.

    Camiseta com saia longa

    Camiseta com Sobreposição

    Parkas, paletós, jaquetas ou mesmo camisas sobrepostas são grandes aliadas das camisetas para criar visuais mais interessantes, sejam eles despojados ou mais arrumadinhos. Um tipo de sobreposição interessante – e que é hit entre muitas cantoras evangélicas – é a com uma terceira peça mais comprida abaixo da t-shirt, como a usada por Arianne e Ana Paula Valadão. Uma forma legal de combinar as três peças é colocar a peça de cima mais curta que a de baixo, criando camadas.

    Dica: Essa sobreposição tripla é mais indicada para as meninas mais magrinhas e com pouco quadril. Para quem tem quadril mais largo, peças de sobreposição mais compridas, como as da Mariana, Gabriela e da Brenda, são ótimas para das uma disfarçada na região.

    Camiseta com sobreposição

    T-Shirt Despojada

    Até agora apresentei diversas combinações de usar t-shirt de forma mais arrumadinha, tirando a peça um pouco de sua zona mais tradicional. Mas camiseta é, em essência, uma peça descolada e jovial. O legal, para quem tem um estilo mais cool, é fazer isso, mas com charme. Camisetas amplas inspiradas no universo hip hop, como a de Marcela Taís ou a primeira da Priscilla estão super na moda. O bacana é combinar com a calça mais justa e com algum diferencial, como a estampa ou os rasgadinhos. A combinação com calça saruel ou com camisa xadrez e tênis sneaker podem ficar bem bacanas. Outra ideia legal e inusitada é a sobreposição com kimono. Um charme.

    Camiseta descolada

    Diversos artistas e marcas evangélicas estão fazendo linhas de camisetas com temas cristãos bem bacanas. É uma excelente oportunidade para montar looks modernos e criativos levando a mensagem da nossa fé no peito e na roupa.

    Estejam com Deus e até a próxima!

  • Um Brinde – Quando vou parar de falhar – parte 2

    Um Brinde – Quando vou parar de falhar – parte 2

    Não lembro ao certo a última vez em que disse que não iria mais falhar e cumpri com minha palavra. Talvez isso nunca tenha acontecido. Deus, agora somos só nós dois e Você me olha assim dizendo: “Ah meu filho, como você apronta! Vai e não peque mais!” Não era para eu ter pecado. Mas pequei. Perdi perdão ao Pai e agora tento corrigir minha rota. E ouvindo Dallas Green me sinto mais humano e menos errante, e olha que o cara é muito falho. Mas talvez seja por aí mesmo: a gente escolhe, erra com a escolha e depois se arrepende de ter escolhido aquilo, no entanto não nos arrependemos do erro em si. Até porque o que nos levou ao erro foi a má escolha. E ainda se tratando de Dallas Green, nem sei se posso colocar uma música dele aqui, pois o cara não é cristão, sei lá. Mas sei que ele é platônico tal como sou, e nos identificamos muito, mesmo sem ele saber ao menos que o Acre existe, tanto mais eu.

    Há dois dias não peco conscientemente. Isso pra mim é como se fosse dois longos anos. Somos falhos, pecadores, errantes, mas não somos retardados. Podemos e temos consciência de que seremos melhores se quisermos. Parte de uma escolha, essa pensante e temente a Deus. Lembro-me bem de um riff pretensioso do AC/DC que quebra qualquer guitarrista que anseia tocar como um louco. Ou melhor, louco pra quem ver de longe, pois quem conhece do instrumento, diz que “ele é o cara!” E as falhas são espécies de aprendizados qualificativos, entende? É meio que não saber regular o tempo da bateria do seu celular pois gasta muito tempo trocando mensagens no Whatsapp e Facebook; como comer e deixar o prato na pia esperando um bom samaritano lavar; como tomar banho e deixar o banheiro todo molhado; e uma que eu acho mais perigosa: ouvir um hit de uma banda ou artista e achar que toda a discografia do mesmo presta.

    Eu até gostaria de responder a pergunta do título desse post, mas tenho medo, pois minha falha não me permite sequer saber se eu a cometi. Mas eu queria fazer algo diferente e te perguntar: “Quando você vai parar de falhar?” O álbum mais recente do City and Colour (Dallas Green) me remete muito três questões: amor + falha + ser humano. E mesmo o cara não sendo cristão, creio que precisamos ouvir essa música. Ah, e para eu não sair de herege, vou deixar a tradução aqui também. Um brinde a nossa vontade de mudança e ao amor!

    Todo mundo quer tudo / Não importa o preço, só queremos viver um sonho / Mas não conseguimos largar tudo que pensamos saber / A fuga antes de revelarmos o segredo

    Mas por que nos preocupamos mais com a pressa / Do que com a dor?

    Sempre tentando conquistar / O que não oferece / Qualquer coisa além de um coração partido

    Oh, o preço para amar

    Tudo que quero são coisas simples / Lamentar o que se foram e o tudo o que poderia ser

    Quando foi que desisti de tudo que sabia? / Esse erro tão grave me deixou sem esperanças

    Mas por que nos preocupamos mais com a pressa / Do que com a dor?

    Sempre tentando conquistar / O que não oferece / Qualquer coisa além de um coração partido

    Oh, o preço para amar / Oh, o preço para amar / O preço para amar

    Eu vou começar tudo de novo / Eu vou começar tudo de novo

  • Fique Sabendo – Marcos Almeida, Cassiane, Toque no Altar e muito mais

    Fique Sabendo está de volta! Depois de uns meses parada, a coluna volta com tudo para informar as principais notícias do mundo gospel em apenas um artigo. Leia e saiba as mais recentes novidades do meio!


    Biquíni de Natal - Marcos Almeida -2014 - singleMarcos Almeida inicia carreira solo lançando nova música – “Biquíni de Natal”

    O cantor e compositor Marcos Almeida, ex-vocalista do Palavrantiga, lançou, neste dia 8/12 uma nova música e clipe, intitulada de “Biquíni de Natal”. A canção, a distribuída pela Som Livre faz uma reflexão sobre a data natalina e o ato de Cristo. Sem maiores reservas, o músico também lançará um livro de contos.

    Sobre a música, Marcos disse: “Foi lançada hoje no iTunes a canção “Biquíni de Natal”. Os arranjos de cordas de Marcelo Rauta e o encarte digital de Angela Bacon somaram ao trabalho autoral uma força capaz de elevar e inspirar ainda mais a gente. Jordan Macedo foi brilhante nos volumes; é possível ouvir tudo o que precisávamos ouvir. Essa é uma obra pela qual me orgulho muito; ela me emociona toda vez que a ouço, como se fosse a primeira vez. Meu desejo é que todos que amamos possam ser tocados por ela de alguma forma. Biquíni de Natal é como imagino Cristo nos trópicos, é o céu se estendendo sobre a praia, é a paz que sinto quando vejo reconciliadas Nele identidade e eternidade, Brasil e Reino, pertencimento e jornada.”

    Recentemente, Marcos Almeida também teceu comentários sobre Paul McCartney, ex-Beatle que é um dos artistas mais bem sucedidos na história da música e sua turnê pelo Brasil: “Paul é certinho. Nosso primeiro e principal caxias do pop. Ele faz uma música que me toca não pela surpresa, mas pela simetria da forma“.


    Cassiane prepara próximo álbum

    A cantora pentecostal Cassiane está a todo o vapor com seu próximo disco, o primeiro após sua saída do selo gospel da Sony Music Brasil. O projeto, ainda, sem título está sendo produzido por seu marido Jairinho Manhães, e tem atraído a expectativa do público. Algumas sessões de estúdio foram divulgadas na página da cantora no Facebook, das canções “Em Nome de Jesus” e “Pra Casa eu Vou”. Os bastidores do álbum foram divulgados no canal da artista no YouTube.


    Toque no Altar vai voltar com novo álbum e formação

    O Ministério Apascentar de Louvor, mais conhecido por seu nome antigo, Toque no Altar voltará à ativa em breve, afirma o portal da banda. Um novo álbum, intitulado Extraordinário também será lançado.

    O último trabalho do Apascentar foi Ao Deus das Causas Impossíveis, em 2011. Davi Sacer, hoje em carreira solo fez participação especial como vocalista e principal compositor das músicas. Durante esta época, o grupo apresentou um vocalista, chamado Alexandre Dias. Mas a formação atual do grupo é diferente, e seu novo vocal é Samuel Vinholes. Já Rafael Bitencourt, líder do grupo após a saída de Luiz Arcanjo e Sacer em 2006 está em carreira solo.


    Memora lança novo clipe e single, “Ela”

    A banda de rock Memora, uma das representantes do novo movimento lançou, nesta última semana seu novo clipe e canção, “Ela”. A letra aborda a história de uma jovem, com um universo particular em desordem e uma busca constante de transformação. A banda, formada por Rafael Lima (vocal, guitarra e violão) Rod Xavier (vocal, guitarra) Filipe Lima (baixo e teclado) e William Mardônio Jr. (bateria) lançou um EP em 2013, contendo seis faixas.


    Novo Som lança single com a volta da formação clássica

    A banda de pop rock Novo Som, ícone do movimento gospel lança sua primeira canção inédita desde a volta do baixista Lenilton, conhecido por ter sido o principal compositor da banda em seus anos de ouro. A canção, intitulada “Espelho” está sendo distribuída digitalmente pela gravadora Mess Entretenimento. O grupo também comemora 25 anos de carreira.


    Fernanda Brum desabafa sobre críticas Da EternidadeFernanda Brum divulga capas e reclama de críticas do público

    A cantora Fernanda Brum, durante os dois últimos dias divulgou duas opções de capa para seu futuro álbum, Da Eternidade. A cantora começou esta técnica de marketing desde o disco Liberta-me, que também teve identidade visual produzida pela Quartel Design.

    Ambas as capas trabalhavam com o símbolo matemático que representa o infinito, mas bastou a artista publicar, em sua página do Facebook as opções de capa que parte do público relacionou o símbolo com satanismo. Fernanda apagou a postagem, afirmou publicar novas opções de capa: “Estamos orando. Estou criando um símbolo novo! Que não seja da matemática, do infinito! Agora, se alguém pegar pra coisa errada, não vão dizer que é do “coisa ruim”! Fui eu quem compus!

    Logo a cantora voltou atrás e divulgou a capa oficial do projeto:Fernanda Brum - Da Eternidade - 2015


    O que acharam dessas notícias? Na próxima semana tem mais, abraço!

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 2

    Tudo que Deus faz na nossa vida é para colocar as coisas no seu devido lugar.

    Todo cristão que começa a caminhar na direção contrária do mundo, sempre tem duras lições. E uma das perguntas que mais se ouve entre os filhos de Deus é: por que estou sofrendo provas?

    A teologia da prosperidade é um das linhas teológicas que diz que provação é do diabo e que o cristão por ser filho de Deus tem que ter uma vida de príncipe. Outro pensamento proclama que a prosperidade não é o enriquecimento financeiro, mas estar feliz com o que tem. E há outro argumento também, que diz que cristão sofre provas, mas isso deve acontecer como diz na bíblia. São três teses que tem as suas bases e argumentos, bíblicos ou não, mas olhando-os pela perspectiva teocêntrica, o primeiro é um absurdo e os dois últimos estão certos, contudo, eles são apenas partes do pacote do desenvolvimento salvação.

    Relatar que um cristão passa por dificuldades apenas porque tem que passar deixa o evangelho superficial. Cristo quando disse isso, queria dizer mais uma coisa. Paulo, no livro de Romanos, diz que TODAS as coisas cooperam para o bem daqueles que amam ao Senhor. Primeiro, Paulo no contexto em que vivia, estava sendo perseguido e passando por “coisas ruins”. Segundo, ele diz que tudo isso cooperava para o bem dele. Como alguém sofrendo diz que seu sofrimento coopera para o seu bem? Dizer também que a prosperidade é estar feliz com o que tem, tem seu fundo de verdade, mas ela se encaixa na mesma questão da primeira: ela tem seu lugar, mas não pode ser levado como um todo, pois também tornaria o cristianismo supérfluo, pois ficamos tristes sim com algum tipo de tormento.

    A provação, ou melhor, a lição tem um caráter edificativo e construtivo. Deus busca modelar nosso interior e não o exterior. Por isso que tudo coopera para o nosso bem, pois toda dificuldade quer nos ensinar algo ou nos fazer mais íntimos de Deus, apesar de que no início não entendemos nada. Aí também entra o argumento da felicidade. Não ficamos contentes com provações, ao contrário, Paulo chega a declarar que podemos ficar abatidos, angustiados, mas nunca desanimamos. A alegria divina é sobrenatural, vai além da felicidade passageira e superficial humana. Temos alegria enquanto estamos tristes. Parece contraditório, mas é a verdade.

    Agora, por que relatei na primeira frase do texto “Tudo que Deus faz na nossa vida é para colocar as coisas no seu devido lugar.”? No primeiro texto do “Tudo tem seu lugar”, escrevi que a vida é uma união de partes. Todo homem, cristão ou não, está em desordem em seu próprio ser. A provação é justamente o instrumento que Deus usa para colocar as coisas no seu devido lugar naqueles que O amam.

    Entre o que somos e o que deveríamos ser, há um enorme trajeto cheio de lições, e mesmo que todo aquele que ama a Deus se sinta confuso e angustiado, sem entender a bagunça ao redor de si mesmo, saiba que Deus apenas está organizando a desordem de seu ser interior, acarretando um enorme peso de glória nos dias que ainda estão por vir, no Grande Dia de seu retorno.

    Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

    Romanos 8.28

  • Rocklogia – Músicas seculares que edificam – parte 2

    Há uns meses, aqui na Rocklogia, foi publicado um post com exemplos de músicas seculares que possuem conteúdos fortemente aproveitáveis e coerentes com o cristianismo. Se, ainda, você não leu clique aqui e confira as canções já citadas e os motivos pelos quais essa lista está sendo feita.

    Caso você tenha sugestões, faça-as nos comentários. Toda opinião é bastante útil.

    Run Devil Run – Paul McCartney

    Paul McCartney, conceituado e mítico músico mais conhecido por ser um ex-Beatle lançou “Run Devil Run” em 1999, no álbum de título homônimo. A história por trás da música é bastante curiosa. O cantor estava em Atlanta, e numa loja de artigos encontrou um óleo de sais para espantar maus espíritos de título Run Devil Run. Paul achou o nome curioso, e mais tarde escreveu a letra, que utiliza-se de muito humor.

    Esta fase na carreira do cantor é ímpar, pois ele havia acabado de perder a esposa para o câncer, Linda McCartney. Em 1999, decidiu gravar um disco, com a maior parte do repertório composto por covers de hits dos anos 50. A banda que o acompanhou foram de grandes músicos, com destaque para David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd e Ian Paice, baterista do Deep Purple.

    Livin’ On a Prayer – Bon Jovi

    Clássico da banda, “Livin’ On a Prayer” conta a história de um casal que vive uma situação complicada no campo financeiro. Mas enquanto possuem um ao outro, já possuem o que é mais importante.

    A canção nos faz pensar e lembrar, mais uma vez que as pessoas que estão ao nosso lado são mais importantes que bens materiais ou posições de status que podemos alcançar.

    Any Road – George Harrison

    Apesar de cada beatle ter sua particularidade, George Harrison possui aspectos interessantes em sua vida e música. Mesmo não tendo uma tradição estritamente cristã, George era o integrante da banda que mais procurava e evidenciava uma busca pela espiritualidade. Várias de suas músicas apresentam essa questão.

    “Any Road”, que abre seu álbum póstumo é esse um dos exemplos. Relacionando os meios de transporte, as estradas e a incerteza dos caminhos da vida, o músico diz, em outras palavras que a melhor escolha é curvar-se ao Criador.

    How Can I Go On – Freddie Mercury e Montserrat Caballé

    Do álbum Barcelona, de 1988, com participação do baixista John Deacon no instrumental, o vocalista do Queen, Freddie Mercury faz uma espécie de desabafo sobre o HIV que tinha acabado de contrair. Nesta canção, o cantor pergunta: “como posso continuar?”, e pede o cuidado de Deus.

    A parceria entre o músico de rock e a cantora de ópera Montserrat Caballé é, até hoje um dos maiores crossovers da história da música.

    Dream On – Aerosmith

    Integrante do álbum de estreia da banda, “Dream On” é um dos maiores sucessos do Aerosmith. A banda, originada nos EUA nos brinda com essa música que, resumidamente fala sobre o curso da vida. Nascer, viver, envelhecer e falecer, o caminho da humanidade. Entretanto, mais importante do que isso é não deixar o que se faz hoje para amanhã, pois talvez, amanhã é o dia de sua morte.

    https://www.youtube.com/watch?v=92SIK4O2UD0

    I Still Haven’t Found What I’m Looking For – U2

    U2 já é uma banda mundialmente conhecida por sua influência no rock oitentista, e por ter a característica parcialmente (ou totalmente peculiar) de parte de seus integrantes serem cristãos assumidos mas não buscarem ser uma banda de “rock cristão”. Inimigos do grupo à parte, o U2 é uma banda extensamente respeitada, e The Joshua Tree é o seu álbum mais conhecido. Deste projeto,temos “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, com versos baseados em Iº Coríntios 13.

    Monte Castelo – Legião Urbana

    Já clichê nas listas de músicas seculares que temos por aí, “Monte Castelo” utiliza-se da mesma referência utilizada pelo U2, também tomando por referência versos de Camões. Integrante do álbum comumente mais respeitado da banda, As Quatro Estações, a canção possui uma letra e melodia simples.

    Dom Quixote – Engenheiros do Hawaii

    Dançando no Campo Minado é, geralmente um álbum do Engenheiros na “lista negra” de muitos da mídia especializada. Mas “Dom Quixote” é surpreendente. Sua lírica, certamente sarcástica brinca em como as pessoas são desacreditadas e ridicularizadas em tentar seguir com algo aparentemente impossível. Muito coerente com o contexto da fé cristã, não?

    https://www.youtube.com/watch?v=__bihwnurTI

    E você, se lembra de mais alguma música não listada aqui? Comente!

  • Limão com Mel – Cantores gospel também são humanos

    Parece óbvia essa afirmação, mas na prática, não é esse o entendimento que a maioria tem dos nossos cantores. O que vemos atualmente é uma enaltação dos mesmos, elevando-os a um nível além do restante dos mortais.

    Isso certamente coloca o cantor em uma situação bastante desconfortável, visto que precisam manter uma postura condizente com este status – a do “politicamente correto”. É preciso andar “pisando em ovos”, em sua neutralidade forçada, não podendo sequer emitir opiniões, pois isso pode desagradar alguém, e isso não é permitido. Porém, como todo ser humano, os cantores NÃO SÃO PERFEITOS, e por isso são passíveis de erros. Mas quando isso acontece, quem se lembra disso? E algo ínfimo toma proporções gigantescas (é o poder do boca -a – boca entre os evangélicos) onde cada um quer emitir o seu juízo.
    Pense: Você nunca errou? Nunca disse algo que se arrependeu depois? Então qual a diferença entre você e um cantor? Claro, os cantores são pessoas públicas. Mas isso os tornam diferentes de você?

    É importante que não esqueçamos: todos nós somos humanos! E quanto a julgar? Crente julgando? Crente espalhando inimizades? Infelizmente, esses são mais comuns do que deveriam. Falar que não podemos julgar e que apenas Deus tem esse poder é fácil e de praxe, mas na prática…

    Assim, nossos cantores acabam entre a cruz e a espada, sendo cobrados e julgados de negligentes e omissos por não opinarem e se engajarem nas campanhas promovidas por entidades e personalidades cristãs, e se o fazem, se opinam, também são criticados por polemizar. O fato é que andar sobre ovos não deve ser tarefa fácil, principalmente porque sabem: um dia a casca quebra! E quando isso acontecer…

    Quando isso acontecer, ao invés de sairmos por aí disparando acusações, paremos e nos coloquemos no lugar de quem estamos a julgar.

    Precisamos lembrar de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Será que nos sentiríamos como se fossem conosco?

    Se não pararmos para refletir, e mudarmos a nossa visão, haja advogado fiel para tantos julgamentos simultâneos.

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 1

    Por que reclamamos que tudo está desorganizado?

    O caminho da terra, rotação e translação, acontece com uma perfeição, a distância entre o sol e a terra tem a exatidão que define o equilíbrio da vida terrestre, as estações, e se algo estivesse em desordem, haveria alguma tragédia de indefinível tamanho. Mas e os dias? Por que sete dias, doze meses, etc. e etc.?

    As velhas reclamações dos atarefados de que o dia é curto demais, daqueles que estão apressados querendo tempos mais curtos e ninguém percebe que o tempo é sempre o mesmo, que temos um sol que nasce e se põe todos os dias, que a lua de segunda-feira é a mesma que a de sábado (a não ser que elas estejam em fases diferentes). A própria divisão de datas, anos é uma questão histórica e cultural, definida pelo calendário gregoriano, sendo que alguns países possuem dotações datais diferente da mais comum. Mas na essência, temos os mesmos dias e as mesmas noites.

    Então por que tanta reclamação contra o tempo? A verdade é que o homem se encontra em desordem. Longe da sua forma original, ele está em constante desequilíbrio interno e se tornando cada vez mais escravo de si mesmo. Mesmo com todas essas indagações de que o dia poderia ter mais horas, o desajuste está no próprio ser que enxerga, define e nomeia a divisão horária. Se tivéssemos um tempo que cremos ser o mais condizente com as nossas obrigações e direitos, ainda sim reclamaríamos.

    A relativização das coisas vem dessa “doença humana”. Ela perverteu o significado de que tudo tem seu lugar. A relatividade prega que tudo depende de um ponto de vista. Mas a cegueira humana não enxerga que na verdade, tudo depende de seu espaço. Quando o dia está chuvoso e frio, não sairemos com roupas curtas na rua, pois podemos gripar ou pegar algum mal respiratório. Quando está quente, não sairemos encapuzados, com roupas quentes, pois podemos sofrer alguma desidratação, etc. Se alguém se afogar, não vamos jogar uma âncora para a pessoa. Para cada doença, um determinado remédio, para cada problema, uma solução. A relatividade é apenas o resultado da desordem do ser interior.

    A bagunça no jogo humano é o efeito da falta de uma peça central. Em um edifício, se faltar a base, o sustentáculo, logo ele desabará. O nosso ser é como um todo conectado de partes. Quando a parte principal sai de cena, é como se as partes tentassem ocupar o lugar dela, logo elas saem do seu devido lugar, mas nenhuma consegue ocupar essa posição, pois esse lugar só é ocupado por uma única peça. E quando elas não estão de sua devida função, há uma desorganização geral, um efeito dominó devastador. Por exemplo, imagine um time de futebol. Acontece que, o goleiro machuca e o clube não possui um time reserva. Logo, outros jogadores são obrigados a cumprir esse papel, só que sempre alguém terá que sair de sua posição para cumprir uma nova formação a qual não tem os requisitos para cumprir e nem sabe como desenvolver essa nova obrigação.

    Essa metáfora ainda não consegue definir exatamente todo o conceito da desordem interior do ser humano, pois a peça principal que falta ao homem é Deus, e Ele não é só uma parte do sistema, mas a peça que conecta todas as partes, o ser que mantém tudo unido. Podemos tentar preencher esse espaço com todas as coisas possíveis, tirando elas de seu lugar, mas nada vai completar o homem, e ele vai continuar em sua bagunça até enxergar o que falta para tirar o vazio que há dentro de si mesmo.

    Reflitam na passagem bíblica e na música.

    Eclesiastes 3

    1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

    2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

    3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

    4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

    5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

    6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

    7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

    8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

  • Limão com Mel – Que venham as rosas, mas me poupem os espinhos

    E isso é normal. Como seres humanos, temos necessidade de reconhecimento pelo que fazemos. Apesar de alguns dizerem que não precisam ser reconhecidos por ninguém, fato é que o reconhecimento é importante sim. Imaginemos que façamos algo há algum tempo e ninguém reconhece o nosso esforço. A tendência é desistir, mudar de área, afinal qual o sentido de continuar fazendo algo apenas por fazer? Certamente na música também é assim.
    Quem nunca ganhou um RT (retuite no Twitter) por falar: “nossa que canção linda @fulana! Arrepiei, Deus bradou através de sua voz!” isso é tão comum… Vejo casos inclusive de pessoas que vivem de bajular cantores em busca de 2 minutos de fama e atenção… (mas isso é assunto para outro post rs).
    Mas e quando a música não é tão linda assim? E quando o clipe é medíocre e sem criatividade? Quando o CD é extremamente clichê e repetitivo? Se a capa é medonha? Quando a atitude do cantor em rede social é questionável? Quando se faz declarações polêmicas? Quando se manda indiretas no Twitter? O que fazer? Elogiar? Ignorar? Fingir que tudo é lindo e maravilhoso porque é para o Senhor?
    Parece que sim. Pelo menos é o que dão a entender quando se critica (fala a verdade) a respeito de algum trabalho gospel. Infelizmente, os envolvidos, fãs e cantores não costumam separar o trabalho da pessoa, trabalho comercial de unção. Critique e verás!
    Em sua coluna, há uns anos o jornalista Flávio Ricco publicou a seguinte observação:

    “Escrever sobre televisão, por extensão sobre qualquer assunto, tem coisas hilariantes. Você elogia um alguém e o trabalho dele a vida toda, na primeira crítica essa pessoa vira inimiga de infância. Mas como não existe “vacina” pra isso, segue o jogo. O recado é pra um só, mas como existem vários na mesma situação, vai no geral. Pt, saudações”.

    Digo idem para a música gospel. Maturidade mandou lembrança! Comemorar um post elogioso, dar RT num tuíte bajulador é normal, mas é preciso entender que nem tudo são flores, há espinhos também. É preciso aprender a lidar com eles.
    É difícil compreender essa postura de quem diz “buscar e primar pela verdade”. Fala-se tanto do desnível de qualidade da nossa música gospel em relação à música gospel internacional, mas que diferença é essa se está tudo lindo? Tudo ótimo?
    Oremos pelo dia em que fãs e cantores aprendam a separar trabalho, pessoa, unção. Que aprendam a lidar com a crítica, que vejam além do simples ato de criticar como forma de crescimento e mudança. Para que como diz Flávio Ricco, não se tornem nossos inimigos de infância. Oremos!
  • Rocklogia – O início do metal cristão no Brasil

    I.X.O.Y.E. Esta frase, traduzida para Jesus, Cristo, Deus, Filho, Salvador é o título do primeiro álbum de metal cristão brasileiro. A banda Calvário, de terras paulistas produziu este trabalho em 1993, época em que o rock cristão estava em seu auge, considerando a ascensão de várias bandas novas. Era hora do metal mostrar sua cara, e este disco é bem representado. Há de considerar que, à frente do seu tempo, o álbum é muito maduro. Com influências claras de Led Zeppelin e Black Sabbath (mesmo sendo bandas de hard rock) e, principalmente de Judas Priest, o heavy metal do grupo é bem construído, e além do instrumental, as letras das canções são bastante instigantes.

    Calvário surgiu em 1992, alcançou reconhecimento até no meio secular devido à qualidade do disco, mas logo se dissolveu por conta de discordâncias entre os integrantes em relação ao som da banda. O grupo se reuniu poucas vezes: uma delas foi em tributo ao Stryper. Mais recentemente, a banda voltou à ativa com uma formação diferente de vinte anos atrás, mas com alguns membros daquela época. Além da Calvário, outras bandas de heavy metal surgiram como Kletos e Martíria.

    De vertentes mais pesadas do metal surgiram muitas bandas, mas a mais conhecida, até os dias de hoje é o Antidemon. Fundada em 1994, o grupo de death metal produziu  demos e coletâneas até lançar Demonocídio em 1999, que se tornou um sucesso na carreira do grupo. Hoje, com vinte anos de carreira a banda soma vários álbuns lançados no Brasil e em vários países do exterior. Satanichaos e Apocalypsenow foram seus lançamentos subsequentes.

    A cena metal ganhou mais força ainda quando o Stauros lançou, em 1997 o álbum Sentido da Vida. Ganhando projeção, o grupo lançou ainda alguns títulos com canções em inglês, mas se dissolveu. Agora, mais recentemente o grupo voltou à ativa e em breve lançará novos trabalhos.

    É importante salientar que outras bandas da época, que não possuem ligação direta ao metal lançaram músicas do gênero. O Fruto Sagrado, certamente é o exemplo mais conhecido. O álbum O que a gente faz fala mais do que só falar, distribuído em 1995 possui influências evidentes do metal progressivo. Nos anos 2000, as influências do metal alternativo no som do grupo foram mais claras ainda. Mas isso é assunto para outro post…